Turquia testa míssil balístico antinavio TAYFUN Block 3 no Mar Negro
Ancara, 8 de julho de 2026 – A Turquia deu um passo relevante em sua capacidade de ataque marítimo de longo alcance ao testar com sucesso o míssil balístico TAYFUN Block 3, desenvolvido pela Roketsan, contra um alvo naval em movimento no Mar Negro. O disparo, realizado em 4 de julho, marcou a primeira demonstração pública turca de um míssil balístico nacional com capacidade antinavio, colocando o país em um grupo restrito de nações que desenvolvem esse tipo de armamento.
Segundo a agência estatal Anadolu, o TAYFUN Block 3 atingiu um alvo de superfície em movimento representado por uma embarcação não tripulada de aproximadamente 7 metros, semelhante a um pequeno barco de pesca. O teste empregou uma ogiva real, e o alvo foi adquirido por uma cabeça buscadora na fase terminal do voo, antes de ser destruído com precisão.
A principal novidade do Block 3 está justamente na integração dessa cabeça buscadora ao míssil balístico. Versões anteriores do TAYFUN eram associadas principalmente a ataques contra alvos fixos em terra, usando coordenadas pré-programadas. Com a nova configuração, o sistema passa a demonstrar capacidade de corrigir sua trajetória na fase final para engajar alvos navais móveis, um requisito essencial para um Anti-Ship Ballistic Missile (ASBM).
O diretor-geral da Roketsan, Murat İkinci, afirmou que o teste mostrou o nível alcançado pela engenharia turca na integração de buscadores em mísseis balísticos. Em publicação citada pela Anadolu, a empresa destacou que o TAYFUN Block 3 destruiu pela primeira vez um alvo marítimo móvel a longa distância com “precisão cirúrgica”, reforçando a dissuasão estratégica do país.
VÍDEO: Teste de lançamento do TAYFUN Block 3
A capacidade ASBM é considerada uma das mais complexas da guerra naval moderna. Diferentemente de um míssil balístico convencional, projetado para atingir alvos fixos, um míssil balístico antinavio precisa localizar, identificar e corrigir sua trajetória contra uma embarcação que pode alterar rumo e velocidade durante o tempo de voo. Essa exigência demanda sensores terminais, software de controle, comunicações, rede de vigilância marítima e elevada precisão na fase final de descida.
Fontes turcas classificaram o teste como uma estreia dentro da OTAN, ao afirmar que a Turquia se tornou o primeiro país da Aliança a demonstrar publicamente a destruição de um alvo de superfície com um míssil balístico dotado de capacidade antinavio. O conceito ASBM é geralmente associado a um grupo restrito de países, como China, Irã, Índia e Rússia, que investem em sistemas destinados a ameaçar navios de grande valor a partir de lançadores terrestres.
Do ponto de vista operacional, o TAYFUN Block 3 pode complementar mísseis antinavio de cruzeiro, como o ATMACA, oferecendo um perfil de ataque diferente: trajetória balística, grande velocidade terminal e ângulo de descida acentuado. Essas características reduzem o tempo de reação dos sistemas de defesa embarcados e aumentam a complexidade da interceptação por navios de superfície.
A família TAYFUN tornou-se pública em 2022, quando a Turquia realizou os primeiros testes do míssil balístico de curto alcance. Desde então, o programa evoluiu rapidamente, com variantes voltadas a maior alcance, maior carga útil e diferentes perfis de missão. A Roketsan também apresentou em 2025 o TAYFUN Block 4, descrito pela empresa como uma versão hipersônica e de maior alcance da família.
Ainda assim, especialistas observam que o teste não revela todos os parâmetros operacionais do sistema. Permanecem desconhecidos o alcance efetivo antinavio, o tipo de sensor usado na fase terminal, a resistência a contramedidas eletrônicas, a capacidade de discriminar alvos em ambiente congestionado e o desempenho contra navios de guerra protegidos por defesa aérea em camadas.
Mesmo com essas incógnitas, o disparo representa um avanço importante para a indústria de defesa turca. Para Ancara, o TAYFUN Block 3 amplia a capacidade de negar áreas marítimas no Mar Negro, no Egeu e no Mediterrâneo Oriental, reforçando a estratégia turca de dissuasão regional e de autonomia tecnológica em mísseis de longo alcance.■


“Fontes turcas classificaram o teste como uma estreia dentro da OTAN, ao afirmar que a Turquia se tornou o primeiro país da Aliança a demonstrar publicamente a destruição de um alvo de superfície com um míssil balístico dotado de capacidade antinavio.” Essa afirmação não é correta dado que o SM-6 já foi testado contra navios em 2016. Vale salientar que a imprensa leiga (e outras até não tão leigas) faz muita confusão acerca do termo “míssil balístico”. Míssil para ser considerado balístico NÂO VOA, portanto, NÂO TEM ASA. Ele só está subindo, no apogeu ou descendo. Nesse interim ele pode… Read more »
de qualquer forma, eu acho muito impressionante, eu qcredito que em uma guerra de alta intendidade, terá as marinha com grandes Radares de GaN e os Alvos kkkkkkkkkkk
“Essa afirmação não é correta dado que o SM-6 já foi testado contra navios em 2016.”
…
Mas o míssil SM-6 não é balístico, mesmo quando utilizado em missões de ataque a alvos de superfície distantes, onde ele segue uma trajetória elevada, é no máximo quase balístico.
Já para o caso aqui do post: Para missões antinavio, ele voa em uma trajetória de cruzeiro semibalística/de baixa altitude (trajetória balística somente no estágio terminal…).
E na sua própria definição, o SM-6 tem asas/aletas e voa, portanto não é balístico…

Um míssil semibalístico muitas vezes não tem asas no sentido clássico. As vezes bastam as “aletas” traseiras e a sustentação fornecida pelo corpo quando em alta velocidade, típicas de mísseis semibalísticos. – E sim, o SM-6 é semibalístico. O SM-6 se for empregado contra um navio a 400 km de distância irá ser lançado por um booster (primeiro estágio) e depois irá funcionar seu motor foguete principal que o colocará numa altitude de 40 km a Mach 3.5 onde irá planar até as proximidade do navio alvo e aí irá despencar numa trajetória balístico altamente vertical, com grande velocidade terminal… Read more »
Como podemos ver nesse gráfico oficial da USN, além do míssil SM-6, o SM-2 Block IIIC também tem capacidade antinavio. Ou seja, a USN possui 2 mísseis antinavios “balísticos” , mais corretamente , (semi-balísticos) lançados por navios. O USA também adota o SM-6 como míssil antinavio mas em 2028 deverá receber o PrSM Increment II, compatível com o sistema MLRS e HIMARS , com alcance de 600 km. O AIM-174 (versão lançada do ar do SM-6) muito provavelmente conserva a sua capacidade antinavio, ainda que a função primária seja ar-ar. Outros mísseis “semi-balísticos” antinavios são o AARGM , o AARGM-ER… Read more »
Não verifiquei, mas salvo engano nenhum destes mísseis é balístico.
Embora os nomes míssil balístico e semi-balístico façam parecer que são mísseis quase iguais, na realidade são bastante diferentes…
Os chineses para ter isso, fazem o Míssil descer meio de barriga para dar desacelerada e depois usam um sensor radar e um IR, mesmo com plasma e o calor, um feito de engenharia impressionante, e a Turquia indo atrás disso. parabens
“A União Soviética foi o primeiro país a desenvolver e testar um míssil balístico antinavio (ASBM) na década de 1970 com o modelo R-27K, embora o projeto nunca tenha entrado em operação. ”
Contudo, a China com o DF-21D foi a primeira nação a conseguir desenvolver e implantar com sucesso, em 2010, um míssil balístico antinavio operacional.
Parabéns a eles, o caminho atual é esse, é isso que uma marinha como a dos EUA teme, mas esse barco estava parado, e não em movimento.
Se um país não tem capacidade de fazer frente e rivalizar com outras Marinhas de potências tradicionais, o mais sábio é apostar milhares de dólares em misseis poderosos para sua defesa, para negação do espaço aéreo e marítimo. https://www.forte.jor.br/wp-content/uploads/2026/05/Yildirimhan.webp Não é por acaso que no SAHA 2026,a Turquia apresentou ao mundo seu primeiro míssil balístico intercontinental, chamado ‘Yıldırımhan’( “Khan do Trovão” ou “Rei do Trovão” em turco…)com alcance de 6 mil quilômetros, velocidade de Mach 9 a Mach 25 e capacidade de carga de 3.000 quilogramas. É de países como esse e sua BID que deferíamos estar nós aproximando, mas… Read more »
e a Turquia …. ninguém segura ela.
Parabéns aos Turcos, mas o alvo não estava tão em movimento assim…mas tá valendo e muito.
É do que precisamos! Não temos capacidade de rivalizar com potências e superpotências em número de Navios e submarinos, custam muito, muito caro e demoram meses e meses para ficarem prontos. Mas sistemas terrestres armados com Anti-Ship Ballistic Missile (ASBM), certamente deveria ser algo a apostar. Duvido muito que teremos o número ideal de aeronaves Gripen-E, no máximo um número meia boca, meio termo, para dizer que está tudo muito bem. Futuros inimigos virão pelo mar e pelo ar, portanto uma defesa feita por radares e sistemas de mísseis de qualidade seria o ideal, um bom começo para quem não… Read more »