Bundestag aprova compra de quatro fragatas MEKO A-200 DEU para a Marinha Alemã
Contrato estimado em 6,3 bilhões de euros inclui opção para outras quatro unidades; navios serão especializados em guerra antissubmarino e o primeiro deverá ser entregue em 2029
BERLIM — A Comissão de Orçamento do Bundestag, o Parlamento alemão, aprovou a aquisição de quatro fragatas MEKO A-200 DEU para a Marinha Alemã, abrindo caminho para a assinatura formal do contrato com a TKMS. A decisão também contempla uma opção para a compra de navios adicionais, que poderá elevar a nova classe a um total de oito unidades.
O valor estimado para as primeiras quatro fragatas é de aproximadamente 6,3 bilhões de euros. A opção para outras quatro unidades, avaliada em cerca de 5,3 bilhões de euros, ainda dependerá de uma nova autorização parlamentar e poderá ser exercida até o final de 2026.
Segundo a TKMS, trata-se do maior contrato de navios de superfície da história da empresa. A companhia informou que os trabalhos preparatórios já estavam em andamento antes da aprovação final, com o objetivo de cumprir o cronograma acelerado determinado pelo governo alemão diante da deterioração do ambiente de segurança europeu.
A primeira MEKO A-200 DEU deverá ser entregue à Bundeswehr em dezembro de 2029. Após os testes de aceitação dos sistemas de armas, previstos para o início de 2030, o navio poderá ser incorporado operacionalmente à frota. O planejamento estabelece ainda a entrega de uma nova fragata a cada nove meses.
Nova espinha dorsal da guerra antissubmarino alemã
As novas fragatas serão configuradas principalmente para missões de guerra antissubmarino, capacidade considerada insuficiente tanto na Marinha Alemã como no conjunto das forças navais da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
A Alemanha pretende empregar os navios na vigilância e contenção da atividade submarina russa no Atlântico Norte, no Mar do Norte e no Mar Báltico, além de utilizá-los na proteção de rotas marítimas, infraestruturas submarinas e forças navais aliadas.
Segundo a Bundeswehr, a MEKO A-200 DEU deixará de ser apenas uma solução provisória e deverá se tornar a principal plataforma alemã para a caça a submarinos. O inspetor da Marinha Alemã, vice-almirante Jan Christian Kaack, afirmou que o país necessita colocar rapidamente novos navios na água, especificamente equipados para essa missão.
Com deslocamento operacional de aproximadamente 4.000 toneladas e 121 metros de comprimento, a MEKO A-200 DEU será relativamente compacta em comparação com as fragatas F126 originalmente planejadas. A tripulação básica será formada por 121 militares, com capacidade para transportar outros 35 profissionais.
A configuração antissubmarino deverá incluir sonar de casco, sonar rebocado, tubos de lançamento para torpedos leves MU90 e um helicóptero NH90 Sea Tiger, equipado com seus próprios sensores e armamentos para detectar e atacar submarinos a maiores distâncias.
Os navios também deverão receber um sistema de lançamento vertical para mísseis antiaéreos, lançadores para armamentos contra alvos navais e terrestres, canhões, sensores eletro-ópticos, radares e equipamentos de guerra eletrônica.
O sistema de combate será adaptado às necessidades específicas da Marinha Alemã. A sigla “DEU” identifica justamente a configuração nacional do projeto, com armas, sensores, comunicações e equipamentos selecionados para operar de maneira integrada com outras unidades da frota.
Alemanha acelera construção
Embora a aprovação definitiva tenha ocorrido em 8 de julho de 2026, a construção da primeira fragata já havia começado. Um contrato preliminar, autorizado anteriormente pelo Parlamento, permitiu que a TKMS reservasse capacidade industrial, encomendasse componentes e contratasse fornecedores.
Os primeiros trabalhos com aço começaram em fevereiro de 2026, e o batimento de quilha ocorreu em maio. O cronograma prevê pouco mais de quatro anos entre o início formal do projeto e a entrega da primeira unidade, período muito inferior aos cerca de dez anos normalmente necessários para desenvolver e construir um navio militar dessa categoria.
A velocidade do programa é favorecida pela utilização de um projeto já testado internacionalmente. Fragatas da família MEKO A-200 foram construídas para outras marinhas, permitindo à TKMS aproveitar linhas de fornecedores, métodos de produção e conhecimentos técnicos acumulados.
A empresa também manteve elementos fundamentais do projeto original para evitar atrasos. A propulsão combinará dois motores a diesel com uma turbina a gás ligada a um sistema adicional de hidrojato. A velocidade máxima deverá superar 27,5 nós, enquanto a autonomia operacional no mar será de aproximadamente 28 dias.
De acordo com a TKMS, modificações profundas no casco, na propulsão ou na arquitetura básica do navio comprometeriam a meta de entrega em 2029. A estratégia alemã, portanto, concentra-se em adaptar os sistemas de combate, preservando o máximo possível do desenho já existente.
Substituição do problemático programa F126

A decisão de adquirir até oito MEKO A-200 DEU está diretamente relacionada ao encerramento do programa das fragatas F126, anunciado pelo Ministério da Defesa da Alemanha em 24 de junho de 2026.
Originalmente, Berlim planejava construir seis fragatas F126, navios maiores e de emprego multimissão, com destaque também para a guerra antissubmarino. O projeto, porém, acumulou atrasos, dificuldades técnicas e aumentos de custos.
Segundo o Ministério da Defesa alemão, a transferência do programa para um novo contratante principal elevaria o valor negociado para aproximadamente 15,2 bilhões de euros. Somados os contratos complementares e outros compromissos já assumidos, a necessidade financeira total poderia superar 18 bilhões de euros.
O governo também teria de renunciar a possíveis pedidos de indenização contra o contratado anterior para concretizar a transferência, condição considerada incompatível com o uso responsável dos recursos públicos. Diante desse cenário, o Ministério da Defesa encerrou o F126 e decidiu concentrar os investimentos nas fragatas da TKMS.
A mudança representa uma opção por navios menores, menos complexos e capazes de ser entregues mais rapidamente. Para a Marinha Alemã, as MEKO A-200 DEU podem cumprir a missão central de guerra antissubmarino e atender aos compromissos assumidos pela Alemanha com a OTAN.
Limitações do projeto
A adoção de um navio mais compacto também envolverá compromissos. Representantes da Marinha Alemã reconheceram que o espaço disponível para futuras modernizações será limitado, especialmente quando comparado ao previsto para as fragatas F126.
A instalação de novos equipamentos, armas ou sensores de grandes dimensões poderá exigir alterações complexas. As condições de acomodação também serão mais apertadas, com corredores estreitos e alojamentos coletivos maiores.
Apesar dessas limitações, o governo considera que a rapidez de entrega e o menor risco técnico compensam as restrições. A padronização da frota também poderá reduzir custos de treinamento, manutenção, peças sobressalentes e apoio logístico.
Para Oliver Burkhard, CEO da TKMS, a seleção da MEKO A-200 DEU representa um sinal para toda a indústria marítima de Defesa da Alemanha e reforça a importância das capacidades navais na defesa nacional e coletiva. O executivo destacou que a empresa trabalhará com parceiros industriais de várias regiões do país para cumprir os prazos estabelecidos.
Com a autorização parlamentar, Berlim dá início a um dos programas navais mais acelerados de sua história recente. Caso a opção pelas quatro unidades adicionais seja confirmada, as oito MEKO A-200 DEU deverão formar, durante as próximas décadas, o núcleo da capacidade alemã de guerra antissubmarino e uma contribuição relevante para as forças marítimas da OTAN.■

| Característica | Informação |
|---|---|
| Designação | MEKO A-200 DEU, futura classe F128 |
| Construtor principal | TKMS |
| Operador | Marinha Alemã – Deutsche Marine |
| Missão principal | Guerra antissubmarino, proteção de forças navais e defesa nacional e coletiva no âmbito da OTAN |
| Unidades aprovadas | 4 fragatas |
| Opção contratual | Até 4 fragatas adicionais, sujeitas a nova aprovação parlamentar |
| Deslocamento operacional | Cerca de 4.000 toneladas |
| Comprimento | 121 metros |
| Boca | 16,3 metros |
| Calado | 6,1 metros |
| Propulsão | Dois motores a diesel e uma turbina a gás associada a um propulsor por jato de água |
| Velocidade máxima | Superior a 27,5 nós |
| Permanência no mar | Até 28 dias |
| Tripulação básica | 121 militares |
| Pessoal adicional | Capacidade para até 35 pessoas |
| Sensores antissubmarino | Sonar de casco e sonar rebocado |
| Armamento antissubmarino | Tubos de torpedos para torpedos leves MU90 |
| Defesa antiaérea | Sistema de lançamento vertical para mísseis antiaéreos; modelo e quantidade ainda não divulgados oficialmente |
| Ataque de superfície | Lançadores para mísseis contra alvos navais e terrestres; configuração ainda não divulgada |
| Artilharia | Diferentes sistemas de canhões; modelos e calibres ainda não confirmados oficialmente |
| Aviação embarcada | 1 helicóptero naval NH90 Sea Tiger, equipado para guerra antissubmarino |
| Características furtivas | Superestruturas e costados inclinados para redução da assinatura radar |
| Valor das quatro primeiras | Aproximadamente € 6,3 bilhões |
| Opção para mais quatro | Aproximadamente € 5,3 bilhões |
| Início da construção | Primeiros trabalhos com aço em fevereiro de 2026; batimento de quilha em maio de 2026 |
| Primeira entrega | Prevista para dezembro de 2029 |
| Ritmo de entrega | Uma fragata a cada nove meses após a primeira unidade |

Algo me diz que este projecto é temporário daqui a 10 15 anos estes navios vão estar no mercado… Marinhas com poucos recursos deviam ficar de olho…
Meko A 200 de 4000 mil toneladas? Pode isso Arnaldo?
Então era mais jogo A200 do que A100 Tamandaré com 3200 t.
Era mais jogo o que cabia no orçamento. O Projeto MEKO é modular, um lego gigante.
3x mais cara.
Nosso contrato saiu por cerca de 2 bi de euros e já esta difícil de pagar, imagine 6,3 bi de euros.
1,3 bilhão de euros por cada fragata de 4.000t. Caríssimo. TKMS rindo de orelha a orelha.
Deve ser banhada a ouro
Sem stress. O dinheiro sai do governo alemão, é financiado pelo governo alemão, e fica dentro da Alemanha.
Fica no bolso do acionistas apenas
Vc se esqueceu do salário dos ~8500 funcionários, os ~700 milhões de Euros em salários e ~ 50 milhões de Euros em impostos, todos na Alemanha. Sem contar os demais gastos locais. Além do mais, em 2025, não houve distribuição de lucros para os acionistas, para capitalizarem a empresa.
Mas para ter essa informação é necessário algum esforço (mesmo que pequeno). Muito mais fácil recorrer a velha ladainha do DCE.
6,3 bi de euros para 4 Fragatas da 1,57 bi cada.
Mais do que caríssimo. Kkkk
São os sensores e armamento que aumentam a conta, não é o projeto em si…qual canhão, Defesa Antiaérea, quantidade de mísseis, torpedos, radar etc
Sim. Só quis dizer que é óbvio que essas são muito melhores, mas o orçamento é completamente fora da nossa realidade.
Se não me engano serão 32 células MK-41 para até 128 mísseis ESSM Block 2 + 2 sistemas RAM com mais 42 mísseis antiaéreos, totalizando 170 mísseis antiaéreos e 8 NSM.
As nossas Tamandare com míseros 12 sea ceptor e 4 MANSUP.
Parece piada.
Na verdade cada navio sai por mais de 1,5 bilhões de euros
Mais de 1,5 bilhão no primeiro lote, que inclui o desenvolvimento. No segundo lote serão 5,3 bilhões por 4 navios.
Interessante que ela será menor que a classe F-125, atualmente em operação.
Porém a tecnologia embarcada já é bem superior.
Qual tecnologia embarcada?
No setor automotivo, a suíte eletrônica equivale de 20 a 1 25% do valor total de um veículo. Isso para veículos a combustão atuais. No setor militar, para embarcações especializadas, a média é de 45 a 50%. Se formos avaliar e comparar com nossa classe Tamandaré, verá que, apenas em sensores, radares, etc. o custo só da eletrônica é maior que o valor total de cada embarcação da classe Tamandaré. E nem calculando pelo percentual. Avaliando os equipamentos ja divulgados. Referente as F-125, foram projetadas para outro contexto. As novas MEKO A-200 DEU adotam uma suíte eletrônica de guerra de… Read more »
Mais de 1 bilhão e 600 milhões de euros por uma Fragata de porte medio de 4 mil toneladas, ja era questionavel a marinha americana pagar 1bilhão e 700 milhoes de dolares por uma fragata pesada que na pratica era um destroyer de porte leve de 7 mil toneladas, quem dira pagar um preço parecido por 3 mil toneladas a menos
Enquanto isso a marinha chinesa cresce. As demais não conseguem repor.
E tem pessoas que falam que a Tamandaré estava cara, só da para pagar 3 Tamandaré por cada uma, a não ser que sejam com uma boa quantidade de MK41, o custo do helicóptero esteja incluído e o custo dos mísseis, não sei como daria mais de 1 bilhão de euros por navio, uma FDI é muito mais barata e tem mais tempo de permanência de mar, 17 dias de permanência de mar a mais, se esse número de 28 dias for o que irá para o design final, qual é o alcance dessa fragata?
. O mastro integrado que está presente nessa ilustração se parece muito com o sistema da SAAB, que estão equiapando as corvetas da Finlândia. . Sendo assim, apresenta toda a parafernália tradicional para guerra eletrônica, comunicações, IFF, IRSS, até chegar nos quatro radares de painéis fixos Sea Giraffe 4A, banda S e um radar Sea Giraffe 1X, bada X. Ainda tem os dois radares DT CEROS… . O navio vai exergar e dar combate desde o dronezinho até míssil supersônico. . Colocaram um canhão 76mm no lugar do 127mm, provavelmente por conta do peso. 16 células do Mk4, que talvez… Read more »
Se não me engano para agilizar a construção eles vão seguir as especificações das A-200 derrotadas na concorrência da Austrália.
Hidrojato foi mantido e já era de se esperar, afinal, a F128 é para ontem. Sobre essa A200 aqui? Esse detalhe aí é crucial para… Não, obrigado. Se a MB gostasse do waterjet já teria adotado a A200 no lugar da A100. É um projeto mais maduro e do qual a MB já teve contato. Agora, uma nova fragata desenvolvida pela TKMS no Brasil com apoio da MB pode criar uma variante diferente e direcionada a alguns perfis de marinhas mundo afora. Quem sabe uma fragata de 6.000 toneladas de baixo custo, uma anti-Type 31, a ser feita no Brasil… Read more »