Morre Sir Sam Neill, o capitão Borodin de ‘Caçada ao Outubro Vermelho’, aos 78 anos

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Captain Second Rank Vasily Borodin

Capitão de Segunda Classe Vasily Borodin

Ator neozelandês morreu repentinamente em Sydney, após ter anunciado que estava livre do câncer. Para o público ligado ao universo naval, ele deixa uma interpretação memorável como Vasily Borodin, imediato do submarino soviético Red October

O ator neozelandês Sir Sam Neill, conhecido mundialmente por filmes como Jurassic Park, O Piano e Caçada ao Outubro Vermelho, morreu na segunda-feira, 13 de julho, em Sydney, na Austrália, aos 78 anos.

A família informou que a morte foi repentina e inesperada, mas ressaltou que Neill permanecia livre do câncer. O ator havia sido tratado de um câncer sanguíneo em estágio três e, em abril, anunciara que a doença estava em remissão. A causa específica da morte não foi divulgada.

Embora o grande público o identifique principalmente com o paleontólogo Alan Grant, da franquia Jurassic Park, Neill ocupa um lugar especial entre os admiradores de filmes navais por sua atuação como o capitão de 2ª classe Vasily Borodin em Caçada ao Outubro Vermelho, lançado em 1990.

O imediato do Red October

No filme, Borodin é o imediato do capitão Marko Ramius, interpretado por Sean Connery, a bordo do Red October, um submarino soviético fictício da classe Typhoon equipado com um revolucionário sistema de propulsão silenciosa.

Baseado no romance de Tom Clancy e dirigido por John McTiernan, o thriller acompanha a tentativa de Ramius e de seus principais oficiais de desertar para os Estados Unidos com o submarino. Enquanto a Marinha soviética mobiliza grande parte de sua frota para destruir a embarcação, o analista da CIA Jack Ryan, vivido por Alec Baldwin, tenta convencer os comandantes norte-americanos de que Ramius não pretende iniciar uma guerra nuclear.

Borodin é apresentado como um oficial disciplinado, tecnicamente competente e profundamente leal ao comandante. Neill construiu o personagem sem exageros, recorrendo à postura, ao olhar e a uma interpretação contida para transmitir a tensão de um homem que havia decidido abandonar não apenas sua Marinha, mas também seu país e toda a vida que conhecia.

O catálogo do American Film Institute identifica Sam Neill como o capitão Borodin e registra sua participação nos momentos centrais da trama, incluindo as conversas com Ramius sobre a possível vida dos oficiais soviéticos nos Estados Unidos.

O sonho de uma nova vida

Uma das cenas mais lembradas do filme ocorre quando Borodin fala sobre os planos para depois da deserção. Enquanto o submarino atravessa silenciosamente o Atlântico Norte, o oficial imagina uma vida distante da União Soviética, com liberdade para viajar, casar-se e estabelecer-se no interior dos Estados Unidos.

Seu desejo de conhecer Montana tornou-se uma das referências mais marcantes do filme. A simplicidade daquele sonho humaniza o oficial soviético e reforça a ideia de que a deserção não era motivada apenas por estratégia ou política, mas também pela esperança de construir uma existência comum longe da vigilância do Estado.

A trajetória do personagem, porém, termina de forma trágica. Durante o confronto final dentro do submarino, Borodin é atingido pelo agente soviético que havia permanecido clandestinamente a bordo para sabotar a deserção. A morte ocorre pouco antes de o imediato alcançar a liberdade que havia imaginado.

Neill transformou uma participação secundária em um dos elementos emocionais mais importantes da produção. Sua interpretação deu ao personagem uma dignidade silenciosa que contrastava com a grandiosidade tecnológica e militar da história.

“Vou morar em Montana. E vou me casar com uma americana bem rechonchuda, criar coelhos, e ela vai prepará-los para mim. E terei uma caminhonete… talvez até um ‘veículo recreativo’.”

— Capitão Vasily Borodin, Caçada ao Outubro Vermelho

Um clássico do cinema naval

Caçada ao Outubro Vermelho foi lançado no momento final da Guerra Fria, quando a União Soviética ainda existia, mas o sistema político e militar do bloco oriental já demonstrava sinais evidentes de enfraquecimento.

O filme combinou guerra antissubmarino, inteligência, estratégia nuclear e operações navais com um enredo essencialmente humano. Em vez de apresentar todos os marinheiros soviéticos como inimigos sem rosto, mostrou oficiais profissionais divididos entre o dever militar, a lealdade pessoal e a rejeição ao sistema político que serviam.

O trabalho sonoro foi fundamental para criar a atmosfera claustrofóbica dos submarinos e distinguir radares, sonares, torpedos e sistemas de propulsão. A produção venceu o Oscar de melhor edição de efeitos sonoros e também recebeu indicações nas categorias de montagem e mixagem de som.

Décadas depois, o filme continua sendo uma das principais referências cinematográficas sobre operações submarinas, ao lado de produções como Das Boot e The Enemy Below. Embora contenha liberdades técnicas e dramáticas, sua ambientação, ritmo e interpretação dos oficiais ajudaram a estabelecer um padrão para os thrillers navais modernos.

Uma carreira de mais de cinco décadas

Nascido Nigel John Dermot Neill em 14 de setembro de 1947, em Omagh, na Irlanda do Norte, Sam Neill mudou-se ainda criança com a família para a Nova Zelândia. Iniciou sua carreira no cinema neozelandês e alcançou projeção internacional com My Brilliant Career, de 1979.

Ao longo das décadas seguintes, demonstrou grande versatilidade em dramas, suspenses, filmes de terror, produções históricas e grandes sucessos comerciais. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão Possessão, Um Grito no Escuro, Terror a Bordo, O Piano, À Beira da Loucura, O Enigma do Horizonte, Hunt for the Wilderpeople e a série Peaky Blinders.

A fama mundial chegou principalmente em 1993, quando interpretou o doutor Alan Grant em Jurassic Park, dirigido por Steven Spielberg. Neill voltou ao personagem em Jurassic Park III e, posteriormente, em Jurassic World: Dominion. Também recebeu indicações ao Emmy e ao Globo de Ouro por trabalhos na televisão.

Em 2022, passou a utilizar oficialmente o título de Sir após ser redesignado Cavaleiro Companheiro da Ordem do Mérito da Nova Zelândia por seus serviços à interpretação. Ele já havia recebido anteriormente a distinção de OBE e uma condecoração equivalente na ordem neozelandesa.

A luta contra o câncer

Neill revelou publicamente em 2023 que havia sido diagnosticado com uma forma rara de linfoma não Hodgkin. O tratamento inicial deixou de produzir os resultados esperados, mas uma terapia alternativa conseguiu controlar a doença.

Em abril de 2026, o ator anunciou que estava livre do câncer após participar de um tratamento clínico. A família destacou que sua morte, poucos meses depois, não ocorreu durante uma recaída conhecida da doença e descreveu a perda como súbita.

Neill havia transformado a experiência com a doença em parte de suas memórias, mas insistia que seu livro não deveria ser entendido apenas como um relato sobre o câncer. Para ele, a enfermidade funcionara como um impulso para registrar histórias de infância, da carreira, das filmagens e das pessoas que conheceu.

Homenagens em todo o mundo

A morte provocou homenagens de atores, diretores e autoridades da Nova Zelândia e da Austrália. Steven Spielberg recordou a capacidade de colaboração de Neill e sua importância para a família cinematográfica de Jurassic Park. Laura Dern o descreveu como um amigo de toda a vida, enquanto Cillian Murphy destacou sua bondade, humor e talento.

O primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, afirmou que Neill ajudou a levar as histórias do país ao mundo durante mais de meio século e contribuiu para transformar o cinema neozelandês em uma de suas principais exportações culturais.

O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, lembrou a presença de Neill em numerosas produções australianas e destacou a maneira digna e bem-humorada com que enfrentou a doença.

A permanência de Borodin

Para o público naval, a despedida de Sam Neill também remete ao oficial que nunca chegou a ver Montana.

Vasily Borodin não era o comandante do Red October, o responsável pela deserção ou o protagonista encarregado de impedir uma guerra. Ainda assim, sua lealdade a Ramius, sua serenidade diante do perigo e sua esperança de uma vida livre deram ao filme parte de sua força humana.

Neill demonstrou que um personagem secundário poderia representar o custo pessoal de uma decisão estratégica. Por trás das frotas mobilizadas, dos torpedos lançados e da disputa entre superpotências, existiam marinheiros obrigados a escolher entre as ordens recebidas e aquilo em que realmente acreditavam.

Sua carreira atravessou mais de cinco décadas e alcançou públicos muito diferentes. Para milhões, será sempre o doutor Alan Grant diante dos dinossauros de Jurassic Park. Para os admiradores do cinema naval, permanecerá também como o firme e discreto imediato do submarino mais famoso da ficção da Guerra Fria.

Bons ventos e mares tranquilos, Sir Sam Neill.■




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Yluss

Simplesmente, Sensacional o filme, e inesquecível a participação do ator, que seguirá vivo em nossas memórias!

J L

Como diria o outro, verdade verdadeira. Filme sensacional, de vez em quando assisto para tirar as saudades. Filmes produzidos quando se fazia filmes de categoria.

Sequim

Um ator fantástico que fez uma personagem inesquecível em um filme sensacional. Obrigado e vá em paz Mister Neill.

J L

Aquela safra de bons atores dos anos 80/90, estão se indo. Uma pena DEUS o receba.

Iran

Cresci assistindo Jurassic Park 3 lá na década de 2010 quando ainda era criança, embora digam que é único filme ruim da trilogia ele tem um lugar especial no meu coração, queria ser paleontólogo e geógrafo por causa dele. Que essa lenda do cinema descanse em paz.

Comenteiro

O dois é terrível.

Augusto Cesar

Grande ator e uma grande perda para a indústria cinematográfica. O cerco está se fechando, a nova geração está longe de ter condições de poder substituir a anterior com excelência.

J L

Concordo plenamente. A nova geração está longe de se igualar a qualidade desses atores.

Iran

Pois é, por isso temos o Brad Pitt com 60 anos fazendo papel de herói que deveria ter metade da idade kkk.
Infelizmente os Millenials deram uma safra muito pequena, espero agora que a geração Z (pessoal na casa dos 20 anos) vinguem mais.

Augusto Cesar

“espero agora que a geração Z (pessoal na casa dos 20 anos) vinguem mais”

Infelizmente eu não boto muita fé neles também, e só ver o Tom Holland e a Zendaya que dizem serem um dos melhores da atual geração e não se comparam com atores como o Brad Pitt por exemplo no começo da sua carreira.

Iran

Verdade, esses dois são bem meh mesmo, mas tem uns que acho bons, como o Timothé Chamelet que mandou MUITO bem em Duna 2, O Rei, Marty Supreme etc (ele é um dos melhores atores que já vi na vida), a Florence Pugh é outra que acho muito boa, mandou bem em Duna 2, Midsommar, Oppenheimer etc, tem outros que de cabeça não lembro agora, mas realmente são mais escassos, mas pra ser justo, acho que a maioria do pessoal na casa dos 20 anos ainda estão atuando em filmes menores que eu não tenho assistido muito, e muitas vezes… Read more »

sergio 02

Bons ventos e mares tranquilos, Sir Sam Neill

Dalton

Também gostaria de morar em Montana apesar do motivo principal não ser o mesmo do Borodin ainda assim lugares muito bonitos.
.
Mais um dos bons que se foi !
.

Mauricio R.

Montana é terra dos Dutton, gente perigosa, convém tomar cuidado.

Dalton

Boa, tinha esquecido ! 😃

Abymael

Grande ator.
Teve uma série dos anos 80 que eu achava o máximo, mas nunca mais consegui achar para re-assistir: Amerika, de 1987.
Ele fez o papel de um coronel soviético, muito bom.
Descanse em paz.

Macgarem

Fez parte da minha infância com Jurassic Park

Fernando Vieira

A última frase do Borodin antes de morrer é “Eu gostaria de ter conhecido Montana”.
Conforme me mostraram no Twitter, quando seu outro personagem, o paleontólogo Alan Grant é introduzido em Jurassic Park, ele está escavando fósseis em Montana.

Rodrigo Silveira

R.I.P.

Tio Velho Comuna

Sem dúvidas uma parte significativa do grande sucesso do filme está na atuação de Sam Neil! Em minha modesta opinião é o segundo melhor filme sobre submarinos; só perdendo para O Barco, Inferno no Mar(Das Boot)

Jann Nazario

O Filme simplesmente SENSACIONAL… O Ator um dos melhores Coadjuvantes!!!!!