Os 11 submarinos do Eixo afundados na costa brasileira durante a Segunda Guerra Mundial

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Arará-atacando-o-U-199-ao-largo-do-Rio-de-Janeiro-Reprodução-pintura-de-Álvaro-Martins

Catalina Arará atacando o submarino alemão U-199 ao largo do Rio de Janeiro – Reprodução de pintura de Álvaro Martins

Entre janeiro e setembro de 1943, dez submarinos alemães e um italiano foram destruídos nos acessos marítimos ao litoral brasileiro. A campanha, dominada pela aviação antissubmarino baseada no país, estendeu-se da foz do Amazonas às águas de Santa Catarina e incluiu a maior vitória da FAB na Segunda Guerra Mundial

Na madrugada de 6 de janeiro de 1943, um hidroavião norte-americano PBY Catalina aproximou-se de um submarino alemão que navegava na superfície, a noroeste de Fortaleza. O ataque durou poucos minutos. Cargas de profundidade explodiram junto ao casco, e o U-164 desapareceu no Atlântico com quase toda a tripulação.

Era o início de uma sequência particularmente destrutiva para as forças submarinas do Eixo. Nos nove meses seguintes, dez U-boats alemães e o submarino italiano Archimede seriam afundados nos acessos oceânicos ao Brasil.

A lista tradicional adotada pela historiografia da Marinha do Brasil compreende U-164, U-507, Archimede, U-128, U-590, U-513, U-662, U-598, U-591, U-199 e U-161. A expressão “costa brasileira” deve ser entendida em sentido operacional amplo: algumas perdas ocorreram próximas ao litoral, enquanto outras se deram centenas de quilômetros mar adentro, nas rotas que conduziam aos portos brasileiros e às passagens entre o Atlântico Norte e o Sul.

Somados os números normalmente aceitos para as onze embarcações, 474 tripulantes do Eixo morreram e 102 sobreviveram. Todos os afundamentos envolveram aeronaves; no caso do U-128, os aviões foram auxiliados pelo fogo de dois contratorpedeiros. O U-199 foi a única destruição plenamente confirmada em que aeronaves brasileiras realizaram o ataque decisivo.

Submarinos do Eixo afundados na Costa Brasileira durante a II Guerra Mundial

Do massacre de 1942 à reação aliada

A ofensiva submarina alcançou o litoral brasileiro com violência em 1942. Entre 15 e 17 de agosto, o U-507 afundou seis embarcações nacionais — Baependi, Araraquara, Aníbal Benévolo, Itagiba, Arará e Jacira —, causando mais de 600 mortes. Os ataques provocaram manifestações populares e contribuíram diretamente para a declaração de guerra do Brasil contra Alemanha e Itália.

Ao longo de 1943, o equilíbrio começou a mudar. Bases aéreas no Nordeste, especialmente Natal, Recife, Fortaleza, Belém e Aratu, sustentavam aeronaves norte-americanas encarregadas da patrulha marítima. A FAB recebeu Catalinas e outros aviões adaptados para missões antissubmarino, enquanto a Marinha do Brasil organizava comboios, escoltava mercantes e protegia as linhas de comunicação marítimas.

O avanço do radar embarcado, a cobertura aérea mais extensa, a inteligência de comunicações e a formação de comboios reduziram progressivamente a liberdade de ação dos submarinos. O litoral, que em 1942 parecera quase indefeso, tornou-se uma zona cada vez mais perigosa para os comandantes do Eixo.

U-164: os dois homens deixados do lado de fora

O U-164 era um submarino alemão do Tipo IXC, classe de grande autonomia concebida para operar longe das bases europeias. Incorporado em novembro de 1941 e comandado durante toda a carreira pelo capitão de corveta Otto Fechner, completou duas patrulhas e afundou três navios, totalizando 8.133 toneladas de arqueação.

Em 6 de janeiro de 1943, navegava na superfície a noroeste de Fortaleza quando foi surpreendido por um PBY-5A Catalina do esquadrão norte-americano VP-83. O avião atacou com cargas de profundidade antes que o submarino pudesse completar a imersão. As explosões levantaram a popa, danificaram fatalmente o casco e fizeram a embarcação desaparecer quase verticalmente.

Os únicos sobreviventes eram dois marinheiros que haviam subido ao convés para se lavar depois de deixar o serviço de vigia. Ao avistarem o avião, tentaram regressar ao interior, mas encontraram a escotilha fechada. As explosões os lançaram ao mar. Eles conseguiram alcançar uma balsa lançada pelo Catalina e, depois de sete dias à deriva, chegaram à costa brasileira.

Fechner e outros 53 homens morreram; apenas os dois marinheiros que permaneceram fora do submarino sobreviveram.

U-507: o submarino que levou o Brasil à guerra

O U-507, também do Tipo IXC, foi incorporado em outubro de 1941 sob o comando do capitão de corveta Harro Schacht. Em quatro patrulhas, afundou 19 navios, totalizando mais de 77 mil toneladas, e danificou outro.

Sua notoriedade no Brasil decorreu da ofensiva de agosto de 1942. Os navios brasileiros foram atacados sem aviso ao longo da costa da Bahia e de Sergipe, numa sequência que atingiu embarcações com grande número de passageiros civis.

U-156 e U-507 (ao fundo) recolhendo náufragos do RMS Laconia

Cinco meses depois, em 13 de janeiro de 1943, o U-507 navegava a noroeste de Fortaleza quando foi localizado pelo Catalina P-10 do VP-83, pilotado pelo tenente Lloyd Ludwig. O avião utilizou a cobertura do sol e das nuvens para aproximar-se em baixa altitude e lançou quatro cargas de profundidade.

Um PBY-5 Catalina do Esquadrão VP 52. Outro Catalina, do VP 74, afundou o U-507 a 84 quilômetros da costa do Ceará

O submarino desapareceu com todos os 54 tripulantes, incluindo Schacht. A perda foi confirmada definitivamente apenas após a guerra, mas o ataque representou uma resposta simbolicamente poderosa ao U-boat associado à entrada brasileira no conflito.

Archimede: o único submarino italiano da lista

Archimede no Atlântico

O Archimede era um submarino oceânico italiano da classe Brin, incorporado à Regia Marina em abril de 1939. Inicialmente baseado em Massawa, na África Oriental Italiana, conseguiu escapar quando a posição italiana na região entrou em colapso. Em março de 1941, iniciou uma longa travessia pelo Índico e pelo Atlântico até Bordeaux, na França ocupada, onde passou a integrar a força submarina italiana conhecida como Betasom.

O submarino afundou dois navios, o cargueiro panamenho Cardina e o transporte britânico Oronsay, num total de 25.629 toneladas. Em sua última patrulha era comandado pelo tenente de navio Guido Saccardo.

Ataque ao Archimede

Em 15 de abril de 1943, o Archimede foi surpreendido na superfície cerca de 180 milhas a leste de Fernando de Noronha por dois PBY-5A Catalinas norte-americanos. O primeiro, pilotado por T.E. Robertson, lançou bombas e cargas de profundidade. O submarino respondeu com metralhadoras e com o canhão de 100 milímetros, mas sofreu danos que comprometeram sua capacidade de mergulhar.

O segundo Catalina, comandado por Gerard Bradford Jr., realizou dois ataques. As cargas explodiram junto à popa, onde também estavam armazenados torpedos. Pouco depois, o submarino ergueu a proa e afundou pela popa. Os aviadores viram entre 35 e 40 homens na água e lançaram balsas.

A sobrevivência foi breve para quase todos. Uma das balsas derivou durante cerca de quatro semanas até alcançar a ilha de Bailique, próxima à foz do Amazonas. Nela estava apenas Giuseppe Lo Cocco, debilitado e delirante, encontrado por pescadores brasileiros. Foi o único sobrevivente; 60 italianos, incluindo Saccardo, morreram.

U-128: atacado do ar e finalizado por contratorpedeiros

O U-128 era outro submarino oceânico do Tipo IXC. Sob seu primeiro comandante, Ulrich Heyse, havia obtido uma carreira expressiva, com 12 navios afundados e mais de 83 mil toneladas destruídas. Em março de 1943, o comando passou ao primeiro-tenente Hermann Steinert, que iniciou sua primeira patrulha como comandante.

Em 17 de maio, o U-128 perseguia um comboio ao sul de Recife quando foi atacado pelos PBM Mariners P-5 e P-6 do esquadrão VP-74. Os aviões bombardearam o submarino e chamaram reforços de superfície.

Os contratorpedeiros norte-americanos USS Moffett e USS Jouett chegaram durante a fase final do combate e abriram fogo com seus canhões. Sem condições de mergulhar ou escapar, Steinert mandou abandonar o navio.

O Moffett retirou 51 homens da água, mas quatro morreram posteriormente — um deles por intoxicação provocada por gases de cloro liberados pelas baterias danificadas. O balanço final foi de sete mortos e 47 sobreviventes, incluindo Steinert. Foi a maior quantidade de sobreviventes entre os submarinos do Eixo destruídos diante do Brasil.

U-590: destruído depois de atacar na foz do Amazonas

Vista aérea de um Type VIIC (U-995) – Foto de Alexandre Galante, do alto do monumento em Laboe, Kiel

O U-590, do Tipo VIIC, foi incorporado em outubro de 1941 e realizou cinco patrulhas. Na última missão estava sob o comando do primeiro-tenente da reserva Werner Krüer, que havia assumido a embarcação apenas um mês antes.

Em 4 de julho de 1943, o submarino afundou o cargueiro brasileiro Pelotaslóide nas proximidades da entrada do rio Amazonas. O navio aguardava assistência para entrar na região de Salinas quando foi torpedeado.

Cinco dias depois, o U-590 foi localizado na superfície ao norte de Belém por um PBY Catalina do VP-94. A aeronave atacou com cargas de profundidade e afundou o submarino em águas próximas à foz do Amazonas.

Não houve resgate nem prisioneiros. Krüer e os outros 44 tripulantes morreram.

U-513: o submarino de Guggenberger encontrado décadas depois

U-513 partindo para sua missão no Atlântico Sul da qual não voltaria

O U-513, do Tipo IXC, havia realizado três patrulhas sob Rolf Rüggeberg antes de ser entregue ao capitão-tenente Friedrich Guggenberger. O novo comandante era um submarinista condecorado: à frente do U-81, participara do ataque que afundou o porta-aviões britânico HMS Ark Royal no Mediterrâneo.

Na costa sul e sudeste do Brasil, o U-513 afundou, entre outros navios, o cargueiro brasileiro Tutóia, além dos mercantes norte-americanos Elihu B. Washburne e African Star. Em 19 de julho de 1943, navegava a sudeste de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, quando foi localizado por um PBM Mariner do VP-74.

Nickel Boat: Este PBM afundou o U-513, o mesmo submarino que afundou o porta-aviões Ark Royal da Marinha Real Britânica perto de Gibraltar

Guggenberger ordenou uma curva brusca para tentar evitar o ataque, mas as cargas explodiram junto ao submarino. Quando o piloto completou a manobra para observar o resultado, cerca de dez segundos depois, a embarcação já havia desaparecido.

Balsas e coletes foram lançados para os homens vistos na água. O navio de apoio USS Barnegat recolheu sete sobreviventes, entre eles Guggenberger. Outros 46 tripulantes morreram.

Os destroços do U-513 foram localizados em julho de 2011 no fundo do mar ao largo de Santa Catarina. O casco permanece a aproximadamente 70 ou 75 metros de profundidade.

U-662: três sobreviventes e 17 dias à deriva

U-662 sob ataque de um Consolidated PBY Catalina

O U-662 era um Tipo VIIC incorporado em abril de 1942. Depois de operar sob Wolfgang Hermann, passou ao comando do capitão-tenente Heinz-Eberhard Müller em março de 1943. Em quatro patrulhas, afundou três navios e danificou outro.

Sua última semana foi marcada por sucessivos encontros com a aviação aliada. Em 19 de julho, escapou de um B-24 Liberator; no dia seguinte, evitou outro ataque aéreo. Em 21 de julho, foi novamente encontrado ao norte da foz do Amazonas por Catalinas do VP-94.

Depois de uma primeira investida malsucedida, outro Catalina lançou as cargas que destruíram a embarcação. Müller sofreu fraturas nos braços e numa perna, além de ferimentos internos.

Apenas o comandante e dois marinheiros conseguiram permanecer vivos nas balsas. Eles passaram 17 dias à deriva antes de serem recolhidos pelo USS Siren, integrante da escolta de um comboio. O ataque matou 44 homens e deixou somente três sobreviventes. Müller ficou tão gravemente ferido que acabou repatriado para a Alemanha numa troca de prisioneiros em 1944.

U-598: três Liberators contra um submarino

Tipo VIIC – Arte 3D de Mark Alloway

O U-598, do Tipo VIIC, era comandado desde a incorporação pelo capitão de corveta Gottfried Holtorf. Completou quatro patrulhas, afundou dois navios e danificou outro.

Nos dias 22 e 23 de julho de 1943, aeronaves PB4Y-1 Liberator do esquadrão VB-107 localizaram o submarino a nordeste de Natal. O contato deu origem a uma perseguição que envolveu três aviões: B-12, B-8 e B-6.

PB4Y-1 Liberator

As tripulações aproveitaram as nuvens e a névoa para realizar aproximações sucessivas. No ataque decisivo, uma sequência de cargas de profundidade explodiu ao longo do casco. O submarino perdeu estabilidade e afundou pela popa.

Um dos Liberators envolvidos caiu no mar após sua passagem sobre o alvo, provavelmente em consequência dos danos recebidos ou da proximidade das explosões, causando a morte de sua tripulação. No U-598, 43 homens morreram e dois sobreviveram.

U-591: surpreendido enquanto escoltava-se um comboio

Lockheed PV-1 Ventura

O U-591 era um Tipo VIIC que acumulava oito patrulhas, quatro navios afundados e um danificado. Teve vários comandantes durante a carreira; na missão final estava sob o primeiro-tenente Reimar Ziesmer, que realizava sua primeira patrulha no comando.

Em 30 de julho de 1943, o U-591 navegava completamente na superfície a sudeste de Recife. Um PV-1 Ventura do VB-127, encarregado da cobertura aérea do comboio TJ-2, percebeu sua esteira a aproximadamente 12 milhas.

O Ventura aproximou-se com o sol às costas e conseguiu surpresa completa. Voando a baixa altura, lançou seis cargas de profundidade. Uma delas atravessou ou atingiu o convés; outra abriu uma grande ruptura no casco resistente. A água invadiu rapidamente os compartimentos de vante e a energia elétrica foi interrompida.

Ziesmer mandou abandonar o submarino. Parte da tripulação conseguiu sair antes que o avião retornasse para metralhar a embarcação ainda visível. Pouco depois, o U-591 afundou.

O navio USS Saucy recolheu 28 sobreviventes, inclusive Ziesmer e outros três oficiais. Dezenove tripulantes morreram, provavelmente presos nos compartimentos de ré ou impossibilitados de alcançar a torre.

U-199: a maior vitória da FAB no Atlântico Sul

U-199 fotografado sob ataque do PBM Mariner
U-199 fotografado sob ataque do PBM Mariner

O U-199 era um submarino oceânico do Tipo IXD2, maior e de autonomia superior à maioria das unidades enviadas ao litoral brasileiro. Incorporado em novembro de 1942 sob o capitão-tenente Hans-Werner Kraus, realizava sua primeira patrulha de guerra.

A embarcação havia afundado dois navios e, em 3 de julho de 1943, derrubara um PBM Mariner norte-americano, causando a morte de toda a tripulação da aeronave. No fim do mês, aproximou-se das rotas de saída do Rio de Janeiro, onde pretendia atacar o tráfego mercante.

Às 7h18 de 31 de julho, um PBM Mariner do VP-74, pilotado pelo tenente William Smith, detectou o submarino e iniciou o combate. Bombas de profundidade e rajadas de metralhadora danificaram os sistemas de mergulho, impedindo que Kraus escapasse sob a água.

U-199 voltando à superfície após tentar mergulhar depois do primeiro ataque

Um Lockheed A-28A Hudson da FAB realizou o segundo ataque, lançando bombas e metralhando o convés. O fogo atingiu principalmente os operadores das armas antiaéreas.

O golpe final coube ao PBY-5 Catalina PA-2 da FAB, pilotado por Alberto Martins Torres, que viria mais tarde a voar P-47 no 1º Grupo de Caça na Itália. O avião lançou quatro cargas de profundidade em duas passagens. Três explodiram diretamente junto ao submarino, e a quarta completou sua destruição. O U-199 afundou na posição 23°54’S, 42°54’W, a cerca de 100 quilômetros ao sul do Rio de Janeiro.

O Catalina lançou balsas para os homens que permaneciam na água. O USS Barnegat recolheu 12 sobreviventes, incluindo Kraus. Quarenta e nove alemães morreram.

Posteriormente, o Catalina recebeu o nome Arará, em homenagem ao navio brasileiro afundado pelo U-507 em 1942. A destruição do U-199 permanece como o mais importante feito de combate da FAB no teatro do Atlântico Sul.

PBY Arará

U-161: a última perda diante do Brasil em 1943

U-161

O U-161 era um dos submarinos mais experientes e bem-sucedidos enviados ao Atlântico Sul. O Tipo IXC havia realizado seis patrulhas e afundado 12 mercantes e um navio de guerra, além de danificar diversas outras embarcações.

Seu comandante desde janeiro de 1942 era o capitão-tenente Albrecht Achilles, condecorado com a Cruz de Cavaleiro. Na última patrulha, o submarino operou diante da costa brasileira e, em 26 de setembro de 1943, afundou o navio mercante nacional Itapagé.

U-161 sob ataque

No dia seguinte, um PBM Mariner do VP-74, pilotado pelo tenente Harry Patterson, localizou o U-161 na superfície a leste de Salvador. O submarino respondeu com armas antiaéreas, mas o avião conseguiu realizar a passagem de ataque e lançar cargas de profundidade.

O U-161 afundou sem deixar sobreviventes. Achilles e os outros 52 tripulantes morreram. Foi o último dos onze submarinos tradicionalmente incluídos entre as perdas do Eixo diante do Brasil.

Julho de 1943, o mês decisivo

Seis submarinos foram destruídos em apenas 23 dias de julho: U-590, U-513, U-662, U-598, U-591 e U-199. A concentração das perdas revelou a eficácia da rede aeronaval instalada no Brasil e a crescente dificuldade dos U-boats para permanecer na superfície durante o dia.

Os submarinos daquela geração dependiam dos motores diesel para alcançar velocidade, carregar baterias e percorrer longas distâncias. Submersos, eram mais lentos e possuíam autonomia limitada. A cobertura aérea quase contínua, portanto, obrigava-os a mergulhar repetidamente, comprometendo sua mobilidade e capacidade de perseguir comboios.

As patrulhas norte-americanas responderam diretamente por dez das onze destruições, embora no U-199 o ataque decisivo tenha sido realizado pela FAB. Isso não reduz a participação brasileira. O sistema dependia das bases instaladas no país, de tripulações brasileiras, da vigilância costeira e, sobretudo, dos comboios escoltados pela Marinha do Brasil.

A função principal da Marinha não era sair em busca de submarinos isolados, mas garantir que navios mercantes atravessassem o Atlântico Sul em formações protegidas. Apesar das limitações de meios, a atuação brasileira foi fundamental para preservar as rotas pelas quais circulavam combustíveis, alimentos, matérias-primas e tropas.

Durante a Batalha do Atlântico, PBY Catalina brasileiros como estes participaram de operações antissubmarino, com um deles afundando com sucesso um U-boat, U-199, na costa do Rio de Janeiro em 31 de julho de 1943. Aqui, oficiais da Marinha dos EUA passam em revista a uma linha de anfíbios PBY-5A brasileiros com aviadores navais brasileiros de alto escalão

Uma vitória que não encerrou a ameaça

A destruição do U-161, em setembro de 1943, não significou que os submarinos alemães deixassem imediatamente o Atlântico Sul. Outras embarcações ainda realizaram patrulhas na região, e navios brasileiros continuaram a ser atacados em 1944.

Mas a campanha de 1943 marcou uma mudança irreversível. O Eixo já não podia operar diante do Brasil com a relativa liberdade observada no ano anterior. Os submarinos enfrentavam radares, aeronaves de longo alcance, comboios organizados e forças navais que compartilhavam informações em tempo quase real.

U-boats afundados no Atlântico Sul. Localizações aproximadas

A história dos onze submarinos mostra também a dimensão humana da guerra submarina. Em alguns casos, como U-507, U-590 e U-161, ninguém sobreviveu. Em outros, homens permaneceram dias ou semanas em balsas até alcançar terra ou serem encontrados. No Archimede, apenas um dos cerca de 61 tripulantes chegou vivo ao litoral.

Esses afundamentos não constituíram uma batalha única, mas uma sequência de pequenos combates travados ao longo de milhares de quilômetros. Juntos, formaram a fase mais intensa da guerra antissubmarino diante do Brasil — uma campanha na qual o Atlântico deixou de ser apenas uma rota comercial e se tornou parte direta do campo de batalha da Segunda Guerra Mundial.■

Submarinos do Eixo afundados diante da costa brasileira em 1943
Submarino Data Área do afundamento Comandante Sobreviventes
U-164 6 jan. 1943 A noroeste de Fortaleza, Ceará KrvKpt. Otto Fechner 2
U-507 13 jan. 1943 A noroeste de Fortaleza, Ceará KrvKpt. Harro Schacht 0
Archimede 15 abr. 1943 A leste de Fernando de Noronha T.V. Guido Saccardo 1
Giuseppe Lo Coco, após 27 dias à deriva
U-128 17 maio 1943 Ao sul de Recife, entre Pernambuco e Alagoas Oblt. Hermann Steinert 47
U-590 9 jul. 1943 Ao norte de Belém, próximo à foz do Amazonas Oblt. (R) Werner Krüer 0
U-513 19 jul. 1943 A sudeste de São Francisco do Sul, Santa Catarina Kptlt. Friedrich Guggenberger 7
U-662 21 jul. 1943 Ao norte da foz do Amazonas Kptlt. Heinz-Eberhard Müller 3
Resgatados após 17 dias à deriva
U-598 23 jul. 1943 A nordeste de Natal, Rio Grande do Norte KrvKpt. Gottfried Holtorf 2
U-591 30 jul. 1943 A sudeste de Recife, Pernambuco Oblt. Reimar Ziesmer 28
U-199 31 jul. 1943 A leste do Rio de Janeiro Kptlt. Hans-Werner Kraus 12
U-161 27 set. 1943 A leste de Salvador, Bahia Kptlt. Albrecht Achilles 0
Total de sobreviventes 102
Abreviaturas:
KrvKpt. — Korvettenkapitän;
Kptlt. — Kapitänleutnant;
Oblt. — Oberleutnant zur See;
T.V. — Tenente di Vascello;
(R) — oficial da reserva.
Fontes: Uboat.net, U-boat Archive e registros históricos da campanha antissubmarino no Atlântico Sul


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Henrique de Freitas

Excelente Reportagem!!! Parabéns.

Jagderband#44

O U-513 afundou ao largo da ilha do arvoredo, hoje reserva natural.
Da janela do meu quarto eu a enxergo, uns 14 km de distância.
As vezes penso nos homens mortos ali.

Skyhawk

E o almirantado colocando todas as fichas no subnuclear que será barulhento e fácil de localizar, e que levará ao fim da operacionalidade da marinha.

Esteves

Nenhuma tripulação fica meses sem água, comida, ar puro, exercícios, relacionamentos…

Skyhawk

Mas Galante pega o orçamento que os chineses gastam em sua armada submarina e compara com o da marinha do Brasil? Fora os cortes e contingenciamentos todo ano que detonam qualquer evolução que poderíamos ter, estamos muito atrás dos chineses, que têm décadas de estudo, desenvolvimento e $$$ disponível e ainda não conseguiram chegar ao nível dos EUA no quesito furtividade. 

João Moita Jr

Poxa, comparar a MB com a chinesa é judiar muito. Compara ai com a boliviana que fica melhor.

Skyhawk

Teve uma operação chamada Atrina em 1987 em que Moscow lançou 5 submarinos nucleares no Atlântico e desencadeou  uma caçada da Otan que identificou 4 dos 5. Então, se em 87, com a tecnologia da época, a Otan achou 4 dos 5, eu presumo que um submarino tupinikim seria bem fácil de achar com a tecnologia de hoje.

Fonte: https://www.naval.com.br/blog/2024/04/28/operacao-atrina-a-verdadeira-cacada-ao-outubro-vermelho/

Skyhawk

Identificou= localizou***

Skyhawk

Mas Galante, isso foi em 1954, quando foi introduzido pela primeira vez o submarino nuclear. Claro que, quando é introduzida uma nova tecnologia, ela se mostrará revolucionária e os armamentos antisubmarinos da época não previam sua velocidade. Mas depois disso, as armas antisubmarino receberam incrementos, evoluíram e nivelaram as coisas.  Como eu disse no post em cima, em 1987, o exercício da Otan que caçou os 5 submarinos nucleares russos detectou 4 após 8 dias de buscas. O mais difícil foi feito, que era detectar. O que eu quero dizer é que o submarino nuclear tupnikim não será toda essa… Read more »

Last edited 1 mês atrás by Skyhawk
Skyhawk

Mas a real ameaça q prevejo ao Brasil para o futuro seria de uma potência ao norte. E ela, com porta-aviões e submarinos nucleares, seria fácil acompanhar um submarino nuclear com uma ala aérea antisubmarino do porta-aviões, seria questão de tempo para ser neutralizado.

Alexandre Galante

É mais fácil o submarino nuclear brasileiro afundar o porta-aviões inimigo, como o HMS Conqueror fez como o ARA Belgrano 😀

Alexandre Galante
Leandro Costa

Skyhawk, só a ameaça de um submarino nuclear na região de quaisquer operações (que pode nem estar lá, já é um forte elemento dissuasório.

Dalton

Verdade Leandro a ponto da ^potencia ao norte^ evitar o envio de um ^porta aviões ^ enviando antes a melhor arma para caçar submarinos ou seja outros submarinos, além de bombardeiros baseados em terra e navios com mísseis de longo alcance.

Skyhawk

Leandro e Dalton, o submarino nuclear brasileiro está sendo desenvolvido para  persuadir potências que poderão algum dia ameaçar o Brasil.  O que eu quero dizer é que o que está sendo gasto com esse submarino será em vão, porque como os EUA/Israel já demonstraram na guerra do  Irã, que no meio das negociações eles apunhalam pelas costas e fazem ataques covardes. Agora imagine um submarino nuclear ancorado na  base da ilha da Madeira. Seria um alvo fácil para comandos ou um tomahawk lançado de um submarino perto da costa brasileira antes dos EUA declararem guerra e pegarem o Brasil desprevenido. … Read more »

Leandro Costa

Skyhawk, é uma visão um tanto simplista. Houveram meses e meses de deslocamento de forças para a região antes das operações começarem. Leva um tempo até que qualquer controvérsia se torne em crise. E leva um tempo até que a crise escale para a possibilidade de uso da força. E leva um tempo até que a possibilidade do uso da força efetivamente se transforme em deslocamento de meios para a região apra um possível uso. Nesse meio tempo, o submarino nuclear já se fez ao mar faz tempo, com pontos de parada e reabastecimento de víveres e munição já foram… Read more »

Esteves

Pois é.

Lendas não contam. Uma estimativa realista para uma expedição dedicada ao cruzador Bahia usando apenas um ROV de grande profundidade não custaria mais de…30 milhões de reais?

O U530 afundou o Bahia? Sim ou não?

Dalton

Não. O U 530 já havia passado dias antes da localização onde o ^Bahia^ estaria quando naufragou caso contrário não teria alcançado a Argentina cinco dias depois. . O U 977 chegou depois e vale muito a pena ler o livro escrito pelo jovem comandante, li de um dia para o outro, fica claro, que eles não queriam confusão nem vingança nem lutar pelo Japão que continuaria na guerra por apenas mais um mês. . Vale também a pena ler sobre toda a análise declaração de sobreviventes e simulação da explosão feita pela marinha logo após o ocorrido. . Quanto… Read more »

Esteves

Quero ver.

Se os campos de destroços não Estiverem dispersos demais, talvez, seja possível determinar. Uns dizem que as cargas Estavam no convés aonde não deveriam Estar.

Outros dizem que a Oerlikon doidona que sabiam ter o defeito da repetição, liquidou a popa. E a popa destruída afundou o navio.

Quero ver. Faltam os 30 milhões.

Dalton

Pode ser Esteves que expedições tornem-se mais baratas e uma visita ao ^Bahia^ aconteça não necessariamente para ^desvendar^ já que a marinha não tem dúvidas do que ocorreu e sim revisitar uma tragédia . . Teorias de Conspiração não faltam, durante décadas graças a um livro que ainda tenho ^The murder of Rudolph Hess^ fiquei em dúvida se de fato o homem preso pelos britânicos em 1941 seria um impostor até que anos atrás finalmente se colocou um fim e muitos inclusive o presidente Roosevelt morreram acreditando na possibilidade. . Menos elaborado, um livro tentou mostrar que Elvis não havia… Read more »

TeoB

A segunda guerra mostrou que quem dominava o ar, dominava o mar e a terra!
hoje a logica é a mesma, com os drones fica nítido que a logica se mantem!
a segunda guerra deu ao Brasil um know-how bélico impressionante, porém descontinuado. por mais que sejamos lideres no setor da defesa no continente sul americano estamos muito a quem do que poderíamos ser.

Esteves

A segunda guerra de ao Brasil o que?

Drones

Existem drones com autonomia suficiente para percorrer centenas ou milhares de quilômetros e atingir um navio em alto-mar.

Mas, isso exige uma cadeia de detecção, comunicação e guiagem bastante sofisticada, além de enfrentar as defesas da embarcação.

Ta certo? Drone não é pipa.

Carlos Alberto Vieira Filho

O diários do Cap. Harro Schadt revelaram que a missão dele era patrulhar a rota da África. Poucos dias antes um comboio dos EUA foi atacado, ele levava tanques Sherman e aviões Mustang para o Egito após a derrota dos ingleses para Rommel em Tobruk. Esse ataque afundou o navio onde estavam os 300 motores de tanques, outro navio foi despachado para repor a perda e viajava sob alto risco na área de responsabilidade do U507, mas como ele passou muito tempo patrulhando se deslocou da sua área e acabou fazendo uma desgraça nos navios brasileiros fazendo a cobra fumar.… Read more »

Leandro Costa

Não eram Mustangs. E também não eram Shermans. Provavelmente estavam sendo transportados, no caso de aeronaves de caça, os P-40 Kittyhawks e, no caso de tanques, os M3 Lee. Shermans e Mustangs viriam depois, e incluo nisso os Mustang I (P-51A).

sub urbano

Os americanos souberam lutar muito bem essa guerra, não deixaram pontas soltas e ainda tinham um complexo industrial militar monstruoso. Eles escalaram o Brasil como aquele zagueiro reserva q joga mais ou menos uns 15 minutos finais só pra fazer marcação. Nada demais. O plano inicial da participação brasileira era de enviar 100.000 homens para a campanha do norte da Africa contra Rommel e seus capirotos do deserto. Porém os Nazis se esticaram demais na Grecia e nas estepes da Russia, deixando meio q de lado a campanha do norte da Africa. Qnd o Brasil efetivamente enviou tropas terrestres Rommel… Read more »

Leandro Costa

A Campanha do Norte da África nunca foi pensada para ser uma campanha Alemã. Foi mais uma das ‘salvadas’ Alemãs em aventuras mal fadadas da Itália. Rommel inclusive tinha ordens para não avançar, mas sim segurar as posições. Ele literalmente desobedeceu ordens, porém, como obteve sucesso e o usaram como garoto propaganda, ficava meio difícil colocar ele em seu lugar. O teatro da África nunca teve uma situação confortável de suprimentos. Mesma coisa com Grécia/Bálcãs em geral. Era aventura Italiana que degringolou e tiveram que ser salvos pelos Alemães. Considero que a tal da estratégia geral toda falha que você… Read more »

josenilson

Tem um submarino alemao naufragado em Tutoia -MA no Delta do Parnaiba, e faz parte dos passeios turisticos.
Esse não esta na lista

Franz A. Neeracher

Que eu saiba, existe um navio, o Aline Ramos, que virou uma atração turística nesse lugar….mas não há nenhum submarino na região.

João Fonseca

“O U-199 foi a única destruição plenamente confirmada em que aeronaves brasileiras realizaram o ataque decisivo”.
Uma única destruição pela FAB e essa foi a sua maior vitória na 2ª Guerra ? Huummm…