ROYAL NAVY FRIGATES DEMONSTRATE POWERFUL ARRAY OF FIREPOWER

HMS Iron Duke, Type 23

Caça-minas HMS Chiddingfold também deixa o serviço depois de mais de quatro décadas. A Marinha britânica afirma que as missões serão transferidas para as fragatas Type 26 e Type 31 e para sistemas autônomos de guerra de minas, mas os novos navios ainda não estão operacionais

LONDRES — A Royal Navy confirmou formalmente a retirada das fragatas Type 23 HMS Iron Duke e HMS Richmond, além do caça-minas HMS Chiddingfold. Juntos, os três navios acumulam mais de um século de serviço e participaram de operações que se estenderam do Atlântico Norte e do Báltico ao Mar Vermelho, Golfo Pérsico e Indo-Pacífico.

O anúncio, divulgado em 13 de julho, consolida decisões que já vinham sendo antecipadas nos últimos meses. O descomissionamento do Richmond havia sido indicado no início de 2026, enquanto o Iron Duke já estava efetivamente afastado das operações, sem navegar desde outubro de 2025 e com parte de seus armamentos e sensores removida.

Segundo a Royal Navy, os custos e riscos envolvidos na manutenção dos navios mais antigos aumentaram a ponto de justificar sua retirada. A economia de pessoal e recursos deverá ser direcionada às futuras fragatas Type 26 e Type 31 e à expansão da chamada “Marinha Híbrida”, que combinará navios tripulados com plataformas autônomas e remotamente operadas.

O comandante da Frota, vice-almirante Steve Moorhouse, afirmou que os três navios desempenharam papéis importantes na proteção dos interesses britânicos e que seu legado será preservado pelas novas gerações de meios navais. O plano de investimentos citado pela força prevê £1,3 bilhão para capacidades híbridas e outros £1,1 bilhão para o programa Mine Hunting Capability.

HMS Richmond: do combate antissubmarino ao Mar Vermelho

HMS Richmond

Incorporada em 22 de junho de 1995, a HMS Richmond era uma das fragatas Type 23 especializadas em guerra antissubmarino. A classe foi concebida durante a Guerra Fria para localizar submarinos soviéticos no Atlântico Norte, mas acabou transformada em uma plataforma multifunção, empregada também em escolta, segurança marítima, combate à pirataria e proteção do tráfego comercial.

Um dos episódios mais importantes de sua carreira ocorreu no Mar Vermelho, em março de 2024. Durante a Operação Prosperity Guardian, a fragata empregou mísseis Sea Ceptor para destruir dois drones lançados pelos houthis durante um ataque que envolveu dezenas de veículos aéreos não tripulados e mísseis disparados a partir do Iêmen. Foi o primeiro emprego em combate do Sea Ceptor pela Royal Navy.

O navio também recebeu uma modernização de seus enlaces de dados em 2025, tornando-se a primeira Type 23 equipada com uma versão atualizada e criptograficamente modernizada do Link 16. O sistema ampliou sua capacidade de compartilhar informações táticas com aeronaves, navios e unidades aliadas.

Em sua última grande missão, o Richmond integrou o Grupo de Ataque do porta-aviões HMS Prince of Wales durante o desdobramento britânico ao Indo-Pacífico em 2025. A fragata participou da proteção do grupo, de exercícios multinacionais e de patrulhas ligadas à aplicação das sanções das Nações Unidas contra a Coreia do Norte.

A Royal Navy afirma que sua missão antissubmarino será transferida para as novas fragatas Type 26, classe City, cujo primeiro navio é a HMS Glasgow.

HMS Iron Duke: vigilância dos movimentos russos

A HMS Iron Duke foi lançada em março de 1991 e incorporada à Royal Navy em maio de 1993. Quinta unidade da classe Type 23, participou durante mais de três décadas de operações da OTAN, missões de segurança marítima, ações contra o narcotráfico e monitoramento de navios militares russos.

Nos últimos anos, a fragata tornou-se um dos navios britânicos mais empregados no acompanhamento de unidades russas que atravessavam o Mar do Norte e o Canal da Mancha. Em operações realizadas entre 2024 e 2025, trabalhou com helicópteros Wildcat e Merlin, aviões de patrulha marítima P-8 Poseidon e meios de países aliados para observar submarinos, fragatas e navios auxiliares russos.

A última fase da carreira, entretanto, foi marcada por dificuldades materiais e de pessoal. O navio havia concluído em 2023 uma extensa modernização, estimada em aproximadamente £103 milhões, destinada a prolongar sua vida operacional. Apesar do investimento, não voltou ao mar depois de outubro de 2025 e teve equipamentos removidos durante os primeiros meses de 2026.

A confirmação oficial de sua aposentadoria transforma em permanente uma retirada que já havia ocorrido na prática. De acordo com a Royal Navy, as missões gerais de presença, patrulha, coleta de informações e segurança marítima desempenhadas pelo Iron Duke passarão para as futuras fragatas Type 31 da classe Inspiration.

HMS Chiddingfold: 42 anos na guerra de minas

HMS Chiddingfold

A HMS Chiddingfold era um caça-minas da classe Hunt, construído pela Vosper Thornycroft e incorporado em outubro de 1984. Com cerca de 60 metros de comprimento e uma tripulação de aproximadamente 44 militares, foi concebido para localizar, identificar e neutralizar minas navais em águas costeiras e rotas de navegação.

A embarcação passou grande parte das duas últimas décadas operando no Oriente Médio, utilizando o Bahrein como base para missões no Golfo Pérsico e em seus acessos marítimos. Ao lado de outros caça-minas britânicos e unidades aliadas, ajudou a preservar a liberdade de navegação em uma região por onde circula uma parcela significativa do petróleo e do gás comercializados mundialmente.

Os navios da classe Hunt utilizavam sonares especializados, veículos remotamente controlados e mergulhadores para investigar possíveis minas. Sua retirada faz parte de uma transformação mais ampla: em vez de enviar um navio tripulado diretamente para uma área contaminada, a Royal Navy pretende operar embarcações autônomas, sonares rebocados e veículos submarinos não tripulados a partir de bases terrestres ou navios de apoio.

A força afirma que esses sistemas já estão sendo testados e empregados operacionalmente. O objetivo é localizar e neutralizar minas com maior rapidez, mantendo marinheiros e mergulhadores fora das áreas de maior perigo.

As fragatas substitutas ainda estão em construção

Fragata Type 26 HMS Glasgow

Embora a Royal Navy apresente as aposentadorias como uma transferência de missões, as Type 26 e Type 31 ainda não se encontram em serviço operacional. Isso significa que a substituição não ocorrerá imediatamente.

A classe Type 26 será composta por oito fragatas de aproximadamente 8 mil toneladas, especialmente desenvolvidas para guerra antissubmarino. Os navios utilizarão propulsão silenciosa, sonar rebocado, helicópteros Merlin ou Wildcat e lançadores verticais Mk 41, capazes de receber diferentes famílias de mísseis.

A primeira unidade, HMS Glasgow, deverá entrar em serviço por volta de 2028. As demais Type 26 serão incorporadas progressivamente até meados da década de 2030, tendo Devonport como principal base.

Type 31 HMS Venturer

As cinco fragatas Type 31 serão navios de emprego geral, destinados a patrulhas de longa duração, presença naval, escolta, inteligência, assistência humanitária e combate a atividades ilegais no mar. A primeira unidade, HMS Venturer, foi colocada na água em 2025, mas ainda passa por acabamento, instalação e ativação de sistemas antes dos testes de mar e da aceitação pela Royal Navy.

A diferença de calendário cria um intervalo entre a saída das antigas Type 23 e a plena disponibilidade das substitutas. Fontes especializadas calculam que a Royal Navy passa a contar com apenas cinco fragatas Type 23 em serviço, embora o número efetivamente disponível para operações possa variar conforme manutenção, treinamento e condições de cada navio.

Uma modernização acompanhada por redução imediata

A retirada dos três navios ilustra o principal dilema enfrentado atualmente pela Marinha britânica. As futuras Type 26 e Type 31 serão maiores, mais modernas e exigirão tripulações menores do que as fragatas anteriores. Os sistemas autônomos de guerra de minas também prometem reduzir riscos e aumentar a área que pode ser pesquisada.

Até que esses meios estejam plenamente operacionais, porém, a Royal Navy terá menos cascos disponíveis para proteger porta-aviões, acompanhar submarinos russos, participar de grupos navais da OTAN e manter presença em regiões como o Golfo, o Mediterrâneo e o Indo-Pacífico.

A HMS Richmond, apesar da idade, havia participado de combate real no Mar Vermelho em 2024 e retornado de um desdobramento global apenas no fim de 2025. O Iron Duke continuava sendo intensamente empregado contra movimentos navais russos antes de sua imobilização. A saída conjunta das duas fragatas mostra que o problema britânico não se limita à substituição de equipamentos obsoletos, mas envolve disponibilidade de tripulações, custos de manutenção e desgaste estrutural de navios que permaneceram em serviço além da vida inicialmente projetada.

Para a Royal Navy, as aposentadorias representam um passo em direção a uma frota tecnologicamente mais avançada. Do ponto de vista operacional, entretanto, também aprofundam o chamado “frigate gap”: o período no qual os navios antigos deixam o serviço antes que seus sucessores possam assumir integralmente as missões.

O balanço definitivo dependerá da velocidade com que HMS Glasgow, HMS Venturer e as unidades seguintes concluírem construção, provas de mar e treinamento operacional. Até lá, a frota britânica terá de cumprir praticamente as mesmas obrigações internacionais com um número menor de fragatas disponíveis.■




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39 Comentários
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Daniel

Tomara que os almirantes da MB não tenham percebido que a Royal Navy estão desativando mais fragatas. Eles são loucos para comprar velharias em promoção e parcelar no cartão. KKKKK

José fernando

Cartão visa ou master card

J L

Não se preocupe. Se não compraram os navios tanques que estavam em ótimas condições, é porque não irão comprar o que for ofertado em condições duvidosas.

Wilson

Você sempre pode confiar nas decisões da Marinha, tanto para o bem como para o mal.

Adriano Madureira

Royal Navy Série B…

Dragonfly

Eu sei o que você aí está pensando.
Não se atreva! kkk

Tomcat

Verdade seja dita, sempre quis umas Type 23 na MB, acho elas bonitas. Mas, agora vale mais um novo lote de Tamandarés.

GOES

De fato! Um novo lote de Tamandarés novinhas em folha nos atenderia super bem!!
Amem!!!

Marcelo

O hms Iron Duke passou por LiFex recentemente. Após ter permanecido inativa em Portsmouth desde 2017, a fragata Iron Duke chegou a Devonport em maio de 2019 para iniciar a reforma de extensão de vida útil (LIFEX). Seu estado de corrosão era tão grave que o trabalho estrutural realizado em seu casco foi quase o dobro do necessário para qualquer outro navio da classe. A reforma, iniciada em maio de 2019, foi a mais complexa já realizada em uma fragata Tipo 23, durou 49 meses e exigiu mais de 1,7 milhão de horas de trabalho. Durante a reforma, que incluiu… Read more »

Alemberg Domingos

Quase 704 milhões só na modernização da Type 23, elas vem pelada igual o G350 que já foi retirado os 2 CIWS e as antenas de comunicações, a manutenção é muito cara. O melhor mesmo é investir na classe Tamandaré ao custo de R$ 2,75 bi. por unidade.

Moriah

Então, é esse “frigate gap” que o Olsen mencionou há alguns anos, referindo-se ao descomissionamento de 40% da frota até 2028. O tempo para reposição da força de escolta da MB é maior que o tempo de vida das Niterói. Imagine o segundo lote de Tamandaré, por mais que a TKMS seja rápida, haverá uma lacuna enorme de escoltas. O episódio da Ponta da Praia pode ter sido isolado, mas já denota que as Mk10 estão pedindo para sair há muito tempo. Por isso, eu (ainda) vejo a compra de oportunidade no horizonte para entregas até 2030. Nesse caso, já… Read more »

Eduardo

Novo lote de Tamandarés = 1 unidade.

Se nem um novo Riachuelo recebermos.

Wilson

Um novo lote de Tamandarés e mais umas 4 Type 31 novas. Ai sim podemos pensar que temos marinha.

Burgos

As Type 23 foram projetadas com uma durabilidade de 25/30 anos no seus cascos.
Imagina uma obra de revitalização de casco nesses navios para durarem pelo menos mais 10/15 anos 👀🤷‍♂️
Acredito que seria inviável economicamente 🥴
O aço tá custando uma fortuna 🤔

Ivan herrera

Que oportunidade para marinha brasileira, estão semi novas, só basta uma pintura e jogar na água 😁

Burgos

Boa tarde Ivan;
Acredito que algumas já passaram por processo de revitalização e modernização como algumas não (não sei quais) mas aquisição dessa classe agora seria inviável economicamente tanto para o Brasil como até para o Reino Unido revitalizar/modernizar as demais 👍

Last edited 1 mês atrás by Burgos
Jabulani Teimoso

Ei MB? 👀Kkkk

Heinz

São lindas, mas deixa pro Chile. Que venha mais um lote de tamandares

Dalton

O Chile não quer combatentes de superfície com mais de 30 anos, ainda mais em péssimo estado, mesmo as duas ^Adelaide^ adquiridas da Austrália com quase 30 anos haviam sido modernizadas anos antes quando também receberam um MK-41 com capacidade para até 32 mísseis ^ESSM^.

Heinz

Verdade Dalton, acredito que elas estão só o “Osso”. Essa compra não vale a pena, melhor focar nas tamandáres, e em navios novos maiores. 2 Frem cairiam bem por aqui, ou duas Meko A400

Jean

Com 02 Fremm novas, conseguimos + de 04 Almirante Tamandaré. Faz mais sentido, inclusive a longo prazo, pois a manutenção também será mais cara nos navios mais sofisticados.

Moriah

Ou 2 PPAs Evo…

Jean

Se estas tem o Sea Ceptor (ao menos uma delas tem) então a capacidade AAW está em bom nível. O problema mesmo é a manutenção, mas basicamente todas as fragatas da Marinha do Chile estão nesta faixa de 25 a 30 anos de emprego.

Rodrigues Barbosa

Daqui até o 1º lote das Tamandaré estarerem 100% em operação, a MB já terá dado baixa nas Fragatas antigas, então vai ter que adquirir algumas para preencher a lacuna entre essas substituições, ou seja, é inevitável! 😃😄😆

Marco Antônio

14.07.26 – Terça-feira, bnoite Rodrigues, acredito SE por acaso a MB pretenda adquirir alguma fragata; deverá ser Italiana ou quem sabe Japonesas, ja que eles abriram o mercado para exportações, e, a MB sempre (tempos passados) pensou nas Murasames, hoje podem estar com outros pensamentos, porém, o mercado hoje não possuem quase nada entre 20 e 25 anos de comissionamento, então fica difícil para adquirirem. Saudações vovozao.

Jean

Devemos comprar dos países com os quais mantemos um maior nível de relações comerciais, e atrelar a isso compromissos em relação a exportação e etc. O Japão tem se tornado irrelevante para o Brasil.

Jean

Seria uma boa na verdade, por 10 anos certamente elas podem operar na MB. O problema é o clássico soluções temporárias se tornarem soluções definitivas. Trazer estes 2 navios, significa 2 A. Tamandaré adicionais a menos.

Moriah

É o que venho falando há algum tempo, inclusive em outro comentário desta matéria. A saída x entrada não bate.

Marco Antônio

14.07.26 – terça-feira, bnoite, essas fragatas tiveram investimentos relevantes, e, até falavam que estariam operantes até a entrada das classes 26 e 31, porém, como estamos vendo, os ingleses estão jogando dinheiro público fora. Investimentos em fragatas que não tinham mais nenhuma condição de navegabilidade; como comumente falamos…… estavam empurrando com a barriga. E, por favor não venham falar que seriam ótimas na MB; já basta as nossas sucatas classe G e N. Saudações vovozao.

Jean

Elas estão melhores que todas as Niterói ainda operativas (04?) e inclusive a Barroso. Ou seja, só não são melhores que as Almirante Tamandaré. Mas se a MB comprar, automaticamente o segundo lote vai de 04 para 02…

Dr. Mundico

Matéria prima para fogões e geladeiras no Reino Unido não vai faltar.

J L

Se for para jogar fora, doe para as Filipinas, pelo menos já servem para fazer a primeira barreira quando vier a onda vermelha.

Marcelo

Foram usadas ate o osso.
Não tem mais como fazer reforço estrutural nesses navios,foi feito varias vezes.
Chega uma hora que a solução é a baixa dos navios.

Brancaleone

Qualquer almirante médio do Brasil ou Chile:

“Mim dê, papai…”

Rodrigo Silveira

Vai que é tua MB!

Carlos Pietro

Excelente compra de oportunidade para a MB.

Cristiano Salles (Taubaté-SP)

BOA NOITE a todos !!!

Nem inventem moda…, 😄

Marinha Brasileira é focar nas Tamandarés e nos submarinos…, simplificar e tentar baratear a cadeia produtiva e posteriormente a manutenção preventiva dos meios…, simplificando ferramentas e produzindo no Brasil o máximo de peças de reposição…

Se conseguirem uma boa administração e economizar de alguma forma 😅 não sei se é possível…, kkkkk

No futuro…, adquirir 2 MEKOS maiores…, com produção nacional, no mesmo estaleiro em Itajai, das Tamandarés…

1 Meko grande da Bahia pra cima…, 1 outra Meko grande…, da Bahia pra baixo…

🇧🇷😉🫰🏻🇧🇷

Salomon

Que maravilhosa oportunidade para o Brasil! É a situação perfeita: vão precisar de muitos reparos, as tripulações são grandes, os sistemas são em parte analógicos e ainda virão sem muitos armamentos. Sem falar que tem muita gente na fila para receber os nomes, como
F- 204 “José Genoíno”.

Anildo Silva

Agora é só confirmar o preço do frete….. vamos que vamos….