Míssil hipersônico dos destróieres Zumwalt acumula atraso de dois anos
Destróier de mísseis guiados USS Zumwalt (DDG 1000)
Primeiro lançamento do Conventional Prompt Strike a partir de um navio foi adiado para 2027, enquanto o custo da modernização dos três navios da classe já alcança pelo menos US$ 2 bilhões
A Marinha dos Estados Unidos está 24 meses atrasada na integração do míssil hipersônico Conventional Prompt Strike (CPS) aos destróieres (contratorpedeiros) furtivos da classe Zumwalt, comprometendo o cronograma da primeira capacidade norte-americana de ataque hipersônico lançada por um navio de superfície.
A conclusão consta de um relatório publicado em julho pelo Government Accountability Office (GAO), órgão de auditoria do Congresso dos Estados Unidos. Segundo o documento, o primeiro teste de voo do CPS lançado pelo USS Zumwalt (DDG-1000), inicialmente previsto para 2025, foi transferido para o terceiro trimestre do ano fiscal de 2027 — período correspondente, aproximadamente, aos meses de abril a junho daquele ano.
Na prática, o adiamento também posterga as etapas posteriores de certificação do sistema, qualificação da tripulação e preparação do navio para emprego operacional. O GAO advertiu ainda que o cronograma permanece otimista e depende do sucesso das atividades de desenvolvimento e de uma sequência de testes intermediários planejados para reduzir os riscos ao navio e à sua tripulação.
USS Zumwalt estava 94% modernizado
O USS Zumwalt, primeiro navio da classe, estava com 94% dos trabalhos de modernização concluídos em janeiro de 2026. Apesar disso, a embarcação permanece atrasada devido à descoberta de serviços não previstos durante a instalação dos novos tubos de lançamento e a reativação de seus complexos sistemas de bordo.
A Marinha agora prevê concluir o período de modernização do DDG-1000 no quarto trimestre do ano fiscal de 2026. A previsão representa um atraso de dez meses em relação ao cronograma anterior, que estimava o término dos trabalhos em setembro de 2025.
O USS Zumwalt chegou ao estaleiro da Huntington Ingalls Industries, em Pascagoula, Mississippi, em agosto de 2023. A reforma exigiu a retirada dos dois canhões Advanced Gun System de 155 mm instalados na proa e sua substituição por grandes tubos verticais destinados aos mísseis hipersônicos.
Cada contratorpedeiro deverá receber quatro grandes módulos, com capacidade planejada para transportar até 12 mísseis CPS. O sistema foi escolhido como substituto dos canhões de 155 mm, que perderam sua função principal depois que a Marinha abandonou a compra de seus projéteis de longo alcance devido ao custo proibitivo.
Trabalho não previsto eleva custos
O custo estimado para modernizar os três contratorpedeiros aumentou de US$ 1,8 bilhão para pelo menos US$ 2 bilhões. O valor poderá crescer novamente à medida que os trabalhos avancem nos demais navios.
Em agosto de 2025, a Marinha acrescentou aproximadamente 230 mil horas de trabalho, avaliadas em US$ 20 milhões, ao contrato com a Huntington Ingalls. Parte dos serviços adicionais envolveu a instalação de mais cabos do que o previsto originalmente, depois que uma quantidade maior de cabeamento teve de ser retirada da seção dianteira do navio para acomodar os lançadores do CPS.
Também ocorreram falhas durante o desligamento e a posterior reativação dos sistemas exclusivos da classe Zumwalt. O relatório compara o sistema elétrico integrado do navio a uma pequena usina de geração de energia e afirma que problemas em seus equipamentos contribuíram diretamente para os atrasos.
A situação é agravada pelo emprego de radares, redes, equipamentos de combate e programas computacionais encontrados apenas em poucos navios. A classe utiliza o radar SPY-3 e o ambiente digital Total Ship Computing Environment, em vez do sistema de combate Aegis e dos radares SPY-1 ou SPY-6 adotados pela maior parte dos grandes combatentes de superfície norte-americanos.
O GAO calcula que substituir esses sistemas exclusivos por equipamentos padronizados da Marinha custaria entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões adicionais para os três navios. Até o momento, porém, a força naval ainda não decidiu se realizará essa transformação.
Produção dos mísseis também enfrenta dificuldades
Os problemas não estão restritos aos navios. A produção do próprio Conventional Prompt Strike está abaixo das metas estabelecidas pelo Pentágono.
Segundo o GAO, a linha industrial da Lockheed Martin consegue atualmente produzir entre seis e sete mísseis por ano, quase metade da meta de 12 unidades anuais considerada necessária para estabilizar a produção. A fabricação tem exigido mais horas de trabalho do que o previsto, enquanto problemas de qualidade, revestimentos térmicos e instruções excessivamente complexas dificultam o aumento do ritmo.
Em abril de 2026, o custo estimado de cada míssil variava entre US$ 63 milhões e US$ 71 milhões, com média de aproximadamente US$ 67 milhões. O valor definitivo dependerá da maturidade do projeto, das quantidades contratadas e da eficiência alcançada pela linha de produção.
O Departamento de Defesa projeta investir pelo menos US$ 50 bilhões no desenvolvimento, produção, integração e manutenção da família de armas hipersônicas compartilhada pela Marinha e pelo Exército. A versão terrestre é denominada Long-Range Hypersonic Weapon, enquanto a versão naval recebe a designação CPS.
Arma para atingir alvos fortemente defendidos

O Conventional Prompt Strike é um sistema hipersônico convencional do tipo boost-glide. Depois do lançamento, um foguete impulsiona o veículo planador até as camadas superiores da atmosfera. O corpo hipersônico então se separa, manobra em direção ao objetivo e segue uma trajetória menos previsível do que a de um míssil balístico tradicional.
O sistema está sendo desenvolvido para atacar, a grandes distâncias, alvos de elevado valor situados em áreas protegidas por redes avançadas de defesa aérea e antimíssil. Sua carga é convencional, não nuclear, e a combinação de velocidade, alcance e capacidade de manobra deverá reduzir o tempo disponível para detecção e interceptação.
Após os contratorpedeiros Zumwalt, a Marinha pretende instalar o CPS em submarinos nucleares de ataque da classe Virginia equipados com o Virginia Payload Module. Os primeiros testes submarinos, entretanto, dependem da entrega das novas unidades e da conclusão de uma instalação específica para lançamentos submersos, esperada apenas entre 2029 e 2030.
Pequeno número de apenas três navios amplia impacto do atraso
A classe Zumwalt é formada por apenas três unidades: USS Zumwalt, USS Michael Monsoor (DDG-1001) e o futuro USS Lyndon B. Johnson (DDG-1002). A Marinha chegou a planejar 32 navios, mas reduziu o programa para somente três devido ao crescimento dos custos.
O Michael Monsoor ainda não iniciou sua modernização porque participou de sua primeira comissão operacional em 2025. Sua entrada no estaleiro está prevista para fevereiro de 2027. Já o Lyndon B. Johnson continua na fase de ativação de seus sistemas de combate, com entrega atualmente projetada para 2028.
Como existem somente três navios, a indisponibilidade prolongada de uma única unidade retira um terço da força planejada. Isso dificulta a manutenção de um ciclo regular no qual um contratorpedeiro esteja empregado operacionalmente, outro em treinamento e o terceiro em manutenção.
O atraso do CPS, portanto, afeta não apenas um programa de armamento, mas a tentativa da Marinha dos Estados Unidos de redefinir a utilidade estratégica de uma das classes de navios mais caras e controversas de sua história. Concebidos originalmente para atacar alvos terrestres com canhões de longo alcance, os Zumwalt agora dependem do míssil hipersônico para assumir sua nova função como plataformas furtivas de ataque de precisão a grandes distâncias.■





Tem algum programa relevante da US Navy sem graves problemas de custos, prazos e capacidades? Zumwalt; LCS; Constellation todos fracassos, é impressionante!!! O que aconteceu com a capacidade de desenvolver e executar grandes projetos da US Navy?
Eles descobriram que podem lançar aditivo ao contrato a cada 2 anos. Ahi virou festa.
Nada muito diferente do resto do mundo, diga-se de passagem.
Esta classe já tem um longo histórico de problemas e atrasos, emprestando uma música do Raul:
Plunct Plact Zumwalt
Não vai a lugar nenhum
Plunct Plact Zumwalt
Não vai a lugar nenhum 🙂
Perceba que ^LCS^ e ^Zumwalt^ não são ^programas^ novos, projetos de mais de 20 anos atrás concebidos para outra realidade, ambos já concluídos, trata-se de adaptar os 3 Zumwalt para a realidade de agora, os ^LCSs^ estão gradativamente sendo empregados e a classe Constellation^ foi cancelada. . Literalmente todos os ^programas^ estão acima do preço e sofrendo atrasos dada a grande complexidade e o que se está exigindo, mas outras marinhas dadas as devidas proporções também estão tendo dificuldades. . Mas há sim ^programas^ que estão indo relativamente bem ou medidas estão sendo tomadas para aperfeiçoar como ^Arleigh Burke III^,… Read more »
Só um reparo, quando disse “ambos concluídos” na verdade poderia ter dito ambos cancelados. A Zumwalt foi concebida para chegar a 32 unidades mas foi cancelada na 3a e as LCS só chegaram na quantidade atual por pressão do congresso, a US Navy queria interromper as encomendas muito antes. Ou seja os três últimos programs de combatentes de superficie foram fracassos absolutos resultando em cancelamentos dos mesmos. Mas de fato os programas de submarinos parecem ser os que seguiram razoavelmente bem. O G. Ford teve e tem muitos problemas, e atualmente está parado por um incêndio acidental que o tirou… Read more »
Ambos são projetos do passado, não faz sentido bater mais nesta tecla, acabou, foram pensados para uma outra realidade e até se tentou cancelar o terceiro ^Zumwalt^ mas as multas seriam enormes então optou-se por terminá-lo sem pressa usando mais aço ao invés de mais materiais compostos. . Não há ^bola de cristal^ para prever o futuro estaleiros precisam continuar construindo novos projetos levam tempo e quando se percebeu que a realidade era outra não fazia sentido continuar construindo mais do mesmo mas não é ^fracasso^ assim como foi decidido construir apenas o Enterprise e eventualmente mudar para a classe… Read more »
A questão da Zumwalt das LCS não é serem do passado, mas sim terem sido mal concebidas e especificadas. Em contraste, as Arleigh Burke foram concebidas em um passado bem mais distante é são um sucesso até hoje, projeto capaz de se adaptar, atualizar e atender as necessidades operacionais mesmo com o passar do tempo.
Arleigh Burkes foram concebidos com a URSS em mente, para operar nas vastidoes dos oceanos, otimizados contra ameaças aéreas e como parte dos Grupos de Ataque de NAes. . Com o fim da URSS Alas Aéreas focaram em bombardeio terrestre, um livro antigo que tenho trás um desenho de como deveria ser o último NAe da classe Nimitz CVN 77 cujo nome ainda não era conhecido onde entre outras modificações deveria ter uma maior capacidade de ajuda humanitária, se passou a encomendar apenas 1 submarino por ano algo que levará anos para corrigir. . O ^inimigo^ passou a ser o… Read more »
Eram a unica força dominante no mundo, estavam perdidos sobre o que fazer. Fora a e a falencia e fechamento de outros.
Toda a história de desenvolvimento tecnológico militar /aeroespacial americano é assim. Nada de novo no front. É só recordar os históricos dos programas americanos anteriores desde a SGM. Só cintando alguns que ficaram famosos: LPD-17, M-2 Bradley, F-111, etc. … Esse é o preço de ser inovador , sem falar que tudo nos EUA é magnificado da mesma forma que uma verruga no nariz Brad Pit faz alvoroço enquanto uma no meu nariz não chama a atenção de ninguém. Agora a coisa toda piora devido à clara disputa cultural/ideológica/civilizatória que insiste em arrotar virtudes dos comunas e de menosprezar o… Read more »
O lobby de armas e sistemas militares de Washington já é uma das maiores bancadas do Congresso.
Militares de alta patente recebem “ajuda de custo” e “hora-extra” para criar dificuldades e facilidades em projetos e programas.
Por aí você imagina o que sai disso…
Os EUA sempre tiveram excelência na construção naval de guerra, hoje sofrem pra fazer uma fragata.
Para quem faz ^destroyers^ – entre outras coisas – uma fragata não seria problema apenas descobriu-se que modificar um navio estrangeiro pronto é mais caro e complexo do que se imaginava. . Nunca havia sido tentado ao menos tratando-se de navios mais complexos porque navios varredores de minas costeiros classe Osprey foram baseados na classe italiana Lerici, que exigiram poucas modificações. . Não quer dizer que o resto em construção ou planejado esteja indo as mil maravilhas, mas ^sofrer^ para construir uma fragata está totalmente fora de contexto e agora ao invés de uma ^super fragata^ se terá uma bem… Read more »
Acho que o problema não está na capacidade de construção mas sim na capacidade de planejar, especificar e gerenciar grande projetos de defesa em geral. A US Navy tem falhado na projeção da necessidade de capacidades futuras, na entrega das capacidades especificadas, e na execução dos projetos no custo e prazo acordados… Tem falhado em todos os aspectos macros de um grande projeto.
Longe de ser perfeito, mas, tem muita coisa bastante razoável já em construção como o Bombardeiro B 21, mísseis hipersonicos para o Exército e uma nova doutrina para os fuzileiros navais com mísseis anti navios e navios anfíbios de tamanho médio. . A classe Gerald Ford o primeiro dos quais já foi duramente utilizado nos últimos 3 anos será mais capaz que um Nimitz com toda a nova tecnologia, as Alas Aéreas gradualmente terão o F-35C Block IV o Super Hornet Block III já começou a ser introduzido e entre outros está mais próximo de ser introduzido o MQ-25 Stingray.… Read more »