Navantia bate quilha da fragata F113 ‘Menéndez de Avilés’ sete meses antes do previsto
Terceira unidade da classe F110 entra em nova fase de construção no estaleiro de Ferrol; Espanha já possui quatro fragatas da série simultaneamente em diferentes etapas de produção
A Navantia realizou no estaleiro de Ferrol, na Galícia, o assentamento da quilha da futura fragata F113 “Menéndez de Avilés”, terceira unidade do programa F110 da Armada Espanhola. O marco industrial foi alcançado sete meses antes da data estabelecida em contrato, segundo informou a empresa espanhola de construção naval.
A cerimônia, realizada em 20 de julho, foi presidida pelo diretor-geral de Armamento e Material do Ministério da Defesa da Espanha, almirante Aniceto Rosique, e pelo presidente da Navantia, Ricardo Domínguez. Também participaram o chefe do Estado-Maior da Armada Espanhola, almirante Antonio Piñeiro, e o diretor do estaleiro de Ferrol, Eduardo Dobarro.
Diferentemente de uma cerimônia protocolar de grande porte, o evento ocorreu como uma atividade de trabalho integrada à rotina normal de produção do estaleiro. A antecipação do cronograma foi apresentada pela Navantia como resultado da cooperação entre a empresa, a Armada e o Ministério da Defesa espanhol.
Montagem continuará na antiga carreira da “Bonifaz”
O assentamento da quilha marca o início de uma nova etapa da construção da “Menéndez de Avilés”. Os blocos que formarão o casco serão progressivamente montados na carreira número 2, anteriormente ocupada pela primeira fragata da classe, a F111 “Bonifaz”, lançada ao mar em setembro de 2025.
A construção da F113 havia começado em abril de 2025, também antes do calendário inicialmente previsto. Desde então, diferentes blocos e seções estruturais foram produzidos nas oficinas de Ferrol até que o navio estivesse pronto para o assentamento formal da quilha.
Na construção naval modular contemporânea, o assentamento da quilha não significa necessariamente a colocação de uma peça longitudinal única, como ocorria nos navios tradicionais. O marco corresponde à instalação do primeiro grande bloco estrutural na carreira, a partir do qual as demais seções do casco são reunidas.
Quatro fragatas F110 estão em construção
Com o avanço da F113, a Navantia possui agora quatro das cinco fragatas F110 em diferentes fases de produção no complexo industrial de Ferrol.
A F111 “Bonifaz”, unidade mais avançada, encontra-se flutuando no cais número 10. Os principais equipamentos e sistemas estão sendo instalados, integrados e colocados em funcionamento antes do início dos testes de mar. Os próximos marcos previstos são a ativação do Sistema Integrado de Gestão da Plataforma e a instalação do radar multifuncional AN/SPY-7(V)2. A entrega à Armada Espanhola está programada para 2028.
A segunda fragata, F112 “Roger de Lauria”, está posicionada na carreira número 3. A estrutura principal do navio foi recentemente concluída com a instalação do bloco da proa. Após a montagem do mastro e a conclusão dos trabalhos preparatórios, a embarcação deverá ser lançada ao mar depois do verão europeu de 2026.
A quarta unidade, F114 “Luis de Córdova”, encontra-se nos estágios iniciais de fabricação. A quinta e última fragata da série receberá o nome “Barceló”, completando uma classe cujas denominações homenageiam figuras históricas da tradição naval espanhola.

SPY-7 e arquitetura digital
As fragatas F110 estão sendo projetadas como escoltas oceânicas multipropósito, com capacidades de guerra antissubmarino, defesa antiaérea e combate contra alvos de superfície. Embora possam operar em alto-mar, seus sensores e sistemas também foram otimizados para ambientes litorâneos, nos quais a presença de tráfego civil, interferências e ameaças próximas torna a detecção mais complexa.
Um dos principais elementos do conjunto de sensores será o radar de varredura eletrônica ativa AN/SPY-7(V)2, desenvolvido pela Lockheed Martin. O sistema será instalado nas cinco fragatas e dará à Armada Espanhola uma nova capacidade para detectar e acompanhar ameaças aéreas e de mísseis. Empresas espanholas como Indra, Escribano e ICM participam da fabricação de componentes do radar.
A classe também incorporará um gêmeo digital, uma réplica virtual do navio alimentada por dados dos sistemas de bordo. A tecnologia deverá auxiliar na manutenção, no treinamento das tripulações e na avaliação do estado dos equipamentos, permitindo que decisões operacionais e logísticas sejam tomadas com base em informações recolhidas em tempo real.
A Navantia afirma que as fragatas foram preparadas para operar diante de ameaças emergentes, incluindo ações de guerra híbrida, ataques assimétricos e o emprego crescente de veículos não tripulados.
Nova fábrica digital transforma o estaleiro de Ferrol
A fabricação da F114 coincide com a entrada em funcionamento da nova Fábrica Digital de Blocos de Ferrol, instalação criada para automatizar e modernizar a produção das grandes seções estruturais dos navios.
A unidade encontra-se em processo de comissionamento e deverá atingir sua capacidade operacional plena nas próximas semanas. Segundo a Navantia, a fábrica representa uma mudança no modelo produtivo do estaleiro e constitui uma instalação singular no setor europeu de construção naval militar.
O programa F110 tornou-se o principal vetor do plano de transformação digital da Navantia em Ferrol. Entre os objetivos estão a redução dos prazos de produção, o aumento da precisão na fabricação dos blocos e a integração dos processos de projeto, construção e apoio ao ciclo de vida dos navios.
Renovação da força de escoltas espanhola
O contrato para a construção das cinco fragatas foi assinado pela Navantia e pelo Ministério da Defesa espanhol em 2019. Todas as unidades serão construídas em Ferrol e substituirão progressivamente as fragatas da classe Santa María, derivadas do projeto norte-americano Oliver Hazard Perry e em serviço na Espanha desde o final da década de 1980.
Além de ampliar as capacidades operacionais da Armada Espanhola, Madri considera o programa importante para preservar a autonomia tecnológica e industrial do país. Aproximadamente 500 empresas espanholas participam direta ou indiretamente da construção, enquanto a Navantia estima que o projeto sustente cerca de 9 mil empregos ao longo de mais de uma década.
O cumprimento antecipado de sucessivos marcos da F112 e da F113 reafirma a expectativa de que a Navantia consiga manter o cronograma geral da série. Depois da entrega da “Bonifaz”, prevista para 2028, as unidades seguintes deverão ser incorporadas progressivamente até a conclusão do programa, planejada para 2032.■



Antes que aparece alguém dizendo que seria uma boa opção para a MB, não, os USA não autorizariam o SPY a uma nação hostil como nós. Hostil segundo eles.
O brasil e hostil a qualquer pessoa honesta.
Fiquei curioso para saber quem é ou são essas pessoas honestas.
A proposta da Navantia para o PROSUPER contava com a confirmação oficial de que o governo americano autorizava a exportação do sistema AEGIS para o Brasil.
.
Embora o radar desta classe seja uma versão de exportação do SPY-7, o navio em questão usa o sistema de combate SCOMBA, da Navantia. E sendo assim, é algo muito mais simples do que já foi liberado ao Brasil…
Ah sim, o contexto geopolitico de 2013 é o mesmo de 2026
Por parte deles, o atual “contexto geopolítico” gerou maiores facilidades para realizar este tipo de negócio, rsrsrs…
.
Bastaria o governo brasileiro demonstrar a intenção de comprar alguns bilhões de dólares em produtos do complexo militar americano, que a atual administração estenderia um enorme tapete vermelho para prosseguirmos até as assinaturas, tal qual fazem com os sauditas.
.
O tal do dinheiro é o que tem mandato nos EUA, caso não tenha percebido.
Aqui vemos a mentalidade do militar na ativa: tem uma solução simples para tudo como que estivessemos em 2013.
É como um deputado disse, militar brasileiro passa muito tempo lendo Barsa e fora do mundo real.
“Além do título na Copa, eles dão um show na construção naval e no aparelhamento da marinha.”
A U.S Navy poderia aprender com eles…
Mesmo levando em conta que a fragata terá radar, parte da propulsão, helicóptero, tubos de torpedos e mísseis ESSM 2 americanos mesmo sem modificações seria um navio caro demais para se poder construir e manter o grande número que a US Navy quer.
É que não tem meio termo com a U.S Navy. Ou o navio fica grande e caro demais ou é “barato” e desarmado.
Fazem navios a alguns séculos
A produção das corvetas sauditas foi nesse ritmo, e acho que isso ajudou a ampliar o pedido de 5 para 8.
Existem clientes que precisam ter seus pedidos mais rápido, ainda mais quando o inimigo é real e os está assediando.
Logo logo estarão disponíveis algumas OHP espanholas… kkk
A Espanha tá que tá: angariou o desdém de Trump👌, recebeu refugiados de Gaza 👍, conquistou a Copa do Mundo✌️ e ainda por cima sabe numerar seus navios racionalmente ☝️😎. Miremo-nos no exemplo.
E diferetemente da U.S Navy, ainda sabem projetar navios.
Coincidência ou não, mas bem no dia que anunciam que Portugal está comprando 3 FREMM da Itália.
E de pensar que o estaleiro espanhol é na Galícia, região mais ligada aos lusos de toda a Espanha.
Belo navio, com um design limpo…