The Swedish Warship Vasa was sunk in 1628

Sérgio Vieira Reale
Capitão-de-Fragata (RM1)

Em 1991, eu era Guarda-Marinha e  estava embarcado no Navio-Escola Brasil (U-27) na quinta Viagem de Instrução desse navio. No roteiro, estava prevista a atracação no porto de Estocolmo na Suécia. Durante a estadia do NE Brasil naquele porto tive a oportunidade de visitar o Vasa, em exposição no seu próprio museu, que havia sido inaugurado em 1990.

Capa do catálogo para visitantes  do “Vasa Museum” em 1991

 

Pintura retratando o Vasa

No início do século XVII, a Suécia era uma superpotência em ascensão na Europa. Naquele período, a guerra naval já havia sido impactada por  significativas inovações tecnológicas. No setor do armamento, por exemplo, o tamanho e o poder de destruição dos canhões era crescente. À medida que o calibre e o peso deles aumentou, surgiu a necessidade de construir um convés abaixo do convés principal nos navios de guerra.

Nesse sentido, foram feitas aberturas no costado, pelos traveses (laterais do navio), a fim de aumentar a estabilidade dos navios de madeira.

Por dentro do Vasa

Em 1625, em meio à Guerra dos Trinta Anos (1618–1648), o Rei Gustavo II Adolfo da Suécia determinou a construção de navios de guerra para enfrentar as várias ameaças presentes no Mar Báltico. A Guerra dos Trinta Anos foi um conflito armado que envolveu várias nações europeias por rivalidades religiosas, dinásticas, territoriais e comerciais.

Naquele contexto, entre 1626 e 1628, os melhores carpinteiros, artesãos e construtores navais trabalharam arduamente no projeto e na construção do Vasa, expressão do poder naval sueco.

Um navio de guerra, construído com madeira de carvalho, tinha 52 metros de altura do topo do mastro à quilha, 69 metros de comprimento, 11 metros de boca e 64 canhões de bronze distribuídos em dois conveses. O navio foi decorado com mais de 700 esculturas de madeira representando leões, anjos e imperadores.

Em 10 de agosto de 1628, o majestoso e decorado Vasa, que despertava admiração e orgulho no povo sueco, suspendeu (se fez ao mar) para fazer a sua primeira viagem. O mar estava calmo, mas a viagem inaugural duraria pouco tempo.

Logo após o suspender, uma rajada de vento atingiu as velas e fez com que o navio adernasse para bombordo (esquerda). Por alguns instantes, o navio endireitou-se retornando à condição de estabilidade.

Porém, uma nova rajada de vento golpeou o Vasa e a inclinação foi ainda mais acentuada. A água começou a embarcar pelas portas inferiores dos canhões que estavam abertas. A partir daquele instante não foi mais possível que houvesse o momento de endireitamento.

O navio de guerra mais caro que havia sido construído pela Suécia, navegou por cerca de 1.300 metros e afundou em poucos minutos. Consta que 53 pessoas morreram no naufrágio  (incluindo mulheres e crianças, já que se tratava de uma viagem inaugural ao redor do porto de Estocolmo).

Dias antes da viagem inaugural, o Almirante Fleming determinou que 30 marinheiros corressem de um bordo a outro no convés superior da embarcação para verificar a estabilidade do navio.

Aquele teste demonstrou que o Vasa era muito instável. No entanto, aquele fato foi desprezado e não foi levado ao conhecimento do Rei Gustavo Adolfo. O ambiente priorizava a deferência às ambições do Rei em detrimento das preocupações com a segurança.

A construção foi praticamente concluída seguindo as ordens do Rei. A política estava acima da engenharia naval.

Fatores determinantes para o afundamento do Vasa

  •  O Rei da Suécia, Gustavo II Adolfo, determinou que na fase final da construção fosse incluído um segundo convés para canhões pesados, causando um fator de instabilidade.
  •  A boca da embarcação era estreita para suportar a altura dos mastros e o peso do armamento.
  • O espaço inferior do casco era pequeno e não pôde acomodar as pedras de lastro necessárias para contrapor o peso alto.
  • O navio suspendeu com as portas dos canhões, que estavam instalados nos bordos, abertas e muito próximas da linha da água.

O Vasa permaneceu no fundo nas proximidades do Porto de Estocolmo por 333 anos, antes de ser  içado definitivamente com sucesso em 1961. Em 1990, após um longo período de reformas, seu museu foi inaugurado.


 



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rommelqe

A historia do VASA é realmente muito interessante. Tive também a oportunidade de visitar o museu VASA, la nos idos dos anos 90, quando a trabalho na Suecia. Para quem quiser mais detalhes – em complementação ao excelente post do Sérgio Vieira Reale – vide https://en-wikipedia-org.translate.goog/wiki/Vasa_Museum

MMerlin

Quando resolvi dar um tempo na Siemens, devido a uma oportunidade na Nokia, fiquei 7 meses na Finlândia. Lá pela segunda metade do anos 90.
Do lado.
infelizmente não conseguei um tempo para visitar a Suécia e Noruega, países que sempre tive vontade de conhecer devido ao seu passado (e que depois se intensificou com a série Vikings).
Fui retardando. E acabou que fui recontratado para Siemens novamente e indo para a Alemanha.
Nunca mais voltei para a região.
Desconhecia esse museu.
De repente….

rommelqe

É isso aí meu caro MMERLIN… na primeira fase, em que trabalhei na Suecia/Noruega, na cidade de Kristinenham, foi desenvolvendo as turbinas hidráulicas da UHE Salto Caxias da COPEL, trabalhos estes realizados nas instalaçoes da KWAERNER na cidade de Kristinenham. Mas depois disto, la pelos idos dos anos 2010, trabalhei na VOITH/SIEMENS, aqui em São Paulo e também em Heidenhein na Alemanha.. Bons tempos hein?

LucianoSR71

Tem um vídeo no YT que mostra o trabalho que tem que ser feito todo o tempo pelo museu para mantê-lo em condições de ser exibido.

LucianoSR71
rommelqe

Realmente, né LucianoSR71, o VASA não era supersônico (tal qual o SR71…rsrsrsr) mas, muito mais do que um mero navio, como pode ser visto no video, uma verdadeira obra de arte. Felizmente foi preservado em seu auto museu. Abraços

Sequim

Então o Vasa vazou e afundou?

sergio 02

Nos ja tivemos o nosso. O Padre Eterno foi um famoso galeão português construído no Brasil no século XVII, considerado na época o maior navio do mundo, e cuja história batizou a região do Galeão no Rio de Janeiro. História e Construção Local: Construído na Ilha do Governador, na Baía de Guanabara (RJ), em um local chamado Ponta do Galeão. Iniciativa: Mandado construir por Salvador Correia de Sá e Benevides, governador da capitania. Tamanho e Poder: Tinha capacidade para milhares de pessoas e centenas de canhões, impressionando a Europa ao chegar a Lisboa em 1665. Legado: O nome do famoso… Read more »

rommelqe

Realmente, caro Sergio 02, fantática história. Impressionante… Abraços

Iran

Não conhecia essa história, muito interessante, o que será que ocorreu com ele?

Adriano Madureira

Grande navio, triste história… Ideia ousada e ambiciosa, mas a inovação ao criar um monstro de combate cobrou seu preço… A responsabilidade histórica e técnica pelo desastre recaiu diretamente sobre as intervenções do rei Gustavo II Adolfo e as falhas estruturais dos construtores. O Rei Gustavo exigiu, com o projeto já em andamento, que o navio ganhasse um segundo convés de canhões pesados.  Ele também acelerou os prazos e impôs centenas de esculturas decorativas pesadas na parte superior.  Quem com algum nível de inteligência iria ter coragem de contrariar e contestar as ordens de um rei absolutista?! Esses Monarcas geralmente… Read more »

rommelqe

É meu amigo Adriano, de um ponto de vista de construção naval o VASA superou vários parâmetros que à época limitavam as dimensões dos navios. Um destes referiu-se, por exemplo, à extensão da quilha (pouco mencionada na Wikipédia), que foi definida pela união de troncos de árvores de grande porte. O mastro principal também teve que ser resultante da união de troncos devidamentes trabalhados. Os engenheiros navais que o projetaram ja haviam antecipado que varias das alterações realizadas ao longo da construção resultavam em instabilidades principalmente em relação à flutuabilidade lateral; por isso eles previam lastros e disposição de cargas… Read more »