Submarino italiano Romeo Romei retorna a Taranto após missão de 98 dias no Atlântico
Unidade da classe Todaro realizou duas travessias submersas do Estreito de Gibraltar e superou a marca de 100 mil milhas navegadas desde sua entrada em serviço
O submarino Romeo Romei (S529) retornou à Base Naval de Taranto após concluir um deslocamento operacional de 98 dias entre o Mediterrâneo Ocidental e o Oceano Atlântico. A missão marcou o retorno da Componente Submarina da Marinha Militar Italiana para além do Estreito de Gibraltar e incluiu atividades de vigilância, presença naval e controle do domínio subaquático.
Durante o deslocamento, o submarino também superou a marca de 100 mil milhas navegadas desde sua incorporação à Marinha italiana. O Romeo Romei entrou em serviço em 11 de maio de 2017 e é a quarta e mais recente unidade da classe Todaro, correspondente ao projeto U212A.
Missão começou em abril
O Romeo Romei deixou Taranto em 13 de abril, após completar um intenso ciclo de preparação e treinamento da tripulação. Ao longo dos três meses seguintes, operou em áreas do Mediterrâneo Ocidental e do Atlântico, contribuindo para a vigilância de rotas marítimas consideradas estratégicas e para a proteção dos interesses nacionais italianos.
Segundo a Marinha Militar Italiana, o deslocamento demonstrou a capacidade de manter uma presença submarina eficaz e credível em áreas marítimas afastadas das bases nacionais, em um contexto internacional no qual o controle das rotas oceânicas e das infraestruturas subaquáticas ganhou crescente importância estratégica.
Paradas operacionais na Espanha e na França
Durante a missão, o submarino realizou paradas operacionais em Cartagena, na Espanha, e Brest, na França. As escalas permitiram reforçar a cooperação com as marinhas dos dois países e ampliar a interoperabilidade entre suas respectivas forças submarinas.
As atividades envolveram a coordenação de procedimentos operacionais e logísticos necessários ao emprego de submarinos em águas aliadas. Para a Itália, a capacidade de utilizar portos parceiros amplia a sustentação de missões prolongadas no Atlântico e reforça a integração com outras marinhas da OTAN.
Dupla travessia submersa de Gibraltar
Um dos momentos mais importantes da missão foi a realização de duas travessias submersas do Estreito de Gibraltar: uma durante a passagem do Mediterrâneo para o Atlântico e outra no retorno às águas mediterrâneas.
A Marinha italiana classificou a navegação como tecnicamente complexa e destacou o profissionalismo e a coesão demonstrados pela tripulação. A passagem submersa pelas chamadas Colunas de Hércules confirmou o nível de preparação operacional alcançado pelo submarino e por seu pessoal.
Após concluir suas atividades no Atlântico, o Romeo Romei voltou a operar no Mediterrâneo antes de seguir para Taranto, onde foi recebido pelos familiares dos tripulantes e pelo pessoal da Flotilha de Submarinos.
Um dos submarinos convencionais mais avançados da Itália
Construído pela Fincantieri no estaleiro de Muggiano, em La Spezia, o Romeo Romei integra a segunda série da classe Todaro. O submarino foi lançado ao mar em julho de 2015 e entregue à Marinha Militar Italiana em maio de 2017.
O navio foi construído em aço amagnético de alta resistência e utiliza um sistema de propulsão independente do ar — AIP — baseado em células de combustível alimentadas por hidrogênio e oxigênio. O sistema opera em conjunto com uma planta diesel-elétrica convencional e permite que o submarino permaneça submerso por períodos prolongados, com reduzidas assinaturas acústica, magnética e térmica.
Seus sensores incluem o sistema sonar CSU 90-138, conjuntos de baixa e média frequência, sonar rebocado, periscópio de ataque SERO 400 e mastro optrônico OMS 100. O armamento é baseado no torpedo pesado Black Shark Advanced, produzido pela indústria italiana.
Presença submarina além do Mediterrâneo
O deslocamento de 98 dias demonstra a intenção da Itália de empregar sua força submarina para além das águas tradicionalmente associadas à defesa do Mediterrâneo.
Submarinos convencionais com propulsão AIP podem ser empregados discretamente na coleta de informações, vigilância de rotas marítimas, acompanhamento de forças navais, proteção de grupos-tarefa e negação do uso do mar por um adversário.
Ao completar a missão atlântica e alcançar as 100 mil milhas navegadas, o Romeo Romei consolidou-se como uma das principais unidades da Componente Submarina italiana. Para a Marinha Militar, a operação reafirma o papel dos submarinos como instrumentos de dissuasão, vigilância e proteção dos interesses estratégicos nacionais.■



Pergunta de leigo.
Não acredito que tenha sido o caso, mas vamos considerar que o U212 tivesse navegado umas 1500 milhas usando o sistema AIP ou ficado submerso até usar toda a carga, na Europa ou países da OTAN é possível fazer o reabastecimento do sistema ou teria que voltar para a Itália, para só então reabastecer?
Acredito, prezado Angus, que a recarga de hidrogenio do Romeo Romei, tecnicamente falando, é, hoje, uma operação relativamente bem dominada tendo em vista que, a utilização deste gas, em várias atividades fabris torna-se, cada vez mais, algo comum; lembrar que oxigênio requerido é produzido no proprio submarino. Imagino que navios de apoio logistico da esquadra italiana possam estar dotados de meios que permitam que esta operação possa ser realizada em alto mar e em portos onde ambos estejam atracados. Veja o excelente artigo “PROPULSÃO DE SUBMARINOS INDEPENDENTE DA ATMOSFERA (AIP – AIR INDEPENDENT PROPULSION) de RENÉ VOGT*
Engenheiro”
Momento cultural: O estreito de Gibraltar talvez seja a mais desafiante passagem da geografia naval, juntamente com a passagem de Magalhães. Como as águas do Atlântico são menos salinas que as do Mediterrâneo, ocorre uma forte corrente superficial para “compensar” a evaporação do Mediterrâneo. Já as águas altamente salinas e pesadas do Mediterrâneo forçam passagem em nível mais profundo, atuando como troca de densidade e calor entre os dois lados. Historicamente, tal mecanismo foi o responsável pela incapacidade de navios romanos, gregos e cartagineses “saírem” do Mediterrâneo em direção ao Atântico, só conseguindo em poucas semanas do ano com ventos… Read more »
Alguém saberia informar o nome do navio que aparece ao fundo na primeira foto da matéria? O indicativo parece ser A831, mas não encontrei nenhum navio com esse indicativo.
É o Somme A631…navio de reabastecimento da Marinha da França.
Ah, certo. Confundi o 6 com um 8. Obrigado.