VÍDEO: Afundamento do cruzador USS Mobile Bay e navio de assalto USS Peleliu durante a RIMPAC 2026

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USS Peleliu

Exercícios reuniram mísseis antinavio lançados por submarinos, navios, caças, helicópteros e sistemas terrestres de Estados Unidos, Austrália, Canadá, Espanha, Itália, Japão e Nova Zelândia

A Marinha dos Estados Unidos e forças de países aliados afundaram dois grandes navios de guerra desativados durante exercícios com fogo real realizados no Havaí como parte da Rim of the Pacific 2026 — RIMPAC 2026.

Os alvos foram o cruzador de mísseis guiados USS Mobile Bay (CG-53), da classe Ticonderoga, e o navio de assalto anfíbio USS Peleliu (LHA-5), da classe Tarawa. Ambos foram atingidos por diferentes tipos de armamentos lançados do ar, da superfície, de terra e de submarinos.

Os ataques contra o Mobile Bay começaram em 11 de julho, enquanto a Marinha americana registra seu afundamento em 12 de julho. O Peleliu foi afundado em 17 de julho. Os cascos repousam em águas com aproximadamente 15 mil pés — cerca de 4.570 metros — de profundidade, a mais de 50 milhas náuticas ao norte da ilha de Kauai.

Ataque ao USS Mobile Bay reuniu meios terrestres, aéreos e navais

O antigo cruzador Mobile Bay foi submetido a um ataque coordenado envolvendo sistemas de armas de diferentes países e Forças Armadas.

O destróier australiano HMAS Sydney (DDG-42) disparou um míssil antinavio Naval Strike Missile — NSM contra o navio. Em seguida, dois helicópteros MH-60R Seahawk da Marinha Real Australiana lançaram quatro mísseis AGM-114N Hellfire: dois partiram da aeronave embarcada no Sydney e outros dois de um destacamento australiano operando a partir do destróier americano USS Wayne E. Meyer (DDG-108).

Dois helicópteros de ataque AH-64 Apache, pertencentes à 16ª Brigada de Aviação de Combate do Exército dos Estados Unidos, também participaram da ação. Cada aeronave lançou um míssil Spike NLOS, capaz de atingir alvos além da linha de visada direta.

O vídeo divulgado pelo Departamento de Defesa americano mostra ainda lançamentos realizados pelo sistema de foguetes HIMARS, operado pelo 1º Batalhão do 623º Regimento de Artilharia de Campanha da Guarda Nacional do Kentucky, e por lançadores terrestres japoneses equipados com o míssil antinavio Type 12.

As imagens também apresentam um caça F/A-18F Super Hornet decolando de uma base no Havaí transportando um míssil antinavio de longo alcance AGM-158C LRASM. O material oficial não esclarece, porém, em qual dos dois cascos cada uma dessas armas foi empregada.

Submarino canadense acompanhou o afundamento

Uma das imagens mais marcantes do exercício foi registrada pelo periscópio do submarino canadense HMCS Corner Brook (SSK-878).

O submarino da classe Victoria acompanhou o Mobile Bay enquanto o antigo cruzador adernava e desaparecia sob as águas do Pacífico.

Segundo a Marinha americana, a participação demonstrou como submarinos podem produzir efeitos letais contra navios de superfície a distâncias seguras, preservando ativos importantes, negando o controle do mar ao adversário e abrindo oportunidades para ataques subsequentes.

USS Peleliu foi atingido por mísseis lançados de submarino

O afundamento do Peleliu, realizado em 17 de julho, também reuniu uma ampla combinação de plataformas e armamentos.

O submarino nuclear de ataque USS Columbia (SSN-771) lançou dois mísseis antinavio UGM-84 Harpoon contra o antigo navio de assalto anfíbio. Vídeos divulgados pela Marinha mostram os dois projéteis atingindo o casco do Peleliu durante o exercício.

Dias antes, imagens oficiais haviam mostrado marinheiros e técnicos carregando um Harpoon no compartimento de torpedos do submarino. O Columbia, pertencente à classe Los Angeles, participou da RIMPAC ao lado do submarino nuclear USS Charlotte (SSN-766).

A utilização do Harpoon a partir de um submarino permite atacar navios sem que a plataforma lançadora precise se aproximar para empregar torpedos. Depois do lançamento, o míssil emerge da água, aciona seu motor e segue em voo rasante até o alvo.

Navios da Espanha e do Japão dispararam Harpoon

A fragata espanhola ESPS Álvaro de Bazán (F-101) e o destróier japonês JS Kongo (DDG-173) realizaram um ataque coordenado contra o Peleliu. Cada navio lançou um míssil antinavio RGM-84 Harpoon.

A Armada Espanhola classificou a operação como um dos eventos mais complexos e realistas da RIMPAC, por integrar sensores, sistemas de comando e armas de diferentes países em um cenário semelhante ao de um combate naval de alta intensidade.

O lançamento representou também uma demonstração da capacidade ofensiva da fragata Álvaro de Bazán, primeiro navio europeu equipado com o sistema de combate Aegis e principal unidade da classe F-100 espanhola.

Helicóptero neozelandês empregou míssil Penguin

Um helicóptero SH-2G(I) Seasprite, embarcado na fragata neozelandesa HMNZS Te Mana (F-111), disparou um míssil antinavio Penguin contra o Peleliu.

O Penguin é uma arma destinada ao ataque de navios por aeronaves e utiliza guiagem infravermelha na fase final. Sua instalação em helicópteros permite que a embarcação lançadora amplie consideravelmente o alcance de seus ataques além do horizonte.

A Marinha italiana também informou que um helicóptero SH-101, embarcado no navio de combate multipropósito ITS Giovanni delle Bande Nere (P434), lançou um míssil antinavio Marte durante a RIMPAC. O comunicado italiano, porém, não identificou se o alvo foi o Mobile Bay ou o Peleliu.

Exercício avaliou cadeia completa de ataque

Os SINKEX — sigla inglesa para exercício de afundamento — não servem apenas para testar a capacidade destrutiva individual dos armamentos.

As operações permitem avaliar a cadeia completa de combate, incluindo localização e classificação do alvo, compartilhamento de informações, atribuição de armas, coordenação do espaço aéreo e marítimo, lançamento e avaliação dos danos.

No caso da RIMPAC 2026, o exercício integrou sistemas lançados por:

  • aviões de combate;
  • helicópteros navais e do Exército;
  • submarinos;
  • destróieres e fragatas;
  • lançadores terrestres de mísseis;
  • sistemas móveis de artilharia de foguetes.

Unidades da Austrália, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Itália, Japão e Nova Zelândia participaram diretamente dos ataques ou do acompanhamento dos alvos. A Coreia do Sul ocupou o comando do componente marítimo da força combinada.

Para o comandante da RIMPAC 2026, vice-almirante Jeff Jablon, os exercícios demonstraram a capacidade de militares de diferentes países planejarem e executarem conjuntamente operações marítimas complexas. O contra-almirante sul-coreano Inho Kim destacou que os dois afundamentos permitiram desenvolver táticas comuns e ampliar a capacidade da coalizão.

Fim do USS Mobile Bay após 36 anos de serviço

O Mobile Bay foi incorporado à Marinha dos Estados Unidos em 21 de fevereiro de 1987 e retirado do serviço em agosto de 2023, após mais de 36 anos de atividade.

O cruzador participou das operações Desert Shield, Desert Storm e Iraqi Freedom. Também prestou assistência humanitária nas Filipinas após a erupção do vulcão Pinatubo, em 1991.

Como os demais cruzadores da classe Ticonderoga, o navio utilizava o sistema de combate Aegis e era especializado em defesa aérea de grupos de porta-aviões, podendo acompanhar centenas de contatos e coordenar o emprego de mísseis contra aeronaves e ameaças antinavio.

Seu afundamento encerrou definitivamente uma trajetória iniciada nos últimos anos da Guerra Fria e que atravessou mais de três décadas de operações americanas no Pacífico e no Oriente Médio.

USS Peleliu participou de 17 deslocamentos operacionais

USS Peleliu (LHA-5)

O Peleliu foi incorporado em 3 de maio de 1980 e desativado em março de 2015, depois de quase 35 anos de serviço.

Durante sua carreira, o navio realizou 17 deslocamentos operacionais, registrou mais de 178 mil operações de voo e navegou aproximadamente um milhão de milhas náuticas. O convés permitia operar helicópteros, aviões AV-8B Harrier e outras aeronaves, enquanto a doca interna transportava embarcações de desembarque.

O navio participou de operações de combate e de ajuda humanitária em diferentes regiões. Em 2001, desempenhou papel importante na Operação Enduring Freedom, apoiando forças de fuzileiros navais enviadas ao Afeganistão.

Com deslocamento próximo de 40 mil toneladas, o Peleliu foi um alvo particularmente resistente. Seu grande casco permitiu testar sucessivos ataques e avaliar os efeitos de diferentes ogivas antes do afundamento.

Cascos foram preparados antes dos exercícios

A Marinha dos Estados Unidos informou que os exercícios foram realizados somente depois de as áreas serem verificadas para assegurar a ausência de pessoas, embarcações, aeronaves e espécies marinhas vulneráveis.

Os planejadores também precisam remover dos navios materiais considerados ambientalmente perigosos antes de levá-los ao mar. As operações seguem autorizações e normas ambientais americanas relacionadas à proteção de mamíferos marinhos, espécies ameaçadas e áreas oceânicas.

Maior exercício marítimo multinacional do mundo

A RIMPAC 2026 é a 30ª edição do exercício iniciado em 1971. As atividades ocorrem entre 24 de junho e 31 de julho nas águas e ilhas do Havaí.

A edição reúne 30 países, cinco submarinos, forças terrestres de 15 nações, mais de 190 aeronaves e mais de 30 mil militares, segundo os dados divulgados pela Marinha dos Estados Unidos.

O afundamento do Mobile Bay e do Peleliu representou um dos principais eventos de fogo real da edição de 2026. Além de eliminar dois grandes cascos desativados, os exercícios permitiram testar como armas de origens e alcances diferentes podem ser coordenadas contra um mesmo alvo em uma operação marítima multinacional.■




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6 Comentários
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Burgos

Decretada oficialmente pela USN.
Queima de fogos em alto mar no decorrer do exercício RIMPAC/2026 👍💪⚓️

joao victor

É sempre bom ver navios americanos sendo desativados, ainda mais quando a capacidade de construção dos EUA é menor do que a velocidade de desativação dos meios.
Isso, Trump, faça os novos encouraçados e atrase ainda mais a construção naval americana. Por favor.

Willian

Esses cruzadores de batalha nem vão sair do papel, e não é nada improvável que deixem de existir ainda no final desse ano. Eles ainda vonseguem construir muita coisa, mas a burocracia sempre mata tudo.

Dalton

O ^Peleliu^ foi desativado em 2015 e no fim daquele ano o inventário da ^Battle Forces^ foi de 271 unidades inclusive 10 NAes pois houve um ^gap^ entre a baixa do ^Enterprise^ em 2012 e a incorporação do ^Gerald Ford^ em 2017 quando se voltou ao número de 11 no momento há 292 , um aumento, e este número não mudará significativamente. . O ^Mobile Bay^ foi desativado em 2023 e neste mesmo ano foi incorporado o ^Jack Lucas^ o primeiro ^Arleigh Burke^ da versão III com sensores e ^Aegis^ mais capazes e se terminou o ano com 291unidades na… Read more »

joao victor

Os EUA têm hoje quase 20 contratorpedeiros da classe Arleigh Burke para serem desativados. Eles serão modernizados. Porém, sem uma mudança estrutural, o problema da construção naval não será resolvido nos próximos anos.

Alex Barreto Cypriano

Olha isso (três grandes aberturas no costado de bombordo, possivelmente por detonações de mísseis):
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E isso (uma geral por bombordo do Peleliu):
https://www.twz.com/wp-content/uploads/2026/07/LHD-hit.webp?w=660&h=368&quality=85
E isso (perfuração na linha d’água pelo USV):
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Todas daqui:
https://www.twz.com/sea/navys-garc-kamikaze-drone-boat-blew-a-hole-in-ex-uss-peleliu-during-sinking-exercise
Impressionante…