USS Fort Worth (LCS 3)

Segundo navio da variante Freedom dos Littoral Combat Ships, o LCS 3 atuou como plataforma operacional, de testes e treinamento nos Estados Unidos e em Singapura; casco será transferido para Bremerton e preparado para desmonte

A Marinha dos Estados Unidos realizou, em 29 de julho de 2026, a cerimônia de desativação do USS Fort Worth (LCS 3), na Base Naval de San Diego, encerrando uma carreira de quase 14 anos marcada por operações no Indo-Pacífico, testes de novas tecnologias e pelo desenvolvimento dos conceitos de emprego dos navios de combate litorâneo da variante Freedom.

Incorporado em 22 de setembro de 2012, durante cerimônia em Galveston, no Texas, o Fort Worth foi o primeiro navio da Marinha norte-americana a receber o nome da cidade texana. Ao longo de sua trajetória, a embarcação serviu como unidade operacional e como plataforma de experimentação e treinamento em San Diego e Singapura.

Tripulação se despede do navio em San Diego

A cerimônia reuniu os últimos integrantes da tripulação, antigos militares que serviram a bordo e autoridades ligadas ao desenvolvimento do programa LCS. O último comandante do navio, capitão de fragata Dana Canby, destacou o trabalho realizado pela tripulação em circunstâncias difíceis e afirmou que os marinheiros levarão para outras unidades a experiência acumulada no Fort Worth.

Os tripulantes eram conhecidos como “Rough Riders”, denominação associada ao lema do navio, “Grit and Tenacity” — determinação e tenacidade. A solenidade teve como convidado de honra o ex-secretário da Marinha Gordon England, que participou do processo de desenvolvimento do LCS e defendeu que uma unidade naval recebesse o nome de Fort Worth.

O contra-almirante Matthew Kawas, que integrou a tripulação original e posteriormente comandou o navio, classificou o LCS 3 como uma plataforma pioneira. Durante sua carreira, as sucessivas tripulações não apenas operaram o navio, mas ajudaram a estabelecer procedimentos, testar conceitos e determinar o que a classe poderia realizar em missões reais.

Uma plataforma experimental da variante Freedom

O USS Fort Worth foi construído pela equipe industrial formada pela Lockheed Martin e pela Fincantieri Marinette Marine, em Marinette, no estado de Wisconsin. Era o segundo navio da variante Freedom, depois do USS Freedom (LCS 1), e incorporava modificações destinadas a corrigir problemas observados na unidade inaugural.

Com aproximadamente 118 metros de comprimento, deslocamento carregado próximo de 3.450 toneladas e velocidade superior a 40 nós, a variante Freedom foi concebida para operar em águas costeiras e também em mar aberto, utilizando elevada velocidade, tripulação reduzida e equipamentos adaptados às diferentes missões.

O conceito original previa que os navios recebessem módulos intercambiáveis para guerra de superfície, guerra antissubmarino e operações de contramedidas de minas. Na prática, o desenvolvimento e a integração desses módulos enfrentaram atrasos, dificuldades técnicas e alterações sucessivas de requisitos.

O Fort Worth tornou-se uma das principais plataformas utilizadas para verificar essas soluções. O navio participou de testes de sobrevivência, experimentação de sensores, avaliação de veículos não tripulados e desenvolvimento do primeiro módulo de guerra antissubmarino destinado à classe LCS.

Longa missão no Indo-Pacífico

O período mais importante da carreira do LCS 3 começou em novembro de 2014, quando o navio deixou San Diego para uma missão de presença avançada no Indo-Pacífico, operando principalmente a partir de Singapura.

O planejamento inicial previa uma missão de 16 meses, sustentada por um sistema de rodízio de tripulações. A permanência total do navio fora de sua base acabou chegando a 23 meses, incluindo o período de reparos decorrente de uma avaria registrada em Singapura. O Fort Worth retornou a San Diego em outubro de 2016.

Durante a fase operacional, o navio percorreu mais de 15 mil milhas náuticas no Pacífico Ocidental. A Marinha norte-americana considerou a missão uma das mais longas realizadas até então por uma unidade da 7ª Frota, com cerca de 16 meses acumulados de atividade no mar.

O Fort Worth participou de exercícios da série Cooperation Afloat Readiness and Training, conhecida como CARAT, com Marinhas do Sudeste Asiático. Também esteve envolvido no exercício Foal Eagle, nas proximidades da Península Coreana, na atividade Naval Engagement Activity Vietnam e no exercício Malabar, realizado com forças navais da Índia e do Japão.

A embarcação realizou ainda uma patrulha no Mar do Sul da China, nas proximidades das ilhas Spratly, em um período de crescente tensão entre a China e países que disputam territórios marítimos na região.

Participação nas buscas pelo voo QZ8501

Um dos episódios mais conhecidos da carreira do USS Fort Worth ocorreu em janeiro de 2015, quando o navio foi enviado ao Mar de Java para participar das buscas pelo voo AirAsia QZ8501, acidentado durante uma viagem entre Surabaia, na Indonésia, e Singapura.

A operação foi conduzida sob liderança indonésia e reuniu navios, aeronaves e equipes de diferentes países. O Fort Worth atuou ao lado do destróier USS Sampson e transportou mergulhadores da Marinha equipados com sonares de varredura lateral para auxiliar na localização dos destroços no fundo do mar.

Os dois navios norte-americanos acumularam mais de 650 horas de buscas antes de encerrarem sua participação, em 15 de janeiro de 2015.

Avaria imobilizou o navio em Singapura

Em 12 de janeiro de 2016, o Fort Worth sofreu uma grave avaria em seu sistema de engrenagens combinadoras enquanto permanecia atracado em Singapura. O equipamento conecta os motores diesel e as turbinas a gás ao sistema de propulsão, permitindo selecionar diferentes combinações de potência.

A investigação concluiu que o problema ocorreu durante um teste dos motores principais, quando os procedimentos de lubrificação não foram corretamente observados. O funcionamento das engrenagens sem óleo suficiente provocou danos no sistema.

Uma inspeção posterior determinou que os danos eram menos extensos do que inicialmente previsto. Três rolamentos precisaram ser substituídos, permitindo que o navio deixasse Singapura em agosto de 2016 e regressasse a San Diego utilizando seus motores diesel principais.

Antes da avaria, o Fort Worth havia realizado 12 visitas a portos e participado de dez exercícios bilaterais ou multilaterais durante os primeiros 14 meses de seu desdobramento.

Retirada com menos de 14 anos

A desativação chama a atenção pela idade relativamente baixa do navio. O Fort Worth encerrou sua carreira menos de 14 anos depois de ser incorporado, apesar de representar uma plataforma construída no início de um programa que pretendia renovar a força de combatentes de superfície menores da Marinha norte-americana.

A classe LCS enfrentou, durante seu desenvolvimento, dificuldades relacionadas à confiabilidade da propulsão, custos de manutenção, atraso dos módulos de missão e dúvidas sobre sobrevivência e poder de combate em ambientes de alta ameaça. Relatórios do Government Accountability Office registraram sucessivas avarias nos navios das duas variantes e apontaram limitações na implantação das capacidades inicialmente previstas.

Várias unidades iniciais da variante Freedom, incluindo USS Freedom, USS Milwaukee, USS Detroit, USS Little Rock e USS Sioux City, já haviam sido retiradas de serviço antes do Fort Worth. A Marinha, entretanto, continua operando navios mais novos da variante a partir da Base Naval de Mayport, na Flórida.

A justificativa oficial para a retirada do LCS 3 é a concentração de recursos em plataformas, armas e programas considerados mais letais e relevantes para os diferentes tipos de operações navais.

Navio será preparado para desmonte

Após a conclusão do processo de desativação, o USS Fort Worth deverá ser rebocado até a Naval Inactive Ship Maintenance Facility, em Bremerton, no estado de Washington. A unidade será colocada em condição destinada ao desmonte, em vez de preservada como reserva mobilizável.

Embora sua carreira tenha sido curta, o Fort Worth teve participação relevante na definição dos procedimentos operacionais da classe. A experiência obtida com manutenção no exterior, rodízio de tripulações, operações com sistemas não tripulados e missões prolongadas ajudou a estabelecer práticas posteriormente adotadas por outros Littoral Combat Ships.

O encerramento de sua trajetória simboliza tanto a fase experimental do programa LCS quanto a mudança de prioridades da Marinha dos Estados Unidos, que procura direcionar recursos para navios e armamentos mais adequados a um possível confronto de alta intensidade no Indo-Pacífico.■




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11 Comentários
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Mauricio R.

Ufa, ainda bem que já se decidiram pelo desmonte!
Se bem que poderia ser mandado, para as Filipinas.
Eles lá estão precisando.

TeoB

calma, não comemora que tem umas Type 23 e que são bem mais velhas… e ainda tem quem sonha com elas…

Dimas Santana de Souza

Ola ! Como vai ! Correto , poderia vender para a Filipinas para em seguida incorpora – lo em sua Armada. Questão de equilíbrio geopolítico. Uma embarcação que prestou _ se para estudos e análises de caráter sigilosos. Vai para o Arsenal e passar pelas chamas dos maçaricos. Desmonte e certo . Uma Marinha rica e orçamento trilionario. Quase beirando o QUATRILIONARIO . U$$ . Um abraco.

João Bosco

Só não deixem essa noticia chegar nos ouvidos sdo almirantado brasileiro….

Emmanuel

Uma classe que poderia servir de patrulha para outra marinha.

Last edited 1 mês atrás by Emmanuel
Renato

A evidência cabal do fracasso do projeto.

Dalton

É um protótipo usado para testes que nem mesmo fazia parte do esquadrão formado pelos outros 10 em Mayport Flórida que estão em outro patamar e não serão retirados de serviço.
.
Os ^LCSs^ armados com 8 misseis ^NSM^ um helicóptero médio e um leve não tripulado não ficam devendo a muitas fragatas do mesmo porte e como já testado poderão se necessário incorporar outros mísseis como o SM-6 em lançadores instalados no convés de vôo.

Rodrigo Silveira

Vai que a MB poderia… deixa prá lá…

FERNANDO

ISHI, vamos lá, 1,2,3,4,…………….

Marcelo

Esses ai fizeram curso na MB de como jogar dinheiro fora..

luciano

opaaa..OPORTUNIDADE… só que não.