Igor Belousov - 1

Exercício mobilizou os submarinos Ufa e HQ-183 Ho Chi Minh City, além do navio de salvamento Igor Belousov, equipado com sistemas capazes de operar a centenas de metros de profundidade

Marinheiros das forças navais da Rússia e do Vietnã realizaram um exercício conjunto de busca e salvamento de submarinos no Mar do Sul da China, após uma escala dos navios russos na base naval vietnamita de Cam Ranh.

A Marinha Russa participou com o submarino diesel-elétrico Ufa, do Projeto 636.3, e com o navio de salvamento Igor Belousov, pertencente à Frota do Pacífico. Do lado vietnamita, o treinamento envolveu o submarino HQ-183 Ho Chi Minh City, uma das seis unidades da classe Kilo operadas pelo país.

Submarinos simularam avarias no fundo do mar

De acordo com a assessoria de imprensa da Frota do Pacífico, o cenário do exercício previa que o Ufa e o HQ-183 simulassem situações de emergência, assentando-se no leito marinho.

As equipes de salvamento tiveram então de localizar e inspecionar os submarinos considerados avariados, utilizando veículos submarinos operados remotamente.

A tripulação do Igor Belousov empregou o veículo Pantera Plus, projetado para examinar objetos submersos e realizar trabalhos a profundidades de até 1.000 metros. Equipes vietnamitas executaram procedimentos semelhantes junto ao submarino russo.

O treinamento não se limitou à localização das embarcações. Os militares dos dois países trocaram experiências sobre organização das operações, emprego dos sistemas submarinos e procedimentos de assistência a tripulações isoladas no fundo do mar.

Depois da fase ativa, os participantes retornaram a Cam Ranh para avaliar os resultados. Em seguida, o destacamento russo deixou o porto e retomou as tarefas previstas em seu cruzeiro de longa duração.

Igor Belousov é especializado em acidentes submarinos

O Igor Belousov é o navio líder do Projeto 21300 e entrou oficialmente em serviço na Marinha Russa em 25 de dezembro de 2015. Construído pelos Estaleiros do Almirantado, foi a primeira embarcação russa de salvamento submarino dessa categoria produzida em aproximadamente três décadas.

Com 97,8 metros de comprimento e deslocamento de cerca de 5.037 toneladas, o navio foi projetado para localizar submarinos acidentados, avaliar sua condição, fornecer assistência às tripulações e realizar operações de evacuação.

Seus principais meios incluem o Pantera Plus, o veículo de resgate tripulado Bester-1 e o complexo de mergulho profundo GVK-450. O Bester-1 pode atuar a profundidades de até 700 metros, enquanto o sistema de mergulho permite trabalhos com mergulhadores a até 450 metros.

O navio possui ainda câmaras capazes de receber até 60 submarinistas que necessitem de descompressão. Considerando os demais alojamentos de emergência, pode acomodar até 120 sobreviventes retirados de uma embarcação acidentada.

Sistema de mergulho foi fornecido por empresa escocesa

Um aspecto pouco conhecido do Igor Belousov é a origem estrangeira de parte de seu principal sistema de mergulho.

O GVK-450 foi projetado e fornecido pela empresa escocesa Divex, em colaboração com a companhia russa Tetis Pro. A configuração permite manter até 12 mergulhadores em regime de saturação e enviar três profissionais por vez, em um sino de mergulho, a profundidades de até 450 metros.

Embora o fornecedor principal fosse sediado em Aberdeen, o conjunto resultou de uma cadeia internacional. As câmaras de descompressão, o sino e parte dos controles foram fabricados em Perth, na Austrália; sistemas de lançamento, suporte à vida e gerenciamento de gases foram produzidos na Escócia; e equipamentos de controle ambiental vieram das instalações da empresa na África do Sul.

A presença dessa tecnologia ocidental em um dos principais navios russos de resgate submarino reflete o período anterior às sanções mais abrangentes impostas a Moscou, quando empresas europeias ainda participavam de programas navais russos de alta complexidade.

HQ-183 integra a força submarina vietnamita

O submarino utilizado pelo Vietnã foi o HQ-183 Ho Chi Minh City, segundo dos seis submarinos da classe Kilo adquiridos da Rússia.

A embarcação foi formalmente incorporada em abril de 2014, juntamente com o HQ-182 Hanoi. As duas unidades formaram o núcleo inicial da Brigada de Submarinos 189 da Marinha Popular do Vietnã, sediada em Cam Ranh.

O fato de Rússia e Vietnã utilizarem submarinos derivados da mesma família facilita a realização de exercícios desse tipo. Embora o Ufa pertença ao Projeto 636.3 e a unidade vietnamita a uma versão de exportação, há semelhanças importantes na arquitetura, nos procedimentos e nos sistemas de salvamento.

O treinamento também permite ao Vietnã testar sua estrutura de resposta a acidentes envolvendo a principal força submarina do país, em uma região marcada por tráfego naval intenso e disputas marítimas.

Navios foram acompanhados pelo Japão

A movimentação do Ufa e do Igor Belousov foi acompanhada anteriormente pelas Forças de Autodefesa do Japão.

Em 1º e 2 de julho, a Marinha japonesa detectou um submarino russo da classe Kilo melhorada atravessando o Estreito de Tsushima em direção ao Mar da China Oriental. Na mesma ocasião, o Igor Belousov e um navio de apoio da classe Altay também foram observados na região. A vigilância foi realizada pelo navio japonês Amakusa.

Em 19 de julho, o submarino e o navio de resgate foram novamente identificados, dessa vez cerca de 50 quilômetros ao norte da ilha de Iriomote. Os dois navegaram entre Iriomote e Yonaguni, seguindo em direção ao Mar das Filipinas. O destróier JS Akebono e uma aeronave de patrulha marítima P-3C acompanharam a passagem.

Parte de um desdobramento regional mais amplo

Antes de seguir para o Vietnã, o Ufa e o Igor Belousov participaram do exercício russo-chinês Joint Sea 2026, realizado nas proximidades de Qingdao entre 6 e 13 de julho.

As manobras envolveram navios de superfície, submarinos e unidades de salvamento das duas Marinhas, com atividades de busca e resgate, guerra antissubmarino, defesa aérea e tiro real.

A passagem por Cam Ranh e o exercício com a Marinha vietnamita demonstram a utilização do Igor Belousov como instrumento de cooperação naval. Diferentemente de treinamentos centrados em combate, operações de salvamento submarino permitem que as Marinhas estabeleçam procedimentos comuns, conheçam equipamentos estrangeiros e desenvolvam mecanismos de assistência mútua em emergências.

Ao mesmo tempo, o desdobramento do Ufa e de seu navio de apoio por diferentes áreas do Pacífico mostra a intenção da Rússia de manter presença naval visível na região, combinando exercícios com a China, escalas no Vietnã e operações acompanhadas de perto pelo Japão.■

 



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