Horizon Class - 4

Acordo prepara início das obras a bordo da primeira unidade italiana no fim de setembro e atualiza aspectos técnicos, comerciais e contratuais do programa de meia-vida das quatro fragatas; modernização inclui novos radares, guerra eletrônica, defesa antiaérea e sistemas de comando e controle

A OCCAR — Organização Conjunta para Cooperação em Armamentos assinou em 7 de agosto de 2026 a Emenda nº 2 ao contrato de modernização de meia-vida das fragatas da classe Horizon, operadas pelas Marinhas da França e da Itália.

O documento foi assinado em Bonn, na Alemanha, pelo diretor da OCCAR-EA, Joachim Sucker, pela CEO da EUROSAM GIE, Anne Diaz de Tuesta, e pelo CEO da NAVIRIS, Damien Raby.

A nova emenda incorpora as atualizações contratuais, técnicas e comerciais necessárias para levar o Horizon Mid-Life Upgrade (MLU) à próxima fase e garantir a continuidade do programa de modernização das quatro fragatas franco-italianas.

Primeira fragata italiana entra em modernização em setembro

O principal objetivo da Emenda nº 2 é criar a estrutura contratual necessária para o início dos trabalhos a bordo da primeira fragata italiana, etapa identificada no programa como FOC IT — First of Class Italy.

Segundo a OCCAR, as atividades estão programadas para começar no final de setembro de 2026.

A emenda permitirá iniciar as intervenções físicas no navio preservando a coerência do programa conjunto e garantindo que as modificações permaneçam alinhadas aos requisitos operacionais definidos por França e Itália.

O início dos trabalhos representa uma mudança importante de fase: o programa avança dos trabalhos de engenharia, desenvolvimento e preparação para a modernização efetiva dos navios.

Defesa antiaérea será profundamente modernizada

Um dos principais focos do Horizon MLU é a atualização da capacidade de guerra antiaérea — AAW, ou Anti-Air Warfare.

As fragatas Horizon foram concebidas principalmente para fornecer defesa aérea a forças-tarefa navais, protegendo outros navios contra aeronaves e mísseis. Com a rápida evolução das ameaças aéreas e dos sistemas de ataque, manter essa capacidade atualizada tornou-se uma das prioridades do programa.

A OCCAR informa que a modernização introduzirá capacidades antiaéreas avançadas, além de sistemas aprimorados de detecção e engajamento de ameaças.

Isso permitirá aos navios enfrentar um ambiente no qual mísseis mais rápidos, ataques coordenados, drones e novas armas de longo alcance exercem pressão crescente sobre os sistemas tradicionais de defesa naval.

Novos radares e sensores

O pacote de modernização inclui também sensores e radares modernizados, necessários para detectar, identificar e acompanhar novas ameaças a distâncias maiores e em ambientes eletrônicos cada vez mais complexos.

A atualização dos sensores será acompanhada por melhorias nas funções de comando e controle, responsáveis por combinar informações provenientes dos diferentes sistemas do navio e auxiliar a tripulação na tomada de decisões durante operações de combate.

O Horizon MLU pretende, dessa forma, modernizar não apenas equipamentos isolados, mas todo o sistema integrado de combate das fragatas.

Essa arquitetura será fundamental para garantir que sensores, armas, sistemas de comunicações e defesa eletrônica consigam operar de maneira coordenada.

Guerra eletrônica também será reforçada

Destróier Caio Duilio, classe Horizon ou Orizzonte

Outro componente importante é a instalação de sistemas de guerra eletrônica aprimorados.

A capacidade de detectar e classificar emissões eletromagnéticas tornou-se essencial para a sobrevivência dos grandes combatentes de superfície, permitindo identificar radares, sensores e sistemas de guiagem adversários antes mesmo de ocorrer um ataque direto.

Os novos equipamentos deverão aumentar tanto a consciência situacional quanto a capacidade de autoproteção das fragatas.

A OCCAR destaca também que o programa inclui modificações destinadas a aumentar a sobrevivência dos navios diante de ameaças atuais e emergentes, uma preocupação cada vez maior diante da proliferação de mísseis antinavio, drones e sistemas de ataque de precisão.

Combate à obsolescência

Um dos grandes desafios enfrentados pelas Marinhas que operam navios por três ou quatro décadas é a obsolescência dos sistemas eletrônicos.

Computadores, radares, equipamentos de comunicação e componentes eletrônicos tornam-se ultrapassados muito mais rapidamente do que o casco e os sistemas mecânicos de um navio de guerra.

O Horizon MLU foi estruturado justamente para enfrentar esse problema por meio do projeto, desenvolvimento e integração de novos equipamentos a bordo.

O objetivo é permitir que as quatro fragatas permaneçam operacionalmente relevantes durante a próxima fase de suas vidas úteis, mantendo capacidade para atuar em ambientes de elevada intensidade.

Cooperação industrial entre França e Itália

O programa é também uma das principais demonstrações de cooperação naval entre França e Itália.

A NAVIRIS, joint venture criada pela francesa Naval Group e pela italiana Fincantieri, participa do programa ao lado da EUROSAM, consórcio ligado ao desenvolvimento dos sistemas de defesa aérea utilizados pelas duas Marinhas.

A OCCAR atua como organização responsável pela gestão cooperativa do programa em nome dos países participantes.

Segundo a agência, a assinatura da Emenda nº 2 demonstra a continuidade da coordenação entre as nações, a OCCAR e a indústria para entregar capacidades navais consideradas críticas.

Quatro fragatas receberão as melhorias

A Forbin da classe Horizon (à frente) e o destróier britânico da classe Daring (Type 45), Defender, no Mar da Noruega, março de 2022

O programa contempla as quatro fragatas Horizon atualmente operadas pelas Marinhas francesa e italiana, com duas unidades em cada país.

A classe nasceu de um programa europeu de defesa aérea naval e foi concebida para proteger forças-tarefa contra ameaças aéreas, funcionando como um dos principais elementos de defesa de área das duas frotas.

Com o MLU, França e Itália pretendem preservar essa função enquanto adaptam os navios às ameaças surgidas desde sua entrada em serviço.

A combinação de novos sensores, sistemas de guerra eletrônica, melhorias de comando e controle e capacidades avançadas de defesa antiaérea deverá ampliar consideravelmente a eficácia operacional das fragatas.

A assinatura da nova emenda abre agora caminho para a fase mais visível do programa. Com o início dos trabalhos na primeira unidade italiana previsto para o final de setembro, o Horizon MLU começará a transformar fisicamente os navios que deverão permanecer entre os principais combatentes de defesa aérea das Marinhas francesa e italiana nos próximos anos.■



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2 Comentários
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wagner figueiredo

Sempre gostei dessa configuração de dois ou mais canhões, acho lindo e mais armada, claro que misseis são a nova era….mas canhões sempre serão a peça chave de um navio de guerra!!!

Fernando

As FREMM seguem esse princípio, dois, mas nas FREMM colocados a pria, a ré e mais 2 de cada lado dis bordos..o avanço na artilharia com projécteis especiais de longo alcance e outros específicos anti missil e anti drone, aliado a radares muito avançados e sistemas electro ópticos muito precisos dão capacidades novas a esses tipos de armas. Destinado os misseis para tarefas mais equilibradas de custo benefício. Dai o upgrade nesta classe para misseis Aster 30 NT com capacidades acrescescidas anti misseis balísticos e hipersonicos a par de radares mais potentes com maior alcance e gestão de combate adequada