Polônia inicia lançamento da Wicher, primeira fragata baseada no projeto Arrowhead 140
Wicher - Foto: @Stoczniowy
Casco da futura Wicher deixou o galpão de construção em Gdynia e será batizado em 12 de agosto antes de entrar na água no dia seguinte; navio de cerca de 7.000 toneladas é o primeiro de três novos escoltas que formarão o núcleo da Marinha polonesa e permitirão a substituição das veteranas fragatas Oliver Hazard Perry
A Polônia iniciou a complexa operação de lançamento da futura fragata Wicher, primeira das três unidades da classe Miecznik que estão sendo construídas para a Marinha polonesa. O casco deixou parcialmente o grande galpão de montagem do estaleiro PGZ Stocznia Wojenna, em Gdynia, na noite de 9 de agosto, dando início a uma sequência de vários dias que culminará com sua entrada no Mar Báltico.
A cerimônia oficial de batismo e atribuição do nome está marcada para 12 de agosto, com representantes do governo e da Marinha da Polônia. No dia seguinte, 13 de agosto, o casco será colocado na água pela primeira vez por meio de uma operação envolvendo uma barcaça semissubmersível no Golfo de Gdańsk.
O marco representa uma das etapas mais visíveis do Miecznik, considerado pela PGZ o maior programa de construção naval militar já realizado para a Marinha polonesa. As três fragatas — Wicher, Burza e Huragan — constituirão a futura espinha dorsal da força de superfície do país.
Uma operação de lançamento incomum
Diferentemente de um lançamento tradicional por carreira ou lateralmente, a futura Wicher foi construída dentro de um galpão e precisa ser transportada para a água. O casco, atualmente com cerca de 6.000 toneladas, será movimentado sobre transportadores modulares autopropelidos SPMT até a BOA Barge 33, uma plataforma semissubmersível com 140 metros de comprimento.
A barcaça será então rebocada até o Golfo de Gdańsk e progressivamente submersa. À medida que a água subir ao redor da embarcação, a Wicher passará a flutuar por seus próprios meios de sustentação pela primeira vez. A PGZ descreve o procedimento como uma das operações de engenharia naval mais complexas já executadas pela indústria polonesa.
Depois de verificada a estanqueidade do casco, a fragata será rebocada novamente para o estaleiro. Como o sistema propulsor ainda não está completamente instalado nesta fase da construção, rebocadores levarão o navio até o cais de acabamento, onde começarão a instalação, integração e testes dos sistemas de bordo.
Fragata de quase 140 metros e 7.000 toneladas

A classe Miecznik é baseada no projeto britânico Arrowhead 140, desenvolvido pela Babcock International e também utilizado como base para as fragatas Type 31 da Royal Navy. A Polônia, entretanto, adaptou profundamente o desenho aos seus próprios requisitos de combate.
As fragatas terão aproximadamente 138 metros de comprimento, cerca de 20 metros de boca e deslocamento máximo próximo de 7.000 toneladas. A propulsão será do tipo CODAD, utilizando quatro motores diesel acionando duas hélices de passo controlável. A velocidade máxima prevista é de 28 nós e a autonomia, aproximadamente 8.000 milhas náuticas.
A tripulação básica deverá ser de aproximadamente 120 militares, com capacidade para embarcar cerca de 60 pessoas adicionais, incluindo destacamentos de aviação, forças especiais ou equipes destinadas a missões específicas.
Defesa aérea será uma das principais capacidades
Embora classificadas como fragatas multipropósito, as Miecznik receberam atenção especial para a defesa aérea naval, uma capacidade hoje limitada na Marinha polonesa. Os navios também serão empregados contra alvos de superfície e submarinos, na proteção de bases navais, infraestrutura crítica e rotas marítimas.
O sistema de combate será centrado no TACTICOS, da Thales. A empresa também fornecerá parte relevante do conjunto de sensores das fragatas, incluindo radares, sonares e sistemas eletro-ópticos, integrados para proporcionar uma capacidade de vigilância significativamente superior à disponível nos atuais grandes navios de superfície poloneses.
A configuração prevista inclui o sistema de lançamento vertical Mk 41, associado a mísseis superfície-ar da família CAMM, além de mísseis antinavio, canhões e torpedos. A Polônia decidiu ainda integrar o Naval Strike Missile (NSM) para ataque contra alvos de superfície, aproveitando a experiência já acumulada pelo país com o armamento em suas baterias costeiras.
A configuração básica divulgada para o NSM prevê oito mísseis, com espaço reservado para ampliar a dotação para até 16. O armamento de tubo deverá incluir um canhão Leonardo de 76 mm, complementado por sistemas poloneses de 35 mm para defesa aproximada.
Substituição das antigas Oliver Hazard Perry
A chegada das Miecznik permitirá à Polônia finalmente retirar as duas veteranas fragatas classe Oliver Hazard Perry recebidas dos Estados Unidos: Gen. K. Pułaski e Gen. T. Kościuszko. Construídos originalmente para a U.S. Navy durante a Guerra Fria, os navios foram posteriormente transferidos para Varsóvia e permanecem em serviço muito além do período inicialmente esperado.
A idade elevada é demonstrada pelo fato de a Marinha polonesa continuar investindo em reparos para manter essas unidades disponíveis até a chegada das substitutas. Em junho de 2026, por exemplo, foi contratada uma nova docagem da Gen. K. Pułaski, depois de uma grande modernização realizada entre 2014 e 2018.
Segundo a programação da PGZ, a Wicher deverá ser incorporada à Marinha polonesa em 2029. A transição permitirá começar gradualmente a retirada das Oliver Hazard Perry à medida que os novos navios atingirem capacidade operacional.
Todas as três fragatas já estão em construção
O programa passou por uma aceleração importante nos últimos dois anos. A quilha da Wicher foi batida em janeiro de 2024, numa cerimônia que marcou a primeira construção de um navio de combate dessa dimensão no local em mais de duas décadas.
A segunda fragata, Burza, teve o corte de aço iniciado em maio de 2025 e a quilha assentada em dezembro daquele ano. Atualmente, diferentes blocos do casco estão sendo fabricados e integrados.
Em abril de 2026 começou também a fabricação da terceira e última unidade, Huragan. Com isso, as três fragatas do programa encontram-se simultaneamente em construção, algo que demonstra a expansão da capacidade produtiva adquirida pela indústria naval polonesa. A entrega da terceira unidade está prevista para o final de 2031.
Programa supera 15 bilhões de zlotys
A dimensão industrial é parte central do projeto. Segundo a PGZ, o contrato das três fragatas ultrapassa 15 bilhões de zlotys, enquanto mais de 2.000 pessoas deverão estar envolvidas no programa durante o pico de produção.
Somente a modernização da infraestrutura produtiva do estaleiro já superou 300 milhões de zlotys. Entre os investimentos está um novo galpão de integração de cascos com 46 metros de altura, considerado o maior desse tipo na Polônia.
A construção está sendo conduzida pelo consórcio PGZ-MIECZNIK, liderado tecnicamente pela PGZ Stocznia Wojenna, com participação da Polska Grupa Zbrojeniowa e cooperação internacional. A Babcock fornece o projeto Arrowhead 140 e transferência de conhecimento, enquanto empresas como Thales e outros fornecedores europeus participam da integração dos sistemas de combate.
Reconstrução da capacidade naval polonesa
A importância das Miecznik vai além da substituição de dois navios antigos. Varsóvia pretende recuperar uma capacidade de combate de superfície compatível com a crescente importância estratégica do Báltico e com a necessidade de operar integradamente com as demais marinhas da OTAN.
As novas fragatas serão capazes de atuar contra ameaças aéreas, navais e submarinas, proteger infraestrutura marítima e contribuir para a defesa aérea do território polonês a partir do mar. A própria PGZ destaca essa última capacidade como uma das principais contribuições que os navios poderão oferecer às operações nacionais e da Aliança Atlântica.
A entrada da Wicher na água nesta semana, portanto, não encerra sua construção. Sistemas de propulsão, sensores, armas, comunicações e equipamentos de missão ainda precisarão ser instalados e integrados antes do início de uma longa campanha de testes.
Mas o momento possui grande significado simbólico para a Marinha polonesa. Depois de décadas dependendo de fragatas norte-americanas de segunda mão para manter sua principal capacidade oceânica de superfície, a Polônia está a poucos dias de colocar na água o primeiro exemplar de uma nova geração de grandes navios de guerra construídos em seu próprio território.
O próprio nome reforça essa mensagem. A nova Wicher homenageia o primeiro grande navio moderno da Polônia renascida após a Primeira Guerra Mundial. O contratorpedeiro original entrou em serviço em 1930 e permaneceu defendendo a costa polonesa durante a invasão alemã de 1939, sendo afundado pela Luftwaffe próximo à península de Hel em 3 de setembro.
Mais de oito décadas depois, o nome retornará ao mar em um navio muito diferente — e destinado a simbolizar a tentativa da Polônia de reconstruir uma força naval de superfície capaz de desempenhar novamente um papel relevante no Báltico e na OTAN.■




Essa vai ser top !!!💪👏👍🙌⚓️
Considero esse projeto da arrowhead na medida certa para escoltas high-end para MB. Especialmente essa versão Polonesa, faria apenas uma correção do radar implementando o seafire da thales. Mais que poderia integrar nossa esquadra com satisfação. Mesmo sendo construídas na Polônia ou UK. Seguiriamos construindo derivações da tamandaré aqui e recebendo fragatas pesadas de fora. Seria uma boa alternativa para suprir com satisfação o envelhecimento da esquadra.
Eu acho melhor seguir somente com a F-110.
* 04 de EG (série já lançada – em serviço, ainda pode ser passado para 16 Sea Ceptor), 04 AAW (18 Albatroz NG + Millenium 35 mm) e 04 ASW (adição de um Captas 4 + Thales Flash no H-225M ou SH-70B).
Todas elas poderiam ter um sistema Mistral III ou Martlet.