Construídos em série para enfrentar a crescente força submarina soviética, os 37 SSN da classe Sturgeon combinaram baixo nível de ruído, poderosos sonares, capacidade de operação sob o gelo e missões clandestinas de inteligência. Durante quase quatro décadas, tornaram-se uma das espinhas dorsais da força submarina dos Estados Unidos
Durante quase quatro décadas, os submarinos nucleares de ataque da classe Sturgeon formaram uma das espinhas dorsais da guerra submarina dos Estados Unidos. Projetados para caçar submarinos soviéticos, operar sob o gelo do Ártico e realizar missões clandestinas de inteligência, os 37 navios da classe tornaram-se alguns dos mais importantes “caçadores silenciosos” da Guerra Fria.
O USS Sturgeon (SSN-637), líder da classe, foi incorporado em 3 de março de 1967. A Marinha dos EUA receberia 37 unidades entre 1967 e 1975, fazendo do projeto sua principal classe de submarinos de ataque antes da chegada dos Los Angeles. O Naval Undersea Museum descreve os Sturgeon como os “cavalos de batalha” da força submarina durante a Guerra Fria.
Da classe Permit à busca pelo silêncio
Lançamento do USS Sturgeon (SSN-637)
O Sturgeon nasceu como uma evolução da classe Thresher/Permit, mas cresceu até se tornar um projeto próprio. A prioridade não era simplesmente velocidade. Na guerra submarina, ouvir primeiro e permanecer sem ser ouvido podia ser decisivo.
Estudos históricos sobre a guerra antissubmarino norte-americana mostram uma evolução clara entre Skipjack, Thresher/Permit e Sturgeon: a cada geração aumentava o esforço para reduzir a assinatura acústica, mesmo ao custo de alguns nós de velocidade máxima. Os Sturgeon receberam mais espaço para redução de ruído e uma suíte acústica e de inteligência eletrônica mais sofisticada.
Um grande sonar esférico ocupava a proa. Por isso, os quatro tubos de torpedos de 533 mm foram instalados mais atrás, nos bordos do casco. A classe também ajudou a disseminar o processamento LOFAR e participou das primeiras experiências norte-americanas com sonares rebocados, fundamentais para detectar e classificar assinaturas acústicas soviéticas.
Com cerca de 89 metros nas primeiras unidades, deslocamento submerso próximo de 4.700 toneladas e tripulação de aproximadamente 107 homens, os submarinos eram movidos por um reator nuclear S5W, duas turbinas a vapor e um único eixo, desenvolvendo cerca de 15.000 shp. A velocidade submersa ultrapassava 25 nós.
Construídos para caçar submarinos soviéticos
USS Hawkbill SSN-666
A missão central era a guerra antissubmarino. Durante a Guerra Fria, os SSN norte-americanos deveriam localizar, identificar e, em caso de conflito, destruir submarinos soviéticos de ataque e lançadores de mísseis balísticos.
A grande antena de sonar dos Sturgeon permitia acompanhar alvos silenciosamente em ângulos mais amplos do que gerações anteriores. Segundo o estudo histórico The Third Battle, a classe ajudou a transformar o rastreamento clandestino de submarinos adversários em uma prática operacional sistemática, permitindo acompanhar unidades soviéticas de maneira muito mais eficaz.
Seu armamento evoluiu ao longo dos anos. Além do torpedo pesado Mk 48, os Sturgeon podiam empregar o míssil antissubmarino UUM-44 SUBROC, minas e, posteriormente, mísseis antinavio Harpoon. Algumas unidades também receberam capacidade para lançar Tomahawk, acrescentando ataques contra alvos terrestres ao repertório do submarino.
USS Drum SSN-667
Sob o gelo do Ártico
Outra característica marcante era a aptidão para operações polares. Os planos de profundidade instalados na vela podiam girar 90 graus para uma posição vertical, reduzindo o risco de danos quando o submarino emergia através do gelo.
O Ártico tinha enorme importância estratégica por ser uma das principais áreas de operação da força submarina soviética. Vários Sturgeon realizaram missões sob a calota polar. Em abril de 1976, por exemplo, o USS Gurnard (SSN-662) emergiu através do gelo no Polo Norte, episódio registrado pelos arquivos fotográficos da Marinha norte-americana.
Forças especiais e missões secretas
A versatilidade dos Sturgeon ficou ainda mais evidente nas décadas de 1980 e 1990. Seis unidades foram modificadas para operar o Dry Deck Shelter (DDS), módulo acoplado ao submarino que permitia lançar e recuperar mergulhadores e veículos de operações especiais.
USS William H. Bates, USS Tunny e USS Cavalla ajudaram a desenvolver procedimentos de emprego conjunto com os SEALs e veículos SDV. A experiência acumulada pelos Sturgeon contribuiu para capacidades que décadas depois seriam incorporadas desde a construção aos submarinos da classe Virginia.
Mas a dimensão mais misteriosa da classe foi a inteligência. Submarinos Sturgeon realizaram missões de vigilância, reconhecimento e coleta de informações próximas às forças soviéticas, muitas das quais continuam classificadas.
Nenhum navio simbolizou melhor essa função que o USS Parche (SSN-683). Profundamente modificado, recebeu uma seção adicional de aproximadamente 30 metros e equipamentos para missões de inteligência e engenharia submarina. O submarino acumulou nove Presidential Unit Citations e dez Navy Unit Commendations, sendo reconhecido oficialmente como o submarino mais condecorado da Marinha dos Estados Unidos.
USS Hawkbill SSN-666
O fim de uma geração
USS Richard B. Russell SSN-687
A chegada da classe Los Angeles iniciou a substituição dos Sturgeon. O processo acelerou após o fim da União Soviética, quando o custo de reabastecer os reatores e modernizar unidades antigas tornou menos atraente prolongar sua vida operacional. A própria Marinha havia ampliado a vida prevista da classe de 20 para 30 anos, mas várias unidades foram retiradas antecipadamente para evitar caras recargas de combustível nuclear.
O próprio USS Sturgeon foi retirado de serviço em 1994. A classe, porém, sobreviveu por mais uma década graças ao Parche. Sua cerimônia de desativação ocorreu em outubro de 2004, encerrando quase 38 anos de presença dos Sturgeon na força submarina norte-americana.
O centro de controle do USS Sturgeon (SSN-637) preservado
A importância histórica da classe vai além dos 37 cascos construídos. Os Sturgeon consolidaram a combinação de silêncio, grandes sonares passivos, inteligência acústica, operações sob o gelo e acompanhamento clandestino que passou a definir o submarino nuclear de ataque norte-americano.
Entre os Permit e os Los Angeles, representaram a maturidade da primeira grande geração de SSN da Guerra Fria. Raramente apareciam em público e grande parte de suas missões jamais seria divulgada. Era justamente esse o objetivo: permanecer invisíveis, ouvir o adversário antes de serem percebidos e transformar o silêncio em vantagem estratégica.■
A vela do USS Sturgeon no Naval Undersea Museum
PODER NAVAL — FICHA TÉCNICA
Submarinos nucleares de ataque classe Sturgeon
SSN-637 — Os “caçadores silenciosos” da U.S. Navy durante a Guerra Fria
37
Unidades
25 nós
Velocidade submersa
15.000 shp
Potência
1967–2004
Período da classe
Identificação e programa
Tipo
Submarino nuclear de ataque (SSN)
Operador
United States Navy (U.S. Navy)
Navio líder
USS Sturgeon (SSN-637)
Número de submarinos
37 unidades
Entrada em serviço da classe
1967
Última unidade retirada
USS Parche (SSN-683), em 2004
Missões principais
Guerra antissubmarino (ASW), guerra antissuperfície (ASuW), reconhecimento, inteligência, vigilância, operações sob o gelo e apoio a forças especiais
Dimensões e deslocamento
Comprimento — casco padrão
89,0 m (292 pés)
Comprimento — Long Hull
92,0 m (302 pés)
Boca
aprox. 9,75 m (32 pés)
Calado
aprox. 8,8 m (28,8 pés)
Deslocamento — casco padrão
aprox. 4.250 t em condição de superfície / 4.780 t submerso
Deslocamento — Long Hull
aprox. 4.460 t em condição de superfície / 4.960 t submerso
Propulsão e desempenho
Reator nuclear
1 × Westinghouse S5W, reator de água pressurizada (PWR)
Máquinas
2 × turbinas a vapor
Potência
15.000 shp (aprox. 11,2 MW)
Propulsão
1 eixo / 1 hélice
Velocidade na superfície
aprox. 15 nós
Velocidade submersa
aprox. 25 nós
Profundidade de teste
cerca de 400 m (1.300 pés), segundo estimativas publicadas em fontes abertas
Alcance
Praticamente ilimitado pela propulsão nuclear; permanência condicionada principalmente por provisões e necessidades da tripulação
Armamento
Tubos lança-torpedos
4 × tubos de 533 mm (21 polegadas), instalados lateralmente na região de meia-nau
Torpedos
Mk 48 e, posteriormente, versões Mk 48 ADCAP em determinadas unidades
Míssil antissubmarino
UUM-44A SUBROC
Míssil antinavio
UGM-84 Harpoon
Míssil de cruzeiro
UGM-109 Tomahawk em unidades modernizadas
Minas
Mk 57, Mk 60 CAPTOR e outros tipos compatíveis, dependendo do período
Sensores e sistemas eletrônicos
Sonar principal original
AN/BQQ-2, com grande antena instalada na proa
Sonar modernizado
AN/BQQ-5 multifunção em unidades modernizadas
Sonar passivo
AN/BQR-7 e outros equipamentos, conforme a unidade e o período
Sonar ativo
AN/BQS-6, BQS-12 ou BQS-13, conforme a configuração
Sonar rebocado
TB-16 e, posteriormente, TB-23 em determinadas unidades
Radar de superfície
BPS-14/BPS-15
Guerra eletrônica
Sistemas das famílias WLQ-4, WLR-4 e WLR-9, conforme modernizações
Características do projeto
Configuração da proa
Grande sonar esférico ocupando a extremidade da proa; tubos de torpedos deslocados para os bordos e orientados para fora do eixo longitudinal
Planos de mergulho
Instalados na vela e capazes de girar para a posição vertical, facilitando operações sob o gelo
Prioridade de projeto
Baixa assinatura acústica, elevada capacidade sonar e caça a submarinos soviéticos
Operações polares
Projetados para operar sob a calota polar e emergir através de gelo relativamente fino
Variantes e capacidades especiais
Casco padrão
28 submarinos com cerca de 89 m de comprimento
Long Hull
9 submarinos com casco alongado em aproximadamente 3 m, proporcionando maior espaço interno para equipamentos e capacidades especiais
Dry Deck Shelter (DDS)
6 unidades capacitadas para empregar DDS e apoiar SEALs e veículos SDV
Unidades DDS
SSN-678, SSN-679, SSN-680, SSN-682, SSN-684 e SSN-686
USS Parche
Extensamente modificado para missões especiais de inteligência e operações submarinas clandestinas
Tripulação e vida operacional
Tripulação típica
Aproximadamente 107–109 militares, normalmente cerca de 14 oficiais e 95 praças
Vida útil inicialmente prevista
20 anos
Vida útil posteriormente autorizada
30 anos, com possibilidade de extensão para até 33 anos em casos selecionados
Sucessora
Classe Los Angeles (SSN-688)
Notas técnicas:
As características da classe variaram ao longo de quase quatro décadas de serviço devido às sucessivas modernizações de sensores, armamentos e sistemas de guerra eletrônica. Nem todos os submarinos receberam todas as capacidades indicadas simultaneamente.
Os valores exatos de profundidade operacional dos submarinos nucleares da U.S. Navy permaneceram classificados. O valor de aproximadamente 400 metros para profundidade de teste é amplamente citado em documentação técnica de fontes abertas e não deve ser interpretado como limite operacional oficialmente confirmado pela Marinha dos Estados Unidos.
Os submarinos de casco alongado receberam aproximadamente 10 pés adicionais de comprimento. O SSN-685 Glenard P. Lipscomb, apesar de estar numericamente inserido entre unidades Sturgeon, era um projeto experimental independente e não pertenceu à classe.
O armamento evoluiu durante a carreira. SUBROC, Harpoon, Tomahawk, torpedos Mk 48 e diferentes tipos de minas foram empregados em diferentes períodos e configurações.
Fontes: Naval History and Heritage Command; U.S. Naval Undersea Museum; Smithsonian National Museum of American History; U.S. Government Accountability Office (GAO); Federation of American Scientists (FAS).
PODER NAVAL — SUBMARINOS NUCLEARES
Submarinos da classe Sturgeon
Os 37 submarinos nucleares de ataque (SSN) operados pela Marinha dos Estados Unidos durante a Guerra Fria
37
Submarinos construídos
1967
Primeiro em serviço
2004
Último desativado
#
Submarino
Indicativo
Entrada em serviço
Desativação
Configuração original — casco de 292 pés (89 m)
1
USS Sturgeon
SSN-637
1967
1994
2
USS Whale
SSN-638
1968
1996
3
USS Tautog
SSN-639
1968
1997
4
USS Grayling
SSN-646
1969
1997
5
USS Pogy
SSN-647
1971
1999
6
USS Aspro
SSN-648
1969
1995
7
USS Sunfish
SSN-649
1969
1997
8
USS Pargo
SSN-650
1968
1995
9
USS Queenfish
SSN-651
1966
1992
10
USS Puffer
SSN-652
1969
1996
11
USS Ray
SSN-653
1967
1993
12
USS Sand Lance
SSN-660
1971
1998
13
USS Lapon
SSN-661
1967
1992
14
USS Gurnard
SSN-662
1968
1995
15
USS Hammerhead
SSN-663
1968
1995
16
USS Sea Devil
SSN-664
1969
1991
17
USS Guitarro
SSN-665
1972
1992
18
USS Hawkbill
SSN-666
1971
2000
19
USS Bergall
SSN-667
1969
1996
20
USS Spadefish
SSN-668
1969
1997
21
USS Seahorse
SSN-669
1969
1995
22
USS Finback
SSN-670
1970
1997
23
USS Pintado
SSN-672
1971
1998
24
USS Flying Fish
SSN-673
1970
1996
25
USS Trepang
SSN-674
1970
1999
26
USS Bluefish
SSN-675
1971
1996
27
USS Billfish
SSN-676
1971
1999
28
USS Drum
SSN-677
1972
1995
Variante Long Hull — casco alongado de 302 pés (92 m)
29
USS Archerfish
SSN-678
1971
1998
30
USS Silversides
SSN-679
1972
1994
31
USS William H. Bates
SSN-680
1973
2000
32
USS Batfish
SSN-681
1972
1999
33
USS Tunny
SSN-682
1974
1998
34
USS Parche
SSN-683
1974
2004*
35
USS Cavalla
SSN-684
1973
1998
36
USS L. Mendel Rivers
SSN-686
1975
2001
37
USS Richard B. Russell
SSN-687
1975
1994
Notas:
Os anos de entrada em serviço correspondem ao comissionamento de cada submarino na U.S. Navy. A partir do USS Archerfish (SSN-678), nove unidades receberam um casco aproximadamente 10 pés (3 m) mais longo, passando de 292 para 302 pés.* O USS Parche realizou sua cerimônia de desativação e deixou o serviço operacional em outubro de 2004. A baixa administrativa definitiva e sua retirada do Naval Vessel Register ocorreram em julho de 2005.O SSN-671 Narwhal e o SSN-685 Glenard P. Lipscomb não pertenciam à classe Sturgeon. Ambos eram projetos nucleares experimentais de unidade única, apesar de seus indicativos aparecerem dentro da sequência numérica dos Sturgeon.Fontes: Naval Vessel Register (U.S. Navy); Naval History and Heritage Command; U.S. Naval Undersea Museum; NavSource Naval History.
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O problema de hoje não construção é o recheio.
Completamente diferente em tudo.
São centenas ou se não mais os fornecedores para a construção de um submarino ou navio.
Basta um quebrar e fica por vezes difícil entregar no prazo pretendido.
Bigliazzi
Visitante
1 mês atrás
Os submarinista americanos estão felizes de terem tantos alvos no Pacífico
Beto
Visitante
1 mês atrás
Está muito legal as publicações sobre essas embarcações da guerra fria , continuem assim. Abs
1) que menina bonitinha na foto da vela do Sturgeon;
2) Colocaram uma chapa em volta da escada porque senão com certeza já teria gente subido na vela pra tirar foto.
Coloquem o tema sobre os Los Angeles
Está na fila, em breve publicaremos. Abs!
Imprecionante como a construção naval estadunidense era pujante.
Um grande número de submarinos em um curto espaço de tempo.
Acredito que hoje não conseguem fazer e é difícil recuperar essa habilidade/produção.
O problema de hoje não construção é o recheio.
Completamente diferente em tudo.
São centenas ou se não mais os fornecedores para a construção de um submarino ou navio.
Basta um quebrar e fica por vezes difícil entregar no prazo pretendido.
Os submarinista americanos estão felizes de terem tantos alvos no Pacífico
Está muito legal as publicações sobre essas embarcações da guerra fria , continuem assim. Abs
1) que menina bonitinha na foto da vela do Sturgeon;
2) Colocaram uma chapa em volta da escada porque senão com certeza já teria gente subido na vela pra tirar foto.