Da crise pós-soviética à era dos Kalibr: como a Rússia renovou sua frota naval em 25 anos
Gráfico com os principais navios e submarinos incorporados pela Rússia desde a chegada de Vladimir Putin ao poder mostra uma transformação profunda: Moscou não conseguiu reconstruir a gigantesca frota oceânica soviética, mas criou uma força centrada em submarinos nucleares modernos e numerosos navios menores armados com mísseis de cruzeiro de longo alcance
O gráfico abaixo, que reúne os principais navios de combate e submarinos recebidos pela Marinha da Rússia desde 2000, oferece uma síntese visual de uma das mais importantes transformações militares ocorridas no país durante a era Vladimir Putin. Além de mostrar o número de novos cascos incorporados, a imagem também revela qual Marinha Moscou decidiu reconstruir depois do colapso naval dos anos 1990.
A resposta é bastante diferente daquela que poderia ser imaginada a partir da antiga Frota Soviética.
A Rússia não reconstruiu uma grande força de porta-aviões, cruzadores e destróieres oceânicos. Em vez disso, concentrou grande parte dos recursos disponíveis em três áreas: submarinos nucleares estratégicos e de ataque, submarinos convencionais e navios de superfície menores equipados com mísseis de longo alcance.
O resultado é uma Marinha com menos grandes plataformas do que a soviética, mas capaz de colocar armamentos como Kalibr, Oniks e, mais recentemente, Tsirkon em submarinos, fragatas e até pequenas corvetas.
Essa mudança aparece com clareza no gráfico: na parte superior predominam os grandes submarinos nucleares; abaixo deles surgem apenas algumas fragatas modernas; e a maior concentração de unidades de superfície está nas classes de corvetas e pequenos navios lança-mísseis.
O ponto de partida: uma Marinha próxima da paralisia
A escolha precisa ser compreendida a partir da situação encontrada pela Rússia no início do século.
A dissolução da União Soviética em 1991 provocou um colapso sem precedentes da estrutura naval. Bases e estaleiros ficaram em países agora independentes, recursos praticamente desapareceram e numerosos navios foram retirados de serviço ou permaneceram atracados sem condições adequadas de operação.
O US Naval Institute registrou que aproximadamente metade da Marinha russa foi desativada ou colocada na reserva nos anos posteriores ao desaparecimento da URSS e que a construção naval atingiu seu ponto mais baixo por volta de 2002. A recuperação começaria progressivamente em meados daquela década, impulsionada também pelo aumento das receitas russas provenientes do petróleo e do gás.

Em 2000, a situação era tão precária que grande parte das novas incorporações russas consistia, na realidade, na conclusão de navios cuja construção havia começado ainda durante ou imediatamente depois da União Soviética.
É o caso de alguns dos primeiros submarinos representados no gráfico.
O submarino nuclear de ataque Gepard, Projeto 971 Akula, por exemplo, pertencia a uma geração concebida pela URSS. O Nerpa, da mesma família, também atravessou um longo período de construção antes de ser finalmente concluído.
O próprio primeiro submarino estratégico da futura classe Borei, o Yuriy Dolgorukiy, havia sido iniciado em 1996 e precisou passar por uma extensa reformulação do projeto antes de entrar em serviço.
A recuperação russa começou, portanto, terminando o que havia sobrevivido ao colapso soviético.
Borei: reconstruindo a perna naval da dissuasão nuclear

A prioridade mais evidente no gráfico é a força submarina nuclear estratégica.
A imagem apresenta oito unidades das classes Borei e Borei-A: Yuriy Dolgorukiy, Alexander Nevsky, Vladimir Monomakh, Knyaz Vladimir, Knyaz Oleg, Generalissimus Suvorov, Imperator Aleksandr III e Knyaz Pozharsky.
A última dessas unidades, Knyaz Pozharsky, foi incorporada em julho de 2025, tornando-se o quinto submarino da variante aperfeiçoada Borei-A. Com as três unidades originais do Projeto 955, isso elevou a família para oito SSBNs em serviço.
Esses submarinos são essenciais porque substituem gradualmente os antigos Delta III e Delta IV herdados da União Soviética e transportam os mísseis balísticos intercontinentais RSM-56 Bulava.
Cada Borei-A possui 16 tubos para mísseis Bulava, tornando a classe a principal plataforma futura da componente marítima da tríade nuclear russa.
É significativo que Moscou tenha conseguido manter esse programa mesmo quando outros projetos navais enfrentaram atrasos profundos. A dissuasão nuclear recebeu prioridade política e financeira superior à reconstrução da força de superfície.
A comparação com os grandes navios mostra isso claramente: enquanto oito novos SSBNs da família Borei aparecem no gráfico, a Rússia não construiu desde 2000 um único novo cruzador, destróier pesado ou porta-aviões.
Yasen: o outro componente da elite submarina russa

Ao lado dos Borei está a segunda grande família nuclear do período: os submarinos de ataque e de mísseis de cruzeiro Yasen e Yasen-M.
O gráfico mostra cinco: Severodvinsk, Kazan, Novosibirsk, Krasnoyarsk e Arkhangelsk.
O Arkhangelsk, incorporado em dezembro de 2024, tornou-se a quarta unidade da versão Yasen-M; somado ao Severodvinsk, primeiro e único exemplar do projeto original 885, elevou para cinco o número de submarinos dessa família naquele momento.
Os Yasen representam talvez o componente convencionalmente mais sofisticado da Marinha russa. Podem empregar mísseis Kalibr e Oniks e constituem atualmente a principal plataforma submarina para o míssil hipersônico Tsirkon (Zircon).
O IISS considera os Yasen e Yasen-M submarinos modernos e competitivos frente a equivalentes ocidentais, embora ressalte que a força submarina russa ainda conserve diversos navios mais antigos das classes Akula, Oscar e Sierra.
Isso produz outra característica da renovação naval russa: o número absoluto de novas plataformas pode ser relativamente pequeno, mas Moscou concentrou recursos em sistemas de grande valor estratégico.
Doze Improved Kilo reconstruíram duas frotas

A modernização não ficou limitada aos submarinos nucleares.
Outra sequência particularmente visível no gráfico é formada pelos submarinos convencionais Projeto 636.3 Varshavyanka, conhecidos no Ocidente como Improved Kilo.
Primeiro foram construídas seis unidades para a Frota do Mar Negro: Novorossiysk, Rostov-on-Don, Stary Oskol, Krasnodar, Velikiy Novgorod e Kolpino.
Posteriormente, mais seis foram destinados à Frota do Pacífico: Petropavlovsk-Kamchatsky, Volkhov, Magadan, Ufa, Mozhaysk e Yakutsk.
Com a incorporação do Yakutsk em 2025, a Marinha havia recebido 12 unidades do Projeto 636.3 desde 2014, completando a renovação das flotilhas previstas para o Mar Negro e o Pacífico.
Embora derivados de um projeto soviético, esses submarinos possuem uma característica fundamental para compreender a nova Marinha russa: podem lançar o míssil de cruzeiro 3M14 Kalibr.
Assim, submarinos diesel-elétricos relativamente compactos passaram a possuir capacidade de atingir alvos terrestres a distâncias estimadas entre 1.500 e 2.500 quilômetros.
Kalibr mudou a equação

O gráfico utiliza um símbolo vermelho para identificar os navios equipados com lançadores da família Kalibr. Essa marca aparece repetidamente.
Ela está nas fragatas Projeto 22350, nas Projeto 11356, nos Improved Kilo e, sobretudo, em numerosas pequenas corvetas das classes Buyan-M e Karakurt.
Este talvez seja o aspecto mais importante de toda a imagem.
A Rússia percebeu que não precisava construir um destróier de oito ou dez mil toneladas para transportar um míssil capaz de atacar alvos a mais de mil quilômetros. Poderia instalar o mesmo sistema vertical UKSK em um navio de menos de mil toneladas.
A validade operacional dessa abordagem foi demonstrada em 7 de outubro de 2015, quando quatro navios da Flotilha do Cáspio dispararam 26 mísseis Kalibr contra alvos na Síria. Três dos lançadores eram pequenos navios-mísseis Buyan-M, de aproximadamente mil toneladas. Os mísseis percorreram cerca de 1.500 quilômetros antes de atingir a região do conflito.
Até então, pequenos combatentes desse porte eram normalmente associados à defesa costeira. A Rússia transformou-os em plataformas de ataque estratégico.
Buyan-M e Karakurt: pequenos cascos, alcance estratégico
O resultado dessa filosofia domina a metade inferior do gráfico.
A classe Buyan-M, Projeto 21631, aparece em grande número: Grad Sviyazhsk, Uglich, Velikiy Ustyug, Zeleniy Dol, Serpukhov, Vyshniy Volochek, Orekhovo-Zuyevo, Ingushetiya, Grayvoron, Grad e Naro-Fominsk, entre outros navios associados à família de pequenos combatentes russos.
Depois vieram os Karakurt, Projeto 22800, desenvolvidos como outra plataforma compacta para os mesmos mísseis de ataque.

A adoção dessas classes permitiu distribuir capacidade ofensiva entre as frotas do Báltico, Mar Negro e Cáspio sem a necessidade de construir grandes escoltas oceânicas.
O IISS observa que Buyan-M, Karakurt e Improved Kilo transformaram a capacidade russa de defesa das águas próximas e de ataque em profundidade. Ao mesmo tempo, essa opção demonstra que a força de superfície russa evoluiu principalmente para uma Marinha de “green water”, voltada às águas próximas, enquanto a projeção oceânica continua dependendo em grande medida de navios construídos durante a União Soviética.
As fragatas revelam o limite da indústria naval russa

A parte mais reveladora do gráfico talvez seja justamente aquilo que aparece pouco.
Entre os grandes combatentes de superfície modernos, estão somente três fragatas Projeto 22350 — Admiral Gorshkov, Admiral Kasatonov e Admiral Golovko — e três Projeto 11356 — Admiral Grigorovich, Admiral Essen e Admiral Makarov.
O Projeto 22350 deveria representar a nova geração oceânica da Rússia.
O primeiro navio, Admiral Gorshkov, começou a ser construído em 2006, mas só entrou em serviço em 2018. O Admiral Kasatonov veio em 2020 e o Admiral Golovko, em 2023.
Os atrasos expuseram problemas crônicos do setor naval russo.
Depois da anexação da Crimeia em 2014, a Ucrânia interrompeu o fornecimento de turbinas e componentes navais. A indústria russa precisou desenvolver uma nova cadeia doméstica de propulsão. O Admiral Golovko tornou-se a primeira fragata da classe com sistema propulsor integralmente produzido na Rússia.
Sanções ocidentais também atingiram as corvetas Projeto 20385, originalmente planejadas para receber motores diesel alemães MTU. O bloqueio desses componentes provocou atrasos e obrigou a substituição por equipamentos russos.
Esses obstáculos ajudam a explicar por que o gráfico possui tantas pequenas embarcações e tão poucas grandes fragatas.
Fragatas Classe Admiral Grigorovich: reforço rápido para o Mar Negro


As fragatas Projeto 11356R Classe Admiral Grigorovich foram concebidas como uma solução relativamente rápida para renovar a Frota do Mar Negro enquanto a Rússia desenvolvia as mais modernas e complexas fragatas Projeto 22350 Classe Admiral Gorshkov.
Derivadas diretamente das fragatas Projeto 11356/Talwar construídas anteriormente para a Índia, deslocam cerca de 4.000 toneladas, alcançam aproximadamente 30 nós e combinam capacidade antissubmarino, defesa aérea e ataque contra alvos navais e terrestres.
Seu armamento inclui canhão A-190 de 100 mm, sistema antiaéreo Shtil-1, torpedos e lançadores verticais UKSK capazes de empregar mísseis de cruzeiro Kalibr, além de um helicóptero Ka-27 ou Ka-31.
O programa previa seis navios para a Marinha Russa, mas apenas três foram concluídos: Admiral Grigorovich e Admiral Essen, incorporados em 2016, e Admiral Makarov, entregue em 2017. Os três foram destinados à Frota do Mar Negro e passaram a representar alguns de seus mais modernos combatentes de superfície, inclusive no emprego de mísseis Kalibr contra alvos terrestres.
A construção da segunda metade da série foi interrompida como consequência direta da ruptura das relações militares entre Rússia e Ucrânia após a anexação da Crimeia em 2014. Os navios dependiam de turbinas a gás produzidas pela ucraniana Zorya-Mashproekt, e a suspensão do fornecimento deixou os cascos seguintes sem seus sistemas de propulsão.
Dois deles, originalmente destinados à Rússia como Admiral Butakov e Admiral Istomin, acabaram vendidos à Índia e foram concluídos como INS Tushil e INS Tamal, enquanto o destino do terceiro casco permaneceu indefinido por longo período.
A Classe Admiral Grigorovich tornou-se, assim, um exemplo particularmente claro dos limites da reconstrução naval russa pós-soviética: Moscou conseguiu incorporar rapidamente três fragatas bem armadas e capazes de ataque de longo alcance, mas a dependência de componentes ucranianos impediu que a série fosse completada como planejado e obrigou a indústria russa a acelerar posteriormente o desenvolvimento de sistemas nacionais de propulsão para seus novos combatentes.
Corvetas Classe Steregushchy: a renovação dos combatentes de superfície

As corvetas Projeto 20380 Classe Steregushchy representam um dos primeiros programas de construção em série de combatentes de superfície concebidos pela Rússia no período pós-soviético. Projetadas pelo Almaz Central Marine Design Bureau, foram desenvolvidas para patrulha e defesa das águas próximas, escolta, guerra antissubmarino e combate contra navios e aeronaves.
A primeira unidade, Steregushchy, começou a ser construída em 2001 e entrou em serviço em novembro de 2007, sendo seguida por navios produzidos tanto no estaleiro Severnaya Verf, em São Petersburgo, quanto no Amur Shipyard, no Extremo Oriente russo. A série tornou-se particularmente importante para a renovação das frotas do Báltico e do Pacífico, enquanto a Merkuriy, incorporada em 2023, foi destinada nominalmente à Frota do Mar Negro.
Com cerca de 2.250 toneladas de deslocamento carregado, 104,5 metros de comprimento, velocidade máxima de 27 nós e alcance aproximado de 4.000 milhas náuticas, o Projeto 20380 utiliza desenho com redução das assinaturas de radar, acústica, infravermelha e magnética.
O armamento das unidades de série inclui oito mísseis antinavio Kh-35 Uran, canhão A-190 de 100 mm, sistema antiaéreo Redut, sistema Paket-NK para guerra antissubmarino e defesa contra torpedos, além de armamento de curto alcance e instalações para operar um helicóptero. As unidades mais recentes receberam também um conjunto de sensores modernizado, incluindo o mastro integrado com radar multifuncional Zaslon.
A família evoluiu posteriormente para o Projeto 20385, representado por navios como Gremyashchiy, que substitui os lançadores Uran por um lançador vertical universal UKSK de oito células, capaz de empregar armas da família Kalibr, além de Oniks e outros sistemas compatíveis. Essa evolução transformou uma corveta originalmente destinada sobretudo à defesa das águas costeiras em uma plataforma com capacidade de ataque de longo alcance.
A Classe Steregushchy tornou-se, assim, um dos pilares da estratégia russa de reconstruir sua força de superfície com navios relativamente compactos, furtivos e fortemente armados, em contraste com os grandes cruzadores e destróieres que caracterizavam a antiga Marinha Soviética.
Os planos eram muito maiores que os resultados
A diferença entre ambição e capacidade industrial foi considerável. Segundo análise do Royal United Services Institute, até 2020 a Marinha russa havia recebido apenas 33% das fragatas previstas no Programa Estatal de Armamentos 2011–2020 e cerca de 20% das corvetas originalmente planejadas.
Além das sanções, o RUSI aponta problemas de produtividade dos estaleiros, estruturas corporativas ineficientes, limitações tecnológicas e tempos excessivamente longos de construção.
O CSIS já advertia em 2016 que os programas navais russos enfrentavam uma combinação de restrições orçamentárias, subinvestimento, problemas de projeto e integração, corrupção, obsolescência industrial e perda de acesso a tecnologias estrangeiras.
Ou seja: o gráfico mostra uma reconstrução real, mas não uma reconstrução na escala pretendida pelo Kremlin.
A guerra da Ucrânia alterou novamente o quadro
Há ainda uma ressalva fundamental ao interpretar a imagem. Ela representa navios recebidos pela Marinha desde 2000, e não necessariamente o inventário atualmente operacional.
Algumas das unidades mostradas sofreram perdas importantes durante a guerra contra a Ucrânia. O patrulheiro Sergey Kotov, Projeto 22160, por exemplo, foi atingido por drones navais ucranianos e afundou próximo à Crimeia em março de 2024.
O submarino Rostov-on-Don, também exibido no gráfico, sofreu danos muito graves durante um ataque ucraniano com mísseis Storm Shadow contra um dique seco em Sevastopol em setembro de 2023.
A campanha ucraniana com drones, mísseis de cruzeiro e outras armas também obrigou a Frota do Mar Negro a retirar grande parte de seus principais navios de Sevastopol, transferindo-os para Novorossiysk e outras bases mais distantes.
Assim, o número de cascos construídos não é equivalente ao número de navios disponíveis para combate.
Uma Marinha diferente da soviética
O principal mérito do gráfico é tornar essa mudança visível quase instantaneamente. A União Soviética construiu porta-aviões, cruzadores nucleares, cruzadores lança-mísseis, grandes destróieres, navios antissubmarino e dezenas de submarinos todos os anos.
A Rússia de Vladimir Putin recuperou apenas parcialmente essa capacidade industrial. No lugar da antiga massa de grandes combatentes, construiu uma força baseada em:
- submarinos Borei/Borei-A para a dissuasão nuclear;
- Yasen/Yasen-M para ataque submarino e lançamento de mísseis;
- Improved Kilo para operações convencionais e ataque terrestre;
- fragatas Gorshkov como núcleo moderno da força oceânica;
- corvetas e pequenos navios-mísseis com Kalibr para aumentar rapidamente o número de plataformas de ataque.
O IISS resume a consequência: apesar da modernização significativa desde 2008, a Rússia continua dependendo de grandes navios soviéticos para boa parte de sua capacidade de operar longe de suas costas, enquanto os novos combatentes de superfície estão concentrados principalmente nas águas próximas.
O submarino venceu o navio de superfície na disputa por recursos
Há, finalmente, uma conclusão estratégica particularmente clara. Se for necessário identificar onde a Rússia realmente conseguiu reconstruir uma força naval de primeira linha, a resposta está abaixo da superfície.
Oito Borei/Borei-A e cinco Yasen/Yasen-M representam uma renovação muito mais consistente que aquela observada na força de grandes navios de superfície. A isso se somam os Improved Kilo, os submarinos especiais como o gigantesco Belgorod e programas que continuam em construção.
Em contraste, a Rússia ainda depende de navios soviéticos como o porta-aviões Admiral Kuznetsov, os cruzadores nucleares da classe Kirov e outros grandes combatentes para missões oceânicas. Alguns desses navios exigem modernizações extraordinariamente demoradas e caras.
É emblemático que o cruzador nuclear Admiral Nakhimov, construído durante a União Soviética, somente tenha iniciado novas provas de mar em agosto de 2025 depois de uma modernização que se estendeu por muitos anos.

Ao mesmo tempo, os estaleiros continuam produzindo submarinos Borei e Yasen em série.
A mensagem é inequívoca: Moscou atribui prioridade muito maior à sobrevivência e modernização de sua força submarina do que à reconstrução de uma grande frota de superfície comparável à soviética.
O gráfico, portanto, não mostra simplesmente os navios que a Rússia recebeu desde 2000. Ele registra uma transformação doutrinária e industrial.
Depois de encontrar uma Marinha praticamente paralisada no início do século, o Kremlin reconstruiu capacidade naval suficiente para manter a dissuasão nuclear, ameaçar navios adversários e lançar mísseis contra alvos terrestres a centenas ou milhares de quilômetros. Mas fez isso seguindo um caminho muito diferente do passado.
A nova Marinha russa é menos uma sucessora direta da gigantesca Frota Soviética e mais uma força assimétrica: submarinos de alta capacidade, poucas fragatas oceânicas e uma ampla constelação de pequenos navios que, graças aos mísseis modernos, possuem poder de fogo muito superior ao que seu deslocamento faria imaginar.
Essa é a principal história contada pelo gráfico: desde 2000, a Rússia conseguiu voltar a construir uma Marinha relevante — mas não conseguiu, e talvez nem pretenda mais, reconstruir a Marinha que a União Soviética um dia possuiu.■








Excelente Matéria !!
O que Demonstra , que ouve uma mudança ideológica e significativa na Marinha Russa.
eu diria que foram forçados a fazer essa mudança.
Queriam construir muitos mais navios de grande porte, como a classe Lider, PA, ainda estão a construir os PHelis, mais fragatas e de maior porte, etc. E, ao mesmo tempo, gastar rios de dinheiro em renovar projetos da União Soviética.
É mais do mesmo.
Mudança ideológica, financeira e industrial, e no caso das duas últimas, mudanças inferiores que são a justificativa da primeira.
Houve uma mudança pragmática, um choque de realidade, porque não há dinheiro.
Que dizer que a corveta russa de 1.000 toneladas é mais bem armada que a nossa fragata Tamandaré (3.5 ton) comprada a preço de ouro dos europeus.
Nossas forças armadas precisa de uma auditoria urgente.
Nossos militares fazem escolhas (duvidosas) na aquisição de equipamentos caros mais pé de boi que não gera projeção de poder.
O almirante disse que a MB segue a doutrina americana então a nossa aquisição de equipamento tem que ser de equipamentos inferiores para os americanos não se sentir ameaçados com sua hegemonia.
O Brasil não é para amadores.
São números impressionantes.
A respeito do projeto da fragata classe Admiral Grigorovich, aquele lançador de morteiros RBU-6000, que se vê em quase todos os navios desde a URSS, ainda tem algum valor militar significativo?
Claro que, se está lá, deve ter, mas me pergunto se para as marinhas do ocidente, isso teria algum valor, já que não se vê o mesmo equipamento nos navios de EUA e Europa faz muito tempo?
Os foguetes são mais adequados para águas rasas, onde os torpedos antissubmarino têm dificuldade de detectar e acertar submarinos “pousados” no fundo.
Beleza, obrigado!
parece que as duas fragatas, no Mar Negro, da classe Admiral Grigorovich estão inoperacionais
Quantas fragatas se podem comprar pelo preço de um submarino especial e os seus torpedos nucleares?
População menor que a o Brasil. PIB menor que o do Brasil. As mesmas crises financeiras que o Brasil viveu, a Russia também enfrentou. Depois da guerra da Ucrania: Rússia: embargos e restrições, tudo que o Brasil não teve. Carga tributária da Rússia: menor que a do Brasil. IDH da Rússia: maior que o do Brasil. E só pela comparação de meios navais entregues em 25 anos, a gente consegue perceber que a Rússia (apesar de ser ditadura) é infinitamente mais bem administrada que o Brasil, e se preocupa com defesa e segurança, coisa que o Brasil negligência ao nível… Read more »
Mais bem administrada não acho, mas eles deram/dão muito valor para a defesa. Aqui a defesa não é vista como importante pois não vivemos sob risco de nenhuma nação latino americana. Mesmo a ameaça do EUA não é tão levada a sério, pela população e classe política, pois não é algo visto como fácil de ser realizado. A china não também não achava que seria fácil ser dominada por uma potência marítima, mas veio o século de humilhação e aprenderam. Espero que o Brasil, também, não passe por isso para começar a tratar defesa como algo essencial para a existência… Read more »
Educação pública, saúde pública e segurança são absurdamente melhores que no Brasil.
IDH também é melhor, PIB percapita, tudo.
Só ganhamos no futebol, basicamente.
A máquina estatal da União Soviética ficou 80 anos planejando um sistema educacional funcional, a Rússia apenas herdou isso, o Brasil nunca teve isso, é injusto comparar a nossa sexta republica com a Federação Russa, não tivemos a sorte de ter a herança de ser uma ex-superpotência.
Exatamente. Herdaram tudo ou quase tudo da era soviética, então fica mais fácil percorrer o caminho que conhecemos agora.
Durante quase 70 anos tiveram pesado investimento em desenvolvimento industrial, educacional e humano. Essa é a diferença, que nem o atual regime conseguiu corroer. Em pouco menos de 20 anos reergueram a indústria da URSS.
Ser melhor administrado que o Brasil não é lá o maior dos louros, mas realmente os russos fizeram o possível na realidade deles para manterem sua soberania, mas também temos que levar em conta que muito do que eles tem é graças ao passado de superpotência, um passado, e uma vantagem, que nunca tivemos, e vale dizer que a União Soviética não foi construída sozinha pela Rússia, embora ela fosse claramente a república protagonista, as demais foram também muito importantes pro desenvolvimento científico, industrial, intelectual, etc do país.
Maior território do planeta rico em petróleo, gás,ouro,terras raras.
Quem tem coragem tenta a sorte que o azar é certo.
O Brasil tem tudo isso também…
Alguém sabe me responder. O que foi feito com todos aqueles cascos da marinha soviética?
Desmantelados a maioria ainda durante a década de 1990.
A Rússia sabe que não consegue competir com a US Navy e muito menos com toda a Otan em número de Destroyers ou Fragatas pesadas, então o foco ficou nos Submarinos e em corvetas fortemente armadas. Mas agora decidiram que os antigos cruzadores e destroyers da era soviética precisam de substituição. A classe baseada no projeto 22350M chamada de Super Gorshkov foi finalmente aprovada e teve algumas mudanças. Antes falavam de uma Fragata Pesada com 7.000 à 8.000 toneladas de deslocamento, mas o plano mudou, agora está oficialmente classificada como Destroyer ou Destroyer de Mísseis Guiados de Longo Alcance e… Read more »
Rapaz… ter 12 navios desse porte é muita coisa, não sei se os russos conseguem cumprir esse planejamento não, ainda mais considerando, como a matéria demonstrou, que a Rússia cumpriu só 20% do seu planejamento da década passada.
Más, na matéria mesmo diz que foi por causa da quebra da cadeia logística dos projetos e os russo substituíram muita coisa por material nacional, a indústria demora apegar no tranco, mas depois que pega flui!
Acredito que agora com uma maior nacionalização dos projetos, eles devem atingir a meta, não rápido, mas vai atingir!
Na década passada o orçamento russo era de cerca de U$ 90 bi nos anos iniciais, depois tiveram um período de contenção de gastos e o orçamento militar russo caiu para cerca de U$ 60 à U$ 65 bi. Hoje o orçamento militar russo esta em U$ 190 bi. Tudo pode acontecer, mas com este nível de investimento é muito mais fácil. Mesmo que a guerra acabe, a Rússia poderá até reduzir o orçamento mas não para U$ 65 bi. Com o fim da guerra a Rússia pode reduzir gastos com munições e aumentar investimento em outras plataformas como os… Read more »
Outra coisa, cumpriram 20% das entregas de Corvetas e 33% das entregas de fragatas. Mas tem o motivo: 1) as fragatas russas usavam turbinas a gás ucranianas 2) as corvetas russas usavam motores diesel MTU alemães Com a invasão da Crimeia em 2014 a Ucrânia encerrou a entrega das turbinas e a Alemanha encerrou as entregas dos motores. As fragatas que estavam em construção ficaram paralisadas e as corvetas também. A Rússia teve que criar um complexo industrial do zero para produzir turbinas a gás para navios de grande porte. Algo que nunca teve de forma independente, ja que na… Read more »
Ótimo comentário!
A dependência tecnológica em propulsão naval é um dos gargalos estruturais da construção naval russa e está a caminho de ser superado.
Parece pouco, mas foi um esforço tremendo atingir a independência em tal ramo, comparável à renovação da aviação civil russa pelo MC-21.
Esse gargalo já foi superado.
https://pt.topwar.ru/amp/185607-odk-postavila-severnoj-verfi-dizel-gazoturbinnyj-agregat-m55r-dlja-fregata-admiral-isakov.html
Eles estão re-evoluindo a indústria aos poucos, aumentando a tonelagem mas não muito para não sair do planejamento apontado pela matéria; navios de mais de 10 mil toneladas não são necessários exceto no pacífico emae do norte onde grandes distâncias e mar revolto, tonelagem conta!
Faco questão de comentar, pois essa foi uma das melhores e mais completas matérias que ja vi nao somente sobre o assunto mas de forma geral. Parabens
Cada Buyan-M custa aproximadamente 30 milhões de dólares. Eu fico incrédulo com a frouxidão doutrinária das três Forças e com a subserviência brasileira aos EUA. Em quase cinco anos de conflito, nada foi feito em relação aos drones. É muito difícil ir à China, comprar os maquinários, pegar os projetos dos drones Geran/Shahed-136 e começar a fabricá-los? Tecnologia de foguete não é, né? E, claro, o culpado pela incompetência política e, principalmente, militar é a geração dos boomers. Não existe coisa pior no Brasil do que essa geração. E, claro, a população não fica atrás. Idolatram políticos e até mesmo… Read more »
O projeto do Shahed-136 é simples, nossa indústria de defesa conseguiria fazer algo análogo sem precisar recorrer a ngm, eu imagino. O problema é que o EB não tem dinheiro, 1% do PIB pra manter as 3 forças num país desse tamanho é muito complicado, típico de república de banana.
Típico de república de bananas e comprar um drone importado tendo um similar nacional, ou ficar sem drone, nenhum mesmo podendo comprar de fora se for russo ou chinês, pois se não for da OTAN, não presta!
Eu entendo não ter dinheiro, é compreensível. Gastamos 80% do orçamento com salários. Porém, estamos vendo o Irã derrotar os EUA sem força aérea e sem marinha, utilizando apenas dois elementos: mísseis e drones. A Rússia agora está atacando navios graneleiros da Ucrânia com os drones Geran-4. Agora, o pouco dinheiro que sobra estamos gastando com coisas inúteis que não geram dissuasão. Tirando o Prosub, os Riachuelos e o eventual submarino nuclear, nenhum outro projeto tem importância em uma guerra moderna. Agora vamos pegar mais 4 Tamandarés, algumas artilharias autopropulsadas de Israel e alguns Centauro II, e não tem dinheiro… Read more »
As forças armadas são o reflexo da nossa sociedade, estamos acostumados a comprar pronto, e usar como se fosse descartável, estamos acostumados a comprar caro de marca americana, mesmo sendo fabricado na China e falar que tudo o que e da china não presta!
Agora é que começa a mudar com os celulares e carros elétricos e híbridos, mas as nossas forças armada são conhecidas por demorarem uma geração para se adaptar ao novo!
A Marinha Russa de hoje lembra um pouco a marinha Imperial Alemã, e a Marinha do Terceiro Reich no que tange a priorização da negação de aérea por submarinos, visto que seus rivais tem frotas de superfícies que são basicamente impossíveis de mimetizar
Área*
Essa Gorshkov com Kalibir é provavelmente o melhor projeto naval russo dos últimos tempos.
Tirando os Kirovs que são legais de ver, mas na prática nem tanto, Gorshkov são uma ótima idéia.
As versões finais da Gorshkov virão com 64 VLS. Uma fragata de 5 mil toneladas, custando aproximadamente US$ 500–600 milhões, com capacidade de um destroyer.
Sim. Em termos de poder de fogo e quantidade de mísseis elas superam qualquer Fragata e qualquer Destroyer Europeu e superam também até o Destroyer chinês Type 052D.
Acho que a Rússia fez um trabalho excelente em pouco tempo
Imagina agora a nossa Marinha, o que foi construído de 2000 à 2026.
Que foto, hein? Imponência master blaster!
Esse impõe respeito.
É o navio de combate mais poderoso do mundo por ampla margem.
Fizeram bem em priorizar subs.
Conflito do Irã provou que frota de superfície serve para atacar países desdentados.
Uma boa força de mísseis ou drones anti navio mantém qualquer frota de superfície bem longe do front.
Se o Irá ja tivesse a capacidade de precisão na terminal contra alvos móveis, como russos e chineses alegam ter, o resultado teria sido bem pior para os EUA.
Triste a Classe Líder não ter ido adiante. Seria uma classe de destroires construídos em série para fortalecer a marinha russa em águas azuis. Entretanto, os obstáculos técnicos, financeiros e tecnológicos pesaram e os problemas estruturais da construção naval russa estão longe de serem sanados.
Para quem perdeu os mares contra uma nação que não tem Marinha até que a matéria “passa pano” para o que restou da Marinha Russa. Fico apenas a imaginar o que os Chineses estão a pensar de seu aliado estratégico… “um Urso Gigante com pés de barro”. É nesse momento que Franceses, Alemães, Italianos e Ingleses pensam em não construir mais nada… os Russos são um arremedo que que já foram… essa marinha costeira é apenas um enfeite. Quanto aos submarinos nucleares… estão ali para serem afundados… acho que ainda poderão disparar alguns misseis contra os seus alvos… mas de… Read more »
“Para quem perdeu os mares contra uma nação que não tem Marinha até que a matéria “passa pano” para o que restou da Marinha Russa”. Eu acho que você não prestou atenção a matéria e muito menos se está “passando pano” para a marinha russa. O foco da matéria é a reestruturação da Marinha após o colapso naval dos anos 1990 devido a queda da URSS. Não tem nada haver sobre a guerra Russo-Ucraniana. Navios russos foram perdidos atualmente mas o foco da matéria é de como o almirantado teve que se adaptar a realidade orçamentaria após a queda e… Read more »
A frota submarino russa é respeitada pelas agências de inteligência dos EUA como letais e equivalentes às próprias forças submarinas americanas em termos de silêncio, furtividade e capacidades ofensivas. A frota submarino russa possui mais de 600 MIL toneladas de deslocamento. A frota submarina chinesa possui cerca de 350 mil, quase metade. Aliás, a 5a marinha mais poderosa do mundo, a Marinha da Coreia do Sul, possui cerca de 300 MIL toneladas em toda sua frota de combate, incluindo navios de superfície como Destroyers e Fragatas e seus submarinos. Ou seja, somente a frota de submarinos da Marinha Russa tem… Read more »