Do Styx ao Granit: como a União Soviética transformou o míssil antinavio em arma central de sua Marinha

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Moskit

Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, a União Soviética emergiu como superpotência terrestre, nuclear e industrial, mas encontrava no mar um adversário que dificilmente poderia enfrentar simetricamente. A Marinha dos Estados Unidos possuía porta-aviões, cruzadores, bases espalhadas pelo mundo e uma poderosa aviação embarcada capaz de levar inclusive armas nucleares até as proximidades do território soviético.

Construir rapidamente uma frota de porta-aviões comparável à norte-americana exigiria décadas e recursos extraordinários. Moscou escolheu outro caminho: desenvolver armas capazes de permitir que submarinos, cruzadores, destróieres e até pequenas lanchas atacassem grandes navios a distâncias antes reservadas à aviação.

Nascia assim uma das características fundamentais da Marinha Soviética durante a Guerra Fria: o míssil de cruzeiro antinavio como principal instrumento ofensivo contra as forças de porta-aviões ocidentais.

Um relatório secreto da CIA preparado em 1971 resumiria a origem dessa estratégia: em meados dos anos 1950, o crescimento da ameaça representada pelos porta-aviões ocidentais exigia uma resposta, porque a frota soviética costeira não possuía armamento capaz de enfrentá-los antes que seus aviões atingissem o território da URSS. A solução escolhida foi o míssil de cruzeiro.

Enquanto a União Soviética dispunha de torpedeiros, destróieres e cruzadores leves, enfrentava uma força norte-americana muito superior e começou a investir simultaneamente em armas antinavio lançadas de aeronaves, navios e submarinos.

SS-N-1: o começo ainda rudimentar

SS-N-1 Scrubber

A primeira tentativa soviética de transformar essa ideia em arma naval operacional foi o míssil conhecido pela OTAN como SS-N-1 Scrubber.

Testado no mar em 1957 e introduzido por volta de 1958, era uma arma enorme e pouco prática. Pesava várias toneladas, utilizava propulsão a jato e precisava ser armazenado em hangares antes de ser colocado sobre trilhos de lançamento.

Foi instalado nos destróieres das classes Kildin e Krupny. O sistema exigia preparação relativamente demorada e representava claramente uma primeira geração tecnológica. Em poucos anos seria superado por projetos menores, mais simples e muito mais numerosos.

Apesar de sua curta carreira, o Scrubber mostrou o rumo que Moscou pretendia seguir: substituir parte do poder de fogo tradicional dos canhões e torpedos por armas guiadas capazes de atingir o inimigo antes que ele pudesse responder.

Styx transforma uma pequena lancha em ameaça mortal

Osa I lança P-15 Termit (SS-N-2 Styx)

A verdadeira revolução surgiu com o P-15 Termit, conhecido no Ocidente como SS-N-2 Styx.

O míssil entrou em operação no fim da década de 1950 e possuía algo decisivo que seu antecessor não oferecia: podia ser lançado diretamente de contêineres instalados em embarcações muito pequenas.

A União Soviética colocou dois Styx nas lanchas da classe Komar e quatro nas maiores Osa. De repente, uma embarcação de poucas dezenas ou centenas de toneladas podia, pelo menos em teoria, destruir um destróier ou um cruzador muito maior utilizando mísseis guiados por radar.

O conceito deixou de ser teoria em 21 de outubro de 1967.

Destróier Eilat

Duas lanchas egípcias Komar, fornecidas pela União Soviética, lançaram mísseis Styx contra o destróier israelense Eilat, antigo HMS Zealous da Segunda Guerra Mundial. Três mísseis atingiram o navio, que acabou afundando. Dos 199 homens a bordo, 47 morreram e 91 ficaram feridos.

Foi a primeira vez que mísseis superfície-superfície lançados por navios afundaram uma embarcação em combate.

O impacto sobre as marinhas ocidentais foi profundo. O episódio mostrou que tamanho e poder de artilharia já não garantiam proteção contra pequenas plataformas armadas com mísseis. O ataque acelerou o desenvolvimento de contramedidas eletrônicas, sistemas de defesa antimíssil e novas armas antinavio ocidentais, entre elas Harpoon e Exocet.

O Styx seria amplamente exportado e usado em outros conflitos, tornando-se a arma soviética antinavio de maior experiência real de combate durante a Guerra Fria. O documento-base registra sua enorme disseminação em lanchas Komar, Osa, Matka e Tarantul, além de navios maiores e marinhas aliadas.

O desafio seguinte: atacar porta-aviões a centenas de quilômetros

Submarino classe Echo II lança SS-N-3 Shaddock

O Styx era perigoso nas águas costeiras, mas sua autonomia relativamente pequena não resolvia o problema principal da estratégia soviética: destruir porta-aviões protegidos por escoltas, aviões e submarinos.

Para isso surgiu a família P-5/P-6/P-35, agrupada pela OTAN sob as designações SS-N-3 Shaddock e Sepal.

Esses mísseis eram enormes. Algumas versões pesavam aproximadamente cinco toneladas e podiam carregar grandes ogivas convencionais ou nucleares.

Mais importante era o alcance, que chegava a centenas de quilômetros dependendo da versão. Pela primeira vez, submarinos soviéticos poderiam ameaçar uma força-tarefa norte-americana sem necessariamente aproximar-se até distância de torpedo.

Havia, porém, uma vulnerabilidade importante.

Os submarinos das classes Juliett e Echo II precisavam emergir antes de disparar seus SS-N-3. Isso significava expor o submarino exatamente quando ele se encontrava dentro da área de operações de uma força naval dotada de aviões e helicópteros antissubmarino.

Outro problema era encontrar o alvo. Um porta-aviões navegando a 30 nós poderia deslocar-se dezenas de quilômetros entre a localização inicial e a chegada do míssil. Por isso, os soviéticos desenvolveram sistemas de atualização de trajetória em voo, integrando informações provenientes de aeronaves de reconhecimento, navios e posteriormente satélites.

A doutrina soviética tornou-se, assim, dependente não apenas do míssil, mas de todo um sistema de reconhecimento e designação de alvos além do horizonte. Estudos da U.S. Navy durante a Guerra Fria reconheciam que os ataques soviéticos de longo alcance exigiam justamente essa integração entre submarinos, aeronaves e navios.

Ametist permite disparar sem emergir

A próxima grande inovação apareceu com o P-70 Ametist, SS-N-7 Starbright. Ele solucionava uma das principais deficiências do Shaddock: podia ser disparado por um submarino ainda submerso.

A capacidade transformava radicalmente as perspectivas de sobrevivência do lançador. O preço dessa vantagem era o alcance. O Ametist alcançava aproximadamente 65 quilômetros, obrigando submarinos das classes Charlie I e o experimental Papa a penetrar profundamente na zona defensiva de uma força-tarefa inimiga.

O sucessor P-120 Malakhit, SS-N-9 Siren, ampliou a distância de engajamento e também encontrou espaço na força de superfície. Foi empregado pelos submarinos Charlie II e sobretudo pelas pequenas corvetas lança-mísseis da classe Nanuchka.

Novamente aparecia um princípio recorrente da doutrina soviética: uma embarcação relativamente pequena poderia transportar seis mísseis capazes de representar ameaça significativa a combatentes muito maiores.

Bazalt e a lógica do ataque de saturação

Na década de 1970, Moscou começou a desenvolver uma geração muito mais ambiciosa de armas.

O P-500 Bazalt, SS-N-12 Sandbox, combinava alcance de centenas de quilômetros com velocidade supersônica e capacidade de receber atualizações durante o voo.

A arma equipou os cruzadores-aeródromo da classe Kiev e posteriormente os cruzadores da classe Slava. Cada Slava carregava 16 grandes mísseis antinavio, formando uma impressionante bateria ofensiva.

O princípio não era necessariamente garantir que cada míssil atravessasse as defesas.

Míssil antinavio P-500 Bazalt

O objetivo era lançar salvas numerosas e coordenadas, obrigando o grupo de porta-aviões a detectar, acompanhar e enfrentar simultaneamente diversos alvos.

Documentos profissionais da U.S. Navy da década de 1980 descreviam justamente o cenário de um ataque soviético de saturação envolvendo mísseis lançados por aeronaves, submarinos e navios de superfície. O sistema defensivo norte-americano precisaria destruir sucessivamente os atacantes e seus mísseis em diferentes camadas.

Essa ameaça ajudou a moldar a chamada Outer Air Battle da U.S. Navy: interceptar os aviões soviéticos antes que conseguissem lançar suas armas contra o porta-aviões.

P-700 Granit: o grande “matador de porta-aviões”

Pyotr Velikiy da classe Kirov lançando o P-700 Granit

O auge dessa filosofia foi o gigantesco P-700 Granit, designado SS-N-19 Shipwreck pela OTAN.

Pesando cerca de sete toneladas e medindo aproximadamente dez metros, o Granit era praticamente uma pequena aeronave não tripulada supersônica carregada de explosivos.

Dependendo do perfil de voo, podia aproximar-se de Mach 2,5 e alcançar centenas de quilômetros. Poderia transportar uma grande ogiva convencional ou nuclear. Sua escala limitava radicalmente os navios capazes de operá-lo.

P-700 Granit

Os cruzadores nucleares da classe Kirov receberam 20 mísseis; os submarinos nucleares da classe Oscar carregavam impressionantes 24; e o porta-aviões Admiral Kuznetsov foi construído com 12 lançadores instalados sob o convés de voo.

A combinação do submarino Oscar e Granit era particularmente preocupante para a OTAN. O submarino poderia aproximar-se silenciosamente de uma área de operações e disparar duas dezenas de armas supersônicas contra uma única força naval.

O objetivo soviético não era construir um equivalente submarino de um porta-aviões. Era construir algo capaz de destruí-lo.

Moskit: velocidade extrema a poucos metros do mar

No extremo oposto estava um míssil menor e destinado principalmente a combatentes de superfície: o P-270 Moskit. A OTAN o denominou SS-N-22 Sunburn.

O Moskit combinava propulsão ramjet, velocidades superiores a Mach 2 em perfis de baixa altitude e aproximação final rente ao mar, reduzindo dramaticamente o tempo disponível para a reação dos sistemas defensivos.

Foi utilizado pelos destróieres da classe Sovremenny, pelas lanchas/corvetas Tarantul III e pelo extraordinário ekranoplan Lun, que transportava seis desses mísseis.

O “pesadelo Backfire” contra os porta-aviões americanos

Tu-22M com três mísseis antinavio Kh-22 (AS-4 Kitchen)

Entre as ameaças mais temidas pela Marinha dos Estados Unidos durante a Guerra Fria estavam os Tupolev Tu-22M Backfire da Aviação Naval soviética. Rápidos, de grande raio de ação e concebidos para ataques marítimos de longo alcance, esses bombardeiros podiam empregar o gigantesco míssil antinavio Kh-22 Burya (“Storm”), designado AS-4 Kitchen pela OTAN, desenvolvido especificamente para atacar grandes formações navais e, sobretudo, grupos de batalha de porta-aviões. O Tu-22M2 podia transportar o Kh-22, que podia receber ogiva convencional ou nuclear e atingir velocidades supersônicas muito elevadas.

A doutrina soviética previa ataques coordenados, concentrando numerosos bombardeiros e mísseis para saturar as defesas do grupo aeronaval antes que os lançadores pudessem ser interceptados. Documentos ocidentais da época consideravam a combinação Backfire + mísseis antinavio de longo alcance uma das maiores ameaças à frota de superfície dos EUA; exercícios soviéticos chegaram a simular lançamentos contra porta-aviões americanos a centenas de quilômetros de distância.

Um regimento de Backfires chegando de direções diferentes e lançando simultaneamente foi o cenário que moldou o pensamento da Marinha dos EUA sobre defesa aérea por uma geração — e, não por acaso, justificou o F-14 Tomcat e o AIM-54 Phoenix.

A própria história oficial da US Navy registra que os avanços soviéticos em bombardeiros e aeronaves de patrulha de longo alcance determinaram a necessidade de um caça de defesa da frota capaz de interceptá-los muito além do alcance visual, missão para a qual o F-14/AWG-9/AIM-54 Phoenix foi desenvolvido.

Não era apenas o míssil: era todo um sistema para encontrar o porta-aviões

As enormes distâncias alcançadas por armas como Bazalt e Granit criavam um paradoxo. Era possível fabricar um míssil capaz de voar centenas de quilômetros, mas isso não significava necessariamente saber onde estaria o porta-aviões quando ele chegasse àquela região.

Por isso, a capacidade soviética dependia de aeronaves de reconhecimento de longo alcance, inteligência eletrônica, submarinos, navios de superfície e sistemas espaciais.

Esse talvez tenha sido o aspecto mais sofisticado — e vulnerável — da estratégia soviética. A U.S. Navy compreendeu que a melhor defesa poderia não ser simplesmente destruir cada míssil, mas romper toda a cadeia de ataque. Na década de 1980, a doutrina da Outer Air Battle enfatizava atacar os chamados “arqueiros” antes que lançassem suas “setas”: destruir bombardeiros e plataformas de reconhecimento antes do disparo das armas.

A batalha naval imaginada para uma Terceira Guerra Mundial, portanto, poderia começar centenas ou até milhares de quilômetros antes de qualquer míssil atingir o horizonte visual de um porta-aviões.

Quase 3.000 mísseis para uma guerra que nunca aconteceu

A dimensão alcançada pelo arsenal soviético é impressionante.

A compilação histórica estima que, ao final da Guerra Fria, a Marinha Soviética havia colocado armamento antinavio em 51 grandes navios, 71 submarinos e quase 500 lanchas lança-mísseis, com um estoque total próximo de 3.000 mísseis antinavio.

Os números exatos variam conforme período, variante e critérios de contabilização, mas a escala da força não deixa dúvidas.

Em quatro décadas, Moscou passara de uma frota essencialmente costeira para uma força capaz de ameaçar grupos de porta-aviões por meio de mísseis lançados de submarinos nucleares, cruzadores, destróieres, pequenas embarcações e bombardeiros baseados em terra.

O Styx demonstrou dramaticamente sua eficiência em conflitos no Oriente Médio e no sul da Ásia. Já os grandes sistemas concebidos especificamente para destruir porta-aviões norte-americanos — Bazalt, Granit e Moskit — terminaram a Guerra Fria sem enfrentar o adversário que justificara sua existência.

Quando a União Soviética desapareceu em dezembro de 1991, muitos dos navios e submarinos destinados a carregar essas armas foram cancelados, desativados ou tiveram suas construções interrompidas.

Mas o conceito sobreviveu.

A Rússia pós-soviética continuou desenvolvendo mísseis antinavio de alta velocidade, como o Oniks, enquanto China, Índia e outras potências passaram a investir intensamente em armas destinadas a manter grandes forças navais adversárias à distância.

A herança mais importante da Marinha Soviética talvez não tenha sido, portanto, nenhum míssil isoladamente. Foi uma ideia estratégica: diante de uma frota adversária superior, não é necessariamente preciso construir uma frota igual — pode ser mais eficiente criar uma rede de sensores, plataformas e armas capaz de tornar sua aproximação proibitivamente perigosa.

O conceito que hoje recebe nomes como anti-access/area denial já estava sendo construído, nos mares e oceanos, décadas antes da expressão entrar no vocabulário militar contemporâneo.■



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Luís Henrique

A ideia continua ainda hoje. A Rússia desenvolveu um sistema VLS universal chamado 3S14 (UKSK). As células são enormes com cerca de 72 cm de diâmetro e 9,58 metros de profundidade. Para comparação o MK-41 americano na versão Strilke Length (a maior) para mísseis Tomahawk, SM-6 e SM-3 possui 63 cm de diâmetro e 7,7 metros de profundidade. O Sylver A70 europeu (o maior para mísseis de cruzeiro MdCN) possui 56 cm de diâmetro e 7 metros de profundidade. O A50 focado no Aster-30 possui apenas 5 metros de profundidade. As fragatas chinesas Type 054A e a mais nova Type… Read more »

Luís Henrique

Eu fico honrado.
Muito obrigado e abraço.

sergio 02

Excelente post , Parabéns

” O A50 focado no Aster-30 possui apenas 5 metros de profundidade”
Se não me engano esse chegou a ser expeculado para as tamandare, mas por obvio não foi emfrente, sera que as tamandares em um lote futuramente poderiam incorporar alguns desses sistemas VLS , ou precisaria reestruturar todo o projeto ?

Bosco

Luís, Só de curiosidade , vale lembrar que a USN tem também o sistema de lançamento vertical Mk-57 empregado apenas nos Zumwalt, que tem 71 cm de lado, podendo acomodar mísseis 50% mais pesados que o Mk-41 , cujo limite é em torno d 2,2 t. Outra maneira da USN poder ter células de lançamento vertical capazes de acomodar mísseis de maiores dimensões e peso é através dos módulos APM instalados nos Zumwalt que por enquanto está configurado para levar 3 mísseis IRCPS cada um pesando 7,8 toneladas mas que em tese pode receber outras configurações. Também vale salientar que… Read more »

groosp

Li que colocaram três CAMM-ER em um Sylver. Não é um ESSM quad-pack do MK-41 mas já melhora a capacidade dos navios contra ataques de saturação. 

Cassini

Ótimo comentário! Bem instrutivo.

Leandro Costa

OFF TOPIC

Tikuna saiu para dar uma volta.

Bosco

Um míssil antinavio de longo alcance que permite ao lançador (navio, submarino, avião ou lançador terrestre) ficar fora da zona de exclusão ao redor de um CSG tem um calcanhar de Aquiles que é a “cadeia de destruição” que obrigatoriamente tem que estar posicionada dentro dessa mesma zona de exclusão, tornando-se vulnerável. Há duas formas de contornar esse problema: 1- posicionar em órbita todos os elementos da cadeia de destruição voltados a atividade de vigilância, reconhecimento e comunicação; 2- empregar meios “terrestres” da cadeia de destruição os mais furtivos possíveis (ex: drones stealths) que combinados com efetores de longo alcance… Read more »

Bosco
Beto

Existia tb o impressionante As 3 kangaro de 10.000 kg

Adriano Madureira

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Oque gosto na Marinha russa é o uso por parte deles de embarcações pequenas como a Classe Tarantul,que apesar do tamanho, usa mísseis poderosos.

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Adriano Madureira

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