Moskva e Leningrad: o histórico operacional dos porta-helicópteros antissubmarino soviéticos
Construídos pelo estaleiro Chernomorskiy, em Nikolayev, os navios-irmãos Moskva e Leningrad tiveram carreiras marcadas por operações antissubmarino, exercícios de grande escala, missões diplomáticas, ações de salvamento e longos períodos de reparos. Incorporados à Frota do Mar Negro, ambos se tornaram presenças frequentes no Mediterrâneo e no Atlântico durante as décadas de 1970 e 1980.
O histórico das duas unidades também revela os desafios associados à operação de navios complexos. Incêndios, avarias de navegação, danos provocados por tempestades e extensas modernizações interromperam repetidamente suas atividades. No início da década de 1990, a falta de recursos passou a pesar decisivamente sobre o destino da dupla.
A construção e os testes do Moskva
Primeiro navio da série, o Moskva recebeu o número de construção 701. Sua quilha foi batida em 15 de dezembro de 1962, o lançamento ocorreu em 14 de janeiro de 1965 e a conclusão foi registrada em 25 de dezembro de 1967.
Entre 21 de abril e 3 de novembro de 1967, o navio realizou testes no Mar Negro. A campanha incluiu avaliações de todos os sistemas de armas, entre eles o complexo antissubmarino Vikhr-1, conhecido pelas designações ocidentais SUW-N-1 e FRAS-1. Mais de cem pousos de helicópteros foram realizados no convés de voo durante essa fase.
O Moskva foi formalmente aceito pela Frota do Mar Negro em 10 de janeiro de 1968 e integrado à 21ª Brigada de Guerra Antissubmarino. Entre setembro e outubro daquele ano, conduziu sua primeira operação no Mediterrâneo, acompanhado pelo grande navio antissubmarino Reshitelnyy.
Em abril de 1969, participou do exercício Vesna. No mesmo ano, realizou outras duas comissões no Mediterrâneo, a primeira entre 20 de abril e 16 de maio e a segunda de 17 de agosto a 14 de setembro.
Do exercício Okean-70 aos testes do Yak-36M
Entre janeiro e abril de 1970, o Moskva operou no Atlântico e na Baía de Biscaia, participando do exercício Okean-70. Durante essa comissão, esteve em Alexandria, no Egito, entre 8 e 13 de abril.
De 31 de dezembro de 1970 a 8 de agosto de 1971, o navio passou por uma modernização no estaleiro Chernomorskiy. Os trabalhos incluíram modificações no convés de voo, que pouco depois seria utilizado em uma experiência importante para a aviação naval soviética.
Em 24 de março de 1972, quando retornava de uma área de testes de combate para Sevastopol, o Moskva tocou o fundo do mar nas proximidades do cabo Kosa Severnaya. Os danos exigiram reparos no estaleiro Sevmorzavod, em Sevastopol, até outubro daquele ano.
Poucas semanas depois, entre 18 e 22 de novembro, o navio participou de testes de pouso do Yak-36M, aeronave de decolagem e pouso vertical, em águas próximas a Feodosiya. A operação colocou o convés modificado do Moskva no centro das experiências soviéticas com aeronaves VTOL.
O navio voltou ao Mediterrâneo entre março e maio de 1973, em uma demonstração de apoio ao Egito. Durante a missão, visitou novamente Alexandria. Outra comissão ocorreu entre abril e junho de 1974 e incluiu uma escala em Rieka, na então Iugoslávia.
Incêndio e retorno às operações
Em 2 de fevereiro de 1975, um curto-circuito provocou um grave incêndio enquanto o Moskva estava no porto de Sevastopol. Foram necessárias sete horas para controlar as chamas. O acidente deixou 29 vítimas, entre elas três mortos por intoxicação com monóxido de carbono, além de causar danos materiais consideráveis.
Os reparos no Sevmorzavod começaram em 19 de fevereiro de 1975 e prosseguiram até 30 de outubro de 1976. Em novembro de 1977, o navio retornou ao Mediterrâneo como capitânia da 5ª Esquadra Operacional, função que exerceu até junho de 1978. Nesse período, visitou Argel ao lado do Smelyy, uma unidade do Projeto 61MR.
O Moskva realizou nova comissão no Mediterrâneo entre agosto de 1979 e março de 1980, incluindo uma passagem por Dubrovnik. Em 4 de junho de 1980, seu sonar foi danificado por um perigo à navegação, obrigando o navio a retornar ao Sevmorzavod para novos reparos.
Entre março e agosto de 1981, voltou a atuar como capitânia da 5ª Esquadra Operacional no Mediterrâneo. Em 1982, ampliou sua área de atuação para o Atlântico Central, visitando Rieka, Luanda, em Angola, e Lagos, na Nigéria.
Um novo período de reparos e modernização começou em outubro de 1982 e somente terminou em dezembro de 1989. Antes da conclusão oficial dos trabalhos, o navio realizou treinamentos no Mar Negro e visitou Varna, na Bulgária, em agosto de 1989.
O Leningrad e as operações de salvamento
O segundo navio, Leningrad, recebeu o número de construção 702. Sua quilha foi batida em 15 de janeiro de 1965, o lançamento ocorreu em 31 de julho de 1966 e a conclusão foi registrada em 2 de junho de 1969. A incorporação à Frota do Mar Negro aconteceu em 9 de julho, também na 21ª Brigada de Guerra Antissubmarino.
Sua primeira grande comissão no Mediterrâneo começou em março de 1970. Durante o exercício Okean-70, o Leningrad operou ao lado do Moskva. Entre 10 e 12 de abril, juntou-se aos grandes navios antissubmarino Komsomolets Ukrainy e Otvazhnyy na tentativa de salvar o submarino nuclear K-8, da classe November, avariado na Baía de Biscaia.
Apesar dos esforços, o submarino afundou em 12 de abril. Uma semana depois, o Leningrad visitou Severomorsk acompanhado pelo Otvazhnyy. Entre dezembro de 1970 e maio de 1971, voltou ao Mediterrâneo e, pouco depois, participou do exercício Yug-71.
Em 4 de agosto de 1971, o secretário-geral Leonid Brezhnev e dirigentes de outros cinco países do Pacto de Varsóvia visitaram o navio e navegaram a bordo ao largo da costa da Crimeia.
No início de 1972, o Leningrad participou do exercício Vympel e visitou Alexandria. Entre fevereiro e março, foi mobilizado para outra operação de salvamento, desta vez em auxílio ao submarino nuclear K-19, da classe Hotel, atingido por um incêndio no Atlântico.
O navio chegou a Severomorsk em 31 de março acompanhado pelo submarino danificado. O próprio Leningrad, entretanto, havia sofrido avarias durante uma tempestade, que atingiram o sistema antissubmarino RBU-6000. Após os reparos, retornou a Sevastopol em maio.
Desminagem no Suez, África e Caribe
Entre agosto e outubro de 1974, o Leningrad participou de operações de remoção de minas no Canal de Suez. A força incluía os navios antissubmarino Smetlivyy e Skoryy e o navio-tanque Boris Chilikin. Helicópteros Ka-25BSh e Mi-8BT foram empregados nas tarefas.
A viagem de retorno foi realizada ao redor da África. Antes de chegar a Sevastopol, em 6 de dezembro, o grupo visitou Berbera, na Somália; Port Louis, nas Ilhas Maurício; Malabo, na Guiné Equatorial; e Dakar, no Senegal.
O Leningrad voltou ao Mediterrâneo entre junho e novembro de 1975, com escalas em Alexandria e Dubrovnik. Outra comissão, entre maio e dezembro de 1976, incluiu uma visita a Split. De abril de 1977 a agosto de 1978, permaneceu em reparos e modernização no estaleiro Chernomorskiy.
Depois de novas operações no Mediterrâneo em 1979, o navio cumpriu uma comissão que se estendeu ao Atlântico em 1980. Na ocasião, visitou a cidade de Leningrado entre 14 de junho e 6 de julho.
Entre agosto de 1981 e março de 1982, participou do exercício Zapad-81, no Báltico, e depois seguiu para o Mediterrâneo com o Bezukoriznennyy. Em 1984, atravessou o Atlântico ao lado do Udaloy e do navio-tanque Zolotoy Rog, visitando Havana e participando do exercício antissubmarino soviético-cubano Zaslon-84, no Golfo do México.
No segundo semestre daquele ano, o Leningrad voltou a atuar em operações de remoção de minas, dessa vez nas águas próximas ao Iêmen e à Etiópia. A missão foi realizada com o Krasnyy Krym e navios de apoio e incluiu uma permanência em Aden entre 8 e 28 de setembro.
Os últimos anos dos dois navios
O Leningrad passou por novos períodos de reparo e modernização em Sevastopol, entre agosto e setembro de 1985, e em Nikolayev, de dezembro de 1985 a agosto de 1987. Ainda realizou comissões no Mediterrâneo entre novembro de 1988 e junho de 1989 e entre março e junho de 1990.
Uma nova reforma estava programada para começar em meados de 1991, mas foi cancelada por falta de recursos. O navio foi desativado em 24 de junho daquele ano, desarmado e mantido atracado em Sevastopol. No segundo semestre de 1995, acabou rebocado para Bombaim, na Índia, onde seria desmontado.
O Moskva ainda retornou ao Mediterrâneo entre outubro e dezembro de 1991 como capitânia da 5ª Esquadra Operacional. Durante sua última comissão registrada, visitou Tartus, na Síria, entre 20 e 25 de novembro.
A partir de 1994, permaneceu no porto. Em novembro de 1996, foi rebatizado PKZ-108 e, em 7 de novembro, oficialmente desativado. Seu último deslocamento começou em 27 de maio de 1998, quando o rebocador da Frota do Norte Stakhanovets iniciou seu transporte até a Índia para demolição.■









Boa tarde a todes amigues,
A quinta foto, que mostra o porta-helicópteros visto pela proa e pela popa, me lembrou do encouraçado Ise após sua conversão pela Marinha Imperial Japonesa em um navio híbrido de couraçado e porta-aviões em 1943, para repor as perdas aéreas da Batalha de Midway.
No final das contas ambos estes navios híbridos não eram muito eficientes…
Há braços
Amigues ? Há braços ? que lingua seria essa ?
Esse e o Long Beach disputam pra mim o posto de navios mais feios que já vi.-
Tem também o Zumwalt (DDG-1000), que é mais feio do que encochar a sogra na cozinha na sexta-feira Santa!
Há braços
Eu pessoalmente considero estes navios soviéticos muito bonitos. Gosto do contraste entre uma proa cheia de maquinário e uma popa reta.