DIOGO BERCITO – DE JERUSALÉM

vinheta-clipping-navalOs governos de Israel e dos EUA testaram ontem, em exercício conjunto, uma versão atualizada do míssil Sparrow, utilizado em simulações de disparos balísticos.

A ação fez a agência de notícias russa anunciar que “objetos balísticos” tinham sido detectados no Mediterrâneo em direção ao leste.

Antes do anúncio oficial israelense, os EUA negaram a participação de seus navios.

De acordo com o Ministério da Defesa de Israel, ouvido pela reportagem, a ação ocorreu em uma área de testes de uma base israelense.

O disparo foi realizado às 9h15 locais (3h15 em Brasília). O míssil foi, conforme esperado, detectado e rastreado pelo sistema antiaéreo israelense Arrow 3, que intercepta mísseis balísticos lançados contra Israel. Assim como no sistema de defesa aéreo Domo de Ferro, há cooperação americana no desenvolvimento desse equipamento.

A mídia russa reportou que os projéteis caíram no mar. A embaixada russa na Síria afirmou não ter havido sinais de explosões em Damasco, capital da Síria. Não houve, também, detecção por radares de alerta no país árabe.

Israel tem-se preparado para um possível ataque. Na semana passada, reservistas foram convocados. Com o anúncio de que a intervenção será votada no Congresso dos EUA, eles foram dispensados.

Parte do sistema Domo de Ferro, porém, foi posicionado no norte do país.

FONTE: Folha de S. Paulo via Resenha do Exército

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Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná. Ganhou o Prêmio Sangue Novo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná com uma monografia sobre o PROSUB. Feliz proprietária de um SSN classe Virginia.

46 Responses to “EUA e Israel fazem teste conjunto de mísseis no mar Mediterrâneo” Subscribe

  1. Augusto 4 de setembro de 2013 at 17:31 #

    Acompanho essa notícia desde ontem e notei o seguinte:

    De todos os países que não foram alertados do lançamento, a Rússia foi o único a detectar de maneira independente o lançamento, com grande precisão de tempo e trajetória. Aliás, foi a Rússia que noticiou ao mundo que tal lançamento foi levado a cabo, obrigando Israel e EUA a confirmar o que antes estavam negando.

    França, Itália e Alemanha disseram não ter nenhum dado sobre tal lançamento e que nada conseguiram detectar em seus radares.

    Assim, fica a pergunta: os russos, que lançam submarinos nucleares com a mesma frequência que o padeiro coloca pão quentinho na prateleira; a Rússia que detecta o que as potências europeias não conseguem ver; a Rússia que aluga foguetes para os EUA cumprir suas missões espaciais… seria o mesmo país que alguns aqui chamam de “exagerado” quando fala da qualidade de seus materiais bélicos?

  2. Guizmo 4 de setembro de 2013 at 18:43 #

    Incrível essa foto do Sparrow sendo disparado de um Porta Aviões, nunca tinha visto.

  3. daltonl 4 de setembro de 2013 at 18:51 #

    Augusto…

    longe de querer fazer troça de equipamento russo, mas, permita-me comentar seus pontos:

    “…lançam submarinos nucleares com a mesma frequência que o padeiro coloca pão quentinho na prateleira;”

    o que aconteceu é que houveram tantos atrasos na construção que houve um acumulo, então essa impressão que “vários” submarinos
    estão sendo lançados ao mesmo tempo, mas que na realidade já deveriam ter entrado em serviço.

    O primeiro dos Boreis começou a ser construído em 1996 e usando parte de um submarino de ataque inacabado enquanto o primeiro dos
    Yasen foi iniciado em 1993 e ainda não foi comissionado.

    “… detecta o que as potências europeias não conseguem ver;”

    Será ? Ou foi porque os russos possuem estações de radar no Mar Negro, portanto bem mais próximas.

    “…aluga foguetes para os EUA cumprir suas missões espaciais ”

    Se você refere-se ao envio de astronautas/cosmonautas à Estação Espacial Internacional, sim, mas lembre-se que a estação só está sendo mantida no espaço principalmente graças aos EUA que contribuem com voos não tripulados para carga também, além do que a Estação é utilizada pelos próprios russos e não apenas pelos EUA.

    abs

  4. joseboscojr 4 de setembro de 2013 at 19:06 #

    Esse artigo parece “O Samba do Crioulo Doido”.
    Míssil Sparrow atualizado funcionando como cover de míssil balístico para teste de defesa antibalístico/C-RAM israelense?
    E pra piorar, a Nicholle coloca uma foto de um NAe lançando um Sea Sparrow (Vale lembrar que a USN não tem um NAe no mediterrâneo).

    Augusto,
    Os americanos não estão alugando foguetes para a NASA. Acontece que a Rússia é o único país hoje em dia que coloca astronautas (ou se quiser, cosmonautas) em órbita e quando precisa ir astronautas americanos para a Estação Espacial ele vão de “carona” com os Russos.
    Os EUA não querem ter um custoso programa tripulado apenas para “inglês ver” que só serviria para “abastecer” a Estação Espacial Internacional. Não há interesse americano no momento em manter um program tripulado orbital e deve-se ter chegado a um acordo comum, relativo á manutenção da dita estação espacial, que os russos iriam manter os voos tripulados à mesma para que o programa se mantivesse como acordado.
    Pode ter certeza que mesmo não indo astronautas americanos à bordo dos foguetes russos tem muito dinheiro americano subindo junto, já que russos e americanos são parceiros no programa ISS e os EUA é responsável por mais da metade da verba de todo o programa.
    O programa tem divisões de tarefas entre os diversos parceiros e coube aos russos manter a tarefa de manter em curso um programa tripulado para servir a estação e eles cumprem o que foi acordado.
    Quanto ao tema do post, em sendo verdade que um Sparrow foi lançado pelos americanos para simular um ataque balístico a Israel e que o mesmo foi detectado pelos russos, e sabendo nós que os russos não possuem bola de cristal, tal fato só seria possível se na área houvesse alguma plataforma russa ou a serviço dela dotada de sensores capazes de detectar o dito lançamento e acompanhar o dito projétil, seja navio ou avião.
    Simples assim!
    Tal fato, em sendo verdade, não diz nada sobre a Rússia ter um Olho de Tandera e que nada consegue lhe escapar.
    E ninguém que entenda o mínimo de equipamento militar faz pouco caso da Rússia. O que ocorre é que infelizmente a grande maioria dos que são contrários a tudo que seja americano enaltecem em demasia o que vem da Rússia sem o mínimo conhecimento de causa. Muitos claramente não sabem sequer do que estão falando mas de pronto colocam o equipamento russo como superior sem entenderem o mínimo do assunto e não raro baseiam suas convicções em notas de rodapé, entendidos que são em política partidária e não perdem tempo com tecnicismos.
    Tais comentários em geral levam a algum tipo de reação e isso é natural.
    Um abraço.

  5. Augusto 4 de setembro de 2013 at 19:07 #

    daltonl disse:
    4 de setembro de 2013 às 18:51

    Respeito tudo o que o amigo disse mas nenhum dos seus argumentos invalida o que expus. Não importa se a estação é mantida em grande parte pelos EUA, o fato é que este país aluga material russo para manter-se na corrida.

    De fato há estações de radares russos no Mar Negro, mas o fato concreto é que foi o único país a detectar horário e trajetória de lançamento com precisão, apesar de tudo ter acontecido nas barbas da Itália e apesar dos aparatos tecnológicos de França e Alemanha.

    E os antigos atrasos na entrega dos submarinos foram superados com a rápida retomada dos programas, o que mostra a capacidade da indústria bélica russa de superar grandes atrasos.

    Quanto ao pão quentinho, isso sim foi uma figura de linguagem.

  6. joseboscojr 4 de setembro de 2013 at 19:10 #

    Dedinho rápido no gatilho esse do “Almirante”.rsrsrsss

  7. joseboscojr 4 de setembro de 2013 at 19:15 #

    Augusto,
    Outros países têm radares tão bons quanto dos russos mas devem ser os russos que estão monitorando o que ocorre na região devido à iminência de conflito na região que muito lhes interessa.
    Já outros países aliados dos americanos usam sistemas comuns da OTAN e não raro deixam para os americanos levar o piano.

  8. Augusto 4 de setembro de 2013 at 19:18 #

    joseboscojr disse:
    4 de setembro de 2013 às 19:06

    Ok, Bosco. Os EUA não alugam naves russas, eles simplesmente pagam 424 milhões de dólares aos russos para poder transportar 6 astronautas à estação espacial.

    Vamos mudar de “alugar” para “pagar caro pela carona na Soyuz”.

    Aliás, os EUA não pagam só pela carona de astronautas. Em fevereiro foram enviados 6 satélites estadunidenses de comunicações Globalstar-2 usando a… Soyuz.

  9. daltonl 4 de setembro de 2013 at 19:19 #

    Cada um interpreta como quer , mas se os russos constroem tantos submarinos nucleares assim porque eles estão modernizando entre outros, 2 Sierras I dos anos 80 ?

    Quanto à ISS o Bosco foi bem mais preciso que eu…

  10. joseboscojr 4 de setembro de 2013 at 19:24 #

    “Manter-se na corrida” também é uma figura de linguagem.
    Não há corrida espacial em curso nesse momento e apenas para os espectadores mais aguerridos é que o fato dos russos manterem um programa espacial tripulado e os Estados Unidos não, pode representar algum tipo de superioridade tecnológica russa.
    Desde a década de 90 a NASA tem perdido o interesse em voos tripulado e salvo a ISS ela atualmente prefere investir em sondas espaciais. Coisa aliás bem mais sofisticada e relevante que mandar “passageiros” dar voltas na órbita terrestre.
    Essa corrida foi ganha pelos russos há 50 anos.

  11. Augusto 4 de setembro de 2013 at 19:31 #

    joseboscojr disse:
    4 de setembro de 2013 às 19:24

    Bosco, eu não disse “corrida espacial”. Eu disse apenas “corrida”, no sentido de disputa tecnológica, que nunca acabará.

  12. joseboscojr 4 de setembro de 2013 at 19:31 #

    Augusto,
    Satélites de companhias privadas alugam o que acham mais em conta e entram na fila.
    A demanda é grande e o clube é pequeno (infelizmente o Brasil também não faz parte dele) e colocar satélites em órbita é um negócio como outro qualquer nesse mundo globalizado e os russos são muito bons nesse quesito.

  13. joseboscojr 4 de setembro de 2013 at 20:33 #

    Mudando de pato pra ganso eu fico pensando sobre a veracidade desta informação e em sendo verdade, qual seria a relevância.
    Eu imagino que o sistema Arrow e o Iron Dome devam ser testado com certa regularidade e me estranha esse teste em especial ter provocado alguma reação inusitada, mesmo porque sempre há a participação americana que financiou mais da metade tanto de um quanto do outro sistema.
    Por outro lado eu fico imaginando o por quê de usarem um caríssimo míssil Sparrow se os americanos têm o AQM-37 que se presta exatamente à função, sendo um drone alvo propelido por um motor foguete líquido, muitíssimo mais barato e inclusive, reutilizável, tendo em vista que ao que parece apenas o sistema de alerta e rastreio foi testado, não havendo sido feita nenhuma tentativa de interceptação.
    Esse é o tipo de informação (e aqui não vai nenhuma crítica ao Forte e sim à fonte que achou que isso tivesse alguma relevância) que não tem nenhuma relevância, mesmo agora havendo a possibilidade de ataque á Síria.

  14. Augusto 4 de setembro de 2013 at 20:50 #

    Bosco,

    Claro que os estadunidenses financiaram os sistemas, mas também são eles que ameaçam liderar a intervenção a Síria. Portanto, a relevância da informação está ligada às circunstâncias de tempo e de local do teste, que se deu às vésperas de uma provável intervenção ocidental a Síria, em plena porção leste do Mediterrâneo.

  15. joseboscojr 4 de setembro de 2013 at 21:22 #

    Augusto,
    Tudo bem!
    Agora, voltando ao assunto da detecção por parte dos russos, eu discordo do Dalton e não creio que estações de radar no Mar Negro possam detectar mísseis Sparrows lançados do Mediterrâneo ou da costa Israelense. A distância é muito grande e o míssil é pequeno e não sobe muito para ser detectado de radares convencionais. Só se foi por algum radar OTH (???) do sistema de vigilância ABM dos russos.
    Mas acho mais provável que ele tenha sido detectado a partir da base naval na Síria ou de algum navio russo que esteja no Mediterrâneo ou atracado na base.

  16. daltonl 4 de setembro de 2013 at 21:29 #

    Bosco…

    Algumas fontes citam que os misseis foram lançados de uma aeronave israelense para esse teste que já havia sido antecipadamente marcado
    com muita antecedência e que radares russos no Mar Negro os detectaram
    eu havia pensado justamente nos ABM russos.

    abs

  17. Groo 4 de setembro de 2013 at 21:30 #

    O míssil lançado foi um “míssil alvo” Black Sparrow e não um AIM-7 Sparrow.

    http://www.mod.gov.il/pages/homa/blackSp.htm

  18. daltonl 4 de setembro de 2013 at 21:50 #

    Seria também uma nova versão do “sparrow-alvo” e a localização do
    “radar” seria na cidade de Armavir próxima ao mar Negro…está inclusive nesse mapâo mundi que tenho na parede :)

  19. joseboscojr 4 de setembro de 2013 at 21:52 #

    Groo,
    Confesso que faltei a essa aula. rsrsrr
    Não conhecia esse “míssil balístico alvo”.
    Aí sim tudo se explica! Dei uma rápida conferida e esses “mísseis” pesam mais de 1 tonelada e têm apogeu de dezenas de quilômetros de modo a simular os mais variados mísseis, de Scud pra cima.
    Com certeza foram detectado pelo sistema ABM russo, que fica voltado para esse lado. Os europeus direcionam seus radares para outro lado. rsrsrs
    Valeu!
    Vivendo e aprendendo.

  20. joseboscojr 4 de setembro de 2013 at 21:55 #

    Eu me deixei levar pelo texto em si e pela fotinha do Sparrow na “chamada” e tive um princípio de AVC. rsrssss

  21. Mauricio R. 4 de setembro de 2013 at 21:57 #

    O “Sparrow” em questão, é de outro tipo:

    (http://www.flightglobal.com/news/articles/israel-usa-perform-sparrow-target-missile-test-390118/)

    PS: Droga, raios duplos, raios triplos, e eu que pensei que iria pegar o PN, cometendo uma “barriga”!!!

  22. daltonl 4 de setembro de 2013 at 22:12 #

    E para quem não percebeu, a primeira foto, aliás, antiga, mostra o perfil do Presidente Abraham Lincoln pintado no lançador MK 57 claramente identificando o NAe como o USS Abraham Lincoln que só será devolvido à US Navy em 2017.

  23. joseboscojr 4 de setembro de 2013 at 22:16 #

    Eu sabia que um dia te pegava Dalton! rsrsss
    Lançador Mk-29 e não Mk-57. rsrsrr
    4 a 1 pra você.rsrrs

  24. daltonl 4 de setembro de 2013 at 22:42 #

    MK57″ é a designação para o novo sistema de lançamento vertical que equipará a próxima classe de contratorpedeiros classe Zumwalt da USN. Mas também é a designação da OTAN para o Sistema completo SeaSparrow, contendo um lançador óctuplo Mk 29, um radar Mk 9 (TIS), e o SST Mk 73.

    “A primeira faz tchan, a segunda faz tchun e tchantchantchan…” :)

  25. Luis 4 de setembro de 2013 at 22:57 #

    joseboscojr disse:
    4 de setembro de 2013 às 19:24

    “…Essa corrida foi ganha pelos russos há 50 anos.”

    Como assim? Em janeiro de 1966, Sergei Korolev morreu, e o programa espacial soviético empacou durante um bom tempo, só retomando o seu potencial já nos anos 70, mas sem nunca enviar um astronauta para além da órbita terrestre, ao contrário dos EUA, que desde o voo da Apollo 8, assumiu a liderança da corrida espacial, encerrada com a Apollo 11.

  26. joseboscojr 4 de setembro de 2013 at 23:08 #

    Dalton,
    Essa não colou não. rsrsrs

    Luis,
    A “corrida” no caso foi a de colocar um homem no espaço e em órbita pela primeira vez, corrida esta ganha pelos russos.
    Houve outras “corridas” em que os americanos se deram melhor e ganharam com folga, mas o pódio do Gagarin ninguém toma. rsrssss

  27. joseboscojr 4 de setembro de 2013 at 23:27 #

    Os russos estavam bem a frente na “Corrida Espacial” e só perderam a
    Corrida à Lua, embora até nisso eles chegaram primeiro com suas sondas Luna.

  28. joseboscojr 4 de setembro de 2013 at 23:45 #

    Algumas façanhas soviéticas:
    -primeiro satélite artificial
    -primeiro ser vivo no espaço/órbita
    -primeiro homem no espaço/órbita
    -primeira atividade extra-veicular
    -primeira mulher no espaço/órbita
    -primeira sonda de espaço profundo
    -primeira sonda a orbitar a Lua
    -primeira sonda a pousar na Lua

  29. Soyuz 5 de setembro de 2013 at 2:18 #

    O que se sabe de concreto sobre este fato é que um lançamento de um míssil (versão melhorada do projeto do Black Sparrow) por um F-15 destinado a servir de alvo para um interceptador anti míssil do tipo Arrow-III baseado no norte de Israel, foi captado por um radar de alerta anti míssil balístico do tipo Voronezh baseado em Armavir, sudeste russo.

    Alguns comentários sobre o fato.

    Quando li a noticia a primeira vez, pensei imediatamente que pudesse ter sido um alerta de lançamento por sistema baseado em espaço, que no caso russo é a constelação de satélites OKO. Na guerra do golfo houve alerta de lançamento de Scud por satélites DSP (aquivalente norte americano do OKO).

    Achei curioso o fato, porque esta constelação esta bastante degradada operacionalmente cobrindo apenas os EUA continental nos dias atuais (informação de domínio publico). Depois pesquisando a noticia melhor, descobri que a detecção foi por radar e não por satélite.

    Pensei imediatamente na estação de Galaba que é fisicamente a mais próxima daquela região e fica no Azerbaijão. Pesquisando melhor, descobri que a estação de Galaba teve seu contrato de aluguel encerrado há 10 meses atrás e atualmente esta fechada. A detecção veio portando da estação de Armavir.

    Ela não é um ponto ideal para detectar alvos naquela região, fiz uma rápida medida utilizando da distancia do radar até a região de lançamento do míssil e a resposta foi 1350Km, o que significa que o horizonte de radar era de 140.600 metros.

    Ai novamente algo me chamou a atenção.

    Os testes iniciais do sistema interceptador ABM israelense que faziam uso do Black Sparrow tinham apogeu de 90.000 metros (não deveriam em teoria aparecer no radar de Armavir), eu lembro bem estes dados de apogeu e velocidades final de queimas do Arrow, por outros motivos.

    Como a memória me traiu, voltei a pesquisar sobre os testes do Arrow e descobri que um novo míssil alvo, chamado Silver Sparrow possui um desempenho cinético muito maior que Black Sparrow e destina a simular ataques de mísseis balísticos de maior níveis de energia (os IRBM que o Irã desenvolve).

    Esta campanha realizada 2 dias atrás é o PRIMEIRO de validação do Silver Sparrow alem de testes do Arrow-III, ou seja é um tipo de ensaio mais amplo do que apenas uma demonstração de funcionamento do sistema ABM. Em 2014 estão previstos ensaios novamente do alvo e do interceptador. Os EUA também devem ser clientes do Silver Sparrow para demonstração de seus sistemas ABM de alcance intermediário sejam baseados em navios ou em terra, daí a proximidade de ambos países no teste.

    Conclusões que chego.

    Do lado de Israel, este tipo de ensaio com participação dos EUA (co financiador do programa Arrow-III) é algo planejado já a algum tempo e aconteceria com ou sem síria como variável. A ameaça Síria é baseada em mísseis Scud de menor desempenho cinético cujo sistema Arrow já esta homologado para enfrentar. Não foi um ensaio de prontidão, portanto e sim um de desenvolvimento das novas versões e capacidades do sistema.

    Do lado russo os radares Voronezh são relativamente novos (menos de 5 anos de serviço) e constituíram um grande esforço nacional tecnológico e financeiro, visando a substituição dos antigos radares de alerta anti míssil dos tempos soviéticos que ou estavam obsoletos ou em ex republicas. O programa Voronezh é um dos pilares estratégicos russos na ultima década.

    Estes radares embora não apresentem ganhos de desempenho, estão na faixa de 4500Km contra veículos de reentrada algo ligeiramente abaixo dos 5000Km – 6000Km que é o alcance descrito de radares soviéticos ainda modernos como o Daryal ou os norte americanos PAVE PAWS, os Voronezh são projetos de menor custo, tempo de implantação e facilidade de manutenção.

    Eu particularmente vejo esta noticia mais como política interna russa do que necessariamente externa, algo como “Nosso novo radar funciona bem”, “Não estamos tão fora do jogo assim no mediterrâneo”

    A questão Síria foi apenas o tempero. Embora todos os atores envolvidos possam querer capitalizar sobre o problema sírio algum dividendo político neste incidente, este teste de mísseis e a sua detecção pela russa nada tem a ver com o conflito.

  30. juarezmartinez 5 de setembro de 2013 at 7:48 #

    Caro Soyuz! A dúvida que fica é a seguinte:

    Armavir fica a 1350 Km de distância do local, será, que, realmente., ele detectaria o Sparrow, um objeto tão pequeno, mesmo este tendo um apogeu mais alto????
    O Raciocínio do Dalton me parece que tem fundamento, de que o míssil pode ter sido detectado apartir de uam estação de Radar russa no porto de Tartus ou ainda por algum navio Russo naquela região do Mediterrâneo.

    Grande abraço

  31. joseboscojr 5 de setembro de 2013 at 8:26 #

    Soyuz,
    Mas esse radar de Amavir não teria capacidade OTH podendo detectar alvos abaixo do horizonte radar?

    Juarez,
    Esse “Raciocínio do Dalton” foi meu. rrssss

  32. Jackal975 5 de setembro de 2013 at 9:11 #

    Parabéns aos amigos pelo debate em alto nível aí em cima, sem maniqueísmos e discursos ideológicos e sem ninguém espumando pela boca e xingando o outro, como temos visto muito pela internet em geral. E para aqueles que tem a militaria apenas como hobby (meu caso), é muito legal saber a opinião de quem é de dentro.
    Nunca é tarde para aprender.

  33. mdanton 5 de setembro de 2013 at 10:04 #

    Os equipamentos russos são mais “pragmáticos” (conceitos sofisticados, funcionais, simples (para eles) e mais baratos).
    Os EUA são conceitos sofisticados, qualidade e custosos.
    O PULO DO GATO é que como bons “mercadores” ou como diria Napoleão “povo balconista” são muito eficazes em VENDER seus produtos; seja esse produto diretamente de uso militar ou inserido em outras cadeias produtivas de uso civil (tecnologia militar dual). Isso que admiro nos EUA espertos e pragmáticos…não dão ponto sem nó…aliais esse disparo é bem a “cara” deles né??!!…só testando a capacidade dos “inimigos” …o problema são as dissimulações deles…putz…pensam que somos idiotas.
    Bem no caso recente da “espionagem” e as reações de nossas “otaridades” o MUNDO TODO NOS ACHAM IDIOTAS! kkkkkkkk

  34. MO 5 de setembro de 2013 at 10:13 #

    desculpe, nao esquenta com isso, nada a ver contigo, apenas um detalhe (nao eh para vc) = Ze olha a ‘Militaria” ai … kkkkkkkkkkkkk

  35. MO 5 de setembro de 2013 at 10:18 #

    Boscão algum deles foi o primeiro a ir ao AC … e retornnar ??

  36. Jackal975 5 de setembro de 2013 at 11:24 #

    MO disse:
    5 de setembro de 2013 às 10:13

    Tranquilo, entendi.

    Como “seguro morreu de velho, deduzo que deve haver algum cunho pejorativo na palavra “militaria” – o qual desconhecia, talvez por não ser da área – corrijo então, para evitar apedrejamentos:

    CORREÇÃO: onde escrevi “aqueles que tem a militaria apenas como hobby” leia-se:

    “…aqueles que tem o hobby da leitura sobre ASSUNTOS RELACIONADOS AOS EQUIPAMENTOS E À TECNOLOGIA MILITAR (meu caso)”

    Não sabia disso até hoje, obrigado pelo aviso. Abraço.

  37. MO 5 de setembro de 2013 at 11:57 #

    na verdade, como te falei isso nao tem nada a ver contigo ou com o termo (bom o termo em termos), mas é mais um sarro local de uma situação .. enfim, uma longa historia, mas nada a ver contigo

    Maaaassssssss independente, TKS melhorou e muuuito sua correçãio … rssss

    Vc eh ou foi plastimodelista ?

  38. Fabio ASC 5 de setembro de 2013 at 12:08 #

    Já li muito sobre um “acordo de cavalheiros” entre EUA e URSS que, mesmo durante a Guerra Fria, quando um deles ia testar algum tipo de míssil, ou armamento nuclear, avisa o outro, mesmo que “clandestinamente” para evitar que alguém achasse que a III GM tinha começado e lançasse um ataque retaliativo.

    Baseado nisso, acho que os EUA/Israel comunicaram a Rússia do teste, além de claro, os aliados da região, e simplesmente a Rússia divulgou, e os aliados negaram.

    Lembram quando um teste com uma “nave” russa colocou a Noruega em estado de alerta????

    Dizem que neste episódio “alguém” esqueceu de avisar ou esqueceu havia sido avisado.

    Será possível???

  39. Jackal975 5 de setembro de 2013 at 12:20 #

    MO disse:
    5 de setembro de 2013 às 11:57

    Sim sim, entendi perfeitamente, sem problema. É que como os ânimos andam meio alterados (especialmente pro meu lado) ultimamente por aqui, na dúvida entre ser uma “piada interna” ou um “aviso”, preferi me adiantar e corrigir antes. Tranquilo.
    Sobre a pergunta: fui. A idade já não permite mais, as mãos tremem rsrsrsrsrs.
    Abraço.

  40. Corsario137 5 de setembro de 2013 at 12:36 #

    Fabio,

    Ao que parece foi isso mesmo. A informação não chegou. Mas até onde eu recordava, foram os russos que foram pegos de surpresa e não os americanos. Era um foguete de pesquisa da Nasa lançado da Noruega.

    Pra quem gosta duma teoria da conspiração…

    Dizem que os EUA fizeram de propósito para saber se a então desmantelada URSS ainda estava apta a detectar e reagir em caso de um ataque. O Yeltsin, presidente na época, foi até visto com a “mala da morte”na mão. Particularmente eu não acredito que os EUA fariam este tipo de simulação.

  41. Fabio ASC 5 de setembro de 2013 at 13:18 #

    Corsario137,

    Obrigado pela correção.

    Mas vc acredita que pode ter ocorrido algo parecido neste episódio?

  42. joseboscojr 5 de setembro de 2013 at 14:16 #

    Embora ainda aguardando a resposta do Soyuz à minha pergunta eu dei uma conferida sobre os radares ABM russos instalados em Amavir e ele não é OTH e sim opera na faixa VHF tendo cerca de 5000 km de alcance para um RCS de 0,1 m2.
    Não sendo OTH ele opera no modo LOS (linha de visada), portanto, é preciso que o míssil em questão (Silver Sparrow ??) suba acima do horizonte radar do dito cujo, que de acordo com o Soyuz seria de 140 km de altitude para a distância de 1350 km.
    Só de curiosidade radares OTH servem apenas para dar o alerta de lançamento e devido à imprecisão não servem para prover nenhuma solução de tiro para um hipotético interceptador.
    Hoje o uso de satélites para a função de alerta de lançamento de mísseis basicamente aposentou o uso de radares OTH para a função de alerta anti-míssil, servindo quando muito para tapar algum furo do sistema de monitoramento espacial.
    Já esses radares VHF são extremamente precisos e se prestam para o rastreio dos mísseis e dos veículos de reentrada.

  43. joseboscojr 5 de setembro de 2013 at 15:01 #

    Bem, agora me perdi de vez e espero a participação do Soyuz (ou de outro qualquer) para elucidar a questão do radar de Amavir.
    Os radares OTH operam na frequência VHF e UHF, mas pelo que tem no site “Ausairpower” o radar de Amavir é LOS embora opere nessa faixa do espectro.
    Soyuz!? Cadê você???

  44. MO 5 de setembro de 2013 at 15:37 #

    Blz, benvindo a casa …

    ——————————-

    Em tempo uma materia antiga, mas no minimo diferente, o dia a dia embarcado e operacional em uma draga =
    http://santosshiplovers.blogspot.com.br/2011/10/ghd-mersey-m-j8b4158-bordo-em-uma.html

  45. Soyuz 5 de setembro de 2013 at 15:47 #

    Continuando o tema, para quem tem interesse.

    Detectaria sim um alvo mesmo pequeno como o Black Sparrow há 1350Km e até mais longe, se estivesse no horizonte de radar. Este tipo de equipamento possui potências absurdamente elevadas e são descritos como sendo capaz de rastrear objetos da ordem de grandeza de uma bola de futebol a milhares de quilômetros de distância.

    O RV – Reentry vehicle – é um algo relativamente pequeno, algo próximo ao tamanho de um humano adulto e feito de material não metálico (carbono-carbono reforçado) e mesmo assim é detectado (missão primária do radar), embora em algumas fases do vôo a nuvem iônica da reentrada possa aumentar o seu RCS, ele é detectado mesmo antes da reentrada.

    Estes radares são servem apenas para alerta de mísseis, seu uso é dual no caso russo, tanto o sistema Russo quanto o norte americano também procuram objetos em orbita da terra, como satélites e lixo espacial e nesta aplicação a finalidade também é dual. No caso dos EUA eles fazem isto com radares separados, mas a base tecnológica é a mesma.

    Procurar lixo espacial em orbita entre 300Km e 800Km serve para gerar alerta de possível colisão para a ISS atualmente, mas servia ao Shuttle e Mir no passado, possibilitando ações corretivas.

    Os franceses também tem um programa de radares de detecção de objetos em orbita, chama-se GRAVES, Grand Réseau Adapté à la Veille Spatiale

    A outra aplicação é mais reservada. O NORAD mantém catalogado tudo que esta em orbita da Terra (os russos também, embora não se saiba se o serviço é completo ou degradado).

    Basicamente um radar de grande porte como o PAVE PAWS, Voronezh, Daryal plota o objeto em orbita (satélite ou detrito). Como é possivel saber seu vetor velocidade e altura, calcula-se o período orbital e de tempos em tempos o objeto é “visitado” pelo radar para confirmar que ele continua naquela orbita.

    Porem o radar apenas diz que há um objeto lá, para saber que objeto é, câmaras acopladas a telescópios fotografam o objeto que é então classificado visualmente (tipo de satélite, estágio superior de foguete etc…). Quem faz este serviço optico é a Ground-based Electro-Optical Deep Space Surveillance no caso dos EUA que tem uma meia duzia de estações pelo mundo e a estação do sistema Okno que fica no Tardiquistão no caso russo, ambos sistemas fotografam satélites até 40.000Km.

    Este tipo de rede serve por exemplo para alertar sitos estratégicos sobre a passagem de satélites de reconhecimento. Então o pessoal e solo pode por exemplo guardar no hangar uma aeronave que não gostaria que fosse “vista” pelo inimigo.

    Recentemente quem tem mantido este tipo de estação de monitoramento bem ocupada são os chineses. Em 2007 ao realizarem um teste ASAT a 800Km de altitude eles encheram aquele segmento orbital de retritos e ai existem alguns problemas. A faixa de 800Km é uma espécie de “horário nobre” da astronáutica porque ali estão muitos satélites valiosos de reconhecimento e sensoriamento remoto em função de orbitas sol síncrona naquela faixa. Além de satélites valiosos naquela altitude a reentrada acontece depois de décadas, diferente dos testes ASAT dos EUA abaixo de 300Km onde a reentrada dos detritos acontece em semanas, os chineses encheram os radares de “lixo” com centenas de detritos e alguns muito pequenos, na ordem de tamanho de parafusos que escapam dos radares, ai a gritaria geral na comunidade espacial.

    Outra proeza chinesa aconteceu agora em julho, um satélites chamado SY-7, esta realizando manobras orbitais constantes, sempre se aproximando de outros satélites chineses.

    A China jura de pé junto que eles estão criando um satélite robô que se aproxima de outro satelite em orbita para realizar concertos.

    Quem entende do assunto sabe que eles estão demonstrando tecnologia de satélites matadores, ou seja, destruidores de satélite em ambiente de guerra espacial, coisa que a URSS também demonstrou nos anos 80 (programa Naryad) e os EUA mais recentemente programa Mitex, um dos maiores mistérios espaciais atuais.

    Sobre o fato dos radares Voronezh serem alem do horizonte, eles não tem esta capacidade. Todos os radares da Rússia e EUA para esta função ou estão na faixa de VHF (freqüências próximas a 230MHz) ou UHF (430Mhz ou 800Mhz). No caso do Voronezh há duas versões, uma em VHF e outra em UHF.

    A diferença é o compromisso alcance x resolução. Quando menor a freqüência maior o alcance porem menor é a resolução. Radares de UHF são o compromisso ideal neste tipo de aplicação. Sendo o Green Pine o radar que controla o Arrow-III interceptador também um radar de UHF.

    Radares OTH foram utilizados como alerta de mísseis balísticos do começo dos anos de 1970 até o final dos anos de 1980 na URSS, com o programa Duga, operando na faixa de HF até 28Mhz. Eram radares com até 6000km de alcance para detectar principalmente SLBM após o lançamento, permitindo alerta mais rápido. O SLBM por permitir ser disparado mais próximo do alvo reduz o tempo de reação.

  46. joseboscojr 5 de setembro de 2013 at 17:22 #

    Valeu Soyoz.
    Quer dizer que esse “Sparrow” subiu mais que os tais 140 km.
    Vai “simular” assim um míssil balístico. rsrsrss
    Onde cair faz estrago igual o “original”. rsssss
    Vale salientar que um míssil que tem um apogeu nesse nível precisa de um RV caso contrário se espatifa todo na reentrada.
    Não é atoa que os Sparrows (blue, black e silver) têm.

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