16.si

Segundo relatório do US Naval Institute (USNI), a Marinha do Exército de Libertação Popular da China planeja acionar submarinos balísticos da classe Jin para patrulhar ainda este ano. Os navios serão armadas com mísseis intercontinentais com alcance estimado em 14 mil quilômetros, e capazes de transportar uma ou mais ogivas.

De acordo com depoimento do oficial de inteligência naval Jesse Karotkin à US China Economic Security Review Commission, “Com um alcance de mais de 4 mil milhas náuticas, o míssil balístico (SLBM) JL-2 permitiria ao navio da classe Jin atacar o Havaí, o Alasca e possivelmente outros alvos a partir das águas do leste de Ásia”.

“Os submarinos Jin (Tipo 094) são um salto tecnológico comparados ao Tipo 092 em que a marinha do ELP vinha confiando. O novo modelo pesa 11 mil toneladas quando totalmente submerso, e a US Navy entende o emprego das embarcações como prova de que os chineses “querem mais simetria de força com as nações do Ocidente”, continua.

Ainda segundo o depoimento de Karotkin, “as três unidades da classe Jin atualmente em serviço não seriam suficientes para manter uma presença constante no mar por um longo tempo, mas se o ELP construir mais cinco unidades, como algumas fontes sugerem, a presença marítima permanente em tempos de paz pode se tornar uma opção viável”. O oficial explica no depoimento que diversos fatores forçaram a China a modernizar suas forças navais, que atualmente contam com 60 submarinos, 55 navios anfíbios médios e grandes, cerca de 77 meios de superfície e quase 100 embarcações de pequeno porte”.

“No começo do século 21, a Marinha do Exército de Libertação Popular continuava sendo basicamente uma força litorânea. Apesar de os interesses marítimos chineses estarem mudando rapidamente, a vasta maioria das plataformas navais oferecia capacidade e endurance limitados, especialmente em águas azuis. Ao longo dos últimos 15 anos, o ELP vem empreendendo um esforço ambicioso de modernização, que resultou em uma Força mais tecnologicamente avançada e flexível”, descreve o oficial, segundo o portal USNI.org.

O relatório de Karotkin diz ainda que “essa transformação é evidente não apenas na atuação chinesa contra a pirataria no Golfo de Aden, que chega agora ao sexto ano, mas também nos exercícios e operações navais regionais mais sofisticados. Em contraste com o foco restrito da década passada, a Marinha chinesa está evoluindo rumo a uma gama mais ampla de missões que incluem conflitos com Taiwan, reforço de reivindicações de áreas marítimas, proteção de interesses econômicos, bem como combate à pirataria e ajuda humanitária”.

A China também demonstrou ter atualizado suas forças militares no mês passado, segundo o Pentágono. A Marinha do ELP teria realizado testes de fogo com um veículo hipersônico de transporte de mísseis capaz de traspor com ogivas nucleares praticamente quaisquer sistemas de defesa. O equipamento é avaliado por especialistas como um divisor de águas por conta de sua capacidade de atingir alvos com armas nucleares antes que os sistemas de defesa possam reagir.

Um porta-voz do pentágono confirmou ao jornal Washington Free Beacon que o teste aconteceu, mas não deu mais informações. Atualmente, os Estados Unidos são o único país a contar com esse tipo de veículo hipersônico em seu arsenal. “Rotineiramente nós monitoramos as atividades de defesa estrangeiras, e estamos cientes da realização do teste”, declarou o porta-voz ao jornal.

FONTE: Russia Today (tradução e adaptação do Poder Naval a partir de original em inglês)

Tags: , , , , , , ,

Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná. Ganhou o Prêmio Sangue Novo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná com uma monografia sobre o PROSUB. Feliz proprietária de um SSN classe Virginia.

24 Responses to “Patrulha de SSBNs chineses coloca território americano no alcance de armas nucleares” Subscribe

  1. Mauricio Silva 7 de fevereiro de 2014 at 18:11 #

    Com um alcance de 14 mil km, um míssil desses é uma ameaça e tanto. Basta o submarino estar na água.
    Nem precisa chegar perto dos EUA. Mas quem seriam os inimigos/alvos da China?
    SDS.

  2. Mayuan 8 de fevereiro de 2014 at 1:44 #

    Não conheço a lista toda mas, de acordo com as circunstâncias, nós podemos muito bem estarmos nela.

  3. Mauricio Silva 8 de fevereiro de 2014 at 8:46 #

    Olá Mayuan.

    Você tem razão.
    Aliás, tem um filme da década de 80 chamado “War Games” onde o Rio de Janeiro era um dos alvos de mísseis intercontinentais.
    Que medo…
    SDS.

  4. daltonl 8 de fevereiro de 2014 at 10:51 #

    Os EUA e a India devem ser os “alvos” mais cobiçados já
    que o Japão não possui armas atomicas e está sob proteção do arsenal nuclear americano.

  5. Carlos Alberto Soares 8 de fevereiro de 2014 at 17:04 #

    “Mauricio Silva
    8 de fevereiro de 2014 at 8:46 #

    Olá Mayuan.

    Você tem razão.
    Aliás, tem um filme da década de 80 chamado “War Games” onde o Rio de Janeiro era um dos alvos de mísseis intercontinentais.
    Que medo…”

    Verdade, MB e sua esquadra somada ao NAe 12 preparam reação:

  6. Carlos Alberto Soares 8 de fevereiro de 2014 at 17:05 #

    E com nosso SubNuc tb …..

  7. Almeida 8 de fevereiro de 2014 at 21:42 #

    Do clubinho permanente do Conselho de Segurança da ONU apenas a China não possui a capacidade de ter um SSBN no mar em alerta o tempo todo.

    Isso só demonstra o quanto atrás eles ainda estão. Mas o gap tá diminuindo…

  8. asbueno 9 de fevereiro de 2014 at 15:13 #

    A ideia não é nada recente. Além do mais há um trecho interessante, como citar os PA para defesa da costa…

    Off Topic:

    Marinha vai comprar dois porta-aviões para os novos caças

    http://colunaesplanada.blogosfera.uol.com.br/2014/02/09/marinha-vai-comprar-dois-porta-avioes-para-os-novos-cacas/

  9. asbueno 9 de fevereiro de 2014 at 15:16 #

    Em tempo, o interessante = “interessante”, em modo irônico

  10. Mayuan 10 de fevereiro de 2014 at 0:50 #

    Dou ao seu deboche o mesmo valor que recebeu o que minha cadelinha acabou de produzir. Deve ser mal do nome isso….

    Aos que querem realmente debater a questão, não é opinião só minha que a China tem seus olhos bem abertos no que nos diz respeito. Obviamente que não na condição de inimigos posto que temos significativo comércio com eles. Commodities pra lá e quase de tudo pra cá. Eles não são burros de jogar isso fora à toa. Já com um bom motivo eles fazem qualquer coisa.

    Pra quem não sabe a China tem muitos interesses no Brasil na forma de terras agricultáveis, petróleo, ferro e algumas outras coisas. Imaginem então como seria, num caso de acirramento do quadro atual, fôssemos obrigados e negar a eles o acesso à isso.

    Óbvio também que nossas FA´s, qualquer uma delas, não tem como interpor-se ao crescente poderio militar deles, logo, inimigos não somos mas alvos podemos muito bem vir à ser.

  11. Colombelli 10 de fevereiro de 2014 at 1:32 #

    Tens razão. antes dos EUA nós somos o alvo prioritário.

    Com os EUA eles ainda demorarão décadas para ter cacife de se meter, mas conosco não. E eles tem muito interesses por aqui, aliás, tudo o que eles precisam tem aqui e quase só aqui. Se um dia não puderem ter por bem, terão a força.

    Para mim eles hoje são a maior ameça futura, e por conta disso sou a favor de armas nucleares.

  12. Rafael M. F. 10 de fevereiro de 2014 at 18:58 #

    Uma consulta rápida no Google Earth e constatei que a distância mínima do ponto mais a oeste da China para o ponto mais a leste do Brasil é de 12.000 km. Mas as bases navais chinesas estão a Oeste, o que significa mais de 18.000 km do Brasil. Fora do alcance dos mísseis dos SSBN’s chineses.

    Para ficarmos dentro do alcance deles, eles teriam que se deslocar pelo menos uns 4.000 km, e assim que saírem do Mar da China terão vários Seawolf dando uma cafungada em seus hélices.

    Portanto, sleep easy in your beds.

  13. MO 10 de fevereiro de 2014 at 18:59 #

    If Rafael o problema sera quando houver um bloqueio a 25th of March, ai sera treta …

  14. daltonl 10 de fevereiro de 2014 at 19:30 #

    Rafael…

    independente se somos ou seremos “alvo” dos chineses, aí cada um tem sua opinião, mas, quanto ao seu comentário, “… terão vários Seawolf… ” o mais correto seria vários Virginias, pois há apenas 3 Seawolves e nunca os tres estarão no mar ao mesmo tempo.

    Um dos Seawolves o USS Jimmy Carter foi alongado em cerca de30 metros durante a construção permitindo o embarque de muito equipamento utilizado para serviço de inteligencia, além de sua função de ataque, tornando o USS Jimmy Carter uma espécie de submarino espião e suas missões sendo bem menos divulgadas.

    Outro detalhe é que a força de submarinos irá diminuir
    em pelo menos 10 submarinos a menos do que o total hoje e só deverá recuperar-se, ao menos assim espera-se, na década de 2030 o que significará menos
    SSNs disponiveis para traçar os SSBNs chineses e russos…não será nada fácil :)

    abs

  15. Rafael M. F. 10 de fevereiro de 2014 at 19:54 #

    Grato pela correção, Dalton.

    Realmente me lembrei dos Virginia, mas aí já estava fora de casa…

  16. Rafael M. F. 10 de fevereiro de 2014 at 19:58 #

    Ou seja, Dalton: provavelmente teremos que dominar a tecnologia dos SSN’s e teremos que dispor de quantidade suficiente para podermos ser uma força complementar à USN contra os SSBN’s russos e chineses.

    Não temos recursos a médio prazo para isso. Nem governantes à altura… too bad…

  17. Rafael M. F. 10 de fevereiro de 2014 at 20:01 #

    MO
    10 de fevereiro de 2014 at 18:59 #

    If Rafael o problema sera quando houver um bloqueio a 25th of March, ai sera treta …

    Ou aqui na SAARA (no Centro do Rio).

  18. daltonl 10 de fevereiro de 2014 at 20:23 #

    Rafael…

    por mais boa vontade que tenha, não consigo imaginar um SSBN chines no Atlantico muito menos nós aqui enviarmos um SSN para o Pacifico…mas é apenas minha opinião.

    Dentro de 15 anos espera-se que o primeiro de 12 novos SSBNs da US Navy entre em serviço. Os russos pretendem ter 8, franceses e britanicos tentarão manter 4 cada um e os chineses talvez venham a ter 8.

    Ter 8 SSBNs significa que “apenas” uns 2 ou 3 estarão sempre no mar e muito provavelmente suas patrulhas serão uma cópia das patrulhas da US Navy…ou seja um máximo de 90 dias no mar navegando lentamente e evitando qualquer contacto com o mundo exterior.

    Provavelmente existirá um bolsão no Pacifico onde eles irão operar, mas assim como os SSBNs americanos, eles não deverão afastar-se muito de suas bases…ao menos nada de atravessar oceanos ou fazer visitas a portos de paises “amigos”.

    Sabe-se de patrulhas dos SSBNs da US Navy interrompidas para uma visita de alguns dias à Pearl Harbor por exemplo…que é um Estado dos EUA…não
    vão muito além disso.

    No passado durante a guerra fria, SSBNs da US Navy operaram a partir da Escócia, mas então o alcance dos misseis era menor a precisão também e havia dezenas de SSBNs então, muito diferente da realidade de hoje.

    abs

  19. Rafael M. F. 10 de fevereiro de 2014 at 20:27 #

    Dalton,

    Não precisa ir ao Atlântico, basta ir até às redondezas do Hawaii. Já tem alcance suficiente para atingir as principais capitais brasileiras.

    Mas é aquilo: com um Virginia cafungando na vela.

    So, i repeat: sleep easy in your beds.

  20. daltonl 10 de fevereiro de 2014 at 21:03 #

    Mas…será que os EUA ficariam de braços cruzados
    enquanto um SSBN chinês lança seus misseis ainda mais sem informar qual será o destino final dele ?

    Espero que nunca ocorra tal cenário e seria estupidez o país que iniciasse tal coisa.

  21. Rafael M. F. 10 de fevereiro de 2014 at 21:20 #

    Não, não ficariam. Para dizer a verdade, é provável que em um hipotético conflito USA-China, um SSBN chinês seria mandado para a patrulha eterna assim que saísse do Mar da China

    Na verdade outros camaradas aqui do forum que levantaram essa hipótese de um SSBN chinês ter a nós como alvo. Eu considero uma hipótese altamente improvável, pelos fatores que mencionei, mas é um exercício interessante.

  22. Mauricio R. 11 de fevereiro de 2014 at 23:34 #

    OFF TOPIC…

    …mas nem tanto!!!

    O Seahawk chinês:

    (http://snafu-solomon.blogspot.com.br/2014/02/sino-seahawk-via-chinese-military-review.html)

  23. joseboscojr 13 de fevereiro de 2014 at 18:00 #

    Senhores,
    Não creio que haja lógica nenhuma na hipótese de sermos alvos de SSBNs chineses ou de quem quer que seja.
    Basicamente os SSBNs com seus SLBMs são armas de salvaguarda, capazes de sobreviver a um ataque de surpresa de um hipotético inimigo.
    Antes, os SLBMs não tinham precisão suficiente para o primeiro ataque, que visa basicamente os silos de ICBMs e os centros de comando, geralmente incrustados em montanhas rochosas.
    Devido a não terem precisão, os SLBMs eram armas de vingança, que sobreviveriam a um primeiro ataque e arrasariam as cidades do agressor. Ou seja, eles só eram úteis para destruir alvos de área não protegidos, como cidades, onde a precisão não era necessária.
    Hoje, mísseis balísticos de alcance intercontinental lançados por submarinos (SLBMs) são tão precisos quanto seus homólogos terrestres e podem ser usados num primeiro ataque cirúrgico tentando desarmar ou pelo menos enfraquecer muito a capacidade ofensiva de um inimigo, mas de modo geral ainda são armas de vingança, típicas da doutrina MAD.
    O Brasil não tem capacidade nuclear e não precisaria ser alvo de armas nucleares, pelo menos não alvo de um ataque maciço de SLBMs.
    Se alguma potência nuclear decidir, por algum motivo que desconheço, usar armas nucleares contro nós, será um ataque limitado, não mais que uma ou duas “bombas”. Mais provável que seja por um míssil cruise (lançado de submarino ? lançado de um bombardeiro?) ou via aeronaves (bombardeiros? caças navais? caças baseados em algum país da AL?) usando bombas de queda livre ou um AGM de curto alcance.
    Duvido muito que mesmo um ICBM seja usado, salvo se houvesse um concesso da comunidade internacional que tenha formado uma coalizão “montra” contra o Brasil.
    A capacidade dos SSBNs chineses é só pra fazer o básico mesmo. Ou seja, ser uma salvaguarda contra um ataque maciço ocidental ou russo visando desarmar os chineses num ataque surpresa.
    Nada mais!
    Ainda estamos longe de sermos uma potencial ameaça global ou uma potência capaz de merecer um ou dois SSBNs novinhos em folha só pra nos liquidar.

  24. joseboscojr 13 de fevereiro de 2014 at 20:24 #

    Onde se lê “montra”, lê-se “monstra”.

Leave a Reply

You must be logged in to post a comment.

‘Au revoir’, Normandie: Egito quer FREMM, e quer pra já

FREMM - foto via Marinha Francesa

Segundo jornal francês, fragata já construída para a França e atualmente em provas de mar poderia ser adaptada para entrega […]

‘Embarque’ no NAe São Paulo e nos detalhes de sua modernização

NAe São Paulo - foto 4  Nunão 2011 - Poder Naval - Forças de Defesa

Os textos abaixo, gentilmente compartilhados por Luiz Monteiro, trazem muitas informações detalhadas sobre contrato relativo a consultoria, assessoramento e capacitação […]

DCNS vai assessorar a Marinha do Brasil na modernização do porta-aviões ‘São Paulo’

NAe São Paulo A12

Segundo o Diário Oficial da União, a DCNS irá participar da reforma do NAe São Paulo (A-12). Abaixo, o extrato […]

Reforma de R$ 1 bi em porta-aviões da Marinha pode torná-lo mais lento

NAe-São-Paulo-A12-3

TERESA PEROSA A Marinha reforma o porta-aviões São Paulo. Ao custo de pelo menos R$ 1 bilhão, pretende substituir as […]

Fase de testes avança no Prosub

Odebrecht - Prosub, fase de testes - 1

Seção de Qualificação é transportada para Prédio Principal do Estaleiro de Construção Rio de Janeiro, 25 de novembro de 2014 […]