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Ao longo da história, Sevastopol conquistou a fama de fortaleza inacessível para os inimigos. A cidade foi fundada por ordem da imperatriz russa Catarina II, a Grande, na costa sudoeste da península da Crimeia, onde havia ruínas da Grécia Antiga. A própria imperatriz escolheu o nome que significava “cidade grandiosa”  ou “sagrada”. O verdadeiro motivo para fundar uma cidade no local foi a existência de 30 baías profundas e protegidas de vento. A região tornou-se, então, a principal base russa do Mar Negro por muitos anos.

A Segunda Guerra Mundial foi a época mais difícil em toda a história da cidade. Os soldados do Exército Vermelho e os marinheiros da Frota do Mar Negro conseguiram resistir por 250 dias, mas Sevastopol acabou sendo conquistada pelos nazistas. Quando a guerra chegou ao fim, Sevastopol recebeu uma posição especial na hierarquia republicana da União Soviética.

Mas uma iniciativa tomada pelo secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, Nikita Khruschov, anexou a cidade de Sevastopol e a Crimeia ao território ucraniano, sem provocar mudanças significativas nas atividades da região. As autoridades ucranianas não foram autorizadas a interferir nos assuntos ligados ao governo local, pois, sendo considerada uma das principais bases navais da União Soviética, a cidade era supervisionada pelo Ministério da Defesa.

No início dos anos 1990, a realidade de Sevastopol e Crimeia sofreu mudanças drásticas devido à queda da União Soviética e a consequente independência da Ucrânia. Sete anos mais tarde, as autoridades russas e ucranianas assinaram o Tratado de Amizade e Cooperação, no qual a Rússia  reconhece Sevastopol como uma cidade ucraniana e fica obrigada a respeitar as fronteiras do país, enquanto a Ucrânia autoriza o uso da base naval de Sevastopol pelas forças armadas russas, assim como a permanência de sua Frota do Mar Negro na Crimeia até 2017.

DCF 1.0

Atualmente, 25 mil militares russos vivem na região, sem contar os familiares e os empregados departamentos da frota marítima não pertencentes às forças armadas. Outro acordo entre a Ucrânia e a Federação Russa, assinado em 1997, autorizam também a permanência de até 388 navios russos nas águas territoriais e região terrestre, e 161 aeronaves nos campos de pouso e decolagem nas cidades de Gvardeiski e Sevastopol.

Apesar de a quantidade de equipamentos militares russos autorizados a permanecer em território ucraniano corresponder ao poder das forças navais da Turquia, o Exército russo escolheu a transferência de apenas uma parte deles para a sua base do Mar Negro. O prazo de validade do presente contrato é de 20 anos, com prorrogação automática a cada cinco anos em caso de ausência de notificação escrita por uma das partes com, no mínimo, um ano de antecedência.

Se não fosse o bastante, um segundo contrato, assinado em 2010, prolongou a permanência da Frota do Mar Negro em Sevastopol até 2042, em troca de 98 milhões de dólares ao ano e um desconto de 100 dólares em cima de cada tonelada do gás natural russo exportada à Ucrânia.

A falta de um centro naval próprio nas proximidades do Mar Negro, assim como as baixas profundidades e ausência de infraestrutura no porto da cidade de Novorossisk, obrigam as autoridades russas a arcar com o aluguel milionário da base ucraniana. Além disso, a frota do Mar Negro possui um objetivo estratégico de proteger a região sul da Rússia, prevenindo o surgimento de porta-aviões dos potenciais inimigos naquelas águas.

FONTE: Gazeta Russa

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Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná. Ganhou o Prêmio Sangue Novo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná com uma monografia sobre o PROSUB. Feliz proprietária de um SSN classe Virginia.

17 Responses to “Sevastopol, o porto seguro do Exército russo” Subscribe

  1. MO 7 de março de 2014 at 14:02 #

    na primeira foto, o em 1o plano (1539) é um Natya, correto ?

  2. CVN76 7 de março de 2014 at 15:50 #

    MO

    Sem 100% de certeza e com preguiça de pesquisar, eu diria que não é um caça-minas……..

    Creio que o 1539 seja um recuperador de torpedos, o TL-1539.

  3. MO 7 de março de 2014 at 16:05 #

    Franzm, mas eh a cara do Natya, so estranhei o indicativo, sera que desaprendi anto assim :-), tbm com uma pregrissa imensa !!!

  4. CVN76 7 de março de 2014 at 16:09 #

    E os 2 atrás do 1539?? Esses sim parecem que são caça-minas…….são maiores e aparentemente bem mais velhos que o 1539…..

  5. Mauricio Silva 7 de março de 2014 at 16:48 #

    Olá.

    MO, acho que os Natya são os dois navios em segundo plano, atrás do 1539.
    SDS.

  6. MO 7 de março de 2014 at 16:54 #

    Sei não pra mim eh um Natya olha o armamento, os RBU´s ao lado do 30 mm e a superestrutura ….. os Natyas eram grandinhos

  7. Carlos Alberto Soares 7 de março de 2014 at 17:17 #

    Catarina, a Grande ?

    Tá explicado.

  8. Mauricio Silva 7 de março de 2014 at 17:27 #

    Olá MO.

    Eu tomei por base esta foto:

    http://en.wikipedia.org/wiki/File:IvanGolubets2005Sevastopol.jpg

    Repare no entalhe para encaixe da âncora, na superestrutura e no armamento de 30 mm.

    São bem parecidos, não?

    SDS.

  9. daltonl 7 de março de 2014 at 18:56 #

    O Franz está correto…o 1539 é um recuperador de torpedos e os 2 navios atrás aí sim são 2 Natyas.

  10. MO 7 de março de 2014 at 20:32 #

    Srs, agora lendo o que o Mauricio escreveu e vendo atentamente eu entendi a confusão que a minha parca visão causou, explico :

    Não estava vendo 3 navios e sim dois, agora que vi que o 1539 eh bem menor que o Natya atras dele, mas até então não tinha visto a proa do 1o, jurava que era o Natya (lembram que estranhei o indicativo), agora e so agora (2030 h LT) vi que são 3 navios ao invés de 2 … ninha visão infelzlismente e me assustou com esta foto esta muito pior que imaginei

    minha sinceras desculpas, mas nao encherguei o 1o, pra mim o 1o era o 2o ….

  11. MO 7 de março de 2014 at 20:35 #

    Obrigado Mauricio, mas juro que nao tinha visto o recuperador de torpedos, com seu comment olhei atentamente e com seuas detalhes mencionados consegui ver a proa do 1539

    Muito obrigado pelas elucidações, e sorry Franz and Dalto

  12. Mauricio Silva 7 de março de 2014 at 21:45 #

    Olá MO.

    Quer saber o que me ajudou a perceber os três navios? É que tem uma pequena embarcação entre o primeiro e os outros dois.
    Mas você tem razão. Dá para confundir mesmo.
    SDS.

  13. MO 7 de março de 2014 at 22:26 #

    como falei Mauricio, se não fosse seu comment ia ficar insistindo no Natya que era o 2o, mas jurava de peh junto que era o 1o e olha que forcei a vista pra ver, mas claro com suas dicas ficaram facil …

  14. GUPPY 7 de março de 2014 at 23:40 #

    Eu só vi três navios quando voltei a olhar a fotografia por causa dos comentários. Viu, MO, a minha visão também não tá tão acurada.

  15. Rogério 8 de março de 2014 at 1:53 #

    MO, da uma olhada aqui, varios posters:

    http://www.militaryphotos.net/forums/showthread.php?99988-Russian-Photos-(updated-on-regular-basis)/page3700

  16. MO 8 de março de 2014 at 8:38 #

    Obrigado Rogerio, tem até um Sverdlov … como eu acho bonito as ropuchas e tem um monte delas !! spaciba !!!

  17. MO 8 de março de 2014 at 9:28 #

    Em tempo Vídeo do NPA gurupá (P 46)

    http://santosshiplovers.blogspot.com.br/2014/03/npa-gurupa-p-46-pwge-video-demandando-o.html

    Brazilian Navy Patrol Vessel Gurupá (P 46) inbound santos – Video

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