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Argentina escolhe a China como parceira para seus OPV

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Vinheta ExclusivoO Ministério da Defesa argentino escolheu a indústria naval da China como sua parceira no programa de construção de navios-patrulha oceânicos (OPV, na sigla em inglês) para a Flota de Mar – como a Esquadra platina é chamada.

O acordo entre as partes fará parte do amplo documento sobre cooperação militar nos campos industrial e científico-tecnológico que será assinado na semana que vem, em Pequim, durante a visita oficial de dois dias (3 e 4) que a presidente Cristina Kirchner fará à China – uma retribuição à rápida passagem do presidente chinês Xi Jinping por Buenos Aires, em julho do ano passado.

Os almirantes argentinos fixaram em cinco o número de patrulheiros de alto-mar que sua frota necessita, mas o contrato a ser assinado prevê, inicialmente, apenas três unidades. A negociação em torno desses navios acontece há mais de um ano, e intensificou-se depois que o governo de Buenos Aires deixou de lado a opção alemã, que contemplava a construção, em seu país, de quatro unidades OPV-80 Fassmer, já adotada pelas Armadas do Chile e da Colômbia.

A contratação da classe alemã estava tão certa que, até hoje, o site da Fassmer GmbH & Co. KG (www.fassmer.de) inclui a Armada Argentina como usuária do navio, ao lado das Marinhas do Chile e da Colômbia…

A 7 de janeiro último, na matéria “Armada argentina tentará, pela 3ª vez, obter os seus navios-patrulha oceânicos”, o Poder Naval adiantou aos internautas que a alternativa representada pelo navio patrulha tipo P-18N chinês, de 1.700 toneladas, ganhara “força, nos últimos meses”, entre as autoridades de Buenos Aires.

Na sexta-feira passada (23.01), uma reunião do ministro da Defesa argentino, Agustín Rossi, com a chefe do Departamento de Comércio Militar do governo chinês, Zhang Chunli, realizada na capital bonaerense, sacramentou as parcerias a serem consagradas nessa nova etapa das relações bilaterais sino-argentinas.

Confusão – O comunicado oficial sobre a reunião, emitido pelo Ministério da Defesa argentino, criou confusão ao listar, na pauta do encontro, a “modernização de OPV”. Como a Marinha argentina nunca chegou a possuir um OPV, ficava impossível imaginar a reforma de algo que não existia…

A explicação só veio esta semana, quando funcionários da Pasta da Defesa esclareceram que haviam tentado interessar os chineses numa modificação do projeto OPV-80, cujo detalhamento técnico o governo argentino adquiriu ao estaleiro chileno Asmar, ainda em 2012, por 3 milhões de dólares. Os asiáticos, porém, rejeitaram a ideia, por considerarem os planos de fabricação do modelo alemão incompatíveis com a sua metodologia de produção.

Os argentinos se deixaram seduzir pela ideia de obter os patrulheiros P-18N, depois que representantes do estaleiro Wuchan, da cidade chinesa de Wuhan, apresentaram dois argumentos relevantes em favor dos seus barcos, recentemente fornecidos à Marinha da Nigéria.

A primeira dessas alegações versou sobre uma oferta de condições de financiamento embutida no atual panorama geral de trocas comerciais entre Pequim e Buenos Aires, onde os débitos assumidos pelos argentinos serão, em parte, quitados por meio de fornecimentos de commodities.

P18N

Furtividade – O segundo trunfo jogado pelos asiáticos à mesa de negociação foi de caráter estratégico-militar: a chance de a Armada Argentina obter o seu primeiro navio de combate stealth – ou seja, com características efetivas de furtividade –, e, dessa forma, escalar um degrau tecnológico.

De acordo com as explicações de construtores e de militares chineses, graças às técnicas construtivas e ao material usado na fabricação do navio, a assinatura radar de um P-18N aparecerá nas telas de um eventual inimigo como a de uma embarcação de 500 toneladas, e não de um navio de 1.700 toneladas. As dimensões reais da embarcação só poderão ser detectadas quando o navio estiver a pequena distância.

Outro fator decisivo na escolha feita pelos argentinos foi, claro, o preço.

Apesar desse item ainda não estar fechado – em função dos equipamentos que irão a bordo dos navios argentinos –, os chineses acenam com um preço unitário por seus patrulheiros bem abaixo dos 70 milhões de dólares que cada OPV-80 custaria.

Ano passado eles entregaram dois P-18N aos nigerianos – acompanhados de um helicóptero Z-9 (cópia chinesa do Dauphin navalisado) e sobressalentes – por 48,5 milhões de dólares cada um. E o governo de Lagos ainda pagará a maior parte do valor da encomenda com petróleo.

Flexibilidade – O modelo P-18N é uma variante da corveta rápida porta-mísseis Tipo 056 chinesa, um navio muito leve (1.300 toneladas) cuja velocidade (mantida em segredo) pode ser estimada em torno dos 30 nós.

O P-18N a ser fornecido aos argentinos será, possivelmente, diferente do navio entregue à Marinha nigeriana, da mesma forma que o barco nigeriano era diferente do modelo P-18N de apenas 1.450 toneladas que, em 2005, constituiu a classe Pattani, da Marinha da Tailândia.

Para os argentinos, o lado desfavorável dessa negociação é que os chineses resistem a habilitar o estaleiro Tandanor na construção do modelo P-18N. Por enquanto, é certo que ao menos os dois primeiros navios dessa classe serão construídos em Wuhan.

Ao Poder Naval, o representante de uma indústria naval europeia avaliou que os chineses tendem a construir navios militares muito grandes e que exigem tripulações numerosas, o que, possivelmente, reflete sua baixa automação e grande disponibilidade de pessoal. Ele lembrou, por exemplo, que a Guarda-Costeira da China acaba de incorporar um navio de controle de área de 10.000 toneladas…

O P-18N mede 95,5 m de comprimento, contra 80,6 m do OPV-80 alemão. O modelo chinês requer 70 tripulantes, enquanto o OPV-80 pode ser manobrado com até 30 oficiais e subalternos.

Outro dado relevante na aquisição do barco chinês diz respeito à flexibilidade do fabricante em relação ao armamento. Na Marinha chinesa o P-18N é equipado com um canhão HPJ26, de 76mm, e dois modernos HPJ14, de 30mm, controlados por sensor eletro-óptico. Mas isso pode ser mudado.

O “Pattani” tailandês foi dotado de armamento ocidental: um canhão Oto Melara 76/62 Super Rapid, dois canhões de 20mm da Denel sul-africana e duas metralhadoras pesadas US Ordnance M2HB calibre .50.

41 COMMENTS

  1. alguém saberia informar se, aqui no Brasil ha alguma empresa que fabrique canhões, metralhadora “pesadas”, ou seja, algum armamento para embarcações ??
    ou tudo eh importado ??

  2. É realmente a China é o único caminho que Argentina tem.

    A Argentina ta demorando de mais a fechar contratos com a China e romper de vez com o mundo Anglo-Saxão.

    Em breve teremos uma base naval chinesa na America do Sul.

  3. As burradas cometidas pela beiçola do Prata vão custando cada vez mais caro para a Argentina. Fazer negócio com os chineses é a pior coisa que existe ois o preço ao final é muito alto. Quanto à uma eventual Base Naval chinesa por aqui, vamos ver se a diplomacia dos atabaques do “Brasil Putênfia” vai latir e rosnar da mesma forma que fez com as tais bases que seriam usadas pelos EUA na Colômbia.

  4. Pois é!

    Mas também parece que não deixaram nenhuma saída para “los hermanos”.

    Praticamente “empurraram” “los hermanos” para “los chinos”.

    Como a beiçola do Parta (gostei deste beiçola do Prata) e a bruxa de laque (também gostei deste) são amiguinhas e com o Mercosul, poderia ter havido entendimentos entre elas para construção dos tais “patrulheiros” por aqui mesmo.

  5. A trajetória econômica argentina ao longo do século XX é descrita como “a opção pela pobreza”.

    De igual modo, a trajetória política deles, no mesmo período, pode ser chamada de “a opção pela burrice”.

    Do inferno, Perón deve estar orgulhoso de seu legado.

  6. Caro Eparro,

    Entendimento até poderia ocorrer entre as presidentes.

    O que falta mesmo é tutu, bufunfa, dindim.

    O Brasil não consegue dinheiro nem para projetar (de verdade, não apenas fazer uma maquete) e construir seus próprios patrulheiros, como é que ele iria construir e financiar os patrulheiros para a Argentina, que está numa pindaíba pior que a nossa?

    Fora a parte que um patrulheiro tupiniquim tem tudo para ser mais caro e, acreditem, “pior” construído do que um chinês (qualidade, prazo de entrega, etc). É só comparar ao mercado civil para se chegar a essas conclusões.

    A verdade é que no mercado naval, os países europeus oferecem tecnologia de ponta e qualidade de construção a um preço alto.

    A China oferece uma cópia dos navios europeus, com tecnologia e qualidade inferiores, porém, a um preço bem mais baixo.

    O Brasil, quando muito, oferece uma cópia autorizada de um navio europeu defasado, com tecnologia defasada, com qualidade inferior e a um preço alto.

    Isso explica porque os dois primeiros vendem muito mais navios do que a gente.

    Pangloss, perfeito comentário. Eu iria fazer um paralelo com o Brasil, mas a discussão iria descambar para a político-partidária, rsrs.

  7. Sinceramente? Acho que demoraram em escolher a opção chinesa, a própria MB optou em mandar construir o novo navio de pesquisa hidro-oceanográfico por lá. Na falta de dinheiro, projeto e capacidade técnica e de estrutura, faz-se aquilo que se pode fazer.

    Até mais!!! 😉

  8. rafael oliveira 27 de janeiro de 2015 at 10:24 #

    Pois é meu caro Rafael, mas eu acredito que dinheiro há! Em duas penadas do novo Min. da Fazenda já se materializaram R$60bi (aliás, não concordo com esta forma)!

    Creio que, havendo uma administração séria o dinheiro aparece e vai ser muuiiito, é só fazerem certas coisas e as coisas certas.

    E aí será só uma questão de querer gastar com umas coisas e não querer gastar com outras. E “los Hermanos” sempre poderão pagar com “bife ancho” e outros quetais.

    Já a qualidade dos equipamentos, sempre fico em dúvida sobre o que é melhor: uma moderníssima unidade que ninguém conhece nada e que vai demandar um aprendizado custoso e pior um contrato de manutenção, muitas vezes escorchante (como já mencionado aqui na trilogia em várias ocasiões). Ou alguma coisa mais “simples” cujo preço talvez não seja o barato que justifique mas que tenha uma equação de pagamento “favorável”.

    Ainda pensando em termos de Mercosul, se fosse mesmo para valer, acredito que a melhor solução seria uma negociação Brasil-Argentina. Entretanto na situação em que estamos nós e eles, parece que a melhor saída é esta dos chineses mesmo e “vamo que vamo”.

  9. Caro Eparro,

    Se pensarmos dessa forma, dinheiro tem sim e não é pouco. Minha resposta foi conforme a conjuntura atual, em que o orçamento da defesa não permite esse tipo de investimento.

    O problema é aparecer uma administração séria no Brasil.

    Sobre a Argentina, infelizmente nem bifes eles andam produzindo em quantidade significativa para exportar. A economia mal dá conta do mercado interno, graças à dona Cristina.

    Bom eu sou a favor do melhor custo-benefício. Às vezes, isso implica em comprar algo muito bom e muito caro. Às vezes, em algo meia-boca e mais em conta. No caso dos NaPaOcs daria para privilegiar algo mais em conta.

    Deixa a Argentina que compre os navios chineses. Vamos nos preocupar com nós mesmos,que já temos bastante problemas para serem resolvidos.

    Se for para entrarmos em algum programa com outro país, que seja com um mais sério do que nós rsrs.

  10. Perfeito a China,

    simplesmente ocupando o espaço na periferia do ocidente…

    …acolhendo os “primos pobres” dos ocidentais e pavimentando o terreno para sua influência…

    quando o ocidente menos esperar estará sobre cerco.

    O que o Brasil e a canalhada que está ai nunca entendeu é que nós somos os “latifundiários do conisul” e eles nunca gostaram da gente, principalmente a Argentina. Nós sempre nos comportamos aki como a Inglaterra se comporta na Europa: uma Ilha.

    Nossa relação com Buenos Aires sempre foi de competição, assim como é a de Paris com Berlim, a diferença é que lá existe competência para alguma coisa.

    China Way, coming soon.

    Grande Abraço.

  11. Só para completar,

    lembrando um antigo provérbio dos tempos do FX-2:

    – Não existe amizade entre nações, o que existe são interesses.

    Mas nós Brasileiros temos que encarar uma verdade acachapante:

    Nosso caminho no mundo não precisa ser solitário. Mas o nosso caminho para estarmos de pé diante do mundo terá que ser por definição: Solitário.

    Somos Fracos, Incapacitados e Desorganizados, e é por isso que sempre que nos atiramos ao mar tomamos vários caldos e ficamos sempre a mercê da maré, sempre a espera de um “Bom Samaritano”. Não adianta querermos ter esse discurso infantil de Paladinos do Mundo, Esse cargo já está ocupado pelos Gringos e quem está se preparando de forma coerente para questiona-lo é a China. E estão fazendo muito bem.

    E como disse um colega aki certa vez:
    – Se vc’s acham que as Garras da Águia são incômodas, é porque nunca experimentaram as Mandíbulas do Dragão.

    Já disse e repito: O Mundo Ocidental quer e Precisa de um Brasil Forte… mas isso só depende do Brasil.

    Ps.: Eles sabem disso. Acreditem.

  12. rafael oliveira 27 de janeiro de 2015 at 15:28 #

    Oganza 27 de janeiro de 2015 at 15:33 #

    Oganza 27 de janeiro de 2015 at 15:50 #

    Legal!

    É sempre bom conhecer as opiniões das pessoas; pode-se refletir e, às vezes, começar a enxergar as coisas sob novos ângulos.

    Saudações.

  13. Oganza meu caro se pudesse eu alertaria sua mão em congratulação pelo comentário esplêndido!!!

    SDS.Edward the observer.

  14. Sem entrar no mérito da qualidade e prazo, político e partidário, o fato é que dois OPVs chineses tem um preço declarado igual a um EC-725.
    Pergunta-se: a MB preferiria 30 OPVs chineses ou 15 helis terrestres? OU talvez, mais uns dois ou tres OPVs ingleses?
    O ocidente prefere que o Brasil tenha mais navios ingleses ou muito mais navios chineses? Compramos o projeto ingles para guardar no arquivo morto?

  15. Bem

    As comodities argentinas serviram pra isso. Então podem servir para os aviões também.

    Já pensou se começa assim e depois descamba pra um Lianoling? Com uns J-15 no convés de brinde? Isso pode custar um bom terreno no litoral para uma base chinesa avançada, coisa que os argentinos ainda têm.

    Imagine a coisa crescendo em outros prismas, nas outras forças… Uma região de livre comércio entre China e argentina…

    Só observando, mas estava no time que tinha cantado essa bola. Só tinha dúvida se as comodities chegavam para pagar armamento desse naipe. Agora a gente sabe que chega.

  16. Excelentes perguntas, Rommelqe.

    Ivany, você está superestimando e muito as commodities argentinas. E, pior, presumindo que o dinheiro advindo da venda delas vá todo ou em grande parte para o Governo Argentino.

    E duvido que a Argentina ceda parte de seu território para os chineses montarem uma base militar. Deve haver ainda um pouco de decência e orgulho no povo argentino.

  17. AlexJ,

    Apesar de, em tese, a base não ser propriamente militar (ou ao menos por enquanto), pelo jeito as coisas na Argentina estão muito piores do que eu imaginava.

    Obrigado.

  18. Só se for um “pulo” para uma base naval no Pacífico, e não no Atlântico…

    A província argentina de Neuquen faz fronteira com o Chile.

    (Brincadeirinha)

  19. Amigos, tenhamos em mente que esta aquisição da Argentina é até normal, se não fosse da China, seria de outro país, menos do Brasil, por que? Simples, primeiro porque não temos projeto próprio, muito menos estaleiros abios para essa encomenda, nem pra nós estamos fazendo algo, então o que eu estou vendo é só mimimi.

    Se a Argentina está comprando da China estes navios, além do fato de não termos um para oferecer, é que há praticamente uma troca de um produto manufatura por commodities (acho que já vi isso no passado por essas bandas, rsrsrs). É mais um passo da aproximação chinesa com a argentina e de outros países da AS (inclusive nós), ou seja, troca de manufaturados por commodities, simples assim. Já acontecia isso em relação a outros países europeus, os EUA, dentre outros.

    O que eu vejo por ai é muito mimimi, seja na imprensa querendo endemoniar os chineses por estarem se aproximando da AL, seja porque teríamos “deixado os chineses adentrarem no nosso quintal”, mas amainam a situação quando outros países (nomeadamente EUA e UE, fazem a mesma coisa.

    A pouco tempo atrás reclamavam dos investimentos do governo brasileiro nos países ditos bolivarianos (Argentina, Venezuela, Bolívia, Equador, Guatemala e Cuba), mas ai quando há um vazio de espaço e outros países de fora da região vêm ocupar (fora EUA e UE). Nem se tocam que o que podemos oferecer em trocas comerciais de produtos manufaturados, já estamos fazendo dentro daquilo que cada parque industrial tem a oferecer, fora disso é só exportação de commodities. E para nós nos tornarmos importadores de commodities, ainda temos que comer muito feijão com arroz transformando ainda mais nosso parque industrial, focando-o a exportação e não ao mercado interno (que é a base histórica da nossa industrialização e ainda estamos querendo fazer isso).

    Há uma posição hipócrita apenas por questões ideológicas, querem um exemplo? Foi só Cuba restabelecer diálogo com os EUA, que os mesmos que outrora bradavam aos quatro ventos de que teria sido um absurdo o financiamento do Porto de Mariel, agora simplesmente esqueceram das críticas e quase aplaudem o atual GF pela iniciativa.

    Esta relação com a Argentina tem que ser uma relação de confiança, uma via de mão dupla neste comércio de equipamentos militares e não, simplesmente, virar as costas e depois reclamar porque eles encontraram seu caminho próprio. Se quisermos vender a eles, temos que comprar deles também. Exemplos de equipamentos existem vários que mesmo assim simplesmente ignoramos:

    O INVAP produz bons radares 3D, mas preferimos comprar de estadunidenses, franceses e agora britânicos, poderíamos fomentar parcerias com a BRADAR e MECTRON para fomentar produtos próprios, mas não, preferimos “absorver tecnologia” ultrapassada;

    Começamos a desenvolver o Gaucho em conjunto, mas preferimos gastar mais dinheiro em paralelo e desenvolver o Chivunk para não comprar nenhum, nem outro;

    Reclamam porque a China quer montar uma fábrica de blindados por lá, sendo que queremos vender-los o Guarani, mas a tempos o EA desenvolveu o ótimo CC médio (o TAM), aliás, uma família de carros, mesmo assim nosso EB prefere importar da Alemanha uma alternativa pra lá de defasada que, num futuro próximo, por não possuirmos produção de peças e componentes, além de falta de escala, será um pesadelos logístico;

    Daqui a pouco precisaremos substituir o Tucano e já precisamos de um treinador a reação para completar o treinamento no Super Tucano. Ao invés de fortalecermos mais ainda uma parceria com os argentinos, melhorando o intercambio entre as nossas indústrias e forças armadas, algumas cabeças militares querem seguir outro caminho que não o UNASUR I e o Pampa III, mas queremos vender-los o EMB-145 AEW&C/RS, o KC-390 e, quem sabe, o Gripen E/F.

    Afora outros armamentos que poderiam está num outro estágio de desenvolvimento como mísseis, bombas guiadas, etc…..

    Independente de quem esteja no poder por lá, não são eternos, eles passaram, precisamos e necessitamos uma maior aproximação, somos tão importantes a eles, quanto eles a nós, então temos que virar a página e aprendermos a desenvolver muitos equipamentos em conjunto, com mais ou menos participação neste ou naquele produto/equipamento e vice-versa. Isso gera escala de produção, redução de custo, desenvolvimento tecnológico regional, maior relação de confiança, etc….. Mas preferimos, invariavelmente, levar a disputa futebolística e outras áreas que em nada ajudam aos dois países, por isto que tanto a Argentina, quanto o Brasil, continuarão a ser importadores de produtos manufaturas de alta tecnologia. É a história se repetindo por miopia e ignorância.

    Até mais!!! 😉

  20. Rafael

    Eu era o mais desconfiado sobre o valor das comodities (principalmente com a produção caindo vertiginosamente) pra comprar equipamento caro. Porque OPV é coisa de gente grande (pra nigéria saiu a pouco menos de 24 milhões a unidade com um Z-9 incluso em cada). A conta era além da comoditie em si, justamente porque os produtores precisariam de sua fatia.

    O que parece que está acontecendo (tomando por base os links que o AlexJ colocou) parece que o governo está agenciando as matérias primas negociando a um preço mais baixo com os produtores (que ficam sem saída, porque é isso ou perder a produção) e tomando o seu quinhão normal (imposto) mais um lucro bacana.

    Quanto à base (que eu já tinha cantado a bola antes, que mesmo com o “supervalor” das comodities, ainda faltaria grana), pode olhar os mesmos links que o AlexJ teve a gentileza de postar.

    Se deu pra comprar 3 OPV’s com um contrato determinado, a extensão desse contrato dá pra fornecer um bocado de “brinquedo”. Bote na conta uns JF-17’s (bem mais baratos, custam 10 milhões segundo a Jane’s), uns J-31 (40 milhões segundo também a Jane’s), carro de combate Norinco (que já houve paquera), e heli’s diversos.

    A argentina também tem recursos naturais vitais para um país do tamanho da China (um pouco de petróleo, agua e mais terrenos para o agronegócio). Enfim, foi um pequeno passo para a bancarrota populista argentina, mas, um grande passo para o dragão.

  21. pobre Argentina – reduzida a comprar da China.

    De OPV o projeto da China nao tem nada – OPV nao é uma Fragata desarmada e nem uma Corveta , OPV é um navio especializado para uma função especifica.

    O projeto ainda por cima é de uma tonelagem bem maior do que o normal, problema tipico dos navios Chineses, que sao mais pesados devido a falta de experiencia de projetar navios modernos, de fora OK de dentro …

    O Amazonas da MB é um OPV.

    Os Chineses estão vendendo um projeto que só vai dar dor de cabeça aos Argentinos.

    É triste ver a que eles estao reduzidos, eles que planejavam ja nos anos 80 fabricar SSK e corvetas.

  22. Oganza 27 de janeiro de 2015 at 22:53 #

    Ivan 27 de janeiro de 2015 at 22:38 #

    Então, mas para deixar de trocar produtos não industrializados ou semi-industrializados por produtos com valor agregado e com alta tecnologia e deixarmos de ser colônia como devemos proceder?

    Penso que não vai ser ficar comprando produtos no “estado da arte” como este navio chinês?

    Aí temos as famigeradas ToT (mais ou menos como os planos do NPaOc Amazonas) que, se não funcionam devido aos donos do conhecimento não repassarem o conhecimento necessário, não funcionam porque não temos material humano capaz de assimilá-lo.

    E aí, como fazer?

    Com reserva de mercado parece-me não funcionou adequadamente.

    Comprando os tais produtos no “estado da arte” e fazendo a tal da engenharia reversa?

    Com uma política de governo para o desenvolvimento (não política de partido) de incentivo à pesquisa, desenvolvimento e inovação, desde os bancos das universidades até a criação e apoio de indústrias de ponta, seja pelo governo ou pela iniciativa privada?

  23. Bom para Los Hermanos….

    Nós íamos oferecer o que ??

    Construir onde ??

    Financiar com o dinheiro que não existe do BNDES ??

    Além do mais, nos BRICS só servimos cafezinho…. e tiramos o pó !

    A A. Latrina não queria se livrar do julgo dos EUA ??? Pois então …. melhor cair do colo das formigas e dos ursos…

    Sds.

  24. Mesmo quando temos algo para oferecer.. como o Guarani 6×6… já é tarde.

    Los Hermanos não querem um 6×6… e sim um 8×8… que os formigas tem de sobra….

    Sds.

  25. Pois então Baschera, a muito eu venho questionando isto lá no FBM, ou seja, focamos num blindado que tem perdido espaço no mercado, hoje todos (ou boa parte deles) estão optando por blindados 8×8 ainda mais capazese e pesados, talves por isso aeronaves como o AN-70 e A400, dentre outros projetos, estão ganhando força. Mas isto é assunto pra outro espaço.

    Até mais!!! 😉

  26. Uma coisa é certa, quem gosta desta desorganização latino americano são os de fora da região, que mais e mais ganham mercado cativo sem muito esforço.

  27. Srs

    A “surpresa” frente aos acordos da Argentina com a China é tão estranha quanto a mostrada por alguns quanto ao acordo Namíbia-China (base naval), pois a China vem claramente sinalizando suas intenções de expansão e maior presença na África e América do Sul e está seguindo criteriosamente o planejado.
    Quanto à Argentina, ela apenas reproduz em sua ação a visão política dos governos da América do Sul em geral, Brasil incluso, em se satisfazer com o papel de fornecedor da comodities e orgulhosamente, a caminho, em passo batido, para o retorno a posição “confortável” de colônia.
    Quanto a nossa incapacidade em se associar com a Argentina no desenvolvimento de equipamentos militares, a explicação é simples: tanto lá como cá o desejo que permeia o meio militar e político é o de comprar de fora, visto que é noção geral que produtos importados são melhores (e também rendem, pelo menos algumas viagenzinhas para o exterior, quiçá algum dimdim por baixo dos panos).
    Quanto a famigerada TOT e panacéias afins, isto é mais uma forma de disfarçar custos estranhos embutidos aos processos de aquisição, visto que tecnologia não se compra, se desenvolve; o como fazer não se guarda em depósitos, mas sim, é desenvolvido em pessoas.
    Aliás, em um país que já foi capaz de construir fragatas e corvetas, comprar projeto de navios de patrulha é um acinte, pois navio de patrulha não é o supra-sumo da tecnologia bélica naval. Gastar dinheiro para comprar projeto de tal tipo de navio é um exemplo de pobreza mental e fé na própria incompetência (ou de sem-vergonhice mesmo).

    Sds

  28. eparro,

    a casa tem que ser arrumada…

    …a Iniciativa Privada tem que dar o Grito de Independência diante do Estado e essa mesma Iniciativa Privada tem que aprender o caminho das Universidades e aprender a contrata-las, aprender a conversar com elas.

    Nós temos que aprender a ter vergonha de ter um “amigo” corrupto ou de trabalhar em uma empresa corrupta e principalmente, entender que a solução mais fácil não é a solução, que desenvolvimento real só vem com 90% de transpiração e apenas 10% de Inspiração.

    Nós e nossos pequenos negócios temos que nos aliar, formar grupos de pequenos negócios para dizer “não” às coisas que não nos interessa, pois Países não são feitos de “Campeões Nacionais”. São feitos pelos campões de bairros… pelas oficinas, padarias, livrarias, mercadinhos, pequenas propriedades rurais, etc… essas pessoas e seus negócios são responsáveis por 90% dos empregos e por 75% das riquesas geradas da maioria dos Países

    Temos que romper com esse ciclo vicioso de parasitismo mútuo que temos com o Estado e de fato fazer o estado trabalhar para nós e não ficar botando a culpa nesse ou naquele Governo…

    … é a Sociedade que impinge as ações do Estado e cobra dele a manutenção para os ambientes necessários ao desenvolvimento e não delega a ele a função de decidir quais são as necessidades da sociedade.

    Sinceramente meu caro não existe uma resposta simples para isso… na verdade essa tal resposta simples existe, mas ela soa tão simplória que eu não me arrisco a menciona-la pura e simplesmente, pois ela não será resolvida por uma Política de Estado implementada seja lá por quem for. Prefiro encara-la como uma das variáveis da equação.

    Só que para cada problema temos uma equação e a única coisa em comum que todas as equações que os problemas brasileiros possuem é a tal variável simplória: vontade

    … mas não é a falta ou a presença de vontade… são os dois e isso é de Norte a Sul no Brasil.

    – É a falta de vontade quando esmorecemos frente aos problemas e dificuldades mais banais…

    – É a presença de vontade quando tentamos dar um “jeitinho” no problema “agradando” alguém ou mesmo varrendo-o para debaixo do tapete…

    … e seguem bilhões de outras situações.

    A questão da vontade afeta nossa percepção do certo e errado, nossa capacidade de organização, de formar grupos, de encarar a realidade, etc… e de certa maneira e de uma forma impressionante ela não transforma o Brasileiro em um mau caráter, na verdade ela nos deixa com um caráter preguiçoso onde ele “funciona” de acordo com a conveniência da situação.

    No fim, temos que “solucionar” o foco… a aplicação de nossa vontade.

    Grande Abraço.

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