Crise derruba verbas e cronograma do projeto AF-1B; 2ª aeronave só em...

Crise derruba verbas e cronograma do projeto AF-1B; 2ª aeronave só em 2016…

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AF-1M

Roberto Lopes

Editor de Opinião da Revista Forças de Defesa

As restrições orçamentárias que se abateram sobre a Marinha do Brasil também estão causando impacto negativo no programa de modernização de 12 caças AF-1 (ex-A-4KU e TA-4KU) da Força Aeronaval, que serão modificados por um pool de empresas liderado pela Embraer Defesa & Segurança, para o padrão AF-1B.

A primeira aeronave remodelada, de numeral 1001, foi entregue à Marinha nesta terça-feira (26.05) – com um ano de atraso em relação ao previsto em 2013 pela própria corporação –, durante cerimônia que contou com a presença do almirante-de-esquadra Eduardo Leal Ferreira, comandante da Força, e do presidente da Embraer Defesa, Jackson Schneider. Mas o segundo avião a ser modernizado não ficará pronto antes do primeiro (ou do segundo) semestre de 2016.

Isso não é, necessariamente, ruim, já que o próprio programa de modernização precisa ser reavaliado, e ter os seus conceitos confirmados (ou ratificados).

E isso só será obtido com o AF-1B 1001 em voo, por meio da validação das várias alterações introduzidas na aviônica do jato, que recebeu sistemas de navegação, RWR (Receptor de Alerta Radar na sigla em inglês), gerador de energia, computadores, comunicação tática e um radar multimodo Elta 2032, de procedência israelense (leia o texto O novo radar dos AF-1, publicado pelo Poder Naval em 29 de abril de 2011).

E, sobretudo, ainda é preciso fazer com que todos os novos equipamentos instalados no cockpit do AF-1B “conversem” entre si. Uma das principais dificuldades é estabelecer a compatibilidade do radar Elta, de controle de tiro, com os demais sensores da aeronave (como o RWR).

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Novo cockpit do AF-1 modernizado

Limitações – Os novos equipamentos permitirão aos pilotos de caça da Marinha se familiarizar com recursos técnicos (sensores e tecnologias) muito mais avançados que os instalados no A-4KU durante as décadas de 1970 e 1980. A partir de agora, os aviadores brasileiros poderão detectar e engajar possíveis ameaças aéreas e de superfície em consideravelmente distâncias maiores do que faziam (ou fazem atualmente).

Contudo, a grande crítica ao programa de modernização repousa no fato de que, por uma estrita falta de recursos da Marinha, ele não inclui os equipamentos que permitiriam a integração à aeronave de mísseis BVR (Beyond Visual Range) ou mesmo de vetores ar-superfície.

Com o modelo AF-1B da maneira que está, a Força Aeronaval terá, portanto, uma aeronave somente capacitada a disparar mísseis para o chamado dogfight – combate aéreo a curta distância.

De forma resumida pode-se dizer que faltam aos AF-1 equipamentos como os pods de designação/reconhecimento de alvos tipo LANTIRN (Low Altitude Navigation and Targeting Infrared for Night) e LITENING III, de 206 kg e projeto americano-israelense.

Também estão ausentes no AF-1B sistemas de guiagem de bombas como LIZARD (LaserGuided Bomb Adapter) ou o Rafael SPICE (Israel).

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Células de AF-1 separadas para o programa de modernização nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto (SP)

Ou seja, os caças da Marinha vão detectar o possível alvo, mas não poderão combate-lo além do alcance visual, e nem na superfície do mar…

Para que não haja dúvidas: no que se refere ao combate (função principal de qualquer equipamento militar), apesar da festejada modernização conduzida pela Embraer e da notável ampliação de sua acuracidade (precisão de informações), o avião fará exatamente o mesmo que já fazia antes de ser modernizado…

Os aviadores navais poderão empregar seu aparelho para treinar a aproximação e o ataque a um barco na superfície, por exemplo, mas não irão dispor das tecnologias que lhes permitiriam conferir o resultado dos seus procedimentos. E isso nada tem a ver com a competência técnica da Embraer ou de suas associadas no projeto, mas, tão somente, com a falta de fundos na Força Naval.

Estudo – A partir de 2010 a Marinha começou a preparar laudos técnicos sobre o estado de conservação de 20 dos 23 caças recebidos, no final da década de 1990, da Força Aérea do Kuwait. O objetivo era selecionar o primeiro lote de aviões que seria submetido ao programa de modernização contratado à Embraer Defesa e Segurança.

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A-4KU em uma base do Golfo Pérsico

Em 2013, o então comandante da Marinha, almirante Moura Neto, encomendou um estudo de viabilidade para a modernização de outras células de Skyhawk.

A conclusão foi de que havia oito, ainda, merecedoras de atualização. Mas antevendo as limitações financeiras de sua corporação – e a necessidade de recursos para os programas de renovação e modernização das unidades de asas rotativas da Força Aeronaval –, Moura Neto achou mais prudente, de início, tentar viabilizar o serviço em apenas uma dúzia dessas aeronaves.

Hoje, essa postura cautelosa não mudou. Mergulhada em uma dramática escassez de verbas, a Marinha não mandará novas células de AF-1 ao programa de modernização.

63 COMMENTS

  1. A prudência do Almirante Moura Neto ao selecionar “apenas” 12 aeronaves para modernização foi providencial
    algo que mesmo a duras penas é factível.

    É o mínimo do mínimo e levando em conta que os 3 bipostos não serão embarcados no NAeSP algo como entre 6 e 8 monopostos poderão ser embarcados.

    Capacidade semelhante de defesa de frota que os australianos tiveram nos anos 70 quando normalmente embarcavam 8 A-4s no HMAS Melbourne embora pudessem embarcar alguns poucos mais se necessário pois dispunham de um número de células um pouco maior.

  2. Com o devido respeito às opiniões publicadas, mas as ilustrações feitas, conquanto evidentemente de cunho cronológico, não podem estar dissociadas da evolução técnica/operacional/estratégica do que se debate…

    Nas décadas de 70 e 80 “A” ou “B” teriam a mesma capacidade embarcada… 40 anos depois sequer isso temos, apenas a intenção de se, quando, talvez, ter, sabe-se lá quando !

    E o upgrade realizado, como destaca o post, sequer vai se realizar num patamar mínimo aceitável…

    O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus e a MB ou já não existem ou não andam muito boas…

  3. Resumo da ópera: Continuamos jogando dinheiro fora.

    Por qual motivo continuamos, ainda que a passos de tartaruga, com um programa que não nos levará a lugar nenhum, até porque o NAe em que deveriam operar, não está e tudo indica que nunca estará disponível ?

    Poderíamos vendê-los aos argentinos ? Certamente lá haveria alguma utilidade para eles.

  4. Realmente, torrar uma fortuna pra modernizar uma sucata velha, com cerca de 50 anos de serviço, que nem sair pro mar mais consegue, pra operar aeronaves com mais ou menos o mesmo tempo de serviço, ambos total e completamente obsoletos, só mesmo nas cabeças doentes de gente muito sem noção…

  5. Sob essa lógica, poderíamos trazer de volta craques como Gerson, Pelé, Rivelino, Clodoaldo, Tostão, etc, pra compor nossa Seleção…Basta dar um Vitasay pra eles…rsrsrsrsrsrsrsrsrss

  6. Armamentos e pods podem ser integrados futuramente se a MB assim desejar e possuir os recursos. A modernização executada permite que sejam integrados posteriormente. O radar é compatível com mísseis BVR.

  7. Marcelo, por mais que seja modernizado, o Skyhawk é uma plataforma OBSOLETA, um projeto de mais de 50 anos, total e completamente incompatível com doutrinas operacionais e equipamentos modernos…

  8. a.cancado,

    então avise para a USAF desativar os B-52, pois é um projeto de mais de 50 anos, total e completamente incompatível com doutrinas operacionais e equipamentos modernos…

    Abraços!

  9. Boa noite.

    “Armamentos e pods podem ser integrados futuramente se a MB assim desejar e possuir os recursos. A modernização executada permite que sejam integrados posteriormente. O radar é compatível com mísseis BVR”.

    Estas considerações do forista Marcelo estão corretas.
    Esperemos que a MB priorize tais investimentos no futuro, o que permitirá o aperfeiçoamento do adestramento dos seus pilotos.

  10. Poggio…

    minha alusão aos A-4Gs australianos veio do fato deles serem capacitados a lançar o “sidewinder” ou seja eles
    eram usados na função “defesa de frota” algo similar ao que se espera dos A-4Ks adquiridos pela marinha
    enquanto os A-4Qs argentinos não dispunham de tal capacidade.

    Claro que não dá para desafiar a IV Frota dos EUA nem a esquadra chinesa que será baseada na costa africana nem franceses e britânicos que irão nos cercar a partir das Falklands e da Guiana Francesa,mas, pode ser um começo 🙂

  11. Os AF-1B até poderão incorporar futuramente novas capacidades, mas o nosso problema de verba é agora !

    Daqui a 10, 15 anos, a modernização feita agora já deverá estar defasada e é bem provável que não tenhamos um NAe operacional para receber esses caçaas. Nesse meio tempo, é mais provável que o Gripem navalizado seja uma aposta mais racional do que continuar investindo nesse projeto que já deu o que podia dar.

    Vale lembrar que para o A-12 operar plenamente, ainda faltam outros projetos, como por exemplo os “Traker”, os escoltas, um apoio logístico, etc. Ou seja: Para o Opalão voltar à ativa, precisamos de muita verba que não temos.
    Repito que não sou contra o Brasil operar um NAe, mas precisamos ser realistas. Agora não dá e nem tão cedo dará.

  12. ernani…

    o problema é que o “gripen navalizado” ainda não é uma realidade e está fora de alcance no momento.

    A modernização de 12 A-4s é o que se pode fazer no momento na esperança de que atuem como uma “ponte”
    para o Gripen M, algo que necessitará um aporte financeiro considerável.

    Claro que sempre há possibilidade de tudo virar fumaça
    mas, entre comprar fragatas de segunda mão ou duas inteiramente novas por exemplo que não irão mudar muita coisa, se for possível paralelamente investir na aviação de asa fixa embarcada visando a década de 2030 o binômio A 12 e A 4 pode ser o caminho.

  13. Eu não sou piloto e posso estar completamente equivocado, mas pra que um caça bombardeiro subsônico (avião de ataque subsônico) precisa ter mísseis ar-ar BVR?
    O combate BVR implica em se posicionar de forma favorável ao lançamento de mísseis e agir primeiro, inclusive usando a velocidade para maximizar o alcance do “petardo”.
    Vamos esquecer isso de Derby pra esse A-4, que non ecziste.
    O AV-8B+ é uma exceção muito particular.
    Já quanto a não ser capaz de lançar a bomba Lizard, é uma lástima.

  14. Não gastem $$$ para modernizar o AF1, só deixem eles em condição de voo com treinadores e compre os F-18 C/D do Kuwait como caça tampão até poderem encomendar os Sea Gripens

    Não sei bem mas acho que isso merecia uma matéria e não esse rabisco que estou fazendo aqui.

    http://www.arabianaerospace.aero/kuwait-enhances-fighter-force.html

    http://www.scramble.nl/orbats/kuwait/airforce

    http://www.globalsecurity.org/military/world/gulf/kuwait-af.htm

    http://www.defenseindustrydaily.com/f18-hornets-keeping-em-flying-02816/

    http://wiki.scramble.nl/index.php/Boeing_F/A-18_Hornet

  15. Srs

    Ao avaliar a necessidade ou não do AF1 ou do NAe SP é necessário se considerar:

    1. Qual a necessidade de meios que a MB precisará daqui a dez anos ou mais. Sempre é bom lembrar que a missão da MB é a defesa do Brasil e de seus interesses no mar e para tanto ela precisa estar preparada para enfrentar todas as possíveis ameaças, ou seja, precisa dispor da capacidade de combater com razoável capacidade de sucesso qualquer marinha de um outro país que possa entrar em conflito com o Brasil.
    Como tanto a obtenção de meios como a preparação de pessoal demandam tempo, os planejadores da MB precisam antever as possíveis ameaças que o Brasil pode sofrer não no presente, mas nos próximos anos.
    Assim, os planejadores da MB, como is de outras marinhas do mundo avaliam os possíveis cenários de conflitos e os mais prováveis inimigos e tentam dotar a marinha com os recursos necessários para cumprir seu papel, se ele se fizer necessário.
    No século 19 e início do século 20, pelo histórico de conflitos, o inimigo potencial era a Argentina e a MB balizava seus planos na capacidade de superar a marinha argentina. Na guerra fria, a MB passou a definir o seu papel como uma das forças da coalizão do ocidente ficando com a tarefa de fornecer meios de escolta e de combate a submarinos, papel que já havia assumido na IIGM. Daí as fragatas ASW e o MG e seus Trackers.
    Hoje, o cenário é outro, a Argentina encolheu, a URSS e a Cortina de Ferro desapareceram. Mais, o xadrez geopolítico tem novos jogadores.
    Como o Brasil passou a adotar uma política de afastamento do Tio Sam, abandonando, portanto o seu guarda chuva, a MB precisou pensar numa capacidade maior para suas forças, daí as duas frotas, o Subnuc, etc.
    Esta é a realidade presente que vem norteando o planejamento da MB para os próximos anos e décadas. Um cenário onde, com a entrada de novas potências em expansão, há novas ameaças e riscos a serem considerados (vide a expansão dos interesses chineses na África e na América do Sul e seus planos de novas bases navais).
    2. Os NAes ainda representam a arma naval mais flexível que uma marinha pode dispor pela sua capacidade de assumir tantos missões defensivas como ofensivas. Mesmo nesta era de mísseis, os aviões ainda são a melhor ferramenta de defesa aérea e ataque. Tanto isto é verdade que as marinhas dos países que tem alguma pretensão de poder naval mantém ou estão adquirindo NAes.
    3. Uma força aeronaval não se constitui em pouco tempo, pois, além de obter os meios (navios e aviões), é necessário preparar pessoal e obter e desenvolver os conhecimentos específicos. Isto demanda anos, não dias ou meses. Isto explica, em parte, o esforço da MB em manter alguma capacidade aeronaval com os AF1 e o empenho em tornar o A12 operacional, apesar do custo.

    Apesar de coerente no seu planejamento macro, infelizmente, a MB sofre uma série de problemas para executá-lo:
    • Não dispõe de recursos suficientes para cumprir os planos;
    • Demora demais para por em execução os planos e demora demais para executá-los;
    • Sofre dispersão de esforços, pois além de marinha de guerra assume outros papéis. E, por uma visão concentradora, não faz nenhum esforço para transferir a parte de suas atribuições que não se referem a sua missão principal;
    • É usada como ferramenta política o que a faz assumir papéis que corroem o pouco dinheiro disponível e dispersam esforços;
    • Sofre de um mal tradicional das organizações, o corporativismo, onde não consegue repensar sua estrutura para enxugar quadros e reduzir seu custo mais elevado: pessoal; liberando espaço no orçamento para os investimentos necessários;
    • Sofre do mal nacional da falta de preocupação em manter seus meios em condições operacionais. Entre gastar dinheiro na compra de um novo e manter um antigo, a opção, em geral é pela compra do novo;
    • Sofre do mal nacional da paixão pelo novo: entre comprar um novo e manter um antigo, a opção primeira é comprar o novo, independente de isto custar muito mais caro;
    • Sofre as conseqüências de ser brasileira, pertencer a um país cuja população não consegue pensar no futuro, vive apenas para o presente, cuidando de seu conforto imediato.

    Ou seja, apesar de ter uma visão macro bastante coerente com as tendências geopolíticas hoje sinalizadas pela ação das grandes potências, a MB, apesar de estabelecer planos consistentes com esta visão, não consegue transformar tais planos e ações em resultados efetivos devido as tradicionais mazelas que a MB compartilha com a maioria dos brasileiros.
    O caso do A12 é emblemático: os planos originais para melhorá-lo não foram feitos a tempo e seu estado piorou; os aviões que deviam ter sido comprados e/ou modernizados não o foram no prazo necessário; vai o tempo e seguem a elaboração de planos e mais planos, estudos e mais estudos, grupos de trabalho e mais grupos de trabalho e nada ou muito pouco é executado.
    A A12 e os AF1 são necessários sim (como os Gripen N e mais e novas escoltas), se o Brasil quiser ter alguma marinha de guerra com algum poder dissuasório daqui a 15 anos. Mas, para tanto, a MB tem que pensar melhor nas suas prioridades e agir com mais presteza; senão, continuarão a ser apenas um sorvedouro de dinheiro.

    Infelizmente, há grande probabilidade de, em futuro próximo, os brasileiros acabarem pagando um preço alto por esta incapacidade de agir com presteza e responsabilidade da MB; aliás, de todas as instituições do Estado Brasileiro.

    Sds

  16. Caro Control,

    Talvez eu apenas esteja servindo de exemplo para o seu diagnóstico, mas por que você faz essa crítica: “• Sofre do mal nacional da paixão pelo novo: entre comprar um novo e manter um antigo, a opção primeira é comprar o novo, independente de isto custar muito mais caro;”?

    Claro que existem casos em que o “antigo” ainda dá para o gasto, mas não acho que seja o caso da maioria dos navios da MB.

    Na verdade, acho que a MB sofre exatamente do contrário: uma dificuldade imensa de descomissionar navios antigos e que não cumprem a missão. Por mais que um navio antigo sofra a manutenção adequada (o que, por sinal, não ocorre na MB) a chance dele apresentar problemas é maior que um novo, construído com novas tecnologias, cujas peças não sofreram por anos de fadiga e etc.

    Vejo a MB muito mais focada em quantidade do que qualidade e, pior, em manter alguns meios simplesmente por “status” – mesmo que salte aos olhos que o status é apenas aparente, como de alguém que tem uma Mercedes anos 80, que vive dando problema e não chega nem aos pés de uma Mercedes pós-2010, mas para a pessoa o importante é ter uma Mercedes. Seria mais vantajoso ter um carro de marca inferior e muitos anos mais novo, que ele seria mais confortável, daria menos problemas mecânicos, seria mais seguro e etc que Mercedes antiga.

    Claro que a MB poderia ter reformado, no tempo certo, alguns navios mais novos, como as Inhaúmas, mas acho que 45 anos seria uma idade limite bastante razoável para os navios. Então, investir dinheiro no Ceará ou, principalmente, no NAE SP, para mim é um descalabro.

    Que fiquemos sem NAE e ponto final.

  17. Ô Marcelo, os B-52, na versão H, são tão importantes às doutrinas da USAF hoje, quanto quando foram concebidos. Além de serem de uma versão mais moderna e atual de um projeto realmente antigo, têm sido sempre modernizados, com aviônicos e equipamentos atualizados, além da constante integração de armamentos modernos, o que faz com que continuem sendo, apesar de, repito, serem um projeto realmente antigo, parte indispensável e fundamental da primeira linha de ataque daquela força.
    Peça VOCÊ à USAF que os desative. Vamos ver a resposta que eles te dão…

  18. Aliás, aproveite o ensejo, e pergunte à US NAVY por quê seus Skyhawks foram desativados no final da década de 1970, vai…Pergunta por quê eles não foram modernizados…Eu, hein??!…rsrsrsrsrss

  19. Eu apoio e acho louvável a MB insistir em tentar manter o São Paulo e os A-4, o problema da falta de verba não está relacionado a estes vetores, muito menos de que sem estes vetores, o dinheiro fosse direcionado a outros equipamentos, quem sabe como funciona a elaboração de orçamento público sabe do que estou falando, ou seja, não ter o A-12 e os A-4 não garantiria a mesma verba para outros fins, já com eles o dinheiro estará garantido. Outra coisa certa é que se a MB desistir de um NAe e sua ala aérea, nunca mais ela terá de volta.

    Já é sabido de todos aqui que o problema não está na falta de verba, mas na falta de prioridade com o que se quer fazer com o orçamento de custeio, mas principalmente na insistência em se manter dentro do orçamento das FFAA o custeio de pessoal inativo e pensionistas, não que isto vá liberar imediatamente bilhões de reais a disposição, pois é uma obrigação que precisa ser honrada, mas se retirassem essa despesa do orçamento e remanejassem ao INSS, isto por si só clariaria ao poder público que não gastamos nem de perto com Defesa o que se diz, ou seja, dos 1,5% do PIB que se diz que gastamos com às FFAA, apenas 1% (talvez menos) é que realmente é gasto com o pessoal da ativa, investimentos e custeio. Enquanto nossos comandantes não criarem coragem e resolverem mudar este quadro, nunca adiantará esperar que o poder público coloque mais verba para termos FFAA bem equipadas e adestradas, se acreditam nisso, ai sim eu digo que os senhores acreditam em contos de fada.

    De novo, o foco das reclamações está errado, estão culpando a janela por causa da paisagem feia.

    Até mais!!! 😉

  20. A verba para a modernização do A-12 pode sim ser remanejada para outros fins, dentro da rubrica OCC do orçamento da MB. Essa rubrica é dividida em “projetos”. Cada projeto é submetido ao MD e, posteriormente, ao MPOG com a respectiva solicitação de recursos. Uma vez aprovado o orçamento e o montante para OCC, a alocação de recursos para cada projeto, dentro do montante total recebido, é ato discricionário do ordenador de despesas, no caso o CM. O que não pode é alocar a um projeto mais do que foi solicitado, sem autorização do MPOG. Mas, a nossa realidade, é receber menos para todos os projetos. Qual o percentual de redução para cada projeto é o CM aquém define. Estou falando tecnicamente, implicações políticas a parte.
    Quanto ao pessoal, retirar os militares da reserva do orçamento de cada Força pode ter outras implicações legais. Militar vai para a reserva e não se aposenta. Permanece ligado à Força inclusive em termos de obrigações disciplinares, por exemplo. O que diriam os juristas sobre ser cobrado por alguém que não lhe paga? Dá muito pano-pra-manga… Quem quiser que discuta isso. Eu tô fora!

  21. Sim Lynx, dá pra fazer muita coisa, suplementar, remanejar, etc e tal, mas tudo restrito a um único ano fiscal, no próximo, sem a obrigação específica, o orçamento pode ser cortado pelo planejamento. Estou falando de real, no dia a dia, tentando convencer o Planejamento de que aquilo disponível ainda é necessário, só que agora para outro vetor. Exemplos é o que não falta de navios que a MB descomissionou para manter outros e nunca mais viu a cor do dinheiro.

    No mais, quanto às questões legais no remamejamento orçamentário do pessoal inativo, se não for uma cláusula pétrea, mas tão somente uma lei comum, não haveria grandes impecilios legais para não se modificar. Não estaria se mexendo em direitos. Todo mundo sabe porque os oficiais generais não querem que isto mude e não é por nenhuma questão legal se estão ligados ou não às FFAA.

    Até mais!!! 😉

  22. De novo eu vou discordar de você. É claro que tem que ser restrito a um mesmo ano fiscal. O próximo nem proposto foi ainda. Quem te falou que a MB perdeu dinheiro porque des comissionou navios? Se fosse assim, o encouraçado Minas Gerais ainda estaria atracado no AMRJ, para que a sua verba não fosse perdida! O projeto para manutenção dos meios nem sequer é separado navio por navio. Tem o nome de PROGEM e é repartido por Distritos e pela Esquadra. E ali dentro está incluso a manutenção das aeronaves, no mesmo saco que a dos navios. Quando a fragata Bosísio der baixa em julho, nada vai mudar no PROGEM, pois a Bosísio nunca teve dotação orçamentária específica. Nem haverá redução nos recursos de OCC para 2016 por conta disso, pois o MPOG trabalha com histórico das OCC como um todo e não fazendo contas de um navio a mais ou a menos.
    Empecilhos legais eu deixo aos juristas. O “todo mundo” não me inclui, pois vejo várias razões para um lado e para o o outro.

  23. a.cancado 29 de maio de 2015 at 10:34 #

    OK. Usando suas próprias palavras:

    “…além de serem de uma versão mais moderna e atual de um projeto realmente antigo,…”

    assim como o A-4KU, na verdade um A-4M, são versões mais modernas do A-4, e as últimas a serem produzidas.

    “…têm sido sempre modernizados, com aviônicos e equipamentos atualizados,…”

    oras, mas foi exatamente isso que foi feito com o AF-1B/C…

    quanto à integração de armamentos, repito, a modernização executada permite isso, só não foi feito por falta de solicitação/recursos, mas pode ser feito se assim a MB desejar…

    na verdade só queria dizer que aviões de projetos realmente antigos ainda podem ser úteis, e vejo que você concorda com isso.

    Abraços

  24. a.cancado 29 de maio de 2015 at 10:39 #

    mas os A-4 de Israel, da Nova Zelândia, de Singapura e da Argentina foram e prestaram bons serviços…isso é fato. A MB não solicitou nada de novo ou absurdo.

  25. Hahahaha, Bosco perfeito!! Bvr em subsônico não dá…

    A manutenção desse binômio A-4/A-12 está afundando a MB. Nesse ritmo De gestão aloprada, daqui uns 10 anos teremos a 6a força naval da Am do Sul…….e nego com medo da marinha chinesa ou 4a frota…..temo é a marinha peruana, chilena, venezuelana, etc

  26. Srs

    Prezado Rafael

    Em nossa cultura administrativa, especialmente, do setor público, há muitos exemplos da escolha preferencial pelo novo, a maioria das vezes casada com deterioração do antigo pelo abandono total às boas práticas de conservação e manutenção.
    Diferente de outros países como os EUA, onde os equipamentos, enquanto úteis, são mantidos (vide B52 e T38), no Brasil os equipamentos raramente passam por modernizações e são substituídos com um tempo bem menor de uso.
    Para ficar na MB, podemos citar a classe Inhauma e até o caso Tupi/Scorpene.
    É claro que os navios, como qualquer outro equipamento, precisam ser substituídos. Porém, como o seu custo é elevado e a evolução que importa é a dos armamentos e dos sistemas eletrônicos, sua substituição precisa acontecer após bons anos de uso com uma série de modernizações ao longo de período (como faz o Tio Sam).
    Como citado por muitos, a maior dificuldade da MB é dispor do dinheiro para manter os navios em condições operacionais adequadas, ou seja, é a ausência de uma adequada manutenção por problemas de caixa.
    Observe-se que isto acontece há um bom tempo e, neste ínterim tivemos o contrato bilionário do Prosub (é certo que o Subnuc é um sonho antigo, porém, o contrato com os franceses só traz um casco vazio, pois o reator e o sistema de propulsão tem que ser desenvolvidos pelo Brasil e os 4 subs não eram tão necessários assim) e a compra de oportunidade dos Amazonas (apesar de necessários, não poderiam ser prioritários frente a necessidade de se manter operacionais os poucos navios de combate que a MB dispõe).
    Mas a questão fundamental é que a MB deve ter o poderio para fazer frente aos mais prováveis inimigos que o país eventualmente precise enfrentar nos próximos anos. E os meios, sejam novos ou usados devem estar disponíveis e plenamente operacionais quando o país precisar.
    Se, para bem cumprir sua missão, a MB precisa ter um ou mais NAes e o A12 for a única opção disponível, ele precisará ser posto em condições operacionais e equipado com armas e meios aéreos adequados, escoltas precisam ser obtidas sejam novas ou usadas, e tripulações precisam ser treinadas. E tudo isto exige tempo, até mais que dinheiro.
    Não é uma questão de ter mais ou menos navios novos ou usados ou ter NAes ou não. É ter os navios adequados e operacionais na quantidade e dos tipos realmente necessários para representar, para um provável oponente, uma oposição respeitável o suficiente que o faça desistir de qualquer ataque ao país.

    Sds

  27. e com relação ao pessoal? os cronogramas serão revistos também ou continuaremos recrutando gente com vistas à segunda esquadra e a outras demandas do PAEMB que parecem ainda mais improváveis?

  28. A diferença, Marcelo, é que os Skyhawks foram desativados, e os B-52, não. Os B-52 têm uma função específica, praticamente insubstituíveis até o momento.
    Sinto muito, mas os Skyhawks, até por sua limitação conceitual, são, como eu disse, plataformas obsoletas, por mais que sejam modernizados. E desculpe, mas só um louco faria isso.
    No meu mundo, eles só teriam lugar como aeronaves do tipo ‘agressor’, ou ‘adversário’, nos moldes da US Navy, que inclusive já os substituiu por F-16 e F/A-18. E olhe lá!
    Abraços.

  29. E deixo a todos um lembrete, antes de deixar esse debate inútil e estéril: falamos do A-4, não do F-4, ou seja, de uma avão projetado há mais de 50 anos, limitadíssimo, até por uma questão de conceito e de design, já desativado em praticamente todas as forças nas quais operou, e projetado como AERONAVE DE ATAQUE, que não é, nunca foi, nunca pretendeu ser, e jamais será, de forma alguma, não importando o que quer que se incorpore nela, uma aeronave de caça. Simples.

  30. Boa tarde.
    Pois é, Farragut, essa questão que vc coloca é muito importante.
    A explicação que me deram é que os planos de contratação estão sendo revistos sim, mas alguns, relativos a funções de alta tecnologia, que exigem qualificação mais demorada (para o sub “Álvaro Alberto”, por exemplo), precisarão ser mantidos.
    O problema é como pagar toda essa gente, alimentá-la, acomodá-la em salas de aula para os cursos que precisam realizar, ou até enviá-las ao exterior.

    Haja plata…

  31. Não acho esta discursão inútil. É exatamente discutindo, no bom sentido, que pontos de vista diferentes levam a formação de massa crítica, evoluímos os nossos conceitos, popularizamos um tema tão importante para todas as nações sérias.
    Voltando ao tema, se é para mantermos a doutrina enquanto não podemos adquirir meios efetivos, que se modernize o mínimo de células possível e ainda assim fica a questão: vão operar onde ?

    A refirma do A-12 ou a aquisição de um novo NAe, deve estar sincronizado com a entrada em serviço do Sea Gripen ou com a aquisição de um tampão plenamente capaz de enfrentar as ameaças que irão enfrentar na época. Além é claro, de todos os demais meios que comporão a FT.

  32. Volto a afirmar, o problema não é tão somente falta de dinheiro, mas a priorização dele. Exemplo simples, além das questões sobre o orçamento dos inativos, é a questão da quantidade de pessoal em cada força para cuidar de questões meramente administrativas, como RH, saúde, habitacional, etc… O São Paulo e sua ala aérea não é inútil para a defesa da nação, inútil no meu entender é queremos manter uma a vinculação de uma estrutura administrativa, treinamento, aquisição, de pessoal e pensionista, na base do cada um por si, como era feito a mais de meio século atrás, quando potências econômicas e militares maiores que nós, resolvem diminuir seu peso orçamentário para liberar espaço para área operacional. Será que isto não incomoda a ninguém aqui além de mim?!?!

    O São Paulo e as aeronaves planejadas para operarem, se bem modernizados e manutenidos, são mais do que suficientes para o que a MB quer fazer no momento (treinamento e firmação de doutrina), além do TO no qual a MB deve utilizá-los, bem como das pretensões que temos enquanto nação (concordando ou não, a maioria da sociedade brasileira entende que temos condições de termos destaque em questões de geopolítica regional e no Atlântico Sul).

    De novo, vocês estão culpando a janela por conta da paisagem feia. Com São Paulo, ou sem, se não resolvermos estas questões supracitadas, continuaremos a ter um debate estéril.

    Até mais!!! 😉

  33. Agradeço a atenção do sr. Roberto Lopes a meu comentário e “copio e colo”, sem julgamento, alguns trechos de parecer do TCU que entendi relevantes para o debate:
    “… Não verificamos no Prosub, nem no Projeto H-XBR, medidas formais para mitigar o risco de desvio de pessoal militar qualificado dentro das próprias forças ou perda destes profissionais para outras entidades governamentais ou para o setor privado.
    … Os grandes interesses nacionais não justificam a atitude adotada. Não procede a afirmação de que os valores empregados no Prosub são irrisórios diante dos benefícios que o alcance de seus objetivos trará para a defesa e proteção dos recursos naturais do país. Só seria um argumento plausível se os recursos públicos fossem ilimitados, o que não condiz com a realidade. A otimização do emprego dos recursos públicos é imperiosa para todo e qualquer gestor, uma vez que recursos despendidos sem o retorno em um montante no mínimo equivalente ao esforço de toda a sociedade para obtê-lo, tem os mesmos resultados negativos que os desvios de finalidade e as malversações, entre eles estão necessidades sociais prementes, tais como saúde, segurança e educação, insatisfeitas pela péssima qualidade dos serviços públicos prestados.
    Deste modo, entendo que a decisão política de aproveitar imediatamente a oportunidade de cooperação tecnológica Brasil-França, sem que se tivesse uma noção clara da capacidade de absorção tecnológica da Base Industrial de Defesa, um planejamento prévio de metas a serem alcançadas e uma análise rigorosa dos termos propostos pela outra parte, não respeitou as lições da História.”

  34. O A-4 apesar de todas as suas limitações é a única aeronave de asa fixa a jato com bom custo-benefício capaz de operar do NAeSP.

    A modernização dos A-4Ks visa principalmente diminuir o
    “gap” tecnológico de um A-4K original de um possível sei lá, se Deus permitir, Gripen “M” como vem sendo chamado um
    possível Gripen naval.

    Quanto aos “Aggressors” citados pelo a cancado só como curiosidade ainda estão ativos o F-5N em 2 esquadrões da US Navy e um esquadrão do USMC.

  35. Como não existe NAe só podemos divagar acerca dos A-4 operando de bases em terra, que se bom senso fosse uma característica das autoridades brasileiras, os colocavam pra operarem a partir delas, fosse pela FAB, pela MB ou pelo raio que os parta.
    E mais, tivessem bom senso pelo menos mandavam integrá-lo a um míssil anti-navio para que fosse usado de forma minimamente racional, não tendo a FAB ou a MB que contratar instrutores japonêses ou argentinos, para adestrarem nossos pilotos em técnicas kamikases.
    Um boa opção de arma antinavio stand/off seria a bomba irmã da Lizard, a Opher, israelense, fire and forget e com trancamento após o lançamento (LOAL), que pode ser usada contra navios.
    Ou seja, basta que o A-4 seja operado de bases em terra (política), esteja integrado a misseis de curto alcance (Python IV ou V, Piranha 2 ou A-Darter) e à família de bombas Lizard/Opher israelense que ele já poderia prestar bons serviços à dissuasão nacional e melhor, dentro de nossa realidade pindaibística imediata.
    Mesmo nesse pinga pinga ridículo de um caça entregue por ano.

  36. Bosco, pegando um gancho nas suas “dicas” de armamentos para o AF-1B, o Penguin seria uma ótima opção.

    A MB já têm “experiência” com a versão lançada de helicópteros (Penguin Mk 2 Mod 7). Como o Penguin 3 (criado para aeronaves de asas fixas) possui os mesmos sensores e é compatível com pequeno porte do A-4, além de ter um custo reduzido (a MB comprou oito mísseis Penguin Mk 2 Mod 7 e equipamentos associados por 15,7 milhões de Euros) acredito que seria excelente.

  37. Lyw,
    Mas acho a integração de uma arma nova num velho avião americano reformado por israelenses algo improvável nesses tempos de crise econômica (e moral, e política, e ética, e cultural, e tecnológica, etc.)
    A Lizard/Opher e o Python já devem ser compatíveis, que de bobo os israelenses não têm nada. rrsss
    Mais fácil que o Penguin talvez seja introduzir um quinto tipo de míssil antinavio nas forças armadas brasileiras, que seria o Maverick F. Há grandes possibilidades dele ser compatível com nossos A-4.

  38. “…mas os A-4 de Israel, da Nova Zelândia, de Singapura e da Argentina foram e prestaram bons serviços…”

    Os A-4 de Israel foram substituídos a pelo menos 30 anos, por uns 150 F-16.
    Até na função de treinamento avançado, nada perto de treinamento de combate aéreo dissimilar, já deixaram de operar.
    Os da Nova Zelândia além de desativados a décadas, passaram outros tantos anos, literalmente ensacados, aguardando quem os comprasse.
    Os de Cingapura tb já foram embora, substituídos pelos F-15SG, suas fuselagens cheias de rachaduras devido a troca de turbina.
    Sobraram os da Argentina que junto c/ o Brasil, são os 2 únicos operadores restantes desta aeronave.

    “…é a única aeronave de asa fixa a jato com bom custo-benefício capaz de operar do NAeSP.”

    Substitutos do A-4 na US Navy/USMC:

    A-4 -> A-7 -> F/A-18; A-4 -> AV-8 -> AV-8B

    Uma aeronave que nem peça de reposição usada tem, o que existe foi canibalizado ou recuperado de sucata.
    Esse upgrade não é sumariamente cancelado, somente por:

    a) compromissos da campanha eleitoral .

    b) ufanismo tosco, tolo e inútil.

  39. Mauricio…

    mas onde diabos iria encontrar-se A-7s, FA-18s e AV-8Bs para operar do NAeSP ?

    Mesmo SE: por exemplo, os FA-18s operados por países que os utilizam de bases terrestres, tivessem o software para operar de Naes, não necessitando incorporar …ou…estejam em boas condições…ou…haja interesse de venda por parte dos donos, ainda teria a questão de serem mais caros para adquirir ,operar e manter !

    Não vejo muita dificuldade em manter 12 A-4s voando por outros 10 anos ou pouco mais enquanto aguarda-se por mais verbas e/ou uma decisão final se de fato haverá um substituto para o NAeSP.

    A ideia de adquirir o “Foch” e pouco antes os A-4s pareceu muito boa na época e o atual comando da marinha não pode ser responsabilizado por tentar mante-lo até porque não acho que seja tão fácil assim simplesmente livrar-se dele.

  40. joseboscojr 30 de maio de 2015 at 16:53 #

    “(…) Ou seja, basta que o A-4 seja operado de bases em terra (política), esteja integrado a misseis de curto alcance (Python IV ou V, Piranha 2 ou A-Darter) e à família de bombas Lizard/Opher israelense que ele já poderia prestar bons serviços à dissuasão nacional e melhor, dentro de nossa realidade pindaibística imediata.”

    daltonl 31 de maio de 2015 at 12:22 #

    ” (…) A ideia de adquirir o “Foch” e pouco antes os A-4s pareceu muito boa na época e o atual comando da marinha não pode ser responsabilizado por tentar mante-lo até porque não acho que seja tão fácil assim simplesmente livrar-se dele.”

    Esses dois fragmentos de textos dos respectivos e ilustres foristas são as mais esclarecedoras e cronologicamente complementares teses a respeito do post.

    A tese do Bosco seria a decisão mais plausível técnica/financeiramente que a MB poderia tomar HOJE, a despeito da verdadeira afirmação do Dalton para ONTEM…

    Eu mesmo fiquei entusiasmado (quem não ficou ? mesmo neste espaço ?) com a chegada do Foch à época, a possibilidade de aquisição até mesmo dos F4J do inventário da RN, que ao final não ocorreu. Mas mesmo com a chegada dos A4 e sua narrativa no “Vôo do Falcão Cinza”, do Cmtd Linch, pelos idos anos de 2003, ainda davam ares de esperança para se voar…

    Mas o fluxo finaceiro da MB perdeu o fôlego e dá sinais claros de exaustão absoluta, e a acelerada obsolescência – já existente quando da aquisição – daqueles meios (e de toda a Esquadra) tornou o que parecia ser uma modesta mas importante evolução, num pesadelo e uma vergonha para a MB.

    Esquadrão no chão e NAe na doca, há 12 anos…Tudo que não se espera(va) de um sistema de armas como esse e sua insistente manutenção, no contexto em que se dá, não faz a MB vencer sequer a guerra publicitária junto à opinião leiga e especializada…

    Sim, à época a decisão parecia boa, mas hoje, a melhor decisão requereria coragem técnica do Almirantado e lucidez e honestidade políticas do Minisério da Defesa.

    Nenhum deles parece ter a capacidade técnica ou política para tomá-las…

    A continução do “Vôo do Falcão Cinza”, 12 anos depois, seria “Gray Hawk Down…”

  41. Ozawa…

    não havia F-4s da Royal Navy disponíveis no final dos anos 90 quando o Foch foi selecionado para compra e o mesmo não poderia operar com F-4s a menos que passasse por significativas e custosas alterações.

    Quanto aos 12 A-4s que deverão ser modernizados, eles
    sempre poderão operar de bases terrestres da mesma forma como os A-4s da marinha argentina durante o conflito das Falklands que ficaram orfãos depois que o “25 de Mayo” recolheu-se à base.

    Mas, ter um punhado de aeronaves baseadas em terra, nem mesmo todas as12 estarão sempre disponíveis,
    capazes de atacar alvos no mar não é significativo e sim apostar que no futuro haverá uma aeronave superior
    compatível com um novo e maior NAe.

    Como não estamos à beira de um conflito e nossos vizinhos com quem temos boas relações e estão até em pior situação militar/econômica que nós será que não vale a pena apostar em um NAe no futuro ao invés de comprar mais navios velhos ou um ou dois modernos com o que se economizaria sucateando o NAeSP ?

    Será que esta não é a grande dúvida da marinha brasileira hoje ? Uma decisão deverá ser tomada em
    breve acredito e não gostaria de estar na pele daquele que condenar o NAeSP depois destes 15 anos ao
    desmanche seja na Turquia, Índia ou qualquer outro lugar.

    abraços

  42. Dalton…

    No tocante ao assunto Phantom que aludi anteriormente, conquanto, se adquiridos, certamente estaríamos passando pelas mesmas agruras de obsolescência e falta de recursos como os A4’s, havia opiniões divergentes da sua no início desse século…

    Nessa esteira, fiei-me em um dossiê escrito pelo nosso editor Guilherme Poggio aqui mesmo nesse espaço, cujo link está indisponível atualmente, mas que imprimi em 16/05/2001 e ainda o tenho comigo… Nesse dossiê, o editor, empolgado como todos nós com uma lufada de esperança na Aviação Naval, analisava os possíveis candidatos à eleição de “Caça de Defesa da Frota” na MB, diante das opções técnicas e financeiras aparentemente ao nosso alcance.

    Dentre as 07 (sete) opções técnicas avaliadas, o editor sugere o vetusto, porém ainda medianamente eficiente à época, Phantom FGMk 1 da RN/RAF, cujo último esquadrão operacional havia voado pela RAF em 1994, e aonde havia, ao que se estimava, na data do artigo, 40 aeronaves do modelo navalizado estocadas e em boas condições…

    No texto havia uma suspirante ilustração de um F-4 nas cores da MB…

    É isso…

    No tocante à decisão da MB quanto ao que fazer , HOJE, com o São Paulo e seus Falcões, ao contrário de você, gostaria de estar na pele, sim, daquele que tomará tal decisão, e a acompanharia de uma abalizada exposição de motivos para tomá-la, nem que fosse minha última decisão profissional…

  43. Putz, não acredito que tem gente aqui que ainda apóia isso aí, my God…

    Moderniza meia dúzia pra usar de treinador e o resto faz de alvo. Junto com o Opalão. Matamos dois coelhos com uma cajadada só.

  44. Apoiado, Vader.

    Os responsáveis pelo planejamento orçamentário da MB agradeceriam, pela economia desses recursos, que poderiam ser disponibilizados para outros projetos mais realistas.

  45. Ozawa…

    a Royal Navy recebeu 28 F-4s e pelo menos 9 foram perdidos em acidentes e estavam pelo que já li os restantes bem usados.

    Outros 20 pensados para a RN foram direcionados para a RAF devido à diminuição do número de NAes.

    Supondo que dos 40 em bom estado conforme sua informação, ainda restassem ao menos uma dúzia de ex-RN seria impossível a marinha brasileira mante-los, mesmo que comprados a preço simbólico.

    Imagine uma aeronave do porte do F-4 com 2 motores bebendo muito , 2 tripulantes, células que precisariam passar por uma revitalização para depois sabe-se lá quanto tempo mais poderiam voar , etc, e mesmo em 1999 com o controle da inflação etc, não estávamos exatamente vivendo um mar de Almirante !

    Assim como o HMS Ark Royal precisou de modificações
    para embarcar o F-4 um Essex também precisaria, algo
    que não chegou a ser feito, o F-4 nunca operou deles,o Foch igualmente precisaria passar por custosas reformas e simplesmente o dinheiro para isso não estava lá em 1999/2000 !

    Por que o Poggio ficou tão animado com a possibilidade
    do F-4 vir para a marinha brasileira só ele poderá explicar , eu, já contentei-me na época com o A-4 que
    era o que a marinha poderia ter e olha que os A-4s que operaram do Minas por alguns meses só o fizeram em condições muito boas pois o Minas não era considerado
    grande o bastante para operar com total segurança o modelo do Kuwait.

    Nós que acompanhamos o assunto “defesa” e que somos uma minoria e dentro dessa minoria a maioria quer transformar o NAeSP em laminas de barbearpelo que já pude deduzir, as palavras do Almirante seriam melhor deglutidas, mas, não é apenas para nós que o Almirante terá que explicar tudo o que já foi gasto até agora e aí simplesmente bye bye NAeSP, é mais complicado.

    Ou…pode ser que o Almirante de fato tenha uma opinião favorável sobre manter o NAeSP visando algum futuro para a aviação naval de asa fixa embarcada.

    abraços

  46. No caso da carapuça ser para minha cabeça…

    não é que “defenda” o NAeSP, defendo que a ideia de adquirir o Foch foi boa na época e qualquer um com um mínimo de conhecimento já sabia que o NAeSp iria passar anos de inatividade devido à reformas que precisaria / precisa passar.

    Levou mais tempo e custou mais e isso é o que vemos em todas as demais marinhas, não é exclusividade nossa.

    O que a marinha decidir está bom para mim, se querem livrar-se do NAesp e com a economia comprar 4 OHPs usadas e instalar uns MM 40 à vante da super estrutura
    tudo bem…só que também não teremos 2 helis sempre disponíveis para cada uma.

    Não é tão fácil simplesmente livrar-se do NAeSP, lembro ainda que durante mais de um ano a US Navy não soube o que fazer com o NAe John Kennedy que não estava sendo usado nem para qualificações de pilotos e consumia milhões do orçamento para deixa-lo atracado em Mayport, mas, os “políticos” recusavam-se a dar permissão para a US Navy baixar de 12 para 11 NAes e
    também não providenciavam fundos para revitalização.

    Quanto a modernizar meia dúzia para servir de “treinador” e o resto faz de alvo, então, não é melhor cancelar a modernização de vez já que o treinamento não levará a lugar nenhum mesmo ?

  47. Dalton…

    Como disse antes, no tocante ao assunto “Phantom”, se adquiridos, certamente estaríamos passando pelas mesmas ou piores agruras de obsolescência e falta de recursos como os A4’s. O dossiê que citei do Poggio pertenceu a um momento histórico de entusiasmo que permitia tais licenças navais…

    No mais, mesmo sendo a “mairoria” da “minoria”, para usar seus termos, favorável ao desmanche do São Paulo, certamente não o são por desconsiderarem o NAe como expoente de uma força naval por excelência, afinal somos todos contemporâneos da geração “Top Gun”. Mas já deu… Não temos hoje e não temos a expectativa de termos algum dia, a possibilidade de um grupo de batalha nucleado em NAe. Não temos o NAe e se o tivéssemos não teríamos escoltas para acompanhá-lo ! E nunca teremos escoltas em número suficiente para isso ! Ficaria no cais por um ou outro ou todos os motivos…

    A decisão de transformar o São Paulo em “lâmina de barbear”, se tomada, deve ser exposta com circunstanciados, criteriosos e honestos fundamentos técnicos e históricos, descabendo críticas à decisão de trazê-lo, adequada e factível em 2000, mas cabendo críticas a decisão de mantê-lo, inadequada e impossivel em 2015 ! E vida que segue ! Errado não é errar, errado e permanecer no erro ! É um jargão verdadeiro…

    É inequívoca a postura do Almirantado em manter esse barco como status e como objeto subjacente a intermináveis debates e reuniões enquanto aguardam a passagem para reserva… E passam o timão para o próximo grupo que repete o ciclo.

    É mais factível con(vencer) a guerra da opinião pública leiga e especializada a termos, com nosso litoral e projeção política e econômica, uma linha de batalha de escoltas e submarinos (e só !).

    Deus nos permita, até o fim dos próximos 15 anos, uma linha de batalha composta, ao menos, de 4 fragatas de 6.000t, 4 Barroso (improved) e 4 SB-Rs… E uima linha de banho composta de milhares de lâminas de barbear advindas do “São Paulo”, um fim inglório, eu sei, mas mais útil do que ele é hoje…

  48. Pois é, Ozawa, mas, será que é tão simples assim livrar-se do NAeSP e dos A-4s ?

    Tipo, o “Almirante” bate à porta da “Presidenta” e comunica…” pensamos melhor e não queremos mais o NAeSP muito menos os A-4s. Amanhã terá início a cerimônia de “Mostra de desarmamento” e começaremos a preparar o navio para em data futuro o mesmo ser rebocado para “Alang”.

    E…antes que me esqueça, como não há dinheiro para navio novo, providencie pelo menos um par de fragatas de segunda mão, podem ser OHPs mesmo, elas são baratinhas temos alguns “esquilos” que ficarão bem nelas quando não houver um “Seahawk” disponível e quem sabe podemos adaptar uns MM 40 para elas causarem melhor impressão.

    Tenha um bom dia Sra Presidenta ! ”

    Acho que não é bem assim !

    abraços

  49. Srs

    Devido ao tempo para fabricação, testes, treinamento, etc. o que se planeja e define hoje, estará operacional só em 10 a 15 anos a frente.
    Excetuando-se compras de oportunidade de meios novos ou usados, o que for decidido em 2015 só será efetivo lá por 2025 a 2030.
    Assim, a atual penúria da MB foi plantada há anos atrás, quando houve a prioridade para o Subnuc e foram concebidos os PRO____ , sendo que os contingenciamentos e cortes só vieram a agravar a situação.
    O problema é que as decisões da MB precisam estar fundamentadas numa visão estratégica sobre o cenário geopolítico mais provável dos próximos 10 – 20 anos, visto que o dimensionamento dos meios e a preparação da força precisam considerar os desafios que ela poderá ter que enfrentar, particularmente a capacidade militar dos possíveis inimigos.
    No passado a MB se orientou para ser capaz de enfrentar o que eles consideravam o mais provável adversário, a Argentina, a maior potência econômica e militar da América do Sul; e depois da II GM, na Guerra Fria, balizou sua perspectiva estratégica na participação da coligação ocidental.
    Hoje, a Guerra Fria acabou e o Brasil vem se afastando dos EUA e seus aliados, a Argentina e os outros países vizinhos representam ameaça apenas para si mesmos, cenário que, pela lógica, implicaria num desmanche total da esquadra de guerra da MB, podendo-se mandar para a sucata não apenas o A12 como todas as escoltas e os navios auxiliares da esquadra, ficando a MB apenas como uma guarda costeira.
    Mas, a realidade geopolítica será esta, daqui a 10 – 15 anos? As tendências geopolíticas apontam num mundo de paz e na absoluta ausência de riscos de conflitos em que o Brasil se veja envolvido?
    Como nos indicam a emergência de novos grupos e movimentos bélicos e, principalmente, a expansão de novas potências, o planeta dos homens está em mutação e sinaliza anos perigosos pela frente. Qual é o papel que a MB precisa estar preparada para desempenhar?
    O de uma guarda costeira?
    Neste caso, o sensato é parar de gastar com a esquadra e mandar A12, fragatas, corvetas, submarinos e navios auxiliares da esquadra para os “scrap” deixando, talvez alguns para museu.
    O de uma força auxiliar de uma coalizão qualquer?
    Neste caso, a questão é se definir de qual coalizão o país pretende participar. Como o país se esforça para se afastar do Tio Sam, fica uma possível parceria com a China ou a Rússia. Qualquer uma destas possíveis parcerias implicaria numa força auxiliar que pouco difere de uma guarda costeira.
    Neste caso, o destino lógico da esquadra é o “scrap”.
    O de uma força capaz de representar uma oposição respeitável para um possível agressor aos Brasil?
    Aí, a questão primeira é qual seria o mais provável agressor?
    Um país da América do Sul parece improvável para os próximos 10 – 15 anos, pois as marinhas de nossos vizinhos estão tão ou piores que a nossa.
    Neste caso, o mais econômico, seria “scrap” para todos os navios antigos e a manutenção de um mínimo de navios para manter alguma capacidade e um planejamento de expansão futura, se isto se mostrar necessário.
    O Tio Sam tem demonstrado pouco interesse pelo nosso continente, tanto que tem ignorado a expansão da China na região e feito ouvidos moucos as provocações da Venezuela. Não é um adversário potencial, pela nossa pouca importância. Ou seja, se ficarmos quietinhos, o Tio Sam nem vai se incomodar conosco e se nos associarmos com Rússia ou China, precisaremos contar com o guarda chuva nuclear deles. Em qualquer dos casos, guarda costeira e “scrap” para a esquadra.
    A Rússia está focada em seu entorno na busca teimosa por recuperar o controle das regiões antigamente sob o controle do Império Russo e pouco tem se preocupado, além da retórica, com a América do Sul. Não é um adversário potencial.
    A Índia ainda não tem mostrado pretensões a nível mundial, apesar de estar empenhada em formar uma marinha de guerra poderosa e precisar, nos próximos anos, agir no intuito de prover sua crescente população com fontes seguras de alimentos. Dado a capacidade de Brasil em produzir alimentos, pode se tornar um alvo do interesse da Índia, se as condições ambientais do mundo piorarem e o custo dos alimentos subir muito.
    A China é a única das potências que tem sinalizado que a região é de seu interesse estratégico. Além disto, está claramente empenhada em se tornar uma potência naval global e tem uma visão imperial como parte de sua cultura.
    Tem potencial para se tornar um possível agressor pelas mesmas razões que a Índia, agravadas pela clara política de se tornar a potência dominante no mundo.
    Os últimos dois casos podem representar um problema para o Brasil. No caso da Índia, apesar de mais improvável, a MB teria que ter um poderio suficiente para inibir aventuras da Índia no Atlântico Sul e contar com algum tipo de proteção contra ameaças do uso de armas nucleares (acordos contra o uso de armas nucleares garantidos pelas maiores potências, acordo de proteção mútua com pelo menos uma das potências nucleares, arsenal nuclear próprio, etc.).
    Aqui cabem parênteses: Um fator inibidor do uso de armas nucleares é o fator ambiental, pois se as coisas piorarem quanto ao clima, qualquer coisa que provoque riscos para a produção de alimentos terá uma forte oposição mundial.
    No caso da China, a encrenca é maior, pois esta tem por objetivo atingir o mesmo patamar de poderio naval do Tio Sam e, portanto, a dissuasão precisa contar com um poder de fogo mais substancial.
    De qualquer forma, se considerarmos os eventuais riscos de um provável conflito de interesses com a Índia ou a China, a MB precisará contar com uma esquadra de guerra oceânica com um poder de fogo considerável. Isto significa NAes com seus grupos aéreos, escoltas e submarinos em quantidade suficiente.
    Neste caso, o A12 e o número de escoltas atuais poderiam até ser úteis, desde que mantidos operacionais e devidamente modernizados e armados, pois representariam um poder de dissuasão razoável e forneceriam a base para a formação de uma esquadra realmente poderosa com NAes, escoltas e submarinos modernos e mais capazes.
    Porém, mesmo procurando tirar o máximo dos recursos existentes, o volume de investimento será muito elevado e, segundo a nossa experiência nos últimos 30 anos, improvável de acontecer, o que significa que a MB deve se contentar com o papel de guarda costeira e mandar para o “scrap” o A12 e as escoltas bem como abandonar o PROSUPER, pois é um contra senso investir numa esquadra de poderio insuficiente, incapaz, portanto, de cumprir sua missão.

    Sds

  50. Dalton…

    Em minha vida profissional entreguei, voluntariamente, por 2 vezes, a chefia ao qual estava exercendo, mesmo com razoáveis prejuízos financeiros, por discordar visceralmente de ações superiores. Foi questão de princípio e honra. A última delas há menos de 1 mês.

    Fosse eu o Comandante em Chefe, bateria à porta da Presidenta e diria assim, sim:

    “Senhora Presidenta

    Como Chefe Naval, devo lhe expor, em suficiente síntese, algumas situações e ao final requerer.

    A Esquadra Brasileira está afundando. Toda ela. E no porto. Não pela ação de algum oponente externo. Mas, com a devida venia, pela inação de nossas autoridades, as quais me incluo.

    Os compromissos nacionais e internacionais que demandem a presença de nossa frota não estão sendo realizados num nível próximo das gloriosas tradições da Esquadra Brasileira.

    Nossas escoltas estão sucumbindo não à força das ondas, mas da sua própria idade.

    Não temos meios de apoio logístico para suprir ou manutenir nossos homens e nossa frota dispersos pelos oceanos. A vergonha nos encobre como o mar cobre o leito dos oceanos.

    Nosso Navio Aeródromo, dito Capitânea da Esquadra, tornou-se o símbolo do nossa obsolescência e falta de perspectiva, conquanto sua chegada, há 15 anos, dentro de um contexto financeiro diverso, fora realizado em perspectivas que não se concretizaram, e ao revés, sucumbiram nossos minguados recursos financeiros.

    Como forma de minimizar prementemente nossa situação, à medida que a perspectiva econômica nos impõe tal decisão, recomendo o imediato descomissionamento do NAe São Paulo. Não temos recursos para torná-lo minimamente operacional e ao ensejo torná-lo, também, como esperávamos há 15 anos, mantenedor da proficiência e doutrina de nosso grupo aéreo embarcado. Alie-se a isso o fato de não dispormos de escoltas e meios de apoio para acompanhá-lo ao mar.

    Nessa esteira, senhora Presidenta, devemos rever o PAEMB em vigor, redirecionando os objetivos da Esquadra para meios e quantidades mais factíveis e exigíveis à nossa projeção política e econômica. No tocante à ausência de um Navio Aeródromo, friso que na eventualidade de um conflito futuro que o demande, roguemos a Deus que nosso oponente não disponha de tal meio, e caso contrário, que façamos parte de uma coalização de forças que supra nossa carência nesse quesito, ou, ainda, que nossos meios diplomáticos vençam a batalha em seu terreno apropriado.

    No mais, Senhora Presidenta, penso que o mínimo que o Brasil requeira de uma linha de batalha no mar, passe por, ao menos, 04 fragatas do porte de 6000t, 04 corvetas de projeto nacional, e 04 submarinos convencionais, todos no estado da arte, e não no estado do desmanche, como hoje nos encontramos. Sem prejuízo dos meios navais de apoio logístico.

    Assim, como projeção de nosso futuro até o fim dos próximos 15 anos, requeiro que V.Exª defina até 2016, impreterivelmente, o meio eleito para o PROSUPER e autorize o prosseguimento dos projetos de corvetas nacionais, sem prejuízo do prosseguimento sem solução de continuidade dos meios submersíveis.

    A despeito da situação de contingenciamento de todas as pastas, advirto que a MB, mesmo em tempos de mares tranquilos, não foi autorizada a definir a conclusão de seus meios navais, e a concretização de suas forças prescindem de um tempo de maturação cujo início arrasta-se há décadas.

    Senhora Presidenta, o tempo chegou. De dizermos se queremos ter uma Marinha de Guerra ou não.

    Às vésperas do desembarque da Normandia, Senhora Presidente, foi realizada a Operação Fortaleza, um ardil para convencer os Nazistas que o Exército Aliado se preparava ao desembarque em outro ponto que o verdadeiro. Nessa operação, para tanto, eles criaram Exércitos e Aviação falsos, feitos de matérias infláveis, mas que iludiram o inimigo.

    Hoje tal ardil não convence mais Senhora Presidente, o inimigo sabe bem do que somos ou não capazes, mas mesmo assim realizamos uma verdadeira Operação Fortaleza nas águas da Baía de Guanabara, com meios navais, não infláveis, mas tão inúteis quanto, do ponto de vista militar.

    Senhora Presidenta. Com o devido respeito, antes de subordinação e respeito às autoridades constituídas ou à Carta Política de nossa nação, meu respeito primaz recai sobre meus princípios e convicções, sem os quais, não vivo e não viverei.

    Caso V.Eª discorde de minha breve exposição de motivos, e não autorize nada do que aqui foi requerido, em especial aos planos imediatos para renovação da Esquadra, aceite, desde já, minha RENÚNCIA à Chefia da Esquadra. Prefiro retirar-me dessa Chefia enquanto temos alguma Esquadra a ter que permanecer à frente de uma farsa, comandando navios novos que só existem no papel e outros, reais e bem mais antigos, que sucumbem ao mar ao invés de desafiá-lo

    Por fim, caso me retire dessa sala não mais à frente de minha Esquadra, sinal do desagrado de V.Exª, determinei ao meu Estado Maior que divulgue publicamente as razões de minha saída, aqui em grande medida exposta, e se V.Exª entender que esse é um ato de insubordinação grave, dirigir-me-ei sem temor imediatamente à prisão, aguardando meu julgamento, sem minha Esquadra e sem minhas estrelas, mas intocado em minha honra e minha dignidade, como homem e Chefe Naval.”

    Jisaburo OZAWA
    Rengo Kantai Shirei Chokan

  51. Ozawa…

    ainda bem que nem todos os “Almirantes” insatisfeitos com suas respectivas Esquadras renunciam senão haveria uma falta de “Almirantes” geral 🙂

    Talvez por ler sobre a situação de outras marinhas, isso, tenha me tornado mais insensível ou menos sensível, mas, certamente o NAeSP não é motivo para o “Almirante” renunciar…ao menos não ainda !

    Ainda estou aguardando por exemplo, quanto de fato, será a conta para modernizar o NAeSP, o que de fato será feito, quanto poderia ser poupado e o que se poderia adquirir com tal economia.

    O Brasil e muitos outros países pode se dar ao luxo de esperar por dias melhores para suas forças armadas,
    já outros, precisam sacrificar ainda mais saúde, educação, etc.

    O Brasil é maior do que este governo, aliás, maior do que qualquer governo e acredito que dias melhores estão por vir, portanto, não renuncie Ozawa !!!

    abraços

  52. Marcelo,
    Mas aí não vale!!!
    Um caça subsônica na década de 50 onde a maioria das ameaças eram subsônicas e que podia disparar mísseis ar-ar com 300 km de alcance não serve de base. srsrsr
    Aí, até uma bateria estática em terra funciona. rsrsr
    Se dois caças com mesmo RCS, mesmos mísseis, idênticos radares, sendo um subsônico e o outro supersônico, o segundo vai sair vitorioso num combate BVR 9 vezes em 10, excluindo-se, é claro, outras variáveis, como treinamento, doutrina, etc.

  53. Control
    2 de junho de 2015 at 11:30

    Sempre lúcido, mas faço algumas considerações:

    O problema é que as decisões da MB precisam estar fundamentadas numa visão estratégica sobre o cenário geopolítico mais provável dos próximos 10 – 20 anos, visto que o dimensionamento dos meios e a preparação da força precisam considerar os desafios que ela poderá ter que enfrentar, particularmente a capacidade militar dos possíveis inimigos.

    Para mim está claro que os inimigos estão na Ásia: Índia e China. 1/3 da população mundial.

    Dois bilhões e meio de bocas e temos 22% das terras agricultáveis do planeta.

    Atualmente nenhum dos dois países possuem condições de projetar poder, mas em 2030 certamente as coisas serão diferentes. A China possui previsão de igualar o PIB norte-americano já nessa época. Não tenho dúvidas de que nesse tempo já terão uma esquadra oceânica com condições de projetar poder em mares distantes.

    Hoje, a Guerra Fria acabou e o Brasil vem se afastando dos EUA e seus aliados.

    Um erro estratégico crasso e pior: motivado por questões ideológicas. E será assim enquanto o asqueroso do Marco Aurélio Garcia estiver à frente do Itamaraty.

    A China é a única das potências que tem sinalizado que a região é de seu interesse estratégico. Além disto, está claramente empenhada em se tornar uma potência naval global e tem uma visão imperial como parte de sua cultura.
    Tem potencial para se tornar um possível agressor pelas mesmas razões que a Índia, agravadas pela clara política de se tornar a potência dominante no mundo.
    (…)
    (…)No caso da China, a encrenca é maior, pois esta tem por objetivo atingir o mesmo patamar de poderio naval do Tio Sam e, portanto, a dissuasão precisa contar com um poder de fogo mais substancial.

    E nossa classe dirigente não enxerga isso.

    Eu, particularmente, defendo um poder naval substancial e mais: capacidade nuclear.

    Não em mísseis balísticos de longo alcance – os americanos cuidam disso. Mas em mísseis balísticos de médio alcance – tendo em vistas bases chinesas na África – e, principalmente, mísseis de cruzeiro – A forma ideal de se negar o uso do mar.

    Uma única ogiva pode mandar pelos ares um Grupo-tarefa inteiro.

    Eu defendo uma aliança defensiva com os Estados Unidos/UE por razões culturais e mais: um Brasil militrmente forte oferecendo um contraponto à China no Atlântico Sul será muito bem-vindo, pois liberaria os americanos para atuarem com mais dinamismo no Pacífico.

    Mas isso implicará um comprometimento de nossa sociedade em um patamar superior, e não sei se nossa sociedade está pronta para tal.

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