B-17 sobre o Tartu - foto arquivo SECOMSAER MOD2
Durante a chamada ‘Guerra da Lagosta’ as aeronaves de patrulha da FAB tiveram papel fundamental na vigilância dos navios franceses. Na foto, o contratorpedeiro da Marinha Francesa Tartu é sobrevoado por um RB-17G da FAB

Guilherme Poggio
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O céu, meio encoberto, tornava aquela noite ainda mais escura. Com a brisa que soprava sobre a superestrutura, graças ao vento relativo, a temperatura era agradável para os atentos vigias noturnos. Contrastando com a plácida noite, o “clima” esquentava no interior do Centro de Informações de Combate (CIC) do contratorpedeiro Paraná da Marinha do Brasil (MB), com muita tensão. Focados nas telas repetidoras dos radares, os operadores acompanhavam cada irradiação das antenas com o propósito de identificar um alvo em específico: o contratorpedeiro Tartu da Marinha Francesa. O indesejado navio rumava para a costa do Nordeste do Brasil, por ordem direta do presidente francês, para defender pescadores franceses que atuavam ilegalmente na plataforma continental brasileira.

Sozinho, o Tartu não era uma grande ameaça, mas bastava uma atitude precipitada e todo o Grupo-Tarefa do navio-aeródromo Clemenceau, que estava na Costa Oeste da África, atingiria o litoral do Nordeste brasileiro em aproximadamente três dias.

Às quatro horas da madrugada o pessoal do “quarto d’alva” assumiu o serviço e aqueles que estavam em seus postos, desde a meia noite, foram descansar. Ou pelo menos tentaram. Todos a bordo do Paraná tinham ciência de suas limitações, tanto materiais como de adestramento. Mas o que mais tirava o sono dos homens era a quantidade de munição a bordo, suficiente para apenas meia hora de combate. Mesmo com todas essas dificuldades, eles procurariam defender um recurso natural de propriedade nacional – a lagosta da plataforma continental.

O prenúncio do que ficaria conhecido como “a Guerra da Lagosta” fez 50 anos. Naquele momento a diplomacia falhou e a situação teve que ser decidida por uma exibição de força.

Surge o interesse pela lagosta
Foi no início da década de 1960 que surgiu um maior interesse de armadores e pescadores do porto pesqueiro de Camaret, na costa francesa da Bretanha, pela lagosta existente na costa do Nordeste brasileiro. Uma delegação foi enviada a Recife para negociar a vinda de barcos de pesca com o intuito de realizar pesquisas sobre viveiros de lagosta. A autorização de pesquisa foi emitida em março 1961, válida por 180 dias. Esta licença contemplava apenas três embarcações, conforme solicitação francesa.

No entanto, autoridades brasileiras já estavam preocupadas quanto à real intenção daqueles pescadores. Foi decidido que representantes da MB embarcariam nos pesqueiros para atuar como fiscais. Após alguns embarques, os militares constataram que os navios estavam realmente capturando lagosta em larga escala e realizando pesca predatória com arrasto. Além disso, a licença de pesquisa emitida limitava-se a três barcos e foram enviados quatro. A partir do relatório dos militares embarcados, decidiu-se pelo cancelamento da licença e o último pesqueiro partiu de volta à França no final de abril de 1961.

Em novembro, foi solicitada uma nova licença para pesquisas e experiências no litoral nordestino. Desta vez foi argumentado que esse trabalho seria realizado na plataforma continental, fora das águas territoriais brasileiras. Assim, uma nova leva de pesqueiros franceses chegou ao litoral nordestino no final de 1961.

V17
As corvetas da classe “Imperial Marinheiro” tiveram papel de destaque durante os apresamentos ocorridos em 1962. Na foto a Ipiranga (V17), responsável pelo primeiro apresamento em 2 de janeiro de 1962

Apresamentos realizados pela Marinha do Brasil
Os desentendimentos começaram logo no início de 1962. No dia 2 de janeiro a corveta Ipiranga da MB apresou o pesqueiro Cassiopée, a cerca de dez milhas da costa, por estar capturando lagosta sem autorização do Governo Brasileiro. Pouco tempo depois, a corveta Purus avistou dois pesqueiros (Françoise Christine e Lonk Ael) próximos à costa do Rio Grande do Norte, mas por determinação do Estado Maior da Armada (EMA), os navios não foram apresados.

Com o apresamento do Cassiopée, a questão antes mais restrita aos interesses de pescadores franceses passou a envolver mais o próprio Governo Francês, gerando uma batalha diplomática com o Governo Brasileiro que se estendeu por todo o ano de 1962. O Brasil sustentava a tese de que a lagosta era recurso econômico de sua plataforma continental, cabendo somente aos brasileiros a emissão de autorização de captura do crustáceo. A França, por seu lado, contestava o posicionamento brasileiro baseando-se na convenção de Genebra de 1958, que estabelecia as bases para pesca em alto mar. É importante destacar que nenhum dos dois países tinha assinado tal convenção.

Durante as negociações para se estabelecer uma forma de “modus vivendi” sobre o crustáceo, a França argumentava que a lagosta se deslocava de um lado para o outro dando saltos e, portanto, deveria ser considerada como peixe e não um recurso da plataforma continental. Segundo o comandante Paulo de Castro Moreira da Silva da Marinha do Brasil esta argumentação era fraca e, ironicamente, ele disse: “por analogia, se lagosta é peixe porque se desloca dando saltos então o canguru é uma ave.”

A batalha diplomática não intimidou os pesqueiros franceses, e muito menos reduziu a ação dos navios da MB. O contratorpedeiro Babitonga apresou o pesqueiro Plomarch no dia 14 de junho e o Lonk Ael no dia 10 de julho ao longo do litoral do Rio Grande do Norte e a corveta Ipiranga os pesqueiros Folgor e Françoise Christine em agosto do mesmo ano no litoral cearense. Os capitães dos barcos eram orientados quanto à irregularidade cometida e “convidados” a assinar um termo de compromisso para não mais voltar à costa brasileira (embora muitos retornassem).

No início de 1963, uma missão francesa chegou ao Brasil com o intuito de negociar a questão da pesca da lagosta, bem como estabelecer as bases comerciais de um possível acordo binacional. Esta mesma missão informou que dois barcos de pesca já se dirigiam para o litoral brasileiro. Por meio do Ministério das Relações Exteriores, o Brasil respondeu que a permissão não seria dada aos barcos, solicitando que o Governo Francês não permitisse a vinda destes para não prejudicar as negociações em curso. A França não só confirmou a vinda dos dois barcos, como também anunciou a partida de outros, independentemente da ameaça de serem apresados.

Sabendo da vinda de pesqueiros franceses para o litoral nordestino (sem a devida autorização), a Marinha colocou em alerta os seus navios que executavam patrulha na área. No dia 30 de janeiro, a corveta Forte de Coimbra detectou a presença de três pesqueiros estrangeiros e solicitou que os comandantes dos mesmos rumassem para Natal. Após a resposta negativa, a corveta recebeu instruções de terra para usar a “força na medida do necessário”. Possivelmente os franceses não entendiam português, mas o soar do alarme de “postos de combate” e a visão da tripulação da corveta guarnecendo as peças de artilharia fez os comandantes mudarem de ideia.

No dia 5 de fevereiro os barcos e suas respectivas cargas foram liberados e, por intervenção do presidente do Brasil, João Goulart, uma autorização para captura da lagosta foi emitida para os pesqueiros no dia 8. Porém, por força da opinião pública e de pressões políticas (principalmente vindas no Nordeste), o Governo Brasileiro teve que voltar atrás e cancelar a autorização. Essa mudança de atitude despertou a ira do presidente da França, Charles de Gaulle. Alguns atribuem a este episódio a origem da frase:

“Le Brésil
n’est pas un pays serieux”
(O Brasil não é um país sério)

Já numa outra versão dessa história o embaixador brasileiro em Paris, Carlos Alves de Souza Filho, afirmou em seu livro de memórias que a frase foi dita por ele numa entrevista a um repórter brasileiro.
De qualquer forma, as relações com o Governo Francês, que já não eram boas, degradaram-se rapidamente após a notícia da suspensão da autorização. A reação foi enérgica e desproporcional à situação. Por ordem do presidente de Gaulle, um navio de guerra francês seria enviado para proteger os barcos pesqueiros. A diplomacia estava em cheque e uma escalada militar começava a tomar forma.

A força naval francesa
frota francesaNo dia 11 de fevereiro de 1963, partiu de Toulon (França) uma Força-Tarefa capitaneada pelo navio-aeródromo Clemenceau. Juntamente com ele estavam o cruzador De Grasse, os contratorpedeiros Cassard, Jaureguiberry e Tartu, as corvetas Le Picard, Le Gascon, L’Agenais, Le Béarnais, Le Vendéen, o navio-tanque La Baise e o Aviso Paul Goffeny. A princípio, deveria ser somente mais uma comissão pela costa Oeste da África para mostrar bandeira e realizar exercícios de rotina.

A bordo do Clemenceau estavam aeronaves Alizé da esquadrilha 4F, jatos Aquilon da 16F e alguns helicópteros S58. Naquela época a “Aeronavale” ainda não tinha adquirido os caças F-8 Crusader, embora testes com uma aeronave proveniente do porta-aviões norte-americano USS Saratoga tivessem ocorrido no primeiro semestre de 1962. O papel de caça da frota era exercido pelos velhos Aquilon (versão do Sea Venom fabricada sob licença na França), num de seus últimos embarques operacionais com a “Aeronavale”. Os Etendard IV não estavam plenamente operacionais nas atividades embarcadas e o primeiro exercício com estes jatos estava programado para maio daquele ano.

O De Grasse era o primeiro de uma classe homônima de três cruzadores. Esta classe era formada por escoltas antiaéreas que deslocavam pouco mais de 9.000 t. Possuíam oito reparos duplos de 127 mm e 10 reparos duplos de 57 mm. Já os contratorpedeiros eram da classe T47/T53, também com ênfase na defesa antiaérea. As cinco escoltas menores eram compostas por fragatas leves (denominadas “escorteur rapide” na Marinha Francesa) da classe E52 especializadas em ações antissubmarinas.

Em 21 de fevereiro, estes navios chegaram a Dakar (Senegal) e, posteriormente, seguiram para Abidjan. Porém, uma das escoltas do Clemenceau tomou rumo diferente. Era o Tartu, que solitariamente seguiu para a costa brasileira conforme instruções do Governo Francês.

Essas instruções eram:

  • Controlar o movimento dos pesqueiros a fim de que não se aproximassem do limite de 12 milhas e;
  • Assegurar aos mesmos pesqueiros a continuação da pesca de lagosta além daquele limite.

Estas informações foram transmitidas ao embaixador brasileiro em Paris no próprio dia 21, quinta-feira. Outra informação, sem confirmação, indicava também o deslocamento do cruzador De Grasse na companhia do Tartu. De qualquer forma, as demais unidades francesas na costa ocidental da África estavam tão perto do local da crise que não seria necessário mais do que três dias de navegação para chegarem à Natal. No caso das aeronaves embarcadas, apenas algumas horas de voo.

Do outro lado do Oceano Atlântico, a Força-Tarefa francesa realizava exercícios navais. No seu comando estava o porta-aviões Clemenceau (irmão do Foch, que décadas depois seria adquirido pelo Brasil e renomeado São Paulo) equipado com jatos Sud-Est Aquilon 202/203 (versão francesa do De Havilland Sea Venom)
Do outro lado do Oceano Atlântico, a Força-Tarefa francesa realizava exercícios navais. No seu comando estava o porta-aviões Clemenceau (irmão do Foch, que décadas depois seria adquirido pelo Brasil e renomeado São Paulo) equipado com jatos Sud-Est Aquilon 202/203 (versão francesa do De Havilland Sea Venom)

Começa a mobilização
Na noite de 21 de fevereiro (quinta-feira), o presidente Goulart reuniu-se com os ministros da Marinha e da Aeronáutica em Brasília. Naquela época, as duas forças não possuíam um bom relacionamento, pois a disputa pela operação de aeronaves a bordo no NAeL (navio-aeródromo ligeiro) Minas Gerais ainda existia. Posta de lado, esta questão não atrapalhou a elaboração de um plano que visava o reforço das unidades militares do Nordeste com o envio de pessoal e equipamento a partir de bases do Rio de Janeiro. Esquadrões da FAB e unidades de superfície da Marinha deveriam ser deslocadas para a região o mais breve possível.

A mobilização efetiva ocorreu no dia 22, uma sexta-feira, véspera de Carnaval. O ministro da Marinha determinou a preparação de um Grupo- Tarefa (GT) composto por um cruzador e quatro contratorpedeiros. Este GT deveria seguir imediatamente para Recife. Outro grupo composto por um cruzador, alguns contratorpedeiros e submarinos, deveria seguir viagem para o Nordeste também, assim que os navios estivessem preparados. Para Salvador, deveriam partir o navio-oficina Belmonte e o dique flutuante Ceará. A mobilização seguiria em frente sob sigilo máximo. No caso de indagações, a resposta deveria ser “exercício programado”.

No dia 23 (sábado de Carnaval) o Conselho de Segurança Nacional reuniu-se no Palácio do Itamaraty. O ministro das Relações Exteriores presidiu a reunião na ausência do presidente (então em São Borja/RS). Após tomarem conhecimento dos últimos movimentos diplomáticos, os participantes passaram a discutir as medidas a implementar. Dentre elas, a divulgação de declarações à imprensa com o intuito de mobilizar a opinião nacional para a grave situação enfrentada.

Desde a primeira hora em que o Estado Maior da Armada (EMA) soube do deslocamento de um navio de guerra francês para a costa brasileira, as Estações Radiogoniométricas de Alta Frequência (ERGAF) do Pina (Recife) e de Salinas de Margarida (Bahia) passaram a rastrear as emissões eletromagnéticas de todos os navios franceses navegando no Atlântico.

MB1963 - 1

Os preparativos da Marinha
Inicialmente foi necessário convocar, o mais breve possível, oficiais e praças para guarnecerem os navios, pois a maioria estava de férias. Havia também necessidade de adquirir sobressalentes e até material de uso comum. Para piorar a logística, um tanque arrendado junto à companhia ESSO em Recife tinha capacidade para apenas 6.000 t de combustível, quantidade insuficiente para atender todo o GT que se deslocaria para lá. Como se não bastasse, a Esquadra naquela época não contava com um navio-tanque e foi necessário arrendar às pressas um da Petrobras (o NT Mato Grosso, com capacidade de 7.000 t).

Em relação ao material flutuante, quanto aos contratorpedeiros (CT), os navios em melhores condições eram os quatro da classe “Pará” (exceção feita ao Paraíba, cujas caldeiras estavam em manutenção), originariamente da classe “Fletcher” norte-americana da II Guerra Mundial, recebidos poucos anos antes por acordo militar com os Estados Unidos. Estes poderiam iniciar a viagem de imediato, assim como um dos três “classe M” construídos no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) vinte anos antes, o Greenhalgh.

D27 Para - foto MB
Os quatro contratorpedeiros da classe Fletcher, como o Pará (D27), eram os melhores navios da MB em 1963. Eles foram adquiridos por empréstimo junto aos Estados Unidos e o contrato proibia o uso desses navios contra aliados dos EUA

Alguns dos seis contratorpedeiros da “classe A” (construídos no AMRJ e incorporados entre 1949 e 1960) também poderiam ser usados, caso fosse necessário. Porém, a situação era crítica para os oito contratorpedeiros de escolta da classe “Bertioga” (construídos nos EUA na II Guerra e recebidos pelo Brasil durante o conflito). Três estavam docados, os Bracuí, Beberibe e Bocaina, enquanto dois, Babitonga e Bauru, preparavam-se para entrar no Período Normal de Reparos (PNR). Dos restantes, o Benevente e o Bertioga tinham problemas nos eixos e o Baependi possuía restrições de velocidade.

A situação dos submarinos não era muito melhor. O Humaitá foi descartado de imediato, pois não tinha condições de se mover. Já o Riachuelo necessitava de substituição total da sua rede de pressão, mas era possível colocá-lo em movimento em dez dias (de acordo com as primeiras análises). Ambos eram veteranos da Marinha dos EUA, da época da II Guerra Mundial, transferidos em 1957 para o Brasil.

O estado dos dois cruzadores, também de origem norte-americana e veteranos da II Guerra, era preocupante. Os principais problemas com o Tamandaré estavam associados aos grupos destilatórios. Estimava-se que o mesmo não poderia ser reparado em menos de 15 dias. O Barroso poderia navegar, mas somente com quatro das suas oito caldeiras (o mínimo necessário para colocá-lo em movimento eram três).

O quadro operativo dos navios da esquadra, bem como do armamento e munição, foram expostos na reunião do Almirantado realizada a portas fechadas na tarde do dia 22. A situação era a seguinte:

  • Munição – Situação dramática. A dotação dos navios da Esquadra (dotação de paz) poderia ser consumida em menos de trinta minutos durante um engajamento. Nos depósitos do Centro de Munição da Marinha não existia munição suficiente para recompletar a dotação de paz de todos os navios (exceção feita aos projéteis de 20 mm). Para completar todos os navios com dotação de guerra, seria necessário o dispêndio de aproximadamente um milhão de dólares. Mesmo que a munição estivesse disponível, os batelões para distribuí-la estavam em péssimo estado e não existiam em número suficiente para um atendimento urgente.
  • Equipamentos de abandono e salvamento – Eram itens extremamente críticos, geralmente com período de validade, e que deviam ser repostos periodicamente. Em função da crônica falta de verbas, muitos itens não atendiam ao número mínimo estipulado em acordos internacionais ou já estavam fora do período de validade. Foram liberadas, em caráter emergencial, verbas para a aquisição de 800 coletes salva-vidas, 49 balsas e 1.200 conjuntos de ração de abandono, o que atenuou o problema.
  • Lanchas dos navios – Situação lastimável. Dos oito contratorpedeiros de escolta (uma lancha por navio), só a lancha do Babitonga funcionava. Das dezesseis lanchas existentes nos outros 13 contratorpedeiros, apenas sete estavam em condições operacionais. Somando as lanchas dos dois cruzadores, somente três das dez estavam em bom estado. O recém-adquirido NAeL Minas Gerais possuía duas lanchas operando de um total de seis.
  • Controle de Avarias e estanqueidade de compartimentos – Somente os navios da classe “Pará” resistiriam a uma inspeção ligeira por possuírem equipamento completo e em bom estado. Os demais, principalmente os de construção nacional (classes M e A), seriam condenados operativamente e impedidos de se movimentar por não possuírem condições de segurança para navegar.
Os P-15 Neptune ainda eram bons aviões de esclarecimento marítimo em 1963. Eles eram operados pelo 1º/7º GAV, baseado em Salvador
Os P-15 Neptune ainda eram bons aviões de esclarecimento marítimo em 1963. Eles eram operados pelo 1º/7º GAV, baseado em Salvador

Esquadrões da FAB em alerta
Coube à FAB realizar missões de esclarecimento marítimo com aeronaves de longo alcance P-15 (P2V Neptune) do 1º/7º Grupo de Aviação (1º/7º GAv), sediado em Salvador (BA). A unidade passou a realizar missões de esclarecimento 500 milhas náuticas (cerca de 900km) a leste do arquipélago de Fernando de Noronha.

No Nordeste, a FAB ainda contava com os veteranos B-17 (nas versões SB-17G e RB-17G) para auxiliar as tarefas dos P-15. Estes aviões ficavam baseados em Recife (PE) e pertenciam ao 6º Grupo de Aviação. Não dispunham de equipamento especial para esclarecimento, o reconhecimento era totalmente visual e, por serem aviões ultrapassados, sua aposentadoria na FAB não demoraria muito.

O grande reforço viria da Base Aérea de Santa Cruz (RJ), onde estava baseado o 1º Esquadrão do 1º Grupo de Aviação Embarcada (1º/1º GAE) e seus treze P-16 (S2F-1) Tracker, recentemente incorporados. O Tracker entrou em atividade na Marinha dos EUA em 1954 e, no início da década de 1960, ainda era a aeronave ASW (guerra antissubmarino) embarcada mais moderna do mundo. Os aviões contavam com uma suíte eletrônica bastante complexa para a época, incluindo radar de busca, radar Doppler, radar-altímetro de baixa altitude, sensor MAD (detector de anomalias magnéticas) e sistema de contramedidas eletrônicas.

P-16A Tracker
Grumman P-16 (S2F-1) Tracker da FAB do 1º Esquadrão do 1º Grupo de Aviação Embarcada (1º/1º GAE)

A formação do Grupo-Tarefa
Sob a denominação “Operação Lagosta”, um GT deveria ser formado e enviado o mais breve possível para Recife. A ideia inicial de constituir o GT Vermelho 12.2 com o cruzador Tamandaré, quatro contratorpedeiros e, posteriormente, enviar outro cruzador e mais escoltas tão logo estivessem prontos, começou a se desfazer quando o estado do material flutuante foi apresentado.

Com diversos problemas nas caldeiras e nos grupos destilatórios, o Tamandaré foi descartado de imediato. O Pará, com problemas na bomba de alimentação principal e falta de pessoal para guarnecer o navio, teve sua saída adiada para a tarde do dia 24. Já o Greenhalgh, com avarias na maquinaria, só deixou o Rio de Janeiro na noite do dia seguinte (chegando a Recife na tarde do dia 28). Desta forma, o GT 12.2 partiu para a cidade de Recife às 3h27 da madrugada do dia 24 somente com os contratorpedeiros Paraná (onde seguia o Comandante do GT, contra-almirante Boiteux) e Pernambuco.

Enquanto a MB se mobilizava em pleno feriado, na embaixada dos EUA a movimentação era atípica para uma noite de Carnaval. Durante a madrugada, o adido naval dos Estados Unidos telefonou ao Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), solicitando uma audiência urgente. A contragosto e em companhia do seu ajudante-de-ordens, o CEMA recebeu o militar norte-americano numa audiência curta e pouco amistosa.

Cruzador Tamandaré escoltado por quatro contratorpedeiros da classe "Pará" (Fletcher)
Cruzador Tamandaré escoltado por quatro contratorpedeiros da classe “Pará” (Fletcher)

O adido naval foi logo indagado sobre o real motivo de uma audiência no meio da madrugada. O adido trazia uma mensagem do embaixador dos EUA. Este recebeu ordens diretas do Departamento de Estado para que os dois contratorpedeiros que partiram do Rio de Janeiro com destino ao Nordeste regressassem imediatamente. Segundo ele, a lei do Senado norte-americano que concedeu o empréstimo desses navios proibia o uso dos mesmos contra qualquer aliado dos Estados Unidos como a França.

Realmente, não só o Pernambuco e o Paraná, mas os outros dois contratorpedeiros da classe “Fletcher” (Pará e Paraíba) foram transferidos por empréstimo de cinco anos e, naquela época, ainda constavam na lista de unidades pertencentes à Marinha dos Estados Unidos. Esta era uma das facetas negativas dos acordos de transferência de material bélico dos EUA para as Forças Armadas brasileiras.

A resposta do CEMA foi a seguinte:
“Peço ao ‘capitain’ para solicitar ao Exmo. Sr. Embaixador dos EUA que comunique ao seu Governo, em Washington, que, inspirado nos fundamentos do pan-americanismo, que tem como uma das principais fontes a Doutrina Monroe, formulada por um presidente dos EUA há 140 anos, o Brasil cortou relações diplomáticas, e depois, manteve o estado de beligerância com o Japão, em virtude da agressão ao território americano sofrido com o ataque a Pearl Harbor. O Brasil honrou o seu compromisso assumido por ocasião da Conferência de Havana em 1940, onde se declarou que um ataque por um Estado não americano contra qualquer Estado americano é considerado como ataque contra todos os Estados americanos. Sabemos que os EUA têm compromissos políticos e militares com a França em virtude do tratado do Atlântico Norte, firmado em 1949. Entretanto, antes desse Tratado, os EUA em 1947, nesta cidade do Rio de Janeiro, lideraram a assinatura do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), que teve como propósito prevenir e reprimir as ameaças e os atos de agressão a qualquer dos países da América, baseado nos princípios de solidariedade e cooperação interamericanas. Assim sendo, configurando a agressão francesa, como anunciado em Paris, o Brasil espera que os EUA honrem os seus compromissos na defesa coletiva do continente americano declarando guerra contra a França, como o Brasil honrou seus compromissos declarando guerra contra os japoneses na II Guerra Mundial, sem nunca ter sido agredido por eles. E está dispensado … e pode se retirar.”

Contratorpedeiro Tartu
Contratorpedeiro Tartu da Marinha Francesa

O Tartu é localizado e acompanhado pela FAB
Enquanto o GT 12.2 seguia para Recife, os aviões da FAB procuravam pelos navios franceses. Quando quatro P-16 chegaram a Recife no dia 24, os P-15 já realizavam missões de esclarecimento a partir de Salvador. Conforme planejado, os aviões do 1º GAE passaram então a realizar voos de esclarecimento armado em rotas paralelas. Logo na manhã do dia 25, dois pesqueiros foram localizados no través de Macau (RN). Com esta descoberta, os esclarecimentos paralelos foram substituídos por voos de vigilância e os P-16 deslocaram-se de Recife para Natal (RN).

A cerca de 250 milhas (aproximadamente 450km) a Noroeste de Natal, foi localizado um “grande navio escuro” que atuava como frigorífico, onde os pesqueiros desovavam sua pesca. Ao seu lado encontrava-se um navio tender para serviços de manutenção. Mas a grande descoberta ocorreu no dia 26 de janeiro. Patrulhando distante da costa, um P-15 detectou no radar um navio rumando para Fernando de Noronha. No dia seguinte, um B-17 do 6º GAv fez o reconhecimento fotográfico do contratorpedeiro Tartu da Marinha Francesa.

O contratorpedeiro francês passou a receber vigilância aérea constante e uma das missões foi a primeira de caráter noturno para os P-16 da FAB. Duas aeronaves voaram em formação aberta e a baixa altitude com todas as luzes apagadas e silêncio rádio total. Para a aproximação do alvo, utilizaram seus equipamentos passivos de guerra eletrônica, que detectavam as emissões do radar de busca aérea do Tartu. Próximos ao navio, os aviões cerraram formação e baixaram para 100 pés de altitude (cerca de 30 metros) até que, praticamente sobre o contratorpedeiro, acionaram tudo que pudesse iluminá-lo. Foi uma surpresa total, e homens puderam ser vistos correndo pelo convés, como se estivessem assumindo postos de combate.

Tartu fotografado pela FAB
Tartu fotografado pela FAB

Porém, normalmente a cobertura aérea era realizada a uma altura média de 1.000 pés. Algumas vezes a tripulação do navio francês realizava exercícios de tiro, possivelmente tentando inibir as aeronaves brasileiras. Como resposta, os P-16 deixavam a área voando baixo e passando ao lado do Tartu, exibindo claramente seus foguetes.

Ainda no dia 26, o Pará juntou-se ao GT 12.2 e os contratorpedeiros atracaram no porto do Recife. Durante a travessia Rio-Recife as tripulações dos navios realizaram diversos exercícios com o propósito de aprimorar o treinamento. Também no mesmo dia, a estação radiogoniométrica de Pina interceptou uma mensagem do Tartu para os lagosteiros franceses, marcando um ponto de encontro na manhã do dia 28. O ponto ficava a aproximadamente 100 milhas de distância de Recife. Em função da possível antecipação do Tartu, um avião da FAB sobrevoou o local já no dia 27. O navio foi localizado às 22h55 entre o litoral brasileiro e o arquipélago de Fernando de Noronha e a situação ficou tensa com o passar das horas.

A informação da aeronave da FAB antecipou a saída do GT 12.2. Passava da meia-noite quando os contratorpedeiros Paraná e Pará deixaram o porto do Recife rumo ao ponto de encontro marcado pelo Tartu. O Pernambuco, com problemas, ficou no porto. A missão do GT era “vigiar os navios franceses, informando os seus movimentos através do acompanhamento radar, fora do alcance visual”.

Foi uma madrugada de muitas expectativas. Na sede da 2ª Zona Aérea o movimento de oficiais superiores era intenso e, logo na manhã do dia 28, as emissoras de rádio já divulgavam os acontecimentos das últimas horas para a população apreensiva. O governo também acompanhava os acontecimentos de perto. Pairavam muitas dúvidas sobre a atitude do contratorpedeiro francês quando encontrasse os navios da MB.

D29 Parana
O contratorpedeiro Paraná (D29) foi o primeiro navio da MB a fazer contato com o contratorpedeiro francês Tartu. O encontro ocorreu no dia 28 de fevereiro de 1963

Encontro em alto-mar
As atenções estavam voltadas para o possível encontro do Paraná com o Tartu, que em muitos aspectos eram equivalentes. Os armamentos possuíam similaridades e até o arranjo propulsor (duas turbinas a vapor, quatro caldeiras e dois eixos), as potências desenvolvidas e a velocidade máxima eram semelhantes. Em relação aos sensores, o radar de busca combinada DRBV22A era equivalente ao SPS-6 dos classe “Pará”, mas o grande diferencial do contratorpedeiro francês era a combinação deste último com o radar DRBI, fornecendo um quadro tridimensional das ameaças aéreas.

A bordo do Paraná a tensão era grande. O navio navegava às escuras. Os operadores dos radares mantinham atenção total às telas repetidoras e os vigias noturnos redobravam a vigilância.

O dia raiou com forte neblina. Passava das dez da manhã quando o Paraná estabeleceu contato radar com um alvo na superfície, a 36.000 jardas, marcação 330º. Tinha que ser o Tartu. As condições climáticas não permitiram identificação visual à distância. O Paraná, que navegava no rumo 000º, manobrou 20º para bombordo e aproximou-se do alvo. Antes de atingir a distância de 30.000 jardas, o navio passou a se comunicar por holofote. Depois dos cerimoniais marítimos, o Paraná aproximou-se a 27 nós (o Pará vinha logo atrás em velocidade reduzida) e, à distância de 14.400 jardas, identificou o contato como o D636 Tartu, além de seis lagosteiros praticamente parados. Os contratorpedeiros brasileiros acompanharam os navios franceses por algum tempo e monitoraram as frequências de rádio, depois se afastaram. Do alto, um P-15 da FAB também acompanhava os movimentos.

Deste dia em diante, foi estabelecida uma escala de patrulha com o propósito de manter sempre um navio próximo dos pesqueiros e outro à distância, podendo intervir quando necessário.

Cruzador Barroso
O cruzador Barroso (C11) era uma unidade de respeito numa época em que os mísseis navais ainda estavam em desenvolvimento. Embora seus quinze canhões de 6 polegadas representassem grande ameaça a outras unidades navais, durante a crise de 1963 o navio não dispunha de munição deste calibre. Além disso, ele sofria problemas de propulsão, geração de energia elétrica, racionamento de água potável e entupimento da rede de esgoto

A MB envia mais navios
Antes do Paraná detectar o Tartu, o contratorpedeiro Araguari havia partido do Rio de Janeiro na madrugada do dia 27, rumo a Recife. Às 9h45 sofreu uma avaria no leme e um problema nas máquinas quando no través de Cabo Frio, o que só foi resolvido às 14h. O navio chegou a Recife em 1º de março.

O cruzador Barroso suspendeu do AMRJ em 28 de fevereiro, após alguns reparos emergenciais, mas não estava preparado para uma missão como a que se impunha. A viagem começou com as caldeiras nº1, 2, 3 e 4 em funcionamento, permitindo 15 nós de velocidade. Porém, a caldeira nº4, que tinha sido emergencialmente reparada no dia 26, apresentou um tubo perfurado e a velocidade foi reduzida para pouco mais de 10 nós. Técnicos do AMRJ estavam a bordo para auxiliar no reparo das demais caldeiras, mas ainda assim o navio participou de toda a comissão com apenas três em pleno funcionamento, o mínimo necessário para o navio se “arrastar” sobre o mar.

A situação dos armamentos e munições não era mais animadora. O Barroso não dispunha de munição para seus canhões principais (15 de 6 polegadas em cinco torres triplas) e, ainda que tivesse, a torre nº3 estava inoperante desde 1958, e outras duas estavam sem o controle automático. Somente duas das seis diretoras de tiro funcionavam e os canhões de 5 polegadas da bateria secundária estavam sem o controle automático da diretora.

Para completar, outros problemas se acumulavam e tornavam a vida difícil no interior do navio. Um tanque de óleo combustível não era utilizado por apresentar vazamentos, e dois tanques de água potável também estavam com furos para o mar, obrigando a tripulação a economizar água. O turbo gerador nº4 estava no AMRJ sofrendo reparos, o que reduzia a capacidade de geração de energia elétrica a bordo em 25%. Com todos estes problemas, incluindo o entupimento frequente das redes de esgoto e de combate a incêndio, o Barroso só foi capaz de chegar a Recife em 6 de março, após uma viagem de quase uma semana!

Na noite de 1º de março, o submarino Riachuelo, em companhia da corveta Imperial Marinheiro, transformada em navio de socorro e salvamento, zarparam para Recife e Natal respectivamente. Embora o Riachuelo estivesse equipado com torpedos Mk.23, nenhum deles possuía cabeça de combate. Coube à FTM (Fábrica de Torpedos da Marinha) encher 9 cabeças de exercício com trotil, para que o submarino as recebesse em Recife, e rezar para que as mesmas funcionassem em combate.

Em 1963 a Flotilha de Submarinos resumia-se a dois navios (Humaitá e Riachuelo) empregados como unidades auxiliares de adestramento das unidades de superfície. A MB não possuía torpedos com cabeça de combate e teve que improvisar durante a crise da lagosta. Mas após o episódio a Flotilha foi completamente remodelada
Em 1963 a Flotilha de Submarinos resumia-se a dois navios (Humaitá e Riachuelo) empregados como unidades auxiliares de adestramento das unidades de superfície. A MB não possuía torpedos com cabeça de combate e teve que improvisar durante a crise da lagosta. Mas após o episódio a Flotilha foi completamente remodelada

Antes mesmo do submarino Riachuelo fazer-se ao mar, o contratorpedeiro Marcílio Dias desatracou do AMRJ, levando uma carga preciosa de torpedos Mk.15 para os navios classe “Pará”. Sua viagem a Recife foi cheia de percalços. No cair da noite de 2 de março teve uma avaria de máquinas, que foi reparada. Em 3 de março, o navio “apagou” e ficou sem propulsão por 5 horas. Reparos de emergência permitiram rumar para Ilhéus a fim de aguardar reboque. O Barroso veio ao seu socorro e decidiu-se aguardar a chegada da corveta Imperial Marinheiro para rebocá-lo.

No dia seguinte, 2 de março, foi a vez do cruzador Tamandaré partir do Rio de Janeiro. Mesmo com as caldeiras nº1, 2 e 4 necessitando de retubulação e as demais com vazamentos, o navio seguiu rumo ao Nordeste. No dia 3, suspenderam os contratorpedeiros Apa e Acre que, juntamente com o Marcílio Dias e o cruzador Tamandaré, constituíram o GT 12.4. Os navios ficaram provisoriamente baseados em Salvador devido ao congestionamento do porto do Recife e ao pequeno calado e a pouca infraestrutura dos portos de Natal e Cabedelo (PB).

Por ordem do EMA, a Força de Minagem e Varredura, composta pelos navios Javari, Juruá, Juruena e Jutaí, também foi deslocada para o Nordeste, chegando a Recife em 1º de março. Os contratorpedeiros de escolta Bertioga e Baependi, então executando pesquisas oceanográficas no Maranhão (Operação Equalant) para a Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), também foram solicitados para apoiar a Operação Lagosta. Como pode se ver, tudo que flutuasse e atirasse estava se deslocando para o Nordeste.

O aviso Paul Goffeny (A754)
O aviso Paul Goffeny (A754)

O Tartu é substituído
A França resolveu enviar o Tartu de forma solitária. Mais cedo ou mais tarde, um navio-tanque teria que abastecê-lo ou outra unidade de combate seria enviada para substituí-lo. Caso o navio-tanque Baise deixasse o grupo do Clemenceau, este e os outros nove navios que o acompanhavam ficariam sem apoio. Sobrava então a opção de substituir o Tartu por outro navio equivalente, mas o substituto surpreendeu os brasileiros e até mesmo muitos franceses: foi enviado o aviso Paul Goffeny, reconhecidamente um navio muito menos capaz que o Tartu.

As estações radiogoniométricas passaram a rastrear as emissões eletromagnéticas do Paul Goffeny e descobriu-se que o encontro entre o Tartu e o aviso francês ocorreria em 2 de março. O comandante do GT 12.2 ordenou que o contratorpedeiro Pará se dirigisse ao local provável do encontro. Às 9h15 um avião da FAB comunicou ao Pará que já orbitava sobre os navios franceses e repassou a posição. O contato visual do contratorpedeiro da MB com os navios franceses, que incluíam seis pesqueiros, ocorreu às 10h34. O Pará passou a acompanhá-los de longe e, às 12h59, o Tartu adotou o rumo 032º, em direção à África. Mesmo assim, o Pará permaneceu na região acompanhando a movimentação dos navios. No dia seguinte foi rendido pelo Pernambuco.

Uma mensagem do Tartu para Dakar solicitando o seu reabastecimento foi interceptada, indicando que o mesmo realmente se retirava da área. Para confirmar a informação, os P-15 acompanharam a viagem de retorno do Tartu por um longo tempo.

A troca do Tartu pelo Paul Goffeny foi um grande alívio para os brasileiros, indicando que o Governo Francês havia recuado, mas não capitulado. O assunto perdeu destaque na imprensa, diminuindo de interesse para o povo francês. Somente entre os armadores e pescadores de Camaret houve uma revolta contra a atitude de seu governo.

O contratorpedeiro Acre (D10) sendo reabastecido em alto mar pelo NAeL Minas Gerais. A situação de alguns navios da classe “A” em 1963 era crítica. À época, a MB privilegiava a manutenção da classe “Pará”, mais capaz que as classes “A” e “M” construídas no Brasil nas décadas anteriores
O contratorpedeiro Acre (D10) sendo reabastecido em alto mar pelo NAeL Minas Gerais. A situação de alguns navios da classe “A” em 1963 era crítica. À época, a MB privilegiava a manutenção da classe “Pará”, mais capaz que as classes “A” e “M” construídas no Brasil nas décadas anteriores

Chegada dos reforços
O Marcílio Dias, rebocado pela Imperial Marinheiro, fundeou em Salvador na noite de 5 de março, quando também atracaram em Salvador os contratorpedeiros Acre e Apa. Ambos deveriam receber os torpedos transportados pelo Marcílio Dias e levá-los a Recife, com o propósito de repassá-los aos navios da classe “Pará”.

Após uma longa e tumultuada viagem, o Tamandaré chegou ao porto de Salvador no dia 7. O cruzador trazia a bordo ferramental necessário para o reparo das caldeiras do Barroso, então atracado em Recife. No entanto, os itens só foram encaminhados para Recife (via aérea) uma semana depois!

Também no dia 7 o Acre e o Apa partiram para Recife com a carga de torpedos. Os dois contratorpedeiros chegaram ao porto de destino no dia seguinte, mas o Apa entrou em emergência. Além de estar com seus geradores elétricos (a diesel) inoperantes, também possuía pouca água de reserva, pois o grupo destilatório sofria salgamento. Atracou a contrabordo do Pernambuco, e teve início a transferência dos torpedos.

Difícil, a faina ocorreu durante a noite e sob o olhar de uma multidão de civis aglomerados numa praça em frente ao cais. Num certo momento, um dos torpedos caiu na água, atrasando a conclusão do trabalho. Em outro, a válvula de segurança da caldeira do Paraná liberou vapor, com um forte ruído que asustou a “plateia”.

mapa atlantico sul

Enquanto parte dos navios da Marinha na zona de operação sofria reparos de emergência, as unidades do GT 12.2 continuavam monitorando os pesqueiros franceses e o Paul Goffeny. Ainda em 7 de março um dos seis pesqueiros retirou-se da área. O que parecia ser mais um alívio, transformou-se em tensão quando surgiram notícias desencontradas sobre o contratorpedeiro Jaureguiberry (da mesma classe do Tartu) estar navegando rumo à costa brasileira. Porém, o navio tomou o rumo de Dakar e, no dia 8, mais um lagosteiro afastou-se do litoral brasileiro.

Prosseguia o revezamento dos navios brasileiros que monitoravam a área: no final da tarde do dia 9 o Araguari rendeu o Pará, que retornou a Recife. Na manhã do dia 10, o Paul Goffeny e os quatro lagosteiros restantes afastaram-se do Atol das Rocas, no rumo de Dakar. A informação foi confirmada por uma aeronave da FAB. Parecia ser o fim de um período de muita tensão.

Posteriormente, soube-se que a decisão francesa de deixar a área foi mais econômica do que política. Por ficarem fora da plataforma continental, os navios de pesca ficaram sem pescar por mais de um mês, acarretando grande prejuízo aos armadores.

Difícil retorno
Fordefesa 08 - Pag82-83Na noite de 9 de março o EMA encaminhou ordem ao Comando-em-Chefe da Esquadra (ComenCh) para manter na área apenas um GT composto pelo Barroso e os contratorpedeiros Pará, Paraná, Greenhalgh e Marcílio Dias. O Baependi e o Bertioga seriam devolvidos à DHN para dar continuidade à Operação Equalant. Os demais navios deveriam retornar ao Rio de Janeiro.

Na manhã de 13 de março, partiram o Pernambuco (capitânia), o Apa, o Acre e o Araguari. No final da tarde o Acre, com sérios problemas no seu grupo destilatório e marejamento de água salgada nos tanques de reserva 1 e 4, desincorporou-se do grupo com destino ao porto de Maceió (AL).

O Tamandaré e o Riachuelo partiram de Salvador e se juntaram ao grupo no final da tarde do dia 14. Na madrugada do dia seguinte, ao sul de Abrolhos, o Apa apagou – antes de partir para o Nordeste, o navio havia sido retirado com urgência do dique Ceará e o reparo de solda nas costuras da chapa do tanque de reserva não foi bem executado, permitindo a entrada de água do mar. O Pernambuco foi prestar socorro, enquanto o Araguari e o Tamandaré seguiram viagem. A Imperial Marinheiro, que partiu de Natal no dia 13, foi chamada para rebocar o Apa, mas este conseguiu restabelecer a propulsão e rumar para o porto de Vitória, antes da chegada da corveta.

No dia 16 de março, já próximo de Cabo Frio, foi a vez do Araguari apagar. O navio ficou sem propulsão por três horas, ao sabor da maré e envolto por denso nevoeiro. O problema foi posteriormente resolvido e o contratorpedeiro seguiu para o AMRJ, onde chegou no início daquela tarde. Naquele mesmo dia partiram do Recife os navios Barroso, Paraná e Pará, constituindo o GT 21.1.

Os últimos navios a deixar o Nordeste foram o Greenhalgh e o Marcílio Dias, que constituíram o GT 12.5, no dia 28 de março. Novamente a viagem teve percalços: ambos aportaram em Salvador no dia 29 por problemas de “água de alimentação”.

Em relação às aeronaves, o destacamento de sete P-16 do 1º GAE foi desmobilizado em 12 de março, permanecendo apenas dois exemplares em Natal. O retorno do último P-16 ocorreu no dia 18. Ao final da mobilização, o grupo realizou um total de quarenta missões, oito delas de caráter noturno (num total de 254 horas e 20 minutos).

Considerações finais
A Operação Lagosta foi mais um exemplo, dentre vários existentes na história brasileira, de como o País é dependente de suas Forças Armadas para garantir sua soberania e defender os seus interesses. Pode-se, e deve-se, trabalhar com hipóteses de conflitos mais prováveis e enumerar potenciais agressores, mas as Forças Armadas devem sempre estar prontas para o pior e para o improvável, independentemente de como e de onde venha a ameaça. Isto já era uma verdade naquela época. No mundo atual é mais do que a garantia da sobrevivência.

Pode-se dizer que foi um caso esporádico ou mesmo um evento solitário dentro de um amplo histórico de amizade entre Brasil e França, numa situação que dificilmente se repetiria. Para o desencanto dos defensores desta ideia, a situação praticamente se repetiu. No final de 1978, na chamada “guerra do camarão”, ambos os países chegaram a posicionar unidades militares nas proximidades do Cabo Orange, junto à fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa. Naquela ocasião a mobilização foi menor e somente o contratorpedeiro Rio Grande do Norte foi deslocado do Rio de Janeiro. No referido evento, quatro pesqueiros de bandeira norte-americana foram metralhados por navios da MB e posteriormente apreendidos. Um deles, na época denominado Night Hawk, foi incorporado à MB.

Se a atitude belicosa da França foi uma surpresa, o que dizer da reação do Governo dos Estados Unidos em relação aos contratorpedeiros arrendados à época da Operação Lagosta? Países aliados, e até mesmo parceiros em acordos de defesa mútua, podem assumir posições, se não neutras, diametralmente contrárias. Foi uma dura lição (e a história está cheia delas) de que não existem países amigos, mas sim países com interesses comuns. Quando estes interesses perdem o sentido ou são suplantados por outros maiores, os países “amigos” afastam-se. A propósito, durante toda a crise nenhum país, formal ou informalmente, apoiou ou sustentou a tese brasileira (da lagosta como recurso econômico de sua plataforma continental).

Quando irrompeu a crise da lagosta o contratorpedeiro de escolta Babitonga (D17) preparava-se para entrar em período de reparos. Dois anos depois ele foi convertido em aviso oceânico e seu armamento antissubmarino foi removido. Na foto, o Babitonga sendo reabastecido pelo NAeL Minas Gerais
Quando irrompeu a crise da lagosta o contratorpedeiro de escolta Babitonga (D17) preparava-se para entrar em período de reparos. Dois anos depois ele foi convertido em aviso oceânico e seu armamento antissubmarino foi removido. Na foto, o Babitonga sendo reabastecido pelo NAeL Minas Gerais

Aprendeu-se muito com o episódio. A mobilização tempestuosa das unidades mostrou que uma marinha precisa estar devidamente equipada e seus homens perfeitamente adestrados durante o período de paz, para garantir um mínimo de unidades sempre prontas para situações emergenciais. Depender de verbas contingenciadas e ficar no aguardo de promessas de novas alocações orçamentárias, que vagam ao sabor de congressistas desinformados, não é a forma mais correta de se ter uma marinha digna.

Uma avaliação posterior mostrou que a mobilização e o envio de um grande número de navios de combate foram desnecessários. Porém, naquele momento, era difícil saber se a reação francesa ficaria limitada a um contratorpedeiro (depois substituído por um aviso), pois na costa africana havia uma Força-Tarefa tão ou mais poderosa que toda a Marinha do Brasil. Um ponto positivo deve ser bastante destacado: a movimentação dos navios da MB mostrou a determinação do Brasil em manter a sua posição e passou a impressão de que todos os meios estavam plenamente operantes e em estado de alerta. Na dúvida, o oponente resolveu não apostar no pior. Esse aspecto positivo não ameniza os problemas levantados. Pelo contrário, os realça. Determinação é fundamental, mas quando combinada a meios realmente efetivos, o resultado é muito melhor.

O episódio mostrou também a importância de aeronaves de esclarecimento marítimo com grande raio de ação e dotadas de equipamentos modernos e sofisticados. Melhor ainda teria sido empregá-las (no caso dos P-16A) a partir do NAeL Minas Gerais. Por um breve período o EMA não teve certeza de quantas e quais unidades estavam a caminho da costa nordestina, e com um grupamento aéreo embarcado seria possível monitorar todos os passos da Força-Tarefa francesa antes mesmo que esta deixasse a costa africana, revelando com antecipação a movimentação, número, tipo de unidades navais e estado de prontidão.

O fato é que, durante a crise, o único navio-aeródromo da MB esteve incapaz de navegar e assim permaneceu, atracado ao AMRJ. Possuir navio-aeródromo é uma capacidade para poucas marinhas no mundo, mas contar com apenas uma unidade desse tipo é jogar com a sorte, pois o navio pode não estar disponível quando necessário.

Em relação ao acompanhamento dos navios franceses, merece destaque o excelente trabalho realizado pelas estações ERGAF no monitoramento das emissões eletromagnéticas, de grande utilidade para o serviço de inteligência da Marinha. Utilizando apenas duas estações e uma infraestrutura modesta, o EMA permaneceu atualizado constantemente sobre as trocas de mensagens entre os navios franceses.

Relegada praticamente ao papel de uma unidade auxiliar de adestramento, a Flotilha de Submarinos pouco poderia fazer naquela ação.

Eram apenas duas embarcações, com tecnologia da II Guerra Mundial. Além de serem unidades “pré-snorquel” numa era onde já navegavam submarinos nucleares, não possuíam armamento para um engajamento (torpedos com cabeça de combate), pois na MB cumpriam mais o papel de ameaças submarinas para exercícios das unidades de superfície. Deve-se ressaltar o louvável esforço da Fábrica de Torpedos da Marinha em encher 9 cabeças de exercício com trotil e transformá-las em cabeças de combate.

O porta-aviões Minas Gerais era uma unidade moderna em 1963, mas por causa das disputas internas entre a FAB e a Marinha, ele operava apenas helicópteros naquela época. O P-16A Tracker da FAB operou a partir de bases em terra localizadas na costa nordestina
O porta-aviões Minas Gerais era uma unidade moderna em 1963, mas por causa das disputas internas entre a FAB e a Marinha, ele operava apenas helicópteros naquela época. O P-16A Tracker da FAB operou a partir de bases em terra localizadas na costa nordestina

 

Depois da Operação Lagosta, a Marinha do Brasil começou a remodelar a Flotilha de Submarinos nos aspectos doutrinário e material. Em maio de 1963, ou seja, alguns meses após os acontecimentos narrados aqui, a designação foi modificada para Força de Submarinos (ForS).

Naquele mesmo ano foi criada a Escola de Submarinos e outras duas unidades de versão um pouco aperfeiçoada, provenientes dos EUA (Bahia e Rio Grande do Sul) foram incorporadas. Ambos ajudaram no adestramento das tripulações, numa época em que a MB passou a estudar a aquisição de um tipo de submarino moderno. Foi quando surgiram os primeiros estudos que depois definiram a aquisição de três submarinos novos, de origem britânica, da classe “Oberon” (aprovados no Programa de Construção Naval de 1968).

Um caso histórico como este, obviamente, merece uma reflexão mais profunda. Porém, o episódio é um bom exemplo da importância de manter em boas condições as Forças Armadas, em especial a Marinha. Não se improvisa uma esquadra do dia para a noite. Construir uma marinha efetiva custa dinheiro e leva tempo, mas é fundamental para países como o Brasil, cujas interações com as demais nações do mundo, das mais modestas às mais poderosas, se dão predominantemente pelo mar.

Fontes consultadas e recomendações de leitura

  • SILVA, Oscar Moreira da. A Guerra da Lagosta vista por um tenente 40 anos após. Revista Marítima Brasileira, Rio de Janeiro, v.124, n. 1-3, p. 97-107, jan-mar. 2004.
  • BRAGA, Cláudio da Costa. A Guerra da Lagosta. Rio de Janeiro: SDM, 2004.
  • BECKER, Laércio. O P-16 Tracker e a Aviação Embarcada. Rio de Janeiro: INCAER, 2009.
  • LESSA, Antonio Carlos. “É o Brasil um país sério? A história da mais longeva anedota da política exterior do Brasil”. In: MARTINS, Estevão Chaves de Rezende (org) Relações Internacionais: visão do Brasil e da América Latina. Brasília: IBRI, 2003. p. 187 – 222.
  • LESSA, Antonio Carlos. A Parceria Bloqueada. As relações entre França e Brasil 1945-2000. Tese de Doutorado. Brasília, Universidade de Brasília, 2000.

Artigo publicado originalmente na revista impressa Forças de Defesa número 8

59 COMMENTS

  1. Foi uma boa lição para o Brasil, que mostrou um pais vergonhosamente impotente e despreparado para lidar com qualquer conflito naval. Infelizmente, tantas décadas depois a situação é igual, talvez até pior, estando a MB em um estado deplorável nunca antes visto. Até a Argentina no seu tempo, meteu um baita susto na grandiosa Royal Navy. A única lição aprendida nessa cartilha foi: O Brasil não é um pais sério.

    Abs.

  2. A lição não foi aprendida. Guerras podem surgir do nada e por esse motivo as forças armadas devem sempre estar preparadas para entrar em ação. Infelizmente no imaginário nacional prevalesse a ideia de que o Brasil é um país pacífico que nunca precisará recorrer a força para impor sua vontade. O passado da nossa própria história já demonstrou que é um erro manter as forças armadas na pindaíba mas sempre insistimos em acreditar que crises similares às do passado não podem se repetir.

  3. Hoje, a situação é pior por dois motivos: a operacionalidade da esquadra é menor e os conflitos modernos são mais rápidos. Infelizmente, a MB mantém a mesma doutrina: pouca munição e muitos meios com toda sorte de problemas. Esperam que o inimigo ceda o tempo necessário para a mobilização. O orçamento atual é suficiente para 4 fragatas (6000), 6 corvetas e 4 subs modernos com dias de mar e treinamento adequados. Isso possibilitaria a montagem de um GT a qualquer tempo. Prefere-se uma força maior e inoperante. A recente aquisição do Bahia confirma essa política. Nem sou contra a aquisição de navios usados, mas deveria ter sido realizado o PMG. Mais um pra ficar atracado no AMRJ.

  4. Muito bom o texto, realmente tivemos a lição dada com a Guerra da Lagosta. Achamos que aprendemos com ela, e logo veio a Guerra do Camarão. E pelo jeito não aprendemos nada com estes dois casos.
    .
    Realmente, O Brasil não é um país sério.

  5. “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”, disse há cerca de 50 anos Ernesto Ché Guevara (a frase original é de Edmund Burke).

  6. parabéns Galante pelo artigo que é muito oportuno com o cenário atual na MB.

    Nada aprendemos com a história, em todos os momentos que foi necessária uma mobilização da esquadra sempre estivemos em uma situação sub standard de penúria material, Guerra do Paraguai, primeira e segunda Guerra Mundial e Guerra da Lagosta.

    Somos um país de merd….., com um povo ignorante, que sequer conhece a história acima e governados pela escória humana dos politicos brasileiros.

    • John Paul Jones, boa tarde
      .
      Concordo em vários aspectos, menos com o caso da Guerra do Paraguai, em comparação às duas guerras mundiais do século XX – e no que se refere à Marinha.
      .
      Pelo que pude pesquisar ao longo dos últimos anos, a Guerra do Paraguai se iniciou com a nossa Esquadra (prontificada com reparos consideráveis na frota, realizados ao longo dos anos anteriores) já preparada e realizando operações de combate em apoio à nossa intervenção no Uruguai, e em condições razoáveis de prosseguir a luta fazendo o bloqueio do Paraguai para cortar suas comunicações com o exterior (o que levou à Batalha do Riachuelo). Parte da artilharia também havia sido atualizada com canhões raiados, de último tipo. E até mesmo um encouraçado poderia já fazer parte da Esquadra ao início do conflito, não fosse um embargo francês a impedir sua vinda ao Brasil nos meses anteriores.
      .
      Mas nem tudo é bonito, em vários aspectos a Esquadra não estava totalmente à altura das necessidades, havia defeitos de planejamento, como investimento nos anos anteriores em navios maiores do que os necessários naquele Teatro de Operações (não aprendeu-se com a História da Guerra Cisplatina…) e muito ainda havia o que fazer, mas ao menos a Esquadra daquele tempo estava em condições de atuar muito melhores do que suas sucessoras no início da IGM e IIGM, no século seguinte. Tanto que atuou no bloqueio e na Batalha do Riachuelo (e o fator material a meu ver pesou menos para os riscos que corremos naquela batalha do que alguns erros táticos felizmente corrigidos no correr da luta).
      .
      Em geral não aprendemos com nossos defeitos, mas quando vemos os dois casos do século XX (fora a Guerra da Lagosta) eu creio a lição é ainda mais dura: não aprendemos com nem com as poucas virtudes ensinadas pelo início da Guerra do Paraguai! Isso inclui a necessidade de não negligenciar a manutenção (a Esquadra de 1910, ainda relativamente nova, estava em más condições ao início da IGM), e a necessidade de reequipamento no tempo correto (quando no início da IIGM a nossa Esquadra ainda era praticamente a velha de 1910, esticada além da conta em sua vida operacional, atualizada pobremente com poucos novos navios recém-lançados e outros nas carreiras ou encomendados).
      .
      E continuamos não aprendendo direito, nem com os maus exemplos da nossa História, nem com os (relativamente poucos) bons.

  7. Pois é… vale também como reflexao para aqueles que acreditam que o Brasil nao tem “inimigos” ou pode sofrer ameacas… sao os mesmos que falam em paises “amigos”… embora eu nao tenha nenhuma formacao academica em RI, sei bem que o que existe neste mundao de Deus sao relacoes de interesse e nao de amizade… enquanto esses ditos interesses forem convergentes, tudo bem… mas quando existe divergencia, nem sempre a diplomacia sozinha resolve… “si vis pacem , para bellum”, como diziam por ai… abraço…

  8. Eu estava aguardando essa reportagem há muito tempo, desde que foi retirada a primeira matéria sobre o tema. Mas, como prometido, esta está mais show. Já compartilhei no Grupo “Turma Oscar EAMPE 1975/76”, lá no Facebook. Obrigado pela obra.

  9. A maior parte da nossa flotilha e outros equipamentos eram remanescentes da II GG e se não me engano da G das Coreias.
    Hoje estamos em frangalhos.
    Erramos nos Sub’s.
    Tivéssemos feito com os Alemães Sub’s AIP umas 8/10 Unid e sem essa de SubNuc, estaríamos muito melhores.
    Dá para concertar ?
    Sinceramente dá.
    É só alocar recursos do tesouro e fazer a lição de casa bem feitinha !
    Sem pixuleco é lógico.

  10. Pena, quê só quem vai ler, os fatos desa belíssima reportagem informativa, somos nós os patriotas quê vem no site todo dia.Essa reportagem, deveria passar, como um filme, no congresso como rotina.

  11. O almirantado parece não se preocupar com a situação vexatória, vergonhosa e humilhante de nossa Marinha.Os soldos no fim do mês parece mais importante que uma Marinha de guerra verdadeira.
    Vi o simulador dos AFs Falcão e fiquei com vergonha, parece aqueles brinquedos de parque de diversões do interior, só que dá década de 80, que tristeza, que vergonha!! “LE BRÉSIL N’EST PAS UN PAYS SERIEUX”.

  12. Bela resposta nunão! Ansioso por uma matéria “a guerra do Paraguai e suas lições” tenho lido bastante sobre o conflito e careço de uma explanação mais técnica nos moldes desta matéria. Seria uma grande contribuição aos leitores e a historia como um todo.

    grande abraço a todos.

  13. Parabéns Poggio e Trilogia.
    Vale ressaltar aki a persistência/vontade dakela geração de marinheiros e comandantes da MB… que era até bem equipada mas por alguns motivos alheio a ela, estava completamente sem capacidade operativa. – Tinha que ter muita coragem de ir ao mar nakelas circunstâncias/condições e mais coragem ainda de ordenar vidas a se engajarem nas mesmas circunstâncias/condições.

    Por favor, quem era esse Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA)? – Esse tinha bolas. 🙂
    Mas o que dizer do oportuno censo espirituoso do Comandante Paulo de Castro Moreira da Silva? – Fantástico.

    Grande Abraço.

  14. Renato, essa reportagem deveria ser transmitida em rede nacional e no horário nobre, para que pudesse ser vista por milhões de pessoas.
    Sobretudo aquelas que acham uma bobagem despesas com as Forças Armadas.

  15. Quanto à resposta do CEMA, o Brasil não declarou guerra ao “eixo” logo após Pearl Harbor e sim cortou relações diplomáticas e só em agosto de 1942
    declarou guerra à Alemanha e Itália e a participação brasileira rendeu nada mais nada menos que a tão sonhada Siderúrgica. A declaração de guerra ao Japão só ocorreu em junho de 1945 uns 2 meses antes da rendição uma declaração mais para “inglês ver”.
    .

  16. Excelente texto! Descrição dos fatos muito bem feita, pena que, como foi observado acima, poucos lerão e acessarão este conhecimento histórico! Ressalte-se que nossa briosa assumiu prontamente seu papel, apesar de todos os percalços. Só teremos forças armadas dignas quando formos ,também, uma nação digna.

  17. “A mobilização tempestuosa das unidades mostrou que uma marinha precisa estar devidamente equipada e seus homens perfeitamente adestrados durante o período de paz, para garantir um mínimo de unidades sempre prontas para situações emergenciais .”
    Esse é um paragrafo retirado da história acima citada, e que mediante ao dito não era e não é a realidade de nossa marinha !

  18. Pois é, na verdade ninguém aprendeu nada. Continua a mesma coisa, é só olhar a situação atual, se não idêntica parecida. O certo é que uma Marinha, não têm um interruptor onde liga e desliga. Onde se pode usar a hora que desejar e em seguida encostar e esquecer.

  19. Excelente texto e fiel aos acontecimentos. No entanto, fora do ambiente tático da “Guerra da Lagosta”, ocorreram importantes movimentos diplomáticos, militares e na área econômica, conduzidos por pessoal competente da área de Inteligência, que colaboraram decisivamente na solução do conflito. Tais movimentos, de altíssimo sigilo, estiveram centrados, principalmente, na extensa fronteira terrestre entre o Brasil e a França (Guiana Francesa) – local sem lagostas, com pouquíssimos habitantes, inexpressiva economia e malária endêmica. Ou seja, um belo problema que corretamente manejado ajudou em uma razoável solução. Concordo, contudo, que a lição não foi corretamente assimilada sob o ponto de vista militar. Quanto ao resto, tudo bem. Afinal, nossas lagostas estão nos bistrôs de Paris e os Bordeaux em nossas mesas mais privilegiadas (muitos falsificados, mas isso já é outra guerra)……

  20. Alguns pontos. Os franceses pediram autorização. E quem garante que à época ou hoje em dia existe o mesmo tipo de pesca sem permissão é ninguém saiba?
    Quanto ao NAe não sei até que ponto teria utilidade.
    Ter aviões sobrevoando o GT francês?
    Como?
    Que eu saiba até hoje os caças embarcados costumam ser leves e têm alcance reduzido.
    Quem protegeria o NAE?
    Mal tinham navios para navegar…
    Ou seja, um NAe pode até ter sua utilidade.
    Mas é um alvo fácil não garante nada de nada pois é apenas uma plataforma lançador de aviões pequenos.
    Ótimo para um país como os EUA. Leva seus aviões onde quiser.
    O NAe deles é a projeção de força longe de casa.
    Superprotegido por várias escoltas.
    A matéria mostra. Tudo isso aí demandou preparativos.
    Um NAe não serviria de resposta rápida pois não poderia estar no lugar certo na hora certo.
    NAe não é para patrulha.
    Para mim não existe lição nenhuma.
    Grosso modo pelo menos.
    Claro que ter 50 navios modernos e de grande porte seria ótimo.
    Quase sofreram embargo. E hoje não seria muito diferente.
    Navios produzidos lá fora. Mísseis. Radares. Turbinas.
    Gostei de uma análise do autor: a grande mobilização do Brasil inibiu a França.
    Até aviões dando rasante. E com foguetes (na época ja havia isso no Brasil?).
    E se eles não sabiam da situação do Brasil…
    E se souberam o que os mitares disseram ao embaixador americano… eles estão prontos para tudo.
    Quem sabe (os arquivos ja se tornaram públicos?) os americanos seja lá por que motivo tenham aconselhado os franceses a não criar caso… e pescarem de forma mais sutil… tanto mas por ai…

  21. De curiosidade, posso estar equivocado, mas pelo que encontrei em acervo de jornais os seguintes líderes militares estavam envolvidos diretamente nas reuniões do comando em 24 de fevereiro de 1963.
    .
    Ministro da Marinha: Almirante Pedro Paulo de Araújo Suzano
    Ministro da Aeronáutica: Brigadeiro Reinaldo de Carvalho
    Chefe do Estado Maior da Armada: Almirante José Luis da Silva Júnior
    Chefe do Estado Maior do Exército: General Machado Lopes
    Comandante do 3o distrito Naval (Recife): Almirante Luis Clovis de Oliveira
    Chefe do Estado Maior das Forças Armadas: General Osvaldo Mota
    .
    SDS

  22. Parabéns! mais uma matéria enorme.
    Uma demonstração sem margem para dúvidas de que um país marítimo precisa de uma boa marinha para ser respeitado! Apesar dos problemas da armada brasileira na década de 60, conseguiram reagir, ser firmes perante tudo e todos, até meter na linha os Estados Unidos! A lagosta nos pratos franceses e norte americanos começou a ficar estragada e eles tiveram de a deitar fora! Não valia a pena correr tantos riscos diplomáticos por causa de um crustáceo!
    Para isso foi necessário uma marinha com meios para reagir.

    Um abraço

  23. O fato curioso é que hoje a França possui um Porta-aviões com o mesmo nome do Presidente que ordenou o Contratorpedeiro Tartu para a costa brasileira em 1963, o Porta-aviões Charlles de Gaulle. E se fosse nos dias atuais, quais os meis que estariam em prontidão na MB para enviar se esse Porta-aviões estivesse à 3 dias da costa brasileira com o seu grupo de batalha? Apesar dos problemas e várias dificuldades a MB conseguiu mobilizar uma grande quantidade de navios na época que parece que estava melhor que agora, que mesmo não estando prontos para o combate, acabou intimidando os franceses. As historias se repetem como na II Guerra quando submarinos alemães torpedearam 36 navios mercantes brasileiros na nossa costa e a MB assistindo sem poder fazer nada. Só quando recebeu ajuda e treinamento anti-submarino dos EUA, é que a balança começou a pender para o nosso lado. Outro fato que chama a atenção é que os marinheiros estavam dispostos a lutar pela sua soberania e a maior ameaça para eles não era o ContratorpedeiroTartu mas sim a falta de munição em tempos de paz, fato que se repete até os dias de hoje. Como diz um provérbio português: ” Se queres paz, prepara-te para a guerra”. Outro fato curioso é que com o intuito de resolver a questão, veio ao Brasil uma delegação francesa composta pela Marinha Mercante e armadores. Já o Brasil constituiu a sua representação através do Conselho de Desenvolvimento da Pesca, Sudene, Ministério das Relações Exteriores e Marinha. A Sudene sugeriu a criação de sociedades franco-brasileiras, mas não se chegou a um acordo. Durante o desenrolar da questão, as pescas foram sendo cessadas e o assunto foi perdendo o aspecto emocional. A diplomacia teve papel importante na solução da crise ao ponto do Itamaraty recorrer à Marinha para que lhe fornecesse um técnico em oceanografia. E o almirante Paulo Moreira recebeu a missão de assessorar a Comissão Diplomática Brasileira. Houve longos debates entre as comissões da França e do Brasil.

    Alte.Paulo Moreira: “Se lagosta é peixe, canguru é passarinho”
    Os franceses continuavam insistindo na tese de que a lagosta era apanhada durante seus pulos na água, afastando-se da plataforma continental e, nestas condições poderia ser considerado um peixe, sem contato com o assoalho submarino. O almirante brasileiro, Paulo Moreira, falando em francês, porém, argumentou que, para o Brasil aceitar a tese científica francesa de que a lagosta podia ser considerada um peixe, quando dá seus “pulos” se afastando do fundo submarino, eles teriam que aceitar a premissa de que o canguru seria considerado uma ave, quando também dá seus “pulos”… O argumentou também pesou a favor da posição brasileira!!!

  24. Seal…

    lembrando que os franceses não trouxeram nenhum submarino até porque não é comum submarinos operarem com NAes e o “Clemenceau” e seu grupo zarparam com outro destino, ou seja não estavam adequadamente preparados , foram pegos de surpresa então no caso das coisas terem ficado mais quentes certamente os submarinos franceses e outros meios teriam participado.
    .
    Talvez os franceses não soubessem do real estado de nossos navios, mas, uma máxima naval diz que ” não se combate com o que se quer e sim
    com o que se tem” e a marinha brasileira cumpriu seu papel.
    .
    Se os franceses ficaram intimidados aí não sei dizer, mas, eles pensaram nas consequências que um possível conflito poderia ter entre duas
    nações até então com excelentes relações.
    .
    Quanto aos “36 navios mercantes torpedeados em nossa costa” saliento que apenas cerca de metade deles foram torpedeados próximos à
    costa, os demais o foram no Atlântico Norte e Caribe principalmente.
    .
    abs

  25. Se a situação das nossas forças armadas não está como deveria a culpa é toda dos nossos almirantes, brigadeiros e generais. O orçamento militar brasileiro não é baixo, mas é porcamente administrado. Falar em integração entre forças armadas e racionalização de recursos para um general é o mesmo que jogar água benta no capeta. Alguém sabe me explicar por que, carga d`água, existe um plano estratégico para cada força armada? Por que o ministério da defesa tem tanta coragem na hora de comprar equipamentos superfaturados, mas morre de medo de ameaçar os privilégios de algum cacique de estrela na farda? E, à propósito, por que a relação general/praça das FA brasileiras é a maior do mundo?!

    .

    Sobre o poste, parabéns, é excelente. Agora, todo mundo sabe que nossa Amazônia é a casa da mãe Joana, biopirataria lá é mais comum que pão na padaria; todo mundo sabe que o dia que algum governo brasileiro ensaiar qualquer reclamação sobre o preço do Nióbio a m***** vai feder; todo mundo sabe que o “território Yanomami” é um pretexto para, se um dia for preciso, nos jogar contra a opinião pública mundial e justificar uma intervenção militar direta; e tudo mundo sabe que isso vem acontecendo enquanto nós baixamos a cabeça. Então, meus amigos, enquanto nós continuarmos aceitando tudo, as forças armadas nunca serão necessárias.

  26. Excelente artigo, parabéns!

    Tempos de latas velhas como hoje. Mas de homens destemidos e de aço!

    Um confronto direto com os abusadores internacionais nos faria menos mal do que essa covardia corrupta e traidora da pátria de hoje. A guerra sacode a poeira duma nação.

    Evitar a guerra, sim, mas a pátria ultrajada deve ser defendida com fervor.

    Lembro-me da guerra do camarão. “Metralhadora” de 30 ou 35 mm (não me lembro do calibre exato) fez um pesqueiro parar em pane. Hoje em dia, ficaríamos com medo dos pacifistas da ONU e pediríamos para os pesqueiros saírem das nossas águas em até uma década…Brasil virou Bambilândia…

  27. Amigos. Que tal alguns submarinos classe Tikuna ou Tapajós?Alguns navios construídos localmente(corvetas, fragatas…)? Engenharia reversa em alguns casos não seria necessário quando não se têm dinheiro para comprar? Também não poderia fazer engenharia reversa de alguns equipamentos para o EB e a FAB? Há excelentes projetos . Obrigado e desculpe a inexperiência.

  28. Ah, eis a prova de que atacar-nos a partir de bases na África é bem difícil (em relação ao artigo sobre a “necessidade de um NAe para a MB”). É mais fácil ficarmos rosnando um para o outro (=”dissuasão”) ou o inimigo tomará uma mordida ao adentrar o quintal.

    Se não tomarem Fernando de Noronha, fizerem uma cabeça-de-ponte, usarem algum vizinho traidor (base chinesa na Argentina, por exemplo) ou partirem das ilhas de S. Helena ou Ascensão, temos uma vantagem defensiva que seria bem apoiada por uma boa aviação naval (as águias) baseada em terra mesmo e alguns submarinos (as serpentes) à espreita. Um combate meio kung fu, mas não “fuleiro”. Ainda não temos condições de colocar leão contra leão.

    O importante é a mensagem
    “welcome to hell,
    now go back home
    or else…”

    Por isso, concordo numa boa aviação naval baseada em terra e o devido apoio (e uma potente artilharia antiaérea com seus radares à altura para não sermos destroçados antes da decolagem) e em submarinos como programa mínimo de defesa e dissuasão, deixando o NAe para quando criarmos vergonha na cara e virarmos algo com alguma importância no mundo.

  29. Excelente matéria. Completa e, ao mesmo tempo, sucinta. Sobre o autor da frase “o Brasil não é um país sério”, o Embaixador Afonso Arinos de Melo Franco Filho confirma, em livro escrito na década de 80 (não me recordo o título), que foi realmente o embaixador brasileiro em Paris.

  30. Dalton 28 de janeiro de 2016 at 19:49
    Brasil e Argentina “tinham” uma “quedinha” pelo eixo.
    Mas os Âmis falaram mais alto.
    Ia ser um tremendo erro.
    Sim, naquela época almirantes tinham culhão.
    Não, nem todos Almirantes atualmente tem anorquia.

  31. Texto excelente. Parabéns!!! Pena que as autoridades brasileiras não o lêem, talvez msm q lessem não dariam importância aos fatos aqui narrados; ou até msm esquecem do que aconteceu e deixam as nossas forças armadas no estado deplorável que em se encontram.

  32. A situação relatada foi um verdadeiro “Deus nos acuda!” para a Marinha do Brasil…
    Parabéns e obrigado por essa matéria tão detalhada. Abraço!

  33. Chamou-me atenção o fato de que mesmo a França ter se retirado da OTAN em 58 e De Gaulle não ser uma figura muito querida pelos americanos eles mesmo assim tomaram partido em favor dos franceses,claro no contexto da guerra fria era mais que obvio eles apoiarem os europeus,mas na crise das Malvinas acho que ouve um empenho maior americano em apaziguar ambos os lados,no nosso caso foi pressão e chantagem mesmo,quanto aos Franceses vieram ,dançaram,rebolaram e foram embora mas por decisão própria kkk

  34. Ótima matéria.
    Agora o Brasil não perde uma oportunidade de perder uma oportunidade, essa frase já está até cansada de ser usada por essas bandas, mais fazer o que.
    Se a marinha não estiver em pior estado do que estava na época do acontecido está parecido, se acontece-se algo parecido hoje, me arrisco a dizer, os únicos meios com relevância dissuasória que poderíamos empregar seriam os submarinos e os P-3 Orion, porém se o fato fosse hoje, como vimos em um post de alguns dias atras, Os submarinos estão em reparos e modernização ou aguardando, por tanto não sei se estariam aptos ao uso, outra armar seriam os P-3 orion com seus míssil harpoom, porem com aquela falha na assa, poderiam ter alguma restrição.

  35. João Paulo…

    em 1958 de Gaulle foi eleito presidente, mas, apenas em 1966 a França deixou a estrutura de comando da OTAN devido a certas divergências com os EUA, embora tenha permanecido dentro da organização.
    .
    Como curiosidade, na época do anúncio francês em que De Gaulle pediu que todos os militares dos EUA deixassem o país o Secretário de Estado dos EUA ironicamente perguntou se a medida atingia também os mais de 50 mil americanos enterrados em cemitérios franceses mortos durante as duas
    guerras mundiais. De Gaulle não respondeu 🙂

  36. Branco,
    .
    Que eu saiba, o Harpoon ainda não chegou para a FAB.
    .
    A esperança do Brasil estaria depositada nos submarinos, já que fragatas e ataques aéreos com AMX e suas bombas seriam inúteis diante de qualquer Marinha minimamente equipada, quanto mais a francesa.
    .
    A verdade é que se o Brasil for atacado por algum dos 20 países melhor equipados do mundo, caberá aos nossos militares nos defender jogando o Livro Branco, salgadinhos de coquetel e uísque 12 anos nos inimigos, pois esse é o arsenal das nossas Forças Armadas atualmente.

    .
    Dalton, não conhecia essa história. De Gaulle mereceu a resposta que ouviu, que o colocou em seu devido lugar.

  37. Se fosse hoje uma afronta destas pela França (ou algum outro), o jeito seria colocar o A-12 no caminho deles, perfilar todos os nossos marujos no convés e fazer um ataque de cuspe contra os invasores.
    E seria bom a nossa marinha ir treinando o cuspe à distância já…

  38. De Gaulle mandou está mesma esquadra aos EUA exigir a devolução do OURO francês.
    A Alemanha, por ser país ocupado, não pode fazer o mesmo.

    Pediram seu OURO de volta em 2002 e até agora nada….sem esquadra, sem OURO!

  39. Observando o texto apresentado com os documentos em referencia, notaremos paráfrase do livro mencionado “A GUERRA da LAGOSTA”.

  40. RDunstan
    Os simuladores de avioes sao assim mesmo,parecem brinquedos de parque de divercao pq geralemnte sao conformados por cupulas e bracos mecanicos que simulam o mkvimento da aeronave.
    So informacao extra,esses simuladores sao de 2007 e nao de 1980 como vocd disse
    Abs

  41. Gostei da matéria principalmente da riqueza de detalhes. Fazer a França meter os rabo entre as pernas com o mínimo de recurso foi um ato heróico! A Franca tem um grave história de exploração

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