A Marinha e o desenvolvimento da Informática no Brasil

A Marinha e o desenvolvimento da Informática no Brasil

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As fragatas classe Niterói inauguraram a computação em tempo real no Brasil

Na década de 1950, surge no Brasil o desejo de se desenvolver um computador nacional, aos moldes da indústria que surgia no exterior. Em 1961, alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) criam o primeiro projeto de computador em território nacional, que foi chamado de “Zezinho”.

Outras universidades começam a desenvolver seus próprios projetos: A Unicamp, com apoio da Marinha, lança o “Projeto Cisne Branco”. Na Universidade de São Paulo (USP), se desenvolve o “Pato Feio”. O nome é uma pequena piada, pois se a prioridade do Governo Militar era o Cisne Branco, o projeto da USP era o patinho feio da história. Fato é que o Pato Feio fica pronto antes, com o tamanho de uma geladeira e a memória de uma agenda eletrônica.

Na mesma época, a Marinha compra seis fragatas inglesas. Os sistemas de armas desses modernos navios de guerra eram todos controlados por computador. Dominar a tecnologia virou questão de segurança nacional. Os criadores do Pato Feio foram então contratados pela Marinha para desenvolver um novo computador, batizado de G10.

Fundação da COBRA

Em 18 de julho de 1974, nasce a Cobra – Computadores e Sistemas Brasileiros, no Rio de Janeiro, com o objetivo de desenvolver tecnologia genuinamente nacional. A primeira fábrica de computadores seria fruto da união da Marinha, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da fábrica inglesa Ferranti.

A equipe da empresa foi formada inicialmente por profissionais que vieram da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), da USP (Pato Feio) e do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) (RJ).

A criação da Cobra justificou-se tanto pela razão estratégica, de prover o Brasil de domínio tecnológico, quanto econômica, por real necessidade do mercado interno.

De início, a Empresa reproduziu aqui um computador da Ferranti. Com o conhecimento adquirido, foi possível desenvolver novas placas, alterar componentes e criar novos modelos de fabricação.

O sistema CAAIS das fragatas empregava computadores ingleses FM-1600B da Ferranti

Anos 1980

Inicialmente a empresa produzia computadores da Ferranti. Com o conhecimento adquirido, novos modelos e placas foram produzidos, até ser produzido em 1980 o COBRA 530, o primeiro computador comercial totalmente projetado e construído no Brasil.

Outro modelo que foi muito popular no Brasil nos anos 1980 foi o COBRA 210, fabricado a partir de 1983 com um processador Z80, compatível com 8080 e dois drives para disquetes de 8 polegadas.

Cobra 210

Em pouquíssimos anos, mais da metade do mercado nacional de informática já era constituído de produtos desenvolvidos e fabricados em solo nacional. A Cobra serviu de estímulo para a criação de várias outras empresas, tornando-se pedra fundamental do setor de informática no País. De mero consumidor, o Brasil passou a exportar para o Mundo sua tecnologia.

Foram vendidas cerca de seis mil unidades dos computadores da linha 500/530, um enorme sucesso comercial para época, com preços compatíveis aos praticados no mercado europeu.

O bom desempenho da Cobra e da nascente indústria nacional de informática fez com que, em 3 de outubro de 1984, o Governo Federal aprovasse a Lei da Informática, que instituiu a chamada “Reserva de Mercado”, dificultando as importações. O objetivo era proteger a produção nacional e atingir a soberania tecnológica.

Governos estrangeiros reagiram à reserva de mercado. Os Estados Unidos da América aumentaram tarifas sobre vários produtos brasileiros. Sob pressão, apenas três anos depois, o Governo Brasileiro cede e aprova a Lei de Software, em 1987, iniciando a abertura sem planejamento do mercado de informática do País.

Anos 1990

Vencedor das primeiras eleições presidenciais em três décadas, o Governo Collor aprova uma nova Lei de Informática, que representou uma abertura definitiva do mercado brasileiro, resultando no fechamento de várias fábricas e empresas do setor.

Ao mesmo tempo, os avanços tecnológicos da década de 90 e a popularização da Internet fez com que os bancos dessem um salto de qualidade na automação de seus produtos e serviços: surgiram caixas eletrônicos, cartões magnéticos, o código de barras e o Internet Banking.

Acompanhando a tendência do mercado, o Banco do Brasil adquire a maior parte das ações da Cobra, que passa a ser parceira na prestação de serviços de tecnologia. Grandes contratos são assinados, como o de “Assistência Técnica” e o de “Processamento Eletrônico de Documentos”.

O Mac 512 da empresa brasileira Unitron Eletrônica foi o primeiro clone do Macintosh produzido no mundo. A máquina era uma cópia quase exata do Fat Mac (um Macintosh com 512 KiB de RAM lançado em setembro de 1984) e seu desenvolvimento começou em 1985, ou seja, apenas um ano depois do lançamento do Mac original. Jamais chegou a entrar em produção comercial por ingerências da Apple Computer e do governo americano, que se queixaram de violação de direitos autorais junto ao governo brasileiro

Anos 2000

A empresa muda seu nome para Cobra Tecnologia e consolida-se como parceira estratégica do Banco do Brasil e também continua a atuar como provedora de soluções tecnológicas para administração pública federal, estadual e municipal.

O Governo Federal começa a estimular o uso de Softwares Livres, que são sistemas com código-fonte aberto e propriedade intelectual coletiva, como forma de reduzir a dependência das grandes empresas.

Em 2005, a Cobra assina contrato de prestação de serviços especializados em Software Livre para o Banco do Brasil. A Empresa colabora para o que foi uma das maiores migrações do mundo para sistemas abertos. Mais de 100 mil equipamentos do BB passaram a rodar com sistema operacional livre, o GNU/Linux, inclusive todos os Terminais de Autoatendimento.

Anos 2010

Em 2012, a Empresa se reposicionou e passou a se dedicar principalmente à prestação de serviços para o Conglomerado Banco do Brasil, em duas frentes: Serviços de Processos de Negócios (BPO) e Serviços de Tecnologia da Informação (ITO).

Em 2013, mudou seu nome fantasia para BB Tecnologia e Serviços (BBTS), como forma de demonstrar ao mercado sua proximidade e alinhamento com seu controlador, o Banco do Brasil, que detém 99,97% de seu capital social.

A BBTS conta hoje com um portifólio diversificado: Assistência Técnica, Monitoração, Segurança Eletrônica, Contact Center, Apoio Logístico a serviços bancários, Gerenciamento de Documentos, Impressão, Fábricas de Software e Testes, Software Livre, Gestão de Recursos de Telecomunicações e SMS Broker.

A Empresa terminou o ano de 2013 com um faturamento de R$ 616 milhões, quatro mil colaboradores e capacidade de atendimento em 3.600 municípios brasileiros, tendo a capilaridade pelo território nacional um de seus principais diferenciais competitivos.

Como “visão de futuro”, passou a perseguir ser reconhecida como principal e melhor parceira estratégica do Banco do Brasil na prestação de serviços tecnológicos.

Anúncio da COBRA publicado em jornal da época
Anúncio da Cobra publicado em revistas

FONTE: Wikipédia/Museu da Computação e Informática – MCI

31 COMMENTS

  1. Me lembro bem disso. Eu tinha um ‘Apple IIe’ fabricado no Brasil pela CCE, o ‘Exato’. Nem HD tinha!

    Anos mais tarde, fui fazer um curso de extensão no CCE (interessante coincidência que só me dei conta ao escrever isso) da PUC-RJ. Metaleiro, cabelão em pé, corrente, botas, e tudo mais no meio daqueles mauricinhos, que na verdade não eram mauricinhos, e sim pessoas que já trabalhavam e iam para lá direto do trabalho. Mas lembro-me bem que foi lá nas aulas do curso de extensão da PUC-RJ que aprendi algoritmos de verdade. Eram quadros negros inteiros de algorítmos durante as aulas. O professor era EXCELENTE e carismático, e como eu, morava em Niterói. Descobri isso quando ofereceu carona para quem fosse e fui o único à aceitar.

    Durante a carona, fomos conversando e acabou que descobrimos algumas coisas em comum. Ambos éramos sócios do Clube Naval em Charitas, aonde eu velejava desde pequeno, mas que naquele momento na vida mal aparecia (e hoje sinto falta de uma boa velejada). Ele disse que era da Marinha, e na época estavamm rolando apenas os boatos sobre a aquisição do São Paulo, que ainda chamávamos de Foch. Ele simplesmente foi curto e direto e acabou com os boatos. “Vamos adquirir sim, o comandante já foi escolhido e uma turma já foi para a França.” Quando lhe perguntei por que estava dando aulas de algorítmos também foi bem simples: “Gosto do assunto e gosto de dar aula.”

    Me contou como faziam antigamente os exercícios de tiro para ajustarem a pontaria dos canhões nas Fragatas Niterói, já que não poderiam desperdiçar munição na tentativa, calibrada, tentativa, calibrada, e acerto. Largavam um balão metereológico que media as camadas de vento (velocidade e direção) por onde o projétil passaria, ainda colocando o peso do projétil e a velocidade de saída do cano. Faziam um programa que calculasse isso tudo com a distância e elevação do alvo, et voilá! Com um ou dois disparos, a pontaria era ajustada.

    Agradeço muito ao Cmt. Vanni pelas excelentes aulas, mesmo que eu não tenha ulteriormente ficado na área da informática, essas aulas me ajudaram quando estava na área e até hoje ainda ajudam bastante quando resolvo fazer alguma brincadeirinha aqui em casa para facilitar minha vida.

  2. Ou seja. começou bem mas aí veio a tal reserva de mercado ao invés de abrir, ampliar parcerias com a iniciativa privada, universidades e investimentos estrangeiros. Várias empresas que foram criadas na Zona Franca de Manaus eram mero montadores de dispositivos importados, com um gap tecnológico e de pelo menos uma geração. Trabalhava em banco nessa época e PC com chip 8080 era padrão desktop e caríssimos. vendidos por empresas como Dismac, Microtec e servidores eram com chip 386 enquanto em países avançados o 386 já eram desktop a muito tempo. Graças a contrabandistas que pessoas comuns compravam a preços razoáveis boas máquinas. Infelizmente erros assim afundaram várias iniciativas por aqui, aliás, mesmo na mentalidade empresarial ainda hoje não há “capitalismo sem BNDES” e falta aceitar correr riscos por isso. E não dava para ser China, copiar e lançar produtos piratas como quisesse.

  3. Seria o Cmte José Vanni Filho ??? Ele foi meu segundo Comandante na V33… cara inteligentíssimo, 01 de turma, fez curso em Monterrey… boa gente…

  4. Alguns criticam a reserva de mercado.
    E aí?
    Passaram-se 30 anos…
    Muita coisa mudou… No que nossa indústria progrediu?
    A Coreia e a China se desenvolveram, e o Brasil ficou para trás.
    É uma área na qual o Brasil deveria investir…
    Tecnologia rende muito dinheiro…

  5. Nonato,
    o mais barato é investir na área de desenvolvimento de software e nem isto o (des)governo fez.

    O primeiro computador que eu aprendi a programar foi no TK85 que ligava na TV feito um videogame..
    Depois passei para o CP500 que parecia uma registradora de supermercado.

    O primeiro computador que eu tive era da Gradiente..

    A reserva de mercado teria sido interessante se ela tivesse sido provisória. Os computadores nacionais na época custavam uma fortuna e ja eram obsoletos no exterior, mas sempre tinha alguém que trazia um na mala em viagem ao Exterior.

    E ainda tem gente que quer os militares de volta ao Governo.

  6. O ponto chave é dominar a arquitetura de microprocessadores e pouquíssimos países dominam isso, praticamente é só os EUA seguido da Inglaterra com a arquitetura ARM que hoje equipa os celulares e outros dispositivos móveis mas são processadores menos potentes.

  7. Rodrigo Martins Ferreira 28 de maio de 2017 at 20:17
    Ma a reserva de mercado de informática foi algo gestado exclusivamente pelos militares? Acho que o problema maior aí foi a acomodação da indústria nacional (ou melhor dizendo, dos empresários do setor) perante a ‘facilidade’ que tinha em não ter concorrência… Não diferente da situação da indústria automobilística nacional, até então também sem concorrência dos importados, tanto que o Collor falou que os carros nacionais eram umas carroças…!
    Não que eu queira os militares de volta ao Governo, mas eu diria que, ao menos, eles tinham um Projeto de desenvolvimento nacional. Os governos civis que se seguiram só mostraram ter projetos de ‘perpetuação no poder’, nada mais!…

  8. Exatamente como o Rodrigo Martins disse, reserva temporária para fortalecimento da indústria. E o que deveria ser um impulso se tornou uma muleta e mesmo com tantas falências na época ou algum tempo depois, estamos vendo a mesma porcaria acontecer novamente só que agora, alguns “falidos” estão milionários, os amiguinhos do Estado com seu capitalismo de compadres, e não quebrados …

  9. E nós continuamos errando nas mesmas coisas ,basta ver essa tentativa furada dos estaleiros nacionais da era Lula ,só prejuízo e corrupção.

  10. XO, infelizmente não me recordo do nome completo dele. Usava óculos, cabelos castanhos claros e muito boa gente. Me parece o tipo de oficial que explica aos subordinados o por que de cada atividade e suas finalidades, objetivos, etc. Tipo de oficial que eu gostaria de ver sempre na MB.

  11. Rodrigo Martins.
    Realmente, pode ser que a reserva de mercado tenha inconvenientes.
    Mas não ter indústria nacional também é um problema.
    E atualmente computadores não são nada baratos.
    Qualquer i3 custa 2, 3 mil reais.
    E querem empurrar uns Celeron, coisa de 15 anos atrás…
    Se fosse na época da reserva de mercado, diriam que tal política era a responsável.
    A China incentiva empresas locais, muitas das quais públicas.
    Aí vêm e compram nossas empresas de eletricidade…
    E nós achamos legal a abertura de mercado.
    Quanto aos estaleiros locais o problema não é o que se faz, mas como se faz.
    EUA, Japão, Singapura, Coreia do sul, China, Espanha, Inglaterra, França, Holanda, Suécia, Rússia. Todos têm indústria naval. Por que nós não podemos?

  12. Esse é assunto para dar treta mas colocar “militares brasileiro” e “desenvolvimento da informática” na mesma frase é pedir para forçar a amizade.
    Os militares com sua maldita reserva de mercado atrasaram por anos o desenvolvimento da TI no Brasil. Vivia-se de clones, contrabando e produtos de baixíssima qualidade.
    Tudo era cópia de produtos estrangeiros, não se desenvolvia praticamente nada aqui.
    O Unitron 512 citado ali, por exemplo, é um dos casos mais claros de pirataria brasileira. Tanto que é tido como um dos motivos da Apple ter demorado tanto para vir para o Brasil pois o Steve Jobs guardou uma mágoa pessoal do episódio. E o autor do texto ainda chama a oposição da Apple de “ingerência”.
    O início da COBRA e a criação do “Patinho Feio” são prova de que não precisaríamos ter embarcado nessa canoa furada da Reserva de Mercado.
    A Reserva serviu apenas para criar indústrias fracas pois nem as produtoras nacionais tinham condições de importar tecnologia necessária para o desenvolvimento do produto. O resultado só poderia ser um: assim que se se abriu o mercado todas essas empresas foram para o lixo.
    O engraçado é que normalmente os defensores da ditadura caçoam da situação vivida por Cubanos e Venezuelanos (com razão até) mas esquecem que na parte de tecnologia era exatamente a situação em que vivíamos durante a Reserva.

  13. Um detalhe, a lei que criou a reserva de mercado em 1994, também previa seu fim. Logo não foi exatamente o Collor quem acabou com a reserva. Desde a crise do petróleo em 1976, como forma de equilibrar a balança comercial, o governo militar proibiu a importação de diversos bens de consumo, entre eles veículos e equipamentos eletrônicos. Temos que entender a reserva como uma ferramenta e não um modelo. Muitas empresas sucumbiram e não conseguiam investir devido a inflação da época. Os componentes eram comprados em dolar e o produto montado vendido na moeda brasileira, que se desvalorizava diariamente. Não se desenvolveu tecnologia, nem na area da eletrônica nem na ind automobilistica. faltou uma política mais agressiva, nesse ponto, e nenhuma empresa se preparou para a abertura do mercado. Por outro lado não se deve considerar o período como um atraso. Na área da automação bancária, não ficamos atrás do primeiro mundo. Temos potencial também na área de software, e só não competimos de igual com outros países por falta de investimento.

  14. ELJ,
    .
    O que os militares poderiam fazer:
    – buscar produzir mais petróleo;
    – reduzir impostos, melhorar a infraestrutura, diminuir o custo trabalhista e etc para que o Brasil exportasse mais produtos e equilibrasse a balança comercial;
    – combater a inflação atacando seus fundamentos e não suas consequências;
    .
    Mas é claro que ele, em nome do nacional-desenvolvimentismo, agiu de forma simular ao governo petista e resolveu regulamentar, proteger e incentivar a indústria nacional, causando enormes prejuízos ao povo brasileiro.
    .
    Desculpa mas negar que essa política causou um atraso tecnológico no Brasil e citar um setor que não ficou muito para trás como exemplo de que não houve atraso, ainda mais um setor poderosíssimo como o bancário, é um absurdo e ainda esconde o nefasto impacto que essa reserva causou em diversos setores que dependiam de computadores, mas não podiam comprá-los ou tinham que comprar os produtos piratas nacionais, caríssimos e atrasados.
    .
    No mais, fiquei curioso, qual artigo da Lei 7232/84 previa o fim da reserva de mercado e qual a data estipulada para isso ocorrer?

  15. Rafael Oliveira 31 de maio de 2017 at 12:03
    “No mais, fiquei curioso, qual artigo da Lei 7232/84 previa o fim da reserva de mercado e qual a data estipulada para isso ocorrer?”

    Não seria o texto do artigo 8 inciso VI?

    Aliás, a reserva nem 8 anos durou, pois com a lei 8248/91 ela “se finou-se”.

    Em tempo, 1984 foi o último ano de governo militar, nos demais anos que houve reserva de mercado de informática, gozávamos de pleno regime democrático!

    E mais, como produzir mais petróleo e baixar impostos ao mesmo tempo? Com qual dinheiro investiriam na Petrobras?

    O que me parece líquido e certo é que graças os computadores Ferranti e a COBRA, surgiram muitas graduações em informática em várias faculdades e universidades brasileiras.

    Saudações

  16. Eparro.
    .
    Esse inciso diz respeito apenas à manifestação prévia sobre as importações. A questão da tributação alta, da preferência pelo produto nacional, dentre outras medidas que criavam, de fato, uma reserva de mercado, continuaram existindo. A lei 8248/91 continuou e até mesmo reforçou os benefícios estatais para empresas fabricassem produtos de informática no Brasil.
    .
    Sim, gozávamos de um período democrático (pero no mucho, ja que ainda não tínhamos sequer uma Constituição democrática), mas era o Governo do Sarney, do qual não podíamos esperar muito, fora a parte que não é tão fácil sair revogando leis. Já pensou o Sarney dizendo que iria revogar a lei e os militares, os economistas da Unicamp, os sindicalistas e etc. protestando que o governo democrático era entreguista, contra a indústria nacional, vassalo dos interesses americanos e etc?
    Capaz de os militares tomarem o poder de volta, ou pelo menos, explodirem mais umas bombas em shows.
    .
    Por essas e outras é que apesar de tudo de ruim que o Collor fez, pelo menos ele teve culhões de tomar medidas acertadas para tirar o Brasil do atraso tecnológico. Poderia até ter feito mais, mas pelo menos não ficou inerte.
    .
    A Petrobrás já era uma sociedade de economia mista e com capital aberto. Poderia captar dinheiro de investidores estrangeiros ou mesmo financiamentos.
    .
    Se a gente levar em conta que na década de 80 haviam poucos direitos à população (eu acho a CF 88 excessiva, mas antes não tinha direito a quase nada), o Estado não tinha tanta necessidade assim de arrecadar (e, à época, a carga tributária não era tão alta), salvo para sustentar privilégios da classe dominante (essa parte quase não mudou). Naquela época (60/70, em 80 nem tanto) era muito mais fácil fazer uma reforma tributária, já que os militares não precisavam da autorização de ninguém para outorgar novas constituições ou leis.
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    E detalhe, esse nem era o ponto principal. O que impedia os militares de fazer uma reforma trabalhista? Ou melhorar a infraestrutura do país onde realmente interessava em vez de querer construir a transamazônica? Por que sucatearam as ferrovias nessa época?
    .
    Acho que já passou da hora de analisarmos com mais frieza o regime militar e constatar o óbvio: eles cometeram muitos erros na economia. Depois o PT resolveu copiar parte dessas medidas (Lula também resolveu incentivar as empresas de informática no Brasil, assim como o setor naval e a indústria automobilística) e como era ainda mais incompetente, errou ainda mais feio.
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    Com computadores Apple, HP e IBM não seriam possíveis graduações em informática? Não seriam até melhores, pois mais atualizadas?
    .
    Se Ferranti e Cobra fossem bons, nós os estaríamos usando e eles seriam sucesso de exportação desde a década de 80.

  17. Rafael Oliveira 1 de junho de 2017 at 7:42
    “Se a gente levar em conta que na década de 80 haviam poucos direitos à população…”

    De qual década de 80 você está falando? Você sabe quando foi criado o FGTS e o que havia antes dele? Você sabe quando foi criado o INPS e o que havia antes dele? Você sabe de quanto era o IPI em 1963 e quanto era em 1970? E o ICM deste período?

    Na década e 1980 os bancos brasileiros planejaram, começaram e implantaram a automação bancária no país. Aliás, no Citibank só usavam Apple!

    Sobre infraestrutura, você já deve ter ouvido falar da CVRD e do Porto de Tubarão e quando este foi construído? Dos polos petroquímicos do ABC – Refinaria de Capuava e de Camaçari (Em 29 de junho de 1978, o presidente Ernesto Geisel, que era presidente da Petrobras, inaugura a COPENE, junto com mais dez indústrias do complexo básico, dando início às atividades do Polo Petroquímico de Camaçari).

    Em tempo, poucas universidades brasileiras, que iniciaram os cursos de graduação já usavam, a muito tempo, computadores IBM ou Burroughs. O que disse foi que em virtude da reserva houve um aumento significativo da demanda por profissionais com graduação superior em informática provocado pelas atividades da COBRA, bem como da Scopus e de outras empresas brasileiras como Itautec, que buscaram associações com empresas estrangeiras como: Ferranti, Nixdorf, Honeywell Bull, além das já existentes aqui IBM e Burroughs para atenderem ao mercado. Não fossem os tais “malefícios” da “reserva”; provavelmente estaríamos bem mais atrasados em termos digitais.

  18. Depois que eu vi um General de Brigada admitindo que a reserva de mercado foi um erro…

    Ai vem gente distorcer a realidade para dizer que ela fez bem.

    Se duvidam, procurem no Youtube a audiência pública sobre o novo decreto de produtos controlados. A audiência em si foi um lixo, uma verdadeira conversa de compadres e foram literalmente 3h jogadas no lixo, mas o General Neiva, pelo menos teve a hombridade em admitir que a atual reserva de mercado para armas nacionais está sendo tão ou mais errada que a reserva de mercado de informática e que o Exército aprendia com os seus erros..

    Aprende devagar mas aprende…

    Agora vamos ao fatos…

    A reserva de mercado teve como objetivo criar uma indústria nacional de produção de hardware de informática. Estavam na década de 80 onde ainda muito se tratava o mundo de tecnologia como um mundo mainframe, em que as soluções eram quase todas proprietárias de hardware e software.

    O problema começou a ficar grave quando a microinformática começou a ficar bem mais difundida no mundo corporativo, principalmente o bancário e principalmente os padrões de hardware começaram a se fechar em torno da Apple e IBM.

    Era importante que o Brasil fizesse o seu próprio hardware ? No mundo fechado verde oliva que tem dentro da cabeça dos militares sim, com certeza. Porém para uma grande corporação é importante que o hardware seja feito no Brasil ? Não, apenas que os seus reparos sejam feitos aqui.

    Antigamente se fazia reparo em placas de computador. Hoje em dia somente são substituídas.

    Vi alguém aí em cima dizer que o (des)Governo militar acabou, mas a reserva continuou..

    Infelizmente sim! Senão fosse o lazarento do Collor o mercado brasileiro ainda seria um mercado fechado para o mundo. Não era só computador que era ruim e caro..

    Lembram dos videocassetes ? Enquanto os contrabandeados já era de 4 e 6 cabeças, os nacionais eram no máximo de 2 e caríssimos..

    Eu concordaria que a reserva teria tido um efeito positivo se ainda hoje, algum hardware fosse feito no Brasil. Ficou mais fácil e barato trazer da China.

    Eu trabalhei na Scopus e lá o que o Eparro disse literalmente está exposto no museu da empresa.

    O mais fácil como eu já disse era o (des)Governo investir em software, mas não faz..

  19. Os computadores de Gradiente e CCE eram de um padrão japonês concorrente.
    Assim como os Commodore e Amiga.
    E que também não vingaram.

  20. RodrigoMF 4 de junho de 2017 at 16:07

    E algum banco grande abriu mão do mainframe? Aliás, algum banco grande abriu mão do COBOL? Os terminais de autoatendimento dos bancos são feitos onde e os software deles? Aliás, algum banco compra software ou hardware da China?

    Meu, é certo que “reserva de mercado” coisa boa não é! Entretanto, é um artifício que, quando bem usado, pode resultar bem. A meu ver, a reserva de mercado de informática não foi esta desgraceira que você parece afirmar. Além do mais, olhar para trás e apontar erros, é sempre fácil.

  21. Eparro,
    FGTS foi criado em 1966 para substituir a estabilidade decenal. Quem custeia é a empresa e não o governo (pelo contrário, acaba havendo uma poupança forçada usada para financiamento imobiliário e de infraestrutura).
    Não me referia a esse tipo de direito. Estava dizendo sobre outros direitos, aqueles que o Governo se obriga a fornecer, tomando dinheiro do povo por meio da tributação. Você falou no INPS. Não existia SUS e existe uma grande diferença entre eles: o último é para qualquer um que esteja no Brasil, enquanto o INPS e outros órgãos correlatos. Também só eram assegurados os 4 primeiros anos de estudo, sendo 8 desejáveis. Ensino médio já era, de certa forma, um luxo para as classes mais baixas da população.
    Apesar de se cantar em verso e prosa que durante o regime militar tudo era uma maravilha, uma pesquisa básica em índices de mortalidade infantil, expectativa de vida e taxa de alfabetização mostra claramente que a vida dos mais pobres era pior do que agora (mesmo agora sendo uma porcaria, antes conseguia ser pior). Ou seja, era uma maravilha, em tese, só para as classes média e alta.
    Eu poderia citar um zilhão de exemplos de como hoje o governo ao menos tenta assegurar mais direitos do que na década de 70/80 (eu até acho que a CF tenta assegurar direitos demais para o tamanho do orçamento e o Estado deveria cuidar apenas do básico.)
    E sim, eu sei que carga tributária era bem menor naquela época do que agora. Ela cresceu bastante nos governos FHC e Lula a partir da ideia de que os gastos do governo devem ter sua fonte de recursos (algo elementar, mas que não existia antes – o governo gastava o que não tinha, governos estaduais saqueavam seus bancos e a inflação disparava para a estratosfera).
    Att.

  22. Rafael Oliveira 4 de junho de 2017 at 18:07

    Sinto discordar profundamente.

    Não fosse o governo criar a lei do FGTS não haveria a contribuição e a garantia ao trabalhador, coisa que não era líquida e certa antes. É, mas através do INPS as pessoas tinha acesso aos hospitais públicos sim. O estudo era obrigatório até ao 4º ano ginasial. Além de existirem os colégios técnicos profissionalizantes, que despejavam uma grande massa de trabalhadores para a indústria automobilística, todos os anos. Inclusive Lullinha (de maldita memória) fala disso até hoje. E aquele pai que não matriculasse seu filho no ginásio, teria sérios problemas no seu emprego, inclusive com a retenção do salário família.

    Então. vamos falar de direitos dos cidadãos.
    A começar por trabalho! Compare àquela época com a de agora, quanto emprego havia e quanto há hoje? Depois compare a segurança pública, daquela época com a de agora. Aí passe para as obras de infraestrutura e compare com aquelas feitas àquela época com as de agora. Você falou em educação, compare a evasão da escola naquela época com a de agora.

    Não digo que o regime militar foi um mar de rosas, mas sem a menor sombra de dúvidas as coisas funcionavam muito melhor. Lembrar não significa querer de volta. Entretanto, não há como ler e calar-se, face e alguns desacertos que se colocam na conta do regime militar, para tentar justificar a injustificável e insuportável situação atual.

    Direito, até no dicionário, vem depois do dever!

    Em tempo, os governos estaduais começaram a “ter problemas com seus bancos” em pleno regime democrático de direito.

    Se o governo gastava o que não tinha, era para que os PND fossem cumpridos à risca. Portos, estradas, hidrelétricas, siderúrgicas, polos petroquímicos, incentivos agrícolas. A produção, o emprego e o crescimento eram as principais metas.

    Hoje, as únicas coisas que são relevantes são a corrupção e essa balela de que a culpa é dos outros.

    Saudações

  23. Eparro.
    Líquido e certo nem o FGTS é. Um monte de trabalhador registrado quando vai sacar o FGTS descobre que faltam depósitos ou, às vezes, sequer foi feito um único depósito. É um direito mais ou menos, pois só saca se for dispensado sem justa causa e em circunstâncias especiais. E rende menos que a inflação. Ou seja, é um desinvestimento.
    Você provavelmente era de classe média e de uma cidade grande, por isso tem essa visão de que tudo funcionava perfeitamente. Mas é só verificar os números. Se os hospitais fossem bons e atendessem a todos, a expectativa de vida e a taxa de mortalidade infantil não seriam piores do que são hoje. Para se ter uma ideia a taxa de mortalidade infantil despencou mais de 50% entre 1980 e 2010.
    A segurança pública funcionava melhor em geral. Ok.
    Hoje temos muito mais homicídios e mortes de trânsito e, ainda assim, a expectativa de vida é muito maior do que naquela época. Se você acha que o sistema de saúde era melhor, mesmo diante desses fatos não tenho mais o que argumentar.
    Meu pai nasceu em 1953, não concluiu o ginásio e que eu saiba isso não impactou negativamente a vida dos meus avós. Pelo contrário, o salário dele ajudou a sustentar a família, pois era muito maior que eventual salário-família que deixou de ser recebido. E conforme dados abaixo, o caso dele não era único.
    Taxa de escolarização (7-14 anos):
    1960 – 45,4%; 1970 – 67,1%; 1980 – 80,4; 1990 – 88%; 2015 – 98,6%.
    Como dá para ver, não tem comparação a evasão escolar aquela época com agora. Pode-se questionar que a qualidade do ensino caiu, mas dá para ver claramente que o ensino não era para todos naquela época.
    De fato, as taxas de desemprego eram baixas (entre 2 e 5% conforme o ano da década de 70), mas ignorar que havia inflação não dá. Taxas de 30 a 76% anuais na década de 70 podem não ser o crime de lesa pátria dos anos 80/90, mas eram absurdas e sem paralelo em qualquer país desenvolvido da época.
    E tem que avaliar o governo militar de 64-85. Não pode pegar só o período do milagre. Se a gente avaliar só os bons anos do governo Lula, vai parecer que o governo do PT foi uma maravilha em termos de crescimento econômico, empregabilidade, investimentos em infraestrutura e etc.
    As políticas econômicas dos militares resultaram na catástrofe que foi os anos 80 (claro que o Sarney tem sua parcela de culpa, mas Figueiredo já entregou a economia em frangalhos) devido ao crescimento da dívida externa brasileira e a impossibilidade de rolá-la (pagá-la nem em sonho). Aumentar a produção, o emprego e o PIB se endividando é relativamente fácil. Eu consigo comprar um monte de coisas que não tenho se resolver usar os limites do meus cartões de crédito e fazer empréstimos consignados. O problema é que a conta irá chegar e eu não terei como pagar.
    Quanto à infraestrutura há certa ilusão causada pelo marketing da época. Por exemplo, graças à Itaipu tem-se a impressão de que ninguém fez mais que os militares no setor elétrico. Mas alguns números demonstram o equívoco. A capacidade de geração de energia no Brasil em 1960 era de 4,8GW. Em 1990 (vou dar os anos de Sarney de brinde) era de 53,1 GW. Uau aumentou mais de dez vezes! Mas em 2016 era de 152 GW. Quase o triplo. A velocidade de crescimento durante o regime militar foi maior, mas quando o ponto de partida é pequeno, é fácil dobrar, quadruplicar, decuplicar. Mas de lá para cá se construiu muito mais usinas, de fontes variadas e triplicou o tamanho da capacidade. Mas não tem o símbolo. Não tem uma Itaipu. Então parece que não fizeram nada, quando, na verdade, fizeram muito mais.
    Saudações!

  24. Rafael Oliveira 5 de junho de 2017 at 22:33

    Sabe, sou da mesma década de seu pai, um pouquinho mais novo que ele. Eu vivi naquela época, ninguém me contou e também não li em nenhum livreto ou jornaleco esquerdista.
    Bem, vamos lá!
    O FGTS é garantido por lei ao trabalhador, eventualmente quem não faz este depósito está fora da lei, simples assim. Aliás, FGTS não é forma de investimento.
    Eu era da classe pobre, nasci no interior de São Paulo e mudei-me para o ABC. Meu pai, um matuto, só foi completar seus estudos, graças ao MOBRAL e ao MADUREZA – SUPLETIVO, quando formou-se Contador aos 35 anos na década de 1970.

    “Taxa de escolarização (7-14 anos):
    1960 – 45,4%; 1970 – 67,1%; 1980 – 80,4; 1990 – 88%; 2015 – 98,6%. Como dá para ver, não tem comparação a evasão escolar aquela época com agora. Pode-se questionar que a qualidade do ensino caiu, mas dá para ver claramente que o ensino não era para todos naquela época.”

    Você está dizendo-me que de 1960 até 1980, a escolarização média cresceu 35% em 20 anos e que de 1990 até 2015 ela cresceu 10,6% em 25 anos, é isto?

    Sobre a inflação, as taxas oscilavam sim, mas de 1964 até 1979, em 15 anos somente 1964, 1976, 1978 e 1979 é que foi maior do que 40% a.a.; muito abaixo do que veríamos daí em diante.
    Bem avaliar o governo militar, para mim é simples: foi muito bom. Já desse outro aí, não consigo nem falar, pois seriam inadequados os termos, até ofensivos talvez.

    Sem o Sarney, por favor! Sobre a capacidade de geração de MW, em 1964 era de 4,8; em 1970 era de 11,0 e em 1980 era de 33,5 sendo 87,6% gerados por hidrelétricas. Em 16 anos cresceu 28,7MW, ou seja sextuplicou! Já de 1980 até hoje, passados 37 anos, cresceu pouco mais 100MW, ou seja só triplicou! E com várias termoelétricas, que geram energia a um custo inimaginável, se considerarmos o fator ambiental.
    É, quando são os outros que fazem, é sempre mais fácil!
    PARECE que não fizeram nada, não! NÃO fizeram quase nada, a não ser dilapidar aquilo que estava feito. E conseguiram gerar uma dívida interna muito maior que a maior divida externa que já tivemos, desde tempos imemoriais.
    Deixar um país como o BRASIL, no século XXI, com três anos seguidos em recessão é a maior desgraceira que este bando nos deu de presente. Além do inimaginável rombo econômico que a corrupção nos enfiou.

    Não, não me venha com falácias, por favor. Quer criticar o governo militar, sob a égide das “liberdades dos esquerdistas”, até entendo. Mas querer compará-los a uma “trupe ensandecida” que nos “brindou” com uma corrupção inimaginável e uma “democracia de compadrio”, não. NÃO MESMO!
    Saudações

  25. Caro Eparro.
    O máximo que a taxa de escolarização pode atingir é 100%, então não tinha como durante o regime democrático crescer mais que durante o regime militar. O que eu quis apontar é que muita criança em idade escolar estava fora da escola durante o regime militar, contrapondo a sua falsa afirmação de que a evasão escolar naquele tempo era menor. Não, não era. Isso são dados oficiais daquela época e de agora.
    Sobre geração de energia, como eu disse, quando se parte de algo pequeno, duplicar, sextuplicar, é fácil. É muito mais fácil o Uruguai sextuplicar sua capacidade de geração de energia do que a China.
    Mas analise os dados absolutos:
    Regime militar acrescentou 28,7GW (descartando a década de 80 conforme você quer)
    Collor/Itamar/FHC/Lula/Dilma acrescentaram 100GW.
    Ou seja, fizeram mais que o triplo que os militares.
    Atualmente, as termelétricas (inclusive nucleares e biomassa) produzem 40GW no Brasil. Nem todas foram construídas durante o regime democrático, mas, para ficar mais fácil a comparação, digamos que todas tenham sido. Mesmo assim, 60GW do regime democrático teriam origem hidrelétrica ou eólica.
    Ou seja, mais que o dobro do que toda a capacidade instalada pelos militares.
    Isso são fatos. Não é opinião, muito menos ideologia esquerdista. Foi acrescida maior capacidade de geração hidrelétrica durante o regime democrático do que no regime militar. Não sei porque é tão difícil aceitar isso.
    Eu admito que os militares fizeram muito. Mas, em muitos setores, foi feito muito mais depois pelos “corruptos eleitos”. Questão de prioridades e de mais dinheiro disponível também.
    Sobre a inflação, parabéns aos militares que conseguiram ser melhores que o Sarney, Collor e Itamar. Mas conseguiram ser piores que FHC, Lula e Dilma. Em qualquer tipo de comparação, ser pior do que a Dilma para mim é vergonhoso. Mas se para você foi bom, ok.
    Em nenhum momento defendo a política econômica do final do mandato de Lula e Dilma. Só disse que ela era semelhante a dos militares (o tal do nacional-desenvolvimentismo). E reconheço que a Dilma entregou o país pior do que os militares.
    E sim, a dívida interna aumentou muito mais a partir do anos 80.
    Nem vou falar de corrupção, pois também me enoja e há certo consenso entre nós.
    Agora se depois de todos esses dados você acha que eu sou esquerdista e falacioso, paciência e não há mais o que discutir.
    Saudações.

  26. Rafael Oliveira 8 de junho de 2017 at 16:14

    Quando você diz: “O máximo que a taxa de escolarização pode atingir é 100%, então não tinha como durante o regime democrático crescer mais que durante o regime militar.” isto parece uma falácia! Pois você não considera, em seu raciocínio, que a população cresce, as crianças nascem e precisam de escola e até hoje há déficit! Se houvessem seguido os PND, haveria superávit de vagas escolares (quem sabe 110% ou 115% fossem até viáveis), com vagas disponíveis para imigrantes.
    Mas a incapacidade administrativa deles nos brindou e nos brinda até hoje com este déficit. O mesmo ocorre com moradias, água potável, tratamento de esgoto e assim por diante.
    Até mesmo se houvesse capacidade e competência administrativas não teríamos os problemas que ainda hoje enfrentamos com a energia elétrica, haja vista, o preço e as ainda persistentes dificuldades de geração distribuição e manutenção.
    Ou seja, mesmo com este “aventado grande crescimento” na geração de energia elétrica, ainda é pouco, mesmo depois de mais de 30 anos, com toda a tecnologia agregada, com todo o dinheiro arrecadado de impostos, com todo o crescimento da população economicamente ativa e ainda o sistema é mal distribuído, insuficiente, ineficiente e caro. Ao menos, naquela época, caro não era
    Então, dizer que aquilo que foi obtido nos anos do governo do inominável e sob a bruxa de laquê foi melhor do que sob o governo militar. Isto é falácia! A não ser a corrupção a recessão e a desordem, as quais nunca antes na história deste país vivemos ou vimos tal situação, isto sim é real.

  27. Eparro,
    Taxa de escolarização é o percentual de pessoas de 7 a 14 anos que estão na escola. Número de vagas disponíveis é outra coisa completamente diferente. O 1,4% que não vai a escola pode ser por “n” motivos, como problemas de saúde, crianças desaparecidas ou que entraram para o mundo do crime, e, claro, pessoas que simplesmente não vão à escola por irresponsabilidade dos pais – a sala pode ficar superlotada, mas o ensino fundamental não é negado a nenhuma criança/adolescente.
    Enfim, não é possível superar 100% de taxa de escolarização.
    E sim, concordo que os governos democráticos poderiam ser melhores, mais eficientes, menos corruptos e etc. E também concordo que o Brasil ainda é uma porcaria em vários aspectos.
    No mais, desde o começo só quis mostrar que os civis eleitos não foram tão ineptos como alardeado, tampouco os militares foram tão eficientes como propalado, tampouco o Brasil era uma maravilha.
    Só para reforçar, a taxa de mortalidade infantil no Brasil em 1980 era de 69,1. No Haiti, repito, no Haiti, hoje, é de 49,4. Se isso não te abrir os olhos para o lixo que era a vida de inúmeros brasileiros naquela época, você é ideologicamente tão cego e imoral quanto o pior dos esquerdistas.
    Não quero ser repetitivo, então, de minha parte, encerro o debate.
    Saudações.

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