O elevador de submarinos, no Complexo Naval de Itaguaí no RJ

O site frances Mer et Marine publicou no mês passado uma matéria sobre a evolução do Programa de Submarinos (Prosub) da Marinha do Brasil, com transferência de tecnologia francesa do Naval Group (ex-DCNS). O autor fez elogios ao Complexo Naval de Itaguaí, chamando-o de “obra titânica e única no mundo”.

A matéria divulgou imagens mais recentes das obras na nova Base e Estaleiro em construção em Itaguaí, no Rio de Janeiro.

O primeiro submarino convencional do Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) da Marinha do Brasil será lançado em 2018. De acordo com a MB, os quatro submarinos convencionais já estão sendo construídos em paralelo.

Foto mais recente da Base e Estaleiro de Itaguaí-RJ
Imagem em 3D de como deverá ficar a Base e Estaleiro de Submarinos em Itaguaí-RJ depois de pronta

Os submarinos convencionais são do modelo S-BR baseados no projeto francês “Scorpene”, desenvolvido pelo Naval Group, parceiro da Marinha do Brasil no programa.

Os submarinos de propulsão convencional S-BR serão maiores que os modelos Scorpene adquiridos pelas Marinhas do Chile, Malásia e Índia. A versão brasileira deslocará 2.200 toneladas em imersão e terá um comprimento de 75m, com boca de 6,2m. Será armada com seis tubos lança-torpedos de 21 polegadas para até 18 torpedos F21 e/ou mísseis SM-39 SubExocet e minas submarinas. Também será equipada com dois periscópios, um deles tradicional e outro do tipo optrônico, capaz de enviar imagens diretamente para os MFCC.

A classe Scorpene foi desenvolvida conjuntamente pela DCNS francesa (que no início do projeto ainda era denominada DCN) e pela Navantia espanhola, sendo agora responsabilidade única do atual Naval Group.

É um submarino de ataque diesel-elétrico que pode ser equipado adicionalmente com o sistema de propulsão independente da atmosfera (AIP – Air Independent Propulsion) francês MESMA (Module d’Energie Sous-Marine Autonome), que emprega etanol e oxigênio para mover uma turbina a vapor.

O Brasil optou por não instalar o MESMA e, na seção adicional que este ocuparia, aumentou o espaço para combustível, alimentos e beliches adicionais, posicionados agora longitudinalmente (no projeto original francês, ficam na transversal).

Corte seccional do Scorpene brasileiro S-BR

O Scorpene tem um casco hidrodinâmico construído com aço HLES 80, derivado do que é usado nos atuais submarinos nucleares franceses, porém mais compacto. Algumas tecnologias usadas nas classes “Amethyste” e “Le Triomphant” (nucleares), como o sistema SUBTICS, também são empregadas no Scorpene.

O primeiro comprador foi o Chile, que no final dos anos 1990 encomendou duas unidades para substituir seus dois submarinos classe “Oberon”. Depois foi a vez da Malásia, que adquiriu duas unidades, incorporadas em 2009. A Índia foi o terceiro comprador, assinando em 2005 um contrato para seis unidades, que estão sendo construídas localmente com transferência de tecnologia.

O SBR-1 Riachuelo (S40) será o primeiro submarino da nova classe, e será seguido pelos submarino SBR-2 Humaitá (S41), SBR-3 Tonelero (S42) e SBR-4 Angostura (S43).

  • SBR-1 – Previsão de Lançamento: Julho de 2018
  • SBR-2 – Previsão de Lançamento: Setembro 2020
  • SBR-3 – Previsão de Lançamento: Dezembro de 2021
  • SBR-4 – Previsão de Lançamento: Dezembro 2022

Após esses quatro primeiros exemplares, a Marinha pretende manter uma cadência de construção de novas unidades, podendo chegar a um total de 15 submarinos S-BR  ao longo dos próximos 30 anos.

Modelo do SN-BR em testes

Projeto SN-BR
Além dos submarinos convencionais, a França também está apoiando o projeto do primeiro submarino nuclear brasileiro, que deverá ter muitos sistemas comuns aos do S-BR. O diâmetro de 6,2m do casco do S-BR é insuficiente para receber o reator nuclear brasileiro, por isso um casco de diâmetro maior foi adotado no SN-BR, mas no aspecto geral o submarino nuclear será semelhante ao Scorpene (ver imagem acima).

O submarino nuclear brasileiro SN-BR deverá ser equipado com um reator nuclear PWR desenvolvido pelo Centro Experimental de Aramar (CEA) em Iperó-SP, região de Sorocaba.

O protótipo do reator PWR está sendo montado no Labgene em Iperó-SP

O protótipo do reator está sendo instalado no Laboratório de geração de Energia Nucleo-Elétrica (Labgene) e será a primeira planta com um reator nuclear de alta potência totalmente construída no Brasil. Conceitualmente, é um protótipo com capacidade de geração de 48MW térmicos ou 11 megawatts elétricos (MWe).

Depois dos testes de funcionamento e eventuais correções, uma segunda planta será construída para equipar o SN-BR.

Submarinos S-BR em construção em Itaguaí

79 COMMENTS

  1. Sem adentrar no mérito do projeto francês, preferia o alemão mas tem a questão da planta nuclear que é incompatível com os IKL, a MB, com a capacidade financeira limitada que dispõe, tem que atuar bem em algo, e não pessimamente em várias, e a negação do mar é algo que podemos fazer razoavelmente bem. Então: Keep Calm and Dive! Dive! Dive!

  2. Excelente…
    alguém sabe como anda o plano para uso “dual” do reator ??? Pelo que me lembro, diziam que esse nosso reator levaria energia elétrica para os confins do Brasil… procede a info ??? deram continuidade nesse uso “dual” ???

  3. Leigamente, concordo com Ozawa. Uma força de 15 SBR e 6 SN-BR pode ser realmente efetiva. Mas, será que ficará pronta neste século?

  4. Após esses quatro primeiros exemplares, a Marinha pretende manter uma cadência de construção de novas unidades, podendo chegar a um total de 15 submarinos S-BR  ao longo dos próximos 30 anos.

    Todos sabemos como isso acaba não é?

  5. A Marinha do Brasil terá que convencer os altos decisores do país de que este programa é importante para garantir a proteção do mar territorial e das riquezas nacionais de ameaças que emerjam no futuro e, como benefício imediato, gera milhares de empregos, grande parte deles de elevado nível técnico.

    Convencendo a classe política, os empresários (Fiesp etc) será possível manter os investimentos para não interromper o programa.

  6. Caríssimos,

    Uma coisa que não entendi bem nesse projeto brasileiro é a ausência do sistema de propulsão independente de ar. Alguém saberia informar?

    Sdds

  7. DiogoC, a MB considerou que o sistema AIP MESMA francês era muito caro e com relação custo-benefício desfavorável, preferindo dedicar todos os recursos disponíveis na propulsão nuclear.

  8. 30 anos, com o andar da carruagem, não duvido q as ameaças aumentem para convencer os decisores, que só reagem, e nunca são proativos.
    E é essa proatividade q deveria existir para dissuadir as ameaças.

  9. wwolf22 3 de agosto de 2017 at 16:06
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    Até onde eu li, existiu um direcionamento neste sentido, reatores menores seriam de menor risco operacional e ambiental e mais “simples” para instalação em lugares distantes onde levar energia com “linhão” seria caro. Li isso há um tempo atrás, acho que em material do site da ESG se não me engano.
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    Diziam até que isso traria melhor aproveitamento na produção de combustíveis nucleares no Brasil, mas o custo social para implantação diante da agenda “ecológica” que avançou sobre o ocidente pode ser caro demais para ser bancado.
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    Sds

  10. Caros
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    Depois de analisar o histórico de operação do scorpene no mundo, tendo como chave o “desempenho” do mesmo na Malásia, e um relato de grande valia do Luiz Monteiro, quando em treinamento com a marinha do Chile, prestado em um tópico deste forum de maneira muito elegante, eu, particularmente, acredito que antes desse programa a marinha estava na beira do precipício, e, o avanço dele (bem como o não cancelamento quando em tempo viável) foi um passo resoluto e irremediável adiante.

  11. Olá a todos.
    Lembro-me que o projeto do reator do submarino tembém poderé ser usado como uma unidade geradora de energia elétrica, contudo não tenho certeza sobre o teor do combustível que será usado. Se não estou enganado, Angra usa uranio enriquecido em 5% como combustível, mas acho que a USNavy usa reatores operando com combustível a 20%. Uma bomba necessitaria de teores maiores que 80%. A minha dúvida é se o reator que a MB está desenvolvendo irá operar com 20% , e com isso reduzir as operações de recarga, ou irá usar o mesmo combustível de Angra.
    De qualquer modo, essa discussão sobre problemas ambientais é estranha, porque o impacto de uma termoelétrica a carvão é muito maior do que qualquer usina nuclear. O problema de um reator nuclear não é o impacto ambiental durante sua operação ou o descarte do material contaminado, mas em caso de falha, o estrago é enorme. De qualquer modo, um reator PWR (água pressurizada) é mais seguro que outros modelos, porque ele não gera vapor diretamente do reator. Em caso de despressurização, o reator para imediatamente. Se eu reencontrar o documento sobre o tipo de combustível do reator da marinha, farei uma nova postagem.

  12. Camargoer, salvo engano (e faz tempo que não vejo isso), mas todas, ou pelo menos uma quantidade boa, das termelétricas no Brasil já foram convertidas para gás. Antes disso estavam queimando óleo. Acho que faz algum tempo que não utilizamos mais carvão. Mas ainda assim sua lógica se aplica. A poluição de uma termelétrica mesmo à gás, ainda é bem maior do que o de uma operação normal de usina nuclear, que tende à zero, salvo em acidentes, como você mesmo postou.
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    E sim, a dez anos atrás (uau), em uma palestra na EN durante um congresso, um almirante afirmou que o reator poderia ser usado para gerar energia à localidades distantes ou simplesmente isoladas.

  13. “Uma força de 15 SBR e 6 SN-BR pode ser realmente efetiva.”
    Eu já ficaria muitíssimo satisfeito se conseguíssemos ter uma força de 9 SBR e 3 SN-BR, repondo todos os Tupi e Tikuna, na época correta de suas devidas baixas.
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    “com a capacidade financeira limitada que dispõe, tem que atuar bem em algo, e não pessimamente em várias, e a negação do mar é algo que podemos fazer razoavelmente bem.”
    Só espero que mantenham essa prioridade (a negação do mar) na versão atualizada da END. Eu abriria mão de todos os projetos da frota de superfície, serem construídos em estaleiros nacionais, para terminar este. A frota de superfície poderia ser construída fora, com menor custo, ou através de compras de oportunidade.

  14. Reator nuclear em contêiner! Já imaginaram ou inventaram isso?

    Quinze SUBs em 30 anos? Se o problema de a falta de meios da MB fosse só submarinos, talvez. Mas certamente é um numero, ou meta, que não será atingido. Metade dessa quantidade, oito ou sete, é o mais provável.

    Saudações!

  15. Olá Leandro. O carvão polui quando é queimado e quando é extraído. Além disso, queimar carvão, óleo ou gás gera uma enorme quantidade de CO2. Por outro lado, queimar bagaço de cana (ou madeira ou outro tipo de biomassa renovável) tem a vantagem de recuperar o CO2 da atmosfera. De qualquer modo, coloquei a questão do carvão porque no mundo ele ainda é a principal fonte de combustivel e os argumentos ambientais contra a energia nuclear quase sempre são fornecidos por ONGs estrangeiras. De qualquer modo, é uma excelente discussão, muito melhor do que o flaflu em torno dos Scorpenes ou IKL´s. Um grande abraço.

  16. Olá Leandro.
    Encontrei o boletim do Min.Minas e Energia sobre energia elétrica (jun2017). Na pag.13 há uma tabela sobre os combustíveis usados para geração de eletricidade. Existem 22 usinas termoelétricas a carvão, gerando 2,4% da energia do país (contra 2 usinas nucleares gerando 1,3%). Apenas por curiosidade, biomassa gera 9,2% (mais que gás natural 8,5% ou óleo 6,7%). Acho que a grande surpresa é a geração eólica (7,0%).

    http://www.mme.gov.br/documents/10584/4475726/Boletim+de+Monitoramento+do+Sistema+El%C3%A9trico+-+Junho+-+2017.pdf/0dd6b734-e3c2-4418-a6df-33d1a5087c86

  17. Torço muito para que os quatro convencionais fiquem prontos sem maiores atrasos. Quanto ao nuclear, os esforços serão longos e colossais. Quem sabe um dia, se os recursos forem mantidos. Sem dúvida é um esforço extremamente válido.

  18. Camargoer, obrigado pelo link, com certeza vou dar uma checada nele com mais atenção amanhã, mas já salvei o arquivo. Engraçado que esse mês fazem exatamente dez anos que saí de furnas, e realmente naquela época, a energia eólica não deveria ser nem 1% do total. É uma surpresa agradável, inclusive, meio que para compensar a surpresa desagradável de que ainda temos 22 usinas termelétricas ainda à carvão.
    .
    A mais ou menos nesse mesmo espaço de tempo, assisti uma palestra sobre a matriz energética brasileira durante um ciclo de palestras de estudos estratégicos na ECEME, em que o EB se mostrava preocupado com o fato de a matriz energética brasileira ser antiquada e frágil, e que também estavam de olho tanto na questão ecológica (global warming) quanto na substituição de combustíveis fósseis. Isso é realmente um debate interessante, porque muitas pessoas não estão atentas ao fato que Defesa se dá em diversos níveis que influenciam a população brasileira e seu dia-a-dia como um todo. A questão energética é uma delas, e outra importante e muito, mas muito esquecida, é a própria saúde pública.

  19. Olá Leandro
    Posso perguntar sobre seu período em Furnas? Havia algum murmúrio nos corredores da empresa sobre uso dos recursos para financiar campanhas? Ou ninguém tinha ideia do que acontecia? Não se preocupe em ignorar completamente esta minha pergunta se preferir.
    Sobre a matriz energética brasileira, acho que a fragilidade da segurança do sistema (provavelmente o mesmo ocorre nos EUA, Russia, China.. ) são as redes de transmissão. No blackout de 2009, que derrubou Itaipu, foi o problema em uma linha que derrubou todo o sistema em um efeito dominó.

  20. Se eu fosse o presidente, manteria um fixo de 10 bilhões por ano para cada força armada investir em aquisição de material, ae não tereia problema, seria 30 bilhões de dólares só para comprar o que fosse necessário.

  21. No auge do apagão no Gov FHC chegou-se a cogitar “alugar” “Sub’s/Reatores” da Ex URSS que estavam(ão) somente flutuando e trazê-los para costa do Nordeste, não foi adiante.
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    Somente uma parte do Estaleiro de Itaguaí está pronto.
    O que fanta não se concluí em dois anos.
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    Vou para por aqui ….

  22. A propósito
    o problema do carvão é sua queima e extração, como tudo que queima gera problemas,
    exceção da biomassa por causa da captura do CO2, com bem disse o Camargoer.
    ______________________________

    Quanto a desastres ? Todos serão horríveis, Nuc somente em caso extremo, chernobyl e Three Mile Island ensinarakm muito.
    Nossos sistemas são dos chucrutes e do amis, são ótimos e seguros.
    Que Angra 3 venha rápido, tá difícil.

  23. O reator está caminhando a contento. Segundo o Chefe em recente entrevista, o A12 está sendo estudado em seus pormenores para um futuro lançamento de um NAe nacional. Bem, já escrevi isto em outro pôste, supercondutores (eletromagnétismo) é a tecnologia naval do futuro. Já é hora de começarmos s pesquisas e desenvolvimento dessa tecnologia. Canhões que disparam projéteis a 7.000 km/h, catapultas para o NAe e pode dizer para os paisanos que é de uso duo, trens, como no reator (assim sai verba).

  24. SBR-1
    Previsão de Lançamento: Julho de 2018

    SBR-2
    Previsão de Lançamento: Setembro 2020

    SBR-3
    Previsão de Lançamento: Dezembro de 2021

    SBR-4
    Previsão de Lançamento: Dezembro 2022

  25. Alexandre Galante 4 de agosto de 2017 at 11:58

    Galante e o AA? É este que é o mais interessante.

    Forte abraço

  26. Camargo e, estive lá de 2000 a 2007 e não rolava papo de corredor sobre financiamentos de campanha na época. Existiam controvérsias internas que nos ocupavam mais a cabeça como a reabertura dos concursos, reformas, etc. Eu era da área de TI da empresa, bem Júnior, mas claro que apoiávamos as iniciativas das atividades fim da empresa. Existia um esforço grande de padronização dos gastos com obras de transmissão, medições de impactos ambientais de novos projetos, automação de subestações, etc.
    .
    A falta de investimentos na infra de linhas de transmissão é mesmo um calcanhar de Achilles no qual desconheço o estado atual. Houve sim a instalação de equipamentos de teleproteção de linhas no qual havia o desligamento de linhas de forma automática em caso de sobrecarga evitando danos à equipamentos. Existe também o redirecionamento automático também para o caso de alguma linha cair. Cada linha de transmissão havia redundância dupla, mas também não sei o estado atual das coisas.
    .
    Uma coisa que tenho quase certeza que continua muito boa, são as equipes de reparos emergenciais de linhas de transmissão. Literalmente os caras ficam de alerta dia e noite, 24/7, contando com equipamentos bons (Unimos, L-200’s que substituíram em muitas equipes as Bandeirante, alguns Defenders, etc.) e vão até os cafundós do brejo efetuarem reparos em antenas e linhas de transmissão. Inclusive, infelizmente houveram casos em que foram pegos de surpresa por tempestades e houveram perdas de vidas entre membros de equipes. Esses caras não recebem qualquer reconhecimento da sociedade, por manterem a máquina econômica funcionando. Mas faz parte.
    .
    Existe um comprometimento forte por parte dos funcionários em fazer a coisa direito. Mas não meto a mão no fogo por nenhuma das indicações políticas, por motivos mais do que óbvios, inclusive cocei muito a cabeça com algumas decisões dentro da minha área que não partiram de pessoal estritamente técnico, se é que me entende.

  27. Alexandre Galante 4 de agosto de 2017 at 11:58
    Galante, com o lançamento em 18, a incorporação deve ser quando? 20?

  28. Carlos Alberto, a parte mais cara de Itaguaí, o complexo radiológico, sequer foi iniciada. Equivale a uma usina nuclear, por sua capacidade de manipular o combustível nuclear. Se levarmos em conta o prazo médio para a construção das usinas de Angra (20 anos), podemos ver quando teremos esse SubNuc.
    Repare na foto e compare com a imagem, a parte esquerda da base naval está aleijada, com um cais no meio do mar (onde deveria ter terra num dos lados). Isso só pode ser executado após a conclusão do complexo radiológico.

  29. Qual a capacidade dessa base, em qtde de submarinos ali baseados?
    .

    Devo comentar como sao belos os nomes escolhidos para os submarinos. Assim como as fragatas da Classe Niteroi

  30. Guizmo, por essas imagens em 3D dá para ter uma ideia de quantos submarinos a base poderá apoiar. Tranquilamente, todos as unidades previstas poderão atracar lá e ainda sobrará muito espaço, porque os submarinos podem atracar a contrabordo se preciso.

  31. Certamente isso já foi objeto de matérias e comentários.
    Mas alguém poderia informar o valor total desse programa e como se dá seu pagamento?
    O governo vai pagando conforme vão sendo construídos?
    Paga ao Naval Group?
    Odebrecht?
    Não há financiamento?

  32. A gente precisa cobertura anti-aérea em Itaguaí, isso sim!! Seria ridículo ter uma Base Naval desse porte, com 5 ou mais submarinos convencionais, além de 1 submarino nuclear, sem ter uma fragata/destróier anti-aéreo, ou uma bateria de respeito, como S-300, Patriot, etc.

    Cobertura contra minagem já está sendo discutida pelo Almirantado (falta apenas o cash). Já sobre a AAAe eu não tenho ouvido muito a respeito… 🙁 #oremos

  33. Vamos considerar que essa será a base mais importante da MB, e quiçá uma das mais estratégicas do país. E é um imenso alvo estratégico mais que evidente. Seria o caso de possuir algum destacamento orgânico de Controle Aerotático e Defesa Antiaérea dos Fuzileiros Navais? E quais seriam os equipamentos antiaéreo que possui?

  34. Eu diria até mais…..depois da base da US Navy na Virgínia, essa base seria uma das mais estratégicas das Américas, no Atlântico

  35. Por mais ufanístico que pareça, seria vital a MB buscar um SAM de média altitude para amparar a base, isso pra não dizer que deveria mesmo era adquirir um meio de grande capacidade de defesa de ponto como um S-400.

  36. Sobre a defesa antiaérea da base, discordo da necessidade de S-300, S-400 ou Patriot, pelos seguintes motivos:

    1- A localização geográfica da base é um problema para qualquer ataque convencional partindo de aeronaves. É longe de qualquer país vizinho, e ainda mais longe de qualquer país que tenha alguma capacidade e/ou motivo para nos ameaçar. Só potências mundiais poderiam tentar.

    2 – Um ataque com bombardeiros de longo alcance representaria um esforço logístico muito grande. Aviões de escolta, reabastecedores, e tudo isso em número suficiente daria uma bela dor de cabeça. Some à isso o fato da base de Santa Cruz estar logo ali do lado, e futuramente equipada com Gripens. Restam os porta-aviões…

    3 – Poucos países possuem porta-aviões, e arriscar os seus mantendo-os à uma distância suficiente para realizar um ataque aéreo seria desaconselhável. Suas aeronaves poderiam ser interceptadas pelos Gripens baseados em Santa Cruz, e a relativa proximidade com a costa permitiria que o próprio NAe fosse atacado por nossos caças, além da óbvia ameaça dos submarinos.

    4 – Resta a opção mais plausível, na minha opinião: ataque com mísseis de cruzeiro. Atacar com mísseis de cruzeiro de longo alcance (ex: tomahawk, scalp, kalibr) permitiria manter os vetores de lançamento (navios de superfície e submarinos) longe da costa e consequentemente mais seguros. Poucos escoltas e submarinos de grande porte poderiam lançar dezenas ou até centenas de mísseis de cruzeiro, que se aproximariam voando baixo dando pouco tempo de reação, e neste caso, pouco importa se o sistema de defesa antiaérea possui 20 ou 200 km de alcance. O mais importante, na minha opinião, seria reunir dois fatores essenciais para se contrapor a um ataque de saturação: muitos mísseis prontos para o emprego, e capacidade de engajar vários alvos simultaneamente. Neste caso, creio que sistemas como o Pantsir, Bamse, CAMM, Spyder e KM SAM seriam os mais indicados. A defesa antiaérea de maior altitude e alcance deveria ficar por conta dos Gripens baseados em Santa Cruz.

  37. De acordo com uma matéria publicada aqui no Naval no passado, uma bateria antiaérea Pansir S1 das três a serem adquiridas iria fazer a defesa da nossa futura base de submarinos. Independente do Pantsir S1 sair ou não do papel, isso indica que a MB sabe da importância da defesa antiaérea e tem isso nos seus planos.

  38. Como esta as obras civil, andando, parada ou dentro do cronograma?
    Alguém sabe dizer em relação ao projeto original?

  39. Além de um S400 deveria ter um sistema de curto alcance, pois um único míssil a vôo rasante e la se vai bilhões em investimentos.
    Um sistema Astros
    Tudo o que podemos pois no final pode ser pouco.
    Então não é desperdício dotar esta base de tudo o que podemos comprar

  40. Falando em defesa. Uns dois radares M200 (com IFF) seriam suficientes pra cobrirem toda a área?

    E uma bateria ASTROS AA seria suficiente para proteção?

    Cel Nery dá um help ai na dúvida! 😀

  41. Todo o morro que liga a área norte (base norte) à área sul (base naval e estaleiro), ligadas pelo túnel, até o limite da vila de pescadores na Ilha da Madeira, foi desapropriado pela MB. O topo desse morro, portanto, é area militar, e posição privilegiada para a instalação de AA, em modelo ainda a definir.
    É importante salientar que a primeira linha de defesa dessa base é a Marambaia, onde exitem o EB e o CFN.
    A cobertura Radar de longo alcance será propiciada pelo DTCEA-PCO (Petrópolis), e Santa Cruz está logo na esquina.

  42. Alguém falou em Astros? Faz um tempinho que deixou de ser considerado armamento para defesa de costa. Só se adaptarem o futuro míssil de cruzeiro a ser lançado pelos novos modelos (se e quando esse míssil efetivamente vingar) para ataque a navios.
    .
    Sobre defesa antiaérea por mísseis, a lógica seria começar por uma unidade de Fuzileiros Navais equipados com lançadores de Mistral, armamento já empregado atualmente, e mais tarde (se e quando isso se efetivar) ampliar a defesa para baterias em terra (em caminhões e sistemas de direção de tiro também móveis) lançadoras do CAMM, já que o míssil foi selecionado para as futuras corvetas classe Tamandaré (no uso naval, recebeu o nome de Sea Ceptor).
    .
    http://www.mbda-systems.com/product/camm/
    .
    Enfim, essa seria a lógica das coisas, caso possa ser viabilizada. E, como bem lembrado em comentários acima e em outras oportunidades, para a camada mais alta e distante das ameaças aéreas, há o 1º GAvCa na Base Aérea de Santa Cruz, praticamente ao lado, unidade hoje equipada com F-5M e que no futuro é candidata a ser reequipada com o Gripen.

  43. Vale acrescentar que a patrulha num perímetro ainda mais distante da base de submarinos terá um reforço significativo caso se confirme a intenção de basear os P-3AM da FAB em Santa Cruz.

  44. Pelo investimento colossal, para os padrões da MB, é prudente que se tenha um sistema AA. Não precisa ser um de longo alcance, já que Santa Cruz, com os futuros Gripen, está na esquina, mas um de curto alcance como última camada. E seria interessante, como Nunão lembrou, que a primeira camada AA fosse em Marambaia.
    .
    Cabe lembrar que os próprios submarinos seriam a maior ameaça às plataformas que lançariam os mísseis de cruzeiro, isso somado aos caças Gripen (espero que o 1º GAvCa seja especializado em ataque naval e defesa aérea) e os P-3M, tornariam essa base muito difícil de ser neutralizada.

  45. Eu considero mais plausível que a defesa AAe seja proporcionada por uma fragata com tal capacidade, já que os Gripens em Santa Cruz já serão de prontidão para um resposta imediata, como explicado pelo colega Bjj.
    Logo, o CAMM poderia sim ser uma ótima opção.
    Gripen + CAMM + Fuzileiros com MANPADS

  46. Pessoal, é impressão minha ou o estaleiro parece diferente em todas as imagens 3d e fotos reais?
    como sempre vendem um projeto e constroem outro,

  47. Pessoal, vamos com calma.
    Da uma olhada no mapa, quem conseguiria atacar esta base? NENHUM pais vizinho hj teria esta capacidade, teria que voar milhares de kilometros sobre territorio brasileiro sem ser detectado.
    A curto prazo, os gringos, franceses teriam esta capacidade, talvez os Britanicos dentro de alguns anos, mas contra gringo, não é meia duzia de caças em Santa Cruz ou misseis anti-aéreos que iriam resolver.
    Na minha humilde opinião, o maior perigo são minas (que podem ser jogados por um cargueiro adaptado), ataque de comandos ou até misseis cruzeiros (este mais remoto) do que um ataque aéreo clássico.

  48. Nunõa, perdão pelo troca…segue correção:
    “E seria interessante, como Satytiricon lembrou, que a primeira camada AA fosse em Marambaia.”

  49. Outra ameaça mais provável, na minha opinião, seria a ação de grupos de forças especiais, como foi dito acima. Ações de sabotagem contra os submarinos utilizando minas de casco ou até a tentativa de inutilizar os sistemas de defesa antiaérea com rifles anti-material para abrir caminho para um ataque com mísseis de cruzeiro poderiam ser alternativas por parte de um possível agressor.

    A distância em linha reta da base até a saída para o mar aberto é de mais de 20 km (medido pelo google maps), o que acredito que inviabilizaria uma incursão por mini-submarinos. O ponto fraco, ao meu ver, seria o fato da base ser cercada por mata, pequenas ilhas, e ter o porto de Itaguaí bem ali do lado, com intensa circulação de navios de carga. Uma incursão pela superfície, seja pela mata ou mar, provavelmente não seria muito difícil.

    Tendo em vista essa realidade, acredito que seria prudente e de grande valia contar com uma pequena frota de drones de asas rotativas para patrulhar o local. Modelos como o Skeldar V-200 ou Schiebel S-100, exigem pouca logística, contam com 5/6 horas de resistência e mais de 100 km de alcance. Poderiam ser equipados com câmeras IR e mais uma série de sensores que frustrariam incursões pela mata ou em pequenas embarcações de baixo RCS.

  50. Nunão, se observar as 3 imagens postadas pelo Galante em resposta ao Guizmo verá que ha diferenças.
    Sendo 3 imagens do projeto em 3d, logo, não podem mostra o progresso da construção e sim o produto final.
    agradeço a interação.

  51. Rodrigo, falta realmente uma infinidade de coisas, como bem disse o Nunão. As três imagens postadas pelo Galante nos comentários correspondem a diferentes cenários, em diferentes “idades” de projetos, e já não são os atuais. Esses cenários se alteram com o desenvolvimento do projeto e das “circunstâncias”. Por exemplo, o projeto original prévia 13 cais. 2 já foram sumariamente suprimidos e outros tendem a também ficar pelo caminho, por questões “orçamentárias”. Por isso a base parece faltando pedaço na foto.
    Tudo hoje revolve em torno da parte nuclear, onde não há meio-termo. Ou faz, ou desiste. E, como disse acima, é a parte mais cara.
    É isso que tira o sono do almirantado hj.

  52. Bjj, vc está se esquecendo do Super Porto Sudeste, que a LLX (Eike) fez literalmente ao lado da base naval?
    http://www.eiketudopelobrasil.com.br/tag/super-porto-sudeste/

    Não serão necessários minisubmarinos ou outra coisa fantástica para infiltrar tal base, visto que a mesma pode ser alcançada A NADO, pura e simplesmente. É só embarcar um grupo de forças especiais em um navio de minério estrangeiro e voíla!
    Algumas braçadas e se está dentro da base.

    Essa é mais um fantástico legado da administração do senhor Júlio Soares, ex 01, aquele pândego.

    Agora imaginem aquele marinheiro filipino, sem nada o que fazer enquanto o navio carrega minério, tirando fotos de armomento estratégico nacional (nuclear inclusive) e postando-as nas redes sociais.
    Piada pronta.

  53. Olá Colegas
    O risco da base ser sabotada por comandos é o mesmo de qualquer outra instalação militar nacional ou estrangeira. Não vejo nada que a torne mais ou menos vulnerável a uma operação de sabotagem. Sobre espionagem, a atual base é quase embaixo da ponte Rio-Niterói. Não precisa ser muito inteligente para fotografar a base lá do alto… um ataque aéreo em Itaguaí não seria diferente de um ataque a qualquer outra base da MB. Por fim, há o problema da base ser interditada por minas, que não seria diferente do que aconteceria na saída da baia da Guanabara. Ou seja, as crítica são apenas implicância.

  54. Minas? Uns dois a três mísseis cruise nos lugares certos da ponte e a esquadra fica imobilizada do outro lado da baía.

  55. Camargoer, me desculpe, mas você está falando de algo que não conhece. TODA a instalação militar possui o que se chama de perímetro de segurança. Desenvolveu-se um projeto de sinalização marítima visando a delimitar esse perímetro de segurança, onde uma embarcação estaria irregular se adentrasse. O perímetro estabelecido é mínimo. A diferença entre o tempo de detecção de uma embarcação irregular e sua chegada é praticamente zero. Hoje o perímetro é invadido a todo instante, por pescadores, taxiboats, turistas. curiosos, tudo, pois a base está localizada numa área bastante habitada.

    Foi um erro conceitual.

    Existiam outros pontos na baía de Sepetiba onde essa base poderia ter sido instalada, mais afastada e protegida (e com um custo muito menor, diga-se!). Mas a grana falou mais alto.

  56. Excelente matéria, bastante esclarecedora. Isso sim é um investimento estratégico. Daqui há alguns anos poderemos ter independência na construção de submarinos, além do domínio do ciclo nuclear. Isso, é claro, se o ministério público deixar e não processar todos por corrupção ativa e passiva, tal qual aprenderam nas escolas dos EUA!

    Libertem o Almirante Othon!!!

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