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Há 100 anos, o Brasil declarava guerra ao Império Alemão

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Contratorpedeiro Rio Grande do Norte

Entrada do país na Primeira Guerra guarda semelhanças com ingresso no conflito mundial seguinte. Precariedade das Forças Armadas e fraqueza econômica só permitiram contribuição simbólica para os Aliados

Submarinos alemães afundam navios brasileiros. Movimentos populares exigem que o governo declare guerra. Ocorrem episódios de violência contra imigrantes. O presidente do Brasil, que já havia sido pressionado a abandonar a neutralidade alguns meses antes, decide enfim assinar a declaração de guerra.

Parece o enredo da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Mas o ano é 1917. O presidente, não é Getúlio Vargas, mas Venceslau Brás. O inimigo não é a Alemanha nazista de Adolf Hitler, mas o antigo Império Alemão do Kaiser Guilherme 2º.

Em 26 de outubro de 1917, o Brasil, que havia se mantido neutro por quase três anos da Grande Guerra, decidiu se juntar aos poderes da Entente, a aliança militar contra a Alemanha que naquele momento incluía a Grã-Bretanha e a França e recentemente havia passado a contar com apoio dos EUA.

Parte da imprensa celebrou a decisão do presidente Brás. “…E entramos na Guerra!”, anunciou a manchete do jornal Gazeta de Notícias.

“…E entramos na Guerra!”, anunciou a manchete do jornal “Gazeta de Notícias” em 26 de outubro de 1917

O fim da neutralidade

Brás resistiu o quanto pôde em se lançar no conflito. À época, o Brasil era um país atrasado. Seu Exército precário só tinha experiência em sufocar revoltas populares, como Canudos (1896-1897) e o Contestado (1912-1916). A Marinha ainda se recuperava do expurgo de milhares de homens que haviam se amotinado em 1910.

Sem uma base industrial relevante, o país também viu os investimentos externos sumirem quando os beligerantes redirecionaram recursos. A Alemanha, seu terceiro mercado exportador, ficou fora do alcance por causa do bloqueio aliado. Distante da Europa, o Brasil também não parecia ter qualquer interesse estratégico no conflito. Mas antes mesmo dos ataques a navios o clima no país já vinha sendo preparado para a entrada na guerra.

“O envolvimento emocional de intelectuais e políticos, a intensa participação da imprensa influenciando a opinião pública, as pressões diplomáticas e ingerências econômicas dos Aliados, bem como a intensificação das relações diplomáticas e o crescimentos dos interesses comerciais com os EUA, conduziram o Brasil a uma mudança gradual de posicionamento”, disse o pesquisador Valterian Braga Mendonça, autor de A Experiência Estratégica Brasileira na Primeira Guerra Mundial.

Os submarinos alemães acabaram potencializando esses fatores. Em 1916, um navio brasileiro foi afundado, mas o governo não tomou nenhuma atitude. Em fevereiro de 1917, a Marinha alemã decidiu implementar uma política de guerra submarina irrestrita, sem levar em consideração se os alvos eram de países neutros. O resultado foi logo sentido no Brasil.

Os ataques a navios

Em abril de 1917, o vapor Paraná foi afundado na região do canal da Mancha. Três brasileiros morreram. Em maio, mais dois navios, Tijuca e Lapa, foram torpedeados. Desta vez o país decidiu abandonar sua política de neutralidade.

A primeira represália foi o confisco de 44 navios de bandeira alemã atracados em portos brasileiros. Eles foram rebatizados e receberam bandeira brasileira. O então ministro das Relações Exteriores, Lauro Müller, defensor da neutralidade e alvo regular de ataques por causa da sua origem alemã, acabou pedindo demissão.

A gota d’água veio em 18 de outubro, quando o navio Macau, ironicamente uma das embarcações confiscadas dos alemães, foi afundado pelo submarino U-93 no litoral da Espanha. O comandante do navio, Saturnino Furtado de Mendonça, e um marinheiro, foram feitos prisioneiros. Nunca mais se ouviu falar deles.

A reação no país

Os jornais brasileiros cobriram o episódio à exaustão. O A Época veio com a manchete “A infâmia allemã”. Já a Gazeta de Notíciasestampou o título “Crime feroz da pirataria ‘boche'”, usando o termo pejorativo francês para se referir aos alemães.

Não eram só os jornais que tentavam influenciar a opinião pública a pressionar o governo. Desde 1915, antes mesmos dos ataques, um grupo de intelectuais e personalidades vinha agindo para que o país se juntasse aos Aliados. Eles formaram a Liga Brasileira pelos Aliados, e também passaram a denunciar o que classificavam de “perigo alemão” das colônias germânicas no sul do Brasil.

O grupo reunia pesos pesados da vida pública brasileira, como Ruy Barbosa e o escritor Graça Aranha. Quando Müller deixou o Itamaraty, o ex-presidente Nilo Peçanha assumiu a vaga. O novo ministro tinha justamente Ruy Barbosa como um de seus modelos e tratou de aproximar o Brasil dos EUA, que já estavam em guerra com a Alemanha e haviam se tornado o principal destino das exportações brasileiras.

Os alemães não tinha uma máquina comparável para influenciar a opinião. A marinha britânica havia cortado o cabo telegráfico submarino que ligava a Alemanha ao Brasil, diminuindo o fluxo de notícias vindas do país. Embora os alemães tivessem influenciado o Exército brasileiro por meio de missões militares, as elites simpatizam com os Aliados, especialmente os franceses. “Desde o período imperial, as elites brasileiras eram educadas segundo o modelo educacional francês”, disse Mendonça.

Os ataques a navios também provocaram reações do público contra imigrantes alemães. Incidentes foram registrados em Porto Alegre. Em Curitiba, jornais e estabelecimentos comerciais de alemães foram depredados. Sobrou até mesmo para a comunidade polonesa local, erroneamente identificada como pró-germânica porque a Alemanha tinha então milhões de poloneses vivendo em seu território.

O papel do Brasil na guerra

brasil-na-primeira-guerra-mundialNa história do conflito, o Brasil foi o único país sul-americano que se juntou aos Aliados, mas seu papel foi bastante modesto.

“A participação do Brasil ao lado da Entente foi extremamente limitada, senão inexpressiva para considerar o resultado final da guerra”, afirmou o historiador Carlos Daróz, autor do livro O Brasil na Primeira Guerra Mundial: a longa travessia. Segundo ele, apenas 2 mil brasileiros se envolveram diretamente no conflito.

Sem um Exército moderno, o país se limitou a enviar 24 oficiais para treinamento com as forças francesas. Alguns chegaram a participar de combates. Treze aviadores também foram incorporados aos corpos de aviação do Reino Unido. Uma missão com 138 médicos e enfermeiras foi enviada à França em agosto de 1918.

Também foi criada uma Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG), com oito navios. O plano era caçar submarinos alemães em uma faixa entre o litoral de Serra Leoa, na África, e o estreito de Gibraltar, na entrada do Mediterrâneo. Mas as coisas não ocorreram conforme o planejado.

A partida só aconteceu em agosto de 1918. Os velhos navios movidos à carvão enguiçaram várias vezes no caminho. Quando finalmente aportaram em Freetown, na Serra Leoa, os brasileiros sofreram um grande número de baixas, não pelas mãos dos alemães, mas por causa da malária e da gripe espanhola.

Dos 1.515 tripulantes, 156 morreram. Eles foram sepultados em Dacar, no Senegal. Outros 140 outros ficaram tão doentes que tiveram que ser enviados de volta ao Brasil.

A divisão naval, que a essa altura contava com quatro navios, só conseguiu alcançar Gibraltar em 10 de novembro de 1918, um dia antes da assinatura do armísticio que marcou o fim do conflito. No caminho, os marinheiros confundiram um cardume de golfinhos com um submarino alemão e abriram fogo. Dezenas de cetáceos morreram.

A memória da guerra

A memória da participação brasileira no conflito resiste em alguns monumentos e nomes de logradouros. Nos anos 1920, os corpos dos 156 marinheiros da DNOG foram exumados em Dacar e levados ao Rio de Janeiro. Hoje eles repousam discretamente em um mausoléu no cemitério São João Batista. Uma rua foi batizada em homenagem ao Tenente Eugênio Possolo, um aviador que morreu durante treinamento na Europa.

O U-93, o submarino que responsável pela ação que marcou a virada final na posição brasileira no conflito, desapareceu com toda a tripulação no norte do Atlântico em 18 de janeiro de 1918, três meses depois do afundamento do Macau. Em julho de 2014, mergulhadores afirmaram ter encontrado seus destroços no litoral da Bretanha, oeste da França.

FONTE: Deutsche Welle

63 COMMENTS

  1. Impressionante como a Marinha se degradou em pouco tempo após a “Proclamação da República”. Não me espanta a participação do “Águia de Haia” no movimento de declaração de guerra à Alemanha.

  2. Estou com esse livro a mais ou menos 10 centimetros de mim, mas ainda preciso terminar outro antes de começar à ler. Sinceramente ansioso hehehehe

  3. Impressionante é como a maionese desandou no Brasil após a “Proclamação da República”.

    Quem conhece e estuda seriamente o passado Imperial verá que éramos uma grande Nação.

    A “Républica” somente serviu para que alguns partilhassem das fartas tetas do Estado…

    Infelizmente não temos como retornar à Monarquia pois não há legitimidade. Outrossim, as reformas necessárias nas instituições brasileiras dependem justamente daqueles que se aproveitam do status quo.

    Triste momento que vive o Brasil, de passado glorioso e presente indigesto.

  4. É triste quando vemos que os dirigentes de uma nação não enxergam ou não querem enxergar a realidade de suas forças armadas e lançam soldados numa aventura que lhes pode ser mortal. A sorte é que a guerra já estava no fim, senão poderíamos ter mais baixas só pelos acidentes e doenças, não precisando de ação do inimigo. A situação na 2ªGM foi um pouco melhor, graças a ajuda dos EUA – materiais e treinamento, principalmente no que se refere a FAB.
    “No caminho, os marinheiros confundiram um cardume de golfinhos com um submarino alemão e abriram fogo. Dezenas de cetáceos morreram.” – Isso dá a mostra de quão despreparados estavam, o submarino era uma arma nova ( a flotilha de submarinos da MB foi criada em 1914, por exemplo ) e provavelmente os tripulantes não sabiam identificar um ataque de U-Boat. Se fosse hoje, seriam processados por crime ambiental.

  5. Mesmo na época do Império, sempre que fomos arrastados para algum conflito, fomos pegos de calças curtas e tivemos que correr para reinventar a roda. Foi assim em TODOS os conflitos nos quais o Brasil se envolveu. E infelizmente temo que será assim no futuro também.

  6. “Entrada do país na Primeira Guerra guarda semelhanças com ingresso no conflito mundial seguinte. Precariedade das Forças Armadas e fraqueza econômica só permitiram contribuição simbólica para os Aliados”
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    Segue a tradição, Saga interminável.

  7. E será assim no provável novo conflito mundial que aponta no horizonte. Estamos, novamente, com as calças na mão.

  8. O submarino era e ainda é uma ameaça formidavel. Se as toninhas sofreram nas mãos da MB na IWW, baleias sofreram nas mãos da RN nas Falklands.

  9. A situação naval brasileira em 1917 era muito melhor do que era em 1942. Basta constatar que a força de contratorpedeiros nos dois períodos era composta pelos mesmos navios…

    Os meios navais brasileiros em 1917 eram ainda relativamente modernos, pois tinham sido incorporados apenas sete anos antes.
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    O problema todo era a manutenção inadequada e a falta crônica de pessoal – a formação técnica não acompanhou a modernização da esquadra.
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    Quanto às ações, um fato pouco falado é que é creditado à DNOG o afundamento de um submarino alemão:
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    De acordo com Prado Maia, no livro “D.N.O.G. (Divisão Naval em Operações de Guerra), 1917-1918: uma página esquecida da história da Marinha Brasileira”:
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    “Na véspera da chegada a Dakar, noite de 25 para 26 de agosto, sofreu a Divisão um ataque torpédico de submarino inimigo, que, avistado na superfície, sem possibilidade de dúvida, pelo pessoal da vigilância do Rio Grande do Norte, Bahia e Laurindo Pitta, foi imediatamente atacado com tiros de canhão e bombas de profundidade.
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    Cerca de 20h. 15m. do dia 25, os dois primeiros navios deram o alarma de submarino à vista e abriram fogo sôbre êle, que procurava imergir após haver lançado um torpedo contra o Belmonte. Como o fato se deu numa hora em que todos ainda estavam acordados, as guarnições viveram instantes de angustiosa expectativa, aguardando quase sem respirar o impacto do torpedo, cuja esteira fosforecente era claramente observada. Os navios, navegando em ziguezague, atiravam sôbre o submarino e sôbre a rota do torpedo. Afinal, êste transpõe o alvo, passando-lhe a uns vinte metros da pôpa. Foi um instante de profunda emoção cuja lembrança ainda hoje, quarenta anos transcorridos, faz com que os olhos daqueles que o viveram se encham de lágrimas.
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    Embora vários navios da Divisão houvessem atirado e lançado bombas de profundidade sôbre o navio inimigo, a façanha do seu afundamento é justamente atribuída ao CT Rio Grande do Norte. Neste navio, um marinheiro que nunca avistara antes um submarino, o então 1a classe, artilheiro, hoje 1o tenente reformado Lourenço Eduardo Eustáquio dos Santos, descrevia, com perfeição a respectiva torreta de comando. Foi êsse marinheiro que, achando-se em serviço de vigilância e prontidão junto ao canhão de 101mm da proa, primeiro abriu fogo contra a belonave por ordem do comandante. Dirigia o fogo de artilharia o 2o tenente Floriano Peixoto Cordeiro de Faria. Os canhões de 101 e 47mm alvejaram o submersível; desaparecido êste, avançou o CT na direção de sua provável rota e atirou várias bombas de profundidade. Os demais navios seguiram rapidamente outras direções, lançando também bombas de profundidade sôbre os possíveis caminhos tomados pelo inimigo.
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    Não houve certeza da sua destruição, por não se haver constatado vestígios denunciadores. Aliás, a escuridão da noite dificultava sobremaneira essa verificação, pois nem mesmo o óleo poderia ser percebido na face do mar. Mais tarde, entretanto, o Almirante Frontin foi cientificado de que , de uma relação do Almirantado Britânico, constava o desaparecimento de um submarino alemão na rota da Divisão Brasileira, e a esta era atribuído o afundamento. Também o vice-almirante Hischcot Grant, comandante da base inglêsa de Gibraltar, confirmou o fato ao nosso chefe, o que o levou a aceitá-lo como real.”

  10. E no próximo conflito mundial,que vai ser terrível para a humanidade isso não temos dúvidas vai mudar a ordem mundial e se alguém conseguir sair chamuscado,a vida vai ter de seguir e com paus e pedras começaremos de novo e o Brasil vai perder a chance de ser o maior país do mundo.Detalhe EUA,China,Rússia e Europa vão ser um monte de escombros nucleares,vão ser reconstruir no meio da radiação e vão nos passar e ainda estaremos ineficientes como nação.

  11. Pois é, Rafael. Nada como olhar mais de um lado para a questão. Esse texto do DW está bem mais ou menos. Sem falar que “velhos navios a carvão” é uma incoerência. Os navios não eram velhos (careciam de melhores instalação de manutenção na forma de um novo arsenal, cuja construção demorou a começar, foi interrompida com a guerra e só recomecaria em 1922), estavam ultrapassados porque a própria corrida naval pré-guerra foi de um dinamismo absurdo, e o fato de usarem como combustível o carvão… ora, a esquadra de batalha alemã era praticamente toda abastecida só com carvão.

  12. LucianoSR71 27 de outubro de 2017 at 13:05
    Prezado
    A Inglaterra matou uma baleia na Guerra das Malvinas.
    Se a marinha mais tradicional e uma das mais preparadas passou por isso, com a tecnologia de 1980, imagine 1900 e uns quebrados!!
    O marinheiro ao ver a mancha no mar, praticamente não tinha mais chance, pq um submarino já teria visto seu navio, e já estaria atirando.
    Pergunta:
    Se fosse vc, esperaria confirmar o q era e arriscaria ser torpedeado no meio do ignoto ou decidiria agir em defesa de possível ameaça iminente?
    Sds

  13. Agnelo 27 de outubro de 2017 at 15:10
    Comparar golfinho c/ baleia, um erro não justifica outro, bem … esquece. Abs.

  14. Prezado Manock (27 de outubro de 2017 at 13:35), boa tarde.

    Não consegui entender seu desagrado à esta parte do meu comentário.

    Na época da Monarquia, possuíamos uma organização institucional superior à atual (com quatro poderes distintos, inspirados nas ideias de Benjamin Constant) que separava questões de Estado daquelas questões de Governo.

    Com efeito, foi graças a esta distinção que conseguimos manter o Império íntegro, em que pese as diversas revoluções ocorridas, além do advento da Guerra do Paraguai.

    Tínhamos, àquela época, uma Marinha razoável, além de respeito das demais Nações do mundo.

    Após a Proclamação da República, nossos “iluminados” líderes adotaram aquela porcaria do Positivismo (que de tão bom só foi seguido aqui, ainda que criado na França), de ondo surgiu o famigerado lema Ordem e Progresso.

    Ademais, em notória falta de identidade, adotamos alguma inovações americanas, pero no mucho. Reduzimos os poderes para apenas três e entregamos grande poder nas mãos do Presidente. Com isso, nosso querido Brasil foi vítima de governos autocráticos, que buscavam apenas o locupletamento próprio e atrasaram o desenvolvimento do país.

    Parte do nosso problema está aí. Hoje, entretanto, a Monarquia é impraticável aqui. Acredito que um modelo próximo à Alemanha, com Parlamentarismo de fato e voto distrital misto faz mais sentido à Nação Brasileira.

  15. Luciano, conforme a situação de luz, mar, e se não for perto, vários golfinhos agitando a superfície podem sim ser confundidos com as bolhas lançadas de um submarino em imersão. Estamos falando numa guerra pré-sonar no caso da IGM. E, mesmo na IIGM, muito da detecção era com binóculos.

  16. Me espanta o Brasil não ter uma estratégia para um conflito europeu que naquela época era iminente e as possíveis consequências de cada resultado, ficando a mercê de opiniao pública.

  17. Renato de Mello Machado 27 de outubro de 2017 at 13:51
    .
    Cara, não é por nada, não, mas se entendi o seu comentário, você acredita que em uma guerra nuclear entre as potências militares, o Brasil sairia apenas ‘chamuscado’? E, após, poderia reinar absoluto neste pequeno planeta?

  18. Mas assim como em 1914 , hoje, em 2017, continua valendo muito a máxima do grande Ruy Barbosa: ” Esquadras não se improvisam!”

  19. Fernando “Nunão” De Martini 27 de outubro de 2017 at 16:24 e Agnelo 27 de outubro de 2017 at 19:09
    Ok, só quero que entendam que não estava denegrindo os marinheiros, muito pelo contrário, e sim criticando quem os colocou numa guerra sem serem devidamente treinados e aparelhados p/ tal. Os senhores da guerra não vão p/ o front, entenderam. Na 2ªGM, por exemplo, soldados da FEB foram p/ Itália e não tinham uniformes p/ suportar o inverno europeu, tiveram que improvisar. Ninguém sabia que iriam enfrentar um frio congelante ( e p/ piorar o inverno de 1944 foi o pior em muitos anos ). Abs.

  20. Cardume de Golfinhos, Golfinho é peixe ??

    Cara em nenhum livro sobre o assunto por gente da área cita saporra, isto foi um babacao c professor de cursinho para fazer graça para um bando de tonto soltou esta graça em uma aula e foi postado na net, pois em lugar NENHUM cita por qual navio, como e quando isto aconteceu, e do mesmo jeito alguns de vcs que acreditaram nesta pataquada, ja tiveram a oportunidade de navegar mar afora em noite escura com o navio apagado, alguém faz uma ideia de como seria a identificação visual d algo com baixa assinatura visual a noite, a distância e no zói ? …. sabe o que ée isso, é coisa de gente que não tem a menor ideia do que fala (o professor abobado) .. o pior é gente que tem algum tipo de relacionamento com o assunto de defesa levar adiante uma coisa assim …. me digam que navio fez isto ??? Toninhas ? vigia bom em, identificou morto no escuro ….. olha tinhamos um CB Severino DT bom para cacete em 1917 da vida em (e legista ainda …) ….

  21. A história vai ficando distante e cada vez mais apagada, assim como a oportunidade de aprender com os próprios erros (coisa que raramente se faz por aqui). Mas bom o post, mesmo com alguns detalhes imprecisos (como levantados por outros foristas), vale a pena a leitura!

    Pequeno erro de português…

    “Os alemães não tinhaM uma máquina…”

    Sds

  22. Luciano
    Não estou criticando. O q vc falou sobre despreparo è importante.
    Dai vem o seguinte: pode alguém se preparar sem definir as ameaças?
    Quando está mais acirrada a disputa, é fácil, mas hj, com as ameaças ambíguas, difusas, mutáveis, está se investindo em capacidades e inteligência.
    Mas para aquela época, q ainda atacavam em linha contra metralhadora…. Imagine a guerra no mar.
    Quase q uma guerra das caravelas em tática com meios mega destrutivos.
    Era bizarro

  23. A guerra no mar na IGM foi um anticlímax. Esperava-se uma batalha de aniquilação como aconteceu em Trafalgar e Tsushima, mas ambos os lados se ocuparam basicamente de espalhar minas e tentar táticas de emboscada através de incursões “Hit and Run” (principalmente a Hochseeflotte alemã), visando dividir o inimigo e combatê-lo em condições táticas favoráveis.

    Os confrontos navais foram em pequena escala (Coronel, Falklands, Dogger Bank). Havia um “fator cagaço” muito grande dos dois lados – e com razão, pois quem ganhasse a guerra no mar ganharia a guerra em terra, o que de fato aconteceu. Os alemães foram derrotados pela Royal Navy, não pelo exército.

    Mas os brits tinham uma vantagem em inteligência, pois eram capazes de interceptar todos as transmissões alemãs e decodificar suas mensagens na famosa “Room 40”. Foi isso que possibilitou a Sir John Jellicoe saber que a Hochseeflotte inteira sairia no dia 31 de março de 1916 em uma tentativa de atrair os battlecruisers britânicos (e mesmo parte da Grande Esquadra, conforme os alemães acreditavam) para uma emboscada. Tem início a batalha naval de Jutland.

    O que pareceria ser uma batalha aos moldes de Trafalgar terminou sendo uma terrível confusão, com encouraçados combatendo em meio à cerração e fumaça e usando tecnologias primitivas de comunicação.

    Foi uma vitória tática dos alemães – escaparam magistralmente da destruição com duas manobras de reversão (feito notável levando em consideração as dificuldades de sinalização, comunicação e sincronismo de monstros de mais de 20.000 toneladas) além de infligir pesadas perdas aos britânicos. Mas foi uma vitória estratégica dos britânicos, que mantiveram o domínio estratégico, embora Sir John Jellicoe tenha sido injustamente criticado após a batalha.

  24. Mas gente, a essa altura, o Brasil já não tinha recebido seus Dreadnought?? Se não me falha a memória, Dreadnoughts do mesmo estaleiro que o Brasil comprou, foram modernizados e atuaram muito bem nas batalhas navais da I GM.

    Não acho que seja a República, infelizmente, as Forças Armadas Brasileiras sempre foram relegadas ao segundo plano. No Império, não podemos esquecer da Guarda Nacional, que em alguns momentos chegou a ser melhor equipada que o Exército Imperial. Sempre fomos tragados para conflitos quando estávamos despreparados e tivemos que nos virar. Por sorte e dedicação, suor e sangue, nos viramos em todos.

    Mas, gostaria de registrar aqui uma simples crença minha, já que não possuo dados para atestar esse sentimento. Creio que se um novo conflito europeu eclodisse agora, ou uma nova guerra no pacífico, acredito que a OTAN se interessaria, e muito pelo nosso Exército. E se fosse daqui a 5 anos, pela FAB. Acho que as divisões do Exército voltadas para guerra convencional, notoriamente as do sul do país, teriam plenas condições de atuar numa coalizão. A impressão de que os meios, mesmo ultrapassados em relação às grandes potências, estão bem manutenidos, e com tripulações bem adestradas, me fazem crer nisso. Acho que o EB seria capaz de enviar, e manter em operação seus Leo 1A5, M113, M109, Gepards, Cascavéis e Urutus, assim como as viaturas mais leves e de logística, desde que atuando numa coalizão que fizesse o ressuprimento. Acho mais, que mesmo com meios inferiores (e que estão nas reservas dos países europeus e com certeza seriam empregados por eles devido à escassez dos meios mais modernos), seriam mais eficazes que as unidades da reserva europeia tripuladas por seus reservistas. Sem falar na brigada de PQDs e as unidades que compõem a Força de reação rápida.

    Nesse momento, acho que estamos relativamente mais preparados do que nos outros momentos históricos, por incrível que pareça.

  25. Os Dreadnoughts brasileiros já estavam obsoletos quatro meses depois , quando do lançamento do HMS Orion

    Pra ver como a tecnologia naval pré-IGM era coisa de alucinado.

  26. Fred…
    .
    a situação dos encouraçados “Minas Gerais” e “São Paulo” em 1917 já era embaraçante, apesar de “novos”, mesmo não estando mais entre os maiores da época, não estavam sendo bem mantidos, a condição material era sofrível e ambos foram para os EUA ainda antes do fim da guerra para uma revitalização e só retornaram ao Brasil em 1920.
    abs

  27. Rafael, não estavam obsoletos, estavam desatualizados, ou ultrapassados em certas características.
    .
    O que faltava principalmente era uma atualização na sua direção de tiro (que foi uma das tecnologias mais desenvolvidas entre 1910 e o início do conflito), e se isso estivesse atualizado poderiam compor uma linha de batalha com outros mais novos.
    .
    Tanto que navios das primeiras classes de Dreadnought britânicos contemporâneos aos nossos (Bellerophon, St. Vincent, Neptune e Colossus, todos com canhões de 12″) combateram na Jutlândia junto aos chamados super Dreadnoughts (com seus canhões de 13,5″, 14″e 15″). Se cada desenvolvimento tornasse totalmente obsoletas as classes anteriores, não haveria tantas classes lutando juntas na batalha da Jutlândia, por exemplo.

  28. Sim, Fernando, mas a ponta-de-lança eram os super-dreadnoughts. Os dreadnoughts de primeira geração ficavam na rabeira da linha.

    E realmente, a diretora de tiro era um item essencial que se provou de grande valor em Jutland. E nesse quesito os alemães estavam melhor que os britânicos, o que compensava o menor calibre de seus canhões (11″ e 12″).

    Idem à munição. Os obuses ingleses explodiam no impacto, sem penetrar no alvo, a espoleta de retardo dos obuses alemães eram de melhor qualidade e penetravam profundamente no interior do navio antes de explodir. Isso teve efeitos devastadores nas cascas de ovo que eram os cruzadores de batalha britânicos.

  29. Isso, Rafael.
    Meu comentário foi só em relação à palavra “obsoletos”, que na minha interpretação não foi bem utilizada. Só isso.

  30. “Os alemães foram derrotados pela Royal Navy, não pelo exército”
    Nao, meu amigo. Quem derrotou a Alemanha na Primeira Guerra foi a entrada dos Estados Unidos na mesma. Na Segunda foi a Uniao Sovietica, que praticamente ja tinha destruido atotalitade da Wehrmacht quando o D Day ocorreu em 1944. Os americanos simplesmente entraram na Europa pela Segunda vez para plantar sua bandeira antes de Stalin chegar a Lisboa.

  31. Bom, obsoletos out não obsoletos na Primeira Guerra, o incrivel é que a comedia tragica da MB continue, em 2017. Se outra vez estourasse um conflito mundial, o Brasil se encontraria hoje na mesma situação. Com forças despreparadas e equipamentos poucos e obsoletos. Vexame!!!!!

  32. João, a entrada dos Estados Unidos foi a pá de cal na disposição de lutar dos alemães. A Alemanha já estava à beira da fome devido ao bloqueio da RN.

    Eles teriam assinado o armistício com ou sem a entrada dos Estados Unidos, já que a Alemanha estava entrando em convulsão social. A guerra apenas teria se estendido alguns meses a mais.

  33. Rafael…
    .
    mas, com a saída da Rússia do conflito em 1917, isso liberou grande quantidade de soldados
    alemães para combater na frente ocidental…nunca se saberá o que teria ocorrido se os EUA
    não tivessem enviado tropas à Europa, mas, há quem diga que não teria havido vencedores
    e algum tipo de negociação poderia ter sido arranjada…os EUA garantiram que a vitória fosse
    dos aliados.
    .
    Quanto ao que o João escreveu sobre a II Guerra, pode até ser que a invasão da África do Norte e da Itália não tenham comprometido muito a força alemã e ajudado muito os soviéticos mas, à ameaça de uma invasão à França, possível apenas com a participação dos EUA, obrigou Hitler à manter mais de 50 divisões na frente ocidental que poderiam ter sido vitais na luta contra os soviéticos.
    .
    Se com o desembarque na Normandia e antes os desembarques na África do Norte e Itália os
    soviéticos só conseguiram chegar à Berlim em abril de 1945, a lógica diz que sem o envolvimento direto dos EUA, a guerra teria se alastrado por muito mais tempo, e mais ainda sem o fornecimento de material de guerra vital fornecido pelos EUA….poderia ser uma “vitória de Pirro” e a “bomba” estaria pronta, como se sabe, desde julho de 1945, o que poderia ter
    influenciado os soviéticos a não entrar em “Lisboa”.

  34. Se os aliados quisessem parar os soviéticos, bastava terminar o apoio q deram, como os 600.000 caminhões, 19.000 P-39 etc
    Fora o q já foi dito aí pra cima.

  35. Dalton 28 de outubro de 2017 at 15:47
    “e mais ainda sem o fornecimento de material de guerra vital fornecido pelos EUA…”
    Muita gente ignora a ajuda dos EUA e também da Inglaterra ( em menor escala, lógico ), por desconhecimento ou por conveniência. Existe um documentário que mostra que seria hoje uma ajuda bilionária incluía aviões, tanques, caminhões ( o Studebaker foram vitais p/ suprir as tropas russas e ainda foram utilizados como baterias móveis de Katyusha ), alimentos, até botões de uniformes foram fornecidos entre outras coisas. E outra coisa, eles assinaram um pacto de não agressão c/ os alemães, forneciam suprimentos ( já em plena guerra ), dividiram a Polônia c/ eles e quando os ingleses avisaram que haveria a invasão, Stalin não acreditou. Ou seja, não dá p/ aceitar o que alguns colocam como se a URSS tivesse salvo a Europa, sofreram muito ( por culpa de Stalin ) e também contribuíram muito p/ a vitória final, mas tudo tem seu devido peso – isso vale também p/ a ação dos americanos, até porque em última análise, ganha a guerra quem erra menos.

  36. Olá.
    A Marinha do Brasil havia passado por um período de modernização relativamente recente (para a época da WWI), no começo do século XX. Porém, a Revolta da Chibata deixou “marcas profundas” (com perdão do trocadilho, parcialmente involuntário). Primeiramente, o uso de material bélico, no caso os “novos” navios da marinha, para ameaçar a população em geral (do Rio de Janeiro) e deixa-la a mercê de disputas militares internas. Também deve ser considerado que, na época do início do século XX, a MB fosse muito “elitizada” (oficiais brancos de origem abastada; marinheiros de origem pobre ou mesmo marginália, muitos ex-escravos ou filhos destes), preservando o status quo do Império antes da Lei Áurea.
    Um dos “resultados” da revolta foi uma visão negativa da MB, com alguns políticos pedindo, inclusive, seu “desarmamento” (deixando a força mais para uma equipe de patrulha costeira e de rios), como foi o caso de Rui Barbosa e de José Carlos Rodrigues, editor do Jornal do Commercio, períodico de maior prestígio na época.
    Assim, embora não pudessem ser considerados “antigos”, os navios brasileiros estavam mal armados, mal equipados e em péssimas condições de manutenção por volta de 1917.
    Em relação a “Batalha das Toninhas”, tudo indica que o evento realmente aconteceu, sendo citado inclusive pelo autor Carlos Daróz. O navio envolvido foi o Cruzador Bahia, conforme menção.
    O fato é que a participação militar naval brasileira na WWI foi, no mínimo, “desastrosa”, devido ao material bélico (naval) inadequado (por falta de atualização/manutenção devida), o despreparo (falta de treinamento/capacitação) das tripulações marinheiras, a falta de informações atualizadas sobre o andamento/situação do conflito (o cabo telegráfico submarino que ligava o país a Europa fora cortado) e que a chegada do efetivo ao TO se deu as vésperas do encerramento do conflito. Também merece ser mencionado que, ao aportar na África, a tripulação tenha sido exposta ao vírus da Gripe Espanhola, fazendo daqueles militares alguns dos primeiros infectados a trazerem a doença para o país.
    Não se pode negar a valentia nem a bravura daqueles homens, que não contavam muito mais que, somente, estas virtudes…
    SDS.

  37. Maurício,

    Sem querer passar por pedante, apenas algumas retificações:

    – Rui Barbosa era um entusiasta do Poder Naval, e sua opinião se manteve mesmo após a Revolta da Chibata;
    – O livro de Prado Maia – que fez parte da DNOG, como cabo em um dos cruzadores (não lembro se o Bahia ou o Rio Grande do Sul – não menciona a “Batalha das Toninhas”, embora pessoalmente não duvido de que tenha realmente acontecido;
    – A DNOG retornou ao país apenas em junho de 1919, então não haveria como os militares serem os primeiros a trazer a Espanhola para o Brasil.

  38. Olá Rafael, boa tarde.
    Rui Barbosa foi entusiasta do Poder Naval, mas depois do sítio da cidade do Rio de Janeiro, sua postura deve ter mudado, no discuso proferido antes da anistia dos rebeldes revoltosos, disse:
    “A experiência do Brasil a esse respeito é decisiva. Todas as forças empregadas há vinte anos no aperfeiçoamento dos meios de nossa defesa nacional serviram, depois de tudo, para virar sobre nossos próprios peitos estas sucessivas tentativas de revolta. A guerra internacional ainda não chegou às portas da nossa república. A guerra civil veio muitas vezes, armada por estas mesmas armas que tão vãmente preparamos para nossa defesa contra um inimigo estrangeiro. Vamos acabar com esses ridículos e perigosos grandes armamentos, assegurando a paz internacional por meio de relações justas e equitativas com nossos vizinhos. No continente americano, pelo menos, não é necessário manter uma “armada da paz”; esse horroroso câncer que está devorando continuamente os órgãos vitais das nações da Europa.”
    Quanto a Batalha das Toninhas, realmente há várias controvérsias. Mas não há nenhum desmentido, um pronunciamento oficial (seja da MB, seja de historiadores renomados) descrevendo o que realmente acontecera. Acredito, devido ao treinamento e equipamentos utilizados, que se possa confundir um grupo de toninhas com a movimentação de um submarino. É, portanto, um evento plausível. O “sensacionalismo” sobre o ocorrido é posterior.
    Como eu escrevi, os marinheiros estiveram entre os primeiros brasileiros infectados com o vírus da Gripe Espanhola quando chegaram a Freetown, em 9 de agosto de 1918. Permaneceram na cidade por 14 dias e, quando fizeram o translado para Dacar, boa parte da tripulação adoeceu. Os mortos foram enterrados em Dacar, sendo que seus restos somente foram repatriados na década seguinte. Como fiz algumas correções no texto do meu post anterior antes de enviar, deixei a palavra “trazer” (usado originalmente no sentido de estarem aqueles marinheiros entre os primeiros brasileiros a serem infectados, “trazendo” a realidade da pandemia para o Brasil) equivocadamente na redação final. Da maneira que está escrito, deixa mesmo a ideia de que foram eles os “contaminantes” e não as vítimas…
    Está errado mesmo, visto que os primeiros casos registrados no país ocorreram em setembro de 1918, no porto de Recife.
    SDS.

  39. “Vamos acabar com esses ridículos e perigosos grandes armamentos, assegurando a paz internacional por meio de relações justas e equitativas com nossos vizinhos.”
    .
    Maurício,
    Colocando essa declaração de Rui Barbosa que vc postou no contexto da época, não creio que ele estivesse sugerindo a desativação pura e simples dos navios, e sim uma parada na versão sul-americana de corrida naval que precedeu o conflito, pois ainda havia planos, interrompidos pela guerra, dos três chamados “poderes ABC” (Argentina, Brasil e Chile) em prosseguir com a compra de mais encouraçados. E havia pressões internas, por outro lado, para acordos que limitassem essas compras navais, o que efetivamente foi discutido entre os três países no pós-guerra.

  40. Olá Nunão, boa tarde.
    Aparentemente na época imediatamente posterior a revolta ainda havia temor por parte do almirantado e do governo de que os marinheiros pudessem se amotinar novamente (como realmente fizeram, mas em menor escala), transformando os navios de “armas de defesa” contra ameaças estrangeiras em “armas de uso coercitivo” contra o governo e a própria MB. O almirantado desejava uma “retaliação bélica”, o que poderia ter complicado ainda mais a situação.
    Assim, os navios couraçados (São Paulo e Minas Gerais) foram temporariamente desarmados (remoção dos ferrolhos das armas).
    Os EUA tentaram, por via diplomática, tentar restringir a “corrida armamentista sul americana”.
    De qualquer forma, havia na época um temor (que não era injustificável) da utilização dos navios armados para a promoção de revoltas internas. E este foi um dos motivos do “sucateamento” (falta de manutenção e atualização) prematuro dos “novos” navios de 1910.
    Assim, em 1917/18 os navios da MB estavam em condições bem mais precárias que seu tempo de uso faria esperar, um dos motivos dos problemas enfrentados pelo grupamento DNOG.
    SDS.

  41. João Moite Jr

    Os americanos entraram na WWI quando os alemães já estavam em posição defensiva e não tinham expectativa de vitória.

    Na WWII os americanos tomaram parte na porção europeia do conflito também quando a Alemanha já tinha perdido a iniciativa.
    Contra os japoneses sim eles fizeram o trabalho sujo.
    Os soviéticos venceram a frente oriental com muita ajuda dos EUA e Reino Unido e às custas de alta mortalidade da população russa.
    Ninguém venceu qualquer desses conflitos sozinho. Os americanos se beneficiaram muito do conflito ser majoritariamente em terras europeias.

  42. Maurício, boa tarde.
    Nessa mesma época (entre a revolta de 1910 e a IGM) foi encomendado e era construído mais um encouraçado para a MB para compensar os dois mais poderosos que a Argentina havia encomendado. Ainda que houvesse o receio de uso em revoltas internas, não cessaram os programas de reequipamento – apenas quanto a torneira dos recursos secou de vez e a guerra começou é que isso parou completamente. Eu pelo menos não vi, em todos os documentos que já pesquisei, uma deliberada negligência com a manutenção dos navios para que não tivessem utilidade prática, e sim uma demora em renovar o então precário Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, em meio a disputas sobre seu tamanho e localização. E as velhas instalações, máquinas e pessoal desatualizado continuou mantendo os navios de forma precária enquanto isso não se resolvia.
    .
    Não creio que se pudesse também baixar a guarda nesse sentido, deliberadamente, porque pouco antes haviam vazado planos argentinos de invasão para fazer o Brasil negociar o cancelamento de encomendas de navios, antes que eles chegassem. Pra ver como estava o clima na época.
    .
    Por fim, voltando ao início da conversa, também não se pode esquecer de colocar declarações de Rui Barbosa no contexto dele ter sido candidato à presidência ou se engajado nas seguidas campanhas, procurando marcar posição.

  43. Sim, é o combate descrito mais acima no comentário de Rafael M. F., de 27 de outubro de 2017 às 13:46.

  44. Olá Nunão, boa noite.
    Estou baseando meus comentários nos textos dos americanos Jonathan A. Grant da obra, publicada em 2007, Rulers, Guns, and Money, Seward W. Livermore, da obra Battleship Diplomacy in South America: 1905-1925 e Zachary R. Morgan, da obra Legacy of the Lash: Race and Corporal Punishment in the Brazilian Navy and the Atlantic World.
    Segundo Morgan, “Ao invés de começar por elevar o nível de marinheiros e oficiais para a de seus navios de guerra tecnicamente avançados os navios que ofereceram a promessa de modernidade à nação brasileira foram autorizados a deteriorarem—como fez a Marinha ao lado deles.”
    SDS.

  45. Interessantes obras. Seria preciso ver a documentação em que Morgan se baseou para chegar à conclusão de que “foram autorizados a deteriorarem”. Nos documentos que eu pesquisei sobre a época, não vi nada de autorização para deterioração, oficial ou não, como algo deliberado. Pode ser simplesmente uma metáfora do autor, uma interpretação mais geral de um contexto, do que uma afirmação específica de ordem para deixar deteriorar. Apenas minha impressão – não li a obra de Morgan.

  46. Olá.
    Concordo, seria necessário avaliar as referências dos autores.
    Para mim, o que chamou a atenção foi o fato de ser esta uma interpretação “diferente” da grande maioria dos autores brasileiros especialistas em história/militarismo. E faz sentido, visto que o país ainda era uma “república em formação” e a marinha sempre fora partidária do império.
    Os revoltosos da Chibata deram um viés republicano ao seu movimento reivindicatório (que se iniciou com um motim), gerando “simpatia” popular e no governo (que atendeu prontamente os revoltosos). E os marinheiros conseguiram controlar e manusear os mais poderosos armamentos do país, ameaçando a capital brasileira e a hierarquia militar da marinha. O almirantado reivindicava uma “reação armada” contra os amotinados. E quase conseguiram isso (usando torpedeiros para atacar a armada rebelde). Ou seja, uma questão interna da marinha quase leva a uma guerra civil. Não seria de estranhar se a Marinha tivesse uma imagem muito ruim no governo e na população carioca na época.
    Os autores também indicam uma outra forma de encarar o que ocorreu com o encouraçado Rio de Janeiro: ele não foi “rejeitado” pela MB, mas sim teve sua compra cancelada a pedido do governo brasileiro, numa “punição” a marinha.
    Particularmente, sempre “estranhei” que navios relativamente novos estivessem em mal estado/conservação/atualização com tão pouco tempo de uso (época da WWI). E estes textos mostram uma hipótese plausível e coerente (lógica e historicamente falando).
    SDS.

  47. Vejo alguma coerência lógica (alguma, friso), mas pra haver coerência histórica, concreta, só checando a documentação primária pra colocar à prova essa interpretação. As questões políticas e econômicas por trás do cancelamento da encomenda do enc Rio de Janeiro, por exemplo, são bem documentadas, assim como as materiais sobre a demora em se resolver o problema do novo arsenal.

  48. Olá.
    Como eu escrevi Nunão, é uma “hipótese plausível”. Documentos oficiais são boas fontes de informações, mas nem sempre “revelam” tudo. Sem esquecer que o próprio Rui Barbosa recomendou ao governo republicano a destruição dos dados e informações sobre o período escravagista.
    Não estou defendendo “teorias da conspiração”; apenas propondo uma outra perspectiva de avaliação de um evento histórico. A verdade, esta repousa há cem anos passados.
    SDS.

  49. Certamente, Maurício. Assim nascem as hipóteses.
    Mas quando falo de documentos, não estou me referindo ao sentido de “documentos oficiais”, como a papelada governamental etc, e sim no sentido da operação historiográfica, onde a palavra documentação define as fontes primárias.
    Vão desde os “documentos oficiais”, ou seja, gerados pelo governo, ministérios etc, a todos os demais resquícios deixados pelo passado, imagens, objetos da cultura material, manuscritos, notícias de jornal, diários, músicas, enfim, o sentido de documento ao qual me referi é amplo, significa as fontes que foram analisadas para revelarem o que a elas foi perguntado, criticamente. É a isso que me refiro quando pergunto sobre a documentação ao qual o autor se baseou para escrever sua história.

  50. Olá Nunão, boa noite.
    Vou verificar nas obras. Creio que devem estar baseadas em fontes fiáveis, pois são trabalhos publicados por universidades americanas de renome.
    De qualquer forma, vale uma confirmação mais apurada e uma análise crítica.
    SDS.

  51. E o Laurindo Pitta, último remanescente da DNOG, continua navegando, só que na baía de Guanabara. Pode-se agendar um passeio nele.

  52. MO 27 de outubro de 2017 at 19:52
    Já viu as sardinhas(cardume) no Arpoador em dia de lua cheia e céu de Brigadeiro ? (rs).

  53. Nao se sabe se algum Dreadnough chegou a ser concluido no Brasil. Na Inglaterra, sim. Infelizmente, entre os imigrantes que haviam aportado no Brasil, alem daqueles que queriam trabalhar e ter uma nova vida, veio gente de indole bastante ruim, muitos deles, oportunistas e aproveitadores, pois simplesmente a mao de obra negra tinha se tornado inviavel, e apenas contavam-se os imigrantes. Sabedores deste fato, os almirantes preferiam enganjar os brasileros natos, brancos, negros e mulatos a forca do que confiar em ladinos refinados que sequer conheciam o idioma portugues. Estes eram sumariamente enviados para a colonia para produzir os bens indispensaveis para o Brasil. Apos a segunda guerra eh que isto se modificou, ou nao, para melhor ou para pior, nao se sabe. O que se ve no entanto, sao muitos descendentes de negros, de portugueses e de outros povos, outrora imigrantes, agora incorporados, trabalhando nos mercados da vida e fazendo seus proprios biscates, se algum dia eles pertenceram a Marinha ou nao, eh so lhes perguntar.

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