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Impressionado com Itaguaí? Não é de hoje que a Marinha busca uma base na região

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Artigo acadêmico do colaborador do Poder Naval, Fernando “Nunão” De Martini, fala sobre as iniciativas de parte da Marinha, no início do século XX, em instalar um novo arsenal e estaleiro na região da Baía da Ilha Grande, não muito longe da atual base e estaleiro de submarinos em construção em Itaguaí

Foi publicada a nova edição (número 26) da revista Navigator da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM), voltada à publicação de artigos acadêmicos de elevada qualidade e rigor científico, e nela está mais um artigo do colaborador do Poder Naval, Fernando Ribas De Martini (também conhecido pelo apelido “Nunão”). O autor é mestre em História pela Universidade de São Paulo e atualmente realiza, pela mesma instituição, pesquisa de doutorado sobre a construção naval militar brasileira entre os anos de 1930, 40 e 50. Já o artigo aborda um período imediatamente anterior ao da pesquisa de doutorado, focando nas primeiras décadas do século XX.

Com o título Da Grande Guerra à Ilha Grande: a derradeira tentativa, no pós-guerra, de levar o Novo Arsenal de Marinha para fora da Guanabara, o artigo publicado na Navigator aborda uma questão importante da primeira década do século XX, quando o Brasil renovou sua Esquadra com modernos navios de guerra: a falta de estrutura adequada para o apoio.

O fato é que, apesar de renovar seu poder naval com a chamada “Esquadra de 1910”, com 14 navios de guerra de último tipo (dois encouraçados, dois cruzadores e dez contratorpedeiros), o governo e a Marinha falharam em colocar no mesmo patamar de modernidade, simultaneamente, as oficinas e diques para apoiar essa frota. Na época, as então precárias instalações do antigo Arsenal de Marinha tanto se espremiam na região central do Rio de Janeiro quanto se dispersavam caoticamente pela Baía de Guanabara.

O encouraçado Minas Geraes, da Esquadra de 1910, que fazia parte de um ambicioso plano de reaparelhamento naval iniciado pelo ministro da Marinha almirante Júlio César de Noronha, em 1904, e que incluiria um novo arsenal e base na região da Baía de Ilha Grande. Quando concretizado na gestão do almirante Alexandrino Faria de Alencar, com a encomenda dos navios em 1906, o plano de reaparelhamento já não incluía mais a proposta de um novo estaleiro, a ser construído pela empresa vencedora da concorrência dos navios.

O artigo mostra que a Marinha então se dividia entre os defensores da construção de novas instalações na Ilha das Cobras, vizinha às principais oficinas do antigo arsenal, mantendo a Esquadra na Baía de Guanabara, e os que advogavam uma grandiosa estrutura industrial e militar a ser construída mais longe da então Capital Federal: o complexo seria instalado nas enseadas da Ribeira ou de Jacuacanga, região da Baía da Ilha Grande. Locais não muito distantes de onde, hoje, se constrói o grande complexo de estaleiro e base de submarinos de Itaguaí, dentro do programa denominado PROSUB.

O texto trata da disputa entre essas correntes, das decisões, ações e reações de cada lado, antes, durante e após a Primeira Guerra Mundial, conflito para o qual foi mobilizada parte da Esquadra de 1910, já em condições difíceis devido à precariedade de sua manutenção. Em especial, o texto analisa a última tentativa dos defensores da Baía da Ilha Grande, no pós-guerra, que chegaram perto de conseguir seus objetivos antes de malograrem ao final de 1922. A ideia era construir uma “Kiel da América do Sul”, para servir não só de base e estaleiro de reparos da Esquadra, mas para formar um grande complexo siderúrgico e construtor de navios.

Arsenal de Marinha da Ilha das Cobras (AMIC) ainda em construção em meados da década de 1930, com as carreiras e as principais oficinas ainda por concluir Ao fundo, vê-se parte da área central da cidade do Rio de Janeiro, então Capital Federal. Com a derrota da iniciativa de construir um arsenal, base e complexo industrial na região da Baía da Ilha Grande, a partir de 1922 o foco foi concentrado nas obras do AMIC, atual AMRJ, na Baía de Guanabara – foto DPHDM

Clique aqui para abrir a página de acesso ao artigo (disponibilizado em pdf). E clique aqui para ter acesso a todos os demais artigos publicados no número 26 da revista Navigator.

Para ver matéria anterior do Poder Naval sobre outros artigos acadêmicos publicados pelo autor (e acessá-los), clique aqui.

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Danilo José
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Danilo José

Parabéns ”Nunão” conteúdo incrivel !

Dodo
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Dodo

Muito maneiro a materia,so uma duvida,o texto menciona a ideia de construcao de um grande estaleiro na baia de jacuecanga,hoje em dia existe o estaleiro e a marina verome exatamente nesse local(um dos maiores complexos navais do hemisferio sul do globo). Sera que isso foi feito de forma proposital por influencia desse estudo de 1910 ?

Flávio Cardia
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Flávio Cardia

Porra acabamos de falar disso!!!! Iradoooooooooooooooo

Gustavo Garcia
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Gustavo Garcia

Deveriam mandar tudo pra Baia Grande não faz sentido manter a estrutura da ilha das Cobras. Aproveita e leva a parte administrativa da marinha tb.

Delfim Sobreira
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Delfim Sobreira

A saber, Itaguaí faz parte da área abrangida pela Delegacia de Homicídios da Baixada, onde estou lotado.
Tem uma criminalidade chata por lá.
Seria interessante ver se com os investimentos e prosperidade a criminalidade local baixaria.

Mário Heredia
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Mário Heredia

Flávio Cardia, calma, olha o coração.

Mário Heredia
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Mário Heredia

Nunão, ótima matéria.

Bueno
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Bueno

Parbens ao Fernado Nunão. Privilégio para nós ter o Nunão do Naval
Depois irei ler o artigo

Rafael M. F.
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Rafael M. F.

Jacuecanga é o túmulo do Aquidaban, certo?

MO
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Rafael, sim a Baia de Jacuacanga

Rafael M. F.
Visitante
Rafael M. F.

Inclusive a tragédia do Aquidaban se deu durante uma comissão para levantamento do local, confere?

Nunao
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Nunao

Sim, com perda grande do pessoal da comissão encarregada do relatório sobre o local. Morreu também o último grande projetista / engenheiro naval do Arsenal na fase final do Império e início da República, Cândido Brasil.

César A. Ferreira
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César A. Ferreira

Ou seja, pensou-se pequeno na década de 20 do século passado e pagamos por isso, até hoje, quase um século depois…

PRAEFECTUS
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PRAEFECTUS

A impressão que dá é que o Brasil desde seus primordios de alguma forma foi sempre “podado” em seus intentos de se fazer “grande”. Digo isso como ação do sobrenatural. Porque não é possivel…

Agora, tem uma! Coloquei a palavra “podado(do verbo podar)…” Faça seu dever de casa e procure saber o que significa “podar” no reino vegetal.

Será…? Deus queira que sim!!!

PRAEFECTUS
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PRAEFECTUS

Hã, a propósito Nunão, tens meu respeito!

Carlos A Soares
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Carlos A Soares

Itaguaí

Um dos vários motivos:

Calado, lá é muito bom.

GUPPY
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GUPPY

Parabéns, Nunão. Trabalho de gente grande, de pessoa desenvolvida!

Interessante, também, a análise das aquisições dos meios navais do início do século passado com as aquisições da Armada argentina.

Sergio Cintra
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Sergio Cintra

Saudações ao Mestre.
Parabens pela pesquisa, q não é facil.

Abraço ao Marcelo e seu point Ponta da Praia só na espreita.

Gabriel2
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Gabriel2

Materia show

Vaniro
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Vaniro

Bela matéria, força e boas festas a todos.

Antonio Palhares
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Antonio Palhares

Uma matéria histórica para terminar o ano em alto estilo. O bonito e poderoso encouraçado Minas Gerais, irmão do São Paulo, e ambos participantes da revolta da chibata. O Arsenal certamente vai sair do centro do Rio para um lugar mais adequado. Aproveito para desejar a todos ” Um Feliz Natal e Próspero Ano Novo”, Fazendo votos que não faltem recursos para nossas forças armadas.

HMS TIRELESS
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HMS TIRELESS

O problema é que não apenas a base de Itaguaí como o PROSUB estão na mira da força tarefa da Lavajato e também do Parquet francês.

Bardini
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Bardini

Falem o que quiser, mas investir nessa infraestrutura foi um baita acerto da MB. Isso aí vai ser útil por décadas e mais décadas que virão.

Bardini
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Bardini

Aliás, falta agora com o programa das CCT, criar (ou modernizar) um local para atender melhor a Força de Superfície.

Mário Heredia
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Mário Heredia

Bardini, tem razão. Essa base deve fazer inveja em todos os nossos vizinhos. Aliás, quantos países têm capacidade de construir submarinos?

Bardini
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Bardini

Mário Heredia, a questão não é fazer inveja, vejo isso como coisa de demagogo. O importante é que vamos ter uma excelente infraestrutura para dar um bom suporte a Força de Submarinos e ao desenvolvimento de conhecimentos neste importantíssimo ramo.

Mário Heredia
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Mário Heredia

Meu comentário não tinha intenções demagógicas, Bardini. Apenas enaltecer a conquista que nosso país alcança ao construir algo tão importante.
De certo que qualquer marinha vizinha se sentiria orgulhosa em dispor de um estaleiro como o de Itaguaí, mas poucos dispõe de recursos para tal.
Venho de uma família de militares e sempre fico feliz com cada vitória alcançada por nossas forças. Espero que nos próximos anos alcancemos muitas outras.

Nonato
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Nonato
GUPPY
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GUPPY

Prezado Nunão,

Ouvi do meu padrasto, que serviu mum caça-pau durante a segunda guerra mundial, que era comum taifeiros africanos, dos países de língua portuguesa (na época, colônias), a bordo dos navios de guerra da
MB. Acho até que falei isso aqui há alguns anos. Você, nas suas pesquisas, já leu algo sobre isso?
Abs

GUPPY
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GUPPY

Ok. Obrigado, Nunão.

Rommelqe
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Rommelqe

Grande Nunão: belissimo trabalho! Parabens!
Uma curiosidade: ja existem projetos avançados referentes a um nova base destinada aos elementos do ProSup ?
Outro ponto que entendo que seja controverso consiste em agregar um estaleiro ao um porto de operaçao. Mesmo havendo sinergias interessantes, considero mais eficiente separar tais atividades em diretorias distintas e locais fisicos independentes. Fabricar um vaso de guerra é totalmente diferente a reformar/reparar/modernizar vasos mais antigos deteriorados. Qual é a sua opiniāo a respeito?

Luiz Monteiro
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Luiz Monteiro

Prezado Nunao, Parabéns pelo trabalho. São poucos que gostam de fazer essas pesquisas para resgatar a história naval brasileira. Interessante o debate proposto pelo Rommelque. Inicialmente esclareço que não há qualquer programa que vise construir uma nova base para operar os navios que advirão do PROSUPER. Quando estes meios, assim como as CCT, ficarão baseados na BNRJ. A BNRJ tem capacidade de expansão, caso seja necessário. O que não vejo em um horizonte de 20 anos. Uma possível base no Maranhão, com uma segunda Esquadra, é desejável. Porém, antes de se pensar em uma segunda Esquadra é necessário ter a… Read more »