terça-feira, dezembro 7, 2021

Saab Naval

Entrevista com o Comandante de Operações Navais da MB

Destaques

Guilherme Poggiohttp://www.naval.com.br
Membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

A seguir reproduzimos a entrevista concedida pelo comandante de Operações Navais da Marinha, almirante-de-esquadra Álvaro Luiz Pinto ao jornal A Tarde (de Salvador-BA).

A TARDE Já há valores estabelecidos para o acordo comercial entre Brasil e França para a construção de quatro submarinos convencionais e um submarino nuclear?
Álvaro Pinto | Já está praticamente acertado um limite de 6,7 bilhões de euros (cerca de R$ 20,3 bilhões) a serem pagos ao longo de muitos anos, com um período de carência grande. Tem uma estrutura de negociação ainda em curso.

AT | Qual a principal vantagem em se ter um submarino nuclear?
AP | Em primeiro lugar, temos que ter o conhecimento e a capacidade de construção de submarinos. A partir da década de 80, tivemos a construção de submarinos convencionais no Brasil. Mas esta tecnologia tem que ser aperfeiçoada de maneira constante. O País necessita que nossa Marinha tenha um poder dissuasório grande para defender nossas águas jurisdicionais brasileiras. O Brasil tem uma zona econômica marítima exclusiva para ser defendida de 3,5 milhões de quilômetros quadrados, e um pleito nas Nações Unidas de aumentar esta zona para mais um milhão de quilômetros quadrados. Então, temos de recuperar nossa força naval. Aí entra o submarino nuclear. Ele tem uma capacidade extraordinária de se esconder, de não se mostrar ao possível inimigo, além de ter uma capacidade de autonomia muito grande. Nossa economia cresce e nossa capacidade de defesa tem que acompanhar este crescimento.

AT | Há também neste caso a questão de transferência de tecnologia.
AP | Este é um dos mais importantes fatores dessa questão. O conhecimento ninguém dá. Você tem que desenvolver parcerias com outros países de aquisição de tecnologia. O desenvolvimento da tecnologia militar colabora para o crescimento de outras áreas da nossa economia. A internet, que era um projeto das Forças Armadas americanas, é um exemplo disso. Todos os países do chamado Primeiro Mundo trabalham dentro desta base. Quer saber de outro exemplo? A Disneylândia. Ela é um projeto que nasceu de simuladores utilizados pela indústria de defesa americana, por conta de uma necessidade militar.

AT | Imagina-se, por exemplo, que o submarino possa ajudar na segurança da exploração de petróleo em águas profundas?
AP | O pré-sal é uma área que a Marinha tem que atuar efetivamente. A área que vai de Santos até Vitória (capital do Espírito Santo) precisa de uma defesa constante, um monitoramento constante, de permanente vigilância para que nós não sejamos surpreendidos. A melhor defesa é a prevenção para evitar qualquer tipo de surpresa.

AT | Qual o efetivo da Marinha? Ele é o ideal no momento?

AP | Nós temos um efetivo em torno de 55 mil a 60 mil. Ele não é o ideal mas tende a aumentar porque a necessidade vai ter isso. Este País é muito grande, maior que os Estados Unidos, desconsiderando o Alasca, e você vai ver que eles têm um efetivo bastante razoável. Com o tempo, a Marinha do Brasil terá que ter um efetivo maior. Temos que fazer uma nova base para a esquadra brasileira. Nós não podemos ter um litoral tão grande, com uma base sediada apenas no Rio de Janeiro. Gera uma vulnerabilidade você concentrar todas assuas forças num lugar só.

AT | Em que lugar se pretende instalar esta nova esquadra?

AP | Eu acho que deveria ser na região Nordeste do Brasil. Acho não, vai ser aqui. A possibilidade não é grande, é enorme, porque nossa necessidade é enorme também. Nós já estamos procurando uma área em que a esquadra possa ser instalada.

AT | Mas em que lugar exatamente?

AP | Posso dizer que será no Nordeste e que já há um projeto em curso. Mas nós não podemos dizer quando ela será criada. A nova base será tão importante quanto a do Rio de Janeiro. Será semelhante à divisão nos Estados Unidos – no caso deles, a Costa Leste e a Costa Oeste.

AT | Nos últimos dias foi anunciado a exportação do navio de guerra “Brendan Simbwaye” para a Namíbia ( país africano, e ex-colônia da Alemanha, que conquistou a independência em 1990). Como se dá as relações entre os dois países?

AP | Eu estava presente na cerimônia de entrega, que foi no último dia 16. E a entrega deste navio significa o primeiro dia da Marinha da Namíbia. Isso é histórico: significa que a Marinha da Namíbia nasceu por conta da colaboração da Marinha Brasileira. Isso para mim é fantástico para os dois países: um cria a sua Marinha, e outro, o Brasil, deu pontapé para a indústria naval de defesa privada.

AT | Que outros investimentos a Marinha fará?

AP | Nós estamos construindo atualmente dois navios patrulha. E há um processo licitatório para a construção de quatro navios. Nós temos vários projetos. Até o ano de 2006, nós sofremos corte no orçamento. E depois, como o ano de 2007 foi bom, e 2008 foi muito bom. Nosso orçamento já cresceu este ano de 2009 (cerca de R$ 2,7 ilhões).

AT | A Bahia é o estado de maior litoral no Brasil. O II Distrito Naval receberá que tipo de apoio?

AP | Nós vamos ter que investir aqui. Está previsto receber, no médio prazo, mais três navios patrulhas (hoje, são 11 embarcações) construídas aqui em estaleiros brasileiros.

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Jairo

Me desculpem, os amigos marinheiros do blog, mas o Alte só falou abobrinhas.

Fernando_MG

Prezado Jairo, que abobrinhas seriam essas?

João-Curitiba

Jairo

Uma pessoa na posição dele não pode sair dando declarações não autorizadas. Se ele apontasse uma possível área para a futura base, logo as terras em volta subiriam de preço, políticos da região começariam a querer levar a base para seu município e coisas do gênero.
Mas ele mostrou otimismo e confiança. E reconheceu que o orçamento está aumentando. E a frase “Nós temos vários projetos” para bom entendedor diz muito. Ele só não pode revelar para evitar lobyes e especulações.

Abraços

Voluntário da Pátria

…maior que EUA desconsiderando o Alaska?? Estaria considerando Roraima???…Será uma nova base (já não existe em Natal?) ou nova “frota”?? Então serão 2, a I no RJ e a II no NE?? Vai ter navio para tudo isto, dobrando a quantidade atual de NAe,anfíbios,escoltas e apoio, além demodernizá-las? Quantos SSNBR serão contruídos? Qual o cronograma para esta “II Frota” entrar em operação?

Fernando_MG

Muito bem observado Jairo. Você tem razão.

Fernando_MG

Ops..desculpe, mas quis dizer Muito bem observado João!

Baiano

declarações não autorizadas???????? Ele é um Almirante-de-Esquadra! Se ele não tem autorização, então ninguém mais fala na Marinha…

Dunga

É esquisito ler isto ai que precisamos ter uma marinha maior que a dos EUA, acredito que foi comentado apenas o que o reporter e todos nos gostariamos que fosse acontecer no futuro…

Dalton

caro Dunga!

O que ele quis dizer é que com o tempo…a marinha do Brasil terá que ter um efetivo maior…do que tem hj em dia, 55 a 60 mil, passando talvez para 80 mil por exemplo.

abraços

Hornet

Sem querer puxar a sardinha pra brasa do nosso amigo Marine, espero que esse aumento do efetivo da MB se dê também em relação ao CFN. Se não estou enganado, o efetivo atual do CFN é algo em torno de 15 mil fuzileiros…eu particularmente acho muito pouco. Se os fuzileiros são nossa força anfíbia por natureza, acho que precisaríamos um pouco mais de gente aí, pois o Brasil tem pantanal, amazônia, grandes bacias hidrográficas, uma costa gigantesca…ou seja, o Brasil é feito sob-medida para os fuzileiros navais, para as forças anfíbias. Estou equivocado, será? Não estou propondo aumentar o efetivo… Read more »

Jairo

Muito simples, Fernando_MG, o Alte não disse nebhuma novidade, ou melhor não acrescentou nada que os fãs por assuntos militares, blogueiros, já não soubessem; até concordo que as perguntas feitas ao Alte foram fracas.
Entrevista para público leigo.

marujo

Parece que a entrevista foi feita por uma repórter no início de carreira.

Patriota

Muito boa esta entrevista

Abrivio

A entrevista foi dada a um jornal “normal”. As informações genéricas já foram demais para o reporter.

Ulisses

Acho que só não há mais informações porque a MB restringe.E quem disse que tudo tem que chegar ao nosso conhecimento agora?As FA estão com toda razão em não falar totalmente seus planos,porque isto precisa ser estudado com cautela para que depois seja colocado em pratica e que chegue ao nosso conhecimento.

AJS

Eu aqui me divirto muuuuuuuuuuuito, qualquer coisa que acontece, querem saber das minuscias, enquanto em outros lugares, só sabem quando concretizado.
É claro que ninguém com responsabilidade (ele é um Almirante, não um qualquer) não divulgará nenhum dado importante prá tantos quantos lerem.

brazilwolfpack

Ah,quantos sonhos…subs nucleares,a criacao de outra frota,comparando a MB com a US Navy. Simplesmente,no que concerne a MB,ja nao acredito mais em nada. Um dos 5 paises maiores do mundo,com economia de peso mundial,com uma marinha mosca. Infelizmente,as coisas da defesa no Brasil nunca passam de papo furado. Des dos anos 70 essa conversa furada de subs nucleares. Como sempre acontece no Brasil,ja sao quase 40 anos,e nada. Outro grande exemplo e a vergonha na qual se converteu o “Projeto FX”. Ja se arrasta a mais de 10 anos,e nada. A pobre Avibras por pouco termina como a Engesa. E… Read more »

Jaique Sparro

Uns 50 mil FN,mais meios aereos de asa fixa e rotativa e tanques.
Ja estava bom demais.

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