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O afundamento do PNS ‘Ghazi’

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uss-diablo

O submarino paquistanês PNS Ghazi (ex-USS Diablo SS-479) era um submarino da classe “Tench” de procedência americana, transferido ao Paquistão em 1963.

O PNS Ghazi foi o primeiro submarino do Paquistão e operou nas guerras de 1965 e 1971 contra a Índia, como navio-capitânia.

O USS Diablo foi lançado ao mar em 1944, entrando em serviço em março de 1945. Em 1963, o submarino foi transferido para o Paquistão, num leasing de 4 anos, dentro do “Programa de Assistência de Segurança”.

Após uma revisão extensiva e conversão para a configuração “Fleet Snorkel”, o PNS Ghazi foi incorporado em 1 de junho 1964, se apresentando ao serviço em Karachi, em setembro daquele ano. O submarino podia transportar até 28 torpedos.

A guerra de 1965

O Ghazi foi usado na guerra indo-paquistanesa de 1965 para atacar navios da Marinha indiana na Operação Dwarka, embora ele não tenha atingido nenhum alvo.

O submarino foi considerado uma ameaça significativa naquele conflito. Ele ganhou 10 prêmios, incluindo duas condecorações de Sitara-e-Jurat e citações do Presidente.

Depois da guerra, o PNS Ghazi foi enviado à Turquia, para uma remodelação US$ 1,5 milhão, em 1967-68. Lá, ele foi convertido para o lançamento de minas.

A Guerra de 1971

Sentindo a situação militar se deteriorando, com o emprego do porta-aviões indiano INS Vikrant ao largo de sua costa, o Paquistão decidiu anular esta ameaça com o envio de seu submarino capitânia.

Em 14 de novembro, zarpou do porto para uma patrulha de reconhecimento, sob o comando de Zafar Muhammad Khan, com 92 homens a bordo. O submarino navegou 3.000 milhas (4.828 quilômetros) em torno da península indiana, desde o Mar da Arábia, para a Baía de Bengala, a fim de afundar o Vikrant na saída do porto.

pns-ghazi2

Segundo o vice-almirante Mihir K. Roy, que era diretor de Inteligência, durante este período, a presença do PNS Ghazi foi revelada quando sinais de rádio enviados às autoridades navais em Chittagong foram interceptados pelos indianos. Um dos sinais solicitava informações sobre um óleo lubrificante usado somente por submarinos e caça-minas.

pns-ghazi

Quando a mensagem foi interceptada, o navio-aeródromo indiano INS Vikrant foi imediatamente transferido para o porto de Andamans.

Abaixo, outras mensagens do Ghazi recuperadas pelos indianos:

* FROM COMSUBS TO SUBRON-5 INFO PAK NAVY DTG 221720 NOV 71
FOLLOWING AREAS OCCUPIED:
1.PAPA ONE,TO,THREE,FOUR.
2.PAPA FIVE,SIX,SEVEN,EIGHT.
3.BRAVO ONE,TWO,THREE,FOUR,FIVE,SIX.
4.MIKE
* FROM COMSUBS TO GHAZI MANGRO INFO PAK NAVY DTG 222117 NOV 71
ARM ALL TORPEDOES.
* FROM COMSUBS TO SUBRON-5 INFO PAK NAVY DTG 231905 NOV 71
ASSUME PRECAUTIONARY STAGE
* FROM COMSUBS TO GHAZI INFO PAK NAVY DTG 252307/NOV 71
OCCUPY ZONE VICOTR WITH ALL DISPATCH
INTELLIGENCE INDICATES CARRIER IN PORT.

O PNS Ghazi, incapaz de localizar o navio-aeródromo INS Vikrant, recebeu ordens para minar o porto de Vishakapatnam – o quartel-general do Comando Naval Oriental da Índia. Embora patrulhas indianas tenham sido enviadas para procurar o submarino, ele não foi encontrado.

No entanto, o caçador virou caça quando o submarino foi afundado em torno da meia-noite de 3 de dezembro 1971, ao largo da costa Vishakapatnam. O PNS Ghazi afundou com todos os 92 homens a bordo. A destruição do submarino permitiu à Índia realizar mais facilmente um bloqueio naval do Paquistão Oriental (hoje Bangladesh).

A versão indiana

A Índia alega que o submarino foi afundado por cargas de profundidade lançadas por suas escoltas.
Mais tarde, alguns itens do Ghazi, como o livro de bordo e fitas, foram apresentados no Comando Naval Oriental da Índia. Sabe-se que o navio de salvamento de submarinos INS Nishtar foi enviado para buscar restos do submarino. A Índia, mais tarde, construiu um “memorial da vitória” na costa, perto de onde o Ghazi foi afundado.

A versão do Paquistão

De acordo com o Paquistão, o PNS Ghazi afundou quando uma mina foi detonada acidentalmente durante a operação de minagem. Outra teoria é que o choque explosivo de uma das cargas de profundidade lançadas pelos indianos pode ter detonado um torpedo ou mina armazenados a bordo do submarino.
A única informação sobre o assunto a partir de uma “fonte independente” vem de um oficial egípcio, que servia na época num submarino em reparos no porto de Visakhapatnam. Ele confirmou a ocorrência de uma grande explosão nas vizinhanças do porto, por volta da meia-noite. Segundo o oficial, a explosão foi tão violenta que abalou as instalações do porto.

Após o afundamento do PNS Ghazi, EUA e União Soviética ofereceram ajuda para resgatar o submarino, mas o Governo da Índia recusou a ajuda, preferindo deixá-lo desaparecer no lodo.

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BrunoNunãoCelio AndradeNunãoGUPPY Recent comment authors
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Esta Classe “Tench” que o PNS Ghazi pertenceu é a mesma dos nossos Rio Grande do Sul-S11, Bahia-S12, Rio de Janeiro-S13 e Ceará-S14, aqui conhecidos como Classe GUPPY embora esta sigla seja, na verdade, um amplo programa de modernização a que foram submetidos alguns submarinos das classes Gato, Balao e Tench. A configuração citada no texto “Fleet Snorkel” foi uma das sete variantes do programa GUPPY(GREATER UNDERWATER PROPULSION POWER PROGRAM). Esta variante deixava-os inferiores, quando submersos, em relação às outras variantes do programa GUPPY(GUPPY I, GUPPY II, GUPPY IA, Fleet Snorkel, GUPPY IIA, GUPPY IB e GUPPY III) nesta ordem.

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Em tempo:
Os submarinos brasileiros da Classe “Tench” citados por mim(Rio Grande do Sul-S11, Bahia-S12, Rio de Janeiro-S13 e Ceará-S14) eram todos GUPPY II. Tivemos ainda os submarinos Guanabara-S10, Goiás-S15 e Amazonas-S16 da Classe “Balao”, sendo que o primeiro(Guanabara-S10) foi configurado como GUPPY II e os outros dois(Goiás-S15 e Amazonas-S16) como GUPPY III.
Obs.: Os S11, S12, S13 e S14, ainda eram conhecidos como Classe “Corsair” e, no Brasil, todos foram também conhecidos como Classe Guanabara. Que confusão hem?

Nunão
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Nunão

Fala Guppy, sou grande fã da história dos seus homônimos!

Mas, pelo menos segundo as pesquisas do NGB, hospedado no mesmo portal do Blog, há algumas diferenças em relação a esses Fleet Snorkel e os S11 Rio Grande do Sul e S12 Bahia, que se assemelhavam externamente ao da matéria, principalmente pela manutenção do mesmo desenho do casco:

http://www.naval.com.br/NGB/R/R040/R040.htm
http://www.naval.com.br/NGB/B/B007/B007.htm

Mas se vc tiver outras informações e correções, e quiser mandar pra gente, manda que o NGB está sempre aberto a atualizações periódicas, a cargo do editor José da Silva.

Saudações!

Celio Andrade
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Celio Andrade

tEVE OUTRO SUBMARINO COM NOME DE bAHIA?

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Caro Celio Andrade
Teve sim. O primeiro submarino nomeado Bahia-S12 foi um Fleet Type da Classe Balao(ex-USS Plaice SS-390) que serviu a Marinha Brasileira de 1963 à 1973. Aproveitando, também tivemos um primeiro Rio Grande do Sul-S11, igualmente um Fleet Type da classe Balao(ex-USS Sandlance SS-381)que esteve por aqui de 1963 à 1972. Ambos não foram submetidos ao Programa GUPPY como alguns de suas classes como por exemplo os submarinos Goiás-S15(ex-USS Trumpetfish SS-425) e Amazonas-S16(ex-USS Greenfish SS-351)que se tornaram GUPPY III.

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Prezado Nunão
Os links que você postou, no seu comentário acima, são do Rio Grande do Sul-S11(ex-USS Sandlance SS-381) e Bahia-S12(ex-USS Plaice SS-390) da Classe Balao, mas que não foram submetidos ao Programa GUPPY, enquanto que eu me referi aos últimos Rio grande do Sul-S11(ex-USS Grampus SS-523) e Bahia-S12(ex-USS Sea Leopard SS-483) que foram da classe Tench e transformados em GUPPY II. De qualquer forma, antes de se tornarem GUPPYs, todos eram parecidos externamente com o submarino da matéria. Essa variante GUPPY(Fleet Snorkel) ficou quase igual, externamente, aos Tench originais. Leia a resposta que dei ao Celio Andrade, acima.
Um abração.

Nunão
Visitante
Nunão

Ok, Guppy, sei dos outros homônimos e com indicativos iguais (uma mania da MB que até hoje não entendo – repetir o nome, tudo bem, mas o indicativo…), mas o que aconteceu é que achei que vc se referia aos que passei o link, semelhantes no casco por não terem passado pelo programa GUPPY, apenas por troca de vela.

Saudações!

Bruno
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Bruno

Que paquistaneses burros, em qualquer operação de carater especial como esta você deve ter um silencio radio absoluto.

Celio Andrade
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Celio Andrade

È que eu me lembro de ter visitado um submarino, que tenho quase certeza era o Bahia..isso em 1983/1984 por ai…Lembro que começou a chover muito no Porto do Rio e o Oficial pediu que entrassemos e fechou a escotilha….aguardando o temporal passar…

GUPPY
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GUPPY

Ok, Celio Andrade, se o submarino que você visitou foi o Bahia, com certeza só pode ter sido o segundo que tivemos com este nome, um Fleet Type da Classe Tench, também classificado como Classe Corsair(posso explicar isso depois), na Marinha também classificado como classe Guanabara e que era um GUPPY II. Isto levando em consideração o período citado por você(1983/1984).

Saudações!