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Lancha de desembarque LCVP Mk 5 dos Royal Marines

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Durante o exercício conjunto entre os Fuzileiros Navais do Brasil e os Royal Marines o Poder Naval teve a oportunidade de observar e acompanhar o desempenho de boa parte dos meios anfíbios atualmente empregados por tropas britânicas. Um destes meios é a lancha de desembarque LCVP (Landing Craft Vehicle/Personnel), na sua versão Mk 5.

A LCVP Mk 5, assim como qualquer outra lancha de desembarque,  realiza o transporte de um grupo de combate desde o navio de assalto até o local de desembarque. Dependendo do equipamento individual transportado, até 35 militares podem ser acomodados no seu interior, além da tripulação composta por três homens. As embarcações podem ser equipadas com uma cobertura removível que protege os militares dos rigores do clima (muito utilizada nos exercícios a OTAN na Noruega). Os exemplares que estiveram no Brasil possuiam esta cobertura.

No topo dela foi trazido para o CADIM um bote de borracha inflável Mk 2 tipo “zodiac”. Sem a cobertura, a embarcação também pode transportar veículos leves como o ATTC (All Terrain Transport Carrier) Bv 206 (muito parecido com os empregados pelo CFN), o TUL/TUM (versão militar do Land Hover 90 e 110) ou o obuseiro rebocado de 105/155 mm.

Origens

A versão atual da LCVP é a evolução natural do projeto anterior, o Mk 4, e foi desenvolvida para substituir o mesmo. A série Mk 4 foi projetada na segunda metade da década de 1970, e o primeiro protótipo foi encomendado em fevereiro de 1980. O alumínio foi escolhido com elemento principal na estrutura do casco, tornando a embarcação muito mais leve que suas antecessoras.

A presença de potentes motores Perkins, aliada à leveza do casco, permitiu que estas embarcações atingissem 20 nós (ou 15 nós quando totalmente carregadas). As Mk 4 foram dimensionadas para os navios de assalto da classe Fearless (HMS Fearless e HMS Intrepid), mas não foram encomendadas antes da Guerra das Falklands/Malvinas. A construção teve início apenas em 1985. Ao todo, 19 LCVP Mk 4 foram entregues.

Na década de 1990, a força anfíbia do Reino Unido começou um extenso programa de modernização e adaptação aos novos tempos. A introdução de novas unidades de grande porte, como o HMS Ocean e a classe Albion, foi acompanhada por novas embarcações de desembarque como os hovercraft Type 2000 e as novas LCVP Mk 5.

Melhoramentos

Em relação ao modelo anterior, a Mk 5 possui deslocamento e dimensões maiores. Porém, o calado é  menor, permitindo o abicamento em praias mais rasas. A capacidade de transporte foi mantida (até 35 militares) e o sistema de propulsão foi alterado. Os motores diesel da versão mais antiga foram substituídos por dois Volvo Penta mais potentes e o sistema convencional de dois eixos deu lugar a dois ‘waterjets’.

A mudança na motorização também permitiu um aumento na velocidade. O protótipo da LCVP Mk 5 atingiu 30 nós! No entanto, quando totalmente carregadas elas só chegam a 15 nós. Os dois modelos são bastante parecidos externamente, incluindo o padrão de pintura (camuflagem em dois tons), mas a casa do leme na versão Mk 5 possui seis faces (no Mk 4m ela era retangular). Outros detalhes, como a estrutura do mastro (rebatível quando embarcado) e a rampa de desembarque, também distinguem as duas versões.

Próximo à rampa da proa e em cada um dos bordos, foram mantidos os suportes para metralhadores de emprego geral 7,62mm. Este é o único armamento orgânico dessas embarcações, mas os fuzileiros embarcados podem utilizar seus armamentos portáteis caso haja necessidade.

As LCVP são comumente transportados em quatro aberturas (duas em cada bordo) existentes no costado do HMS Ocean. Os mesmos são arriados e/ou içados por meio de turcos. As unidades da classe Albion também podem transportar quatro LCVP por navio, mas neste caso não há aberturas específicas no costado.

As LCVP Mk 5 em ação

Entre os dias 10 e 11 de setembro de 2010, os britânicos demonstraram as capacidades das lanchas de desembarque LCVP Mk 5 para os Fuzileiros Navais no Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (CADIM).

Na manhã do dia 10, essas embarcações foram largamente empregadas no transporte dos militares do Reino Unido e de seus equipamentos deste o HMS Ocean (fundeado na Baía de Sepetiba) até o cais da Ilha da Marambaia. A grande velocidade dos deslocamentos e a facilidade do embarque/desembarque permitiram que essa faina fosse realizada de forma bastante rápida.

Ainda na parte da manhã daquele primeiro diade operações conjuntas, uma das LCVP tentou abicar na praia em frente às instalações do CADIM, conhecida entre os Fuzileiros Navais como “Bravo 4”.  Em função do gradiente existente, a embarcação encalhou a menos de dez metros da linha de costa. Graças aos seus potentes motores, a embarcação conseguiu desencalhar por meios próprios.

Depois dessa experiência, as LCVP não se aproximaram mais da costa e lançaram os seus botes infláveis Mk 2. Na parte da tarde, as LCVP tomaram parte de um assalto simulado à praia do CADIM juntamente com outros meios de superfície e aéreos.

Comparativo

As LCVP Mk 5 dos Royal Marines são semelhantes às EDVP (Embarcação de Desembarque de Veículos e Pessoal) empregadas pela Marinha do Brasil (MB). Cerca de sessenta EDVP chegaram a entrar em atividade na MB. Algumas unidades vieram diretamente dos EUA, outras foram construídas no Japão e as mais recentes foram feitas no Brasil. As unidades remanescentes estão distribuídas por diversas OM, sendo que algumas operam em ambiente fluvial e outras como unidades orgânicas de meios auxiliares.

As LCVP britânicas e as EDVP brasileiras são unidades que possuem dimensões e deslocamentos semelhantes. Até mesmo a capacidade de carga é bastante próxima, o que permite colocar as duas na mesma categoria. No entanto, existem diferenças significativas. As unidades britânicas são embarcações melhor equipadas (possuem equipamentos de comunicação modernos e radar de superfície), possuindo velocidade três vezes maior e quase o dobro do alcance.

Na verdade, as EDVP brasileiras acrescentam muito pouco em relação às unidades empregadas pelos aliados nos desembarques da Normandia, na Segunda Guerra Mundial. Já as LCVP são extremamente rápidas, contam com equipamentos de navegação sofisticados para a sua classe e permitem o desembarque a partir de uma distância maior da praia.

As LCVP enquadram-se exatamente no perfil desenhado para os Royal Marines depois do término da Guerra Fria, uma força de caráter expedicionário, leve e altamente móvel que necessita de meios ligeiros e modernos para combater em qualquer parte do planeta.

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Invincible
Invincible
9 anos atrás

Fotos incríveis.

Qual o custo destas lanchas?

Valeria a pena ou há necessidade de que se compre lanchas mais modernas para a MB?

MO
MO
9 anos atrás

Boa DDC

Nem so de “camisa 10” vive um blog

A part que realmente “gosta” do assunto agradeçe

o Importante é ser diferente, nunca igual ao tudo que vemos atraves dos anos

GBeck
GBeck
9 anos atrás

Excelente matéria, mais uma vez. Como sugestão, fico aguardando uma matéria com os Hovercrafts, ingleses (e de outras Marinhas).

Vitor
Vitor
9 anos atrás

Entao pelo q entendi, as lanchas brasileiras teriam que contar com a boa vontade de terrotorios hostis para poder desembarbar a tropa na praia por causa do maior tempo e menor distancia da praia.

ABULDOG74
ABULDOG74
9 anos atrás

Os overcrafts são mais dinâmicos e se aprofundam mais por terra caso haja essa necessidade(praia batida ou incursão anfíbia rápida), está na hora dos “crafts” para o CFN e quem sabe V-22 OSPREY e helicópteros de ataques tiger(EUROCOPTER),a bordo num futuro navio de assalto anfíbio multimissão.

ADSUMUS.

A-1
A-1
9 anos atrás

Pessoal, os argentinos devem adorar ver isto acontecendo, principalmente no BRASIL, rsrs

Fabio ASC
Fabio ASC
9 anos atrás

Vcs que estiveram lá, é rápido descer estas lanchas pelos guindastes?

Alexandre Galante
Admin
9 anos atrás

Sim Fábio, é muito rápido, coisa de dois ou três minutos.

Lucio Lucena
9 anos atrás

Muito moderno, no meu tempo era em EDVP, tanto era perigoso que uma delas afundou lá em Porto de Galinhas próximo de recife e morreu, se não me falha a memória, 12 militares.