sexta-feira, maio 27, 2022

Saab Naval

A dura realidade da Marinha Argentina

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Guilherme Poggiohttp://www.naval.com.br
Membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

Incidentes, quebras constantes e falta de recursos. Esta é a triste realidade da Marinha da Argentina. E as previsões para o ano que vem são piores.

 

A Marinha Argentina definitivamente não está passando por um bom momento e não é apenas em função da retenção do ARA Libertad em Gana e da corveta ARA Espora na África do Sul aguardando por peças sobressalentes. O resto da frota está sofrendo as conseqüências de anos de falta de manutenção e treinamento adequados com corvetas, contratorpedeiros e até mesmo submarinos envolvidos em incidentes mecânicos e de falhas humanas.

As corvetas ARA Spiro e ARA Gomez Roca, assim como o contratorpedeiro La Argentina
tiveram diferentes problemas atribuídos à falta de manutenção e falhas humanas, segundo uma fonte do comitê de defesa do Congresso Argentino

Especialistas da área acreditam que a ausência de um hipotético conflito em conjunto com recursos escassos levaram a uma deficiência no patrulhamento da Zona Econômica Exclusiva, o que impede a ação da pesca ilegal.

Três corvetas estão encarregadas da tarefa: Drummond, Granville e Guerrico, que “dificilmente navegam devido à falta de recursos para despesas operacionais “, acrescentou a fonte.

E estes incidentes estão acontecendo justamente num momento em que o orçamento aprovado para a Marinha para o ano de 2013 reduz o tempo de patrulha. “Os recursos para o próximo ano são suficientes para 161 dias de navegação e prática, comparados com 329 dias de apenas dois anos atrás “.

“É claramente insuficiente para as 15 embarcações da Marinha que estão atualmente em condições operativas “, disse o deputado Julio Martinez do partido de oposição e membro do Comitê de Defesa. Um treinamento adequado demanda pelo menos 90 dias de mar para cada navio, o que significa 1350 dias de mar para toda a frota “.

“A ARA Espora e a sua tripulação teriam evitado todos estes tristes acontecimentos na África do Sul se a corveta Spiro, originalmente designada para o exercício naval Altasur, não tivesse encalhado em um banco de areia ao sair de Mar del Plata “, disse Martinez. A ARA Spiro está em atividade desde 1987 e foi enviada à primeira Guerra do Golfo em 1990/91 pelo então presidente Carlos Menem.

Outro navio fora de ação é o quebra-gelos Admiral Irizar em conseqüência do incêndio sofrido em 2007. A previsão inicial do seu retorno já se passou e agora, aparentemente, ele deverá estar de volta ao final de 2013. Mais de 100 milhões de dólares foram gastos no navio, além do custo de locação do quebra-gelo russo Vasily Golovnin para a campanha Antártida anual de três meses, a um custo mensal de 2 milhões de dólares.

Situação semelhante enfrenta os quatro contratorpedeiros da classe Almirante Brown (Almirante Brown, Heroína, La Argentina e Sarandí), com problemas de motor e que precisam de peças de reposição, além do fato de que a validade de toda a munição já ter expirado.

Das seis corvetas MEKO, a ARA Parker e a ARA Rosales estão à espera de peças de reposição. ARA Gomez Roca e ARA Robinson estão operacionais para comissões de busca e resgate, um dever, por vezes, passado para a Guarda Costeira.

Além disso, os dois Fokker F-28s da Marinha estão retidos em solo aguardando peças retidas na alfândega por causa de restrições da Argentina sobre importações.

Contudo, de acordo com o ex-ministro da Defesa, Horacio Jaunarena, a situação não é diferente nas outras forças: os caças Mirage não estão voando porque não são suficientemente seguros para os seus pilotos e em 2006, o Exército informou à então ministra da Defesa, Nilda Garré, que a força estava em condições inferiores aos países vizinhos e, assim, “era impossível fazer um sistema de defesa comum na região “.

Por último, as tripulações de submarinos que operam a partir de Mar del Plata precisam de pelo menos 190 dias de imersão e prática e no ano passado só passou 19 horas debaixo d´água. Os submarinos Salta, Santa Cruz e San Juan possuem dificuldades de manutenção e “apenas alguns ainda lembram que em agosto de 2010,a ministra Nilda Garré anunciou que a Argentina estava planejando construir um submarino nuclear “, concluiu o deputado Martinez.

FONTE: Mercopress (tradução e adaptação a partir do original em inglês pelo Poder Naval)

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nunes neto

Tá pegando pro lado dos hermanos, o quê ainda navega por lá? Creio que no resto da AL não seja muito diferente,talvez a que esteja melhor seja a marinha do Chile, por isso querem fazer uma força de defesa comum na região, junta um navio que ainda navega de cada país e forma uma esquadra 🙂

edurval

Situação sinistra, antigamente tinha Dda Argentina ser o Brasil do amanhã.
Minha pergunta para os insiders e o quanto perto ou longe estamos dos ermanos.

GUPPY

Senhores Editores,

Creio que a palavra “agradando” deve ser substituída pela palavra “aguardando”, na segunda linha do primeiro parágrafo.

Peço que excluam este comentário devido a sua finalidade.

Abraços

Giordani RS

Chega a dar dó…e a argentina segue dando exemplos para um certo paíf…quem tem e não sabe usar, toma pau. Quem não investe, não tem forças armadas…

Eu lembro de uma reportagem da veja, isso no início dos Anos 90, aonde ela abordava o sucateamente das FFAAs hermanas, mostrava a falta de equipamentos no dia-a-dia, mas ao mesmo tempo o aumento no número de oficiais…

Marcos

E vai piorar!!!!

GUPPY

Uma pergunta:

Para o Brasil, sinceramente, é bom ou ruim os argentinos estarem assim?

nunes neto

É triste a situação dos nossos vizinhos, quando entro em blogs de lá, só ouço elogios “ao grande avanço das FA brasileiras”, em continente de cegos quem tem um olho é rei 🙂

Mauricio R.

Mto ruim, afinal agora, quem é que vai comprar o “Guaraní”???
Mais ninguém.
E tem aquele monte de peças do KC-390, tb.
Mas aí nem é problema deles, o avião não vende de jeito e maneira.
Assim essas peças não fazem falta.

Giordani RS

GUPPY disse: 24 de novembro de 2012 às 23:32 Olha tchê, penso que é simplesmente terrível! A Balança do Terror tem que estar equilibrada, mas nem por baixo ela se equilibra mais! A outrora Armada não existe mais! Nem pra guarda costeira serve! Ao meu ver, o mais temerário é a retórica do governo argentino, que inflama o continente e certos ‘governos’ embarcam de cabeça nesse trem…o (des)governo dessa senhora sucateia além da margem de segurança suas FFAAs mas vai para a mídia da AS propor uma força sulamericana…ou seja, eu grito e vocês lutam… E a diplomacia ideoPaTa do… Read more »

GUPPY

Ok, Giordani RS. Antigamente eu desejava exatamente isso, a Argentina militarmente fraca e o Brasil mais forte. Só que bem mais forte, não como está. Sendo assim, acho que eles melhorando militarmente, temos que melhorar também para equilibrar na América do Sul. Por enquanto, dá-lhe Chile.
Abraços

Moriah

além de não conseguirem ir ao mar, ainda tiraram um dos nossos… pois é, não vou chorar.

Soyuz

A Argentina fraca militarmente não é bom para o Brasil. Também não interessa a argentina fraca economicamente, já que eles representam nosso maior (e um dos únicos) clientes externos de manufaturados brasileiros, o resto compra commodities. A decadência militar Argentina é sintomática em duas características que devemos observar. No processo de redemocratização a ruptura política entre civis e militares foi maior lá do que aqui. Embora o Chile esta ai pra lembrar, que mesmo um regime ditatorial mesmo sanguinário pode gerar uma reintegração institucional e política entre militares e governo a fim de planejar o futuro de forma profissional sem… Read more »

Vader

Pobre Argentina na mão da beiçuda.

[…] A dura realidade da Marinha Argentina […]

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