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Metralhadora anfíbia reforçará Marinha russa

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vinheta-clipping-navalO aparecimento de espiões mergulhadores nas frotas marítimas de vários países durante a Segunda Guerra Mundial obrigou os engenheiros do mundo inteiro a desenvolver armas destinadas aos nadadores militares.

Há quase meio século, as tropas especiais da Marinha soviética receberam as primeiras pistolas SPP-1, com calibre 4,5 mm, e as metralhadoras APS, com calibre 5,66 mm. Em vez de balas, as novas armas atiravam flechas capazes de causar certos danos debaixo d’água, mas inúteis em terra firme. Uma flecha lançada pela arma a uma distância de 50 metros não era capaz de acertar o alvo, e, além disso, sua viabilidade ao ar livre era de apenas 180 tiros.

Os nadadores-militares do país ainda eram obrigados a carregar dois tipos de pistolas e metralhadoras: as APS e SPP-1 para o uso debaixo d’água, bem como as armas tradicionais. Apesar da falta de comodidade, os especialistas da época não tinham à sua disposição nenhuma tecnologia adequada para a criação de uma arma capaz de funcionar igualmente nesses dois meios.

Foi exatamente neste aspecto que os armeiros de Tula, no centro da porção europeia da Rússia, conseguiram sucesso. O projeto de uma nova metralhadora foi desenvolvido no Central de Pesquisa de Engenharia de Armas Esportivas e de Caça – o nome foi dado à instituição na época da União Soviética para confundir os espiões estrangeiros e desviar a atenção para a produção de armamentos de combate.

Em 2007, o centro concluiu o projeto de criação da metralhadora especial de calibre 5,45 mm, denominada de ADS e destinada ao uso em dois meios. Debaixo d’água, a metralhadora atira com balas de calibre 5,45×39 mm, e ao ar livre ela usa uma munição tradicional com o mesmo calibre – basta apenas trocar o carregador.

As outras características da nova arma incluem um lançador de granadas VOG-25 e VOG-25P, com calibre 40 mm montado sob o cano, um silenciador e um conjunto de aparelhos de pontaria, assim como várias outras opções utilizadas nas armas russas pela primeira vez. Um deles é o dispositivo “bullpup”, que consiste na instalação da empunhadura com disparador na frente do carregador e das partes móveis dentro da coronha, permitindo manter o comprimento do cano, porém, diminuir o tamanho da metralhadora.

A ADS não possui uma coronha tradicional, que foi substituída por uma placa traseira, e é a primeira arma russa que solta os invólucros na direção frontal – e não lateralmente como nos outros modelos. Isso permite diminuir a nuvem de gases de disparos formada a pouca distância da face do atirador. A metralhadora também poderá ser utilizada tanto no ombro direito quanto no esquerdo, sendo igualmente confortável para os destros e canhotos.

Na fabricação da ADS foram utilizados os materiais compostos que contribuíram para a diminuição do peso e aumento da resistência à corrosão. A estrutura do aparelho de extração de gás recebeu um regulador que permite uma fácil comutação entre os modos de ar e água.

Apesar de a arma ser destinada a nadadores-militares, sua estrutura confortável e universal permite a utilizá-la pelos soldados das equipes especiais do departamento de Inteligência, de infantaria naval e terrestre. A metralhadora, que já foi submetida ao circuito completo de testes militares, recebeu avaliações positivas e encontra-se agora na etapa de testes de protótipo. A decisão sobre a sua utilização pelas tropas regulares será tomada nos próximos meses.

Características técnicas

Peso (incluindo o lançador de granadas): 4,6 kg

Comprimento: 68,5 cm

Munição com calibre de 5,45 x 39 mm

Velocidade: 800 tiros/min

Distância máxima para tiro preciso em terra firme: 500 m

FONTE: Gazeta Russa (adaptação do Poder Naval)

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