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Comitiva uruguaia está na China para avaliar condições de aquisição do patrulheiro P-18N

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P-18N

Uma delegação do Ministério da Defesa e da Marinha do Uruguai está na China desde a terça-feira (21.04), para conhecer as condições em que poderiam ser adquiridos três navios-patrulha oceânicos classe P-18N.

A comitiva é chefiada pelo diretor-geral do Ministério, Hernán Planchón, de 38 anos, e integrada ainda por três chefes navais: o contra-almirante Jorge Jaunsolo – chefe de gabinete do comandante-em-chefe da Armada – e os capitães de navio Oscar Dourron e Carlos González, ambos da Diretoria-Geral de Material Naval (DIMAT).

O grupo foi recebido, nesta quarta-feira (22.04), pela direção da China Shipbuilding & Offshore International – fabricante do P-18N – e deve ser convidado a subir a bordo de uma dessas embarcações.

Da China os uruguaios seguirão para a base naval de Muara, no Brunei – país situado na costa norte da Ilha de Bornéu –, onde embarcarão em um OPV da classe Darussalam, fabricado por um consórcio da indústria naval alemã liderado pela empresa Lürssen. Foram os alemães que agendaram essa visita. A Real Marinha do Brunei possui quatro unidades Lürssen OPV 80, todas entregues entre 2011 e 2014.

A DIMAT examina quatro modelos de embarcação para o patrulhamento offshore que poderiam atender os requisitos operacionais de sua “Frota de Mar”: o P-18N, o Lürssen OPV 80, o Fässmer OPV 80 e o navio francês da classe L’Adroit, de 1.450 toneladas, fabricado pelo grupo DCNS.

2011.10.24 - DCNS_Gowind OPV L'Adroit made available to French Navy 01-765691
Patrulheiro francês classe L’Adroit

 

No ano passado militares uruguaios inspecionaram o OPV português classe Viana do Castelo, de 1.750 toneladas, mas essa opção já não figura nos comparativos que estão sendo feitos atualmente.

Exocet – De acordo com Gabriel Porfilio, correspondente em Montevidéu do site Infodefensa.com, os modelos que concentram as melhores avaliações, até agora, são os alemães.

Os navios da Lürssen e da Fässmer têm o mesmo comprimento (80 m) e requerem praticamente o mesmo número de tripulantes (em torno de 60 oficiais e subalternos), mas o da Lürssen – 103 toneladas mais leve que o seu congênere da Marinha do Brunei – está apto a transportar armamento de poderio consideravelmente superior.

Enquanto os OPVs Fässmer que equipam as esquadras do Chile e da Colômbia possuem apenas um canhão de 40 mm e metralhadoras pesadas, a classe Darussalam foi dotada de uma peça de artilharia de 57mm e de quatro lançadores de mísseis superfície-superfície Exocet MM-40 Block 3.

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KDB Darusallam, da Lürssen

 

Esse dado é importante porque os chefes navais uruguaios precisam de uma embarcação que os habilite a continuar participando das manobras Unitas, coordenadas pela Marinha americana, e dos exercícios com as frotas do Brasil, da Argentina e da África do Sul.

As duas fragatas classe João Belo que compunham a Divisão de Escolta da Armada uruguaia – Uruguay e Comandante Pedro Campbell – chegaram ao fim de sua vida útil. A Pedro Campbell já foi até retirada do serviço ativo.

Os almirantes uruguaios haviam definido que, para atender aos compromissos internacionais, necessitariam de ao menos duas fragatas leves. Mas diante de suas restrições orçamentárias, o mais provável é que, dentro de quatro ou cinco anos, eles compareçam a essas manobras de guerra com os seus novos OPVs.

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Fragata “Uruguay”, a mais importante da Divisão de Escolta da Marinha uruguaia, que já está no fim de sua vida útil

 

A grande desvantagem da embarcação projetada pela Lurssen é que, apesar de possuir um bom convés de voo, não dispõe de hangar para seu helicóptero orgânico – o que representa certa limitação à sua capacidade de cumprir missões de reconhecimento e de salvamento em perímetros marítimos afastados da costa.

A delegação uruguaia retorna a Montevidéu no próximo dia 30, e, possivelmente, ainda fará uma visita às instalações da DCNS, na França.

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Adam Foerster
5 anos atrás

O engraçado do Lurssen é que apesar de não ter cobertura para o helo, tem uma doca coberta para lanchas.

http://www.luerssen-defence.com/uploads/tx_templavoila/bild8_01.jpg

O l’adroit também.

thomas_dw
thomas_dw
5 anos atrás

ao invés de comprar napaoc 3 Amazonas … que vexame.

aldoghisolfi
aldoghisolfi
5 anos atrás

Bem que falei…

(1) a China vai entrar aqui, em terras Tupiniquinhas, muito firme e forte.

(2) Uruguai indo à Chiina comprar o que podemos oferecer? Isso é o Mercosul.

Adam Foerster
5 anos atrás

thomas_dw e aldoghisolfi

Não sei se entendi o comentário de vocês mas os NaPaOc Amazonas foram construídos pela BAe e não pelo Brasil.

thomas_dw
thomas_dw
5 anos atrás

A MB adquiriu a licença de fabricação do Amazonas junto com as 3 unidades.

ci_pin_ha
ci_pin_ha
5 anos atrás

Mas o Brasil adquiriu o direito de produzir aqui mais algumas. Não se conseguimos o direito de vender a países vizinhos.
O Uruguai deveria comprar o OPV 80 igual os colombianos, mais alguns classe Macaé e depois alguma corveta tipo Sigma, Baynunah (acho que aguentam os mares daqui), Visby, ou talvez a fragata paquistanesa F-22P Zulfiquar com o máximo de ocidentalização possível.

rafael oliveira
rafael oliveira
5 anos atrás

A MB não quer construir mais Amazonas sequer para ela (tanto que tem um projeto de OPV próprio) e os estaleiros nacionais penam para construir NaPa 500.

Certo está o Uruguai em procurar quem tem competência para projetar e construir navios em vez de comprar algum navio feito no Brasil, provavelmente mais caro e de pior qualidade.

Roberto Lopes
Roberto Lopes
5 anos atrás

Uma informação na linha daquilo que o forista Rafael Oliveira mencionou:
A Marinha uruguaia pretende incorporar de 3 a 5 NaPaCos de 500 toneladas, e considerou seriamente a classe Macaé.
No ano passado foi feita uma consulta à Marinha do Brasil sobre o estágio de construção das Macaés para a MB, e nossa (da Marinha) resposta foi de que essa construção enfrenta, no momento, alguns problemas.
Mas não sei se os uruguaios deixaram de lado o produto brasileiro, eles tinham outras opções…

Iväny Junior
5 anos atrás

Caros Existe uma regressão técnica no setor. Compras e pagamentos atrasados por parte do governo provavelmente fizeram que profissionais competentes saíssem do nosso território nômade, caótico, corrupto e violento para trabalhar em algum país de verdade. A prova disso é que a fabricação do NaPa 500 hoje precisa de uma consultoria estrangeira. O pequeno patrulheiro é muito mais simples do que um OPV. Os modelos dos dois “iateiros” alemães surpreendem pelo conceito novo, armamento, preço e qualidade. Eu não conhecia os Fässmer e Lürssen OPVs. Interessante que no último Lürssen de Brunei o canhão Bofors 57mm foi substituído pelo Mauser… Read more »

rafael oliveira
rafael oliveira
5 anos atrás

Obrigado, Roberto Lopes, pela informação.

E realmente faltou eu citar que os estaleiros brasileiros também costumam atrasar as entregas dos navios.

Por essas e outras que cada vez mais apoio a compra de navios de prateleira.

Ivany, os OPVs da Fassmer são os queridinhos da América Latina, inclusive com construção local.

Iväny Junior
5 anos atrás

Rafael Oliveira Esse navio passando por um estudo de emprego de armamentos (o que acredito que já foi feito, pois meu olhar de leigo identifica muitos pontos que podem ser armados no desenho) pode ser uma ótima corveta leve comparável a MEKO 80 (Israel acaba de comprar um modelo bastante artilhado). Ambos os modelos são muito versáteis (Fässmer e Lürssen) e provavelmente não procuraram a MEKO 80 porque ela é bem mais cara mesmo. O modelo chinês se for exportado no padrão deles, é bastante armado, agora ninguém sabe como é a operação deles. Saudações a todos.

aldoghisolfi
aldoghisolfi
5 anos atrás

Adam, o thomas respondeu por mim.

O Uruguai está certo, apesar da minha crítica. Atrasos e custos dos estaleiros nacionais melam qualquer nogócio; inclusive interno.

Adam Foerster
Reply to  aldoghisolfi
5 anos atrás

Concordo aldoghisolfi.

Quão bom seria se a política externa (e interna) brasileira fossem dignos de confiança, e nossa indústria militar tivesse no governo uma base segura para cooperar e crescer.

Quem sabe daqui alguns anos…

ci_pin_ha
ci_pin_ha
5 anos atrás

Os navios classe Macaé poderiam ser comprados diretamente dos franceses caso o Uruguai demonstrasse interesse. Talvez fosse interessante até para nós

Jorge Alberto
Jorge Alberto
5 anos atrás

Lastimavel…. volto a repetir: Brasil perde no seu proprio quintal…

Doa material para Bolivia e ela vai a Franca comprar cougars…

Doa material para o Uruguai e o mesmo vai a china comprar barcos similares ao q fabricamos…

Usuarios de Tucano comprando similares pq a Embraer agora so fabrica Stucanos…

Usuarios de Engesa cascavel e urutu, indo ao mercado internacional pois o Brasil nada tem a oferecer… (Guarani??? de 6 rodas quando todos querem de 8?)

Agora Portugal (q eh “parceira” da Embraer no KC-390), inclinada a comprar Hercules???

Camaradagem e Mercosul a toda!!!!!

aldoghisolfi
aldoghisolfi
5 anos atrás

Os únicos errados somos nós mesmos…

Mauricio R.
Mauricio R.
5 anos atrás

Naviozinho tosco esse Lürssen, não é somente a falta de hangar, o navio tdo é mto mau ajambrado.

Requena
Requena
5 anos atrás

O Brasil não consegue vender nem navio patrulha pro Uruguai e a turma do “braZiU Putenffia” falando que seremos grandes exportadores de armas para África e América latina.

Piada sem graça…