Home Marinha do Brasil Navio Oceanográfico francês vai coletar dados no nordeste brasileiro

Navio Oceanográfico francês vai coletar dados no nordeste brasileiro

707
7

Antea

Passados 50 anos da “Guerra da Lagosta”, a Marinha do Brasil autoriza um Navio Oceanográfico francês, o “Antea”, a realizar atividades de pesquisa científica em AJB, no litoral do Nordeste brasileiro.

Segundo o artigo 2ª, da Portaria nº 178 do ESTADO-MAIOR DA ARMADA, o objetivo científico da campanha oceanográfica é “a caracterização, em 3D, dos compartimentos bióticos e abióticos e suas interações, na costa nordeste brasileira, a fim de fornecer informações qualitativas e quantitativas sobre as espécies exploradas e inexploradas; melhorar a compreensão da dinâmica espaço-temporal dos processos físicos, biogeoquímicos e ecológicos ainda pouco compreendidos; e fornecer informações necessárias para calibrar e validar os modelos de simulação.”

Vale lembrar, que a vinda do Navio Oceanográfico francês decorre do acordo celebrado entre a Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento Educacional (FADURPE) e o “Institut de Recherche pour le Développement (IRD).

A fim de evitar que sejam coletados dados fora do propósito deste acordo, a MB terá permanentemente um representante a bordo do navio francês. Este representante terá autoridade para suspender os trabalhos, apreender todos os dados, informações e resultados obtidos pela pesquisa realizada, na hipótese da coleta de dados fora dos previstos e autorizados pela portaria..

Segue abaixo a Portaria nº 178 do ESTADO-MAIOR DA ARMADA:

COMANDO DA MARINHA
ESTADO-MAIOR DA ARMADA
PORTARIA Nº 178/EMA, DE 8 DE SETEMBRO DE 2015

O CHEFE DO ESTADO-MAIOR DA ARMADA, no uso da delegação de competência que lhe confere a Portaria nº 156/MB/2004 e de acordo com o disposto no art. 2º do Decreto nº 96.000/1988, resolve:

Art. 1º Conceder autorização ao Navio Oceanográfico francês “ANTEA”, para realizar atividades de pesquisa científica em AJB, conforme previstas no Projeto “Acoustics along the Brazilian Coast (ABRACOS)”, obedecendo à derrota apresentada à Marinha do Brasil (MB).
§ 1º O navio fica obrigado a aderir ao Sistema de Informações sobre o Tráfego Marítimo (SISTRAM), conforme descrito nas Normas da Autoridade Marítima para Tráfego e Permanência de Embarcações em AJB – NORMAM-08/DPC. Qualquer alteração do projeto previamente apresentado deverá ser submetida à apreciação da MB.
§ 2º Caberá à Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), instituição responsável pela campanha oceanográfica, buscar junto aos órgãos de fiscalização e controle competentes as autorizações legais e exigíveis para a boa execução do projeto, que deverão ser emitidas de acordo com a natureza da pesquisa, quando assim for exigido.

Art. 2º O objetivo científico da campanha oceanográfica é a caracterização, em 3D, dos compartimentos bióticos e abióticos e suas interações, na costa nordeste brasileira, a fim de fornecer informações qualitativas e quantitativas sobre as espécies exploradas e inexploradas; melhorar a compreensão da dinâmica espaço-temporal dos processos físicos, biogeoquímicos e ecológicos ainda pouco compreendidos; e fornecer informações necessárias para calibrar e validar os modelos de simulação. O Projeto encontra-se coberto por acordo celebrado entre a Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento Educacional (FADURPE) e o “Institut de Recherche pour le Développement (IRD)”.

Art. 3º A autorização a que se refere esta portaria terá validade para o período de 29 de setembro a 22 de outubro de 2015.

Art. 4º O navio de pesquisa mencionado no art. 1º terá a bordo, no período supracitado, um representante da MB, ao qual deverão ser concedidas todas as facilidades, inclusive o acesso aos documentos relativos às pesquisas e a todos os compartimentos do navio, com o propósito de permitir a fiscalização necessária dos serviços que serão executados.
Parágrafo único – O representante da MB tem autoridade para impedir, em AJB, a coleta de dados fora do propósito e do período especificado no art. 3º desta portaria e a execução de pesquisa em derrota não prevista nos documentos previamente apresentados.

Art. 5º A instituição responsável pela pesquisa deverá fornecer à Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) todos os dados, informações e resultados obtidos pela pesquisa realizada, dentro dos prazos previstos no Decreto nº 96.000/1988, encaminhando-os para a rua Barão de Jaceguai, s/nº, Ponta da Armação, Ponta D’Areia, Niterói, RJ, CEP: 24048-900.

Art. 6º Para a remessa dos dados coletados, devem ser observados os aspectos técnicos e de documentação, detalhados nas “ORIENTAÇÕES PARA A REMESSA DOS DADOS COLETADOS”, que a esta acompanham.

Art. 7º O não cumprimento, pelas entidades interessadas, do estabelecido nesta portaria, implicará no cancelamento automático da presente autorização, respondendo as referidas entidades pelos prejuízos causados e ficando sujeitas, a critério do Governo Brasileiro, a terem recusadas futuras solicitações de pesquisas em AJB.

Art. 8º Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União.

WILSON BARBOSA GUERRA
Almirante-de-Esquadra

Subscribe
Notify of
guest
7 Comentários
oldest
newest most voted
Inline Feedbacks
View all comments
John Paul Jones
John Paul Jones
4 anos atrás

Eu fico imaginando até onde vai a nossa ingenuidade …. Anos atrás, na decada de 90, um navio semelhante chamado “Jean Charcot” devassou o litoral do NE entre Natal e Barra Grande (Alagoas) em pesquisa Hidrografica do fundo do mar, puro “pano de fundo” para mapear todos os afudamentos desse litoral. No final da pesquisa entregaram um relatório a DPC focando o litoral entre Ponta de Pedras e o Cabo de Santo Agostinho com várias anomalias magnéticas (sem precisar posiçoes) de provaveis naufragios. Nesta area está o famoso afundamento da “Nau Santa Rosa” da Marinha Luso-Espanhola do inicio do século… Read more »

John Paul Jones
John Paul Jones
4 anos atrás

Apenas uma correção: Século XVIII

Juarez
Juarez
4 anos atrás

Se fosse um navio “duzarericanu” o mundo iria acabar,seria o prenúncio de uma grande ação espionagem yankee que preceeria a invasão do Brasil e e em seguida todos blogs sujos(incluindo alguns de “difesa”) inflamariam discuros contra isto.

Grande abraço

mdanton
mdanton
4 anos atrás

Nossos dirigentes atuais das FA, há trinta anos estão “vendidos” para galgar altos cargos na hierarquia militar. Não existem ingênuos, exitem vendilhões! França vai fazer um belíssimo mapa 3D para seus sub passearem e negarem os portos brasileiros caso eles quererem degustar umas lagostas novamente. GRAÇAS a DEUS os EUA são alertas sobres essas artimanhas francesas. Só se juntam quando é para sabotarem Alcantara. Até quando teremos traidores e lesa pátria no Brasil? Olha que há séculos é assim…deslumbrados pelas cortes européias.

Hélio junior
Hélio junior
4 anos atrás

Me perturba saber que um navio estrangeiro esta fazendo isso…me lembra a Amazônia e suas milhares de ONGs estrangeiras…

Alex
Alex
3 anos atrás

Ha ha ha ha ha….falaram tanto tempos atrás sobre navegação de cabotagem e agora temos isso. É só lembrar da “conversinha” do técnico francês sobre os títulos da seleção brasileira e ele ainda vinha com aquela: Vocês têm 5 títulos por que a França não pode ter alguns?…..Conversa pra boi dormir. Mas como dito acima, alguém deslumbrado pelas cortes européias….Quanto a “sabotagem” em Alcântara? Acho que não existiu. E sim falhas no processamento do projeto/lançamento do foguete. Afinal de contas, quantos lançamentos americanos, russos, europeus, chineses e até norte coreanos, para não falar nos iranianos com toda a problemática que… Read more »

Alex
Alex
3 anos atrás

digo Apolo XI, rsrsrsrs