Esquadra
Fragata Rademaker, Navio-Tanque Marajó e NAe São Paulo no início dos anos 2000

Romulo F. Federici
[email protected]

Para falar da Marinha que queremos, precisamos primeiro entender como nosso país se coloca entre as demais nações deste planeta, onde o mar é o grande elemento de ligação entre continentes e palco histórico de conflitos. Numa visão geopolítica bem básica, poderíamos considerar que no mundo existem os seguintes tipos de países: os protagonistas, os irrelevantes e os párias.

Os países párias
São países que padecem de carências generalizadas e crônicas e que não podem pensar em outra coisa que vá além de chegar ao dia seguinte. Vivem atrelados a programas assistenciais, dependendo dos mesmos, assim como a ONGs de atendimento básico. Frequentemente são vítimas de conflitos internos por falta de ordenamento político-institucional mínimo. São poucas as suas perspectivas de se colocarem de pé como países ou como nações em curto ou médio prazo.

Os países irrelevantes
São aqueles que, mesmo tendo alguma estrutura social, certa capacidade de sobrevivência e até mesmo existência digna e estável, vivem, normalmente, a reboque de alguma potência. Muitas vezes, dependem de acordos bilaterais normalmente conseguidos com maiores vantagens para o seu parceiro. Muitos não possuem nem população nem território de destaque ou, se os têm, entraram em decadência ou não otimizaram seu potencial. São países frequentemente sem uma infraestrutura industrial consistente, que exportam quase exclusivamente produtos primários e importam quase todo manufaturado de que necessitam.

São aqueles países às vezes bem arrumados, mas sem voz suficientemente alta para ecoar, ser ouvida e considerada geopoliticamente.

Esquadra Brasileira
Esquadra Brasileira em operação, uma visão cada vez mais rara


Os países protagonistas

São aqueles que reúnem condições de participar (em maior ou menor grau) das discussões e decisões que conduzem os destinos do mundo e, consequentemente, da humanidade.

Para integrar esse grupo mais seleto, cada participante terá de exibir, entre outras credenciais, uma economia entre as 15 maiores do mundo, pelo menos (eventualmente, pode haver uma tolerância pontual pela ocorrência de outros fatores). Também precisam apresentar um parque industrial considerável, satisfatória produção de produtos primários e disponibilidade de energia adequada a atender às demandas presentes e de médio e longo prazo.

São nações de população e território importantes, com áreas de influência, reservas em dólares que lhes permitem enfrentar demandas ou situações extraordinárias, além de contarem com estabilidade político-institucional.

Para ser um país protagonista, também é fundamental ter capacidade de defesa suficientemente dissuasória, garantidora de sua integridade e soberania e que, ainda, possibilite a capacidade de marcar presença em áreas de conflito no estrangeiro, como forças impositivas ou garantidoras de paz através da ONU (Organização das Nações Unidas).

Existem neste elenco nações que podem não atender a um ou outro item, mas que apresentam outros elementos relevantes. É o caso dos países da Europa Ocidental que, mesmo pequenos em sua maioria, e mesmo num momento decadente, ainda têm economias importantes, estabilidade secular e boa capacidade de defesa. A importância dos europeus é potencializada pelo fato de estarem unidos em dois tratados que os integraram política, econômica e militarmente.

De fato estão unidos, como irmãos siameses, na União Europeia (UE), que é uma união econômica e política de 28 estados-membros independentes, porém integrados, e que na prática formam um mega-estado virtual. Além disso, estão unidos na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), liderada e pautada pelos Estados Unidos, reunindo as forças de defesa de todos os países-membros.
Portanto, fica claro que para ser protagonista, além dos diversos elementos citados, é importantíssimo e absolutamente indispensável que os países desse grupo possuam forças armadas bem dimensionadas, bem preparadas e devidamente equipadas. E não é só para atuarem como fator dissuasório e participarem em missões de paz ou de intervenção em qualquer lugar do mundo sob o manto da ONU. Essas forças têm de ter potencial para se fazerem presentes em áreas de interesse estratégico que qualquer protagonista tem.

Fragata Independência (F44) operando com o porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower (CVN 69) e seu Carrier Strike Group 8 no Atlântico Norte
Fragata Independência (F44) operando com o porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower (CVN 69) e seu Carrier Strike Group 8 no Atlântico Norte

 

Onde está o Brasil nessa história?
Nosso país já é um protagonista mundial, por várias de suas características.

O Brasil é uma liderança e potência regional com uma das maiores economias do mundo. Também possui riquezas e território extraordinariamente significativos, assim como disponibilidade real e potencial de energia, e grande população que progressivamente vem sendo resgatada da miséria crônica que imperou até poucas décadas. Possui parque industrial de tamanho considerável, é um dos maiores produtores de alimentos do planeta, apresenta estabilidade político-institucional e é uma democracia que, felizmente, permite a convivência, mesmo que eventualmente ruidosa, de várias tendências. Estes são os principais dentre outros requisitos essenciais a um protagonista.

Um dos pontos mais relevantes a se considerar em relação ao Brasil é o imenso tamanho de sua costa. O País é banhado pelo Oceano Atlântico, desde o Cabo Orange ao norte até o Arroio Chuí ao sul, numa extensão de 7.408km que aumenta para 9.198km se considerarmos as saliências e reentrâncias do litoral. Se levarmos em conta a crescente importância do Atlântico Sul, trata-se de um elemento estratégico enorme.

Além disso, o Brasil tem bem à frente o Continente Africano, onde há crescentes interesses para nossa nação, principalmente em Moçambique, Angola, Namíbia e outros países localizados principalmente na costa atlântica da África. Isto sem nos esquecermos de que o Atlântico é a “avenida” de acesso à Antártica, ao Cabo da Boa Esperança (extremo sul do Continente Africano), que é rota para o Oceano Índico, além do Cabo Horn (ao sul da América do Sul), rota de acesso ao Oceano Pacífico.

Coroando tudo isto, temos que considerar um fator crucial: o Brasil vem se apresentando como protagonista e requerendo a responsabilidade de atuar como um em vários momentos nas últimas décadas e, mais recentemente, no Haiti e no Líbano.

Esquadra Tropicalex
Navios da Esquadra Brasileira em uma das Operações Tropicalex

O protagonismo e a Marinha
Para que tudo isso faça algum sentido, temos que possuir uma marinha forte capaz de atuar defensivamente ao longo de nossa costa, mas também com poder de projeção para áreas mais distantes onde se faça necessária nossa presença como reafirmação de protagonismo geopolítico.

No entanto, o que temos assistindo nos últimos anos não se coaduna com as pretensões protagonistas do País. A Marinha do Brasil conta com o grande valor de seus homens e mulheres, mas não de seus meios.

Se analisarmos as unidades que vêm sendo incorporadas à Armada recentemente, constatamos que foram agregadas somente pequenas unidades de patrulha de 500 toneladas de deslocamento, além de três navios-patrulha oceânicos de cerca de 1.800 toneladas (em deslocamento leve), frutos de compra de oportunidade em face de terem sido recusados por país caribenho.

Convenhamos: não se tratam de belonaves. São, basicamente, unidades adequadas a tarefas de guarda costeira, com armamento e recursos eletrônicos limitados. Apesar de atenderem a um papel importante, o fato é que esses navios não agregam capacidade real de combate à Armada e não incrementam capacidade de projeção, absolutamente essencial ao bom cumprimento de missões inerentes ao “status” geopolítico pretendido pelo País.

NPaOc Apa - 1
Navio Patrulha Oceânico Apa

Precisamos, para início de conversa, de um número mínimo de unidades que transportem meios operacionais e homens, quando necessário e para onde for necessário.
Lembramos, para não ir muito longe, dos problemas enfrentados por navios que, num primeiro momento, foram escalados para transportar equipamentos e homens para o Haiti. A “pátria foi salva” um pouco mais adiante com a compra de navios ingleses usados, um dos quais vem sendo extensivamente usado no suprimento das forças que atuam no país caribenho.

A missão no Líbano, pela qual reclamamos participação com comando, obrigou a Marinha a um verdadeiro “tour de force” para preparar nossas fragatas, “heroínas” de quase 40 anos de uso, para atuarem de maneira honrosa na missão, em rodízio.

O projeto de substituição dessas fragatas por novas unidades de 6.000 toneladas mergulhou em profundo silêncio e os fracos ecos que se ouvem dão conta da construção de 4 corvetas numa versão atualizada do último navio de escolta incorporado (em 2008) pela Marinha, a corveta Barroso, de projeto e construção nacionais.

Se a incorporação de novos navios do porte de corveta (com pouco mais de 2.000 toneladas) vai se realizar ninguém sabe, mas falar em real capacidade de projeção contanto, no máximo, com corvetas, é inimaginável. Comparada a uma comissão numa grande fragata moderna, a viagem em corveta até o Líbano, com permanência de 6 meses e retorno, é bem mais desgastante para sua tripulação, com diminuição de sua eficiência. Além disso, o navio é menos armado do que uma fragata.

Corveta Barroso na ATLASUR IX e IBSAMAR III
Corveta Barroso na ATLASUR IX e IBSAMAR III

Uma lamentável constatação
Fica evidente que o orçamento da Marinha, sabidamente insuficiente, vem sendo eclipsado pelo programa de construção dos submarinos derivados do tipo “Scorpène” francês, que inclui um estaleiro construtor e base. Além do mais, o longo processo de recuperação do porta-aviões São Paulo vem demandando apreciável soma de recursos.

Pois bem: apesar de valor reconhecido em ambas as iniciativas, deve-se levar em conta que os submarinos, mesmo havendo uma unidade de propulsão nuclear em projeto, serão de natureza defensiva, para negação do uso do mar, e que o navio-aeródromo vai operar um pequeno número de aviões de combate subsônicos e limitados, sem contar com navios-escolta à altura. Ambos não parecem ser os elementos de projeção, seja por seu emprego defensivo ou por suas características limitadas, que o País carece como protagonista.

É óbvio que precisaríamos, no mínimo e sem abrir mão do que está programado, substituir nossas cansadas fragatas por unidades novas e equipadas para as missões que lhes caberiam.
Portanto, nos últimos anos, quanto aos meios de superfície não temos mais do que esforços para montar uma guarda-costeira e não uma Esquadra composta por belonaves capazes de gerar algum poder de projeção ou mesmo dissuasão.

Temos que nos indagar de forma urgente e sincera: afinal, que marinha queremos e, além disso, que país queremos no elenco geopolítico?

Se tudo continuar dentro dos mesmos critérios e no mesmo ritmo, o Brasil precisará abdicar do direito de ser um país protagonista e se conformar em ser um mero país irrelevante, geopoliticamente falando.

Seria constrangedor.

Artigo publicado originalmente na revista impressa Forças de Defesa número 8

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Vivaldo Jose Breternitz
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Não se trata da Marinha que queremos, mas sim da que podemos ter. Se todo o $$$ que gastamos no SP (sucata, desde antes da chegada) tivemos investindo em unidades menores, talvez fabricadas aqui, a Marinha (e talvez o país como um todo) teriam ganho muito mais… Talvez valesse rever o processo que levou à aquisição do SP e averiguar responsabilidades.

Safe
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Safe

Temos que ter uma Marinha realista, transforma o SP em Museu, Coral artificial ou qualquer outra coisa.Submarino nuclear pro Brasil é piada, teremos uma Guarda costeira com um submarino nuclear chega ser uma piada de mal gosto.

A marinha e seus comandantes tem que abrir os olhos pra realidade, depois disso oque vier é lucro.

Douglas Schuindt
Visitante
Douglas Schuindt

A Marinha que quero é uma força operacional, profissional, equilibrada, com alto índice de disponibilidade de meios e capaz de cumprir sua missão constitucional. Só isso.
Não adianta querer fragatas de 6 mil toneladase submarino nuclear se não conseguimos manter os meios atualmente disponíveis. Enquanto defesa não for uma política de Estado vamos ficar a mercê da boa vontade de cada mandatário.

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Trusted Member

Vivaldo,
.
O que foi gasto no São Paulo ao longo de 15 anos, entre aquisição e manutenção, eu creio não daria nem para construir uma corveta igual à Barroso no mesmo período.
.
Acho que não adianta colocar toda a culpa num “navio-bode expiatório” só, independentemente de se concordar ou não com a aquisição do São Paulo.

Vivaldo Jose Breternitz
Visitante

Olá Fernando,

Não se trata de ‘jogar a culpa num navio’, mas ainda creio que seria melhor termos uma corveta operando do que o SP parado, como de costume. Além disso, teríamos que considerar os custos com aeronaves, treinamento etc etc.

Abs

GuiAmaral
Visitante
GuiAmaral

Novamente esta questão debatida aqui no Fórum. A resposta à essa pergunta deveria vir da própria Marinha, que se mostra incapaz de traçar planos viáveis e demonstrar prioridades claras e que façam sentido à qualquer um que pensar em nossa posição geopolítica. Não faz sentido ficar brigando pelos sempre escassos recursos infinitamente. Nem mesmo ficar colocando a culpa neste ou naquele governo (nunca estivemos diferentes, sempre na pindaiba e essa era a realidade mesmo nos governos militares). Nunca estaremos como gostaríamos de estar, pelo menos se o critério for baseado no sentimento exaltado que vemos aqui no site. É preciso… Read more »

Vinicius Gomes
Visitante
Vinicius Gomes

Outro dia o Galante postou no grupo o gasto federal com pensões. Alarmante.
Do ponto de vista administrativo, é necessário repensar a eficiência, a eficácia, e a inovação, não apenas nos meios operacionais, mas em tudo o que tange a MB, desde cargos, finanças, até seu desenho físico espalhado pelo país.
Eficiência, eficácia e inovação, são as palavras mágicas de que a MB necessita.
Não adianta vir aqui falar sobre dinheiro, se não conseguimos criar uma nova cultura dentro desta gloriosa organização.

Vader
Membro

Que Marinha que queremos? Eu como cidadão, como patriota, como estudioso e como ex-militar só tenho uma resposta: Uma que FUNCIONE! 😉 Quero uma Marinha que seja um instrumento de DEFESA para o país, e não uma guarda costeira piorada, ou uma repartição pública pra dar carta de arrais e licença pra iate de 15 pés! Quero uma Marinha que impeça espionagem, pesquisa biológica não autorizada, exploração ou ocupação de nossas ilhas de alto-mar, e não uma para ficar fiscalizando jet-sky na praia! Quero uma Marinha que se concentre em NAVEGAR e não em construir engenho nuclear! Quero uma Marinha… Read more »

Raimundo Boaventura
Visitante

O Brasil tem que elencar prioridades. Atualmente é a construção dos submarinos e sua base. Em médio prazo teremos uma das melhores FAs do mundo. É uma política de Estado. O passo mais importante já foi dado com a Política Nacional de Defesa, inserida em nosso ordenamento em 2008. Para um país sem risco imediato seria desperdício de tempo e dinheiro dotarmo-nos de uma força militar extravagante. Confio nos estrategistas nacionais, que veem à longo prazo. Se tivéssemos na eminência de uma agressão já teríamos conhecimento. É bom não subestimar nossa capacidade, que é respeitada por todo o mundo. Chega… Read more »

Adriano Luchiari
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Adriano Luchiari

A Marinha que eu quero deve ter real capacidade de patrulha, minagem, varredura e SAR nas nossas águas territoriais e ZEE, de negação do uso do mar territorial, e um pequena força anfíbia em caso de necessidade de se estabelecer uma cabeça de praia no litoral ou retomar alguma ilha jurisdicional. Aviação de patrulha e ataque baseada em terra, e submarinos convencionais com ou sem AIP. É o que a realidade nos permite e a geopolítica de médio prazo contempla.

M. Silva
Visitante
M. Silva

Acho que somos irrelevantes com aspirações oníricas a protagonistas mas a caminho de virarmos párias. Os militares da MB não conseguem alcançar objetivos, pois parece que não os têm: oscilam entre sonhos de grandeza e a consciência de que precisamos adquirir o básico e poder mantê-lo. Os políticos querem uma Marinha de párias. São os Barrabás e os Judas da nação. Uma nação que, como eles, só pensam em prazeres imediatos, não nas próximas gerações. Os patriotas querem uma Marinha de protagonistas. “Deitado eternamente em berço esplêndido…Brasil, de um sonho intenso…” Vão sonhando… Precisamos concluir um plano mínimo (Marinha de… Read more »

_RR_
Visitante
_RR_

Excelente artigo!

pedro possa
Visitante

Alexandre Galante, realmente fico triste em ver o estado de nossa esquadra tanto quanto acredito na nossa capacidade de reergue-la não necessariamente com o PAEMB que foi idealizado em outros tempos com outras perspectivas o que hoje o tornaria inviável e inexecutável por motivos orçamentários tenho certeza que esse momento de obsolescência de nossos meios navais irá passar muito em breve ainda que não aja previsão para melhores orçamentos. ———————————————————— em relação ao nosso opala (A-12 São Paulo) acredito que não existe esquadra sem apoio aéreo baseado em porta aviões (segunda guerra mundial nos provou isso, HMS shefield nos provou… Read more »

Emmanuel Marcelino de Brito
Visitante

Excelente artigo.Na história universal,países fracos militarmente são dominados e subjugados. Agora para sermos fortes dependemos de políticas e atitudes que ensejam ideais de país forte. Infelizmente,não e o que vemos nos dias atuais.Constantemente somos bombardeados pela mídia propagandista (e portanto ideológica)que preconiza inferiorização de nossa cultura, nossos valores.E fácil perceber isso,a juventude copia costumes musicais estrangeiros,e ainda dizem que nossa música e brega.Pessoas nomeiam seus filhos com nomes difíceis de entender e escrever,carregados de y ,w ,th acreditando que isso tornara seus filhos “fortes”. Outro absurdo ocorre quando ligamos qualquer aparelho transmissor(rádio,televisão, etc)e o sujeito lá no microfone diz:” o… Read more »

fidalgo
Visitante

Excelente matéria e fotos! a pergunta inicial faz todo o sentido e olhando para aquela foto lindíssima da esquadra em linha atrás do S. Paulo não é difícil entender o que é preciso! para ser uma esquadra de um país relevante seria preciso uma modernização de fundo do S. Paulo, e meia dúzia de fragatas modernas. no meu entender podiam ser as F100 espanholas fabricadas em parceria. Para isso era preciso ser um aliado estratégico dos USA para eles fornecerem o sistema AEGIS de defesa aérea. Claro que assim a diplomacia brasileira não podia andar a fazer piedosas declarações de… Read more »

Gerson
Visitante
Gerson

Acho que a Marinha, Aeronáutica e Exército não devem estar atrelados ao governo do PT, PSDB ou seja lá o governo que for, eles devem ser eles mesmos, se impondo e planejando a sua autosuficiência. Deviam ter papel de maior contundência dentro do Brasil.

Ze Abelardo
Visitante

Partindo de premissas equivocadas, as conclusoes serao erradas:
1) O orcamento nao e insuficiente, e gasto com pessoal e burocracia.
2) O Brasil nao e protagonista mundial, exerce mal a influencia regional por opcao ideologica.

Mesmo na epoca das vacas gordas, a mb gastou mal. Houve aumento de pessoal e diminuicao da operacionalidade. Com orcamento menor, a mb era muito melhor na decada de 90. A marinha tem um grave problema de gestao.

Carlos Campos
Visitante
Carlos Campos

Para ter a marinha que queremos, temos desinflar o número de oficiais da Marinha, ficar só com necessário.Se livrar do NAe SP. terminar de construir a porcaria dos subs franceses. Reformar os estaleiros no Brasil mas não dar tudo de mãos beijadas para eles. Deixar de ajudar comunidades ribeirinhas, no máximo fazer transportes de doentes. Comprar os Navios mais caros fora do Brasil pq ninguém aqui tem competência para fazer. Criar uma lei que impeça o contingenciamento de verbas da defesa.

Negrão
Visitante
Negrão

Quanto já se gastou com porta aviões?
Quanto já se gastou com o prosub?
Quanto já se gastou com as missões de paz?
O que daria para se fazer com esse recurso gasto?

souto
Visitante
souto

Olhem as prioridades da MB para 2016, como disse o Alte.Luiz Monteiro: 1-colocar em operaçao as corvetas e a fragata defensora<2-PROSUB,
3- Iniciar a construção das novas corvetas.Eu acho que o PROSUB naõ pode parar porque o que ja se investiu foi muito dinheiro e PRINCIPALMENTE
porque o submarino é o melhor meio de disssuasão de uma marinha.

ROMULO F FEDERICI
Visitante

Fico feliz ao constatar que meu artigo levantou tantas considerações valiosas.
VIVA A MARINHA!

fidalgo
Visitante

Rómulo
mais uma vez parabéns pelo artigo. uma visão muito assertiva do mundo atual e do papel do Brasil.

Um abraço

Satyricon
Visitante
Satyricon

Já disse e vou repetir: Gastar 1 Bi numa belonave sexagenária é um despropósito. Temos como exemplo os P3 da FAB. Acabaram de chegar e suas asas precisarão ser trocadas, quase comprometendo todo o programa. É um poço sem fundo. Aposentem logo o A12 e providenciem um programa para um LHD koreano moderno, que custará o mesmo que a reforma.
E a propósito, os 2 KDX II ( perfeitos P/ a MB) aproximam-se de 20 anos de uso na Korean navy. Se a MB jogar seu jogo direitinho, pode fazer um pacotão só, com financiamento de longo prazo.

fidalgo
Visitante

KDX coreano é a mesma coisa que as espanholas F100… a tecnologia de ponta é americana. interessava ao Brasil participar na construção e criar uma industria naval própria. Mas agora não dá!

Gustavo Borges
Visitante

O Brasil é um país que ignora o seu potencial. Vive deitado em “berço esplêndido” e acredita que nunca sofrerá ameaças que justifiquem a manutenção de uma forçar bélica realmente dissuasória. O Brasil parece que tem medo de ser grande.

Aurelio
Visitante
Aurelio

Caro Vader, concordo em quase , cem por cento, com o teu comentário a respeito da , … ” Que Marinha queremos ? ” Quando você diz : ” Quero uma Marinha que se concentre em NAVEGAR e não em construir engenho nuclear! ” eu digo , que navegue, mas que se necessário também construa engenho nuclear, pois graças a MB temos e operamos a tecnologia do enriquecimento nuclear do Urânio.
Saudações.

Control
Visitante

Srs A pergunta ou as perguntas mais adequadas seriam: O que nós queremos para nosso país e, consequentemente, para nossos filhos e netos? Que naturalmente deve ser seguido por: Qual é a marinha que precisamos? Muito se discute sobre a conveniência ou não da MB ter NAes (o A12 virou bode expiatório das mazelas da MB e do Brasil) mas nunca a questão essencial é encarada de frente: Qual o adversário que deve balizar a preparação da MB para um provável conflito? Qual é o poderio bélico que a MB deve ter para dissuadir prováveis adversários de atacarem o Brasil… Read more »

Bosco
Visitante

Não temos usinas nucleares de produção de energia elétrica de projeto nacional e inventamos de desenvolver reator pra submarino?
Eu não acho isso lógico não!

zorannn
Visitante

Bela postagem! Gostaria de parabenizar os editores do site por estar possibilitando o debate, nestas últimas postagens, sobre oque realmente interessa. Este é o papel da imprensa especializada: não fugir da raia, tocar nos assuntos polêmicos e promover o debate. . Eu gostei muito do comentário do Vader. . Muito interessaante a matéria, mas ela peca ao afirmar que ‘Fica evidente que o orçamento da Marinha, sabidamente insuficiente’. O orçamento não era insuficiente até 2014. Se levar em conta os orçamento dos últimos 20 anos até 2014, verá que estes orçamentos foram aumentados anualmente (em dólares) durante todo este período.… Read more »

Fernando "Nunão" De Martini
Editor
Trusted Member

“zorannn em 27/01/2016 as 23:04 Muito interessaante a matéria, mas ela peca ao afirmar que ‘Fica evidente que o orçamento da Marinha, sabidamente insuficiente’. O orçamento não era insuficiente até 2014. Se levar em conta os orçamento dos últimos 20 anos até 2014, verá que estes orçamentos foram aumentados anualmente (em dólares) durante todo este período. O orçamento da Defesa de 2014 (não estou defendendo este desgoverno que está ai) foi o maior da história. Resumindo, nunca faltou dinheiro.” . Zorann, bom dia. . Por incrível que possa parecer, mesmo com orçamentos que à primeira vista pareçam “o maior da… Read more »

XO
Visitante
XO

Zorannn, a unica forma de recuzir o pessoal, no correr dos anos, é adequar a incorporacao, aquele papo do Plano corrente que eu insisto em citar… nao da para fechar as portas simplesmente, a questao é admitir o necessario de acordo com a reducao planejada… qq outra atitude, tipo passar pessoal para reserva, transferir para outros mi n isterios, isso é irreal… com relação aos hospitais, vamos la, eu e as minhas filhas tinhamos plano de saude qdo eu estava ai no Brasil, mas qtos outros podem ter esse gasto ??? E essa fundacao, desculpe a ignorancia, funcionaria como ???… Read more »

Oganza
Visitante
Member
Oganza

Bom debate, mas fico com o Bosco, Vader, Zorannn, XO e alguns outros colegas.
O Vader tb está corretíssimo quando afirma que Marinha não tem construir e sim navegar… aahh mas não temos industria naval!!! – Mas isso não é um problema para a Marinha resolver, isso é problema do Estado Brasileiro.

Grande Abraço.

theogatos
Visitante

Eu não sei se vou ser bombardeado demais pela minha opinião, mas acho que devemos dar um passo atrás e entender que no fundo, infelizmente, não somos um país protagonista como achamos que somos… . Eu até respeito a classificação sugerida no post, mas prefiro a classificação proposta entre países de centro, periféricos e semi-periféricos, parece a mesma coisa, mas existem peculiaridades no que determinaria a saída de semi-periférico (posição que se encontraria o Brasil) para país de centro e não é apenas a argumentação dada no texto que traz o país como protagonista (a saber “riquezas e território extraordinariamente… Read more »

Oganza
Visitante
Member
Oganza

Foi levantada uma boa bola, mas esqueçam essa classificação de Países como Páreas, Irrelevantes e Protagonistas de acordo com a definição contida no texto, ela é equivocada e não dá para se basear nela para um real entendimento da posição atual e futura do Brasil com relação ao mundo. – A resposta correta sempre parte da formulação da pergunta corretamente e não o contrário, mas para isso tem que se ter uma visão maior do quadro, é preciso subir ao topo da colina para se ter uma visão completa do vale. – A compilação de relatórios que deu origem ao… Read more »

BJJ
Visitante
BJJ

Não gostaria de ser muito radical, porém, a crise e a angústia que ela causa por vezes não nos deixa outra alternativa. Minha pergunta (considerando a realidade econômica) é: realmente precisamos de mais de 15 mil fuzileiros navais? Não poderíamos, por exemplo, transformar algumas unidades do EB para que estas pudessem realizar as atividades delegadas aos FN? Unidades mais elitizadas, como os PQD por exemplo.

Airacobra
Visitante
Airacobra

Post perfeito, e para resumir toda a história, estamos f… e mal pagos

BJJ
Visitante
BJJ

Apenas complementando: Talvez, se possível, transferir o CFN, com OMS, efetivo e materiais para a administração do EB. Poderiam formar uma nova unidade elitizada dentro do exército, assim como CIGS, Comandos, Caatinga, Montanha, PQDT, dentre outros.

theogatos
Visitante

Oganza, muito interessante! Faz bastante sentido sim… Vou procurar esse report e adicionar mais essa ótica como meio para abordar a análise! Creio eu não existir uma metodologia one size fits all afinal o próprio mundo e mutante e isso requer novas abordagens também, mas preciosa a recomendação!
.
Abraços!

zorannn
Visitante

Olá XO! . Vc sempre fala do tal Plano Corrente, e o tal plano continua aumentando o efetivo. Se leu meu comentário, citei que uma diminuição do efetivo só traria resultados em médio prazo., já que tal redução repercute também no pagamento de inativos no futuro. Quem sou eu para determinar quais OMs devem deixar de existir, mas se gasta 88% com pessoal é porque tem gente demais. Oque mudou de tão importante de 2009 pra cá para precisar de 20.000 militares a mais? Se não fizerem nada, a situação que já é insustentável, ficará ainda pior. Cada militar a… Read more »

americomatheus
Visitante

As vezes temos que dizer umas verdades para que a população caia em si. O Brasil não é um país beligerante, nosso povo não tem um espirito guerreiro, ofensivo e conquistador como os EUA e Inglaterra. O Brasil tem que seguir o exemplo das forças armadas da Alemanha, Japão e Itália, justamente os perdedores da 2a guerra.

Vader
Membro

Bom, com tudo isso que sabemos, com tudo isso que está no texto, e com tudo isso que escrevemos, eu vejo nego elogiando a Marinha e seu bizarro almirantado, o seu estapafúrdio e espantosamente ineficiente programa nuclear (que até poderia ter lugar, mas não em mãos militares), a pantagruélica END (estratégia escrita por um louco rematado e um… jurista!) e até a pior música popular (funk, axé, pagode, sertanojo, etc.) do Planeta Terra… E outro ainda vem dar lição (errada!) de Língua Portuguesa, querendo chamar os americanos de “estadunidenses”… Pobre “última flor do Lácio”… Aí eu vejo que estamos mesmo… Read more »

Vivaldo Jose Breternitz
Visitante

Concordo em gênero, número e grau…

XO
Visitante
XO

Bom dia, Zorannn, o que eu afirmei é que a ferramenta para redução de pessoal, no meu entender, é o Plano corrente… apenas isso, não escrevi que o Plano em vigor já contemple uma redução… na verdade, mesmo que isso acontecesse, a diminuição somente seria percebida em alguns anos, no médio prazo, como você escreveu… Interessante a explicação sobre a Patronal, fica apenas a dúvida: existe infraestrutura e pessoal para absorver o contingente da MB ? Ativa, reseva e dependentes ? No mais, as mudanças que alguns sugerem com muita propriedade somente poderão ocorrer, no meu ponto de vista, baseando-se… Read more »

carlos alberto soares
Visitante
carlos alberto soares

Desviaram do núcleo do tema/tópico, vou reler tudo, me concentrar e pum ……….

Bardini
Visitante

Nunão e XO,
.
Realmente, seus comentários, para mim, que compartilho em muito do que Zorannn defende, servem como um belo meio de reflexão.

XO
Visitante
XO

Prezado Bardini, minha intenção é sempre colaborar, passar a visão de quem está na casa, dentro do que sei e posso divulgar… passo longe do corporativismo, apenas coloco meu ponto de vista, a fim de tentar esclarecer ou agregar informação… abraço e TMJ…

carvalho2008
Visitante

Por melhores que sejam as ideias, nenhuma delas prosperara individualmente senão englobar e lembrar que o termo “Marinha” é generico, é o todo, é a soma, a conta titulo da qual tudo deriva sobre o que navega…. Se fosse uma equação, seria : Marinha = ( Marinha de Guerra + Marinha Mercante ) X Industria naval Não existe um país com marinha de guerra relevante, que não tenha seu alicerce em marinha mercante alavancada por industria naval. Sempre gostamos de falar somente do que é charmoso e visivel, mas é impossivel uma Marinha atualizada, sem voo de galinha, que não… Read more »

zorannn
Visitante

Olá Nunão! . Entendo perfeitamente oque vc disse. E como vc também disse isto ocorre em todo o governo. Os valores que citei do orçamento, apesar da forma burra como este orçamento é liberado, são valores de fato pagos. Apesar da bagunça que estes contingenciamentos causam no planejamento anual, o orçamento de 2014 foi sim o maior da história. . Olá XO! . Eu citei a GEAP como exemplo de que muitas vezes consegue-se um resultado melhor sem ter que gastar mais para isto. Só completando: ela funciona como um plano de saúde e não tem rede própria. As diferenças… Read more »

Control
Visitante

Srs O jovem XO tem razão quanto a solução menos traumática para a redução das despesas com pessoal: Uma aproximação lenta é melhor do que qualquer medida abrupta. O inferno da situação é se haverá tempo hábil para uma solução lenta, tanto pela crise ora em cursos onde o endividamento da União cresceu quase 22% em 2015, o que sinaliza que, crescendo neste ritmo, mais dois anos e iremos para o calote ou outra medida drástica como empréstimos compulsórios e aumento brutal de impostos, o que levará ao um desastre “nunca dantes visto neste país”, como pela necessidade de recuperação… Read more »

Luiz Fernando
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Luiz Fernando

Brasil = anão diplomático. Estamos nos esforçando para atingir essa meta e depois superá-la.

Bosco
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Eu comunga com a ideia que há 6 continentes: AL, AN, Eurásia, África, Oceania e Antártida. Então, sequer considero que os EUA fique na mesma América que eu. Não vejo problema nenhum e nem me sinto humilhado dos “americanos” se autodeclararem americanos, mesmo porque não há vantagem nenhuma em ser “americano” (nascido nas Américas) e há a justificativa do termo “América” fazer parte do nome oficial do país deles. Pra mim é uma pobreza de espírito muito grande se apegar a isso. Sem falar que inventar o termo “estadunidense” é de uma falta de criatividade fora do comum. Não vejo… Read more »

André Luis
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Como podemos querer ter uma Marinha para defender o nosso país se não temos um país para defender????? Há várias participantes do debate dizendo que o problema é excesso de pessoal na Marinha. Discordo totalmente. Devemos ter o máximo possível de Mariners e pessoal treinado no Brasil para defender o nosso país. E, não, a nossa maior ameaça não é externa, é INTERNA. Fico espantado sobre como ficamos preocupados com o número de Navios que conseguimos operar ou não, e quão poderosa a nossa Marinha deveria ser quando nosso Brasil não consegue garantir a mais básica das seguranças. Nossas crianças… Read more »

Space Jockey
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Também venho parabenizar os editores e o autor pelo excelente artigo.
É um assunto que sempre rende muito por estas paragens, e pelos ultimos fatos e o desabafo dos foristas (com razão) o almirantado deve estar igual siri na lata… pois o que se fala aqui parece que ecoa lá.
Esse é o lado bom, aqui não é a caserna e se fala o que quiser, cutucando a chaga com a ponta do cigarro.