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Corveta Tamandaré: saiba mais sobre o RFP apresentado pela MB

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Concepção em 3D da corveta classe Tamandaré

Por Angelo Nicolaci, do GBN News

Na tarde desta terça-feira (19), a Marinha do Brasil lançou o tão aguardado RFP para obtenção de quatro corvetas da Classe Tamandaré. A partir deste momento o programa define aos participantes todas informações relativas ao processo que tem por objetivo a construção de quatro navios de grande complexidade tecnológica, com os quais será dado inicio ao “Programa de Construção do Núcleo do Poder Naval”.

Essa nova fase do processo teve seu anuncio realizado durante evento na Escola de Guerra Naval (EGN), onde estiveram presentes o Ministro da Defesa, Raul Jungmann, o Comandante da Marinha do Brasil, Almirante de Esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, o Diretor Geral de Material da Marinha, Almirante de Esquadra Luiz Henrique Caroli, o Diretor de Gestão de Programas da Marinha, Vice-Almirante Petronio Augusto Siqueira de Aguiar e o Diretor – Presidente da EMGEPRON, Vice-Almirante (RM1) Francisco Antônio de Magalhães Laranjeira.

O anúncio do RFP apresentou pontos muito relevantes e que demonstram uma nova visão da Marinha do Brasil quanto a condução do processo de obtenção de navios por meio de construção, mostrando o amadurecimento brasileiro em relação a condução de processos desse tipo. Os requisitos exigidos aos proponentes para que os mesmos obtenham a habilitação necessária para concorrer ao contrato de construção das quatro novas Corvetas da Classe Tamandaré. Processo que teve assessoria da Fundação Getúlio Vargas e do BNDES, os quais contribuíram para concepção do novo modelo adotado para esse processo, visando evitar problemas como os já enfrentados no passado, quando da obtenção por construção de navios, os quais sofreram diversos problemas durante sua concepção e construção, acarretando prejuízos a Marinha do Brasil e deixaram muito a desejar em seu resultado.

Dentre as inovações apresentadas no processo, podemos destacar que o processo visa não apenas a construção dos novos navios, que deverá ser realizada no Brasil em parceria com nossa industria naval, mas trata de questões inerentes ao ciclo de vida das embarcações, enfatizando a obtenção do melhor custo/benefício para o Brasil. Seguindo essa concepção, o processo resultará em três contratos distintos, cada qual com suas atribuições bem definidas e delineadas, sendo estes:

Contrato de Construção de quatro Corvetas Classe Tamandaré – Onde a proponente escolhida será responsável por todo processo que envolve a seleção de fornecedores e tudo que envolve a construção e integração de sistemas e armamentos as corvetas.

A seleção considerará a melhor oferta para aquisição/construção no Brasil das quatro corvetas da Classe Tamandaré. Neste processo será analisada apenas uma proposta por fornecedor, que deverá considerar duas opções, onde a primeira trata-se do projeto de corvetas desenvolvido pela Marinha do Brasil, sendo de sua propriedade intelectual. Na segunda opção a Marinha do Brasil abre a oportunidade da proponente ofertar um projeto de sua propriedade intelectual, o qual será denominado NAPIP (Navio de Propriedade Intelectual do Proponente). Porém, nesta segunda opção, caberá a empresa atender as seguintes condições exigidas pela Marinha do Brasil para aceitação do NAPIP:

O proposto deverá atender ou superar os requisitos/capacidades do projeto desenvolvido pela MB, com relação aos sistemas, subsistemas, sensores e armamentos previstos no projeto de concepção da força.
A proponente deverá ter construído navios com base no projeto do NAPIP, comprovando suas capacidades.

Perfil da corveta classe Tamandaré

Contrato de Gestão do Ciclo de Vida da Corveta Classe Tamandaré – Esse ponto é com certeza a maior inovação neste tipo de negócio, sendo um avanço nos processos brasileiros. Através deste deverá ser contratada uma empresa ou consórcio (Main Contractor), a mesma deverá apresentar em sua proposta aspectos correlatos ao plano de gestão do ciclo de vida dos navios (ciclo de atividades, perfis de velocidade, disponibilidade técnica e operacional), o apoio logístico Integrado (ALI) prestado ao longo desse ciclo (documentação técnica e logística, pacote logístico, treinamento operacional e de manutenção) e a prestação de serviços de manutenção com base no conceito de manutenção por resultados (PBL), segundo a qual espera-se obter uma maior disponibilidade das embarcações aliadas á um menor custo ao longo do ciclo de vida das mesmas.

Contrato de OFFSET – Esse contrato atenderá as exigências apresentadas pela Marinha do Brasil, com fins de atender aos seus interesses, como a modernização da Corveta Classe Barroso. Tal contrato ainda esta aberto a possibilidade da proponente apresentar objetos de seu interesse.

Quanto a Transferência de Tecnologias, esta será apresentada em acordo com o interesse da Marinha do Brasil e a proposta pela proponente.

Local de construção

Um ponto que foi bem explicitado é que os navios deverão ser construídos no Brasil em parceria com estaleiro (s) nacional, público ou privado, porém, há possibilidade da proponente construir o primeiro no exterior, desde que atenda aos interesses da Marinha do Brasil e confiram vantagem a mesma e a indústria nacional, devendo atender a rígidos requerimentos para que seja aceita tal opção, como por exemplo a capacitação do corpo técnico e mão de obra nacional, representando ganho a base industrial brasileira.

O Ministério da Defesa garantiu os recursos para a programa das corvetas da Classe Tamandaré através do trabalho integrado com diversos órgãos, onde a EMGEPRON é a peça chave para o programa, conseguindo contornar as limitações impostas pelo teto de gastos da Marinha do Brasil, com a capitalização da empresa, lembrando que os recursos orçamentários não virão dos cofres da União, mas sim dos royalties do Pré-Sal, recursos do qual a Marinha do Brasil dispõe de saldo positivo.

Para operacionalizar o projeto, foi realizada uma manobra onde todo projeto será realizado através da EMGEPRON, empresa pertencente a Marinha do Brasil, mas que não depende dos recursos do tesouro nacional, assim ficando fora dos limites do teto de gastos imposto a Marinha do Brasil, seguindo essa linha foi liberado no último dia 12 de dezembro pelo Congresso Nacional a capitalização da empresa, o que permitirá que todos os contratos entre a proponente e a Marinha do Brasil seja realizado pela empresa, sendo uma solução muito interessante e que possibilitou o andamento do programa.

Como todos sabemos, estamos no inicio desse importante programa, o qual deverá ter entregue o primeiro navio a esquadra no prazo de até quatro anos após a assinatura do contrato e o último em até oito anos, Assim sendo, vamos acompanhar o andamento do cronograma, o qual foi apresentado durante o evento e está reproduzido abaixo:

Cronograma do Programa Corvetas Classe Tamandaré

  • Divulgação do RFP =========================> 19/12/2017
  • Prazo Final para Entrega de Proposta =============> 18/05/2018
  • Divulgação do Short-List =====================> 27/07/2018
  • Definição do Vencedor ======================> 28/09/2018

Até o momento o programa esta sendo disputado por 20 empresas, número que pode vir a aumentar caso se apresente mais algum interessado no programa e o mesmo cumpra os requisitos para se habilitar ao programa. Nenhum estaleiro brasileiro conseguiu atender aos requisitos de habilitação, uma vez que os mesmos são muito rigorosos. Para termos uma ideia, as proponentes devem possuir habilitação jurídica, capacidade econômica de acordo com a envergadura do programa, estar regulamentada no Brasil e principalmente apresentar capacidade técnica, na qual deverá comprovar vasta experiência na construção de navio militares com mais de 2.500ton nos últimos dez anos.

Apesar de não haver nenhuma empresa brasileira qualificada a participar como proponente, as industrias navais e de defesa brasileiras poderão participar no programa como fornecedores e parceiros das empresas que atendem aos requisitos e se habilitaram, onde as mesmas podem atender ao programa sob responsabilidade direta do proponente, o qual será legalmente responsável pela qualidade e suporte oferecido a todos sistemas, subsistemas, armamentos e sensores que compõe o navio.

Em breve publicaremos mais informações e esclarecimentos sobre o RFP das Corvetas Tamandaré e o programa que é de grande importância para Marinha do Brasil e a capacidade do nosso país de garantir sua soberania.

FONTE: GBN News

18 COMMENTS

  1. Boa tarde senhores, uma pergunta… Seria sonhar muito com uma fragata FFX batch II Sul Coreana, que seu Deslocamento: 2.800 (podendo ser maior) e a Barroso tem Deslocamento: 2.715 t. Considerando que “O processo de seleção analisará apenas uma proposta, por proponente, que pode ser uma proposta de propriedade intelectual da Marinha do Brasil ou da empresa selecionada”.

  2. Será que eles perceberam que o resultado do processo vai sair uma ou duas semanas antes da eleição?
    Isso é perigoso, é capaz de alguem da “saudieducassão” tentar aproveitar isso com fins eleitoreiros (mostrar o preço das corvetas e as filas do SUS, é o tipo de propaganda que engana o eleitorado menos informado) e o governo acabar cancelando o processo para evitar perda de votos do candidato da situação.

  3. Gente, que fixação que esse povo tem com estas fragatas coreanas, meu Deus!!!

    Ozzy, os recursos não vêm da União e sim dos royalties do petróleo, até que enfim!

    “O Ministério da Defesa garantiu os recursos para a programa das corvetas da Classe Tamandaré através do trabalho integrado com diversos órgãos, onde a EMGEPRON é a peça chave para o programa, conseguindo contornar as limitações impostas pelo teto de gastos da Marinha do Brasil, com a capitalização da empresa, lembrando que os recursos orçamentários não virão dos cofres da União, mas sim dos royalties do Pré-Sal, recursos do qual a Marinha do Brasil dispõe de saldo positivo”

  4. Interessante abrir a opção do proponente apresentar um projeto de sua propriedade, desde que atenda ou supere os da MB, pode ampliar bastante as opções. Amarrar um contrato de manutenção e logística também foi uma boa novidade. A surpresa foi essa solução via Engepron, e os recursos via royaltes e não do Tesouro, não sabia que a Marinha tinha conseguido abocanhar um fatia dos royaltes do pré-sal, até onde acompanhei ela tentou mas não conseguiu garantir esses recursos.

  5. Marcelo Andrade, se me permite, não creio que seja fixação e sim oportunidade de um bom negócio. A fragata DSME DW3000f, vendida à Thailandia com radares da Saab, me parece ser uma boa belonave.

  6. Esses modelos que vemos, é do projeto definitivo ou a empresa que ganhar vai criar uma nova, com os requisitos da MB?

    “Definição do Vencedor ======================> 28/09/2018” EITA. Digo é nada. hahahahahahahaha.

  7. Marcelo Andrade 20 de dezembro de 2017 at 16:33 , também tenho essa fixação. No modo “sonhar não custa nada” penso na dupla FFX-II e KDX-II. A excelente matéria acima me esclareceu que sim, pode haver “sobre proposta”, ou seja, um estaleiro pode oferecer outras vantagens no mesmo pacote e me parece (a confirmar no futuro) que outros navios ou classes seria o caso.

    Aliás, acho que essa será uma realidade uma vez que todos, literalmente, sabem do PROSUPER e das necessidades da MB. Uma oferta com preço e financiamento ousado, principalmente atrelada ao fluxo de recursos do Pré-Sal, teria seu valor e sua chance e, nesse cenário otimista creio que a Coreia do Sul leva ampla vantagem.

    Com a divulgação de mais detalhes do processo e das suas condições teremos mais chances de desenvolver esse raciocínio.

    Abraços!

  8. Thom 20 de dezembro de 2017 at 17:03 , creio que está explicado na matéria acima: esse é o modelo da MB. Eventual proposta dos concorrentes só virá após o RFP de 19 de dezembro….

  9. Eu acho interessante a solução encontrada. Os valores não estão sujeitos ao teto de gastos e também não podem ser usados para custeio ou pagamento de folha na MB. Ou seja, a MB terá de se virar com o orçamento que dispõe, para conseguir se manter em operação. A verba, se não for contigenciada, irá de fato para a construção de novas corvetas. E tudo isto até o final de 2018, para evitar que o processo se estenda até o próximo governo.
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    Quanto aos navios, a possibilidade do concorrente apresentar um projeto já pronto, juntamente com a proposta para o projeto das Tamandarés, é muito bem pensado. De repente, um projeto já existente, superior às Tamandarés, e com custo menor, pode acabar sendo escolhido.
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    Achei bem interessante as soluções encontradas e principalmente os prazos já definidos, evitando deixar a decisão para o próximo governo.
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    Deixo aqui também minha opnião de que este ministro da Defesa tem feito um bom trabalho, acima das minhas expectativas iniciais.

  10. Vou reproduzir o que disse em outra postagem:

    “Na segunda opção a Marinha do Brasil abre a oportunidade da proponente ofertar um projeto de sua propriedade intelectual, o qual será denominado NAPIP (Navio de Propriedade Intelectual do Proponente). Porém, nesta segunda opção, caberá a empresa atender as seguintes condições exigidas pela Marinha do Brasil para aceitação do NAPIP:

    – O proposto deverá atender ou superar os requisitos/capacidades do projeto desenvolvido pela MB, com relação aos sistemas, subsistemas, sensores e armamentos previstos no projeto de concepção da força.
    – A proponente deverá ter construído navios com base no projeto do NAPIP, comprovando suas capacidades.”

    Diante do exposto, acredito que a SAAB esta fora do processo pois, até onde sei, não possui unidades construídas de tonelagem similar à Tamandaré. A SAAB tem projetos, como a flex patrol, mas nada construído que possa comprovar a eficácia do meio.
    Ou ela participaria apenas como possível construtora do projeto da MB, sem considerar a opção de oferecer um projeto próprio. Mas, a meu ver, isso limitaria as chances da empresa.

  11. Helio, então podemos ver uma bem diferente dessas imagens, baseadas em navios já em operação como as KDX sul coreanas? Obrigado pela resposta.
    “Uma oferta com preço e financiamento ousado, principalmente atrelada ao fluxo de recursos do Pré-Sal”. Interessante, esperamos as proposta das empresas interessadas.

    O prazo é grande viu. Pensava que a escolha do estaleiro/empresa seria de no máximo 5 meses. Só lembrando que o ProSub vai sofrer mais atrasos.
    Espero que o NAP500t, também seja levado a frente com a escolha de 2 estaleiros nacionais.

  12. A Marinha parece ter aprendido bastante com a falta de profissionalismo de alguns estaleiros nacionais e até que tá bonito de ver o cuidado pra não tomar mais um caldo!!! Esse é o tipo de incentivo que a construção naval local precisa; nada de protecionismo e exigência de conteúdo local absurdo e inatingível…

  13. A princípio achei bastante interessante, pois ao mesmo tempo em que atende aos anseios de um desenvolvimento de um projeto nacional, também abre a possibilidade de o proponente ofertar o seu projeto, com melhorias e que possam atender aos requisitos mínimos iniciais propostos pela MB, não ficamos “presos”, em valores astronômicos por causa de uma “certa transferência de tecnologia”, e ao mesmo tempo poderemos mais uma vez indicar realmente de que lado nós estamos, com parceiros globais, e daí gerar frutos para futuras oportunidades e parcerias.

    Só acho que, como muitos estão falando e torcendo aqui, pelos Sul Coreanos com as KDX, por exemplo, acredito ser uma parceria de risco, pois aquele país está no centro de um turbilhão de problemas com o seu vizinho maluco do norte, e que a qualquer momento pode eclodir um evento bélico naquela região, logo, poderia afetar diretamente na construção de nossos navios. Porém capacidade e qualificação não os faltam além de terem um parceiro global de peso, os americanos.

    De qualquer, esperar e torcer para que a Marinha faça a melhor escolha, que certamente, apartir deste projeto da CCT, será transformado em PROSUPER, na realidade, deduzo que no Cmte da Marinha, conseguiu trazer para realidade brasileira o tão sonhado PROSUPER, mudou o nome para CCT, mais terá o efeito de PROSUPER.

    Bravo Zulu 🇧🇷⚓☀🌵🇧🇷⚓

  14. Não há despesa do governo federal que esteja fora do orçamento da união. Alguém poderia explicar a engenharia financeira adotada nesse projeto?

  15. Finalmente uma decisão sensata. Temos que reconhecer que existem exelentes projetos amparados em conhecidos estaleiros mundiais. Não teremos aquelas exigencias de “Transferencia de Tecnologia” que só servem para aumentar os custos, atrazar as entregas e mais gente se aproveitar.

  16. Bom dia o que vai acontecer com atual base de submarinos em Niteroi Rio de Janeiro depois que a base for transferida para itaquai e o arsenal de marinha vai ser modernizado? alguem tem alguma informação ou foto do ex navio tanque marajo ele ainda esta no Rio; fotos atual de hoje da base naval do Rio de Janeiro, valeu galera; viva o Brasil e a viva Marinha do Brasil! bravo tamandaré!!!

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