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Cercado pelo isolamento e pela discrição, o radar OTH da IACIT vira alternativa à ausência do SisGAAz

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Por Roberto Lopes
Especial para o Poder Naval
De Santa Vitória do Palmar (RS)

“Propriedade da União”

“Marinha do Brasil”

“Entrada Proibida”

Junto à inusitada porteira de madeira pintada na cor verde (que mais se assemelha à cancela de uma propriedade rural), cravada nas dunas da Praia do Cassino, município de Santa Vitória do Palmar (RS) – a meros 600 m da arrebentação das ondas –, a advertência, pintada sem extravagância em uma placa metálica, faz perfeito sentido com tudo daquele lugar: a lonjura, o isolamento e a discrição.

E, sim, há o frio também.

A baixa temperatura que, nesse trecho do litoral gaúcho, se estende por, ao menos, seis meses do ano, é constantemente levada de um lado para o outro pelo vento, que sopra quase inaudível, mexendo com o areal, mudando as dunas de lugar.

Na manhã desta terça-feira (19.06), em que um grupo de jornalistas esteve no local, os 9º positivos ao ar livre produziam uma sensação térmica de 7º.

A porteira verde é o acesso ao sítio de 600 m², onde a Marinha do Brasil (MB) mantém o Farol do Albardão (de 48 m de altura) e, há cerca de dois anos, hospeda as antenas e os shelters brancos do radar OTH 0100, de vigilância marítima, projetado, desenvolvido e construído pela companhia IACIT, da cidade de São José dos Campos (SP).

Camuflagem – Estamos a só uns 200 km da fronteira com o Uruguai, e nesse ponto perdido da costa oriental da América do Sul, em uma das praias mais extensas do planeta, a lonjura, o isolamento e a discrição, ajudam a camuflar alguns segredos.

Por exemplo: o de que o OTH, concebido para vigiar uma fronteira marítima afastada até 200 milhas náuticas (370,4 km) da costa brasileira, está perfeitamente preparado para identificar alvos para além dessa distância. “250 milhas [463 km] certamente”, confidencia ao Poder Naval o engenheiro eletrônico Gustavo de Castro Issi, de 39 anos (40 em setembro), diretor de Planejamento da companhia paulista.

Outro fato relevante: apesar de projetado para detectar até pequenas embarcações de superfície, com comprimentos de casco entre 10 m e 40 m, as ondas emitidas pela “boca” do OTH – uma antena muito magra, de 15 m de altura, instalada na área leste do sítio da Marinha – são capazes de captar, até mesmo, a presença da vela de um submarino que se mova próximo à superfície.

Um terceiro dado importante: a tecnologia desenvolvida pela empresa paulista empresta ao país a capacidade de fazer detecção marítima que só um pequeno grupo de potências militares – possivelmente Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, Canadá e Austrália – são capazes de exibir.

As aplicações dos radares OTH são mais que evidentes.

Um 0100 da IACIT é capaz de identificar a incursão não autorizada de uma embarcação por águas jurisdicionais brasileiras – o que implica dizer barcos de narcotraficantes ou de contrabandistas de armas. Mas não apenas eles.

Também pesqueiros em atividade ilegal ou que usem técnicas consideradas predatórias. E até mesmo embarcações dotadas de sensores concebidos para diferentes leituras oceanográficas (inclusive as de sítios de riquezas submarinas), que estejam operando sem o conhecimento ou a permissão de autoridades brasileiras.

Salinidade – O segredo tecnológico da técnica de detecção além do horizonte já não é mais um segredo comercial.

O OTH da IACIT funciona por meio de sinais que se propagam ao longo da curvatura da Terra, dentro do conceito Surface Wave (Ondas de Superfície).

Isso quer dizer que eles “cavalgam” a salinidade existente na superfície das ondas, e a sua perda de eficiência, para além das 200 milhas, exigirá apenas que os alvos sejam de tamanhos maiores.

Na entrevista coletiva que concedeu na terça-feira, Castro Issi afirmou que as ondas emitidas pela “boca” transmissora do radar são capazes de avançar, inclusive, por sobre as corcovas de mares tempestuosos, produzidas por ondas de 8 ou 10 m de altura (ou mais).

Ao colidirem com um alvo, essas emissões retornam a um array da Praia do Cassino: a disposição circular de 23 antenas receptoras, distante cerca de 300 m da “boca” do sistema.

O processamento dos sinais é feito por um equipamento da marca israelense Elta – pequeno e fino como o captador de sinais doméstico de uma tevê a cabo –, instalado em um dos dois contêineres brancos que controlam o funcionamento do OTH.

Para o aparato de Defesa brasileiro e, em especial, para os recursos de detecção do Comando de Operações Navais (CON) da Marinha, a capacitação da IACIT e o bom funcionamento do OTH 0100 a partir da Praia do Cassino – investimento que já atingiu a marca dos 17 milhões de Reais – é um presente que caiu do céu.

Especialmente depois que limitantes financeiras e tecnológicas forçaram a Marinha a adiar a implantação do seu ambicioso Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz): uma complexa rede de radares, satélites e outros sensores que – a um custo (estimado) de 20 bilhões de Reais – iria monitorar a vasta área de 3,6 milhões de km² da Amazônia Azul, onde se insere o estratégico Pré-Sal.

De acordo com a equipe da IACIT que acompanhou a visita dos jornalistas, quatro unidades do radar seriam suficientes para monitorar toda a área de atividade econômica marítima brasileira abaixo da costa do estado do Espírito Santo.

A vigilância da costa em sua integralidade exigiria 24 OTHs.

63 COMMENTS

  1. Rápida conta de padaria: 17 x 24= 408 . Menos de meio bilhão para monitorar a inteira costa brasileira me parece um ótimo negócio. Esperamos que a Marinha consiga fazer esse esse investimento, me parece muito útil. Agora pergunta de leigo , qual a diferença com SisGAAz , contínua ainda imprescindível e indispensável ou pode ser substituído por esses OTHs ? E porque esse programa parpu, há previsão de quando é se será ainda implementado pela MB?

    • O SisGAAz é um projeto muito abrangente, contando com diversos componentes, dentre eles, sensores em terra… ou seja, o radar OTH pode ser uma parcela do sistema… mas não supre tudo que está planejado…
      Sendo abrangente e portanto caro, a MB optou por uma “construção” bottom-up, a partir do SCUA, desenvolvido pelo IPqM e já empregado satisfatoriamente… abraço…

    • Excelente. Tipo de radar que consegue detectar aviões furtivos (invisíveis) conforme o vídeo a partir dos 44 seg. Sai mais barato detectá-los do que desenvolvê-los. Parabéns à IACIT. O que falta ao Brasil é seriedade dos políticos, e ter uma política de constância dos investimentos na área de tecnologia de defesa. Isso gera empregos de altíssima qualidade e garante soberania, além de geram importantíssimas divisas para o país.

  2. “Projetado, desenvolvido e construído” em… São José dos Campos. parabéns e sucesso! muito sucesso! Todos os dias repletos e ja acostumados de notícias pessimas , cercados pela violência e criminalidade, instabilidade,desonestidade e incompetência da classe dirigente essa notícia chega até a comover . Heróis que mostram que ainda tem jeito, que há ainda uma sociedade que trabalha para fazer esse gigante funcionar. Bandeirantes dos nossos tempos.

  3. off topic: US Marines – BAE Systems e IVECO vencem Amphibious Combat Vehicle
    seria do interesse da mb pegar os clanfs que irao ser desativados futuramente?

  4. Mais uma vez eu digo: tudo isso pq o “Deus Mercado” quis ou pq o ESTADO NACIONAL BRASILEIRO tratou de demandar?

    Se dependesse o idolatrado Mercado, seriamos apenas exportadores de soja

        • Mas oq foi que eu disse de tão horrivel assim que merecesse ser editado?
          Ninguem falou nada demais

          Nem eu e nem o forista Doug385

          Td bem querer evitar polemização politica e tal….
          Mas Vcs da administração do blog não estariam exagerando na dose?

          RESPOSTA DOS EDITORES: NÃO, VÁRIOS DOS COMENTARISTAS É QUE ESTÃO EXAGERANDO EM DESVIAR A DISCUSSÃO PARA A DISPUTA IDEOLÓGICA. ISSO RAPIDAMENTE DESCAMBA PARA A TROCA DE INSULTOS E PERDE-SE TOTALMENTE A LINHA DE DISCUSSÃO. MAIS UMA VEZ SOLICITAMOS QUE RESPEITEM AS REGRAS DO BLOG PARA MANTER O BOM NÍVEL DO DEBATE E NÃO ESTRAGÁ-LO COMO TANTOS OUTROS SITES POR AÍ.

          • Nisso concordo com o amigo. Mas também concordo que é melhor evitarmos a discussão e mantermos o ambiente o mais amigável possível.

    • ________
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      COMENTÁRIO APAGADO. OS EDITORES JÁ ADVERTIRAM QUE ESSAS PROVOCAÇÕES GRATUITAS ENTRE ADEPTOS DO MERCADO OU DO ESTADO NÃO TÊM NADA A VER COM A MATÉRIA E SÓ LEVAM A RESPOSTAS QUE FAZEM A DISCUSSÃO PERDER O FOCO. APRENDAM A LER AS ADVERTÊNCIAS E MANTENHAM-SE NO TEMA DA MATÉRIA.

      • Senhores editores, tinham que ter apagado o primeiro comentário que originou as respostas então. Meu comentário não tinha nada demais, era bem menos provocativo do que o dele.

        RESPOSTA DOS EDITORES – LEIA AS REGRAS DO BLOG, ESPECIALMENTE ESTA:

        7 – Os comentários não são lidos e moderados pelos editores do site em tempo real. Tenha consciência do que escreve e da sua responsabilidade pelo conteúdo;

        http://www.naval.com.br/blog/home/regras-de-conduta-para-comentarios/

        AO VER UM COMENTÁRIO QUE FOGE DO TEMA E BUSCA SOMENTE A PROVOCAÇÃO, TENHA PACIÊNCIA E PENSE DUAS VEZES ANTES DE RESPONDER E FAZER CRESCER UMA BOLA DE NEVE FORA DO TÓPICO ANTES QUE OS EDITORES POSSAM INTERVIR. RECLAMAR É FÁCIL, MAS AJUDAR TAMBÉM NÃO CUSTA NADA.

    • Não existe “deus mercado”, e a empresa que criou o radar, é privada. Porque se dependesse de estatal, não sairia do papel. Obviamente tem que haver algum insentivo para a criação e inovação, seja por meio da demanda social ou política.

      A mentalidade anticapitalista é comprovadamente falida e sem fundamentos.

  5. Excelente!

    E sobre as limitações de um OTH? nem tudo é ouro….

    Mas o avanço e representatividade deste projeto é enorme. Dveriamos cobrir a costa de Noter a sul.

  6. Pois é, temos as tecnologias, os equipamentos, os sistemas.
    Mas preferem ficar “discutindo o sexo dos anjos” com estrangeiros e incorporando soluções extremamente caras estrangeiras para problemas nacionais.
    Isto que me causa repulsa e desagrado, porque o problema não é comprar de fora, mas sim sempre optar por comprar de fora, mesmo tendo internamente e nacional.
    Lógico que no caso do Sisgaaz (nome ridículo em minha modesta opinião. Deveriam nomear esses sistemas como por exemplo sistema Netuno, Tridente, Sagitário, Ares etc.), englobará uma vasta gama de sensores e sistemas, dai o elevado valor do projeto.
    Porém o mesmo pode incluir inúmeros sistemas nacionais complementados por sensores internacionais, ai se englobaria o OTH-0100 da IACIT.
    Graças a deus que essa empresa ainda permanece nacional (ao menos o que falam é que a mesma possui apenas cooperação com os Israelenses, mantendo seu capital majoritário nacional), preservando assim todo o domínio tecnológico e liberdade de operação ao povo brasileiro.
    Porém nosso políticos e militares preferem entregar nosso programas estratégicos a ex empresas nacionais, principalmente a um gigante da aviação comercial que em breve (se já não é), pertencerá ao todo poderoso e hegemônico kng of the nort.
    Absurdo!

    • Foxtrot,

      Se a empresa pertence majoritariamente a ‘x’ ou ‘y’, isso não é lá tão importante… O que mais importa, em ela sendo estratégica, é manter um vínculo minoritário com o Estado, que, mesmo dando liberdade de ação aos acionistas, teria poder de veto em determinadas decisões, tais como a cessão de tecnologias sensíveis a terceiros; além, é claro, de garantir a permanência do complexo no Brasil.

      Fora isso, o mais importante para uma empresa privada que lida com defesa, é não depender exclusivamente desse ramo para sua subsistência.

      Saudações.

    • Lembrando que a IACIT é credenciada pelo MinDef como EED(Empersa estratégica de defesa), e de acordo com com isso, está sujeita a um regime especial de tributação, além de haver regras específicas para participação acionária estrangeira(no máximo 40% de participação não nacional) que devem ser seguidas. No caso da IACIT, se não me falha a memória a empresa parceira é a IAI.

    • A praia do Cassino começa em Rio Grande, mas vai até Santa Vitória do Palmar. O farol do Albardão localiza-se entre o mar e a Lagoa Mangueira, uns 45/50 km ao sul do limite com o município de Rio Grande, portanto, dentro (bem dentro) do município de Santa Vitória do Palmar. Já o balneário do Cassino, esse sim, fica no município de Rio Grande. É que a praia do Cassino é muito grande, mesmo!

  7. O que me deixou curioso é se esse radar consegue suprir a necessidade de informação de meio curso para mísseis. Se acontecer seria uma maravilha para baterias de MANSUP costeiras.

    • Seu medo é em vão já dissera acima que IACIT é credenciada pelo MinDef como EED (Empersa estratégica de defesa), e de acordo com com isso, está sujeita a um regime especial de tributação, além de haver regras específicas para participação acionária estrangeira(no máximo 40% de participação não nacional) que devem ser seguidas

  8. Por coincidência, outro dia a Marinha soltou press release falando sobre o projeto piloto do Sisgaaz. Achei estranho, pois o custo do projeto é totalmente fora da realidade do Brasil atual. Mas parece que alguma coisa está caminhando:
    “COMANDO DE OPERAÇÕES NAVAIS
    PRESS-RELEASE
    Marinha do Brasil apresenta projeto-piloto do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul para o Ministro da Segurança Pública
    O Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann visita, nesta sexta-feira (15), o Comando de Operações Navais, Organização Militar da Marinha do Brasil. Na ocasião, será apresentado o projeto-piloto do
    Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz). …”

    Ou, mais em conformidade com a matéria sobre o OTH, a ideia é que o Sisgaaz fique apenas no piloto?? (dormitando, aguardando oportunidade futura)

  9. Foi recentemente decidido que o SisGAAz terá como embrião o Sistema de Consciência Situacional Unificada (SCUA), desenvolvido pela MB, por meio do IPqM… tal sistema já foi empregado durante as Olimpíadas, ações de GLO e o exercício OBANGAME, este último realizado no litoral da África… abraço a todos…

  10. Por que perder tempo com essa bobagem de radar fabricado no Brasil??
    Por que não compramos um radar já prontinho pra usar e mais moderno de algum país de primeiro mundo??
    Não vai dar em nada isso aí.

    • Se o _________________Silvio Conti está dizendo, quem são os meros mortais, os oficiais generais, para dizer o contrário?
      1. Ninguém sai por ai vendendo seus melhores radares.

      2. Quando vendem, o comprador não tem autonomia nem para fazer manutenção, quanto mais saber como funciona.

      3. Uma venda externa pode ser embargada por qualquer motivo politiqueiro que seja, veja o caso do f35 para a Turquia.

      4. Nenhum país no mundo se desenvolveu importando do “primeiro mundo” e deixando de investir em tecnologia nacional.

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      COMENTÁRIO EDITADO. NÃO USE O ESPAÇO PARA BRIGAS PESSOAIS E COMO PALANQUE PARA DISPUTAS IDEOLÓGICAS. OS EDITORES JÁ AVISARAM E JÁ ESTÃO APAGANDO COMENTÁRIOS FORA DE TÓPICO. A PRÓXIMA AÇÃO SERÁ BLOQUEAR OS COMENTARISTAS QUE INSISTIREM EM DESRESPEITAR AS REGRAS DO BLOG.

    • Roberto,
      Veja com atenção o vídeo que acompanha a matéria, e outras anteriores, sobre como funciona esse radar,a quantidade de receptores, o espaço ocupado, e você poderá concluir sobre instalação em navios.

      • Salve, Nunão:

        Não vi nada nos vídeos na matéria, porém, me chamou a atenção que esse radar também pode enxergar aviões invisíveis.

        Vou ler as matérias anteriores a respeito.

        Obrigado.

        • Roberto,
          Se não está no vídeo postado na matéria, está em vídeo de matéria anterior. Desculpe-me, achei que tinha a explicação mais detalhada nesse vídeo.
          Enfim, adianto que é uma instalação para operar em terra, e não em navios. O conjunto é formado por uma antena transmissora e por uma série de receptores dispostos numa grande área, e por esse motivo não faz sentido falar em versão embarcada, ao menos com essa tecnologia dessa forma em que está hoje.

  11. Esse sistema teve apoio da Marinha, mas não consigo achar notícia alguma que dê conta de que foi efetivamente contratado. Teria ele sido instalado visando mera exposição das funcionalidades para avaliação por um período?

  12. Meu lema é que sonhar não custa nada, e pensamento positivo não faz mal a ninguém. Assim, me dou ao luxo de desenhar um cenário hipotético.

    Imagine a maravilha militar que seria OTH 0100 junto com o míssil naval que discutimos na postagem do MANSUP (um casamento entre o alcance e motor do MTC 300 e os sensores do MANSUP de aproximação final e guiagem contra o alvo).

    Aí espalha esse conjunto de 24 radares com baterias móveis baseada nos Astros ao longo de toda costa.

    Seria um sistema de dar inveja até nos Russos, mestres das gambiarras militares de eficiência mortal. Amazônia Azul estaria protegida a contento.

    Coloca aí na equação os SNBR/SBR e as Tamandarés que chegaremos em 2030 com soberania garantida em nossas águas. Não teríamos um projeção de poder em outros lugares do Globo, mas nenhuma potência ia inventar de mandar frota para proteger navio pesqueiro de lagosta como ocorreu no passado.

    si vis pacem para bellum

    Saudações

    • Marcelo Zhanshi,

      Os russos normalmente operam em mares fechados, onde as distâncias não permitem que qualquer força tarefa tenha muito espaço de manobra. Já a costa brasileira e os mares que a banham, estes são simplesmente grandes demais para isso que propõe…

      A melhor maneira de proteger as águas de interesse, é dissuadindo um potencial agressor de posicionar-se com uma força aeronaval para lançar um ataque. E isso somente se consegue projetando uma força naval igual ou superior, ou com uma ameaça submarina, munida de vasos que possam ir para muito além da ZEE e combate-los antes que tomem posição.

      Perceba, portanto, que mísseis baseados em terra não são adequados pra isso, no nosso caso. Até se pode pensar em elementos em terra para monitorar e proteger pontos que se possam considerar vitais, mas nada além disso…E ainda assim, teria de haverem artefatos de alcance imenso para nos servir ( estou falando de coisa com mais de 1500 km de alcance )…

      Um outro ponto: radares OTH servem basicamente para proporcionar vigilância, e não são adequados para prover direção de tiro. Faz-se necessário aí um elemento de orientação para os mísseis, o que poderia ser por meio de uma aeronave de vigilância naval dotada de um radar preciso e adequado, com alcance de sobra, o que também implica por tabela em superioridade aérea no ponto de contato… E ainda, esses radares normalmente são um negócio imenso e tem posição fixa… É certo que seriam alvos prioritários em qualquer ataque e precisariam de defesas…

      Enfim, imaginando um confronto com uma reconhecida potencia naval ( ou uma legítima marinha de águas azuis ), sobra para os submarinos convencionais ( SSK ) e a aviação naval, que se constituem nas únicas armas que podemos ter de momento ( que podemos pagar… ) para dissuadir um potencial inimigo que tenha intenções em nossas águas… Logo, ao invés de baterias em terra, muito mais lógico o País munir-se de uma aviação de ataque respeitável ( que na prática é constituída por “plataformas de mísseis” aéreas, que podem ser desdobradas para diversos aeroportos ou mesmo operar de localidades improvisadas e atacar havendo oportunidade ) e SSK em maior quantidade ( de longe, a arma mais confiável nessa situação ), coordenados por um centro de comando e controle, sendo que este pode – aí sim – ter como olhos uma rede de radares OTH posicionados apenas nos pontos de interesse, além de outros meios capazes de prover inteligência.

      Em verdade, houvesse mais um esquadrão de ‘Seahawk’ ( gostaria muito que fossem uns dois esquadrões com oito aparelhos cada ), e se os AF-1 estivessem todos modernizados e operacionais com um legítimo SSM integrado, a força aeronaval de respeito já estaria constituída, somados aos P-3BR. Restaria aí somente os submarinos adicionais…

      Apenas lembrando: um submarino convencional não pode necessariamente perseguir um adversário, visto que lhe falta “pernas” para tanto, mas pode negar um pedaço de mar onde esteja. Então, operando de forma coordenada, vários SSK podem se constituir sim em uma ameaça, haja visto que, uma vez submerso, haverão poucas oportunidades para se encontra-los ( talvez quando tiverem de esnorquear ou transmitir mensagens ).

      Saudações.

      • Prezado RR,

        Muitíssimo obrigado pela verdadeira aula. Sou apenas um entusista leigo, mas estou aprendendo.

        Se sua análise estiver correta, e concordo que esteja, as tão questionadas decisões da MB em priorizar o Prosub e modernizar os A4 não foram tão erradas assim.

        Saudações

  13. SisGAAZ para 3,6 milhões de km = 20 bilhões. Metade da costa. Para a ultra metade, aritmeticamente falando, = 40 bilhões. Bem…tá integrado com satélites, sistemas aéreos, terrestres.

    Mas são 20 bilhões + 20 bilhões. Aritméticamente.

    OTH para cobrir a mesma extensão ainda que sem estar integrado a outra sistemas como satélite que não temos = 500 milhões.

    A MB sabia que nao ia conseguir aprovar um gasto de 20 bilhões para vigiar metade da costa. Nem que o SisGAAZ estivesse integrado com a NASA. Nem que fosse pra vigiar caranguejo tomando sol. Porque o Poder Naval mostrou a situação da MB.

    Eis que…há opção. Podemos gastar 500 milhões ou até 1 bilhão fazendo com OTH.

    Bem…mas a MB elegeu a faixa de Santos até Vitoria/ES. Penso em uns 1.500 km. Com 4 OTH cobre do ES até o Rio Grande do Sul, uns 3 mil km. São 2 OTH para a faixa que a MB considera estratégica. Mas o investimento só começaria.

    Precisa de bases navais. Visto, entendido, reconhecido e com ordens de interceptação, os patrulha oceânicos não teriam tempo para chegar. As escoltas ou até os patrulhas em patrulha ou em missão seriam destacados para a missão. Não tem. Falta. Precisa encomendar.

    Bem…penso que dá um belo programa. Pega o OTH, integra com outros sistemas, integra com patrulhas oceânicas. Vigilância + ação.

    De que adianta vigiar se não tem recurso pra agir? Tem que estar pronto pra engajar. Como no filme Capitão Philip’s. Quando o cara acorda tá enquadrado.

    Aqui nessa mão o SisGAAZ (que nome horroroso) por 20 + 20. Na outra mão, o Programa OTH por 5. Mais 5 de meios.

    20 + 20 ou 5 + 5?

    Bem…nem uma coisa nem outra porque o PIB, a greve, o contigenciamento, a crise, o ministro, a arrecadação…

  14. Muito interessante a matéria.
    Mas tenho duas dúvidas, uma técnica e outra estratégica.
    Seria estratégico colocar tal radar em ilhas?
    E os penedos São Pedro e São Paulo, eles suportariam tal radar? Falo da geografia do local e tb por causa da distância da costa, suprimentos e proteção do mesmo.

      • XO
        Obrigado pela resposta.
        Tb achei que pela geografia dos penedos não daria mesmo.
        Quanto a Trindade havia esquecido.
        E na pergunta das ilhas tb esqeuci de mencionar o exemplo de Fernando de Noronha.

        • Abrolhos também. As ilhas oceânicas devem possuirem essas antenas. Quanto aos penedos, se fizéssemos como a China, São Pedro e São Paulo já seriam Ilhas, e não penedos.

          • Mas nesse caso, só as antenas seriam colocadas nas ilhas? Os receptores ficariam na costa? Ou seria tudo nas ilhas?

            Realmente São Pedro e São Paulo não dá, as ilhas são minúsculas, não sei nem como conseguem manter alguém lá depois de ver uns vídeos do mar revolto na região.

  15. ” iria monitorar a vasta área de 3,6 milhões de km² da Amazônia Azul, onde se insere o estratégico Pré-Sal.”
    Chegou tarde. O petróleo do pré-sal já foi vendido a valores que variam de R$ 0,85 a R$ 2,50 o barril. O mercado ganhou. Continuamos sendo exportadores de açúcar, café e soja, por enquanto.

  16. E tem “iluminado” que acha que não temos expertise para desenvolver algo do tipo……. rsrsrs

    Mais uma vez, liguem os pontos…… Radares OTH, AV/MT-300 com asas tipo Sea Skimming, CFN com ASTROS 2020, etc, etc, etc……

  17. Ok, ok. Radares OTH prestam para vigilância. Entendi tudo que o RR escreveu.

    A MB faz um projeto do tamanho do PROSUPER. Gaveta. É um projeto de aquisição, de reposição, de suprir o que já deveria ter ido. Bilhões. Gaveta.

    A MB faz um projeto enorme de submarinos, reator nuclear (que vamos ser sinceros e verdadeiros, passou da hora de virar fato), ajeita a vida da Nuclebras e seu RM e transpira sal para levar avante. Bilhões.

    Deveria começar um OTH? Pelo que está publicado, sim. Fazer o projeto (vamos ser sinceros e verdadeiros novamente, a MB tá parecendo agência de publicidade) colocar as integrações necessárias com os meios que dispõe + os meios faltantes e bater. Bater. Bater.

    A MB entra no projeto, faz um OTH transportável.

    A NASA tirou fotos das geleiras de Plutao. A NASA filmou vulcões em atividade nas luas de Saturno. A NASA descobriu reações químicas, água e energia em Europa, uma das luas de Júpiter.

    Faz um projeto pequeno. Começa com milhões. Deixa os bilhões pra lá. Por enquanto.

    Como sou tonto.

  18. Quanto ao “Deus mercado” e a demanda do Estado, vale ressaltar que o Estado queria pagar 20 bilhões por algo que o mercado ofereceu por meio bilhão. A diferença quem paga é você.

  19. Muito bom! Agora colocamos os Avtm Matador pra defesa costeira com ogiva termobarica e 500km de distância e eu durmo sossegado

  20. Agora só falta alguns sistemas de defesa antiaérea de médio e longo alcance(pantisr,patriot,s-300)que não temos ainda é um punhado de sistemas portáteis como o RBS-70 para proteger o sistema de radares.Pois em caso de conflitos nessa parte da costa esse seria um dos primeiros alvos

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