quarta-feira, dezembro 1, 2021

Saab Naval

VÍDEO: Megaprojetos da China – navio tanque de transporte de gás natural liquefeito

Destaques

Alexandre Galante
Ex-tripulante da fragata Niterói (F40), jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Assista no video abaixo a construção de um navio tanque de transporte de gás natural liquefeito (LNG carrier, em inglês) no Jiangnan Shipyard.

Um transportador de gás natural liquefeito (sigla em português GNL) típico tem de quatro a seis tanques localizados ao longo da linha central do navio. Ao redor dos tanques há uma combinação de tanques de lastro, ensecadeiras e cavidades; a embarcação é um projeto do tipo casco duplo.

Um ciclo de carga típico começa com os tanques na condição “sem gás”, ou seja, os tanques estão cheios de ar, o que permite a manutenção do tanque e das bombas. A carga não pode ser carregada diretamente no tanque, pois a presença de oxigênio criaria uma condição atmosférica explosiva dentro do tanque, e uma rápida mudança de temperatura causada pelo carregamento do gás a -162°C (-260°F) poderia danificar os tanques.

Primeiro, o tanque deve ficar ‘inerte’ para eliminar o risco de explosão. Uma usina de gás inerte queima diesel no ar para produzir uma mistura de gases (normalmente menos de 5% de O2 e cerca de 13% de CO2 mais N2). Essa mistura é soprada nos tanques até que o nível de oxigênio esteja abaixo de 4%.

Em seguida, a embarcação vai para o porto para “abastecer” e “esfriar”, pois ainda não é possível carregar diretamente no tanque: o CO2 irá congelar e danificar as bombas e o choque frio pode danificar a coluna da bomba do tanque.

O GNL é trazido para o navio e levado ao longo da linha de pulverização até o vaporizador principal, que evapora o líquido em gás. Ele é então aquecido até cerca de 20°C (68°F) nos aquecedores a gás e, em seguida, soprado nos tanques para deslocar o “gás inerte”. Isso continua até que todo o CO2 seja removido dos tanques. Inicialmente, o IG (gás inerte) é liberado para a atmosfera.

Uma vez que o conteúdo de hidrocarbonetos atinge 5% (menor faixa de inflamabilidade do metano), o gás inerte é redirecionado para terra por meio de um duto e conexões diversas pelos compressores HD (High Duty). O terminal costeiro, então, queima esse vapor para evitar os perigos de ter grandes quantidades de hidrocarbonetos presentes que podem explodir.

Agora o navio está com gás e aquecido. Os tanques ainda estão em temperatura ambiente e cheios de metano.

O próximo estágio é o esfriamento. O GNL é pulverizado nos tanques por meio de cabeças de pulverização, que evaporam e começam a resfriar o tanque. O excesso de gás é novamente soprado para terra para ser novamente liquefeito ou queimado em uma chaminé. Assim que os tanques atingirem cerca de -140°C (-220°F), os tanques estarão prontos para o carregamento a granel.

O carregamento a granel começa e o GNL líquido é bombeado dos tanques de armazenamento em terra para os tanques do navio. O gás deslocado é lançado em terra pelos compressores HD. O carregamento continua até que 98,5% da carga seja atingida (para permitir a expansão/contração térmica da carga).

O navio pode agora prosseguir para o porto de descarga.

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Antoniokings

Rapaz.
E parece que está vindo uma crise braba de fornecimento de gás.
Preocupações maiores com a Europa e em particular com o Reino Unido que já sofre uma série de falências no setor.

Matheus S

A Europa assim como os EUA estão tendo muitas dores de cabeça com essa questão do gás. A este respeito, o mercado interno europeu de energia necessita de um abastecimento sustentável de recursos de gás natural, principalmente, para necessidades de aquecimento residencial. Atualmente, cerca de 40% das importações líquidas de gás extra da UE são canalizadas através de gasodutos russos. Embora os indicadores de importação sugiram que a Rússia detém uma posição dominante no suprimento das necessidades de energia da UE, o fornecimento cada vez maior de gás do Azerbaijão causa preocupações por parte das partes interessadas russas. Embora, acredito que parte dessa… Read more »

Antoniokings

Muito interessante o processo de fabricação.
E impressionante é como tudo na China é superlativo.

Antonio Palhares

É o rio correndo para o mar.

Hilton

Difícil entender a China, fazem supercargueiros, mas proibiram os supernavios de minérios da Vale de operarem nós portos chineses! Não tem lógica.

Marcelo

Foi tudo um jogada de mestre chines !!!!
Proibiram mais depois que a Vale vendeu os mega navios baratinhos $$ pra eles foi liberado novamente !!!!!

Matheus S

O CHINAMAX só foi construído após anos do VALEMAX, os chineses simplesmente acabaram com a frota de VALEMAX da Vale, sem a receita do transporte, a empresa brasileira foi obrigada a vender alguns VALEMAX para os chineses, após isso os chineses criaram uma nova classe de cargueiros semelhantes aos VALEMAXs, o CHINAMAX. Ali, foi uma verdadeira guerra comercial contra o Brasil, a imprensa nacional tradicional sequer mencionou isso.

Devemos admitir, os chineses jogam pesado.

DanielJr

Tem lógica sim. Quando a frota da Vale, os valemax, ficaram praticamente sem uso e esse braço de transporte da Vale praticamente quebrou, os chinas compraram esses navios e agora operam quase todo o transporte de minério nessa categoria de navio.

Não sei se pode postar link aqui, mas uma busca no google retornam notícias de 2015/2016 sobre o caso

Last edited 2 meses atrás by DanielJr
Carlos Alberto

Na verdade os navios VALEMAX foram proibidos na China. Depois eles compraram os navios da Vale(alguns) e mudaram as regras, passando a usá-los nas mesmas operações que a Vale fazia.
Uma grande maracutaia.

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