Sobre os ataques aos encouraçados japoneses ‘Yamato’ e ‘Musashi’ na Segunda Guerra Mundial

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Em foto colorizada, o encouraçado japonês Yamato sob ataque de porta-aviões da Marinha dos EUA no Mar da China Oriental em 7 de abril de 1945, quando uma bomba explode a bombordo

O canal Navy General Board publicou uma breve análise dos ataques e controle de avarias dos encouraçados japoneses Yamato e Musashi na Segunda Guerra Mundial.

Segue abaixo a tradução da análise:

Se você acha que os admiradores do encouraçado Bismarck são loucos quando dizem “Foi preciso uma frota britânica inteira para afundá-lo”, deixe-me apresentar a você o equivalente japonês ao discutir a classe Yamato.

O gráfico abaixo é compartilhado muito mais do que deveria, sendo impreciso e sem o contexto adequado.

O gráfico mostra o total de torpedos (35) e bombas (19) lançadas por aeronaves que atingiram o Yamato, qual o porta-aviões atacante e o horário do ataque em 7 de abril de 1945

O problema com esse gráfico e a perda da classe Yamato por essa razão, é que as pessoas não entendem a progressão de danos.

Elas quase parecem assumir que os navios estavam perfeitamente bem até aquele último golpe que os mandou para o fundo.

O fato é que os aviões da Marinha dos EUA continuaram atingindo os encouraçados muito depois de eles estarem acabados e afundando. Algumas dessas bombas e torpedos eram gratuitos, no melhor dos casos.

Em vez disso, a pergunta adequada é qual foi o golpe de misericórdia?

Yamato fotografado durante a batalha por uma aeronave do USS Yorktown (CV-10). O navio de guerra está em chamas e visivelmente inclinado para bombordo

Para o Yamato, eu diria que temos três marcos importantes.

O primeiro torpedo atingiu (quadro de tempo 12:43) a bombordo, permitindo 2.350 toneladas de inundação. O controle de avarias contrapôs com 605 toneladas de água para contra-inundação. A inclinação foi eliminada.

O próximo marco foram os torpedos 2,3,4 durante o segundo ataque (13:33). Esses torpedos atingiram a bombordo em uma proximidade e sucessão tão rápida que o controle de avarias teve que inundar o espaço da maquinaria externa oposta para compensar. 3.000 toneladas de água foram contrapostas e a inclinação nivelada.

Os torpedos 5 e 6 então atingiram, novamente a bombordo (13:42). Mais espaçados, o controle de avarias pôde contra-inundar e corrigir a inclinação novamente.

Isso nos leva ao marco final, o impacto 7. Este torpedo (14:02) atingiu a boreste.

Yamato após ser atingido por uma bomba durante a Batalha do Mar de Sibuyan em 24 de outubro de 1944; o ataque não causou danos graves

A importância deste impacto é que o controle de avarias finalmente relatou que a contra-inundação não era mais eficaz.

O Yamato basicamente atingiu seu limite operacional aqui. Qualquer dano subsequente não poderia ser contraposto.

O que é exatamente o que aconteceu com os impactos de torpedo 8 e 9 e o número desconhecido que o atingiu enquanto o navio começava a adernar.

Isso também não leva em consideração os ataques de bombas, até mesmo os quase-acertos provavelmente desempenhando um papel devido à energia das explosões.

Yamato sob ataque aéreo em Kure em 19 de março de 1945

O Musashi

Musashi e Yamato na Lagoa Truk no início de 1943

O Musashi é um pouco mais difícil, pois seu dano foi mais distribuído em ambos os bordos. Os EUA fizeram a contra-inundação por eles mesmos. Assim, Musashi sofreu muito mais castigo.

Devido à inundação uniforme em ambos os bordos, o controle de avarias pôde usar contra-inundação mais minuciosa para equilibrar o navio.

No entanto, é interessante apontar que por volta do momento do sétimo impacto a boreste, foi a última vez que o controle de avarias pôde contrabalançar a inclinação, sendo de cerca de 1-2 graus.

Impactos subsequentes começaram a sobrecarregar o navio.

O problema de Musashi receber danos em ambos os bordos foi que ele estava afundando uniformemente e em uma marcha lenta para onde sua inundação sobrecarregaria sua flutuabilidade.

Musashi com a proa baixada após os ataques aéreos, pouco antes de afundar

Isso foi especialmente verdadeiro para sua proa. Com menos volume ali, o navio progressivamente foi afundando pela proa à medida que o dano se acumulava.

No final, seus convéses da proa estavam alagados.

Mais contra-inundação foi impossível para o final, pois isso levaria a uma quantidade catastrófica de peso.

Essa história deveria ser menos sobre a blindagem ou qualidades protetoras da classe Yamato e mais sobre seu imenso volume do casco.

Musashi sob ataque de porta-aviões americano durante a Batalha do Golfo de Leyte

Sim, navios grandes são mais difíceis de afundar do que navios menores. Um casco maior pode suportar mais peso (inundação). É basicamente isso.

Pegue qualquer outro encouraçado e aumente-o para tamanhos semelhantes, seus resultados seriam os mesmos.

Claro, isso não é nada contra a classe Yamato. Eram navios de guerra bem pensados com várias qualidades excelentes.

No entanto, sua perda precisa ser vista com o contexto adequado.

Assim como tantas outras coisas no design de navios de guerra, o diabo está nos detalhes.

Desenho de Yamato retratando o navio em 1944-1945 (configuração específica de 7 de abril de 1945) – Wikipedia

FONTE: Navy General Board – @thegeneralboard, no X

Navios e aeronaves do task Group 38.3 operando ao largo de Okinawa, em maio de 1945

NOTA DO PODER NAVAL: O ataque ao Yamato foi realizado com 280 aeronaves de 15 porta-aviões da Marinha dos EUA. As aeronaves compreendiam caças F6F Hellcat e F4U Corsair, bombardeiros de mergulho SB2C Helldiver e torpedeiros TBF Avenger. Os grupos aéreos lançados de cinco porta-aviões perderam-se devido ao mau tempo e não foram capazes de atacar. Como contingência, o almirante Spruance ordenou que o almirante Deyo reunisse uma força de seis navios de guerra rápidos, sete cruzadores e 21 destróieres para se preparar para um confronto de superfície com Yamato caso os ataques aéreos não tivessem sucesso.

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marcos.poorman

Quanto se trata de Yamato, toda história ou nova descoberta é sempre impressionante.

Hoje um navio demanda milhares de horas/homem para projeto e construção. Fico imaginando a cena com centenas de projetistas debruçados sobre as pranchetas, suas folhas de papel vegetal e caneta nanquim, réguas de cálculo, esquadros, a construção nos estaleiros, os caldereiros, soldadores, processo de fundição, usinagem. Tudo monumental.

Minha reverência a esses homens.

Willber Rodrigues

Dias atrás eu assistí a um vídeo sobre os canhões principais da classe Iowa.
Mesmo sendo tecnologia já antiga, o processo de usinagem e funcionamento desses canhões é absurdo. A tecnologia de funcionamento, criação e fundição por trás deles ainda é fantástico, parece tecnologia moderna.

Burgos

Servi em navio da década de pós guerra dos EUA e que tiveram na Guerra da Coreia/Vietnã.
Como servi também nas classes Niterói/Greenhalgh.
Fica perceptível que de um classe “P” para as Fragatas dos anos 70/80 os 1º são muito mais compartimentados e estanques do que as Fragatas.
Naquela época os combates eram mais “cara a cara” digamos assim, atualmente a Guerra é mais a distância e com o aperto de um botão em um console de controle de Armamento dentro do COC.

Hcosta

Será que um drone ucraniano teria alguma hipótese com tantos canhões de defesa?

Fernando Vieira

Parece que nos projetos atuais de navios o pessoal voltou a pensar em artilharia de tubo nos navios para defesa contra esse tipo de coisa.

Os Americanos estão gastando uma grana em mísseis para se defender e defender os navios mercantes dos drones Houthi e os russos estão gastando navios para os drones ucranianos. Mesmo que a defesa americana venha se mostrando efetiva, ela é cara.

Então pensar em canhões para defesa contra esse tipo de ameaça é natural.

Flavio Henrique

Acho que o maior problema seria a velocidade de detecção e reação, porém a chuva de metal seria muito efetiva….e o fato de ataque se apoiando da posição do só já que os controles eram manual

Tomcat

Bom dia! Boa PN!!!!! Tragam mais histórias (olha a deixa aí Nunão 😉 ) sobre navios e batalhas, é um tema bem interessante.

Allan Lemos

Excelente matéria. É uma pena que a WW2 trouxe consigo o fim dos grandes couraçados. Praticamente da noite para o dia foram de grandes leviatãs do mar para alvos bem vulneráveis

Henrique

Ainda bem que o Japão Imperial gastou dinheiro/Tempo nesse monte de ferro inútil e não em mais porta aviões ou submarinos

Wilson Look

Mesmo que não fosse esse o caso, ainda não teria feito nenhuma diferença.

A capacidade industrial japonesa era muito inferior a americana, e no caso dos submarinos o alvo prioritário dos submarins japoneses eram os navios de guerra, não os navios de apoio e a navegação mercante.

Dalton

Pegando um gancho no comentário, em 1941 quando da incorporação do Yamato os EUA incorporaram o North Carolina e o Washington a grosso modo 88.000 toneladas carregados e 18 canhões de 16 polegadas. . Ao longo de 1942 incorporou-se 4 classe South Dakota armados da mesma forma e deslocando praticamente o mesmo, assim, 180.000 toneladas e 36 canhões de 16 polegadas enquanto o Musashi foi incorporado no segundo semestre do ano. . No primeiro semestre de 1943 incorporou-se o Iowa e o New Jersey armados com um novo canhão de 16 polegadas com maior alcance, deslocando cada um cerca de… Read more »

Fernando Vieira

A indústria americana venceu aquela guerra. Tanto contra os alemães quanto contra os japoneses.

Henrique

pode ate ser, mas não seria ferro e tempo desperdiçado…

mas ainda bem que foi errado

Wilson Look

Hoje temos o benefício de saber das consequências e das vantagens que os porta aviões tinham, mas isso apenas por causa da guerra. Foi na Segunda Guerra que os porta aviões mostraram todo o seu potencial, principalmente os ataques a Taranto e Pearl Harbor e a batalha de Midway. Nos anos 30, quando a classe Yamato foi projetata e começou a ser construída, o potencial dos porta aviões ainda não era totalmente conhecido e entendido, havia os seus defensores, mas foi apenas durante a guerra que tudo isso ficou claro. E também os japoneses estavam buscando substituir a classe Kongo… Read more »

curisco

inegável a força de encouraçados e porta aviões. Mas fala-se pouco da força de submarinos dos EUA cuja missão era sufocar a frota mercante japonesa. e conseguiu. eles foram os maiores responsáveis pela destruição dos mercantes japoneses. E claro que a estratégia japonesa de deixar seus mercantes sem proteção ajudou muito.

NEMOrevoltado

Teria algum livro em portugues sobre o tema?

Corsário-DF

Excelente matéria, a equipe está de parabéns. Foi uma força monstruosa para dar fim a essa bela máquina de guerra, minha reverência aos marinheiros de ambos os lados que pereceram na defesa da sua nação.

Ozawa

Como dito pelos colegas, o IJN Yamato, como seu irmão gêmeo, sempre renderão histórias míticas, ficcionais ou não, sobre sua construção, operação e destruição, e essas narrativas serão tão grandiloquentes quanto foram esses super couraçados enquanto ativos. Dito isso, sugiro enfaticamente o filme “The Great War of Archimedes”, um filme histórico japonês de 2019, dirigido e escrito por Takashi Yamazaki. É um relato ficcional das manobras políticas e tecnológicas que envolveram a Rengō Kantai (Frota Combinada) e seu maior símbolo, o Yamato. Exceto brevemente em seu início, não há qualquer cena de batalha. O filme se desenvolve nos bastidores político-militares… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Inundações e contrainundações apenas corrigem trim e list. Nos Yamato, o sistema antitorpedico consistia em inúmeros compartimentos externos aa blindagem, todos vazios, e vazios pra se ter a mais ampla boiancia (se esses compartimentos fossem cheios de água ou óleo, o que seria benéfico pra fins de proteção, o vaso teria um freeboard consideravelmente menor) e o mais flexível controle de inclinações. Ora, as blindagens espessas representam um ônus notável ao vaso – num classe Iowa, elas representavam ao menos 40% do deslocamento do vaso. É que os gigantes nipônicos foram pensados, lá nos anos posteriores aos desrespeitados Tratados de… Read more »

Last edited 1 mês atrás by Alex Barreto Cypriano
Dalton

O “Shinano” nem mesmo estava minimamente certificado para combate saiu de um estaleiro para evitar ser bombardeado para outro onde seria concluído.
.
Mas fiquei curioso Alex, qual esse solitário Iowa que ainda navega ?

Wilson Look

Se me permite, acho que deve estar se referindo ao USS New Jersey, que foi movido recentemente para um estaleiro na filadélfia para uma manutenção extensa.

Dalton

Cheguei a pensar que era implicância do Alex com o “Zumwalt” 🙂
.

Alex Barreto Cypriano

Na verdade, não navega mas flutua pra ‘manutencao’ em doca. O New Jersey, aqui:
https://youtu.be/bLUNKFp30NM?si=mYNGhjBfvsK6-Bqi
Dinheiro jogado fora…

Franz A. Neeracher

Oi Alex

Sou de outra opinião…..mesmo um navio museu tem que passar por uma manutenção de tempos em tempos.

Recentemente o “Texas” tb passou por manutenção.

Se eles tem dinheiro para isso, por quê não?? É cultura!!

Tem uma matéria minha aqui sobre o “New Jersey”

https://www.naval.com.br/blog/2016/10/23/uma-visita-ao-battleship-new-jersey-bb-62/

Dalton

Revi a matéria Franz e se não me engano você visitou todos os 4 a mim faltou o “Iowa” , bons tempos 🙂

Franz A. Neeracher

Não…..quem dera….visitei o BB 62 e o BB 63.

Faltando o BB 61 e o BB 64.

Alex Barreto Cypriano

Sim, Franz, é cultura, reconheço.

Wilson Look

Poderiam fazer o mesmo pelo SS United States, o coitado está precisando de uma restauração,antes que fique sem teto(ou dique, já que a última notícia que ouvi dizia que os donos do lugar aonde o navio está estavam buscando retirá-lo por falta de pagamento das pessoas que estão tentando preservar o navio).

Germano Silva

Um dia desses eu vi um especialista afirmar que o ponto fraco do Yamato era o fraco posicionamento das baterias antiaérea do Vaso de Guerra de qualidade inferior da armada Americana com alcance de “abate” de 2mil metros praticamente Fatal para esses grandes Vasos de Guerra… Eu fiquei na dúvida nesse posicionamento sem alguém puder detalhar se tem veracidade essas informações agradeço.

Dalton

Não sei se você sabe Germano mas o Yamato e o Musashi foram construídos com uma bateria secundária de 12 canhões de 155 mm em 4 torretas triplas e “apenas” 12 canhões AA de grande alcance de 127 mm em 6 torretas duplas 3 de cada lado do navio o que era considerado pouco mas na época à ameaça dos aviões não era bem compreendida ao passo que os novos encouraçados americanos dispensaram o armamento secundário e contavam com 20 canhões AA de 127 mm de duplo emprego. . A ilustração mostra o Yamato após a retirada das 2 torres… Read more »

Wilson Look

E apenas adicionando ao comentário, os canhões Type 96 de 25mm também eram deficientes em vários pontos.

O melhor armamento AA japonês da guerra acabou sendo os canhões de 100mm Type 98.

Dalton

Bem lembrado Wilson, usados no “Taiho”, “Oyodo” e nos “Akizukis” coincidentemente tenho modelos dos 3.

Alex Barreto Cypriano

Não é exatamente uma falha, mas a superestrutura de um Yamato (one stack) era menos longilinea que a de um Iowa (two stacks); sendo assim, concentraram a defesa AA ao redor da superestrutura, facilitando o trabalho de destruição dessas baterias pro inimigo.
https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTdrNbfs7btfiTr4ln704tfAPuyrRzvzS0UHGO7VlUSIAaR9riQnAs6NqI&s=10

Last edited 1 mês atrás by Alex Barreto Cypriano
Dalton

Alex a classe South Dakota também tinha apenas uma chaminé e a principal defesa AA também foi concentrada em em espaço mais limitado mas, não teria feito a menor diferença para o Yamato caso os canhões estivessem mais distanciados uns dos outros o que seria um pouco mais de qualquer forma.
.
O Yamato foi atingido, muito mais do que o necessário, como um todo não sendo as baterias AA um alvo principal e estas de qualquer forma eram menos eficientes que as
similares nos encouraçados americanos.

Alex Barreto Cypriano

Sim, mestre Dalton, o castigo foi extremo pros Yamato. Mas era um alvo prioritário, não se esperava menos. Os Yamato eram muito largos, boca de 39 m (nos Iowa, 33 m), mas eram mais curtos que os Iowa (263 contra 270) Quanto aos South Dakota, treaty (e fast) battleships, nem lembro de todos os porquês do design mais compacto em relação aos North Carolina; o que, de toda forma se alterou nos Iowa com a decisão de os fazer longos e esbeltos, melhorando sua hidrodinâmica. De fato, os Iowa não precisavam ser tão longos.

nem lembro de todos os porquês do design mais compacto em relação aos North Carolina”

O principal foi reduzir a área a ser protegida pelo cinturão blindado, de maneira a ampliar a espessura do cinturão, mantendo-se o mesmo deslocamento, boca e armamento principal. A classe North Carolina foi considerada pouco protegida, em teoria aguentava ser atingida por projéteis de até 14 polegadas, enquanto o cinturão mais espesso do South Dakota aguentaria projéteis de 16 polegadas.

A mudança da relação comprimento / boca implicou em aumento da potência instalada para atingir desempenho semelhante ao da classe North Carolina.

Alex Barreto Cypriano

Muito agradecido, Nunão, pela resposta esclarecedora. Já não lembro dos detalhes (mentira, eu fui consultar uma fonte,😆), mas os tratados navais de Washington (22) e Londres (36) limitavam o deslocamento padrão e o calibre máximo das armas principais, respectivamente a 25 mil toneladas/14″ e 35 mil toneladas/14″. Os North Carolina e South Dakota foram construídos respeitando o tratado de Londres e suas emendas, embora os North Carolina tenham tido suas armas alteradas de 14″ pra 16″, as suas blindagens continuaram pra deter projéteis de 14″. O Japão havia se retirado do Tratado de Washington (em 37) e mantinha em segredo… Read more »

Last edited 1 mês atrás by Alex Barreto Cypriano
Dalton

Não esquecer Alex que os EUA queriam limitar a boca de seus navios a 33 metros para que pudessem usar o Canal do Panamá – a maioria dos navios foi construída na costa leste – e assim navios da Frota do Atlântico poderiam reforçar a Frota do Pacífico e vice versa caso contrário teriam que demoradamente circundar à América do Sul o que em caso de conflito não seria uma boa opção. . A classe Montana que seguiria os 6 da classe Iowa – os últimos 2 tiveram a construção suspensa – abandonaria essa doutrina já que serviriam exclusivamente no… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Decisão sábia de limitar a boca pela largura do canal. Os Iowa passavam pelo canal com uma folga de 11 polegadas em cada bordo (108’2″ num canal de 110′)! A propulsão dos Iowa (baseada em boilers/caldeiras de 600 psi, libras por polegada quadrada) produzia nominalmente 212 mil shaft horsepower mas sempre havia uma margem de excesso pra emergência, uns 5-15% de potência a mais. Os fleet carriers sempre foram rápidos, mais de 30 nós (o Saratoga, com 180 mil shp nominais atingiu 212 mil shp e sustentou velocidade de 35,4 nós durante 16 horas), e os Iowa eram perfeitos como… Read more »

Dalton

O “Maury” alcançou quase 45 nós no teste antes de ser aceito pela US Navy, mas, jamais repetiria esse feito após ser comissionado
quando equipamento extra, munição, etc, foi embarcado além do mais
velocidades tão altas reduzem consideravelmente o alcance.

Alex Barreto Cypriano

Correção: na fórmula de velocidade máxima pra destroyers, onde se lê 1,5 leia-se 1,8. Grato.

Dalton

Alex o maior comprimento e deslocamento permitiu que o “Iowa” atingisse 32 nós ou seja 5 nós a mais que o South Dakota e o Yamato, uma combinação de planta propulsora mais capaz e forma do casco.
.
O Yamato também precisaria ter sido mais longo para alcançar 30 nós ou mais mantendo o mesmo armamento/blindagem e outras características como um grande hangar para hidroaviões.

Alex Barreto Cypriano

Mas, teoricamente, pela esbeltez e lwl, os Yamato poderiam atingir 30 ou mais nós se tivessem alguma potência propulsiva a mais (sem esquecer do design dos próprios propulsores, em número de 4)? Aí está uma questão interessante, mestre Dalton: havia a possibilidade de dota-los de propulsão mais potente que 150 mil shp?… 🤔

Last edited 1 mês atrás by Alex Barreto Cypriano
Dalton

Acho que você iria gostar de um livro já antigo que tenho o “Battlehips Axis and Neutral” já que você parece gostar desse tipo de detalhe, de minha parte sou preguiçoso ou incapaz de me aprofundar tanto e nesse livro em algum lugar lembro que aumentar a velocidade era complicada pelo formato do casco, relativamente curto e largo. . O livro é cheio de “números” e comparações com outros navios e menciona também à adoção do bulbo na proa para maior eficiência, então, a resposta curta é não, por conta da forma como foi construído para aumentar a resistência contra… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Grato, mestre Dalton. Acabei de ler no USNI um artigo vetusto de um militar japonês sobre a Classe Yamato. Tem detalhes valiosos como o arranjo dos boilers, tonelagem das blindagens e comparação com outros vasos da marinha imperial japonesa. Recomendo a leitura. Neste fico sabendo que inicialmente os Yamato deveriam atingir 30 nós (!), mas que limitações técnicas levaram a adotar 27/28 nós com um bulbous bow de excelente eficiência nas mais altas velocidades. Inicialmente o vaso teria dois eixos potência dos por motores diesel e outros dois por boiler/turbinas (!), o que foi descartado pela impossibilidade de troca dos… Read more »

Last edited 1 mês atrás by Alex Barreto Cypriano
curisco

creio que por inúmeras razões este navio era como o caso de um zumbi: nunca se atira o suficiente

Bispo

Yamato !🫡

Em homenagem ao mesmo o japoneses fizeram o , ótimo anime, Star Blaze ou Space Battleship Yamato, por aqui conhecido como Patrulha Estelar… que virou filme.

https://youtu.be/M1Ug4sCxfdM?si=8YuTo19kUF8uXbg0

curisco

Nossa… que animação!!!!!!!! fãzaço!

Rodrigo

Vi os animes na extinta TV Manchete e depois consegui os DVD`s com todas as temporadas ( a tv só exibia a luta contra o cometa império e depois contra a Federação Polar).

Bispo

Baixei o anime completo em 4K .. muito legal.

comenteiro

Tem no serviço de streaming Crunchyroll a versão de 2017. Infelizmente os últimos capítulos estão disponíveis apenas para assinantes.

Angelo

Q belas maquinas eram, imponentes e letais….

Marcos

Que bela matéria. Isso só aumenta nosso conhecimento.
E uma felicitação aos comentários sobre a matéria que está do mais alto nível. Parabéns aos envolvidos.

Cristiano GR

Como contigencia, o almirante Spruance ordenou o prepara de força maior que toda as marinhas latinas, de hoje, juntas, apenas para o Yamato.

Oigale-te porquera!

Last edited 1 mês atrás by Cristiano GR
Dalton

Essa “força” estava lá apoiando a invasão de Okinawa, não “apenas para o Yamato” naturalmente parte dela foi deslocada para atacar a força tarefa liderada pelo Yamato
um alvo fácil que acabou recebendo mais castigo do que o necessário para afunda-lo.

Mazzeo

A operação GO como um todo foi um grande desperdicio de material e pessoal com pouquissimo resultado para a IJN.

Dalton

Pensando bem Mazzeo a “IJN” conseguiu o que queria, mostrar ao Exército sua capacidade de também cometer os maiores sacrifícios pelo país e pelo Imperador, não à toa, um livro que considero excelente “A Glorious Way to Die”
traz também na capa a frase “The Kamikaze mission of the Yamato”.

Mazzeo

Sim, Dalton, Porem, mesmo dentro da oficialidade da Rengō Kantai havia quem achasse e verbalizasse o enorme desperdício de meios, homens e combustível. O Almirante Ito, que afundou com o Yamato, se recusou varias vezes a cumprir a ordem do Chefe da Esquadra Combinada. Encalhar o Yamato perto das praias de Okinawa e transforma-lo em bateria costeira me parece um plano muito pobre, mesmo para uma ação kamikaze. Alias, não se sabe com certeza até hoje se os navios tinham combustível suficiente para retornar a Sasebo, mas acredita-se que não. Segui sua recomendação e comprei o “A Glorious Way to… Read more »

Dalton

O próprio Yamamoto também não era simpático a sacrifícios inúteis.
.
Espero que goste da leitura e se puder uma hora aproveite um dos
meus comentários, comento quase todo dia, para “insatisfação de muitos” – mas não ligo – e escrever sobre o que achou que acabarei vendo !
.
abraços !

Marcus Pedrinha Pádua

Uma análise, já meio antiga, que envolve o poderio do Yamato está aqui: http://www.combinedfleet.com/baddest.htm.