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Submarino ‘Tapajó’ realiza lançamento real de torpedo MK 48 MOD 6AT

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No dia 11 de outubro, o Submarino Tapajó (S 33) realizou, com pleno êxito, dois lançamentos reais do torpedo MK 48 MOD 6AT contra alvo de superfície, em área marítima próxima ao Rio de Janeiro, empregando o sistema de combate integrado AN/BYG 501 MOD 1D.

Assim, o S Tapajó tornou-se o primeiro submarino da MB totalmente modernizado, dispondo de um sistema de armas plenamente integrado, desde os sensores até o armamento.

Esse evento, que teve por objeto a validação do sistema de combate e da sua integração com o torpedo MK 48, culmina um processo iniciado em 13 de abril de 2007, quando a Marinha decidiu-se pela aquisição do torpedo MK 48 MOD 6AT ADCAP e do sistema de combate AN/BYG 501 MOD 1D, que, a partir de agora, constituem o sistema de armas padrão dos nossos submarinos.

27 COMMENTS

  1. “…que, a partir de agora, constituem o sistema de armas padrão dos nossos submarinos.”

    Por “nossos submarinos” entende-se os Type 209/1400 e derivado ou as tralhas francesas, ora em construção, tb estão incluídas aí???

  2. “Guilherme Poggio disse:
    17 de outubro de 2011 às 12:50”

    Só não adianta ter apenas meia duzia do melhor…
    Será que foi adquirido em quantidade ? Pela tradição podemos ser pessimistas né…

  3. Parabéns a MB, é assim que se faz, e pelo que ouve pelos corrdores, os testes ficaram acima das expectativas e ainda acima das especificações mínimas do fabricante, ou seja, equipamento de combate de “patronagem”…

    Grande abraço

  4. Uma pergunta aos “navegantes”: O Mk-48 (só pra citar um exemplo) tem velocidade máxima de 60 nós (provavelmente até mais). A minha dúvida é se um torpedo tem limitações em relação à sua capacidade de busca (sonar ativo e passivo) de acordo com a velocidade.
    Ou seja, ele tem que reduzir sua velocidade para usar os sensores, como faz um submarino?
    Quando em alta velocidade fica por conta apenas da orientação inercial + correção via fio do sub?
    Se em alta velocidade ele fica “cego” ele tem que reduzir para atacar?
    Antecipadamente agradeço.

    • Grande Bosco!

      Sim, o torpedo tem limitações de capacidade de detecção quando navega em altas velocidades, assim como o submarino também tem.
      O escoamente de água pelos transdutores reduz o alcance de detecção.
      Por isso, torpedos como Mk.48 quando detectam um alvo e este tenta fugir em alta velocidade, deslocam-se para um ponto futuro em alta velocidade (velocidade de trânsito) e depois reduzem a velocidade o suficiente para tornar os transdutores efetivos e poder efetuar outra busca na fase final de ataque.

      Resumindo: um torpedo pode reduzir e aumentar a velocidade de acordo com sua lógica de programação, para atacar e depois tentar um reataque, se necessário. Os torpedos modernos são até mais sofisticados que muitos mísseis.

  5. O que o Galante falou está correto, porém a Raytheon atravéz de seus estudos hidrodinâmicos, projetou o torpedo ADCAP com a cabeça um pouco “quadrada” e isso aparentemente permite atenuar um pouco do ruido. Recentemente a sua propulsao recebeu também uma melhor isolação acustica. Ainda que isso não seja o suficiente para a performance 100% do seu sonar, que embora “escute” quando programado em modo passivo, também e principalmente é usado em modo de sonar ativo, que somando à curta distancia de ativaçao, normalmente menos de 3nm e a alta intesidade dos pulsos, permitem o seu emprego a altas velocidades. Quanto exatamente é no entanto informaçao sigilosa Fora isso, existem boatos que neles estão instalados também sensores que detectam o campo magnetico ao seu redor.
    Vale lembrar que o ADCAP é guiado por cabo, ou seja, durante quase 90% do seu alcance maximo de ~25nm, o torpedo está inativo, recebendo comandos vindos do submarino mãe, que obviamente possui sensores muito mais potentes. Esse também é um ponto fraco relativo dos torpedos guiados por cabo, pois a principal defesa contra essa situação, é o submarino ou navio sendo atacado em questao, disparar um snapshot na direçao do contato, forçando assim o submarino que tem o controle do ADCAP a cortar o cabo e executar manobras defensivas.

  6. Galante e FCGV,
    Juntando o que vocês falaram da pra entender o seguinte:
    Enquanto ligado ao sub pelo cabo (ou fibra ótica) o torpedo trabalha em menor velocidade usando seu sonar no modo passivo e funcionando como um “UUV” furtivo (modo passivo + baixa velocidade), sendo “teleguiado” até um ponto em que pode liberar o cabo, passar para o modo autônomo usando sonar ativo e acelerar na fase de ataque, onde a discrição não é mais fundamental.
    Estou correto?
    Um abraço aos dois.

  7. Na verdade é ao contrario, quando o torpedo esta sendo guiado pelo cabo, sua velocidade faz pouca diferença pois seus sensores estao inativos, sendo responsabilidade total do submarino mae em primeiro, haver fornecido uma boa soluçao de tiro e segundo, guia-lo corrigindo eventuais manobras evasivas do alvo. Normalmente é mais interessante que neste periodo aproveitar a velocidade maxima, dando assim menos chance do alvo fugir.

    Quando o torpedo chega a menos de 3nm do alvo, o seu sonar é ativado, seja ele ativo ou passivo e assim que o torpedo encontre por seus proprios sensores o alvo, o cabo e imediatamente cortado. Normalmente nesta fase, o torpedo pode diminuir a velocidade a um ponto optimum entre velocidade e perfomance dos sensores, ou nao.

    O uso do sonar passivo como forma de busca do torpedo nao é muito comum, por dois motivos, quando se dispara um torpedo, muito provavelmente se perde o elemento furtivo, alertando todas as defesas inimigas de sua existencia. Outro motivo que se leva em consideraçao é o ruido do proprio torpedo oque tem a mesma consequencia do fato anterior. Em outras palavras, se usa o torpedo em modo passivo quando o alvo emite muito ruido e escuta pouco, como um submarino ou navio navegando em altas velocidades.

  8. FCGV,
    Aproveitando a oportunidade, rrsr, torpedos elétricos lançados de forma autônoma, sem o ruído da ejeção, podem operar de forma mais furtiva que torpedos com propulsão térmica e “ejetados” dos TTs.
    Também gostaria de saber como se procede o modo “perseguição de esteira”, usada por alguns torpedos contra alvos de superfície.

  9. Bosco, vc se refere a wake homing torpedoes? Se for isso, pelo que eu saiba foi desenvolvido pelos nazis no final da 2a guerra e uma vez lançados, um sensor detectava a turbulencia causada pelo rastro do navio, e zig-zagueiava esse “cone” até chegar no alvo.

    Que eu saiba o principal usuario sao os Russos/Sovieticos e hoje China, Coreia do Norte e Iran. Os russos desenvolveram o Type 65-76, que por sua particular doutrina, visava atacar navios grandes como porta-avioes americanos. Foi também o causador do naufragio do Kursk.

    A vantagem desse tipo de torpedo é possuir também sensores acusticos passivo e ativo + wake homing, tornando assim muito resistentes a contra medidas. Aparentemente a contra medida americana SLQ-25A Nixie, um casulo que simula o ruido do navio mae e é arrastado por cabo a uma distancia segura atras do navio mae, é capaz de atrair também wake homing torpedoes, mas isso é segredo e que eu sabia nunca aconteceu em situaçao real de guerra.

    Abraços!

  10. Pra quem se interessa por submarinos, eu recomendo um texto que é facilmente encontrado pelo Google:
    The Third Battle: Innovation in the U.S. Navy’s Silent Cold War Struggle with Soviet Submarines

  11. E as bolhas de ar???
    Navios americanos tinham/tem(?) uma funcionalidade nos hélices, que consistia em ejetar bolhas de ar, como forma de descaracterizar sua cavitação; de modo a negar o “wake homing”.

    • O sistema de geração de bolhas nos hélices dos navios americanos chamado de “Prairie-Masker” não visa escapar de torpedos, mas sim diminuir o ruído de cavitação, afetando o alcance do sonar dos submarinos inimigos.

  12. Caro Mauricio, eu na verdade não sei nada a respeito, mas nao acredito muito que seja muito eficiente.

    http://www.flickr.com/photos/suefrause/2930878129/
    Se vc der uma olhada nessa foto vai ver que apesar do wake do Arleigh Burke nao ser tao espesso quanto o do Abraham Lincoln, é tão comprido quanto. Acho muito dificil descaracterizar um wake quando se desplaça 10.000t a 25knots.
    Outro ponto contra tal sistema é que se pensarmos na logica da doutrina: Toda açao tem sua reaçao, onde a defesa americana visava um ataque sovietico e vice-versa, e é sabido que o torpedo 76-65 também é guiado por sonar passivo, entao produzir ainda mais bolhas, ou seja, cavitar ainda mais só tende a piorar a situaçao. Seria como apagar a luz e ligar o auto-falante! 😉

  13. Humm, entendi, o que ele faz na verdade nao é diminuir o ruido, mas mascara-lo, de forma a dificultar a identificaçao.

    Para identificaçao atraves de sonar o que se faz é: com ajuda de softwares e hardwares, se realiza uma filtragem do som em frequencias e ai compara-se com um banco de dados pre-gravado. Por exemplo, um submarino nuclear possui certos sons em uma certa frequencia que sao gerados pelas turbinas e outros sons em outras frequencias que sao gerados pelas bombas de agua do sistema de refrigeraçao. Imagine que cada classe de submarino nuclear possui a mesma configuraçao basica, mas montados de maneiras diferentes com equipamentos de caracteristicas e geraçoes diferentes. Isso significa que cada submarino possui sua propria identidade.

    No caso desse sistema “Praire Masker”, pelo que li, ele produz um ruido de “chuva” usando ar comprimido, que apesar de intenso, é capaz de bloquear os sons produzidos pelo navio. É só pensar que o som nao se propaga no ar da mesma maneira que na agua. Isso obrigaria o adversario (submarino) a usar outros meios de classificaçao, forçando-o a tomar outras taticas, possivelmente de maior risco, expondo-o a um envelope menos favoravel.
    Imagine a seguinte situaçao: Um SSGN russo da classe Oscar deve realizar um ataque de misseis a um Task Force americano composto por um porta avioes e diversos escoltas (CGs, DDGs e FFGs).
    O SSGN neste caso esta em plena vantagem pois operando abaixo de uma “sound layer” pode aproximar-se do alvo até uma distancia onde a eficacia de seus misseis seja otima, por exemplo, 30nm, aumentado assim suas chances de sucesso num salvo de misseis. Chegando a 30nm, o capitao russo reduz a velocidade e profundidade e se posiciona justo acima dessa sound layer que escondeu sua aproximaçao. Para sua surpresa no entanto, por algum motivo, seu operador de sonar nao pode identificar os navios que estao operando nessa formaçao. Neste caso lhe restam 3 opçoes: 1- Subir a profundidade de periscopio e levantar uma antena ESM e correr o risco de ser detectado por um helicoptero, aviao ou radar. 2- Aproximar-se mais na esperança de poder identificar os navios dessa formaçao e assim encontrar seu alvo prioritario. 3- Lançar seus misseis na direçao geral da formaçao, na esperança de atingir um alvo de oportunidade.
    Vejam que nenhuma das 3 opçoes lhe garantem um sucesso decisivo e no caso de fracasso pode até provocar um contra-ataque fuminante!

    Obrigado pela informaçao Galante!
    abraços

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