Home Tecnologia Vimos de perto a produção de sonares para os futuros submarinos da...

Vimos de perto a produção de sonares para os futuros submarinos da Marinha

707
19

Mas você vai ter que confiar na nossa palavra, pois fotos não eram permitidas – pelo menos, você pode ver acima o local onde sistemas desses sonares estão sendo produzidos: a fábrica da Omnisys no ABC paulista

Na última quinta-feira, 30 de agosto, visitamos em São Bernardo do Campo (SP) a fábrica da Omnisys, braço industrial do grupo francês Thales no Brasil. Na visita às áreas de desenvolvimento, produção, manutenção e testes, que se seguiu a uma coletiva de imprensa para apresentar os novos executivos da Thales no país (veja matéria no Poder Aéreo), havia uma surpresa interessante: estavam sendo montados módulos dos equipamentos de sonar que equiparão os próximos submarinos da Marinha do Brasil (S-BR) derivados do francês Scorpène.

Infelizmente, porém compreensivelmente, não foram autorizadas fotos dos sistemas em montagem. Mas o presidente da Omnisys, Edgard Menezes, que guiava a visita pela fábrica, falou um pouco sobre o assunto com o Poder Naval. No total, são oito equipamentos de sonar sendo produzidos para os quatro submarinos diesel-elétricos do programa PROSUB (dois por submarino).

O que pode ser dito é que há uma divisão de trabalho e um repasse progressivo de atividades locais na fabricação dos sistemas dos sonares. Partes produzidas no Brasil são integrados na França e partes produzidas na França são integradas no Brasil, ampliando-se gradativamente os trabalhos sob a responsabilidade da subsidiária brasileira da Thales, assim como o treinamento dos engenheiros brasileiros envolvidos no programa.

A imagem abaixo mostra pessoal da linha de produção de módulos de radar na fábrica da Omnisys, do outro lado da ampla sala onde os sistemas eletrônicos dos sonares estão sendo montados (evidentemente, esses sistemas  não estão enquadrados na foto).

A Omnisys, que desde 2006 faz parte do grupo francês Thales, tem experiência não só com radares, mas com diversos sistemas navais. Menezes (foto abaixo), citou os sistemas de Medidas de Apoio a Guerra Eletrônica (MAGE) instalados em navios escolta da Marinha do Brasil. A empresa espera, após a notícia de que quatro novas corvetas classe “Barroso” poderão ser produzidas, fornecer também o sistema MAGE dessas unidades. Outro programa da Marinha a cargo da empresa é o desenvolvimento da cabeça de busca (seeker) do novo míssil antinavio, o MANSUP (veja link abaixo).

VEJA TAMBÉM:

19 COMMENTS

  1. É um modelo interessante de transferência de tecnologia à moda brasileira: a Thales, francesa, transfere para a “brasileira” Omninys, que é de propriedade da Thales. O mesmo modelo que pratica a Elbite e AEL, a Eurocopter e a Helibrás… Discordo ideologicamente do general Heleno, mas ele tem razão, muita razão, quando diz que tecnologia não se transfere, cria-se. Nada contra a cobertura do Poder Naval, que é informativa e tem credibilidade.

  2. Marcio Macedo,

    De fato, são pontos que vale muito discutir, quando se fala em transferir tecnologia “da matriz para a subsidiária”.

    Eu não gosto muito do termo “transferência de tecnologia”, que costuma ser um saco de gatos. Quando se fala em “absorção de tecnologia”, a coisa começa a ficar mais lógica, pois para se absorver é necessário estar capacitado para tanto, seja adquirindo esse conhecimento aqui ou lá fora, desenvolvendo em conjunto o “know how” ou, principalmente, o “know why”.

    Tudo tem sua especificidade e seu preço.

    Mas não creio que se possa generalizar ou simplificar como um “modelo” único. Cada caso é um caso, e depende do que se está absorvendo: se é métodos, técnicas, formas de se produzir, se é conhecimento para projetar ou gerenciar etc.

    O fato é o seguinte, e nisso eu tenho a mesma opinião que um executivo da Thales que ouvi ontem: a absorção se dá por pessoas.

    Na minha opinião, não importa se essas pessoas estão numa subsidiária ou empresa controlada, desde que o conhecimento absorvido seja de real valor, tornando essas pessoas aptas a irem além, na sequência (seja nas subsidiárias ou em outras empresas) a produzirem conhecimento, e não apenas adquirirem.

    Desde que, evidentemente, tenham a oportunidade de aplicarem o que absorveram em novos projetos, sejam eles de aplicação civil ou militar. Do contrário, o conhecimento adquirido se perde por falta de novas aplicações, as pessoas mudam seu foco de atuação, se aposentam etc. Isso já aconteceu em outros momentos por falta de continuidade em programas, normalmente cortados por falta de recursos.

    Se é o caso do que está acontecendo no caso dos sonares, só o tempo dirá. O que vi e ouvi, está relatado aqui.

    Saudações!

  3. Mas a absorção de exatamente o que???
    Tecnologia é algo parte de um processo, mas c/ prazo de validade.
    A própria produção do radar LP-23 ilustra isto, um modelo do tempo do Dacta I, continuamente remendado, ainda sendo produzido.
    Mas que não quer dizer que seja a tecnologia mais atualizada, recente, fresca, disponível.
    O mesmo vale p/ a cabeça de busca do míssil MANSUP, que de maneira alguma deveria estar a cargo do que é de fato uma empresa estrangeira.

  4. Desde que a VW se instalou no Brasil e começou a produzir o Fusca, lá na década de 50 do século passado, a coisa parece que não saiu do lugar.
    E tem gente que acha o máximo!!!

  5. Bonitonho né!!! vamso ve funcionar e o mais importante:

    MANTER E SUPRIR COM LOGISTICA DE PÓS VENDA….
    o tempo dirá….

    Não sei porque, eu não entendo p….a nenhuma de suibmarino, ma algo me diz que sentiremos muiiita falta da logistica da HDW……

    Grande abraço

  6. Juarez, como assim algo te diz q vamos sentir falta da HDW…??? explica melhor…. já q mudamos tudo em matéria de sub justamente por causa da relação de ódio q se criou entre alemães e nós, com as molecagens q eles faziam no fornecimento de sobressalentes, com uma peça do tamanho de uma caixa de sapato custando o preço de um carro e dos grandes! Isso já foi mostrado aki no blog, na entrevista de algum Almirante submarinista ( Se não me engano, Liberatti). abçs, ericdolobo.
    p.s. Subs da MB querem ver o oco dos alemães, como se diz na MB, essa foi a volta do anzol nos alemanecos… agora se os francecos vão cumprir todas as maravilhas que fizeram para garantir a pernada nos chucrutes, vc me cobra em 2030!

  7. Tão importante como produzir tecnologia é o controle da tecnologia, para que num caso de conflagação como a Guerra das Malvinas, que opôs uma nação de terceiro mundo a um país da Europa, não fiquemos na mão. Com relação ao radar LP-23 em questão é um equipamento velho que foi atualizado com a participação mínima da engenharia nacional. Talvez a discussão que esteja precisando ser feita seja: qual é o modelo de absorção de tecnologia que nos interessa?

  8. Continuando… há muita diferença na relação da Eurocopter com o Brasil e da empresa com Coréia do Sul. No Brasil, a Helibrás é uma simples apertadora de parafusos, ganhando com isso uma reserva de mercado nas áreas militar e civil. Na Coréia, associada a grandes grupos locais, gerou tecnologia própria, produzindo uma aeronave que atenda às necessidades do país asiático.

  9. Qnto a um possível saudosismo da logística da HDW, veremos qndo do 1º PGM do submarino ora em construção, na França, qndo este for feito aqui no Brasil.
    Creio então, que não teremos que esperar até 2030, p/ tanto.

  10. uarez, como assim algo te diz q vamos sentir falta da HDW…??? explica melhor…. já q mudamos tudo em matéria de sub justamente por causa da relação de ódio q se criou entre alemães e nós, com as molecagens q eles faziam no fornecimento de sobressalentes, com uma peça do tamanho de uma caixa de sapato custando o preço de um carro e dos grandes! Isso já foi mostrado aki no blog, na entrevista de algum Almirante submarinista ( Se não me engano, Liberatti). abçs, ericdolobo.
    p.s. Subs da MB querem ver o oco dos alemães, como se diz na MB, essa foi a volta do anzol nos alemanecos… agora se os francecos vão cumprir todas as maravilhas que fizeram para garantir a pernada nos chucrutes, vc me cobra em 2030!
    marciomacedo disse:

    Read more: http://www.naval.com.br/blog/2012/08/31/vimos-de-perto-a-producao-de-sonares-para-os-futuros-submarinos-da-marinha/#ixzz25KvDopav
    Meu nobre, hoje como estou inspirado, vou te explicar pacientemente com o a liçença dos moderadores:

    Esta conversa fiada de que os alemães cobravam o preço de um automovel por uma ciaxa de sapato é explicavel, vamos aos fatos:

    Lá pelos idos de de 2004 a a Alemanha tomou uma decisão de que suas empresa não poderiam mais pagar “bonus” ao compradores de material bélico sob pena de ter que de acertarem com a justiça:

    Muito bem o que a HDW fez, criou um empresa “fantasma ” na Belgica que intermediava as negociações de “spares” com os clientes da “casa”, isto gerou custos adicionais em função da cascata de impostos e aqui no Brasil custos ainda maiores em função dos outros “sócios” que apareceream nos setores do logística da MB. Estes dois fatôres fizeram os custo de peças e serviços engordarem, mas tnha certeza que o comdante da força de Subs dabe muito bem sito, o Alm, Moura Neto também sabe, o cachorro da minha sogra sabe, o seus Gregório da quitanda também sabe, mas acho que tu não sabe, mas está sabendo agora,
    A propósito estão criando uma nova forma de ganhar um “bonus”, chamada Amazul, sabe quem será um dos diretores da dita estatal, o atual comandante da MB, o nosso amigo Moura, então meu amigo menos, bem menos….quanbto aos Franceses da DCN, apenas cobriram a oferta dos bonus proposta pelos noss amigos Alemães, e estão aí faturando um bom $$$ as custa de nós patetas que pagamos esta conta, cheia de bõnus…..

    grande abraço

  11. Complementando o post:

    Meu nobre Aericzz! Como diria o personagem do Capitão Nascimento, este é o “SISTEMA”, ele se altera, busca novas “oportunidades”, novos “parceiros”, se modifica ao sabor dos ventos e das “opções, mas como finaliza o Capitão da PM:

    TUDO ISTO CUSTO MUITO CARO E TEM ALGUÉM QUE PAGA A CONTA, penso que todos nós saibamos que são….

    Grande abraço e bom domingo a todos….

  12. Aproveitando a “inspiração”, é por estas e outras que pagamos por um Uno Mille Way com ar e direção hidráulica aqui no Brasil o que custa um Camaro top no Estados Unidos…..sem xiar……

    Grande abraço a todos…..

  13. “aldoghisolfi disse:
    31 de agosto de 2012 às 20:49
    Quanto tempo passará até que esses sonares passem a operar nos nossos subs? Não estarão obsoletos?”

    Aldo,

    Se for levar a ferro e fogo, todo novo navio já é ou está se tornando obsoleto no momento em que é terminado, independentemente do fato de ser brasileiro, norte-americano, russo, francês, inglês etc. Isso porque o desenvolvimento tecnológico não para.

    Mas, antes que o leitor do parágrafo acima entre em desespero achando que nossos futuros submarinos estariam fadados a uma obsolescência precoce, é necessário primeiro diferenciar o que é um equipamento cuja tecnologia é madura, dos que têm tecnologia recente ou em desenvolvimento.

    Pode-se especificar num projeto novo de navio um equipamento com tecnologia ainda não desenvolvida plenamente, um sistema que nem tenha chegado ainda ao protótipo, por exemplo, para que quando o navio fique pronto esteja mais à frente do que qualquer outro no mundo.

    Mas, há o risco de que, quando isso aconteça, o equipamento não tenha acabado seu desenvolvimento, esteja com inúmeros problemas ou tenha até sido abandonado por falhar miseravelmente. Isso já aconteceu diversas vezes em projetos das mais variadas origens submetidos à pressa para serem mais competitivos que ameaças futuras (algumas das quais muitas vezes também não se concretizam)

    Por isso, é mais usual que se especifique, para um novo navio, equipamentos que estejam no chamado “estado da arte” (o mais moderno disponível, mas já desenvolvido e em produção) ou no “estado da arte comprovado” (o mesmo que o anterior, mas acrescido de já estar em serviço há tempo suficiente para ter seu desempenho aferido como comprovadamente eficaz, cumprindo as missões às quais se destina).

    Pode-se, também, especificar uma versão mais recente de um equipamento já em serviço, o que diminui também os riscos. É como especificar o mais novo membro de uma família de equipamentos.

    Por exemplo: os submarinos que uma marinha já usa disparam o torpedo X mk1, comprovadamente eficaz mas que já tem uma versão mais nova prestes a entrar em testes: o torpedo Xmk2. Este último promete um desempenho superior e, como é um desenvolvimento de uma família e não algo muito diferente, pode usar o mesmo sistema de combate, o mesmo tubo de lançamento etc. Assim, no caso de uma eventual falha no desenvolvimento do torpedo X mk2, nem tudo está perdido: ainda se pode usar o mk1 no novo submarino, que não ficará “desdentado” por não ter uma arma pronta.

    E por aí vai.

    Normalmente, a produção dos equipamentos que serão instalados num navio (ou submarino, como no caso) é feita ao mesmo tempo em que se constrói os cascos etc. E alguns equipamentos, que já serão instalados nas seções dos cascos antes da união das mesmas, como os motores, começam a ser produzidos ainda antes – são os chamados long lead time items.

    Por isso mesmo, não sei se a sua pergunta poderia receber um sim como resposta.

    Provavelmente, o dito sonar está no “estado da arte” ou “estado da arte comprovado”, compatível com o que existe e existirá, no momento em que entrar em serviço, com os de submarinos ao redor do mundo. É possível até que incorpore alguns desenvolvimentos mais recentes, uma customização para necessidades brasileiras etc. Mas, provavelmente, pelo fato de já estar sendo montado para testes e posterior instalação no futuro submarino (e com esse trabalho sendo feito a tempo de gerar um envolvimento da engenharia nacional no processo), acredito que seja um sonar que hoje esteja no chamado “estado da arte” e que se prevê que continue competitivo ao longo da próxima década e meia ou duas décadas, quando então poderia ser substituído por algo mais moderno numa atualização de meia vida do submarino.

    A não ser que tenha sido especificado, para os novos submarinos, um sonar que já esteja obsoleto hoje. Isso é coisa que às vezes acontece em projetos de navios, por motivos variados. Mas acredito que não seja o caso.

    Em resumo: projetos de navios (e muitos outros equipamentos militares) costumam ser obras de muitos anos entre a concepção, especificações e sua entrega. Muitos novos desenvolvimentos ocorrem nesse meio-tempo, sem dúvida, mas muitas vezes essas novas tecnologias só atingem a maturidade muito tempo depois.

    Certamente, hoje, são pesquisadas tecnologias de sonar que tornarão obsoletos os atuais equipamentos. Pode até ser que um protótipo, concluído hoje mesmo ou daqui a poucos anos, mostre um desempenho tão superior que decrete a obsolescência dos demais. Mas este ainda precisaria mostrar desempenho confiável, índice de falhas compatível com emprego operacional, entrar em linha de produção, atingir uma certa quantidade de horas de emprego, ter sua linha logística e de manutenção devidamente estabelecida, etc.

    Isso leva tempo.

    Espero, nessa explicação acima, ter contribuído para você mesmo responder à sua questão, ou para que qualquer um que pesquise sobre o modelo de sonar especificado para nossos submarinos possa analisar o caso e responder, levando isso tudo em conta.

  14. Prezado Juarez, obg pela “paciência” em se dignar a me responder… adoro isso aki justamente por isso!!!
    mas sou obrigado a dizer q não concordo em tudo sobre o q vc disse… mas veja bem, isso não quer dizer q somos inimigos e não duvido q não exista o q vc diz q aconteceu ou acontece! rsrsrsrsrs.
    olha, quem conhece um pouco o sistema de compras e abastecimento da MB, e nisso os moderadores deverão concordar, sabe q existe um órgão encarregado de aquisições especificamente para a Europa, a CNBE, e q ao longo do tempo procurou-se adaptar-se ao sistema vigente de fornecimento, para os equipamentos dessa origem, a da OTAN, onde se cataloga, cadastra e se registra todos os itens e fornecedores sob numeros de identificação, pois bem, apresentando à dita organização um pedido dentro dessas regras, o fornecedor original do item é contatado e solicitado a fornecer o item cadastrado ( e q muitas vezes já existe o preço tb cadastrado, afinal inflação galopante só existe neste hemisfério) portanto até aonde eu sei… sei intermediários, tipo a finada casa mayrink veiga, q alguns sempre lembram por aki.
    Quanto ao futuro emprego do Alte. Moura Neto… acho q a Amazul foi criada com a melhor das intenções….rsrsrsrs se é q vc me entende… mas…. acho q ele está num nível acima disso… tipo um posto a nível de ONU, rsrs, entende?
    Mas enfim…. fica aquela coisa….
    Eu não acredito em bruxas…. mas q elas existem…!!!!! e não duvido de nada q vc disse!

  15. portanto até aonde eu sei… sei intermediários, tipo a finada casa mayrink veiga, q alguns sempre lembram por aki.

    Quis dizer: sem intermediários,

  16. Grande Nunão! Obrigado pela paciência. Realmente, concordo com tudo o que dissestes. A minha pergunta era para puxar alguma discussão sobre o que eu acho de mais importante nessa história toda: a nossa falta de eficiência tecnológica causada pela absurda falta de pesquisa, especificamente em relação aos eletrônicos em geral.
    Mais uma vez, gracias.

  17. Caro Aericzz! Eu sei que o nobre é da “casa”, portanto sabe muito bem como ela “funciona”, mas como diria o poeta Jaime Caetano Braun: “Em Bruxas yo no creio, pelo que los hay, los hay”…….

    Grande abraço

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here