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Relatório aponta graves problemas de desempenho no futuro porta-aviões da USN

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DCS09-371-8 Northrop Grumman Shipbuilding Newport News file

O mais novo porta-aviões da Marinha dos EUA , um gigante de bilhões de dólares que é o primeiro de uma nova geração de navios, está envolvido com uma série de problemas de desempenho, até mesmo não passando nos ensaios para comprovar sua capacidade de lançar e recuperar jatos de combate , de acordo com uma avaliação interna pelo Pentágono.

Os testes iniciais estão levantando preocupações de que o USS Gerald R. Ford, batizado em homenagem ao 38º presidente em novembro passado, talvez não possa atender à meta da Marinha dos EUA (USN) de aumentar significativamente o número de lançamento de aviões – e pode até ser menos eficaz do que unidades mais antigas. O porta-aviões está passando por testes em um estaleiro da Virgínia e tem previsão de entrega para a Marinha em 2016, com um preço estimado em mais de US $ 12 bilhões.

Pelo menos quatro componentes cruciais, que ainda estão sendo instalados no navio, estão sob risco por causa de sua baixa ou desconhecida confiabilidade, afirma a avaliação de testes de 30 páginas, que foi entregue no mês passado para o secretário de Defesa Chuck Hagel e outras altas autoridades do Pentágono.

Além do sistema de lançamento e recuperação de aeronaves, as autoridades também estão preocupadas com o seu sistema de radar avançado, que está sendo produzido pela Raytheon. Também ainda não está claro se o elevador de armas funcionará como prometido.

“A baixa confiabilidade desses sistemas críticos poderia causar uma série atrasos em cascata durante as operações de voo, podendo afetar a capacidade [do navio] para gerar saídas, tornar o navio mais vulnerável a ataques ou criar limitações durante as operações de rotina”, segundo uma cópia do relatório obtido pelo Boston Globe.

Uma série de outros sistemas, tais como equipamentos de comunicações, por sua vez , estão abaixo dos padrões aceitáveis​, de acordo com a avaliação feita por J. Michael Gilmore, diretor de testes e avaliação operacional do Pentágono. Gilmore concluiu que a Marinha tem pouca escolha além de redesenhar componentes-chave do navio.

DCS09-371-5 Northrop Grumman Shipbuilding Newport News file

O contra-almirante Thomas J. Moore, diretor executivo do programa para os porta-aviões, defendeu o progresso do navio em uma entrevista e expressou confiança de que, nos dois anos antes da entrega, a Marinha e seus contratantes irão superar o que ele reconheceu como vários obstáculos.

“Com estas novas tecnologias vem um monte de desafios de desenvolvimento”, disse Moore , um engenheiro nuclear formado pelo MIT. “Não concordamos com as caracterizações dos riscos. O navio . . . vai ser um navio fantástico que irá fornecer recursos que [a frota atual] não tem.”

Mas a Marinha se recusou a discutir detalhes da avaliação, dizendo que era um documento interno e não foi tornado público. Também não poderia dizer como os problemas podem afetar o cronograma de entrega, de custo ou a eficácia em combate. O contratante principal do navio, o estaleiro Newport News Shipbuilding , também se recusou a discutir as conclusões do relatório.

O navio teve a sua quota de críticas no passado. O Escritório de Prestação de Contas do Governo (GAO), o braço investigativo do Congresso, descobriu no ano passado que o custo de produzir o navio havia subido 22% a partir das previsões originais.

O Escritório de Contabilidade recomendou adiar a construção do segundo navio da classe, o USS John F. Kennedy, até a Marinha e seus contratantes terem um melhor controle sobre uma série de tecnologias não provadas.

Um terceiro navio da nova classe, o USS Enterprise , está em desenvolvimento e a Marinha poderia comprar até mais oito embarcações.

Com 1.106 pés de comprimento, os navios da classe Gerald Ford são os primeiros porta-aviões recém-projetados em mais de 30 anos. Ele tem 25 andares e 250 metros de altura. Eles devem substituir alguns dos 11 porta-aviões da classe Nimitz , que estreou em 1980.

A maioria dos novos sistemas de armas do Pentágono encontra problemas de desenvolvimento e de engenharia. Neste caso, a marinha ainda tem dois anos antes da entrega programada para trabalhar em soluções.

USS Gerald R. Ford CVN 78 Upper Bow Lift

Mas a avaliação de Gilmore, que foi baseado em uma avaliação de um ano do Gerald Ford, concluída em setembro de 2013, é a indicação mais forte até agora de que a Marinha pode estar aquém de sua meta de aumentar o número de voos de combate a partir de um navio.

Cerca de 60% do navio, que, como seus antecessores terá propulsão nuclear, está baseado no desenho do Nimitz , enquanto os restantes 40% consiste inteiramente de novos componentes – incluindo um convés de voo maior e sistemas de alta tecnologia. É muitas dessas novas tecnologias que estão encontrando problemas graves, disseram as autoridades do Pentágono.

O mais importante deles é o chamado sistema de lançamento de aviões através de catapulta eletromagnética , que é a substituição do sistema de vapor muito utilizado para lançar jatos. O novo sistema possui um motor elétrico linear de 100.000 cavalos de potência, com uma lançadeira que acelera ao longo de um trilho gigante. Estas catapultas  possuem a capacidade de lançar múltiplas aeronaves, uma após a outra, a um ritmo alto.

Testes baseados em terra, em Nova Jersey, têm demonstrado uma taxa de confiabilidade de apenas 240 lançamentos sem uma falha, quando deveria ser acima de 1.250 lançamentos sem falhas nesta fase de desenvolvimento do Gerald Ford.

Enquanto isso, um sistema conhecido como o cabo de parada avançado, que é projetado para recuperar aeronaves com cabos esticados através do convoo, é igualmente não confiável, de acordo com o relatório. Nos testes, o sistema de cabos tem uma média de 20 pousos bem-sucedidos sem falhas. Isto é muito menos do que a média de 4950 pousos sem falhas que o sistema deveria possuir. O objetivo final é para que o sistema funcione 16.500 vezes sem falhas.

A menos que os diversos problemas sejam resolvidos, os testadores de armas do Pentágono advertiram, o Gerald Ford não vai ser capaz de lançar o número de missões em tempo de guerra previstos pelos planejadores da Marinha e dois porta-aviões podem ser necessários para alcançar o mesmo efeito de um.

Os sistemas de lançamento e aterragem são construídos pela General Atomics com sede na Califórnia . Gary Hopper, vice-presidente da empresa, se recusou a responder às perguntas.

“Gostaria de reorientar suas perguntas para o nosso cliente”, disse ele. “Não é nossa política falar pela Marinha sobre este ou outros programas.”

Ronald O’Rourke , analista naval no Serviço de Pesquisa do Congresso e especialista em programas de construção naval, disse que o primeiro navio de uma nova classe tradicionalmente enfrenta desafios tecnológicos significativos e crescimento dos custos.

“Navios que lideram classes tendem a ser difíceis”, disse ele. Ainda assim, acrescentou, “o número de novas tecnologias neste navio não é extraordinário. ”

O almirante Moore não aborda diretamente as preocupações do Pentágono sobre os novos sistemas de lançamento e recuperação , mas disse que a tecnologia não era tão futurista ao ponto dos problemas não serem solucionáveis.

” Isto não é como um laser ou um torpedo de prótons”, disse ele, observando que os sistemas de energia semelhantes são usados ​​em montanhas-russas em parques de diversões.

Mas ele reconheceu que a quantidade de energia elétrica que a Marinha precisa gerar para lançar e recuperar centenas de aviões a cada dia no convés de um porta-aviões no mar é único.

“Na escala que estamos trabalhando, não fizemos isso antes”, disse ele.

A avaliação também levantou preocupações sobre o progresso do chamado radar de banda dupla que Raytheon em Rhode Island está ajudando a desenvolver.

O radar, que está atualmente em testes ao longo da costa da Virgínia, supostamente deveria ser capaz de realizar múltiplas tarefas: realizar controle de tráfego aéreo, varrer os céus e o horizonte de potenciais ameaças, e colher dados dos alvos que podem ser alimentados nos computadores do sistemas de armas.

“Há pouca informação sobre a confiabilidade”, conclui a avaliação sobre o novo radar, apesar de uma estimativa informar que 86% dos componentes do sistema já foram entregues à Marinha . A Raytheon não respondeu aos pedidos de comentários.

Moore, no entanto, disse que a Marinha continua confiante no novo radar, embora tenha reconhecido que o teste tem sido limitado com o navio no porto, onde seu pleno poder não pode ser utilizado  “a menos que você deseja desligar a TV de todo mundo em Norfolk.”

Moore previu que o navio irá superar seus obstáculos antes de passar para o setor operativo.

FONTE: Boston Globe (tradução e edição do Poder Naval a partir do original em inglês)

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22 COMMENTS

  1. É o preço do vanguardismo. Tanto ele o GF, como parte de seu grupo aéreo embarcado, representado pelos Lightnings, vão atravessar o caminho inarredável da evolução do campo de batalha.

    É certo que o atual contexto geo-político sem inimigos bem delineados, ondas de crise financeira, imprensa livre (quase anárquica com as novas mídias de comunicação), formam um controle social implacável num processo dado naturalmente a percalços, mas como dito, inarredável.

    É o preço do vanguardismo e da liderança que se pretende manter no amanhã. Ela começa hoje.

  2. O radar é basicamente o mesmo do DDG-1000.
    Quanto aos problemas, já vi esse filme antes. Falavam tão mal do LDP San Antonio há alguns anos que eu achava que ele nunca ira sair do porto.
    O pessoal lá pega pesado!
    Já por aqui, se falar que o São Paulo é feio o infeliz é considerado traidor da Pátria.

  3. “Navios que lideram classes tendem a ser difíceis”, disse ele. Ainda assim, acrescentou, “o número de novas tecnologias neste navio não é extraordinário. ”

    Os “sistemas de lançamento e recuperação” não são compostos por conjuntos de catapultas, cabos de arresto e seus complementos e elevadores? Fico me perguntando o que pode haver de tão errado com esses sistemas. Talvez problemas de projeto que, numa unidade que nem tão inovadora é, como este novo tipo de NAe, seriam inevitáveis. Imagino que serão resolvidos ao longo do desenvolvimento do projeto.

    Agora, como disse o Ozawa, no atual contexto estratégico global, de “baixa intensidade”, é interessante especular como devem estar acontecendo as “batalhas pelo orçamento”. no Congresso. E, principalmente, como os planejadores explicam um gasto de 70 bilhões de dólares em 25 anos (parece que é o que pretendem gastar com 5 unidades que estão sendo propostas).

  4. Caro Bosco

    Podemos voltar mais ainda no tempo e lembrar como o revolucionário sistema AEGIS foi duramente atacado quando os Ticonderoga entraram em operação.

    Hoje em dia, ninguém projeta um navio de defesa aérea sem ter algo parecido com o SPY-1.

  5. Não que mude muita coisa, mas só corrigindo…

    “Eles devem substituir alguns dos 11 porta-aviões da classe Nimitz , que estreou em 1980.”

    10 Nimitz foram construídos e os dois primeiros foram comissionados em 1975 e 1977.

    A idéia é que 11 Gerald Ford sejam construídos no lugar dos 10 Nimitz e do Enterprise já que o Congresso determina uma força de 11 NAes mas permitiu temporariamente uma queda para 10 entre o inicio da desativação do Enterprise, dezembro de 2012, até o comissionamento do Ford em 2016 que estava programado para 2015 e poderá ser alterado de novo.

    Há também um errinho de tradução,

    “Um terceiro navio da nova classe, o USS Enterprise , está em obras…”

    No original usaram a expressão “in the works” que significa em desenvolvimento, na verdade nem o segundo da classe teve sua construção iniciada para valer e estão adiando o comissionamento do que será o futuro USS John F Kennedy em uns bons dois anos.

  6. O Poder Naval em países como os EEUU e o Reino Unido é um verdadeiro interesse de Estado. O estudo de assuntos militares no meio civil conta com uma elite acadêmica bem consolidada há anos, centenas de anos, e daí com representação sólida nos respectivos parlamentos. Podem, assim, interferir com propriedade não só em aspectos estratégicos e táticos, mas mesmo técnicos.

    Estamos longe, muito longe disso. Ficamos, assim, carreados por interesses, exclusivamente, militares-corporativos, caprichos indecorosos, que nos levam a ter uma Marinha de Guerra sem rumo ! Não temos uma política naval factível, crível, possível, apenas risível.

    Os problemas de lá, como informam o post, se de fato existem, são derivados da evolução tecnológica do campo de batalha, que antes do inimigo tem de ser enfrentada, não de uma concepção errada de estratégia naval, do uso tático de um NAe, da capacidade de projetar, construir, operar e manter um carrier, ou da drenagem de homens e recursos de outras atribuições navais. Ao contrário daqui onde não temos nada, e o que temos, se é que temos, é justificado por um “navio-doutrina”, um “navio-escola”…

    A bem da verdade o NAe São Paulo é um “navio-jardim-escola”, com pequenos almirantes a bordo brincando com a verdade…

  7. Graves problemas tem é nosso P.A., que não tem sistema de auto defesa, não tem radar, nada funciona, não tem aviões (e não tem mesmo), não tem uma frota que o acompanhe, não tem dinheiro.

    De resto, como disse Ozawa, estamos no pré maternal, tendo ainda as tias de trocar as fraldas, várias vezes por dia por sinal.

  8. Bem lembrado Groo.

    Se eles tem esses problemas com um Porta Aviões que eles dominam como fabricar um, imagina um país ao sul do equador que deseja fazer um vazo nuclear…

    ST

  9. Se uma simples catapulta eletromagnética tá dando esse problema todo então podemos desistir de vermos um porta-aviões voador propulsado por 4 ducted-fans eletromagnéticos de 80 metros de diâmetros.
    rsrsssss

  10. Uééé não era uma indústria perfeita e infalível ??? Os deuses errando ??? nããããooo…

    Bom, o negócio é esperar e ver como que as coisas vão ser, problemas são normais, a questão é se os problemas forem grandes demais, não teria sido mais fácil apenas atualizar a classe Nimitz ???

    Outra pergunta : Os Nimitz tambem não tiveram problemas no começo ???

    A China termina de fazer o seu, a Índia recebe um mais ou menos novo, o Japão faz os seus ISEs da vida, a Rússia faz avioes novos para o seu…, os USA fazem um novo.

    E o Brasil… concordo com vc Bosco, nesse ponto : falar mal do A 12 era considerado ato anti-patriotico.

    Ridículo… se o tivessem batizado de José Sarney em vez de São Paulo, nossa, muitos aqui já estariam presos… KKKKKKKKKKKKK !!!!

    🙂

  11. “Os Nimitz tambem não tiveram problemas no começo ???”

    A US Navy já tinha experiencia com propulsão nuclear para NAes, o Enterprise tendo sido comissionado quase 15 anos antes do Nimitz, também o convoo era baseado no do John Kennedy de 1968, as catapultas, aparelho de frenagem e radares por exemplo eram os mesmos usados em NAes anteriores.

    Em pouco mais de um ano após o comissionamento o USS Nimitz partiu para sua primeira missão de seis meses, um feito notável.

    O futuro USS Gerald Ford é algo bem diferente e talvez eles devessem ter construido mais um Ronald Reagan/George Bush, esses dois sendo já uma melhoria
    pequena em relação aos primeiros Nimitz e deixar amadurecer mais todas as novas tecnologias que eles estão querendo implementar.

    O futuro USS Gerald Ford já está atrasado, já teve seu comissionamento mudado e pelo andar da carruagem
    não estará pronto para sua viagem de longa duração inicial, “maiden deployment” em 2018, cerca de dois anos após o comissionamento que é o normal.

    É o preço de se estar na vanguarda como Ozawa comentou, mas ao mesmo tempo um período economico delicado.

    Mas se as dificuldades forem superadas o futuro USS Gerald Ford será mais do que o revolucionário Enterprise de 1961, foi.

  12. Caro Wágner, “indústria perfeita e infalível” só a dos Alien Gray. Ou aquela de chineses e russos, em que ninguém fica sabendo de nada, a não ser que alguém se disponha a fazer o papel de mártir, porque no mínimo vai parar em cana pelo resto da vida… 😉

    Americanos são assim: dão publicidade aos erros, que é justamente para que estes sejam corrigidos, através da pressão que a opinião pública exerce sobre seus governantes.

    Não à tôa, eles mandam no mundo…

  13. Aos colegas em geral, muito bom ter lido tudo até agora..

    Debate técnico, afinal o tema contribui muito para observações, reflexões e comentários.

    Parabéns mesmo.

    Caro Vader

    “Vader
    15 de janeiro de 2014 at 6:23 #”

    Quanto aos russos eu não sei, mas na China morre muita gente em estaleiros por falta de segurança.

    E não é somente em estaleiros tá.

    Leis de proteção ao trabalhador sob todos os aspectos é piada na china, principalmente se envolver interesses estratégicos do Estado.

    Quanto ao Tio Sam, concordo 100% contigo.

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