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Exercício naval Malabar de Índia-EUA-Japão é uma mensagem para a China

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MiG-29K da Índia sobrevoa o USS Nimitz

A mensagem para a China é a mesma que para o resto do mundo, que é seguir as normas internacionais em vez de aumentar o número de submarinos chineses no Oceano Índico

Por Gaurav C Sawant

Aviões de combate F/A-18 Super Hornet se alinham ao longo do convés de 4,5 hectares do porta-aviões USS Nimitz da US Navy, navio de guerra de 98 mil toneladas, no Golfo de Bengala.

O navio navega a cerca de uma centena de milhas náuticas na costa de Chennai. Um após o outro, uma dúzia de aviões são catapultadas para o céu em menos de dois minutos cada. O objetivo é dominar os céus à medida que os aviões P-8A e P-8I Poseidon dos EUA e da Índia realizam operações de reconhecimento marítimo e de guerra antissubmarino de longo alcance para dominar os mares.

Vinte e um navios, incluindo dois submarinos e mais de 100 aeronaves e helicópteros dos EUA, Japão e Índia estão atualmente realizando o exercício naval mais complexo no Golfo de Bengala, com o objetivo de perseguir submarinos inimigos.

“Este é o exercício mais complexo realizado pelas três marinhas em conjunto. O INS Vikramaditya, porta-aviões da Índia com sua aeronave MiG-29K e aeronaves de reconhecimento P-8I estão participando neste exercício pela primeira vez. A Força Marítima de Auto-Defesa do Japão também enviou a mais poderosa plataforma de armas, o JS Izumo, com nove helicópteros de guerra antissubmarino pela primeira vez.

Caças F/A-18 Super Hornet da US Navy e MiG-29K da Marinha Indiana voam juntos na Malabar 2017. Foto: Marinha Indiana

Uma mensagem para a China beligerante
“A Marinha dos EUA tem este porta-aviões, submarinos da classe Los Angeles, destróieres e cruzadores, aviões de combate, helicópteros e aviões P-8A para exercícios conjuntos de caça de submarinos e domínio do mar”, diz um alto oficial participando como observador.

Embora em registros oficiais os três países insistam que as operações são sobre interoperabilidade e colaboração para trabalhar em conjunto, desde alívio de desastres de ajuda humanitária até a pirataria, sob a superfície eles admitem que o exercício é uma tentativa de enviar um sinal a um agressor cada vez mais beligerante, a China.

O objetivo é dar um xeque-mate na China. “O exercício destina-se a promover a coordenação militar e militar e a capacidade de planejar e executar operações táticas em ambientes multinacionais. Haverá exercícios de tiro real, operações “cross-deck” com helicópteros e guerra antissubmarino”, diz o Contra-Almirante William Byrne, Comandante do US Carrier Strike Group.

Caças F/A-18 Super Hornet da US Navy e MiG-29K da Marinha Indiana sobrevoam o USS Nimitaz na Malabar 2017

Submarinos chineses no Oceano Índico
A mensagem, para a China, ele insiste, é a mesmo que para o resto do mundo, que é seguir as normas internacionais. A Marinha Indiana está buscando helicópteros de guerra antissubmarino no mercado e prestará atenção nas capacidades dos helicópteros MH-60R ASW.
Os submarinos da Marinha Chinesa estão cada vez mais à espreita na região do Oceano Índico. “Precisamos de uma melhor tecnologia e mais plataformas para acompanhar a crescente pegada do Dragão. Esse exercício é um passo na direção certa”, acrescenta. À medida que as marinhas refinam sua interoperabilidade, a mensagem não está perdida.

Hoje, as três poderosas forças marítimas estão operando na região do Oceano Índico. Amanhã, se necessário, as três marinhas junto com seus aliados também podem operar em alto mar — do Mar  Árabe do Norte ao Mar da China Meridional.

O porta-aviões INS Vikramaditya participa da Malabar pela primeira vez

FONTE: India Today

17 COMMENTS

  1. Forma-se a impressão de que todos estão se preparando para guerra. No entanto, quanto mais armas menos guerra. Por outro lado, o cérebro humano desenvolve exatamente aquilo em que ele é focado. Quem pensa em guerra um dia termina desencadeando-a. Quando será?

    Parabéns, Poder Naval, excelente matéria.

  2. O rápido crescimento militar da China, o lançamento de porta-aviões e uma marinha oceânica cada vez mais numerosa e poderosa, está a provocar o realinhamento das alianças militares na Ásia. a Índia está cada vez mais a modernizar-se e a comprar material de guerra sofisticado dos Estados Unidos. É uma aproximação militar e politica, daí o Japão também participar, só falta mesmo a Coreia do Sul. A China aproximou-se do Paquistão, aliado tradicional americano. O domínio do Golfo Pérsico, do Oceano Índico em geral e do Pacífico volta a ser muito importante.
    Os estreitos de Ormuz e de Malaca voltam a ter uma importância estratégica enorme para as grandes potências marítimas mundiais como aconteceu no início do século XVI quando os portugueses dominaram aquelas paragens e o grande almirante Afonso de Albuquerque conquistou todos aqueles pontos estratégicos. Para quem gosta de História aqui vai uma pequena passagem da conquista de Malaca no século XVI.
    “Afonso de Albuquerque (Alhandra, 1453 — Goa, 16 de dezembro de 1515), nomeado O Grande, o César do Oriente, o Leão dos Mares, o Terribil e o Marte Português, foi um fidalgo, militar e o 2.º Vice-Rei e Governador da Índia Portuguesa, cujas ações militares, religiosas e políticas foram determinantes para o estabelecimento do Império Português no oceano Índico.
    Afonso de Albuquerque é reconhecido como um génio militar pelo sucesso da sua estratégia de expansão:[1] procurou fechar todas as passagens navais para o Índico – no Atlântico, Mar Vermelho, Golfo Pérsico e oceano Pacífico – construindo uma cadeia de fortalezas em pontos-chave para transformar este oceano num mare clausum português, sobrepondo-se ao poder dos otomanos, árabes e seus aliados hindus.[2]
    Destacou-se tanto pela ferocidade em batalha como pelos muitos contactos diplomáticos que estabeleceu. Nomeado governador após uma longa carreira militar no Norte de África, em apenas seis anos – os últimos da sua vida – com uma força nunca superior a quatro mil homens sucedeu a estabelecer a capital do Estado Português da Índia em Goa; conquistar Malaca, ponto mais oriental do comércio Índico; chegar às ambicionadas “Ilhas das especiarias”, as ilhas Molucas; dominar Ormuz, entrada do Golfo Pérsico; e estabelecer contactos diplomáticos com numerosos reinos da Índia, Etiópia, Reino do Sião, Pérsia e até a China. Áden seria o único ponto estratégico cujo domínio falhou, embora tenha liderado a primeira frota europeia a navegar no Mar Vermelho, a montante do estreito Bab-el-Mandeb. Pouco antes da sua morte foi agraciado com o título de vice-rei e “Duque de Goa” pelo Rei D. Manuel I, que nunca usufruiu, no que foi o primeiro português a receber um título de além-mar e o primeiro duque nascido fora da família real. Foi o segundo europeu a fundar uma cidade na Ásia, sendo o primeiro, Alexandre o Grande.”
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_de_Albuquerque.

  3. Bom dia e desde quando destituir governos a força è lei Internacional? E se a China e a Rússia se unirem perante essas ditas leis internacionais o que será que pode acontecer????

  4. Exercicio impressionante. Pode-se dizer que a China teria imenso trabalho com Japão, Índia e Austrália antes mesmo dos Estados Unidos entrarem no teatro de operações. E sabemos que mesmo com o aumento do tamanho da marinha chinesa, ainda assim ela tomaria uma surra da US Navy.

  5. Tuga, ninguém falou em destituir governos. E as leis internacionais são acordadas também por Rússia e China. Se eles simplesmente as ignorarem acabarão se tornando Estados párias. Existiriam consequências. Da mesma forma que sugeriu isso de Rússia e China, qualquer país pode simplesmente tomar a atitude que achar necessária para garantir a sua soberania.

  6. Essa formação de F/A 18 Super Hornet e Mig 29K é muito bela. E os Mig são mais bonitos. O que não quer dizer mais efetivos.

  7. Mensagem até o Brasil passa, agora se importar com a mensagem, duvido. Nem devem ter considerado. Ainda mais num país comandado por um demente que está arruinando os EUA.

  8. Agora, em relação as fotos… que coisa linda. Formação mto bela com os Mig. Sou suspeito em falar, pois pra mim o avião mais belo (em todos aspectos) sempre será o F-18SH. Quem já pôde ver ele voar de perto, nunca mais se encanta com F-16 e afins.

  9. A situação está tensa por lá, parece que a China está disposta a tomar o Bhutan para ela do mesmo jeito que está fazendo com as ilhas no sul do mar da china. Não sei o que chineses acham que vão ganhar arrumando conflito territorial com todos os países da região, só vão conseguir uma aliança de vários países contra eles.

  10. Interessante notar que os Mig29K não diferem muito em tamanho quando comparados aos SH, ao menos visualmente. Realmente o design cresceu com o tempo.

  11. O USS Nimitz é um dos 2 NAes que tiveram seus esquadrões com 4 aeronaves E-2Cs trocados por esquadrões com 5 aeronaves E-2Ds…uma aeronave à mais e também mais avançada.
    .
    O outro NAe operando o E-2D também está em missão, trata-se do USS Ronald Reagan baseado
    no Japão que encontra-se participando de um exercício com os australianos.

  12. Admiral Dalton,
    .
    Interessante a opção da US Navy em reforçar em 20% (nº de aeronaves) seu esquadrão AEW enquanto reduziu ao longo do tempo seus esquadrões de caça e ataque (de 5 para 4) e até mesmo o número de caças por esquadrão.
    .
    Há motivos para isso (sempre há).
    .
    Talvez – quem sabe – passa pela ‘modernidade’ do E-2D usar seu novo sistema Cooperative Engagement Capability para engajar mísseis de cruzeiro além do horizonto dos navios com mísseis Standard SM-6 disparados de várias plataformas (Burkes e Ticos) ligados através de um sistema de controle de fogo integrado.
    .
    Mas esse assunto é melhor deixar para o Mestre Bosco. 🙂
    .
    Abç.,
    Ivan, o Terrível.

  13. Ivan…
    .
    Assim como 4 E-2Cs não estavam dando conta os 5 EA-18G também não dão para uma situação ideal de ter 3 EA-18G no ar ao mesmo tempo operando com 1 E-2C/D …estudos foram feitos nesse sentido, mas, para se ter 3 no ar quando necessário, seria necessário um esquadrão com 8 aeronaves…3 no ar, 3 se preparando para substituir o primeiro grupo e duas em manutenção.
    .
    O problema é encontrar dinheiro para 3 aeronaves extras não apenas para as 9 Alas Aéreas,
    mas para os esquadrões expedicionários que operam a partir de terra e que se revezam com os embarcados…há apenas um esquadrão de E-2C/D para cada Ala Aérea e nenhum expedicionário então foi bem mais fácil acrescentar um único E-2D.
    .
    Restrições orçamentárias diminuíram o número de aeronaves de caça e ataque…o mínimo estabelecido hoje é de 44…2 esquadrões com 12 e dois esquadrões com 10, melhores armas e
    sensores permitem maior precisão e a taxa de surtidas aumentou, aproveita-se mais o menor número de aeronaves.
    .
    Como alguns FA-18s são empregados na função de reabastecimento…há um rodízio a bordo,
    e não aeronaves específicas, espera-se que na próxima década ao menos 4 aeronaves não tripuladas serão utilizadas nessa tarefa liberando mais aeronaves para caça e ataque.
    .
    abs

  14. Admiral Dalton,
    .
    Pelo que tenho lido e de acordo com seus argumentos, com os quais concordo, a US Navy tem observado a necessidade de aumentar os meios destinados a guerra eletrônica.
    .
    Em que pese um único EA-18G Growler ser capaz de desempenhar uma importante missão de reconhecimento eletrônico (literalmente farejando os sinais inimigos), sua missão de ataque envolveria mais aeronaves do mesmo tipo, inclusive para triangulação.
    O número que você indicou – três aeronaves – é o mesmo que tenho lido nos textos da internet. Assim sendo, cada ala aérea (Air Wing) seria capaz de despachar apenas um pacote de ataque por vez com apoio eletrônico completo. Mesmo assim, seria um pacote e tanto.
    .
    Mas na questão de defesa aérea da frota o papel do E-2D Advanced Hawkeye cresceu significativamente, tendo seu radar APY-9 (pelo que entendi seria AESA – Active Electronically Scanned Array) suposta capacidade de aeronaves stealth (ou do tamanho equivalente).
    .
    Esta capacidade combinada com link de dados mais rápido e integração com sistemas de outras plataformas (Burkes e Ticos) pode representar um novo paradigma, onde a própria aeronave AEW vai designar, apontar e dirigir um míssil antiaéreo até o alvo, ou até que este míssil possa travar no alvo com seus próprios meios.
    .
    Em um cenário em que o ataque de mísseis de cruzeiro antinavio por saturação seria A tática empregada contra os CSG – Carrier Strike Group norte americanos, notadamente em voo sea skimming, ter um reforço neste multiplicador de forças seria mais que conveniente.
    .
    Abç.,
    Ivan.

  15. A medida que o poderio chinês crescer países com Índia e Japão irão cada vez mais procurar boas relações com a China e se afastar dos EUA, é uma lógica pragmática, é oque está acontecendo com as Philipinas, é oque aconteceu a tempo atrás com o Paquistão, um por um os últimos aliados dos EUA na Ásia irão se aproximar da China, o Iraque está se afastando dos EUA e se aproximando da Rússia, essa parceria entre China e Rússia é um poder sem precedentes, os países nessa região não terão como ter uma posição antagônica à chineses e russos, e isso irá acelerar ainda mais a degradação econômica dos EUA

  16. A China é que é beligerante? Sem esta. Quem invade países “para levar a democracia? A China? Não. Quem lançou as primeiras bombas desnecessariamente sobre civis em agosto de 1945? Foi a China? NÃO. Quem teve o território invadido na Segunda Grande Guerra? Foi o Japão? Não. Vamos acabar com esse trololó hipócrita de que a China é o vilão da história. Todos estamos carecas de saber que os arrogantes EUA estão por trás de tudo que é nocivo ao mundo. São uma toupeira, governados por um TOUPEIRÃO que com seus seguidores amestrados acham que numa guerra total algum deles escapa. Não à guerra. Não à dominação do mundo pelo Ocidente. Será mesmo que Índia, Paquistão e Europa ocidental pensam escapar sob as asas da águia americana? Serão os primeiros a serem, literalmente, reduzidos a cinzas. Espero que essa insensata corrida armamentista resulte em uma paz duradoura. Alguém já disse alhures: “se queres a paz, preparar-te para a guerra”.

  17. Camillo Abinader

    Japão e Índia com “boas relações” com China?

    Japão e Índia estiveram em guerra com a China não faz muito tempo, no na Guerra Sino Japonesa nem houve um tratado de paz ou pedidos de desculpas, e tem litigio de territórios, ilhas Senkaku (assim chamadas pelos Japoneses), e Arunachal Pradesh (assim chamada pelos indianos).

    Eu vejo mais ódio entre chineses e japoneses, chineses e indianos, do que alemães e outros europeus que foram invadidos pela Alemanha nazista.

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