domingo, janeiro 23, 2022

Saab Naval

Anistiado, João Cândido pode virar nome de navio da MB

Destaques

Guilherme Poggiohttp://www.naval.com.br
Membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira a anistia póstuma a João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata. A anistia foi proposta em 2002, pela senadora Marina Silva (PT-AC).O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, vai se reunir com o prefeito Cesar Maia em agosto para discutir a instalação de uma estátua em homenagem ao líder na Praça 15, no Rio. A idéia é que a inauguração do monumento ocorra em 20 de novembro, dia de Zumbi dos Palmares. O presidente Lula prometeu dar o nome de João Cândido a um navio da Marinha brasileira.O ministro destacou que é essa é uma homenagem a um importante herói negro do país.

No dia 22 de novembro de 1919, João Cândido liderou, na Baia de Guanabara, um levante a bordo dos principais navios da Marinha brasileira. O movimento, que ficou conhecido como Revolta da Chibata, foi uma reação aos maus-tratos e castigos físicos que eram impostos pelos oficiais aos marinheiros – em sua maioria negros punidos por indisciplina. O levante ocorre depois de o marinheiro negro Marcelino Rodrigues sofrer 250 chibatadas.

joao-candido.jpg

O uso da chibata era uma herança do período da escravidão, abolida em 13 de maio de 1888 pela Lei Áurea. Mas os oficiais da Marinha continuavam aplicando as chibatadas como punição, no convés dos navios, para que toda tripulação assistisse a humilhação imposta aos companheiros.

João Cândido ficou conhecido como Almirante Negro e a música ” O mestre-sala dos mares”, de João Bosco e Aldir Blanc, imortalizou sua luta. A revolta conseguiu acabar com o uso da chibata, mas João Cândido foi preso e expulso da Marinha, sem qualquer direito, de patente, de aposentadoria. Passou o resto de sua vida trabalhando como vendedor no Entreposto de Peixes da cidade do Rio.

Além de João Cândido, os demais participantes do movimento, também foram anistiados. Segundo o projeto, isso produz efeitos em relação a promoções que teriam direito os anistiados, se tivessem permanecido em serviço ativo, bem como em relação ao benefício da pensão por morte.

Fonte: O Globo

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BVR

Antes tarde do que nunca. João Cândido merece a anistia e o reconhecimento. “Chibatadas” como punição…aquele foi um episódio vergonhoso.

Marcelo Ostra

Depois de medalha de amigo da marinha pra qualquer zeh maneh, falar o que

Acho nao prudente colocar o nome em um navio da MB de um revoltoso, independente de seus motivos, alem do que tem muita gete que fez tanta coisa pela MB e até agora nao foi lembrado

que homenagear alguem nao Almte, tem tanto comandante de caça pau, caça ferro, B que fizeram tanto (apeas para se dar uma ideia)

MO

Norberto Pontes

Os 66 marujos que se encontravam em uma masmorra do Quartel do Exército e mais 31, que se encontravam no Quartel do 1º Regimento de Infantaria, são embarcados junto com assassinos, ladrões e marginais para serem descarregados nas selvas amazônicas. Os marinheiros, porém, tinham destino diferente dos demais embarcados. Ao lado dos muitos nomes da lista entregue ao comandante do navio, havia uma cruz vermelha, feita a tinta, o que significava a sua sentença de morte. Esses marinheiros foram sendo parceladamente assassinados: fuzilados sumariamente e jogados ao mar. João Cândido, que não embarca no Satélite, juntamente com alguns companheiros foram… Read more »

Norberto Pontes

O País deveria envergonhar-se de conceder tão tardia esse mérito.
Um mérito que o reconhecido jamais sonhou que receberia….
é só depois de mortos que são homenageados..
que tristeza absurda.

König

So falta o Principal…
O navio pra receber o nome!

Nunão

Concordo com o Ostra. De um lado, dezenas de marinheiros assassinados depois de anistiados. De outro, oficiais assassinados durante a revolta (nem um lado nem outro é citado na reportagem, só o João Cândido). E, nas décadas seguintes, uma MB cheia de feridas mal cicatrizadas tanto em oficiais quanto nos praças. Outras opções de nome não faltariam, sem desmerecer o ícone que virou João Cândido. Episódios de lutas internas até dão bons obeliscos, estátuas, justas homenagens, mas não dão bons nomes de navios, na minha opinião.

marcelo

Deveriam batizar um navio de BATISTA DAS NEVES, não com nome de um amotinado lider de assassinos que ameaçaram covardemente bombardear a população do Rio de Janeiro. Na lista de batismo dos navios da MARINHA DO BRASIL seguem: CABO ANSELMO, CAPITÃO LAMARCA, POTENKIM etc…

JSilva

Isso sim seria mais um absurdo, alias mais uma prova da demagogia do brasileiro, dos políticos e do povo. Isso é passado, e no passado deve ficar. Que seja dada a devida indenização e pare por ai. Não venham trazer os problemas e as badernas de outros setores da nação para dentro das instituições militares que estão cheios de problemas mais sérios e urgentes para resolver.

Alias “Nunca antes na historia desse pais se falou tanta bobeira”

Um monte de palhaçada, nada será resolvido e nós vamos continuar a cometer os mesmos erros.

Ozawa

Senhores, valho-me do velho chavão: “um erro não compensa o outro”. É certo de que muitos outros anônimos, ex-comandantes, marinheiros, soldados, deram a vida pelo país. Meu pai, falecido recentemente, deu 30 anos de sua vida na marinha, nas máquinas do CT Sergipe, Paraná e do Nae Custódio de Mello, chegando em casa, não raras às vezes, com feridas de quimaduras e outras mazelas, ele e tantos outros de seus companheiros ontem e hoje, fazem o mesmo, isso é certo. Acredito ser uma homenagem justa para um homem, cujo ato aboliu um castigo de muitos outros mais adiante, quiçá meu… Read more »

Ozawa

Ainda a título de história comparada, o que dizer da revolta do encouraçãdo Potenki, que contribui para mudar a história de uma nação, os marinheiros alemães amotinados na humilhante rendição aos Ingleses em Scapa Flow, contrariando o documento de rendição e entrega dos navios, afundando-os com as próprias mãos… Não foram atos heróicos, conquanto num ato de rebeldia, revolta, não foram e sempre serão lembrados pela história e não merecerão honras ao lado de outros atos igualmente heróicos de seus companehiros em campos de batalha ? O heroísmo militar não é um gênero que comporte um rol exaustivo de comportamentos,… Read more »

Nunão

Aproveito para alertar para um erro no texto do O Globo: foi em 1910, não em 1919. Ozawa, com certeza o uso do nome vai além de homenagem. É um símbolo (no fundo, toda homenagem dando este ou aquele nome pra navio, desde o praça até o almirante, é simbólico), e como símbolo é algo que é apropriado por um grupo social para a reconstrução de uma idéia de passado que lhe convém (e não estou falando desse caso específico – isso ocorre todo o tempo, à esquerda, à direita, aos brancos, aos negros, aos pobres, aos ricos e por… Read more »

Marcelo Ostra

Sei la BVR Eu nao fico a vontade com o criterio do governo, ainda mais Vai virar navio da Marinha Do jeito que pode virar, falta por ironia ser um NE Como falei depois da Medalha da FAB a Dna Maisa e a medalha a dona alencoa fez meu honra ao merito pela FAB (o qual realmente pertenci) virar um mero papel e a medalha do NGB virar um pedaço de ferro que alguns panacas aqui de Santos receberam m algum momento do passado. Talves o que fizemos seja nada tambem Há outras pessoas outras maneiras (acho eu) MO Como… Read more »

BVR

“Depois de medalha de amigo da marinha pra qualquer zeh maneh, falar o que.”
Pô MO, até tu ??
Anistia ao João Cândido é uma coisa;
Dar medalha de amigo da marinha sem honra de mérito é outra coisa.
Agora, concordo que para receber nome de embarcação deva haver algum outro critério; mas que merce ser homenageado e reconhecido,…ahhh isso merece. Pois que senão a MB para de representar o povo (os praças) e continua a representar a elite criolla a quem rende homenagens com medalhas e diplomas, que quase sempre não são meritosos.

BVR

Calma. “Pode” vir a ser homenageado com nome de navio…”pode”.
Agora concordo com vc, quem já recebeu qualquer tipo de homenagem meritosamente (sangue, suor e lágrimas)e, depois de alguns anos assiste a alguns recebendo por conta de sorrisos…é de indignar.

Marcelo Ostra

Tranquilo BVR, de boa

Mas, sem contar alguns detlhes …

A falta de noção geral nossa (nossa digo os pessoal),

quer um exemplo, conheço e ouvio com minhas zorelhes um monte de manh mtido a sabidão falar Fragata Rade”mei”ker isso pq o home era alemao eim …. (pra num ´pegarem no meu peh entendeo que quero dizer com ser alemao) e olha que tem gente medalhada de “argh” Amigo da Marinha que fala assim …

MO

BVR

Tranquilo.

BVR

Nunão, tentei chegar no sítio da MB e não consegui. Tentei novamente, só que via MinDef, e também não consegui.
Vc conhece outra fonte na net para os livro que vc citou??
Caso positivo, posta pfvor.
Grato desde de já.

Nunão

Conheço não. Li os dois livros há um ou dois anos, na biblioteca Florestan Fernandes, na USP. É aberta ao público, só que empréstimo é apenas para a comunidade universitária Mas o site da MB não abriu? Vê se não é configuração, que tem umas paradas de ambiente seguro no site que eu nem sei pra que que é… https://www.mar.mil.br/ Boa sorte. Como já disse, os pdf tão meio pesados (o livro inteiro, com fotos, em dois arquivos) e dá problema acho que no servidor deles com 1/3 baixado. Ostra: sobre sua elocubração do nome ir para um NE, ia… Read more »

Bosco

Os marujos (na sua maioria negros) eram tratados como animais e alguns que fizeram comentário cobram deles integridade e bom senso. Se tratarmos homens como feras, não podemos esperar deles nenhum comportamento cavalheiresco.
Se a Marinha não homenagear João Cândido, que praças e viadutos recebam o seu nome e de outros, que antes de serem militares, foram cidadãos, e antes disso, foram homens.

marujo

Tudo agora é história: João Cândido, os amotinados, o despotismo da oficialidade da MB na época, o regime escravagista que prevalecia nas nas relações de comando nas embarcações… A anistia à João Cândido ajuda a virar uma página.A intenção de dar seu nome à uma embarcação tem mais sentido simbólico do que prático.Se realmente acontecer, não abrirá precedente perigoso exatamente pelo afirmei acima: tudo é história, um episódio da luta pela afirmação das classes populares no Brasil.

andre de poa

Noto que alguns nutrem um certo ressentimento por alguns episódios históricos, entre eles este do João Candido. Caros devemos nos “desacoplar” do passado, eram outras mentalidades, outros tempos e o episódio não deve ser motivo para nos incomodar. Houve erros de todo lado e injustiças tambem. Então que isso não passe mais do que uma lembrança histórica desprovida de maiores sentimentos. Erros passados ficam no passado e servem para evitar erros futuros e ponto final. Que se anistie a quem seja de direito, que se discuta na justiça se tem ou não direito a beneficios mas que não se misture… Read more »

Callia

Com todo o respeito Esta pessoa assassinou oficiais e ameaçou bombardear o Rio de Janeiro , é um revoltoso…sei que é dificil mas vamos brincar de lembrar o pilar fundamental das forças armadas…hierarquia e disciplina…acho isso o fim da picada , será uma grande classe de novos navios , bounty , lampeão…almirante negro… entendo até os moticos da figura mas dar o seu nome à um navio de nossa armada é uma tentativa deliberada do presidente de humilhar ainda mais as forças armadas…imagine comandar um navio cujo nome é de um amotinado! O governo deveria cuidar mais da saude de… Read more »

Pedro Rocha

Olá senhores! Esse tópico nos permite fazer uma reflexão sobre o fisiologismo da nossa pobre e insignificante classe política. Senhores eu tenho vários familiares que deram o sangue, realmente e não literalmente, pelas Forças Armadas Brasileiras. Inclusive veteranos das guerras que o país participou, bem como das insurgências que aqui ocorreram. Nenhum nunca teve um reconhecimento de herói, em suas fichas consta somente à missão executada, quem não é oficial nunca é considerado herói. Mas isso não vem ao caso, pois sempre foi consenso que estavam fazendo a coisa certa e somente isso basta. Não vou citar nenhum nome, pois… Read more »

Paulo Costa

No inicio do seculo o recrutamento da marinha em alguns paises,
eram feitos em bares,o soldo era baixo,e disciplina alta.
Casos como o Bounty foram reais,excessos eram cometidos.
Não sou a favor de motins,nem de excessos,e sim do equilibrio.
A epoca era conservadora,na era FHC,a tataraneta de Tiradentes,
foi impedida de fazer não lembro o que,devido a uma lei em portugal.

Walderson

Galera, em minha modesta opinião, acho válida a homenagem. Apesar de ter sido um ato de insubordinação, foi um ato válido, pois só sabe o que é 250 chibatadas as costas que a levavam. Muito tempo já se passou. Penso que está na hora de fazer uma justa homenagem aos praças das forças, pois o bom fica só para a oficialidade. Fui oficial do EB, mas não concordava com algumas coisas que, no meu modo de pensar, ainda é um ranso da sociedade em que se vivia há tempos atrás. Acho justa a homenagem, pois quem carrega o piano é… Read more »

Walderson

em tempo, galera.
Um abraço a todos.

catherine

cho q essa foi melhor coisa que o lula fez em sua presidencia !!!
so acho q demorou muito pra este garande brasieiro ser reconhecido por todos !!!

Silva

Os bons soldados da SS do ReichFuhrer cumpriam ordens sem questionar a moralidades delas. Jamais se rebelavam. Alguns militares brasileiros (aqueles velhos canalhas de 1964) faziam da mesma forma. O anjo da morte Capitão Alfredo Astiz é da mesma cepa. Matava mulheres indefesas “cumprindo ordens”. O fato que é que o Astiz se rendeu covardemente para os Ingleses durante a guerra das Malvinas. E muitos oficiais da SS se escondiam como ratos depois de terminada a segunda guerra. Por ai se ve o valor de tais soldados e marinheiros “leais e cumpridores do dever”.

dees

marina silvaiado, João Cândido pode virar nome de navio da MB

Carlos

Acho gozado, algumas pessoas falam de coisas de que só ouviram falar.
Passei quase 30 anos na MB, e sei que se não houvesse a legítima manifestação de 1910, tem oficiais, que adorariam estar batendo em praça até hoje. Os oficiais na falta de um inimigo real, tomam os praças como seus inimigos imediatos, e os combatem como se estivessem em batalha.
Justa homenagem, nome de navio, ao João Cândido, pena que tardia, pois, não sei se repararam, nome de navio é sempre de Oficiais. De praça só conheci um, inclusive servi nele: CT MARCÍLIO DIAS.

[…] o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reinaugurou ontem no Rio, à beira-mar, a estátua do marinheiro negro João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata. Lula comparou o homenageado a outros personagens da história […]

marcos

a data da revolta da chibata foi no ano de 1910 e não em 1919.

Victor

Joao Candido com certeza foi um dos exemplos para o nosso pais e é mais do que merecido a familia receber uma indenizaçao pelo fato de ter sido humilhado

silas

esse blog so pega tempo….

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