quarta-feira, dezembro 1, 2021

Saab Naval

”BNDES chinês” vai financiar busca de petróleo no pré-sal

Destaques

Alexandre Galante
Ex-tripulante da fragata Niterói (F40), jornalista, designer, fotógrafo e piloto virtual - alexgalante@fordefesa.com.br

Petrobrás terá US$ 10 bilhões de banco para exploração na bacia de Santos

A negociação para a concessão de empréstimo de US$ 10 bilhões da China para a Petrobrás deverá ter um capítulo decisivo amanhã, com a chegada ao Brasil do vice-presidente Xi Jinping, que trará em sua comitiva o representante do China Development Bank (CDB), a instituição financeira dona do dinheiro do provável financiamento.
O embaixador da China no Brasil, Chen Duqing, disse que o acordo entre a estatal e o CDB poderá constar de um dos memorandos de entendimento que serão assinados entre os dois países durante a visita de Jinping.
Mas caso o negócio seja realmente aprovado – como tudo leva a crer – os detalhes finais só serão anunciados durante a visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará a Pequim em maio.
A Petrobrás e o banco chinês negociam a concessão do empréstimo desde novembro. O principal objetivo da linha de crédito é financiar a exploração das reservas de petróleo na camada pré-sal, na Bacia de Santos.
Segundo maior consumidor de energia do mundo, o país asiático receberia o pagamento por meio da entrega de petróleo. As principais divergências entre as partes, de acordo com informações obtidas pelo Estado, dizem respeito às taxas de juros que incidirão sobre o financiamento.
“Neste momento crítico de crise mundial, países em desenvolvimento como o Brasil e a China têm que cooperar para superar as dificuldades”, ressaltou Chen.
Não é apenas no Brasil que a China busca garantir suprimento de energia. Ontem, a Rússia anunciou que receberá financiamento de US$ 25 bilhões do CDB e que entregará em troca 300 mil barris de petróleo por dia pelos próximos 20 anos.
Além do memorando de entendimentos com a Petrobrás, o presidente do Conselho de Administração do CDB, Jiang Chiaoliang, vai assinar acordos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Itaú, pelo qual o banco privado brasileiro vai repassar uma linha de crédito de US$ 100 milhões da instituição chinesa.
Roberto Dumas Damas, representante do Itaú na China, disse que o documento que será assinado amanhã define os “termos e condições” do acordo e que a liberação dos recursos ainda depende da análise de documentos, que deverá estar concluída em seis meses.
Esses recursos serão destinados a projetos que tenham alguma relação com a China, afirma Damas. Atualmente, o tipo de operação que o banco percebe o maior volume de demanda é a importação de máquinas e equipamentos da China. As taxas de juros serão as cobradas pelo mercado e o prazo dos financiamentos será de 10 anos.

BANCO GIGANTE
O CDB é a versão chinesa do BNDES, com a diferença de que tem um volume de crédito muito superior ao do banco brasileiro. No fim de 2007, o valor dos financiamentos concedidos pelo CDB alcançava US$ 325 bilhões, cifra que supera o Orçamento anual do governo brasileiro. Desses recursos, apenas 0,92% eram destinados a operações fora da China.
Xi Jinping faz parte do restrito grupo de nove dirigentes que integra o Comitê Permanente do Politburo e detém o poder na China. Em 2007, ele foi apontado como provável sucessor do presidente Hu Jintao em 2012. O Brasil é a última etapa de sua viagem à América Latina, que incluiu México, Jamaica, Colômbia e Venezuela.
Na sexta-feira, na Cidade do México, Xi Jinping fez um ataque surpreendente aos estrangeiros que criticam seu país em razão da situação dos direitos humanos e usou um tom tão exaltado que suas declarações foram censuradas pela imprensa oficial de Pequim.
Em discurso durante encontro com a comunidade chinesa no México, Jinping afirmou que os outros países não têm por que se queixar da China. “Em primeiro lugar, a China não exporta a revolução, em segundo, não exporta fome e pobreza e, em terceiro, não cria problema para vocês. O que mais vocês podem dizer sobre nós?”, perguntou, em referência aos estrangeiros.

FONTE: O Estado de S.Paulo/Cláudia Trevisan, PEQUIM

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gaspar

so tenho uma duvida,

nos pegaremos 10 bi da China e pagaremos em PeTroleo, como sera feito o calculo do petroleo ?? sera um preco fixo ??? preco do dia da assinatura do contrato ??? media do mes ???? ou poe na conta ????

outra coisa, ja que a China ta bancando o pre-sal, a Petrobras poderia ajudar(seria muito em pedir para BANCAR) o reaparelhamento da Marinha…

The Captain

Julgo muito arriscado fazer negócios com os chineses nesta área do petróleo.
Por conta da pré-sal os americanos ressuscitaram a 4ª Frota. Imaginem a 4ª Frota passeando na área da pré-sal financiada pelos chineses, portanto sendo eles donos de parte dela.
Lá na saída do Golfo Pérsico já se desentenderam com os hindus, numa patrulha no mar do Japão, creio, mostraram a cara para o Kitty Hawk. O que vai acontecer por aqui?
Para complicar mais um pouco, agora imaginem este tal de Xi Jinping, que me parece meio doidão.
É pra pensar!!!

Voluntário da pátria

Uéééé cadê a xenofobia envolvendo a “dádiva divina”?? Quer dizer que as petrolíferas ocidentais são piratas mas os comunistas Chineses são bem-vindos?

RL

Brasil.

Terra de todos.

De “TODOS” mesmo, literalmente. Só chegar e ficar avontade.

Vassili Zaitsev

Já que a grana está curta, a Petrobras resolveu jogar essa cartada arriscada.

Vamos ver no que dá.

Abrivio

Todo mundo faz negócio com a China (EUA, Inglaterra, França…), a possibilidade de conflito entre eles é mínima. No mundo capitalista, os interesses financeiros estão na frente de diferenças ideológicas e não é uma “torturinha”, uma perna pra cá e uma cabeça pra lá que muda isso. A exploração será feita pela petrobrás com financiamento da China pago em petróleo, isso tira a possibilidade de escaramuças com a India ou similar. O ataque a plataforma seria um ataque ao Brasil, terceiro neutro, nenhum estado não-proscrito faria isso ($$$$$) e os proscritos não tem capacidade militar, pois estão muito longe. Sobram… Read more »

Roberto

A Petrobrás não tem dinheiro para financiar o pré-sal e a China quer garantir o seu futuro,então uniram o útil ao agradável!.
Fora os EUA,não vejo nenhum país com capacidade expedicionária para um ataque militar contra o Brasil porm enquanto,como disse o caro Abrivio.

sds

Marco

“Segundo maior consumidor de energia do mundo, o país asiático receberia o pagamento por meio da entrega de petróleo.”

“Atualmente, o tipo de operação que o banco percebe o maior volume de demanda é a importação de máquinas e equipamentos da China”

The Captain

O problema é que a Marinha chinesa está crescendo e ficando cada vez mais atrevida. Eles apenas patrulhavam o mar da China, agora estão patrulhando a saída do Golfo Pérsico, para proteger seus mercantes. A pretexto de estreitar relações podem enviar uma flotilha de instrução, para visitação aos amigos da América do Sul e Central, assim tipo Cuba, Nicarágua, Equador, Venezuela e claro, o sócio Brasil. Vai dai que resolvem peitar, só pra testar e fazer “desaforo”, a 4ª Frota, como fizeram com o Kitty Hawk. É isto que receio, metermo-nos em encrenca de “cachorro grande”, só porque a gente… Read more »

Ricardo

Os chineses estão loucos para diversificar seus fornecedores de petroleo (hoje concentrados no oriente médio) e estão distribuindo cheques gordos para ter sucesso nessa empreitada, ontem mesmo foi noticiado que deram a Transneft e Rosneft ( petroliferas russas) 25 bilhões de doláres em creditos para construir um oleoduto sibéria-china.

Baschera

Credo, quanto medo !!! Cuidado com os chinas de 2,5 metros de altura e que comem de pauzinho……
Esta notícia nem deveria estar aqui.
Business is business.
Só pode fazer um negócio destes quem tem credibilidade.
Agora, se fosse o contrário, fosse o BNDES dando crédito de U$ 10 Bi à Nigéria, por exemplo, teria nego esperneando, gritando e arrancando as unhas.
Todo negócio envolve risco. Neste caso é dos chinas…..

Sds.

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