quarta-feira, agosto 10, 2022

Saab Naval

Inglaterra poderá reduzir futura frota de SSBN

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Fernando "Nunão" De Martini
Fernando "Nunão" De Martini
Pesquisador de História da Ciência, Técnica e Tecnologia, membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

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Alega-se que a redução de 4 para apenas 3 submarinos lançadores de mísseis balísticos não seria por motivos econômicos, mas políticos

Os substitutos da atual frota de submarinos lançadores de mísseis balísticos (SSBN), composta pelas quatro unidades da classe Vanguard, poderá ser somar apenas três embarcações. Gordon Brown, Primeiro Ministro Britânico, está preparando a redução do sistema Trident de dissuasão nuclear, como contribuição da Inglaterra para o corte de arsenais nucleares do mundo. Da mesma forma, a quantidade e o poder das 160 ogivas nucleares britânicas também poderão ser reduzidos.

Brown quer deixar claro que essa redução não é devido a fatores econômicos, mas que é parte de um esforço liderado pelo presidente dos EUA, Barack Obama para reduzir os estoques de armas nucleares e forçar países como o Irã a abandonar seus projetos de construção de armas atômicas.

A redução da futura frota para apenas três unidades levanta questões sobre sua real efetividade como elemento de dissuasão, dado que, numa frota de três submarinos, um sempre estará na base, a qualquer momento, deixando apenas dois em patrulha.

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Toda essa movimentação estaria no contexto da decisão de Obama de não levar adiante o sistema de defesa anti-mísseis da Europa Oriental, e da resposta favorável da Rússia a essa decisão, levando a um prognóstico de que um novo acordo de não proliferação poderia ser assinado no segundo trimestre do ano que vem. Embora a proposta britânica de redução pareça insignificante, quando comparada aos arsenais nucleares dos EUA e da Rússia, Brown deverá argumentar que representará mais pressão para que o Irã se junte a um futuro tratado.

Internamente, a questão não é simples de resolver: Brown tem sofrido pressões dos que defendem a opinião de que a Inglaterra não poderá arcar com os custos de substituição das atuais plataformas, algo entre 15 e 20 bilhões de libras. Por outro lado, essa atitude não agradará os Conservadores. Assessores também têm deixado claro que a redução de quatro para três unidades não reduzirá na mesma proporção (25%) os custos de construção e manutenção.

Uma decisão final sobre o tamanho da futura frota de SSBN britânicos deverá ser tomada após uma recomendação do sub-comitê do Gabinete, o que é esperado para antes do final deste ano. Os substitutos dos atuais submarinos não deverão entrar em serviço antes de 2025, mas decisões cruciais de design precisam ser tomadas nos próximos dois ou quatro anos.

O desafio da próxima classe poderá ser, então, diminuir as necessidades de manutenção de rotina e pesada, assim como aumentar o tempo de operação em relação a esses períodos de aprontamento. Estima-se que a substituição da atual frota por outros quatro submarinos, combinada à extensão da vida útil dos estoques atuais de mísseis Trident D5, que receberiam uma ogiva aprimorada, custaria entre 15 e 20 bilhões de libras: 14 bilhões para as embarcações, 2 a 3 bilhões para os mísseis e 2 a 3 bilhões para infraestrutura. O sistema Trident atual, com os quatro submarinos classe Vanguard, custou 14,5 bilhões de libras.

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Os atuais submarinos classe Vanguard

A classe é composta pelos HMS Vanguard (S28) Victorious (S29), Vigilant (S30) e Vengeance (S31). O primeiro da classe foi lançado em 1993. Deslocam 15.980 toneladas submersos, e têm comprimento de 149,9 metros, 12,8 metros de boca e 12 metros de calado.

São operados por 135 tripulantes e o armamento é composto por 16 tubos verticais lançadores de mísseis balísticos Trident II D5, além de 4 tubos de torpedos (Spearfish). São equipados com sonares na proa, nos bordos, de interceptação ativa e também do tipo Towed Array. Os mísseis Trident II D5 têm alcance de 4.000 milhas náuticas, e capacidade para carregar 12 ogivas cada um.

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FONTES: Times Online e Royal Navy

FOTOS: Royal Navy Colaborou: Franz Neeracher

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muscimol

Eu tambem espero que estejas errado ….pois 2 submarinos em prontidao reacheados com 16*12 ogivas ainda da um poder de dissuasao maior do que qualquer pais possa afrontar.

Alem do mais, meter medo e ser arrogante so serve por vezes para aumentar a resolucao de certos paises em adquirir armas nucleares.

Diego

Toni Blair era cachorrinho do Bush.
Gordon Brawn e cachorrinho do Obama heheeheh.

Samuel Henrique

Acho perigoso esta situação! Acredito que com apenas tres subs, o poder militar Ingles ficará em risco. trabalhar para manter a paz, tudo bem, acreditar que só isso irá funcionar, ai é burrice! durante a guerra das malvinas, se os comandantes argentinos tivessem mantido seu cronograma inicial de invasão das ilhas, os ingleses estariam com severos problemas com seus submarinos. Acredito que estarão correndoeste risco novamente.
Forte abraço

Wolfpack

É por isso que são considerados uma Grande Potência e não pela economia e diplomacia.

Tiago Jeronimo

Péssima decisão da Inglaterra, em vez de promover o desarmamento com sua decisão, promove o armamento de outros países em vista do enfraquecimento do seu poder de dissuassão. Melhor uma país como a Inglaterra armado até os dentes do que um país como o Irã com uma ogiva nuclear. Não concordo com a política de Obama, espero estar errado.

“Si vis pacem, para bellum”

Chacal

Os idiotas do Irã,da Rússia Agradece.Esses políticos so fazem besteiras.

Jonas Rafael

Outro dia acompanhava uma discussão num dsite internacional e os britânicos ali estavam preocupados com isso. A alegação é de 4 é o número mínimo para manter a permanente dissuassão. Se não me engano um fica em manutenção de longo prazo e o outro em manutenção de curto prazo, enquanto precisa um pra manter a patrulha e outro pra manter adestramento de tripulação…

Cláudio Melo

Grana curta.

General

Grana curta não. Gastos muito altos

General

como o mundo seria melhor sem corrupção!Óh governos corruptos!!!!

André

O Irã irá agradecer essa decisão da Inglaterra. Concordo com vc, Tiago Jeronimo.
Sds

Sandro

Pessima descisão, sou contra ao aumento de artefatos nucleares mas acho que a inglaterra deveria manter o numero que tem e não reduzilos isso é uma burrada, visto que o arsenal inglês frente aos de outras nações como, Russia, China e EUA, chega a ser insignificante, espero que o governo inglês tome conciência de sua descisão e mantenha os 4 subs com misseis nucleares, se é pra fazer cagada deixem isso pra nós brasileiros.

Dalton

Recentemente um SSBN ingles colidiu com um SSBN frances e ambos tiveram que retornar a suas respectivas bases.

Ter apenas 3 SSBNs poderá significar nenhum no mar caso algo semelhante volte a ocorrer.

Wagner

Comentário póstumo: essa decisão até pode ter sido politica na época, mas agora é tambem econômica, a Inglaterra está realizando cortes em gastos militares.
Por mim, podem decair a vontade. Mas não faz grande diferença, os EUA sempre os protegerão…

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