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País pode dominar ciclo nuclear completo ainda em 2010

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Ciclo de Combustível Nuclear - Palestra MB

O Brasil está pronto para dominar o ciclo nuclear completo em escala industrial, segundo o coordenador do Programa de Propulsão Nuclear da Marinha, capitão de mar e guerra André Luis Ferreira Marques. A inauguração da primeira fase da Usina de Hexafluoreto de Urânio (Usexa), prevista para este ano, permitirá que o País atue em todas as etapas do beneficiamento do mineral radioativo, desde a extração até a fabricação do combustível nuclear em grande proporção. Com isso, o Brasil ficaria independente de outros países no processo de enriquecimento, garantindo suprimento para as usinas nucleares e também para o futuro submarino nuclear.

No Centro Tecnológico da Marinha, no complexo militar de Aramar, em Iperó (SP), onde fica a Usexa, o ritmo das obras é acelerado. Na mesma área estão sendo construídos os prédios do Laboratório de Geração Nucleoelétrica (Labgen), responsável pela fabricação do reator do futuro submarino nuclear. “A Usexa começará a funcionar nos próximos meses em fase de comissionamento, quando são testados o sistema e os equipamentos para demonstrar que eles operam corretamente. As temperaturas, as pressões, as vazões, se as válvulas estão funcionando e se a instrumentação está dando informação confiável. Mas não vamos botar o urânio, ainda.”

Segundo o militar, o ”yellow cake” – urânio em forma de um pó amarelo – só deve começar a ser processado em 2011. A Usexa é formada por 40 quilômetros de tubos, tanques, fornos e milhares de válvulas, onde o mineral é misturado com outros produtos químicos para sair em estado gasoso, o hexafluoreto de urânio, ou UF6.

O objetivo da Usexa é produzir combustível para o submarino nuclear brasileiro, que deve entrar em operação por volta de 2020. No complexo de Aramar serão produzidas 40 toneladas de UF6 por ano. Atualmente só seis países têm condições de fazer a conversão do ”yellow cake” em gás: França, Rússia, Canadá, EUA, Brasil e Irã. O UF6 que o Brasil usa ainda é processado no Canadá.

Ciclo de Combustível Nuclear - Conversão - Palestra MB

FONTE: Agência Brasil, via Agência Estado

GRÁFICOS: Extraídos da apresentação da palestra “Propostas de Parceria Tecnológica para o Programa Nuclear da Marinha do Brasil”, proferida na Feira INOVATEC 2007.

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Fox Bravo
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Fox Bravo

Ai está, isso é ciência, tecnologia, desenvolvimento, qualificação, estratégia nacional, e independência. Parabéns Marinha do Brasil, por nunca ter desistido de seus propósitos e ideais, apesar do pessimismo de muita gente acreditaram e acreditam em um futuro melhor, não só no âmbito militar mas também, em desenvolvimento de novas energias para nosso país, já que isso também e estratégico. Olha acho que no ritmo que estamos não haverá atraso no nosso Sub-Nuclear.

RtadeuR
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RtadeuR

Nossa, quanta informação ao mesmo tempo , o negócio tá pegando fogo mesmo. Que Deus abençoe esta nação .

Lacerdinha
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A parte da Marinha ela faz, só não pode faltar dinheiro , não esqueçam que ainda estamos engatinhando neste ramo.
Uma criança que esteja começando a andar agora não aguenta correr contra um adulto, precisa receber atenção especial, para quando ficar adulta ter todos os seus sentidos em ordem.

Cronista
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Cronista

E nós preocupados com o FX-2…
A Marinha está dando de 100 a zero!
Interessante como a grande imprensa sequer menciona isso…prefere mostrar os problemas do FX-2 (olkha ele aíd e novo!) ao revés de mostrar aos brasileiros o Brasil que vaid ando certo!
Editores, gostaroa de colar a reportagem, com os devidos créditos, num e-mail e mandar para meus amigos. Posso???? Alguns profetas do apocalipse vão se matar de raiva…(risos)

Harry
Visitante
Harry

Caros

Decisão de intependencia tecnologica, por meios próprios que a Marinha tomou a mais de trinta anos atras e hoje a nação colhe os frutos

E quase que José Goldemberg enterra o Projeto, e igual a ele tem mais por ai. Dou parabens a quem me der o nome de dois.

Abs

Carlito
Visitante
Carlito

Ótima notícia!!! Parabéns à marinha!!!

O que me incomoda, é que oportunistas de plantão irão comemorar isso como se fosse obra do atual governo, desprezando décadas de trabalho árduo e sem nenhum apoio.

Fábio  Mayer
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Fábio Mayer

Um programa de mais de 30 anos, é preciso lembrar disso.

O Brasil já podia estar em outro patamar tecnológico se ao invés de contingenciar orçamentos da Marinha (e de pesquisa científica de modo geral), tratasse de combater a corrupção que desvia BILHÔES em dinheiro público para enriquecer prefeitinhos de m…e vereadores de b…!

André
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André

Reforçando a crítica do Cronista sobre a mídia brasileira, hoje alguns dos principais jornais não noticiaram esse feito da Marinha, inclusive o jornal da band do boecha (isso ele não comenta!). A globo noticiou o avanço feito com o Irã sobre a entrega do tal acordo á agencia de energia atômica (notem que o tema energia atômica chegou a ser mencionado; eles dão mais atenção ao programa nuclear internacional do que o de seu próprio país), mas ficou só nisso. Lembrando que essa semana, dia 27, a França vai começar a cortar as chapas do primeiro submarino brasileiro (esse anúncio… Read more »

Elizabeth
Visitante
Elizabeth

O domínio do ciclo é uma conquista tecnológica importante a qual todos podemos nos orgulhar. Porem o domínio do ciclo é um processo de meio e não de fim. Isto é, se não houverem reatores para emprego deste combustível não haverá motivo para a existência desta tecnologia. Um dos objetivos fins é o reator do(s) submarino(s) nuclear(es) da MB, mas mesmo o mais otimista dos almirantes não tem certeza sobre quando este projeto será concluído e até mesmo se será concluído, haja vista as mudanças de prioridades políticas e econômicas no Brasil. Um “plano B” é necessário para o setor… Read more »

Fernando Sinzato
Visitante
Fernando Sinzato

Sra. Kosova,

Excelente texto de irretocável lógica. Se fosse possível que fosse garantido a execução (nada de trabalho ou restrições burocráticas – carta branca) do seu ofício na área aerospacial, em seu coração ainda acreditas no potencial do Brasil…

Te admiro.

Fernando Sinzato
Visitante
Fernando Sinzato

Sra. Kosova,

Excelente texto de irretocável lógica. Se fosse possível que fosse garantido a execução (nada de trabalho ou restrições burocráticas – carta branca) do seu ofício na área aerospacial, em seu coração ainda acreditas no potencial do Brasil…

Te admiro.

KeplerK
Visitante
KeplerK

Ótima notícia.

Guilherme Poggio
Editor
Noble Member

Interessante a primeira imagem.

Um 747 realizando aerolevantamento e um operário minerando urânio com uma britadeira.

Paulo
Visitante
Paulo

A Elizabeth levantou bem a lebre. Temos a gasolina. Agora falta o motor.

Edu Nicácio
Visitante

Só posso dar os parabéns à Marinha e aos homens corajosos desse país que, apesar de todo tipo de embargo sofrido e tentativas de “sabotagem” do nosso programa nuclear abraçaram a causa e trabalharam com afinco nesses últimos 30 anos… Deveriam ser saudados como heróis, por terem conseguindo tanto com tão poucos recursos… E que venham os Submarinos Nucleares, novos reatores navais (futuros NAe’s nucleares?), reatores para a geração de eletricidade, pesquisa e criação de isótopos, dentro do que manda a Lei e nossa própria consciência… E se, um dia, estivermos sob ameaça, que venham as bombas A e H… Read more »

The Captain
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The Captain

Alguém poderia explicar-me:
Se somente França, Rússia, Canadá, EUA, Brasil e Irã fazem a conversão do ”yellow cake” em gás; de onde vem o combustível nuclear do Reino Unido, China, Índia, Paquistão, Israel, Coréia do Norte e dos países mais industrialmente tecnológicos da Europa, como por exemplo, Alemanha, Itália, Suécia, bem assim Japão e Coréia do Sul, na Ásia; que somente o utilizam em suas usinas nucleares com fins energéticos?

MN-QS
Visitante
MN-QS

Elizabeth disse: 24 de maio de 2010 às 22:42 Prezada, Admiro muito sua colaboração aqui, você é extremamente perfeita em 99% do que diz. Mas discordo de você quando diz: “…mas mesmo o mais otimista dos almirantes não tem certeza sobre quando este projeto será concluído e até mesmo se será concluído, haja vista as mudanças de prioridades políticas e econômicas no Brasil.” Posso falar pelo que vi enquanto estive na EGN e em todo tempo em que estive no SAM sobre o esforço que a MB faz para cumprir seus compromissos. Como recentemente em relação ao pagamento da primeira… Read more »

Mikhail Aleksandrovitch Bakunin
Visitante

Guilherme Poggio disse:
25 de maio de 2010 às 10:19

Interessante a primeira imagem.

Um 747 realizando aerolevantamento e um operário minerando urânio com uma britadeira.

Mais uma vítima da “maldição do clip-art” do Office

amplexos