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Onde estou e que navio da MB movimentei: resposta

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Como indica a placa fixada no local, trata-se de um dos hélices do Contratorpedeiro Mariz e Barros (M1 / D 26), da Marinha do Brasil, construído no Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro, sendo a sua quilha batida em 8 de maio de 1937, com lançamento e  batismo em 28 de dezembro de 1940 e incorporação em 29 de novembro de 1943.

O hélice está exposto na Praça “Heróis da Força Expedicionária Brasileira”, ao lado do PAMA-SP (no quadrilátero formado pelas avenidas Brás Leme e Santos Dumont, e ruas Voluntários da Pátria e Aviador Gil Guilherme), em Santana, Zona Norte da cidade de São Paulo.

Apesar de praticamente todos os materiais e equipamentos do mesmo terem sido importados (vale lembrar que a grande siderurgia e a indústria de base no Brasil ainda estava por ser implantada com a construção da CSN em Volta Redonda, no âmbito das negociações Brasil – EUA ligadas à Segunda Guerra Mundial), a construção do Mariz e Barros e dos outros dois “Marcílios”, ou classe “M”, de projeto norte-americano (classe Mahan), representou grandes avanços na construção naval militar no país.

Esta vinha sendo retomada nos anos 30, com as grandes obras na Ilha das Cobras (na Baía da Guanabara – Rio de Janeiro) para o estabelecimento do novo Arsenal (antes restrito ao continente, “apertado” entre o Mosteiro de São Bento e o mar) e a construção dos primeiros navios para a MB, como o monitor fluvial Parnaíba (ainda na ativa) e os navios mineiros (depois corvetas) classe Carioca – ambos projetos nacionais, mas relativamente simples.

Os classe “M” eram muito mais complexos, representando projetos atuais, pois os Mahan ainda estavam sendo incorporados à Marinha dos EUA no final dos anos 30, implicando no aprendizado de modernas técnicas de construção naval, no que se destaca a solda elétrica na maior parte do casco – vale lembrar que essa técnica ainda era nova nos anos 30, e a substituição das estruturas rebitadas pelo emprego generalizado da solda seria o grande marco da construção naval em série na época da Segunda Guerra Mundial, especialmente nos EUA.

Embora o hélice da foto acima seja um equipamento importado, faz uma justa homenagem à primeira classe de navios de guerra realmente modernos (no contexto de sua época) construídos no Brasil no século XX. Uma pena que nenhum navio dessa classe, nem da classe “A” de contratorpedeiros, que lhe sucedeu nas carreiras do AMRJ, tenha sido preservado.

Para saber mais sobre o contratorpedeiro Mariz e Barros, que também se destaca por ter sido  modernizado na década de 1960, incorporando o primeiro lançador de mísseis antiaéreos da força, clique aqui para acessar seu histórico no site “Navios de Guerra Brasileiros” – NGB.

FOTO DA PLACA: Poder Naval (Nunão). FOTOS DO NAVIO via NGB

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Antonio
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Antonio

Só não compreendo o motivo desse hélice estar próximo ao Campo de Marte!

Não seria mais coerente que tal monumento estivesse num local ligado ao mar ou à indústria naval? Daqui a pouco vão querer levar o Tonelero lá para Anápolis!

Gabriel from reu
Visitante
Gabriel from reu

Errei feio hahahah, mas é uma bela história…
mas aqui no Complexo da marinha tem hélices, âncoras etc.
por isso me comfundi.

Gabriel from reu
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Gabriel from reu

Errata: Confundi*.

Fernando Sinzato
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Fernando Sinzato

Eu lembro desta hélice vendo-a de cima na final do campo de marte, logo após passar a linha do metro. E inúmeros domingos aéreos, desde pivete.

Mas na parte naval, sou um zero a esquerda. Estava esperando o resultado, pois a anos não vou ao campo de marte.

Um grande abraço

Mauricio R.
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Mauricio R.

Em Riberão Preto, na entrada da cidade havia um reparo 40mm, tb era de algum navio da MB???
Nem sei se ainda está lá, ví tem uns 18 anos atrás, em uma viagem a trabalho.

airacobra
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airacobra

classe mahan oh saudosismo, ja comandei um desses na batalha do pacifico, no destroyer command eh claro!!!

abraços

MVMB
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MVMB

tempos em que – com muito mais dificuldades que hoje – o Brasil e a MB construíam seus proprios meios.

Hoje, com toda a tecnologia… andamos para trás.

Alexandre
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Alexandre

Acho que na época a própria Marinha não devia ter a real noção do grande feito que estava fazendo. Realmente como citado acima, andamos para trás

ivan
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ivan

Belo artigo, Galante.
Um pouco off-topic, mas para quem gosta de navios saiu um livro feito pelo pessoal do “National Maritime Museum” em Greenwich.
Chama-se “Ships”. É muito bem ilustrado e segue mais ou menos a ordem das mostras do museu.
Vale a pena e pode ser encontrado nas grandes livrarias. Não é caro.
Mesmo para quem não entende Inglês bem, vale pelas centenas de ilustrações e fotos.

GUPPY
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GUPPY

Nunão,

Em 6 de maio deste ano o Galante publicou um post intitulado ‘Comentário em destaque’ que está relacionado. Também em ‘Atualização do NGB (02/05/2010)’ há relação com este post.

Abraços

GUPPY
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