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Brasil já arma defesa de tesouro submerso

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vinheta-clipping-navalO Brasil pretende pleitear à ONU (Organização das Nações Unidas), ainda neste ano, o bloqueio de uma área no Elevado Rio Grande, uma cordilheira submersa no sul do país, a mil quilômetros da costa do Rio de Janeiro.

Pesquisas feitas pela CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, conhecida como Serviço Geológico) revelaram que a região é rica em minérios, terras raras e rochas sedimentares, propícias à formação de petróleo.

Como a área está em águas internacionais, pesquisas e exploração caberão a quem primeiro apresentar o pedido, diz o diretor de geologia e recursos minerais da CPRM, Roberto Ventura, que teme o avanço de países tecnologicamente desenvolvidos sobre os tesouros submersos “no quintal do Brasil”.

Para bloquear uma área em águas internacionais, que não pertencem a nenhum país, é preciso fazer uma solicitação à Isba (Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, na sigla em inglês), uma entidade da ONU.

Até o final de março, a CPRM vai encaminhar o pedido ao MME (Ministério de Minas e Energia), que será responsável pelo encaminhamento ao órgão da ONU.

“A questão do Elevado Rio Grande é estratégica. Nenhum país fez o pedido ainda. A Rússia pediu mais acima, os franceses também, e sabemos que os chineses passam por aqui direto e estão pesquisando em algum lugar próximo”, disse Ventura.

“Quem estiver com os mapas e conhecer as áreas potenciais ou áreas críticas vai ter mais chances”, avaliou, lembrando que riquezas minerais são finitas e em algum momento, mesmo que leve 50 anos, o avanço para o meio dos oceanos será inevitável.

Segundo ele, ao solicitar à ONU o bloqueio da área, o Brasil vai sinalizar para a comunidade internacional que tem um programa efetivo e importante para ampliar a presença no Atlântico Sul.

Se aprovado o pleito, o Brasil terá mais 15 anos para pesquisar melhor o local, que se estende por 3.000 quilômetros quadrados (o equivalente ao dobro da área da cidade de São Paulo).

Nos últimos dois anos, foram feitas cinco expedições de pesquisa ao elevado Rio Grande, ao custo de R$ 3 milhões cada. Durante as viagens, foram executadas dragagens que atingiram profundidades de até 2.000 metros.

O próximo passo, após a chancela da ONU, será a exploração comercial, que ficará a cargo de uma empresa privada, escolhida em leilões previstos no novo código de mineração que será enviado ao Congresso pelo governo.

“Hoje, a missão da CPRM no país é a de melhorar o conhecimento para atrair investimentos”, afirmou Ventura.

De acordo com o diretor, a questão poderá inclusive afetar um tema que já está em avaliação pela ONU: o pedido é de estender a Zona Econômica Exclusiva, na qual o Brasil tem direitos de exploração e aproveitamento econômico das águas, do leito do mar e do seu subsolo.

O problema é que, com o novo pleito, o país admite que o Elevado Rio Grande é área internacional, e não poderá pedir a extensão da Zona Econômica Exclusiva até ali.

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FONTE: Folha de S. Paulo

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WHO_QUEM
7 anos atrás

RT @podernaval: Brasil já arma defesa de tesouro submerso: O Brasil pretende pleitear à ONU (Organização das Nações Unidas… http://t. …

aldoghisolfi
aldoghisolfi
7 anos atrás

E, evidentemente, por isonomia com o pré-sal o Rio Grande do Sul passa para a qualidade de Estado produtor e receberá todo o qualquer royaltie sobre a extração de qualquer mineral do Elevado Rio Grande?!

rcardonam
7 anos atrás

RT @podernaval: Brasil já arma defesa de tesouro submerso: O Brasil pretende pleitear à ONU (Organização das Nações Unidas… http://t. …

AlexJ
AlexJ
7 anos atrás

Aldo, é isso mesmo. A questão é se alguns políticos (tão idosos quanto corruptos) de estados não-produtores irão tentar tungar os lucros que por direito são do povo gaúcho. Sabe como é né… Nem esperaram o pré-sal dar lucro e cairam matando. Provavelmente nem esperarão as primeiras prospecções e virão com tudo.

eduardo.pereira1
eduardo.pereira1
7 anos atrás

AlexJ disse:
18 de fevereiro de 2013 às 18:29

AlexJ, todos os estados teem necessidades assim como o Rio Grande, nao deve ser por nao ter o petróleo que os outros tem que ficar de fora, ambos estao dentro do mesmo país. Se querem tudo pra si é só emancipar do Brasil uai, ai fica tudo só pra vcs ,mas quero ver se defenderem sozinhos também !!rs

Guilherme Poggio
Editor
7 anos atrás

Terras raras a mil quilômetros da costa do Rio de Janeiro e dois mil metros de profundidade? Tá bom…

Dá um pulo ali em Guarapari que sai mais barato.

Observador
Observador
7 anos atrás

Senhores, Se levará décadas até se desenvolver a tecnologia apropriada para a extração de minerais naquela profundidade, se é que será economicamente interessante um dia. Do jeito que a cobiça anda, daqui a pouco a humanidade estará loteando áreas para prospecção de minérios na Lua ou em Marte, mesmo sem dispor de meios viáveis de exploração. Agora, sobre os royalties do petróleo, tem mais é que rever esta história. Sou de Santa Catarina, que tem petróleo, mas por uma mágica de um político vagabundo do Paraná, se alteraram os limites marítimos entre estes estados e hoje o alto-mar em frente… Read more »

aldoghisolfi
aldoghisolfi
7 anos atrás

AlexJ, bom dia. Fiz ironia com a comparação do pré-sal; apesar de entender o contrário e já ter me manifestado por aqui outras vezes, acho que recurso natural extraído em águas internacionais deve, necessariamente, ser dividido etica e constitucionalmente de forma igual entre todos os Estados. Agora, com a situação criada com o pré-sal, naturalmente que, por isonomia, vamos querer a mesma situação para o RS. Observador: bom dia. O teu finalzinho foi o grande comentário dos posts até agora. O pacto federativo precisa urgentemente ser revisado; a ‘federação’ foi imposta pelo Hermes da Fonseca que ditou a norma para… Read more »

cristiano.gr
cristiano.gr
7 anos atrás

Essa de estado produtor de um minério que fica no oceano é balela, conversa furada. Os governantes fluminenses não querem é perder uma rica torneirinha e, incrivelmente, os benefícios dessa torneirinha nunca aparecem a população.

O RS é um dos estados que mais lutam pela divisão igualitária dos royalties do pré-sal e não se portaria como o RJ se viesse a ser achado petroleo em quantidade comercial no oceano mais próximo ao território do estado.

cristiano.gr
cristiano.gr
7 anos atrás

eduardo.pereira1 disse: 18 de fevereiro de 2013 às 19:19 Tchê, se fizerem um plebiscito sobre o tema, aqui no RS, vai dar o desmembramento disparado. Afinal, é do conheciemento de todos que com a guerra fiscal entre estados o RS só foi prefudicado, com o câmbio hipervalorizado do Real as exportações despencaram e muitas indústrias foram embora, o estado é um alicerce da economia do país e arrecada mais tributos federais do que recebe de investimentos do GF (um dos únicos que dá lucro ao país) e tem de levar o Nordeste nas costas, mesmo tendo de ver boa parte… Read more »

Lyw
Lyw
7 anos atrás

As principais potências já iniciaram uma corrida pela apropriação de áreas oceânicas com reservas de “terras raras”. Atualmente ainda não é economicamente viável, mas em um futuro próprio o será e a prova disto é que todos estão correndo pra garantir o seu pedaço.

Meu temor é que o Estado Brasileiro em sua corriqueira lerdeza irá demorar tanto para reivindicar o Elevado Rio Grande que a China (que já espreita o atlântico sul a um tempo) fará o pedido antes e tomará conta deste tesouro (futuro) submerso.

Lyw
Lyw
7 anos atrás

cristiano.gr disse:
19 de fevereiro de 2013 às 15:11

Cristiano, sinceramente não consigo conceber de onde tirastes esta ideia sem pé nem cabeça de que o o Rio Grande do Sul carrega o Nordeste nas costas. Me desculpe a grosseria, mas se é pra falar besteira, é preferível que não se saia do tema proposto a ser debatido neste post.